segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Europa: Jihadistas Levam Vantagem nos Benefícios do Sistema de Bem-Estar Social


  • Ao mesmo tempo que embolsava dinheiro dos contribuintes suíços, Abu Ramadan, conhecido salafista, pediu a introdução da Lei Islâmica (Sharia) na Suíça, urgindo os muçulmanos para que evitem se integrar na sociedade suíça. Ele também ressaltou que muçulmanos que cometem crimes na Suíça não devem estar sujeitos às leis suíças.
  • "O escândalo é tão grande que é difícil de acreditar. Aos imãs que pregam ódio contra cristãos e judeus, que criticam a depravação do Ocidente, são concedidos asilo e eles vivem confortavelmente como refugiados recebendo os proventos da assistência social. Tudo isso com a cumplicidade de autoridades covardes e incompetentes que dão carta branca aos assistentes complacentes e ingênuos do sistema de asilo e de bem-estar social". − Adrian Amstutz, parlamentar suíço.
  • Autoridades municipais em Lund continuam determinadas: elas lançaram um projeto piloto destinado a fornecer aos jihadistas suecos, que estão retornando da Síria: moradia, emprego, educação e ajuda financeira - tudo graças aos contribuintes suecos.
Um imã líbio que pediu a Alá que "elimine" todos os não muçulmanos, recebeu mais de US$600.000 em proventos de assistência social do governo suíço de acordo com a emissora suíça SRF.
Abu Ramadan chegou à Suíça em 1998, a quem foi concedido asilo em 2004 por alegar que o governo líbio o estava perseguindo por sua afiliação à Irmandade Muçulmana. Desde então Ramadan recebeu US$620.000 em proventos de assistência social, de acordo com a SRF.
Embora Ramadan esteja morando na Suíça há quase 20 anos, ele mal fala francês ou alemão e nunca teve um emprego fixo. Ramadan, de 64 anos, logo terá direito de receber uma pensão estadual suíça.
Ao mesmo tempo que embolsava dinheiro dos contribuintes suíços, Ramadan, conhecido salafista, pediu a introdução da Lei Islâmica (Sharia) na Suíça, urgindo os muçulmanos que evitem se integrar na sociedade suíça. Ele também ressaltou que muçulmanos que cometem crimes na Suíça não devem estar sujeitos às leis suíças. Em um sermão proferido por Ramadan recentemente em uma mesquita perto de Berna, ele assinalou:
"Oh, Alá, peço-lhe que destrua os inimigos de nossa religião, destrua os judeus, os cristãos, os hindus, os russos e os xiitas. Deus, peço que os destrua a todos e que devolva ao Islã sua antiga glória."
Saïda Keller-Messahli, uma ativista dos direitos humanos suiça/tunisiana realçou que Ramadan é perigoso devido à sua oposição à integração muçulmana: "não se trata de alguém que estimule abertamente a jihad, mas ele semeia em solo fértil para tanto".
Adrian Amstutz, deputado federal jogou a culpa da situação no multiculturalismo suíço:
"O escândalo é tão grande que é difícil de acreditar. Aos imãs que pregam ódio contra cristãos e judeus, que criticam a depravação do Ocidente, são concedidos asilo e eles vivem confortavelmente como refugiados recebendo os proventos de assistência social. Tudo isso com a cumplicidade de autoridades covardes e incompetentes que dão carta branca aos assistentes complacentes e ingênuos do sistema de asilo e de bem-estar social".
Beat Feurer, assessor parlamentar municipal em Biel, cidade suíça onde Ramadan vive há 20 anos solicitou às autoridades suíças que dessem início a uma investigação: "pessoalmente, sou da opinião que essas pessoas não têm nada para fazer aqui. Elas devem ser expulsas".
O escândalo de Ramadan é recorrente em países da Europa, onde potencialmente milhares de jihadistas violentos e não violentos estão usando proventos de assistência social para financiar suas atividades. O guia para os jihadistas no Ocidente - "Como Sobreviver no Ocidente" - emitido pelo Estado islâmico em 2015 orienta: "se você tiver condições de reivindicar benefícios extras de um governo, reivindique!".
Na Áustria mais de uma dezena de jihadistas amealharam proventos de assistência social para financiar suas viagens à Síria. Entre os detidos estava Mirsad Omerovic, 32, um pregador islâmico extremista que, segundo a polícia, levantou centenas de milhares de euros para ajudar na guerra na Síria. Omerovic, pai de seis filhos que vive exclusivamente às custas da assistência social da Áustria, obteve mais benefícios por intermédio da licença-paternidade.
