segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Reino Unido diz que vai taxar os ricos para reduzir déficit público


Primeiro ministro do país também ameaça vetar orçamento da UE


LONDRES E BIRMINGHAM - O primeiro ministro do Reino Unido, o conservador David Cameron, disse em entrevista ontem à BBC que o governo vai anunciar novas medidas para elevar a taxação sobre os ricos do país, depois de ter rejeitado a proposta do Partido Liberal, seu parceiro na coalizão de governo, de um aumento no imposto sobre mansões. Recentemente, Cameron dissera que o país estava aberto aos ricos da França — que anunciou no fim do mês passado um aumento de imposto de renda dos milionários.

Em defesa de dois orçamentos
— Nós vamos tomar medidas para assegurar que as pessoas mais ricas do nosso país paguem uma fatia justa na redução do nosso déficit — disse Cameron à BBC, acrescentando que os ricos estão pagando um percentual mais elevado sobre a renda do que no governo trabalhista anterior.
O primeiro-ministro britânico — que participa de conferência do Partido Conservador em Birmingham — também ameaçou vetar o orçamento da União Europeia (UE) para 2014-2020, se os demais membros da zona do euros não concordarem em adotar um acompanhamento adequado dos gastos. Cameron defendeu a adoção de dois orçamentos: um para a zona do euro e outro para os países que não adotam a moeda única, grupo no qual se inclui o Reino Unido.
— Eu vetarei o orçamento da UE, se necessário.
Não seria a primeira vez. No ano passado, ele vetou a proposta de um tratado da UE para criar um pacto fiscal no bloco. Mesmo com o veto do Reino Unido, a proposta acabou sendo assinada pelos demais sócios como um acordo, e não um tratado.
— A Europa sabe que faço o que digo. Sentei à mesa com 27 países, 26 deles assinaram o acordo e eu disse que não era de interesse do Reino Unido. — contou à BBC. — Se eu não chegar a um bom acordo, direi não novamente.
Cameron acrescentou que o Reino Unido terá que seguir cortando o gasto público para reduzir o déficit, destacando a tarefa dura do governo de tentar desviar a economia da recessão e ganhar de volta o apoio da população.
— Herdamos um déficit de cerca de 11%. Está em 8% — disse Cameron.
O ministro das Finanças do país, George Osborne, disse que é cedo para dizer como serão os números do ano.
— A economia está cicatrizando, mas há um longo e difícil caminho pela frente — afirmou ao jornal “Mail”.

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