sexta-feira, 23 de junho de 2017

O maldito vira-casaca! - por Fernão


23 de junho de 2017
Artigo para O Estado de S. Paulo de 23/6/2017
Vingado “o golpe”, estropiado o PSDB, tarde demais para o Brasil, o dr. Janot se anuncia disposto a conceder que existe sim diferença entre “caixa 2” para financiamento de campanhas e o comércio de leis e de acesso aos cofres do BNDES e das “brases” para cumplices no crime publicos e privados se locupletarem, seja de dinheiro, seja de poder ilimitado pela compra da desmoralização da política.
Estes que, ainda que descuidando de examinar a origem, tomaram contribuições privadas apenas para financiar campanhas por mandatos com início e fim – como tomaram todos quantos disputaram eleições nestes 32 anos – eram maioria no Congresso Nacional conforme estava prestes a ficar provado com a aprovação das duas reformas mandadas por Temer. Uma arranharia de leve o desfrute ilegal-legalizado dos dinheiros públicos pelo “marajalato” de que a corporação do Judiciário ocupa o topo. A outra tiraria de cena, junto com o trabalhismo de achaque, o imposto sindical com que, já lá vão 74 anos, Getulio Vargas garantiu que no Brasil, em se plantando democracia representativa, não dá.
Tudo foi providencialmente abortado na véspera de acontecer, mais que pela delação, que sozinha não tem força para tanto, pelas emocionantes “ações controladas” com que o dr. Janot sentiu a necessidade de ilustra-las, urdidas para o sócio do BNDES de Lula executar e para Luiz Edson Fachin, aquele juiz que discursava cheio de paixão nos comícios eleitorais de Dilma Rousseff, homologar em tempo recorde.
O reconhecimento dessa diferença a tempo poderia ter proporcionado a virada do cabo das tormentas a que estamos agarrados ha tres anos por dentro da política. Era o que antecipava uma população tão carente de qualquer gesto a seu favor que fez a economia real reagir antes de qualquer mudança concreta apenas por ter ao longo de um ano no primeiro posto da Republica alguém que falava de Brasil e não apenas de si mesmo. Mas o alinhamento que se ensaiava da política com remédio contra a política sem remédio a favor do Brasil não interessava, nem à “privilegiatura”, nem a quem sairia do episódio como o grande derrotado da conspiração mapeada desde o mensalão para “corromper a política” – e não só políticos – e impor ao país uma “hegemonia” bolivariana.
O efeito final que não se conseguiu com dinheiro acabou sendo produzido por essa cegueira temporária da justiça. Com todos os políticos amarrados no mesmo saco e ameaçados de afogamento iminente, Brasília se apropriou da marca de Curitiba e, rápida como um raio, reescreveu a “narrativa” da operação Lava Jato: o maior instrumento da conspiração para destruir a política com dinheiro, valendo quatro Odebrechts em numero de almas arrecadadas para o diabo, é reapresentado à platéia como o herói arrependido da luta contra a corrupção “dos brasileiros”; Michel Temer e Aécio Neves, o pedinchador de merrecas, passam de coadjuvantes a “chefes da quadrilha mais perigosa do Brasil”, e Lula, coitado, é transposto para os bastidores como um incauto abusado pelos ministros em quem ingenuamente confiou enquanto o solerte Renan, que sempre sabe onde é que a lepra vai recidir, dava no Senado a primeira punhalada na reforma trabalhista.
Ha muito, já, que o crime aprendeu a instrumentalizar a imprensa. Planta indignação para colher arbítrio com a mesma fria premeditação do terrorista que semeia pânico para colher ditaduras. Mas os jornalistas recusam-se olimpicamente a levar em conta esse dado da realidade. Graças a isso, ao dolo que sempre rondou a operação desse poder coadjuvante (o “4º”) das republicas porque poder ele é, também a leviandade do dono, a vaidade do reporter, a pusilanimidade do chefe e até a competitividade das empresas passaram a pesar sem peias na equação que transformou a arma antes mais temida na arma hoje mais acionada pelos inimigos da democracia no Brasil.
Vão pelo mesmo caminho os nossos Ministério Público e Poder Judiciário televisivos. Se estavam “funcionando as instituições” como se consolavam os brasileiros em dizer mais perto do espigão, isto já não é tão claro a esta altura da nossa ladeira abaixo pois nem na nossa vasta constituição está escrito qualquer coisa que autorize essa Lava Jato made in Brasilia, a elevar “pegadinhas” à condição de prova, homologar gravações sem gravadores, dar aos grandes a indulgência plenária negada aos pequenos ou “destituir” com um murmúrio de um indivíduo solitário 56 milhões de eleitores (ainda que traídos) sem processo nenhum.
Das 1829 almas angariadas pelos perdoados ésleys, o dr. Janot e o dr. Fachin monocraticamente contentaram-se só com duas. E para tras até da Fifa, seus colegas do STF, onde todos os votos querem continuar para todo o sempre “magníficos”, recusam a contraprova da realidade: se está contra a lei e está contra os fatos, danem-se a lei e danem-se os fatos. Mas não demorou muito e já temos mais um flagrante de contato de mucosas sem proteção entre acusados e acusadores desta delação a entortar a retidão da indignação pública tão cuidadosamente semeada. La estavam Lula, Joésley, Temer, Eduardo Cunha e sabe-se lá mais o que juntos uns nas casas dos outros, a nos dizer de novo o que já estamos cansados de saber: que não ha santos, ha apenas dossies ainda inéditos.
O pano de fundo que todos cuidam juntos de omitir, imprensa à frente, é o que imediatamente desconfunde toda essa aparente confusão: o quão estupenda é a passagem do marajá por este vale de lágrimas e doce é a vida sem crise do nomeado ou do concurseiro que consegue saltar da nau dos que sustentam para a nau dos que são sustentados!
Tem um Brasil que precisa de reformas para sobreviver e tem um Brasil que não sobreviverá a reformas. Um onde o salário só sobe e outro onde salário não há. Um que tem todos os direitos adquiríveis e outro que não tem direito nenhum.
É isso, sem emoções, que precisa acabar.
Não é pelo passado, em que se lambuzaram todos com todos, que Temer está sendo fuzilado. É pelo que propos para o futuro, o maldito vira-casaca!

