terça-feira, 27 de novembro de 2012

O descanso na poesia de Adelia Prado



A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Exausto”, fala sobre a morte, conforme expressa sua vontade de descanso absoluto. O modo como a autora coloca as palavras dá a entender que o tal sono trata-se da morte. Além disso, Adélia Prado se utiliza de verbos que não dão ideia de movimento, como dormir, descansar e sonhar, reforçando a ideia de morte.
Também podemos notar que, existe uma comparação da vida com uma planta. Talvez a citação da planta aconteça pelo fato que a vivência de uma permanece em plena quietude, que é o que a morte nos oferece. Todavia, traduzindo seu conteúdo para uma coisa mais humana, ou seja, trata-se da vontade de Adélia Prado de voltar ao início de tudo, da vida, quando era uma “semente” no ventre de sua mãe. A retratação de ambos é capaz de ser nada mais que uma sátira, atentando-se ao fato de que nossa vida acaba debaixo da terra, quando a de uma planta começa debaixo dela.

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Exausto
Adélia Prado
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

Polícia Federal tem 122 gravações que revelam como Rose discutia negócios com 'Tio' Lula e Dirceu



Jorge Serrão (site Alertatotal)
A Polícia Federal está atrás de um motoboy chamado Roberto. O motociclista profissional, que está desaparecido, tem em seu poder 10 comprometedores envelopes com documentos de alto interesse para a Operação Porto Seguro. O rapaz simplesmente não cumpriu a missão de entregar o material enviado ao consultor José Dirceu de Oliveira e Silva pela agora exonerada chefe de Gabinete da Presidência da República, Rosemary Novoa de Noronha.
 Rose, a “sobrinha” do “Tio Lula”
Amiga pessoal do ex-Presidente Lula da Silva, ela foi indiciada por coordenar um mega esquema de corrupção ativa e tráfico de influência para beneficiar empresas que faziam negócios com o Governo Federal. A avaliação geral é que Rose não tinha competência para comandar, sozinha, um esquema tão complexo. Logo, Rose tinha um chefão por trás dela. Quem era? A PF e o MPF só não descobrem se não quiserem.
Outra bomba mantida em sigilo da Operação Porto Seguro deixa Lula e Rose na maior saia justa. A Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, já está de posse de 122 gravações de conversas telefônicas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Rosemary Novoa de Noronha. Ele a chamava de “Rose” ou “Rosa”. Ela o tratava pelo amoroso apelido de “Tio”. Nas conversas, Rose passava ao amigo informações sobre quem deveria receber em audiência e para quem deveria mandar documentos.
Todo esse material sigiloso – que pode ser varrido do mapa pelas conveniências do poder – foi recuperado por uma empresa de alta tecnologia paulista que pode tornar públicas as informações, caso sofra ameaças ou retaliações. Os arquivos foram recuperados de um computador cujo Hard Disk (HD) fora formatado, na vã tentativa de esconder e eliminar informações comprometedoras. O azar dos bandidos é que a empresa, com tecnologia israelense, consegue salvar 100% dos dados de um disco rígido que tenha sido formatado até oito vezes seguidas.

Poema XXXIV - Hilda Hilst



Tão escuramente caminha 
À beira-lágrima 
Dentro do meu ser
Que já não sei 
De onde me veio ou vinha 
Vontade minha de te conhecer.
Hoje tão escuramente 
Passeias, tardas, te arrastas 
Num vasto alheamento 
Dentro do meu ser
Que já não sei 
Se te pensar foi gesto 
Para inda mais ferir 
Minha própria mágoa.
Por que, pergunto, estando viva 
Devo eu morrer? 
Por que, se és morte, 
Deves me perseguir?
Aquieta-te, afunda-te 
Morre, pequenina, 
Escuramente 
Dentro do meu sofrer.

