A Fortaleza da Barra do Rio Grande, mais conhecida como Forte dos Reis Magos, é o marco inicial de Natal e deve seu nome à data do início de sua construção, 6 de janeiro de 1598, dia de Reis pelo calendário católico.
Era uma paliçada de estaca e taipa com planta em formato circular, à moda indígena; depois, ao receber ordens da Coroa para que ser fortificada, a nova planta, atribuída ao jesuíta Gaspar de Samperes, "mestre nas traças de engenharia na Espanha e Flandres" e discípulo do arquiteto militar italiano Giovanni Battista Antonelli, tomou a forma clássica do forte marítimo seiscentista: um polígono estrelado, com o ângulo reentrante voltado para o Norte.
Em 1602 já estava artilhada e guarnecida por um destacamento de duzentos homens. Sofreu muitas outras reformas e em 1614 sua formação era a atual. As muralhas foram melhoradas, recebeu contrapiso e contrafortes de reforço pelo lado do mar, bem como obras internas de habitação em edifícios de dois pavimentos, concluídos em 1628.
Durante a segunda Invasão Holandesa (1630/1654) o Forte dos Reis Magos, por sua localização e por estar muito bem aparelhado, foi cobiçado pelos invasores que, depois de algumas tentativas fracassadas conseguiram, ferido o comandante da praça, e à revelia deste, negociar a rendição com alguns de seus ocupantes, entre eles Domingos Fernandes Calabar, personagem altamente controverso.
Na entrada do Forte somos acolhidos pela imagem dos Reis Magos Gaspar, Belquior e Baltasar, doada por José I de Portugal (1750-1777).
Abaixo, foto da elegantíssima capela das munições:
Em 1654, após a expulsão definitiva dos holandeses, conseguida em Pernambuco, quando os portugueses chegaram a Natal, o forte já estava abandonado. Na chamada Revolução Pernambucana de 1817 o forte serviu como prisão política para alguns de seus implicados.
Tombado pelo IPHAN, o forte é uma das mais belas obras de engenharia/arquitetura no Brasil. Ilumina o litoral, já belo por sí só, da linda Natal.
Fica difícil falar nesse forte sem lembrar da história de Calabar. E mais difícil ainda não recordar a fantástica peça musical de Chico Buarque e Rui Guerra, Calabar, o Elogio da Traição. É um dos melhores momentos de nossa dramaturgia. Você pode não ter assistido ao musical, mas aposto que já cantou Não existe pecado ao sul doEquador...
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Forte dos Reis Magos, Natal, Rio Grande do Norte
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