As 15 melhores invenções de Israel de todos os tempos


Coisas Judaicas

Esta notícia foi adaptada do site Israel21C.
Um dos maiores motivos de orgulho de Israel é o enorme número de invenções e inovações que foram desenvolvidas em seu território nos últimos 69 anos. A mente israelense, em constante agitação, trouxe-nos a irrigação por gotejamento, o tomate cereja, a rede de carros elétricos, o pendrive e muito mais. O ISRAEL21c apresentou as 45 maiores invenções de Israel e aqui listamos nosso top 15.
Given Imaging, uma líder mundial no desenvolvimento e comercialização de soluções não agressivas a pacientes para a visualização e detecção de doenças do trato gastrointestinal, agora mais conhecida por sua PillCam (também conhecida como endoscopia por cápsula), a qual, no momento, representa o padrão de excelência em visualização intestinal.
Netafim, uma pioneira mundial em microirrigação e irrigação por gotejamento inteligente que parte da ideia do engenheiro israelense Simcha Blass para a liberação de água em gotas lentas e controladas, de modo a fornecer a irrigação precisa da plantação. A empresa, controlada por um kibutz (tipo de associação comunitária), opera em 112 países, com 13 fábricas ao redor do globo.
Pythagoras Solar fabricou a primeira janela solar do mundo, a qual combina energia, eficiência, geração de eletricidade e transparência. Essa unidade de vidro fotovoltaico transparente pode ser facilmente integrada a um edifício de design convencional e a processos de construção.
Hazera Genetics, um projeto de dois professores da Faculdade de Agricultura da Hebrew University que produziu o tomate cereja – um legume saboroso que amadurece lentamente e que não apodrece no transporte.
EpiLady, o primeiro removedor de pelos elétrico, garantiu sua posição de liderança no mercado internacional de cuidados de beleza e, desde 1986, vendeu quase 30 milhões de unidades.
3G Solar foi pioneira em uma alternativa de baixo custo para o silício, a qual gera significativamente mais eletricidade do que os módulos solares fotovoltaicos a um custo mais baixo por quilowatt/hora.
MobileEye combina uma pequenina câmera digital com sofisticados algoritmos para auxiliar condutores a navegar de maneira mais segura. O dispositivo vinculado a um sistema de condução soa um alerta quando um condutor está prestes a mudar de faixa inadvertidamente, avisa sobre uma colisão iminente a frente e detecta pedestres. O MobileEye tem acordos com a GM, BMW, Volvo, entre outros e foi recentemente adquirida pela Intel em uma transação colossal de US$ 15,3 bilhões.
Rav Bariach introduziu a porta de aço de segurança que se tornou padrão em Israel. Sua trava geométrica, cujos cilindros se estendem a partir de diferentes pontos na estrutura da porta, é incorporada em portas à venda em cinco continentes.
A tecnologia de sinopses por vídeo da BriefCam permite a espectadores avaliar e indexar filmagens em vídeos de longa duração mostrando, ao mesmo tempo, múltiplos objetos e atividades que, na verdade, ocorreram em horários diferentes. Essa tecnologia diminui drasticamente o tempo e o recurso humano envolvido no monitoramento de eventos e em descobertas forenses e de provas.
O pendrive, o pequeno dispositivo de armazenamento polivalente produzido pela SanDisk, foi inventado por Dov Moran como uma versão atualizada da tecnologia de CD e disquete, por meio do uso de memória flash e interface USB para conexão com computadores pessoais
Solaris Synergy inovou com uma forma não agressiva ao ambiente e economicamente benéfica de fazer painéis solares flutuarem na água, ao invés de ocupar valiosas terras, gerando energia enquanto protege e limita a evaporação da superfície de reservatórios.
Os sistemas únicos de fornecimento de ar da Like-A-Fish extraem ar da água, dispensando mergulhadores, profissionais ou de lazer, do uso de escafandros, bem como submarinos e ambientes subaquáticos de tanques de ar.
WatchPATdo Itamar Medical é um dispositivo de diagnóstico portátil aprovado pelo FDA para o tratamento de monitoramento da apneia do sono no próprio quarto do paciente, ao invés de em uma clínica de distúrbios do sono.
A unidade Space Imagery Intelligence (IMINT), da Elbit Systemsproduziu uma “câmera espacial” – um sistema de observação eletro-óptico leve e compacto para aplicações científicas, comerciais e governamentais.
A solução de monitoramento contínuoEarlySense permite que enfermeiras acompanhem e registrem a frequência cardíaca, respiração e os movimentos de pacientes de forma remota, por meio de um sensor sem contato manual posicionado sob o colchão. As ferramentas incorporadas ao sistema incluem uma ampla gama de relatórios sobre o status de pacientes, incluindo alertas de quedas e prevenção de escaras.
Fonte: Israel21C 