Na Bélgica, vários dos jihadistas que participaram dos ataques em Bruxelas e Paris que resultaram na morte de 162 pessoas em 2015 e 2016 receberam mais US$59.000 em proventos de assistência social, que eles usaram para conspirações terroristas. Fred Cauderlier, porta-voz do primeiro-ministro belga, defendeu os proventos: "vivemos em uma democracia. Não temos ferramentas para checar como as pessoas usam os benefícios".
Somente na Brabante Flamengo e em Bruxelas, dezenas de jihadistas que lutaram na Síria receberam pelo menos US$150.000 em benefícios ilegais, de acordo com o Ministério da Justiça.
Anteriormente, o jornal flamengo De Standaard denunciou que 29 jihadistas da Antuérpia e Vilvoorde continuaram a receber US$1.200 por mês em benefícios do sistema de bem-estar social, apesar de terem viajado para a Síria e o Iraque para engrossarem as fileiras do Estado islâmico. O prefeito de Antuérpia Bart de Wever ressaltou: "é injusto que essas pessoas se beneficiem de programas sociais e usem, por exemplo, os proventos do seguro desemprego para financiarem sua participação na luta na Síria".
Em fevereiro de 2017, a RVA Agência Nacional de Emprego revelou que 16 jihadistas que voltaram para a Bélgica depois de lutarem na Síria receberam seguro desemprego. O porta-voz da RVA, Wouter Langeraert, salientou:
"Nós vivemos em um estado de direito. Nem todo combatente sírio que voltou está na prisão. Alguns satisfazem todos os requisitos legais: eles não estão na prisão, eles voltaram a se registrar em seu município e estão procurando emprego e assim por diante".
Na Grã-Bretanha, os contribuintes financiaram Khuram Butt, que chefiou o ataque contra a London Bridge e o Borough Market, nos quais oito pessoas foram assassinadas e outras 48 ficaram feridas.
Salman Abedi, homem-bomba de Manchester, usava o crédito educativo financiado pelos contribuintes e benefícios para financiar o atentado terrorista. Abedi recebeu pelo menos US$7.000 da Companhia de Crédito Educativo, financiada pelos contribuintes, depois de começar um curso de administração de empresas na Universidade de Salford em outubro de 2015. Segundo consta, ele recebeu mais £7.000 no ano letivo de 2016, embora ele já tivesse abandonado o curso naquela época. Acredita-se que Abedi tenha recebido auxílio moradia e uma espécie de subsídio salarial no valor de £250 por semana.
David Videcette, ex-detetive da polícia metropolitana que trabalhou na investigação dos atentados de 7 de julho em Londres, se pronunciou da seguinte maneira sobre o sistema de crédito educativo:
"é uma maneira fácil de um terrorista proceder e financiar suas atividades às custas do contribuinte. Basta ingressar em uma universidade e pronto! Muitas vezes eles nem têm a intenção de frequentar as aulas."
O professor Anthony Glees, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Inteligência da Universidade de Buckingham, ressaltou: "o sistema britânico disponibiliza facilmente fundos aos estudantes jihadistas sem nenhuma checagem. Faz-se necessário um inquérito em relação a isso".
Enquanto isso, Shahan Choudhury, um jihadista de 30 anos de idade, de origem bengalesa, que se radicalizou em uma prisão britânica, usava dinheiro de assistência social para pagar a viagem de toda a família, incluindo três crianças pequenas, para se juntar ao Estado islâmico na Síria. A família desapareceu da noite para o dia, deixando todas os seus pertences no apartamento situado na região leste de Londres, de acordo a proprietária do imóvel.
Em 2015, veio à tona que três irmãs de Bradford que viajaram para a Síria ainda reivindicavam benefícios. Khadija de 30 anos, Zohra de 33 e Sugra Dawood de 34, que viajaram para a Síria juntamente com os nove filhos, usaram o dinheiro do programa de renda mínima e o programa de auxílio ao menor para financiar a viagem.
Mais recentemente, um pedido baseado na Lei de Liberdade de Informação revelou que Anjem Choudary, islamista que cumpre pena de cinco anos e meio por pedir apoio ao Estado Islâmico, recebeu mais de US$180.000 de assistência jurídica, dinheiro do contribuinte, pela tentativa fracassada de evitar a prisão. A cifra irá aumentar à medida que seus advogados continuarem a apresentar pedidos de indenização. A reivindicação desse pai de cinco filhos chega a US$640.000 em benefícios, aos quais ele se referiu como "subsídio de investigador da Jihad".
Choudary acredita que os muçulmanos têm direito a proventos de assistência social porque eles são uma espécie de jizya, uma taxa imposta aos não muçulmanos como lembrete de que eles são, eternamente, inferiores e subservientes aos muçulmanos.