Hilda de Almeida Prado Hilst (Jaú, 21 de abril de 1930 - Campinas 4 de fevereiro de 2004) - Foi poeta, ficcionista e dramaturga. Considerada uma das mais completas personalidades literárias do Brasil. Formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e começou, ainda estudante, a escrever poesia, passando mais tarde para o teatro e a ficcção. Recebeu os mais importantes prêmios líterários do Brasil, entre eles o Jabuti, Cassiano Ricardo e o Prêmio Moinho Santista.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Polícia Federal descobriu que uma Erenice do Lula chefiava o Planaltinho


BLOG DO AUGUSTO NUNES

Por que Dilma Rousseff recebe Lula com tanta frequência no escritório da Presidência da República em São Paulo?, perguntavam-se desde janeiro de 2011 os brasileiros sensatos, intrigados com os constantes encontros entre a chefe de governo e seu antecessor no prédio na Avenida Paulista. Só nos últimos quatro meses foram sete: dois em agosto, dois em setembro, dois em outubro, um em novembro. Nenhuma das conversas durou menos de três horas.
Até para manter as aparências, por que Dilma não recebe Lula no Palácio do Planalto?, queriam saber os cérebros normais. Porque foi sempre ele o anfitrião, sabe-se agora. O padrinho nunca foi recebido: ele é quem recebe desde janeiro de 2003.  Até o fim do segundo mandato, recebeu a ministra Dilma no gabinete em Brasília. Depois de entregar-lhe a faixa, passou a receber a afilhada no escritório que inventou logo depois da chegada ao poder ─ e transformou numa extensão do Palácio do Planalto.
No fim dos anos 50, quando suspendia os despachos no Catete para visitar a nova capital em construção, Juscelino Kubitschek se hospedava no Catetinho, uma rústica casa de madeira improvisada por Oscar Niemeyer. Neste fim de novembro, o Brasil soube que Lula, desde a criação dessa inutilidade administrativa, tem um Planaltinho no coração da capital paulista. O Catetinho foi usado por um presidente no exercício do mandato. O Planaltinho continuou servindo a um político incapaz de desencarnar do cargo que deixou de ocupar há dois anos.
É muito mais confortável que o palácio de tábuas de JK. Desde 2005, disfarçada de “chefe de gabinete do escritório da Presidência da Repúblicada em São Paulo”, até governanta tem. Ou tinha: nomeada por Lula, que ordenou a Dilma que mantivesse a amiga no posto, Rosemary Nóvoa de Noronha perdeu o emprego um dia depois de revelada a descoberta da Operação Porto Seguro: há sete anos o Planaltinho era comandado por uma Erenice do Lula.
O relatório da Polícia Federal informa que Rosemary (ou só Rose, para os amigos e companheiros de delinquências) intermediou reuniões de integrantes da organização criminosa especializada na venda de pareceres técnicos com “autoridades públicas”, entre as quais o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o onipresente Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Antes de tornar-se amiga de Lula, e em seguida presença quase obrigatória nas comitivas presidenciais em viagens ao exterior, Rose foi durante 12 anos secretária de José Dirceu. (Aliás, na madrugada em que os agentes da PF chegaram à sua casa para cumprir o mandado de busca e apreensão, ela ligou para Dirceu à procura de socorro. O telefonema deveria ser anexado às provas de culpa.) Agora indiciada por corrupção e formação de quadrilha, ela ampliou o prontuário agindo em parceria com outros ilustres filhotes do lulopetismo.
Figuram no comando da organização criminosa, por exemplo, José Weber Holanda Alves, advogado-geral da União substituto, Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)  e seu irmão Rubens Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (Ana). “Há indícios de que, pelo menos, no período entre 2009 e 2012″, diz um trecho do relatório da PF, “Rosemary Nóvoa Noronha solicitou e recebeu, direta ou indiretamente, diversas vantagens para si, para amigos, familiares, tais como: viagem de navio, emprego para terceiros, serviços para terceiros, ajuda jurídica pessoal, pagamento de boletos”.
Arranjou bons empregos para a filha e o marido, ganhou passagens para um cruzeiro marítimo animado pela dupla sertaneja preferida, conseguiu financiar com propinas a cirurgia plástica que a fez parecer algumas horas mais jovem, coisas assim. “Coisas de chinelagem”, resumiu um agente da Polícia Federal, recorrendo à gíria que identifica a categoria que agrupa os corruptos baratos, gente que vende a alma em troca de miudezas, fregueses das lojas 1,99 do comércio de consciências.
Vista de perto, Rose é uma delinquente de quinta categoria. Por isso mesmo, é a cara da Era da Mediocridade. No Brasil que Lula reinventou e Dilma faz o possível para piorar, o governo federal escolheu para representar a Presidência da República em São Paulo uma vigarista desoladoramente medíocre. Caprichando na pose de quem não conhece ninguém no lugar onde trabalha e mora há dez anos, Dilma ordenou o afastamento dos quadrilheiros. Lula perdeu a voz de novo.
Devotos de confiança foram incumbidos de espalhar a lengalenga recitada pelo chefe supremo da seita: “Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos do interesse do país”. E os encontros que viraram caso de polícia? E os projetos do interesse da quadrilha? Sobre isso, Lula não tem comentários a fazer. Como sempre, ele nunca soube de nada.