VIA DO FATO – @&*)+#℗*¥(¨¨ - por Rapphael Curvo



Raphael-Curvo
Rapphael Curvo

A desastrosa atuação do governo nos seus acertos políticos nos passa o sinal de que tudo vai muito bem para encaminhamento do Brasil ao desastre. Não há mais condições de permanecer vivendo a situação que por ora passamos, estamos no limite. A falta de atitude daqueles que ainda se salvam do mar de lama é comprometedora, indica que estão submissos aos ditames dos chefes de gangues que dominam o governo e o Congresso Nacional. Pior é uma sociedade vacilante e desinformada tomando o comportamento de um avestruz, se escondendo dos fatos ao se induzir descompromissada com os acontecimentos. O mais grave é a aceitação passiva dos empresários e, principalmente, a omissão das suas instituições representativas, que deveriam estar à frente do enfrentamento a esse desmoronamento político, ético, moral e econômico. Dói na alma ver todo esse “poderio” de forças se acovardar diante desses bandos que já não respeitam mais nada e deslavadamente consomem o sangue do povo brasileiro e se infiltram até mesmo na maior Corte da Nação. Todos estão jogando no colo do Juiz Sérgio Moro a responsabilidade de restaurar a decência na vida do Brasil. É uma covardia deixá-lo sozinho nessa insana luta.

Ladrões como toda essa turma do PT que governou o Brasil, já deveriam há muito estar sendo banidos de qualquer menção na mídia e nos discursos no seio empresarial. São marginais e não merecem nenhum dedo de razão em suas justificativas, muito menos de se utilizarem de chicanas jurídicas para se safarem. Usurparam de tudo que lhes foi dado pelo voto popular, saquearam todos os poderes que lhes foram transmitidos pela confiança da população. Mentiram, iludiram e desmantelaram com ações, próprias de terroristas, toda uma estrutura que se encaminhava para o tão sonhado desenvolvimento do nosso País e que hoje está na lata de lixo. Somos uma Nação em desespero e os muitos que podem financeira e intelectualmente viver fora, estão indo embora. É um esvaziamento silencioso desses valores, são quase cem brasileiros diariamente mudando para o exterior. São pessoas desesperançadas ao perceber o lamaçal em que estão se afundando todas as corrompidas instituições do Brasil.

É vergonhoso ver a grande imprensa brasileira ainda dar espaços a essas gangues que assaltaram e ainda conseguem assaltar o Brasil. Elas fazem parte, e não há como contestar, da estratégia dos bandidos travestidos de “esquerda” que se utilizam da frustração popular e com isso criar a ilusão de que podem resolver e dar solução a todos os problemas. É uma desfaçatez e covardia com a população que pela incompetência dos governos brasileiros, é mantida cercada dentro do estábulo da ignorância. Fica fácil chegar até ela com mensagens mentirosas e enganadoras. Não se fala da cassação do registro partidário do Partido dos Trabalhadores, o foco de toda essa rapinagem cometida com o dinheiro dos cofres do povo. A população mal sabe que toda a farra, e que até o momento ainda realizam os petistas e seus apoiadores, vem do dinheiro que ela paga nos impostos embutidos nos preços dos alimentos, dos remédios, dos combustíveis, dos transportes e por aí vai.

A população não desconfiou e nem desconfia que milhares de produtos que ela compra e utiliza, como exemplo o preço das passagens de transporte municipal, tem sua origem nos custos que vem da Petrobras, assaltada que foi pelos meliantes petistas e seus apoiadores, incluso Temer. Ela, a Petrobras, para sobreviver e bancar os desvios de dinheiro pelos corruptos que ocuparam o governo, e muitos ainda ocupam, teria que aumentar os preços dos derivados do petróleo. O governo petista, em muitos períodos, não realizava esse aumento para se mostrar popular, mas não diminuía, em contrapartida, sua sanha pelo dinheiro pela Petrobras arrecadado e transformado em propinas para os detentores do Poder. O resultado foi a quebra da petroleira que ainda sangra, mas com possibilidades de recuperação. Estamos vivendo o período mais crítico dessa passagem política que vive o Brasil, é um momento crucial de definição. É aquele momento que vai nos dar a certeza do crescimento como Nação ou vai nos dar a certeza do irreversível desmantelamento de nossas instituições com sérios problemas na organização social. Ou você toma jeito ou vai tudo pra @&*)+#℗*¥(¨¨.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Editorial do Estadão: SEM RUMO


Augusto Nunes, 24/05/2017

Augusto Nunes

Depois de ter praticado graves e inúmeros crimes, Joesley recebeu somente uma multa de R$ 110 milhões, que, diante do seu patrimônio, é irrisória.

