segunda-feira, 14 de maio de 2012

Perícia aponta mentira de Thor e imprudência de Luciano Huck



Filho do homem mais rico do Brasil tentou comandar, pelo Twitter, um inquérito policial sobre a morte do ciclista pobre, o apresentador Luciano Huck inocentou o bilionário antes de ter elementos para julgar; Eike Batista, por sua vez, lamentou a perda do brinquedinho; e agora?
Raras vezes se viu no Brasil uma tentativa tão explícita de calar, pela força do dinheiro, uma investigação policial.
O caso era uma autêntica fábula brasileira, que expunha nossas mazelas e fraturas sociais.
No dia 18 de março deste ano, Thor Batista, filho do homem mais rico do Brasil, Eike Batista, atropelou em sua Mclaren um rapaz negro, Wanderson Silva, que conduzia uma bicicleta, num país onde crimes de trânsito raramente são punidos. Rapidamente, Eike e Thor passaram a bombardear internautas com mensagens no Twitter.
Em 63 mensagens sequenciais, Thor deu sua versão para o acidente. Numa delas, disse que "vinha na faixa da esquerda, com muito cuidado, sem ao menos dialogar com meu carona quando repentinamente um ciclista atravessou...".
Em outra, assegurou que "a frenagem trouxe o carro de 100km/h até 90 km/h".
Eike, por sua vez, deu força ao filhão dizendo que era a quinta vez apenas que ele dirigia a Mclaren, xodó da família. E contratou o advogado mais caro do País, Marcio Thomaz Bastos, para defender o pupilo. "Só contrato o melhor", disse Eike à época.
Em diversos veículos de comunicação, também se exerceu uma pressão imensa para que o caso não fosse analisado pela ótica da luta de classes – afinal, ricos não podem ser punidos simplesmente porque são ricos.
A cereja do bolo foi o tweet publicado pelo "bom-moço" Luciano Huck, que enriquece às custas de "Wandersons" e, assim, frequenta as rodas de "Thors" e "Eikes". "Fatalidade. Prestou socorro e não tinha bebido", tuitou Huck no dia do acidente, antes de ter qualquer elemento para julgar.
Pois bem: todos acabam de ser desmoralizados pela perícia oficial realizada pela polícia do Rio de Janeiro. Uma polícia que, diga-se de passagem, conseguiu realizar um trabalho independente apesar de todas as suspeitas que recaiam sobre seu trabalho, em razão da propalada influência de Eike Batista no governo do Rio de Janeiro.
Sabe-se agora que Thor dirigia a pelo menos 135 km/h, acima do limite de 110 km/h, e vinha realizando ultrapassagens em ziguezague segundo o depoimento de testemunhas.
Em sua defesa, o filho do bilionário pretende apresentar uma perícia privada – mas, em países sérios, o que vale é a investigação oficial, não aquela paga por quem tem interesse em se livrar de suas responsabilidades.
Thor mentiu. Luciano Huck foi falastrão. E Eike se comportou como um pai que não sabe impor limites aos filhos.
Aliás, recomenda-se que Thor feche urgentemente seu Twitter. Num post, revelou um encontro com o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, que estuda realizar um aporte bilionário numa empresa de Eike Batista em má situação financeira, a LLX.
Em outro, Thor fez uma brincadeira pueril. Disse que o cruzamento de um quero-quero com um pica-pau resulta em que quero-pica-quero-pau.
Thor, que acaba de ser desmascarado pela perícia realizada pela polícia do Rio, foi indiciado por homicídio culposo.
Dias atrás, ele teve outro brinquedinho apreendido: a Ferrari que conduzia sem placa nas ruas do Rio de Janeiro.
Quantos "Wandersons" serão necessários até o Brasil aprenda a efetivamente tratar crimes de trânsito, que matam milhares de pessoas no País, como crimes, e não como fatalidades inocentadas por Luciano Huck?

À beira do abismo - Você seria um nazista?


Hélio Schwartsman 

SÃO PAULO - Você seria um nazista? A maioria de nós responde sem hesitar com um "é claro que não". Somos vítimas fáceis de nossas narrativas. Se o nazismo é identificado ao mal e nós não nos julgamos maus, não podemos ser nazistas.

O problema, como mostrou reportagem de Carolina Vila-Nova, é que esse raciocínio é utilizado de forma excessivamente generalizada: metade dos alemães julga que, em suas famílias, todos eram contra o nazismo. Só 6% admitem o envolvimento de parentes com o regime hitlerista.

Pesquisas historiográficas sobre a disseminação do nazismo aliadas a uma série de experimentos psicológicos revelam que não devemos confiar tanto em nossas narrativas.