Anjem Choudary, islamista britânico que está cumprindo pena de prisão por pedir apoio ao Estado Islâmico, acredita que os muçulmanos têm direito a proventos de assistência social porque eles são uma espécie de jizya, uma taxa imposta aos não muçulmanos como lembrete de que eles são, eternamente, inferiores e subservientes aos muçulmanos. Ele recebeu cerca de US$640.000 em benefícios, aos quais ele se referiu como "subsídio de investigador da Jihad". (Foto Oli Scarff/Getty Images)

A mídia britânica revelou que antes de seu encarceramento, Choudary estava recebendo mais de US$32.000 por ano em benefícios do sistema de bem-estar social. Entre outros auxílios, Choudary recebia £15.600 por ano em auxílio moradia para sustentar uma casa no valor de £320.000 em Leytonstone, East London. Ele também recebia £1.820 em benefícios da seguridade social, US$5.200 do programa de renda mínima e £3.120 algo equivalente ao salário família. Pelo fato dos proventos de assistência social não serem tributados, seu rendimento era equivalente a um salário de US$42.000. Em comparação, o salário anual médio dos trabalhadores em tempo integral na Grã-Bretanha era US$36.500 em 2016.
Para acessar mais exemplos de abuso em cima da assistência social por jihadistas na Grã-Bretanha clique aqui.
Na Dinamarca o Serviço de Segurança e Inteligência (PET) denunciou também que jihadistas estavam doentes demais para trabalhar, mas suficientemente saudáveis para lutar ao lado do Estado Islâmico, estavam recebendo benefícios do estado dinamarquês de aposentadoria antecipada, invalidez e doença.
Anteriormente, um documento emitido pelo Ministério do Trabalho revelou que mais de 30 jihadistas dinamarqueses continuaram recebendo proventos de assistência social, totalizando 672.000 coroas dinamarquesas (US$92.000), mesmo depois de terem se juntado ao Estado islâmico na Síria.
O Ministro do Trabalho Troels Lund Poulsen ressaltou:
"é totalmente inaceitável e uma vergonha. Isso tem que ser estancado. Se você viaja para a Síria para participar da jihad, para se tornar um combatente do ISIS, então obviamente, você não deveria ter nenhum direito de receber benefícios do governo dinamarquês".
Na França, o governo fez um corte nos benefícios do sistema de bem-estar social de cerca de 300 pessoas identificadas como jihadistas. A França é o maior exportador de combatentes estrangeiros para o Iraque e a Síria, com mais de 900 jihadistas estando no exterior.
Na Alemanha Anis Amri, tunisiano de 23 anos de idade que realizou o atentado que deixou mortos e feridos na feira natalina em Berlim, usava múltiplas identidades para receber ilegalmente proventos de assistência social. As autoridades alemãs, ao que tudo indica, sabiam da fraude, mas nada fizeram.
Enquanto isso, um jihadista residente em Wolfsburg que levou a sua esposa e dois filhos pequenos para a Síria continuou recebendo proventos de assistência social da Alemanha no montante de dezenas de milhares de euros durante um ano, depois de ter deixado o país. Autoridades locais salientaram que as leis de privacidade alemãs tornaram impraticável saber que a família tinha deixado o país.
No cômputo geral, foi constatado que mais de 20% dos jihadistas alemães, que estão combatendo na Síria e no Iraque, recebem benefícios do sistema de bem-estar social do Estado, os jihadistas também são elegíveis a receberem benefícios, de novo, após retornarem à Alemanha. O Ministro do Interior bávaro Joachim Herrmann salientou:
"Isso jamais poderia ter acontecido. O dinheiro dos contribuintes alemães nunca deveria financiar direta ou indiretamente o terrorismo islamista. Os benefícios desses terroristas parasitas devem ser eliminados imediatamente. Não trabalhar e disseminar o terror às custas do Estado alemão não é somente extremamente perigoso, também é a pior provocação e infâmia".
Na Holanda, o governo estancou proventos de assistência social de dezenas de jihadistas, depois que um combatente holandês chamado Khalid Abdurahman apareceu em um vídeo no YouTube com cinco cabeças decapitadas. Vindo do Iraque, Abdurahman vivia na Holanda às custas de proventos de assistência social por mais de uma década antes de engrossar as fileiras do Estado islâmico na Síria. Os serviços sociais holandeses atestaram que ele era incapaz de exercer qualquer atividade profissional e os contribuintes pagaram a medicação para tratá-lo de claustrofobia e esquizofrenia.
A lei para rescindir os proventos de assistência social aos jihadistas não se estendem ao crédito educativo: o vice-primeiro ministro Lodewijk Asscher realçou que a rescisão seria contraproducente, porque tornaria mais complicada a reintegração dos jihadistas que voltassem ao país.
Na Espanha Saib Lachhab, jihadista marroquino de 41 anos, residente na cidade basca de Vitoria, acumulou US$11.000 em proventos de assistência social para financiar um plano para se juntar ao Estado islâmico na Síria. A cada mês ele recebia US$750 do governo central além de US$300 do governo basco. Ele também recebia US$1.075 por mês a título de seguro desemprego.
Samir Mahdjoub, jihadista argelino de 44 anos de idade residente na cidade basca de Bilbao, recebia mensalmente US$780 a título de assistência social e US$300 em auxílio moradia. Redouan Bensbih, jihadista marroquino de 26 anos residente na cidade basca de Barakaldo, recebia proventos de assistência social de US$1.000 por mês, mesmo depois de ter sido morto em um campo de batalha na Síria. A polícia acabou prendendo cinco muçulmanos no país basco que interceptavam os pagamentos e os transferiam para o Marrocos. As autoridades bascas disseram que os pagamentos eram realizados porque elas não foram notificadas de sua morte.
Ahmed Bourguerba, jihadista argelino de 31 anos residente em Bilbao, recebia US$750 por mês em proventos de assistência social e US$300 em auxílio moradia até ele ser encarcerado por atos de terrorismo. Mehdi Kacem, jihadista marroquino de 26 anos residente na cidade basca de San Sebastian, recebia US$950 por mês em proventos de assistência social até ser preso por pertencer ao Estado islâmico.
Antes disso, um casal paquistanês residente em Vitoria foi acusado de falsificar documentos de identidade para obter proventos de assistência social fraudulentamente para dez indivíduos fantasmas. A polícia disse que o casal fraudou o governo basco em mais de US$475.000 por um período de três anos.
Na Suécia, um relatório divulgado pela National Defense University constatou que 300 cidadãos suecos recebiam proventos de assistência social mesmo depois de terem deixado o país para engrossarem as fileiras do Estado islâmico na Síria e no Iraque. Na maioria dos casos, os jihadistas usavam amigos e familiares para administrar a papelada com o objetivo de criar a ilusão de que eles ainda se encontravam na Suécia.
O muçulmano convertido Michael Skråmo, por exemplo, recebia mais de 50.000 coroas suecas (US$5.000) em proventos de assistência social depois de ter se mudado para a Síria com a esposa e quatro filhos. Foi somente um ano depois de Skråmo ter deixado Gotenburgo que seus benefícios foram cortados.
Magnus Ranstorp, um dos autores do relatório, disse que os pagamentos expuseram a ineficiência dos mecanismos de controle da Suécia:
"Durante um bom tempo Michael Skråmo foi um dos simpatizantes do Estado Islâmico mais conhecido. A polícia deve, de alguma forma, soar o alarme e informar todas as autoridades quando alguém vai para aquela região".
Enquanto isso, a agência estatal de emprego, Arbetsförmedlingen, cancelou um projeto piloto destinado a ajudar imigrantes a encontrarem emprego depois que veio à tona que funcionários muçulmanos da agência estavam recrutando jihadistas suecos. Os agentes do Estado islâmico, segundo consta, subornavam - e, em alguns casos, ameaçavam - funcionários da agência para que recrutassem combatentes da Suécia.
Autoridades municipais em Lund continuam determinadas: elas lançaram um projeto piloto destinado a fornecer aos jihadistas suecos que estão retornando da Síria: moradia, emprego, educação e ajuda financeira - tudo graças aos contribuintes suecos.
Soeren Kern é membro sênior do Instituto Gatestone sediado em Nova Iorque

FONTE -  https://pt.gatestoneinstitute.org/11024/jihadistas-beneficios-bem-estar
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MAIS UM BOM ARTIGO DO DON QUIXOTE TUPINIQUIM


magu

J. R. Guzzo

Poizé! Preservo o direito da revista vender seu peixe. Uma das bases da democracia, sem fazer furto de propriedade intelectual. Mas um artigo publicado na revista da semana passada já não é mais furo. É considerado jornal velho. Por isso, mesmo não conseguindo pegar na edição virtual, que ainda está bloqueada, escaneio a revista impressa, que já paguei na banca, e ofereço ao meus escassos leitores mais uma obra-prima (até surgir a próxima) do excelente Zéroberto Guzzo, neste incrível resumo das putarias tupiniquins.