Charge do Sponholz



OBRA-PRIMA DO DIA - OBJETOS DE ARTE Pedro, o Grande - (Semana das Bengalas)



O uso de cajados, ou bastões, vem de longe. Da antiguidade. O objetivo inicial era ajudar na caminhada e no pastoreio. Com o correr do tempo foi se transformando e ao passar a ser usado pelos moradores das cidades, foi deixando de ser rude, foi ficando mais parecido com as roupas de suas usuários e com a vida que levavam.
Nunca perdeu a utilidade de ajudar na caminhada, no entanto, pois as cidades, muitas vezes, ofereciam tantos perigos quanto o campo.
A grande mudança ocorreu lá pelos séculos 18 ou 19 quando passou a ser encarado como um item do guarda-roupa de um elegante, um símbolo do status de seu proprietário. E até mudou de nome. Passou a ser referido como walking stick ou caneem inglês, por ser feito, na maioria das vezes, de cana-da-índia. Em francês, de baston. Em português, bastões de caminhada ou bengala.


Acredita-se que na Rússia de Pedro, O Grande, dado seu conhecimento da vida diária na Europa e das coleções dos museus europeus, o interesse se desenvolveu mais rapidamente já que a corte de São Petersburgo se inspirava nas demais cortes europeias em assuntos de gosto e refinamento. 
Considerado o pai da Rússia moderna, Pedro nasceu em Moscou no dia  9 de Junho de 1672 e faleceu em São Petersburgo, no dia 8 de Fevereiro de 1725. Ei-lo acima em toda a sua pompa, em um quadro que faz parte do acervo do Hermitage.
Grande colecionador, inicio a semana com algumas das bengalas de sua coleção:

 
Da esquerda para a direita:
1) A bengala feita de junco espanhol, oco, tem o cabo em marfim. O cabo pode ser desatarraxado e dentro estão guardados alguns instrumentos de medição. Pedro, O Grande usava esses instrumentos quando visitava prédios em construção ou estaleiros.
Origem: Russia, início do século 18, mede 90 cm
2) Feita em marfim e belissimamente esculpida com se fosse um galho de loureiro. O cabo tem o formato de um cubo encimado por uma coroa. 
Russia, século 18, mede 92 cm
3) Uma bengala feita com junco muito claro tendo o cabo decorado com anéis de prata. No cabo está montado um pequeno óculo. 
Russia, início do século 18, mede 101,5cm
4) A presa de uma baleia do Ártico, muito rara, é o corpo dessa bengala. Qualquer coisa feita com esse osso é considerada uma raridade, com um valor muito alto, além de extremamente prezada por seus donos. Pedro, O Grande tinha especial apreço por essa bengala. O cabo é em madeira, com anéis de prata. A mim me parece que essa é a bengala que ele tem na mão direita no quadro acima.
Russia, inìcio do século 18, mede 86 cm
5) Essa bengala-óculo é feita de junco espanhol, oco. Tem um cabo em marfim e uma ponteira de cobre para proteger as lentes, que estão intactas. 
Russia, início do século 18, mede 91.5 cm.