São um insulto aos brasileiros de bem e um escárnio da Justiça os termos da colaboração premiada assinada entre o sr. Joesley Mendonça Batista e a Procuradoria-Geral da República (PGR), já que acintosa e escandalosamente benéficos ao delator. Depois de ter praticado graves e inúmeros crimes, o sr. Joesley recebeu tão somente uma multa de R$ 110 milhões, que, diante do seu patrimônio, é irrisória.

Atônito ficou o País ao saber que o Ministério Público (MP) se comprometeu a não oferecer denúncia contra o sr. Joesley em relação a qualquer dos crimes delatados, em frontal desobediência à lei, que veda esse tipo de benefício aos que são líderes de uma organização criminosa (Lei 12.850/2013, art. 4.º, § 4.º, I). Não era necessária especial sagacidade à Procuradoria para atinar que o sr. Joesley era, de fato e de direito, o líder da organização criminosa. Nos vídeos gravados pela PGR, a fala do sr. Joesley é explícita a respeito de quem tinha a voz de comando na operação, definindo o que fazer e o que não fazer.

Ainda mais grave que a colaboração premiada foi a reação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diante dos questionamentos a respeito da lisura e da conveniência de uma delação tão benéfica a um criminoso da laia do sr. Joesley. Evidencia que o País tem hoje um procurador-geral da República desnorteado, que parece desconhecer o seu papel e a sua responsabilidade.

Em artigo publicado no portal UOL, Janot reclama que “o foco do debate foi surpreendentemente deturpado. Da questão central – o estado de putrefação de nosso sistema de representação política – foi a sociedade conduzida para ponto secundário do problema – os benefícios concedidos aos colaboradores”. Ora, o debate não foi deturpado. É plenamente legítimo que a sociedade questione a razão para se conceder um ilegal benefício ao sr. Joesley. O procurador-geral, no entanto, não está disposto a debater essa questão, e prefere simplesmente reafirmar sua querida tese: “O estado de putrefação de nosso sistema de representação política”.

Eis aí uma deficiência séria que se observa na atuação do Ministério Público. Alguns de seus membros estão deixando de lado o trabalho que lhes cabe – a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, como diz a Constituição – para se ocuparem primordialmente de uma causa política, a demonstração de que todas as instituições, exceto o Ministério Público, estão podres.

Tal visão das coisas não encontra respaldo nos fatos. O sr. Joesley garantiu que não comprava apenas políticos, mas também procurador. Ou seja, o MP não é incorruptível e exige, como qualquer instância pública, controle e acompanhamento.

Com toda essa história, ficou claro que o sr. Joesley conseguiu engambelar perfeitamente o procurador-geral. “Em abril deste ano, fui procurado pelos irmãos Batista”, narra Rodrigo Janot no artigo que publicou em sua defesa. “Trouxeram eles indícios consistentes de crimes em andamento – vou repetir: crimes graves em execução –, praticados em tese por um senador da República e por um deputado federal.” Como se saberia depois, ele não resistiu aos encantos dos dois irmãos e deu-lhes remissão da pena em troca das preciosas informações que eles tinham para contar. Das quais, por sinal, não verificou a veracidade antes de dar-lhes publicidade.

Melhor seria que o MP não estivesse tão desejoso de receber com facilidade delações e denúncias, e se dedicasse à investigação propriamente dita. Trabalhasse da forma como deveria, sem entrar em choques tão frequentes com a Polícia Federal, o procurador-geral da República não teria tanta certeza, mencionada no artigo, “de que o sistema de justiça criminal jamais chegaria a todos esses fatos (narrados pelos irmãos Batista) pelos caminhos convencionais de investigação”. É perigoso para um País quando o procurador-geral da República confere mais crédito aos caminhos não convencionais que aos caminhos convencionais de investigação. Como se vê, há mais que indícios de que o sr. Janot já não sabe onde se situa o norte firme da lei e da Constituição. Se excessos ou omissões há de sua parte, a Constituição prevê caminhos para sua substituição. Afinal, numa República, sempre deve prevalecer a lei e a ela também se sujeita aquele que deve guardá-la.

