18/01/2016
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
ÚLTIMO REDUTO DOS HIPÓCRITAS E DOS CAFAGESTES - A Coluna de Mauro Pereira
Se nos dedicarmos a uma leitura mais aprofundada às inúmeras notas publicadas contestando de forma arrogante e inconsequente o veredito do STF condenando companheiros mensaleiros e prendendo comparsas do petrolão, agravadas pelos ataques asquerosamente racistas carregados do mais refinado ódio ao então presidente do STF, Ministro Joaquim Barbosa, poderemos, também, vislumbrar nas entrelinhas uma advertência sombria chamando a atenção para a possibilidade de uma ruptura marcada por dias de tensão, cujo desenlace poderá desembocar em irrecuperável retrocesso democrático.
DILMA LEVA PARA SEGUNDA DIVISÃO - by Carlos Alberto Sardenberg
19/01/2016
O Globo, 17/12/15
Não sei se repararam, mas está em curso uma derrama fiscal. E não é só em Brasília. A partir de 1º de janeiro, por exemplo, os moradores de nove estados e mais o Distrito Federal pagarão impostos mais caros sobre os serviços de telecomunicações. Nos demais estados, não haverá aumento por uma razão simples: as alíquotas já estão no teto.
O consumidor brasileiro já pagava os impostos mais altos do mundo sobre telecomunicações. Com os últimos aumentos, vai pagar, na média, o dobro do que paga o segundo colocado, o consumidor argentino.
O brasileiro residente em Roraima pagará R$ 63 de impostos em cada conta de R$ 100 por serviços de telecomunicações. Os que pagam menos são os consumidores de São Paulo, Santa Catarina e de outros quatro estados, apenas 40%. Pela Constituição, essa carga tributária não poderia ser superior a 26%.
Em todos os estados, está subindo o ICMS para diversos produtos, a começar dos suspeitos habituais, bebidas e cigarros. São os produtos do mal, dizem, logo o imposto deve ser alto mesmo, até para desestimular o consumo.
Pois então, a carga tributária sobre telecomunicações está no mesmo nível. É um assalto ao consumidor, uma brutal elevação do custo Brasil.
Vários outros assaltos são cometidos em Brasília. No calor do impeachment de Dilma e da cassação de Eduardo Cunha, entre uma operação e outra da Lava-Jato, Câmara e Senado discretamente promovem a derrama, nas várias modalidades de impostos, taxas e contribuições. Sobem impostos sobre bebidas (de novo!) e produtos de informática — de maneira que o consumidor vai pagar mais ao governo federal na compra do celular, tablet e computador, e mais um tanto ao governo estadual quando utilizar os serviços.
Sobe também a carga tributária em quase todas as aplicações financeiras e sobre ganhos de capital, na venda de um imóvel, por exemplo. Dirão: renda financeira é coisa de rico, eles que paguem. Mas o Tesouro Direto aceita aplicações de 30 reais, de gente que está tentando salvar dinheiro da inflação causada pelo governo.
Tem mais. Agências reguladoras, como a Anvisa, estão aumentando as taxas que cobram por serviços, como o licenciamento de produtos.
Não faltam expedientes para arrecadar mais.
Tudo somado, e ainda sem contar com a CPMF, o governo federal arranjou nada menos que R$ 1,25 trilhão para gastar ao longo do ano que vem. Isso dá algo como 20% do PIB. Repetindo: só o governo federal. Acrescente as administrações estaduais e municipais, e o setor público gasta algo entre 35% e 40% do PIB. Ou cerca de R$ R$ 2,3 trilhões.
É muito ou pouco? Depende do que o governo faz com o dinheiro, não é mesmo? E pelo jeito, não faz nada bem.
Hospitais públicos suspendem cirurgias por falta de dinheiro. Universidades suspendem a limpeza, por falta de dinheiro. O Exército não pode fornecer tropas para combater o mosquito da dengue por falta de dinheiro.
E todos que trabalham nesses serviços — e em todo o setor público — pedem mais verbas. Daí, mais impostos.
Mas, caramba, onde gastam aqueles trilhões? Há duas décadas, o governo federal gastava 10% do PIB. Dobrou o gasto, aumentou duas vezes e meia a carga tributária — e ainda falta dinheiro? E ainda os serviços são precários?