FONTE - https://blogdogiuliosanmartini.wordpress.com/2017/09/18/mais-um-bom-artigo-do-don-quixote-tupiniquim/#respond

Especialista em água: “Israel é um exemplo”


Seth-M.-Siegelx
A falta d’água é um problema que afeta todas as regiões do planeta e pode, inclusive, gerar conflitos entre nações. Mas, se houver planejamento adequado, esta situação pode ser revertida. Essa é a opinião de Seth M. Siegel, ativista e escritor americano, autor do livro “Faça-se a Água”, lançado recentemente no Brasil pela editora Educ, que pertence à PUC de São Paulo. “O maior exemplo é Israel. O país está localizado na região mais seca do mundo e, mesmo assim, não tem problemas com água e produz todos os vegetais que consome. Confira a entrevista:
O mau uso da água é um problema global e, há muito tempo, se fala que a falta dela pode levar ao apocalipse. Sua visão é um pouco mais otimista, sem, no entanto, diminuir o tamanho do problema. Por que?
Muitas pessoas que leem meu livro esperam deparar apenas com coisas ruins. Mas a realidade é que, se planejarmos corretamente, tudo vai ficar bem. Agora, quero deixar uma coisa muito clara, podemos, sim, encarar um apocalipse. Mas também é possível nos tornarmos mais espertos, como Israel, e evitarmos o fim do mundo.
Em seu livro, o senhor aborda a questão geopolítica da água. Haverá conflitos, no futuro, relacionados a esse recurso?
É possível. Mas o oposto disso também é. Se a água for utilizada como uma forma de engajamento, ela pode ser, inclusive, um motivo para a resolução de conflitos. É o que Israel tem feito. Podemos ter guerras relacionadas à água? Claro que sim. Mas meu palpite é que não teremos.
Agora, e se os governos falharem, as empresas podem liderar esse movimento para utilizar melhor os recursos hídricos?
As empresas, sozinhas, não vão liderar. Existem muitos componentes na sociedade: governo, universidades, corporações, organizações não governamentais etc. Cada um deles tem um papel para o futuro. Trata-se de um esforço coordenado.
Quais tecnologias podem ser utilizadas nesse processo de melhorar o uso dos recursos hídricos? Elas são acessíveis a países em desenvolvimento?
Em primeiro lugar, a agricultura absorve a maior parte da água. Então, mude para um sistema de irrigação por gotejamento. Em segundo lugar, é preciso considerar que a população produz um grande volume de esgoto. Mas isso é previsível. Todo mundo faz praticamente a mesma quantidade de xixi e dá o mesmo número de descargas por dia. Então, é possível saber exatamente a quantidade de água que vai pelo ralo, que pode ser tratada em alto nível e reutilizada para agricultura. Em terceiro lugar, nas regiões costeiras, é viável dessalinizar a água. Por último, se você conserta seus vazamentos, economiza uma quantidade enorme de água. Israel, como a maioria dos países, perdia cerca de um terço da sua água dessa maneira. Hoje, a taxa de perda está em 9% e a meta é chegar a 5%.
O Brasil tem mais de 10% de toda a água potável do mundo. Mesmo assim, sofremos com a escassez e com o racionamento. O que o país está fazendo errado?
Sim, é verdade que o Brasil tem a maior reserva de água do mundo, na Amazônia. Mas o problema é que a água, muitas vezes, não está localizada onde as pessoas estão. Usar as condições climáticas como desculpa, por outro lado, é inaceitável. O motivo pelo qual escrevi o livro é por estarmos diante de um risco global. Precisamos nos preparar para a falta d’água e não adianta rezar. É preciso mudar a agricultura, construir a infraestrutura para o reuso da água, desenvolver usinas de dessalinização e usar a tecnologia para evitar vazamentos nas tubulações. Se você fizer tudo isso, é impossível ficar sem água, a menos que aconteça uma catástrofe.
Rezar para chover é o que nossos ancestrais faziam. Não parece uma boa ideia nos dias de hoje…
Não tenho nada contra rezar. Mas se você fizer apenas isso, e nada mais, irá se decepcionar.
No Brasil, as perdas por vazamento giram em torno de 40% a 50%.
Exato. Pense a respeito. Se, há cinco anos, a decisão de consertar os encanamentos tivesse sido tomada, hoje o País teria mais água do que conseguiria usar. Nesse nível de eficiência, basicamente, você está usando dois anos de estoque para dar conta de um.
Uma petroleira que perde 40% da sua produção em vazamentos é uma empresa inviável. Por que se permite esse nível de ineficiência na distribuição de água?
A diferença é que pagamos pelo petróleo. Quando colocamos gasolina no carro, queremos pagar US$ 1 por litro, e não US$ 2. A água, por sua vez, é vista como algo que obtemos de graça, como o ar. Enquanto abrirmos a torneira e a água estiver saindo, estará tudo bem. É preciso que os líderes enxerguem o problema e que o público seja educado a respeito da importância da água. É possível fazer isso no Brasil. Eu sei disso porque Israel vem fazendo há anos. O país tem a população que mais cresce no mundo, uma economia pujante e está na região mais seca do planeta. Mesmo assim, provê água para a população 24 horas por dia e produz todos os vegetais que consome. Israel chega a exportar água, sendo responsável por 10% do abastecimento da Jordânia.
Durante a recente crise hídrica enfrentada pelo Sudeste brasileiro, muitas pessoas passaram a economizar e a reutilizar a água. Mas, com a volta das chuvas e os reservatórios cheios, a preocupação arrefeceu…
Sim e, por sinal, eu garanto uma coisa: vai faltar água de novo. Haverá outra seca e, se o Brasil não usar esse tempo para se preparar, será ainda pior.
Em relação a Israel, a água também se tornou um negócio que traz lucros?
É um mercado multibilionário. É um bom negócio por duas razões: primeiramente, Israel exporta suas tecnologias para vários países. Em segundo lugar, nenhum empresário israelense precisa se preocupar com a falta d’água, que é um risco para a maioria das empresas.
Fonte: Rodrigo Caetano/Isto É Dinheiro

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Os Palestinos que Caíram no Esquecimento