Limpar Brasília? Varrer os corruptos? Cuidado com seus desejos…


Está mais do que na cara (e na tonalidade avermelhada predominante) que os atos de terrorismo ocorridos ontem na capital federal foram protagonizados pelos indefectíveis movimentos coletivos financiados – a base de imposto sindical e outras fontes ímprobas – pelos mesmos grupos de extrema-esquerda de costume, sob o aplauso e contando com o suporte de senadores e deputados “progressistas”.
Como decorrência natural (e pretendida desde o início), tudo descambou para a barbárie, com prédios públicos incendiados e depredados, em um episódio dantesco que guarda muita similaridade com um caso ocorrido recentemente no Paraguai, quando apoiadores do ex-presidente Fernando Lugo (destituído do cargo em meio a mortais conflitos agrários insuflados pelo próprio bispo comunista)  atearam fogo ao parlamento do país vizinho.
Pouco provável, pois, que em meio àquela multidão ensandecida no planalto central houvessem muitos trabalhadores honestos que ralam todo santo dia para sustentar a família. Pelo mesmo motivo, não há como considerar que o desrespeito ao patrimônio público e as cenas de praça de guerra não tenham sido premeditados por Guilherme Boulos e demais agitadores que sabe Deus porque estão soltos até hoje.
Tratava-se, indiscutivelmente, de ação de milícias despudoradamente orquestrada para engendrar o retorno de Luiz Inácio ao posto máximo do Executivo Federal, de forma que este possa tanto escapulir das mãos de Sérgio Moro quanto cumprir sua promessa de mandar prender seus desafetos – o que só é exequível em um regime ditatorial feito a Venezuela (bingo).
Tal projeto de retorno por cima do Amigo da Odebrecht passa necessariamente por uma inconstitucional convocação de eleições diretas neste momento, a qual ainda eliminaria, por tabela, a chance de que, pela via (legal) indireta, o Congresso Nacional pudesse indicar um nome de consenso para conduzir a aprovação das reformas necessárias para nos tirar do buraco onde o “nova matriz macroeconomia” nos atolou.
Mas aí vem o porém desta inequívoca constatação: se a turba de marginais que vandalizou Brasília não era composta do que podemos chamar de “cidadãos de bem”, em meio a plateia de brasileiros que acompanhava o desenrolar de eventos pela televisão havia uma parcela de indivíduos que não conseguia (nem pretendia) esconder uma certa empolgação diante das labaredas e dos sons de bomba.
Assistir ao covil dos criminosos de colarinho branco ser tomado de assalto, especialmente após as revelações que jogaram na lama o governo Temer, mexeu com a adrenalina de muitas pessoas respeitadoras de leis e que só querem o melhor para nosso povo. Pude testemunhar isto acontecendo em mais de uma oportunidade durante este dia que já está na história do Brasil, quando restou clara a identificação e a (suposta) comunhão de certos propósitos entre arruaceiros e pacatos sujeitos que tomavam ciência da bagunça pela mídia.
O sentimento que lhes acometia era expresso em sentenças como “tinha que fazer uma limpa mesmo nesta pouca-vergonha”, “só varrendo todos estes caras de lá para resolver”, e por aí vai. Isto é, o instinto natural diante do caos de jogar tudo para o alto e começar do zero fez-se presente com bastante força, afetando mesmo àqueles sem qualquer identificação política ou ideológica.
Tanto é assim que andou circulando de forma frenética pelas redes sociais esta sugestão de “Decreto Popular” cujo teor reflete exatamente este anseio em “resetar” o Legislativo e o Executivo. Tal cenário hipotético atenderia, curiosamente, aos interesses daqueles poucos afeitos a respeitar o processo democrático:
É compreensível: as pessoas estão cansadas de serem metralhadas rotineiramente com tantos casos de desvios do dinheiro por elas pagado a duras penas aos coletores de impostos, e elas perdem por completo, destarte, o último resquício de crença na resolução ordeira. A maioria delas está farta de ser impedida de viver sua vida tranquilamente, à margem das intrigas politiqueiras. 
Torna-se reação espontânea, neste contexto, cerrar o punho e desejar que “toda aquela corja seja arrancada de lá na marra”. Mas quem dera fosse assim tão simples, ou que tal expediente pudesse ao menos amenizar o problema – ao invés de agravá-lo, e muito.
Senão vejamos: nas eleições de 2014, 198 novos deputados federais foram empossados, gerando na Câmara Federal  uma taxa de renovação de 43,5%, índice este acima do número de 2010 (42,3%), mas não comparável aos níveis de 1994, quando os que assumiram novos mandatos eram mais da metade da Casa.
