segunda-feira, 12 de novembro de 2012

China em marcha para a crise



Roberto Nascimento
A corrupção em larga escala dos dirigentes do Partido Comunista, praticamente inexistente sob o comando de Mao Tsé Tung e agravada após a guinada rumo ao capitalismo, periga levar o país mais populoso do mundo a dissolução do Estado.
Apesar da China ser a segunda maior economia do mundo, em condições de ultrapassar os EUA já em 2016, ainda existem muitos pobres e uma realidade de país subdesenvolvido. Os chineses são os maiores exportadores de capitais para paraísos fiscais, comprometendo a poupança interna e o investimento em infra-estrutura. Entretanto, a crise iniciada em 2008 começa a ter seus efeitos no crescimento de dois dígitos. Seus produtos baratos e competitivos começam a encalhar devido a diminuição do consumo de europeus e americanos, estes mergulhados em grave crise, que ameaça o Euro e o modo de vida americano exportado para o mundo como a panacéia a ser copiada.
O rápido desenvolvimento econômico a partir da década de 80 provocou sequelas definitivas no meio ambiente. Inexistem na China políticas autossustentáveis, a poluição do ar e dos rios é endêmica. Trata-se de um cenário dantesco, na acepção da palavra.
A população trabalhadora recebe os menores salários dentre os países da Ásia, a mão de obra se aproxima da escravidão. Os direitos trabalhistas preconizados pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) não são respeitados pelos capitalistas chineses. Não é sem razão que começam a ocorrer motins nas fábricas.
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CORRUPÇÃO
Além dos privilégios dos dirigentes em meio à escassez do povo, as famílias enriqueceram ilicitamente. Este ano, a reputação dos dirigentes chineses foi abalada pelo escândalo de corrupção envolvendo o dirigente de uma das mais prósperas províncias do país e candidato a membro do Politiburo, Bo Xilai, filho de um destacado herói da grande marcha rumo ao comunismo. A esposa de Bo Xilai foi condenada por participar de uma trama que levou a morte de um empresário britânico.
O presidente atual Hu Jintao será substituído em março por Xi Jinping e o primeiro ministro Wen Jiabau, provavelmente será substituído por Li Keqiang. Em discurso de despedida nesta semana, o presidente Hu Jintao destacou o combate a corrupção como condição primordial para a sobrevivência do Estado e a estabilidade política. O que os dirigentes mais temem é uma nova Primavera de Pequim avassaladora e incontrolável à moda da Primavera Árabe. O exemplo da dissolução do comunismo da antiga União Soviética assusta os pensadores do PC.
Em reportagem recente, o jornal americano New York Times destaca o enriquecimento da família do primeiro ministro Wen Jiabao, que deteria uma fortuna avaliada em US$ 2,7 bilhões de dólares. Para que a notícia não chegasse aos chineses, o governo retirou a página do jornal na Internet e em todas as mídias eletrônicas. Para piorar o quadro, já desgastado, a família do novo presidente que comandará a China e será o novo Secretário geral do partido Comunista, Xi Jiping, que detém uma fortuna de US$ 400 milhões de dólares, diluída em patrimônios e investimentos, conforme reportagem da correspondente de O Estado de S. Paulo, Cláudia Trevisan, diretamente de Pequim.
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ABERTURA POLÍTICA
A China tem 82 milhões de dirigentes e filiados do Partido Comunista, ante um bilhão e 300 milhões de habitantes. É governada com mão de ferro pelos dirigentes e pelo Exército chinês. As profundas contradições que experimentam os seus líderes após a virada para o modo de produção capitalista na economia, enquanto convive com o regime comunista de governo, opressor, sem liberdade, sem voto pode desencadear um processo de dissolução impossível de ser freado. Basta uma pólvora para o início de uma explosão. A história ensina que os processos exigem mudança de rumos. Caso contrário, os fatos provocam as crises que formam o caos, que acabam mudando tudo.
E pelo andar da carruagem da crise na Europa e nos Estados Unidos, a China, ao invés de solução, pode se tornar em uma labareda sem precedentes no mapa mundial.
Ainda teremos muitas emoções até o final do século.

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