Uma das mais impressionantes dessas experiências foi conduzida por Philip Zimbardo em 1971. Ele recrutou 24 voluntários em boa saúde mental e os pôs num simulacro de prisão montado na Universidade Stanford. Num sorteio, parte do grupo ficou com o papel de guarda, e o restante, com o de prisioneiros. Os vigias foram autorizados a assustar os presos, mas nunca usar força contra eles. Qualquer um podia abandonar a "prisão" quando quisesse.

Logo as coisas saíram de controle. Os guardas começaram a mostrar-se cada vez mais cruéis para com os prisioneiros, que, após uma tímida tentativa de rebelar-se, foram aceitando castigos e humilhações. O próprio Zimbardo se deixou absorver pela situação. Foi só depois que sua namorada visitou o local e viu que limites éticos haviam sido rompidos que o psicólogo começou a questionar a moralidade da coisa. No sexto dia, o experimento, concebido para durar duas semanas, foi interrompido.

A moral da história, reforçada por outras experiências célebres como as de Milgram e de Darley, é que basta uma pressãozinha do grupo para uma pessoa normal se enfronhar na barbárie e julgá-la a coisa mais natural do mundo. É o que Hannah Arendt chamou de banalidade do mal.

helio@uol.com.br
Folha de S.Paulo
13/05/2012 

'Militares, e não religiosos, ameaçam Egito'


Para ativista egípcio, lógica da política está minando apelo de islâmicos; risco à liberdade vem do aparato de repressão de Mubarak

13 de maio de 2012 | 3h 07
ROBERTO SIMON - O Estado de S.Paulo
Diretor da Egyptian Initiative for Personal Rights, Hossam Bahgat perde o sono com o que chama de "Estado profundo" no Egito - o entulho autoritário que sobrou da ditadura de Hosni Mubarak. Com os grupos islâmicos cada vez mais poderosos na nova política do Cairo, não.
"A grande questão hoje é como desmantelar o complexo de generais-empresários, espiões e agentes do Ministério do Interior", diz. As eleições deste mês e a nova Constituição são assuntos secundários, submetidos à essa disputa maior. Apesar da pouca idade, 32 anos, Bahgat é um dos mais respeitados ativistas egípcios, premiado pela Human Rights Watch. A ONG Conectas o trouxe a São Paulo na semana passada. A seguir, a entrevista ao Estado.
É possível dizer que são os militares que estão dando as cartas nas eleições, incluindo o veto a determinados candidatos?
Digamos que isso é um "segredo aberto". Tecnicamente, todas as desqualificações de candidatos foram corretas e tiveram base na lei. Mas é claro que elas foram ao mesmo tempo extremamente políticas.
O sr. acha que esse tipo de ação compromete a credibilidade do processo eleitoral? Quão livre é essa eleição?
Ela certamente é muito mais livres do que qualquer outra eleição que tivemos na história do Egito, embora seja necessário aguardar para ver se haverá interferência nos dias de votação. O problema principal é que as decisões da Comissão Eleitoral não podem ser contestadas em nenhuma Corte. Portanto a comissão pode livremente fazer leis para vetar candidatos, controlar campanhas, coberturas da imprensa, quem monitorará as urnas e, claro, o anúncio dos resultados finais.
E esse órgão é dos tempos de Mubarak.
Sim, a maior parte dos membros dessa instituição foi apontada ainda por Mubarak e ela é presidida pelo chefe da Corte Constitucional, que foi escolhido a dedo pelo ditador e colocado na Comissão Eleitoral justamente para preparar as eleições que Mubarak queria realizar no ano passado (o ditador, porém, foi derrubado em fevereiro). Por isso há tanta suspeita. Até agora pode-se dizer que não houve interferência política direta de modo significativo. Duas desqualificações foram desleais: a de Mohammed Khairat Shater (da Irmandade Muçulmana) e de Ayman Nour (do Partido Ghad, secular). Ambos tinham condenações, mas que datavam dos tempos de Mubarak - coisas políticas. A culpa dessa situação, porém, não é dos militares, mas da própria Irmandade Muçulmana, que está no Parlamento há três meses e não aprovou uma anistia a crimes políticos cometidos sob o antigo regime, porque ela acreditava que não precisaria disso.
Mais de 70% do Parlamento egípcio está na mão de grupos islâmicos, que defendem a sharia como base da nova Constituição. Qual é o impacto disso na construção desse "novo Egito"?
A fase em que vivemos é extremamente necessária para o amadurecimento do Egito como nação democrática. Grupos islâmicos perderam muito mais apelo nos últimos três meses em que estiveram dentro do Parlamento do que ganharam nos últimos dez anos na oposição. A força dos religiosos estava no fato de eles sempre se apresentarem - e com razão - como vítimas de uma brutal perseguição, mártires que eram excluídos da política por causa de suas crenças, por quererem seguir a palavra de Deus. Desde que se tornaram maioria no Parlamento e começaram a aparecer na imprensa, que agora está livre do controle do Estado, eles passaram a ter mais responsabilidades. Nos últimos três meses, as pessoas começaram a culpá-los por questões práticas, como a formulação de leis e as falhas no confronto com os militares. Hoje, eles estão em crise.
Em que sentido?
Não são mais vistos como anjos que não cometem erros, mas como políticos normais. Isso é extremamente saudável para nós, como país, pois não podemos postergar para sempre o debate sobre o papel da religião na política. Eu não apoio esses grupos islâmicos, mas a irmandade vem trabalhando há 80 anos, os salafistas desde os anos 90 e eles merecem estar no governo. Uma pesquisa de opinião perguntou a eleitores desses dois grupos como eles viam seus representantes agora. E o resultado foi que 80% ficaram desapontados.
Se os partidos religiosos não são o maior desafio para o Egito, quem é?
A ameaça é o "Estado profundo": militares, setores de inteligência e o Ministério do Interior. Essa é a grande questão hoje no Egito. O restante - a disputa pela Constituição, o jogo eleitoral, etc. - é uma espécie de carapaça que vemos de fora. Como desmantelar esse complexo de generais-empresários, somado à inteligência que serviu a Mubarak por tanto tempo - e ficou ainda mais poderosa depois da revolução, pois o Exército está se apoiando nela - e o Ministério do Interior? Essa é a pergunta. Eles estão trabalhando para impedir a mudança e restabelecer as coisas do jeito que elas eram. Não estão conseguindo porque jovens se recusam a deixar as ruas e ir para casa, estão dispostos a morrer. Independentemente de quem for eleito presidente, (o ex-chanceler Amr) Moussa ou (o islâmico moderado Abdel) Aboul Fotouh, esse confronto será o tema principal. Um governo de Aboul Foutoh vai combater isso diretamente e abrirá uma crise política. Moussa não mudará nada, pois ele sempre operou sob esse guarda-chuva. Mas então ficará claro que o poder está com as forças de segurança e o presidente é apenas uma fachada do Estado. E em ambos os casos a instabilidade continuará por um motivo simples: os problemas socioeconômicos que levaram à ela não irão embora tão cedo.
Postado por Carlos Eduardo Bekerman no portal Pletz@le