Diante desses números, indague-se: alguma coisa mudou (para melhor) face a esta considerável mudança de caras no parlamento nos últimos tempos? Evidente que não, visto que todas as mazelas do país, desde então, apenas aprofundaram-se.
Eis aí o X da questão: se fosse possível, hoje, fazer com que todos os ocupantes de cargos eletivos fossem abduzidos por uma nave extraterrestre, assumiriam seus postos não anjos abençoados pela santíssima trindade, mas sim indivíduos comuns que, diante de tantas e tamanhas oportunidades de estabelecer laços entre a máquina pública e empresários que não curtem concorrer no livre mercado (amealhando muita grana na Suíça como recompensa), procederiam da mesmíssima forma que seus antecessores.
Observe-se, ainda, o que ocorre na sofrida Venezuela estrangulada pelo “socialismo do século XXI”: a oposição ao regime totalitário chavista é encabeçada por Henrique Capriles, um autodeclarado adepto do…socialismo! Ou seja, ainda que nossos vizinhos do Norte lograssem por fim à ditadura comunista de Maduro, a mentalidade anticapitalista que trouxe o caos e a fome para o outrora quarto PIB per capita mundial seguiria viva e pulsante na administração pública, sendo apenas questão de tempo para que o fantasma coletivista voltasse a assombrar aquele povo.
E por aqui não seria muito diferente: se considerarmos os políticos todos “farinha do mesmo saco podre”, a tal ponto que seríamos capazes de apoiar empreitadas aventureiras (de esquerda ou de direita) que visassem “passar a limpo” (na teoria é lindo) as instituições governamentais, estaremos pedindo o mesmo destino de outros países assolados pela praga dos governos onipresentes, onde os pleitos eleitorais nada mais são do que ocasiões esporádicas nas quais troca-se o cafetão mas mantém-se a pleno vapor a prostituição – difícil pensar em um exemplo melhor do que o México governado (e destroçado) por 70 anos pelo PRI.
Aliás, o próprio Luiz Inácio, em 2009, afirmou que estava muito satisfeito com a conjuntura que se desenhava para as eleições do ano seguinte, pois somente o ideário de esquerda estaria representado nos candidatos ao mais alto posto da República. Como discordar?
Ou seja, se, finalmente, conseguimos assimilar que a atividade política atrai sobretudo as pessoas de pior caráter da nação, a providência a ser tomada a seguir não é chutar o balde, aloprar, pedir anarquia ou, pior ainda, ser ingênuo a ponto de achar que “seria bom convocar os militares para fazer uma limpa”, mas sim clamar pela descentralização do poder político e econômico, de Brasília para os estados e municípios, da esfera pública para a iniciativa privada, dos tecnocratas para os cidadãos comuns.
Se concordamos todos, enfim, que os políticos são o que há de pior no Brasil, que seja a eles relegada fatia muito menor das riquezas produzidas em território nacional. Quanto menos tarefas forem a eles atribuídas, tanto melhor. Quem sabe, desta forma, não poderíamos até mesmo nos dar ao luxo de dizer que “tanto faz” quem será nosso presidente da República, uma vez que este cargo seria dotado de reduzido potencial lesivo à sociedade. Tanto a experiência suíça quanto as nações parlamentaristas  (e suas trocas de chefe de governo bem menos traumáticas) deixam claro que este é o caminho.
Eis a lição que fica: diante de um quadro deprimente como o observado atualmente em nosso país, não pense em aderir ou mesmo assentir com militantes de utopias – tipo aquelas que pretendem, com uma passe de mágica, jogando uma bola de fumaça no chão (ou propondo “decretos populares”), fazer sumir todos os corruptos, permutando-os por funcionários públicos de conduta exemplar. Jacobinos e outros revolucionários mundo afora bem que tentaram tal proeza, mas foram dormir sonhando com o paraíso e acordaram com Napoleão, Stálin, sem papel higiênico no banheiro e com muita, mas muita fome.
Respondendo antecipadamente a um questionamento que já ouvi diversas vezes: “mas quando os mandatários do país serão capazes de promover tais mudanças?”. Bom, embora seja difícil precisar, é possível afirmar a partir de quando este fenômeno pode vir a ocorrer por aqui: a partir do momento em que desejarmos que ele aconteça. Não antes. Até lá, quanto mais Estado, melhor para as maracutaias nos corredores do poder. Se nós não deixarmos claro que queremos essas modificações de paradigmas, não serão os beneficiados pelo status quo que irão alterá-lo de próprio alvitre. Não mesmo.
Nas sábias palavras de Hannah Arendt:
“Que seja a a parteira da história não a violência, mas a negociação, que reforma o que nos opõem e fortalece o que nos une”.