Acervo Museu Hermitage, São Petersburgo

domingo, 25 de novembro de 2012

DISPUTA ENTRE PODERES



Plínio Zabeu
O Brasil sempre  sofreu com ações de improbidade, corrupção, desvios, luta de interesses.  No conceito internacional  somos colocados nos mais baixos níveis.  O país teve um surto de progresso a partir de modificações na política  econômica com incentivos e regulamentações no combate à inflação, a firmeza de moeda, responsabilidade fiscal e outros setores.  Com isso o Brasil cresceu, houve um aumento  da classe média, enfim tivemos bons resultados. Mas,  do ponto de vista de ética  e  seriedade no trato com as coisas públicas, tivemos um retrocesso nos últimos 10 anos.  O  mensalão   conhecido no Brasil inteiro e no exterior, é campeão da  corrupção.  Finalmente chegou o tempo do julgamento.  O  STF julgou o processo 470 sem levar em conta período eleitoral. Os réus foram finalmente julgados. Alguns absolvidos e  parte deles condenados.  Restam algumas sentenças a serem completadas com a chamada dosimetria, ou seja,  o tamanho das penas.
Interessante notar os comentários de amigos e partidários dos réus quanto às definições.  Eles na verdade nunca se preocuparam,  pois levaram  em conta  o que  sempre aconteceu no país.  Tempo para julgamento, quais as instâncias que julgariam, se uns tem outros não,  o chamado “foro privilegiado”, enfim esperava-se que tudo terminasse em pizza ou melhor dizendo, segundo o “nosso” Delúbio em mais uma “piada de salão”.
Mas, felizmente não foi isso que aconteceu.  O julgamento vai se completando  e podemos estar certos de uma conclusão favorável à mudança de atitudes de muitos políticos que usam nossos impostos para fins de poder e enriquecimento.
Mas algo ainda surpreende.  Pelo menos dois  estão terminando em “pizzas”. Um deles,  o do enriquecimento rápido e estranho do filho do presidente Lula: O processo foi aberto, levado ao setor da justiça e, não estranhamente, nunca foi estudado, nunca foi realmente investigado e finalmente foi arquivado assim, “sem mais nem menos”.  O acusado inocentado sem julgamento e tudo continua bem para ele.  Outro processo que acaba de ser  arquivado  pela justiça federal (felizmente ainda cabe recurso,  já impetrado  pela procuradora Luciana Loureiro) foi o que obrigava Lula  a devolver R$ 9,5 milhões irregularmente  usados em 2004  para favorecer um Banco   (cujos proprietários são hoje envolvidos no processo mensalão) no chamado empréstimo consignado.
Na avaliação das penalidades impostas,  eis que o ministro da justiça  declara que “preferiria  a morte a cumprir pena em presídios brasileiros”.   Nesse ponto ele se esqueceu,  ou deixou propositadamente de lado,  que a terrível situação dos presos é de responsabilidade do ministério que ele dirige.
E tem mais: A Receita Federal analisou e concluiu que os senadores não pagaram imposto de renda devido pelo recebimento dos 14º e 15º salários  entre 2007 e 2011, eles devem  65 mil reais (mais correção e multa)  cada um. Em poucos instantes foi feita uma “lei” no plenário para definir que o  que receberam seria isento de imposto. Como assim? Quem está isento no país? Só os senadores?  Falando ainda em senado, o que dizer do novo código de processo penal criado pelo eterno presidente e incomum cidadão Sarney?  Nenhum jurista concordou com o tal projeto.
A esperança persiste,  principalmente se levarmos em  conta a posição da presidente Dilma que, contrariando a nota oficial do seu partido, PT, declarou que respeita e que não cabe comentários à decisão da Suprema Corte.
E então, concluímos que, apesar dos  extraordinários avanços, a “luta continua”.