  • Tanto Qawasmeh quanto Issa Amro estariam em melhor situação se tivessem sido presos pelas autoridades israelenses. Se esse fosse o caso, suas histórias chegariam às páginas dos principais jornais do Ocidente. A CNN ou a NBC teriam, provavelmente, dedicado um programa inteiro ao sofrimento deles. No entanto, sem terem como implicar Israel, os meios de comunicação ocidentais deixam o caso permanecer enterrado - juntamente com a liberdade deles.
  • O grupo também assinala que documentou cerca de 472 casos de mortes em consequência de torturas nos centros de detenção e prisões na Síria ao longo dos últimos anos.
  • Será que alguém tem interesse em saber as verdadeiras leis de apartheid empregadas contra os palestinos em diversos países árabes? Esses dados são facilmente acessáveis e prontamente disponíveis: basta que os meios de comunicação ocidentais e o resto da comunidade internacional reconsiderem sua obsessão em relação a Israel e que comecem a prestar atenção nas verdadeiras vítimas palestinas - as que vivem nos países árabes.
Mais de 1.600 palestinos estão desaparecidos na Síria, centenas foram mortos desde o início da guerra civil. Entretanto não são notícias dignas o suficiente para aparecem na grande mídia do Ocidente.
Para saltar aos olhos da comunidade internacional e também da mídia, os palestinos precisam estar na Cisjordânia, na Faixa de Gaza ou em Jerusalém. São estes os palestinos sortudos cujas histórias (e dificuldades) são cobertas corriqueiramente pela mídia internacional. Por que isso? Principalmente porque são estes os palestinos cujas histórias estão muitas vezes ligadas, direta ou indiretamente a Israel.
Não é segredo para ninguém que jornalistas ocidentais e a grande mídia criaram uma obsessão em relação a Israel. Tudo o que Israel faz (ou deixa de fazer) é amplamente coberto, principalmente se houver um jeito de responsabilizar Israel pelo sofrimento dos palestinos.
Quando o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, impôs medidas punitivas aos dois milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza, negando-lhes remédios, energia elétrica e salários, a grande mídia achou um jeito de implicar Israel.
As incessantes e severas medidas repressivas adotadas por Abbas contra a mídia palestina, incluindo a prisão de jornalistas e de usuários do Facebook, ao que tudo indica, também não parecem ser dignas o suficiente, na visão da mídia ocidental. Quem se importa se Abbas censurar 30 sites de notícias por elas criticarem suas políticas e atos? Quem se importa se Abbas, nesta semana, acabou de determinar a prisão do jornalista Ayman Qawasmeh, diretor de uma emissora de rádio privada em Hebron?
Qawasmeh foi preso pouco depois dele ter criticado Abbas e pedir que ele e seu primeiro ministro, Rami Hamdallah, renunciassem. Os jornalistas ocidentais que cobrem o conflito israelense-palestino descartam esse tipo de história, apenas, ao que parece, porque não tem aquela ótica anti-israelense.
Como se a prisão de Qawasmeh não bastasse, as forças de segurança de Abbas prenderam na sequência Issa Amro, ativista palestino de Hebron, por ele ter se manifestado contra a prisão do jornalista. Amro foi preso por ter publicado no Facebook uma crítica às forças de segurança da Autoridade Palestina por terem prendido o jornalista e por estarem acabando com a liberdade de expressão.
Tanto Qawasmeh quanto Amro estariam em melhor situação se tivessem sido presos pelas autoridades israelenses. Se esse fosse o caso, suas histórias chegariam às páginas dos principais jornais do Ocidente. A CNN ou a NBC teriam, provavelmente, dedicado um programa inteiro ao sofrimento deles. No entanto, sem terem como implicar Israel, os meios de comunicação ocidentais deixam o caso permanecer enterrado - juntamente com a liberdade deles.
A trágica história dos palestinos na Síria expõe os dois pesos e duas medidas da mídia e da comunidade internacional, quando se trata de cobrir o Oriente Médio: quando Israel não está envolvido, os jornalistas também não estão envolvidos.
O que acontece com os palestinos nos países árabes parece ser bastante enfadonho para a maior parte do planeta. De modo que, qual é o problema, se milhares de palestinos estão desaparecidos ou se foram mortos? Se um estado árabe estiver envolvido, a mídia se distancia.
O Grupo de Ação em Favor dos Palestinos da Síria afirma ter documentado 1.632 casos de detentos palestinos, incluindo mulheres e crianças desaparecidas na Síria, que até agora ninguém sabe de seu paradeiro. Entre os desaparecidos estão jornalistas, médicos, enfermeiros e trabalhadores de ajuda humanitária. O grupo salienta que os detentos são submetidos a "todas as formas de tortura" em diversos centros de detenção e prisões na Síria.
O grupo também assinala que documentou cerca de 472 casos de mortes em consequência de torturas nos centros de detenção e prisões na Síria ao longo dos últimos anos. O número pode ser bem mais alto, ressalta o grupo, em face das severas medidas restritivas e da imposição de sigilo determinados pelas autoridades sírias. As famílias temem divulgar a morte de seus entes queridos por medo de represálias das autoridades sírias.
Em outro relatório, o mesmo grupo revela que cerca de 3.570 palestinos foram mortos desde o início da guerra civil na Síria, incluindo 462 mulheres. Enquanto isso, o campo de refugiados de Yarmouk, perto de Damasco, encontra-se cercado pelo exército sírio há mais de 1.510 dias.

O campo de refugiados palestinos de Yarmouk, na Síria, encontra-se cercado pelo exército sírio há mais de 1.510 dias. Foto: residentes de Yarmouk na fila da distribuição de alimentos, em 31 de janeiro de 2014. (Imagem: UNRWA)

Outro campo de refugiados palestino, Dara'a, está sem abastecimento de água há mais de 1.247 dias (Yarmouk está sem água há mais de 1.088 dias). O relatório também revela que mais de 85 mil palestinos fugiram da Síria para a Europa até o final de 2016, mais de 60 mil se refugiaram na Jordânia, Turquia, Egito e na Faixa de Gaza.
Esses dados horripilantes são a norma nos países devastados pelas guerras no mundo árabe, onde árabes e muçulmanos desalojam, torturam e se matam uns aos outros por anos a fio. É extremamente preocupante que o sofrimento dos palestinos nos países árabes não mereça a mínima atenção internacional. As consequências desse silêncio são letais, estando diretamente relacionadas à cobertura desproporcional que a mídia internacional dá a Israel.
Consideremos o seguinte: um palestino alvejado por um policial ou soldado israelense, ao que tudo indica, terá mais cobertura da mídia internacional do que milhares de palestinos que estão ilegalmente encarcerados e torturados até a morte em um país árabe.
Um sem número de histórias podem ser publicadas sobre a maneira como os países árabes maltratam os palestinos - de negar-lhes direitos básicos, como cidadania e igualdade, até encarceramento e tortura.
Será que alguém tem interesse em saber as verdadeiras leis de apartheid empregadas contra os palestinos em diversos países árabes? Esses dados são facilmente acessáveis e prontamente disponíveis: basta que os meios de comunicação ocidentais e o resto da comunidade internacional reconsiderem sua obsessão em relação a Israel e que comecem a prestar atenção nas verdadeiras vítimas palestinas - as que vivem nos países árabes.
Khaled Abu Toameh é um jornalista premiado radicado em Jerusalém.
FONTE -  https://pt.gatestoneinstitute.org/11005/palestinos-esquecimento

