domingo, 7 de setembro de 2014

PESO DO PRECONCEITO

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Num clima de frustração com as mais recentes pesquisas eleitorais, que mostram recuperação de Dilma Rousseff, analistas do mercado passaram o dia de ontem traçando possíveis cenários para o desenrolar da campanha até 5 de outubro, quando os brasileiros depositarão seus votos nas urnas. Apesar de a maioria de operadores e investidores ainda acreditar na vitória de Marina Silva, do PSB, uma ala menos eufórica admite que a ex-senadora poderá ser derrotada por fator inaceitável: o preconceito.

Pesará contra Marina o fato de ser negra e, sobretudo, evangélica. A despeito de ela aparecer na liderança da disputa em segundo turno, e da euforia inicial com a candidatura, muitos dos que declaram votos na ex-ministra do Meio Ambiente titubeiam quando a religiosidade entra no debate. Votos que pareciam consolidados ganham ares de fragilidade à medida que o preconceito contra os evangélicos começa a aflorar. Essa postura é mais evidente, dizem os analistas, quanto mais velho é o eleitor.

Na avaliação do mercado, se Dilma chegar aos 40% das intenções de votos na próxima semana, ficará mais clara a chance de ela ser reeleita, mesmo que em segundo turno. Os petistas, por sinal, contam com o ex-presidente Lula para destruir Marina e garantir mais quatro anos de governo ao PT. Ele vinha relutando em atacar a candidata do PSB, de quem foi muito próximo, mas acabou cedendo aos apelos para atropelá-la. “Há eleitores de mais baixa renda que olham para Marina e veem Lula. Mas o ex-presidente dirá, claramente, que Marina não o representa”, afirma um diretor de um banco estrangeiro.

Não se pode esquecer de que Lula também foi vítima do preconceito que pode derrotar Marina. Ele perdeu três eleições antes de se tornar presidente da República. Para convencer o eleitorado que um operário e nordestino seria capaz de comandar o Brasil, ele teve que passar por uma metamorfose profunda, inclusive no visual, pensado milimetricamente pelo marqueteiro Duda Mendonça. As roupas despojadas foram abandonadas. Lula passou a se vestir como um executivo do mercado, com o qual selou um acordo de paz por meio de uma carta de compromissos.

Os investidores sabem que a máquina do governo está toda preparada para tirar Marina do caminho. Assim, para sustentar as chances de vitória da ex-senadora, será preciso muito mais do que declarações contundentes como a do banqueiro Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, que manifestou publicamente seu desejo de mudança e o fim da mediocridade da gestão de Dilma Rousseff. “Os eleitores terão que se libertar da guerra santa que o PT declarou”, ressalta um empresário da área da construção civil.

Uma vaga na Esplanada

» Economistas de várias matizes estão se engalfinhando para garantir um espaço na equipe de Marina Silva, caso ela vença as eleições. Sabe-se que Eduardo Giannetti e André Lara Resende estão na lista preferencial da candidata do PSB. Muitos querem um lugar ao sol na Esplanada dos Ministérios.

Nelson Barbosa no lugar de Mantega

» Com Dilma transformando Guido Mantega em ex-ministro em exercício da Fazenda, começaram as apostas sobre quem irá sucedê-lo se a petista for reeleita. O nome mais forte da lista é Nelson Barbosa, desafeto do atual chefe da equipe econômica.

Distância regulamentar

» A presidente Dilma prometeu a seu padrinho político, Lula, que, vencedora na disputa eleitoral, manterá distância da economia. Em conversa recente entre os dois, ela reconheceu que errou, inclusive ao destruir a credibilidade do Banco Central. Poucos, no entanto, acreditam.

Excessos de Arno

» Dilma também admitiu, segundo interlocutores, que deu poderes excessivos ao secretário do Tesouro, Arno Augustin, o maquiador da Esplanada. Ele se tornou o símbolo do descrédito das contas públicas e pode levar o país ao rebaixamento pelas agência de classificação de risco após as eleições.

Estouro do teto

» Pelas contas dos analistas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourará novamente o teto da meta de inflação, de 6,5%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje a taxa de agosto, que deve ficar em 0,27%, acumulando, em 12 meses, alta de 6,51%.

Retaliações à vista

» As empresas de telefonia estão sentindo toda a pressão do governo para que participem do leilão do sistema 4G, marcado para o fim deste mês. As companhias alegam que não têm caixa suficiente para entrar no negócio avaliado em R$ 12 bilhões, recursos vitais para o Tesouro Nacional evitar o vexame nas contas públicas. As operados já falam em retaliações.

Brasília, 00h01min

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