Pensando do mesmo modo, o governo da presidente Dilma acaba de dizer que não tem como fazer o superávit primário no ano que vem. Reparem, diz que não consegue economizar uns trocados, pois o que são 20 bilhões, que era a meta, num orçamento de R$ 1,25 trilhão?
Resumo da ópera: o governo está tomando mais impostos, gastando mais e, ainda assim, quer mais dinheiro. Simplesmente isso, mais dinheiro. E consegue, porque deputados e senadores acabam pensando do mesmo modo.
Ninguém ali sequer pensa em fazer, digamos, uma grande auditoria para saber como se gasta o dinheiro do contribuinte. Nas universidades, nos hospitais, nas diversas repartições, ninguém fala em reforma administrativa, busca de eficiência e produtividade. Em trabalhar mais, por que não? Em mérito. Em pagar mais para quem trabalha mais e melhor.
Ou ainda, não se discute sobre quais serviços o governo deve ou não prestar. O que deve ser de graça? O que se deve cobrar? O economista Ricardo Paes de Barros foi direto ao ponto em entrevista na “Folha”, no último dia 14: não dá para oferecer serviço de saúde grátis para todo mundo; ou faculdade de graça para quem pode pagar, isso é burrice.
Não é por acaso que o Brasil cavou de novo um buraco nas contas públicas.
O país ficou a vida toda na segunda divisão mundial. Com o real, a lei de estabilidade fiscal, os seguidos superávits primários, a redução da dívida pública, o Brasil tornou-se grau de investimento em 2008, por três agências. Primeira divisão. Ontem, a Fitch foi a segunda agência a rebaixar o Brasil para grau especulativo. Apenas nove anos na primeira.O governo Dilma terminou de estragar tudo.
Carlos Alberto Sardenberg é jornalista
SARCÓFAGOS - by Miranda Sá
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Os embalsamadores removiam primeiro o cérebro, por que os antigos egípcios acreditavam que o pensamento vinha do coração e, portanto, o cérebro era supérfluo...” (Charlotte Booth)
Tenho me preocupado com as múmias stalinistas que escaparam das ruínas do Muro de Berlim e voltam como zumbis, e como num filme de terror insistem em ressuscitar uma deperecida ideologia, acumpliciados aos bandidos do narco-populismo bolivariano.
Felizmente não há muitos mortos-vivos entre os jovens, conforme pesquisa de opinião recente. Mas ainda encontramos alguns amigos, colegas e ex-colegas de trabalho, parentes e – coisa triste – pessoas que participaram de antigas lutas patrióticas e hoje abjuram a Pátria Brasileira, submetendo-se à confusa e intangível Pátria Grande.
Abandonaram este funesto desfile as melhores cabeças do esquerdismo aqueles que, quando jovens, acreditaram na faraônica utopia stalinista. Abriram as mentes e enxergaram a realidade, repudiando a farsa dos pelegos lulo-petistas.
Outros, porém, trazendo da origem o DNA da fraude, aceitaram tornar-se cópias de papel carbono da pelegagem no poder, alguns se mantiveram lucrativamente na militância mercenária e caricata que definhou por motivos óbvios.
Mantêm-se também as múmias que mamam nas tetas do corrupto PT-governo os privilégios dos empréstimos a fundo perdido, no aparelhismo da administração pública ou nas bolsas subserviência que vão da miséria real à exploração de uma cultura suspeita. Esses perderam pelos próprios interesses a visão histórica da vida em sociedade.
Conheço alguns que em mansões ou do alto de apartamentos de milhões de reais por metro quadrado usam a máscara da solidariedade pela miséria alheia para lucrar com isso; outros, afundados em poltronas com a boca escancarada, cheia de dentes, ouvem nostálgicas músicas de protesto dos anos 1960.
Esses esquerdopatas participam de cruzeiros em transatlânticos de luxo nos mares helênicos discursando sobre os emigrantes fugidos das ditaduras que eles mesmos defendem metaforicamente...
As múmias stalinistas esperam uma vida futura, sem acompanhar a evolução que ocorre no exterior das sólidas, mudas e frias paredes de pedra dos seus túmulos. Cegas e surdas não reagem aos estímulos da realidade.
Estimulam suas tropas de choque a brigar por $0,30 nas passagens dos transportes públicos, mas não veem nem mostram indignação diante do faraó da iniqüidade, Lula, o pelegão que após afastar-se da Presidência da República deixou o Brasil roubado e ainda levou consigo o acervo do Palácio do Planalto.