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

“Nobel da Vergonha” (Guga Chacra, O Globo)


Uma Nobel da Paz, celebrada por líderes como Barack Obama pela defesa dos direitos humanos, é conivente com crimes contra a Humanidade em Mianmar. Aung San Suu Kyi, líder de fato do país, não fez nada para encerrar o regime de apartheid no qual os rohingyas não têm direito à cidadania e agora fecha os olhos para a limpeza étnica implementada pelas Forças Armadas. Apenas nas últimas semanas, com a intensificação do processo de limpeza étnica, ao menos 379 mil rohingyas foram expulsos de Mianmar para Bangladesh, uma das nações mais pobres do planeta, onde eles são abrigados em ilhas alagadas. Segundo o próprio Exército do país, 40% das vilas habitadas pelos rohingyas foram esvaziadas. Imagens mostram que estão destruídas. Muitas foram queimadas. Basicamente, um caso clássico de limpeza étnica levada adiante pelos militares de Mianmar. A perseguição aos rohingyas não é nova. Existe desde antes de 1948, ano da independência da Birmânia, como era chamada Mianmar até 1989. Uma das primeiras leis do país, que determinou quais seriam as etnias oficiais, não incluiu os rohingyas. Estes não tinham direito à cidadania a não ser que provassem estar no país por ao menos duas gerações. Embora muitos fossem de famílias estabelecidas há séculos na região, era difícil ter documentos aceitos pelas autoridades. Apesar destes obstáculos, alguns inicialmente conseguiram a cidadania. Com a chegada dos militares ao poder em 1962, os rohingyas passaram a ser registrados apenas como estrangeiros. Em 1982, foi retirada a cidadania de todos os rohingyas e eles se tornaram vítimas de um regime de apartheid. O governo de Mianmar argumenta que os rohingyas são bengaleses. O argumento é de que eles não seriam originalmente da região. Mas sabe-se que muçulmanos viviam no que hoje é Mianmar desde o século XII. Quando os britânicos ocuparam o território, entre 1824 até a independência, mais muçulmanos da Índia (incluindo Bangladesh e Paquistão) foram levados pelo Reino Unido para a então Birmânia para trabalhar. Esta seria a justificativa para o apartheid e, agora, a limpeza étnica. Isto é, Mianmar tenta encontrar uma justificativa numa polêmica narrativa histórica para cometer um crime contra a Humanidade.

Muçulmanos Avisam a Europa: "Um Dia, Tudo Isso Será Nosso"


  • O arcebispo de Estrasburgo, Luc Ravel, nomeado pelo Papa Francisco em fevereiro, declarou recentemente que "os muçulmanos devotos estão cansados de saber que a sua fertilidade é tal hoje, que eles a chamam de... a Grande Substituição. Eles afirmam de maneira tranquila e resoluta: "um dia, tudo isso, tudo isso, será nosso"...
  • O primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán acaba de alertar para o perigo de uma "Europa muçulmanizada". Segundo ele, "a questão das próximas décadas é se a Europa continuará a pertencer aos europeus".
  • "Nos próximos 30 anos, o número de africanos crescerá ultrapassando a marca de um bilhão de pessoas. É o dobro da população de toda a União Europeia... A pressão demográfica será gigantesca. No ano passado mais de 180 mil pessoas atravessaram o mar em barcos em péssimas condições, provenientes da Líbia. E isso é só o começo. De acordo com o representante da UE Avramopoulos, neste exato momento 3 milhões de migrantes estão a postos para entrarem na Europa". — Geert Wilders, parlamentar da Holanda e líder do Partido da Liberdade e Democracia (PVV).
Esta semana, outro ataque terrorista islâmico teve como alvo a cidade espanhola de Barcelona. Como ela esteve por muitos anos sob o domínio muçulmano, é, portanto, assim como Israel, território que muitos islamistas acreditam estar no direito de reconquistar.
Ao mesmo tempo, longe da Espanha, escolas de ensino fundamental foram fechadas pelo governo quando o número de alunos caiu para menos de 10% da população. O governo está transformando os locais em asilos, para cuidar dos idosos em um país onde 40% da população têm 65 anos ou mais. Isso não é um romance de ficção científica. É o Japão, a nação com a maior concentração de idosos e a mais estéril do mundo, onde há a seguinte expressão popular: "civilização fantasma".
De acordo com o Instituto Nacional de População e Pesquisas de Previdência Social do Japão, por volta de 2040, a maioria das pequenas cidades japonesas verá a dramática queda de um terço até metade da população. Devido ao dramático decréscimo demográfico, muitas câmaras municipais japonesas não puderam mais operar, foram então fechadas. O número de restaurantes passou de 850 mil em 1990 para 350 mil nos dias de hoje, apontando para um "esgotamento da vitalidade". As previsões também sugerem que em 15 anos o Japão terá 20 milhões de casas abandonadas . Será este também o futuro da Europa?
Especialistas em demografia estão propensos a chamar a Europa de "Novo Japão". O Japão, no entanto, está lidando com a catástrofe demográfica com seus próprios meios, proibindo a imigração muçulmana.
"A Europa está cometendo suicídio demográfico, sistematicamente se depopulando, o que o historiador britânico Niall Ferguson chama de a maior redução sustentada da população europeia desde a Peste Negra ocorrida no século XIV", como George Weigel observou recentemente.
Ao que tudo indica, os muçulmanos da Europa estão sonhando em preencher esse vazio. O arcebispo de Estrasburgo, Luc Ravel, nomeado pelo Papa Francisco em fevereiro, declarourecentemente que "os muçulmanos devotos estão cansados de saber que a sua fertilidade é tal hoje, que eles a chamam de... a Grande Substituição. Eles afirmam de maneira tranquila e resoluta: "um dia, tudo isso, tudo isso, será nosso"...
Um novo estudo elaborado pelo instituto interdisciplinar de estudos italiano Centro Machiavelliacaba de revelar que, se as tendências atuais continuarem, por volta do ano 2.065, os imigrantes da primeira e segunda gerações ultrapassarão 22 milhões de pessoas, ou seja, mais de 40% da população da Itália. Na Alemanha, 36% das crianças menores de cinco anos são filhos de pais imigrantes. Em 13 dos 28 países membros da UE, mais pessoas morreram do que nasceram no ano passado. Sem a migração estima-se que as populações da Alemanha e da Itália diminuirão 18% e 16% respectivamente.
O impacto da queda livre demográfica é mais visível no que antes era chamada de "nova Europa", países do antigo bloco soviético, como Polônia, Hungria e Eslováquia, para que se possa distingui-los da "velha Europa", França e Alemanha. Esses países do leste europeu são agora os mais expostos à "bomba da depopulação", colapso devastador da taxa de natalidade que o analista e escritor sobre questões contemporâneas Mark Steyn chamou de "o maior problema da nossa época".
O jornal The New York Times perguntou porque, "apesar da diminuição da população, a Europa Oriental resiste em aceitar migrantes". A diminuição demográfica é exatamente a razão pela qual ela teme ser substituída pelos migrantes. Além disso, grande parte da Europa Oriental já teve o gostinho de ser ocupada pelos muçulmanos por centenas de anos, quando do domínio do Império Otomano e, todos estão bem cientes do que os aguarda se eles voltarem. Países em fase de envelhecimento temem que os valores hostis venham à tona se a população for substituída por outra jovem, estrangeira.
"Há hoje dois pontos de vista distintos na Europa a serem considerados (quanto ao declínio e envelhecimento da população)", o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán salientou recentemente. "Um é sustentado por aqueles que querem abordar os problemas demográficos da Europa por intermédio da imigração. E o outro, sustentado pela Europa Central - e, fazendo parte dela, a Hungria, tem como visão que devemos resolver nossos problemas demográficos lançando mão de nossos próprios recursos, mobilizando nossas próprias reservas, e - venhamos e convenhamos - renovando-nos espiritualmente". Orbán acaba de alertar para o perigo de uma "Europa muçulmanizada". Segundo ele, "a questão das próximas décadas é se a Europa continuará a pertencer aos europeus".