domingo, 13 de maio de 2012

ABC: Chávez podría intentar blanquear dinero procedente del narco


12/05/2012 | Actualizado: 10:23 pm

Los narcogenerales venezolanos y otros altos cargos implicados en el tráfico de droga podrían estar preparando un gran lavado de dinero, ante la posibilidad de la quiebra del régimen chavista, con la emisión de bonos por valor de 3.000 millones de dólares anunciada a última hora de este viernes por PDVSA, la petrolera nacional, afirma ABC de España.
Las objeciones contra esa emisión puestas directamente al presidente Hugo Chávez por el ministro de Finanzas, Jorge Giordani, sugieren que el objetivo de la emisión debe ser otro que el interés financiero del Estado, de acuerdo con las quejas de Giordani, conocidas por ABC.
Las revelaciones del fugado magistrado, Eladio Aponte, sobre la implicación en el narcotráfico de altos mandos del chavismo, con la connivencia del propio Chávez, pueden haber acelerado los planes para intentar blanquear fondos procedentes de la droga. El proceso de declaraciones de Aponte a la DEA, la agencia estadounidense antidrogas, acaba de concluir en Washington. A partir de ahí, la DEA comenzará a elaborar las previsibles resoluciones de acusación contra las figuras más destacadas del régimen. El exjuez ha aportado «abundante información», según confirmaron el miércoles fuentes de la DEA a la agencia AP.
Las sospechas sobre la emisión de bonos de PDVSA, una vía posiblemente ya utilizada antes para el blanqueo de dinero pero que esta vez sería usada a gran escala, se derivan de la sorpresa expresada privadamente por el ministro de Finanzas sobre una salida a los mercados que él desconocía. Dado el volumen y peso de la petrolera en la economía nacional una operación de este tipo es algo que siempre se coordina con su ministerio. Además, Giordani, a quien no se le relaciona con negocios criminales como ocurre con otros integrantes del Gobierno, es miembro de la Junta de PDVSA. El presidente de la compañía y ministro de Energía, Rafael Ramírez, había dicho públicamente que no estaba planteada una operación de deuda este año, después de que el año pasado ingresara 11.000 millones de dólares por bonos y contara con una aportación de crédito chino por valor de 14.000 millones.
Se enteró por la prensa
Entre las quejas del titular de Finanzas, según ha podido saber este periódico de altas posiciones del Ejecutivo, está la falta de coordinación en la política de endeudamiento. Giordani lamenta haber conocido por la prensa nacional el anuncio de la emisión y considera que ir ahora a los mercados es innecesario. Para el ministro, en estos momentos existe suficiente liquidez interna y además es prioritario reducir el nivel de deuda. Giordani trasladó esas ideas a Chávez a principios de esta última semana cuando trascendió extraoficialmente que PDVSA iba a llevar a cabo esa emisión, realizable en dólares pagaderos en bolívares, con vencimiento a largo plazo.
De acuerdo con la primera filtración en agencias económicas como Reuters y Bloomberg, la emisión iba a anunciarse el pasado lunes, pero la intervención de Giordani trastocó ese calendario. La comunicación oficial no se hizo hasta última hora del viernes. Entre sus especifidades se indica un cupón de 9,75%.
Si Giordani, alguien con gran ascendencia sobre Chávez, no ha podido parar la emisión, al menos ha conseguido modificar algún cambio en las condiciones. Después de que en un primer momento trascendiera que la operación iba a realizarse mediante banca privada, el ministro insistió a Chávez que tenía que hacerse a través de bancos públicos, como finalmente es el caso.