Na chegada em Brasília, Lula trazia uma mão na frente e outra atrás; na saída, levou onze caminhões baú, sendo um climatizado; como constou no edital de licitação para o respectivo transporte. Para não falar das propriedades adquiridas suspeitosamente. E parece aos felás da idiotice tratar-se de uma coisa normal, por que não esboçam um protesto... Nunca no correr dos séculos se viu algo semelhante!
A mudança de Lula, claro, foi toda paga com dinheiro público. Entre os objetos, levou para casa duas bicicletas e duas esteiras ergométricas da presidência (que foram devolvidas posteriormente). Levou a cama do Alvorada, uma peça de cristal com o primeiro artigo da Constituição Americana dada por Obama, um conjunto de taças de prata presente da rainha Elizabeth, uma coleção de jóias da família Real ofertada pelos Emirados Árabes, 9 mil livros e obras de arte diversas.
Trata-se de um capítulo para acrescentar ao perfil de um pelego, cujo primarismo convive com a sagacidade inegável e uma desonestidade comprovada na trajetória sindicalista e no exercício da política, onde as tramóias sempre estiveram presentes.
Esta personalidade é cultuada pelos “socialistas bolivarianos”, que adotaram a indefinível e escorregadia moda narco-populista na infelicitada América Latina.
Foi fácil para marxistas dos Irmãos Marx (ou do Frei Boff) da turma do PCdoB, que na corrida desesperada de mortos-vivos correram de Stálin morto e denunciado por crimes, para Enver Hoxha – o tirano albanês – e deste para Mao-Tse Tung...
Na tresloucada tentativa de ressuscitar no século 21, as múmias stalinistas sem cérebro assistem o final da Era Petista, autocorrompida e autodestruída pela corrupção desenfreada, a inaptidão para o trabalho e a incompetência para gerir a administração pública. Seu destino já está traçado pela História: à volta aos sarcófagos.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Brasil apura medidas antiterrorismo após caso de condenado - por RENATA MARIZ - O GLOBO
Mercadante diz que físico deveria ter sido barrado em 2013; professor acusado de terrorismo fala em ‘acusações fabricadas’

BRASÍLIA E RIO - Investigado pela Polícia Federal, o físico Adlène Hicheur nem deveria ter entrado no país. A declaração contundente é do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que afirmou que o hoje professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) deveria ter sido barrado ao chegar no Brasil em 2013. Mercadante acompanha o caso do professor, divulgado pela revista “Época”, desde setembro, quando recebeu pedido de auxílio da Polícia Federal ainda como titular da Casa Civil. Hicheur, por sua vez, alega que o processo em que foi condenado por terrorismo na França foi fabricado.
— Lógico que deveria ter sido bloqueado (o acesso dele ao país). Uma pessoa que teve aqueles e-mails que foram publicados, que foi condenada por prática de terrorismo, não nos interessa para ser professor no Brasil. Não há nenhum interesse nesse tipo de perfil — disse, descartando, no entanto, qualquer movimento do governo para desligá-lo ou afastá-lo da universidade. — O currículo acadêmico dele e a produção científica preenchem todas as exigências. É um pesquisador altamente qualificado. O problema não é se ele é professor, engenheiro, estudante. Se há indicio de alguém que teve, como no caso dele, condenação ou envolvimento com práticas terroristas, você tem que bloquear na entrada.
AÇÕES DE SEGURANÇA
Para julgá-lo, a polícia francesa se baseou em mensagens trocadas por Hicheur com um usuário que usava o pseudônimo Phenix Shadow — que seria Mustapha Debchi, apontado pelo governo como membro da al-Qaeda na Argélia. Nos e-mails, os dois mencionavam assassinatos, ataques a embaixadas e potenciais alvos, entre outros conteúdos suspeitos. Detido, ele cumpriu dois anos e meio de prisão.
Embora a universidade que hoje emprega o físico seja federal, Mercadante disse que cabe ao Ministério da Justiça e à Advocacia Geral da União tomar providências em relação ao franco-argelino. Agentes da Divisão de Antiterrorismo da Diretoria de Inteligência (DIP) da Polícia Federal de Brasília o monitoram há pelo menos seis meses.
Segundo o ministro, embora não tenha tradição de conflitos, o Brasil pode sofrer atos terroristas durante as Olimpíadas, por ser um evento de repercussão mundial.
— É o evento de maior impacto midiático do mundo, a maior audiência de todos os eventos é a abertura das Olimpíadas. O Brasil não é alvo, mas pode ser palco.