FONTE -  https://bordinburke.wordpress.com/2017/05/25/limpar-brasilia-varrer-os-corruptos-sinto-informar-que-nao-vai-rolar/

Mais 20 perguntas sobre Janot e os ésleys


25 de maio de 2017 
De 7 de março quando Joésley gravou a conversa fatídica no Jaburu até 17 de maio quando a Globo a despejou sobre o Brasil transcorreram 71 dias. O que aconteceu entre uma coisa e outra é uma enorme interrogação. Entre as dúvidas que ainda estão no ar, destaco as seguintes:
1 – Como tudo isso começou? Os ésleys procuram Janot ou é o contrário? Em que data?
2 – Apresentaram-se a Janot com a gravação em mãos junto com seus advogados ou sozinhos? Apostaram no escuro que Janot aceitaria essa “sua ideia”? Que crime ficaria caracterizado se isso tivesse ocorrido ao contrário e Janot tivesse instruído essa gravação?
3 – O que Janot fez nos 70 dias subsequentes? Confiou só na memória depois de ouvir a fita? Gravou tudo em outro aparelho sabendo que isso invalidaria a prova? Porque deixou o “Gravador 1” com os ésleys até dois ou tres dias depois do seu conteudo ter sido apresentado à Globo, primeiro, e à nação por último, e o “Gravador 2” voltar com eles para NY até ter sua existência admitida uma semana depois?
4 – Os ésleys já ofereceram seu grampo contra a anistia total e absoluta para todos os seus crimes? Janot não “regateou” nada? Quando começou e quanto tempo levou essa parte da negociação março adentro?
5 – Como organizaram a lista de quem da JBS iria depor? De que crime era acusado cada depoente? Janot acreditou na palavra dos ésleys para isso ou esses depoentes já estava sendo processados? Cada um deles negociou o perdão de seu crime ou foram todos perdoados de cambulhada na “conta de ganhos e perdas para o Brasil” do Janot?
6 – Quanto tempo toma cada depoimento? Em que data ocorreu e quantas horas dura cada gravação? Alguém entrou na lista de delatores em “2a chamada” ou nada do que os procuradores de Brasília foram ouvindo lhes sugeriu que alguem mais tivesse de ser ouvido além dos nomes que os ésleys indicaram?
7 – Quando os ésleys e seus funcionários tiveram aquele “treinamento de 15 dias” que a PGR já admitiu ter-lhes dado para as demais “ações controladas”? A partir de que data e até que data? O treinamento foi dado a todos juntos ou a cada um em separado? Confiou-se que não haveria vazamentos?
8 – Os alvos das “ações controladas” foram definidos a priori ou com base no que foi revelado nos depoimentos? Os ésleys também foram treinados? Foram instruídos para o encaminhamento das conversas com cada alvo visado? Ou o treinamento foi só para ações filmadas? A essa altura a quantas anda o timing a partir do grampo de 7 de março + negociações + depoimentos + quinzena de instruções + ensaios de equipes PF/JBS?
9 – De que data é cada uma das demais gravações com os alvos visados (Aécio e outros)? Em cada uma, quem faz a ligação, Joésley ou o alvo?
10 – Porque a PGR perdeu a oportunidade de pedir a Joésley que chamasse Lula e Dilma para gravar uma conversa bem orientada com os padrinhos dos “campeões nacionais” hoje “campeões mundiais”? Porque nem mesmo Mantega, a quem se atribui toda a relação entre eles e o BNDES nos depoimentos foi provocado e gravado para caracterização de uma “confissão“, como ocorreu com outros alvos das “ações controladas“? E Luciano Coutinho, do BNDES sócio dos ésleys, é chamado ao telefone a pedido de Janot? Foi grampeado? Porque não?
11 – Em que momento Rodrigo Janot envolve Luiz Edson Fachin nessa história?
12 – Fachin teve quantos dias para ouvir todas as delações gravadas para avaliar e chancelar a anistia? De quantas horas de gravações estamos falando?
13 – Alguem mais no STF ficou sabendo que essa operação estava acontecendo? Os demais ministros tiveram alguma participação no “veredicto” que liberou os ésleys? Um único juiz tem poder para decidir isso sozinho? Quem mais votou pela a anistia total?
14 – Quais os limites de cima e de baixo para acordos de leniência? Isso está previsto na lei? Tem critérios de “dosimetria” definidos ou o juiz pode fazer o que quiser?
15 – Onde está Marcelo Miller, ex-procurador da equipe de Janot? Quem é ele? Qual a participação que teve nos grampos com que Sérgio Machado pegou meio PMDB e se livrou do “paredón” e com que Bernardo Cerveró, filho de Nestor, “fuzilou” Delcidio Amaral? Em que dia deixou a equipe da Lava Jato de Brasilia? Quando foi contratado por Trench, Rossi & Watanabe Advogados, escritório que negociou com Janot a leniência em nome dos ésleys e da JBS? Em que dia começou a trabalhar no seu novo emprego? Pretende fazer uma nova carreira de advogado? Porque estava insatisfeito com a de procurador do MP federal?
16 – Qual a diferença entre a Lava Jato de Curitiba e a Lava Jato de Brasilia? Existe alguma regra para dividirem o trabalho? Quem a Lava Jato de Brasilia tinha processado antes dos ésleys? O que definiu que os ésleys fossem para Brasilia e todos os demais para Curitiba? Tem alguma regra pra isso ou foi só por acaso.
17 – Sérgio Moro estava sabendo dessas negociações/investigações com os ésleys? Foi consultado sobre a extensão dessa leniência?
18 – Descontado todo o resto da operação, coleta de provas, fim dos depoimentos, etc. em que dia começa negociação de leniência? Em que dia termina? Porque Sérgio Moro demora tanto nas suas negociações de leniência e Janot anda tão rápido? Quem dos dois esta fazendo a coisa errada? Quanto tempo demoraram as negociações precedentes de Sérgio Moro? E a dos ésleys?
19 – Em que dia os ésleys vendem as ações de sua própria companhia? O que já tinha acontecido na Lava Jato de Brasilia até esse momento? Em que dia e hora fazem sua posição em dólares? A anistia geral já estava decidida? Porque não foi anunciada à nação assim que decidida?
20 – Qual a pendência dos ésleys com o Departamento de Justiça dos EUA? Como era o programa do IPO deles por lá? Poderia ser barrado em função das regras americanas para corrupção alem fronteiras se não tivessem o perdão total de Janot? Pode ser barrado agora? Como fica a facção americana da empresa com a lei anticorrupção no exterior deles?

FONTE - https://vespeiro.com/2017/05/25/mais-20-perguntas-sobre-janot-e-os-esleys/

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Associação Nacional de Peritos ataca áudio contaminado e critica açodamento de Janot e Fachin - por Polibio Braga


Finalmente alguém resolveu por ordem no campinho e denunciar tecnicamente a irresponsabilidade com que agiram o procurador Rodrigo Janot e o ministro Edson Fachin, que botaram por água abaixo a delação da JBS e irão obrigá-los a retirar as decisões anunciadas. Ambos terão que pagar caro pelo que fizeram. Inclui-se O Globo na festa.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais emitiu uma nota que dá conta da irresponsabilidade de Rodrigo Janot e do ministro do STF, Fachin, , que consistiu em levar ao Supremo uma gravação não periciada e na aceitação de tudo por parte da Corte, que só resolveu conferir as coisas depois de queixa formal da vítima dos atos de banditismo, no caso Michel Temer:

Leia a íntegra.