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ressaltou recentemente: "nossa visão é que devemos resolver nossos problemas demográficos lançando mão de nossos próprios recursos, mobilizando nossas próprias reservas, e... venhamos e convenhamos - renovando-nos espiritualmente". (Imagem: David Plas/Wikimedia Commons)

A África também pressiona a Europa com uma bomba-relógio demográfica. De acordo com o parlamentar holandês Geert Wilders:
"Nos próximos 30 anos, o número de africanos crescerá ultrapassando a marca de um bilhão de pessoas. É o dobro da população de toda a União Européia... A pressão demográfica será gigantesca. Um terço dos africanos querem sair da Áfricae muitos querem ir para a Europa. Ano passado mais de 180 mil pessoasatravessaram o mar em barcos em péssimas condições, provenientes da Líbia. E isso é só o começo. De acordo com o representante da UE Avramopoulos, neste exato momento, 3 milhões de migrantes estão a postos para entrarem na Europa".
A Europa Oriental está definhando. A demografia já virou um problema de segurança para a Europa. Há menos pessoas para servirem nas funções militares e nos postos de bem-estar social. O presidente da Bulgária, Georgi Parvanov, de fato, convidou os líderes do país a participarem de uma reunião do Comitê Consultivo Nacional totalmente dedicado ao problema da segurança nacional. Houve uma época que os países da Europa Oriental temiam os tanques soviéticos, agora eles temem os berços vazios.
Segundo estimativas das Nações Unidas havia cerca de 292 milhões de habitantes na Europa Oriental no ano passado, 18 milhões a menos do que no início da década de 1990. O número é equivalente a toda a população da Holanda.
O jornal Financial Times chamou a situação na Europa Oriental como "a maior perda de população na história moderna". Sua população está diminuindo como nunca antes. Nem mesmo a Segunda Guerra Mundial, com os massacres, deportações e movimentos populacionais, chegou a tal abismo.
O caminho de Orbán - lidar com um declínio demográfico usando os próprios recursos do país - é o único jeito da Europa evitar que a previsão do Arcebispo Ravel de uma "grande substituição" se torne realidade. A imigração em massa provavelmente preencherá os berços vazios - mas a Europa então também se tornará somente uma "civilização fantasma", trata-se apenas de um tipo de diferente de suicídio.
Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

APÊNDICE

A Romênia perderá 22% da população até 2.050, seguida pela Moldávia (20%), Letônia (19%), Lituânia (17%), Croácia (16%) e Hungria (16%). Romênia, Bulgária e Ucrânia são os países onde o declínio da população será mais drástico. Estima-se que a população da Polônia encolha em 2.050 para 32 milhões, em relação aos atuais 38 milhões. Cerca de 200 escolas foram fechadas, mas há crianças suficientes para preencherem as que ainda restam.
Na Europa Central, a proporção dos habitantes com "mais de 65 anos" aumentou em mais de um terço entre 1990 e 2010. A população húngara se encontra no ponto mais baixo em meio século. O número de pessoas diminuiu de 10.709.000 em 1980 para 9.986.000 milhões hoje. Em 2.050 haverá menos de 8 milhões de habitantes na Hungria e um em cada três habitantes terá mais de 65 anos. A Hungria de hoje conta com uma taxa de fertilidade de 1,5 filhos por mulher. Se excluirmos a população cigana, o número cai para 0,8, o mais baixo do mundo - motivo pelo qual o primeiro-ministro Orbán anunciou novas medidas para resolver a crise demográfica.
A Bulgária terá o declínio populacional mais célere do mundo entre 2015 e 2050. A Bulgária faz parte de um grupo de países que deverá diminuir a população em mais de 15% entre 2015 e 2050, juntamente com a Bósnia Herzegovina, Croácia, Hungria, Japão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Romênia, Sérvia e Ucrânia. A população da Bulgária de cerca de 7,15 milhões de habitantes deverá cair para 5,15 milhões em 30 anos - uma queda de 27,9%.
Dados oficiais mostram que 178 mil bebês nasceram na Romênia. Em comparação com 1990 o primeiro ano pós-comunista, havia 315 mil nascimentos. No ano passado a Croácia teve 32 mil nascimentos, um declínio de 20% em relação a 2015. A depopulação da Croácia poderá chegar a mais de 50 mil pessoas por ano.
Quando a República Tcheca fazia parte do bloco comunista (como parte da Tchecoslováquia), sua taxa de fertilidade total se encontrava próxima da taxa de substituição populacional (2,1). Hoje é o quinto país mais estéril do mundo. A Eslovênia tem o PIB per capita mais alto na Europa Oriental, mas uma taxa de fertilidade extremamente baixa
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Posso Usar O FGTS Para Financiar Um Imóvel Com Minha Esposa?



