08/06/2014
Carlos Brickman
Robson Marinho, homem-forte do Governo Mário Covas, iniciador da dinastia tucana que se mantém até hoje no poder em São Paulo, afastou-se de seu cargo no Tribunal de Contas do Estado. Marinho, segundo investigação suíça, é suspeito de ter recebido US$ 2,7 milhões em propinas da multinacional Alstom, em seus tempos de Governo Covas, para facilitar a assinatura de bons contratos. Mas não tire conclusões apressadas, caro leitor: Marinho não deixou o cargo para facilitar a investigação. Deu uma saidinha, só até o próximo dia 16, em gozo de licença-prêmio. E sua situação melhorou muito, porque os suíços costumam levar as investigações a sério. Suspenderam sua colaboração com o Brasil porque a documentação sigilosa que enviaram foi entregue ilegalmente à imprensa – sabe como é, que otoridade não ama uma câmera? O Ministério Público paulista e a Procuradoria-Geral de Justiça prometem investigar o vazamento de informações. Não deve ser difícil se, como este colunista, gostarem de filmes antigos. Em 1955, Billy Wilder filmou, com Marilyn Monroe, O Pecado Mora ao Lado.

E, já que estão investigando vazamento de informações, poderiam ampliar um pouco o foco de seu trabalho. Por exemplo, num organismo complexo como um Governo estadual, é possível a um secretário montar sozinho um esquema que lhe permita facilitar a assinatura de contratos? E os órgãos de controle, que é que fazem? Se Marinho agiu solitariamente, o Governo falhou por omissão. Se o Governo não falhou por omissão, então Marinho não estava só.
Cadê os outros?
Questão de nível
Cidinha Campos
Local: o plenário da Assembléia Legislativa do Rio. A deputada Cidinha Campos, do PDT, propôs que o Código de Ética da Casa fosse modificado para que deputados não possam votar em processos nos quais sejam acusados.
Domingos Brazão
O deputado Domingos Brazão, do PMDB, explodiu: chamou Cidinha (excelente parlamentar, jamais envolvida em escândalos) de “prostituta” e “vagabunda”. E foi adiante (fazendo com que Cidinha registrasse queixa contra ele na Delegacia da Mulher): “Nunca matei prostituta, mas você eu gostaria”.
Aliás, ele não a chamou de prostituta, mas usou o termo chulo mais popular.
Amigo secreto 1
Maluf e Padilha