Em relação às recentes notícias veiculadas pela mídia, que dizem respeito a existência de possíveis edições na gravação da conversa entre Joesley Batista e o presidente da República Michel Temer, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais esclarece que, ao se ouvir o áudio divulgado pela imprensa, percebe-se a presença de eventos acústicos que precisam passar por análise técnica, especializada e aprofundada, sem a qual não é possível emitir qualquer conclusão acerca da autenticidade da gravação. Ademais, sempre que houver vestígios materiais, é temerária a homologação de delações sem a devida analise pericial.
Cabe destacar, ainda, ser inaceitável que, tendo à disposição a Perícia Oficial da União, que possui os melhores especialistas forenses em evidências multimídia do país, não se tenha solicitado a necessária análise técnica no material divulgado; permitindo que um evento de grande importância criminal para o país venha a ser apresentado sem a qualificada comprovação científica.
Por fim, a APCF recomenda o envio imediato do áudio e do equipamento gravador ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), órgão central de perícia criminal da Polícia Federal, de reconhecida idoneidade e imparcialidade; estando convicta de que tudo será devidamente esclarecido quando forem realizados os necessários exames periciais por Perito Oficial.

domingo, 7 de maio de 2017

BANHOS DE ÁGUA FRIA - por Marli Gonçalves



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Marli Gonçalves

Para a saúde, beleza, circulação – até para sexo! Se todo mundo soubesse quanta coisa a água fria faz de bem até pararia de usar essa expressão para falar de decepção, desilusão, ou de quando alguém estraga tudo o que nos empolgava. Tô boba. Mas na verdade vocês bem imaginam porque pensei nisso. Nesse nosso enorme banho coletivo de água fria, de chuveirada. Precisamos botar água na chaleira para ferver.


A primeira vez que tive consciência do que era um banho de água fria foi na vida profissional, no Jornal da Tarde, idos dos 80. À época houve uma chacina, e sete jovens foram achados mortos à beira de uma represa. Um deles era um temido menor, de que alguns ainda devem se lembrar, Wilsinho Galileia, que vinha de uma estirpe de bandidos, Os Galileia, eram conhecidos e atuavam na região de Diadema, São Paulo. Entre os mortos, todos menores, a namorada dele, grávida, da qual infelizmente hoje não me recordo mais o nome; pouco mais do que 15 anos.


No Jornal da Tarde, histórias, gente, fatos, imagens, detalhes da vida, calor dos fatos, eram os ingredientes que o tornavam uma delícia diária de ver, ler, em textos escritos pelos que ainda hoje considero – e o são – mestres da palavra.


Mas, enfim, foi trabalho árduo de um dia inteiro conseguir detalhes importantes, alguns dramáticos, outros muito emocionantes sobre a vida da menina, a quem me coube construir o perfil. Seria uma grande matéria: abri a mala que ela havia deixado no abrigo, o que equivalia ali a conhecer todos os seus bens. O colega Fausto Macedo, por outro lado, levantava o perfil do mirrado e violento Galileia.


Já passava das dez da noite quando regressamos para a redação. Já batucava entusiasmada a máquina de escrever quando veio uma ordem de cima: a matéria não seria publicada. “Aqui não queremos o mundo cão” – era o recado seco que – lembro como se fosse hoje – me encharcou e nos deixou, eu e Fausto, arrasados.


As histórias nunca foram publicadas. Eu nunca perdi esse sentimento do banho de água fria. Com ele preparei-me para todos os outros tantos que viriam ao longo dessa vida, garanto que já não foram poucos de todas as águas doces e salgadas.


Tudo isso conto porque não achei maneira melhor de descrever o sentimento nacional que percebi essa semana com a tomada de algumas decisões do Poder Judiciário. A libertação de alguns presos por corrupção bateu muito pesado, impressionante notar. Estavam ali… rolando o desenrolar de um romance onde… os corruptos seriam todos presos, punidos e que o país num final feliz se reencontraria limpo e lépido… Mas explodiu o gerador. Acabou a luz. Caíram da escada. E veio o banho de água fria.


Temos tomado muitos banhos bem frios na cabeça. Quando a gente acha que uma coisa vai, ela nem vem, quanto mais reformada. Agora deu outra moda, a dos mesmos de sempre mudarem – certamente por vergonha, os nomes de seus partidos, jurando que fazem isso pelo nosso bem com um blábláblá de fazer bicho preguiça querer correr. Notou? Livres, Mudamos, Avante, Podemos. Se fizer DNA vai dar consanguinidade.


Como uma de minhas missões é sempre tentar ajudar, finalizo listando algumas das qualidades que encontrei e alardeiam sobre o tal banho de água fria na real, vejam só. Melhora a irrigação sanguínea. Alivia as tensões dos músculos. Aumenta o brilho do cabelo. Previne a calvície e elimina a caspa. Serve para combater a depressão e ativa as funções cerebrais. Ajuda a despertar e por o organismo em alerta. Ameniza varizes. É afrodisíaco; em homens aumentaria a testosterona. Finalmente, e a minha preferida: eleva a autoestima, com benefícios mentais e emocionais. Por quê? O sentimento de vitória por ter conseguido tomar o tal banho de água gelada.


Fica a dica, porque as coisas ainda vão esquentar muito, e a energia, literalmente, pode acabar. Nós temos de ser vitoriosos.


Marli Gonçalves, jornalista – Na vida, a última ducha de água fria que tomei até agora me faz pensar se eu não devia ter devolvido. Me veio à cabeça mamãe falando: “Tá com frio? Bate o traseiro no rio!”

SP, 2017