sábado, 12 de maio de 2012

Ditadura promoveu queima de arquivo em série, diz Guerra


Enviado por Ricardo Noblat - 
12.05.2012
 | 
21h47m
POLÍTICA


No livro, "Memórias de uma guerra suja", ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra cita pelo menos duas mortes para preservar regime
Tales Faria e Wilson Lima, iG
Durante a abertura política no Brasil, a ditadura militar promoveu uma “grande queima de arquivo” comandada por líderes do regime com receio de que no futuro algumas execuções de integrantes da esquerda fossem denunciadas publicamente. A informação é do ex-delegado Departamento de Ordem Político Social (DOPS) do Espírito Santo, Cláudio Guerra, no livro “Memórias de uma guerra suja”.

Os novos salários na CBF (por Juca Kfouri)



O o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ganhava R$ 90 mil na entidade, além de R%$ 110 mil no COL.
Não se sabe se José Maria Marin teve mantido o mesmo salário no Comitê Organizador Local da Copa do Mundo, mas sabe-se que, na CBF, ele se deu um aumento que o elevou a R$ 160 mil.
Marin também criou um cargo para Marco Polo Del Nero, o de Assessor Especial, e o remunera com R$ 130 mil mensais, bem mais que os R$ 70 mil do Diretor de Seleções, Andrés Sanchez, que faz o que pode para não perder o emprego.
Aliás, a dupla Marin/Nero acaba de elogiar a dupla Andrés Sanchez/Mano Menezes no sítio da CBF.
O mesmo havia sido feito com o então supervisor da seleção feminina, Paulo Dutra,  há  quase 20 anos no cargo, mas que, dez dias depois dos elogios, foi sumariamente demitido por Marin, assim como seu superior, Célio Belmiro.

Em nome da fé



09:39:09

Foto: Google Imagens

Sabem aquele respeitadíssimo médium João de Deus, recentemente entrevistado pela apresentadora mais famosa do mundo, a Oprah Winfrey?

Pois é. Esse mesmo! Ele é o mais novo alvo de alguns integrantes da CPI do Cachoeira. Não que ele seja um homem de malfeitos. Muito pelo contrário, o médium é conhecido internacionalmente justamente pelo bem que faz ao próximo, através das milagrosas curas.

É que, por ser amigo de Cachoeira, João de Deus teria sido levado pelo bicheiro num jatinho particular até Caracas para atender o presidente Chávez.

O que a Polícia Federal e esses parlamentares da CPI querem descobrir é quem pagou pela viagem.

E, com isso, chegar a novos interlocutores políticos do Cachoeira.

Especula-se que seria aí que o mensalão cruza com o bicheiro. Será?

Tenda dos milagres
Procurada pela coluna, a assessoria de imprensa do médium confirmou que João de Deus atende “várias personalidades internacionais, inclusive chefes de Estado”.

Mas só que o médium, segundo ainda sua assessoria, “jamais daria nomes dos pacientes, por questões éticas”.

O exorcista 3
Se eu fosse da CPI, chamaria o médium, mas para tirar o mau espírito incorporado no senador Fernando Collor.

Dia desses, o ex-presidente teve um surto psicótico, durante uma sessão secreta da CPI, que assustou até os mais incrédulos dos ateus. ...

— Eu estou aqui pelo Poli- carpo! Eu só quero o Policarpo! O Policarpo é meu!

Zifio, totalmente incorporado, de olhos esbugalhados, estava se referindo ao jornalista Policarpo Júnior.

Acalmado por um passe, um colega perguntou:

— Suncê tá mió, mifio?

Por Jorge Bastos Moreno

Fonte: Jornal O Globo - Coluna Nhenhenhém - 12/05/2012