Internauta questiona se pode usar recursos do seu FGTS para ajudar a esposa a quitar o financiamento de um imóvel
Dúvida do internauta: Minha esposa tem um imóvel financiado. Posso utilizar o meu FGTS para abater o financiamento dela? Existe alguma exceção de acordo com o regime de casamento?
Resposta de Alex Strotbek
A utilização do FGTS para aquisição de imóveis e amortização de financiamentos é regulamentada pela lei 8.036 / 90 e as regras são muito rígidas.
A sua pergunta me leva a crer que você não é parte no contrato de financiamento, portanto não é titular ou coobrigado. Assim sendo, você não poderá usar os recursos do FGTS para amortizar ou quitar o financiamento de terceiros, mesmo que esse terceiro seja sua esposa.
A questão aqui é contratual: uma das condições para a utilização dos recursos do FGTS é justamente ser titular ou coobrigado no contrato de financiamento. Ou seja, para usar o FGTS você teria que ser parte (contratante) no contrato com a instituição financeira.
No seu caso, a questão do regime de casamento adotado não influencia na possibilidade de utilização dos recursos do FGTS.
O regime de casamento teria influenciado na hora da compra do imóvel e no ato da contratação do financiamento no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).
Sua pergunta foi muito sucinta, mas suponho que sua esposa tenha adquirido o imóvel e contratado o financiamento antes do casamento, ou, se o fez durante o casamento, o regime adotado por vocês é o de separação total de bens.
O regime de casamento, portanto, só será importante no falecimento de um dos cônjuges ou na separação; mas não ajudará no seu desejo de utilizar seus recursos de FGTS para amortizar o imóvel financiado pela sua esposa.
Para que você possa usar os recursos do seu FGTS, você e sua esposa teriam que buscar a instituição financeira para fazer uma alteração contratual (aditamento contratual) que o incluísse como coobrigado no contrato de financiamento e vocês precisariam registrar essa alteração no Ofício de Registro de Imóveis competente.
Somente a partir daí você poderá utilizar os seus recursos. Ainda assim, você deverá cumprir outras condições normalmente exigidas para que o FGTS possa ser utilizado para a aquisição de imóveis.
Entre elas, você terá que comprovar o mínimo de três anos sob o regime do FGTS (somados, mesmo que em períodos e empresas diferentes); deverá estar adimplente com suas obrigações, ou seja, não poderá ter nenhuma parcela em atraso no momento da solicitação; e, como já dito, deve ser o titular ou coobrigado no contrato de financiamento
Sua inclusão no contrato de financiamento terá outras consequências, sendo que uma delas é justamente que você não passará somente a ser coobrigado, porém também poderá se tornar coproprietário.
As regras de utilização dos recursos do FGTS estão na própria lei 8.036 / 90, mais precisamente em seu art. 20, a partir do inciso V em diante. Esse artigo explica em quais situações a conta vinculada do trabalhador pode ser movimentada.
O inciso VI trata de casos como o seu, pois fala sobre a liquidação ou amortização do saldo devedor de financiamento imobiliário. Transcrevi abaixo o artigo e seus incisos e itens para que você veja a íntegra da lei:
“Art. 20. A conta vinculada do trabalhador do FGTS poderá ser movimentada nas seguintes situações:
V – pagamento de parte das prestações decorrentes de financiamento habitacional concedido no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação – SFH, desde que:
a) o mutuário conte com o mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou em empresas diferentes;
b) o valor bloqueado seja utilizado, no mínimo, durante o prazo de doze meses;
c) o valor do abatimento atinja, no máximo, oitenta por cento do montante da prestação;
VI – liquidação ou amortização extraordinária do saldo devedor de financiamento imobiliário, observadas as condições estabelecidas pelo Conselho Curador, dentre elas a de que o financiamento seja concedido no âmbito do SFH e haja interstício mínimo de dois anos para cada movimentação;
VII – pagamento total ou parcial do preço de aquisição de moradia própria, observadas as seguintes condições:
a) o mutuário deverá contar com o mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou empresas diferentes;
b) seja a operação financiável nas condições vigentes para o SFH;”
Além das condições citadas acima, existem exigências e regras que são aplicadas não só ao seu caso, mas que valem para qualquer pessoa que pretende usar o FGTS para compra de imóveis. A saber:
– O  uso de recursos do FGTS para moradia terá que se encaixar nos moldes do SFH, cujo limite de valor atual é de 750 mil reais para imóveis dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e do Distrito Federal e de 650 mil reais para os demais estados.
– O imóvel deve ser residencial urbano, pode ser novo ou usado, já pronto ou em construção, valendo lembrar que se pronto, o imóvel deverá estar em condições próprias para uso imediato.
– O imóvel deve ser próximo ao seu trabalho, seja no mesmo município, seja em município limítrofe à localização de seu trabalho.
– O imóvel deverá servir obrigatoriamente à moradia principal do trabalhador
– Uma nova utilização do FGTS para outro imóvel só poderá acontecer depois de três anos da última transação
– E por último, mas não menos importante, o imóvel deverá ter sua documentação em ordem, devidamente registrado junto ao Ofício de Registro de Imóveis.
Por: Alex Strotbek – Consultor imobiliário especializado na gestão executiva de novos negócios no mercado imobiliário nacional e internacional. Graduado em Administração de Empresas, Comércio e Contabilidade pela escola de comércio Schweizerische Alpine Schule Davos, na Suíça, possui expertise em contratos imobiliários de compra e venda, permutas física e financeira, incorporações e lançamentos imobiliários e já gerenciou e acompanhou diversas negociações na área – desde o desenvolvimento e planejamento, até a execução das vendas.
Editado por Priscila Yazbek
Fonte: Exame