Em dois endereços cariocas onde antes era fácil encontrá-lo, Hicheur não foi localizado ontem. Procurado por telefone, também negou-se a comentar o assunto e desligou rapidamente. Em carta enviada por e-mail ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), à qual o GLOBO teve acesso, Hicheur sustenta que a acusação francesa não conseguiu apresentar provas materiais para sustentar seus argumentos.
“Eu fui preso pela polícia francesa no fim de 2009 e a única justificativa foram minhas visitas aos chamados websites islâmicos subversivos. Fui privado da minha liberdade por dois anos apenas com base nisso.”
Especialista em física das partículas elementares, ele fazia parte da equipe da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês) em Genebra, na Suíça, onde está proibido de voltar até 2018. A “Época” teve acesso a 35 e-mails trocados entre o físico e o jihadista. Em um deles, Phenix fez uma abordagem sem rodeios: “Caro irmão, vamos direto ao ponto: você está disposto a trabalhar em uma unidade de ativação na França?”. Cinco dias depois, a resposta. “Sim, claro”.
AÇÕES SERIAM FABRICADAS
Ontem, Hicheur declarou-se inocente e denunciou abusos durante o período em que esteve sob custódia na França.
“O caso foi fabricado usando-se partes pinçadas de uma conversa virtual com o objetivo de mostrar que haveria uma tentação de considerar a violência como solução para conflitos internacionais em países árabes e muçulmanos como Iraque ou Afeganistão.”
A PF passou a investigá-lo após uma reportagem da TV CNN de 2015 numa mesquita no Rio, em que um frequentador defendia os ataques ao semanário “Charlie Hebdo” e levantava a camisa, revelando um símbolo do Estado Islâmico.
Com a descoberta de que Hicheur também frequentava o templo, ele passou a ser monitorado, e seu escritório na UFRJ e o apartamento na Tijuca foram revistados. A ação, no entanto, é considerada comum, segundo policiais federais consultados pelo GLOBO, e não envolve apenas o físico. O trabalho tem a participação de outras agências de Inteligência e atinge estrangeiros com passagem pela polícia e brasileiros considerados “simpáticos” a grupos terroristas. Como a investigação da PF estava sob sigilo, segundo Mercadante, ele não conversou, até agora, com nenhuma autoridade da UFRJ.

Na carta, o físico sustenta que a “Polícia Federal no Brasil não tem nada contra” ele e nega qualquer ligação com o ocorrido na mesquita, ressaltando que não estava no local no dia. Ainda no documento, Hicheur argumenta que “estava muito doente durante todo o período do alegado crime de ‘associação com transgressores’”.
Ele destacou que teve apoio da comunidade científica no processo e que tem lutado para se recuperar de uma experiência “terrível”. O pesquisador é líder em diversos estudos do laboratório e respeitado pelos colegas. Em 2012, um comitê de apoio na França reuniu milhares de assinaturas pedindo sua libertação. Ontem, o documento foi enviado junto a uma carta assinada por Ignacio Bediaga, coordenador de Física Experimental de Altas Energias do CBPF — que classificou o processo contra Hicheur de arbitrário.
“À época da sua prisão, pudemos observar que as opiniões dos nossos colaboradores europeus ficaram divididas. Entretanto, após dois anos de encarceramento, sem acusação definida, houve um consenso entre os nossos colegas da arbitrariedade da ação da polícia francesa e do próprio julgamento.”
No Laboratório de Física de Partículas Elementares, onde trabalha, o franco-argelino não apareceu para tocar as pesquisas. Também não frequenta há duas semanas a Mesquita da Luz, na Tijuca, onde costumava fazer orações. Ex-secretário do templo, Fernando Celino aposta que diante da exposição, Hicheur pode até sair do país:
— Acho que pode ser que ele vá embora. É uma pessoa muito reservada, só três ou quatro fiéis tinham convívio mais próximo.
Colaborou Paula Ferreira
EUA E BRASIL MONITORAM CONJUNTAMENTE
POR ANTÔNIO WERNECK
RIO - De olho na segurança dos Jogos Olímpicos e para enfrentar ameaças terroristas, o governo americano está ajudando há quatro anos policiais federais brasileiros no monitoramento e triagem dos estrangeiros que entram no país pelos aeroportos. O trabalho de inteligência começou em 2011 com a assinatura de um memorando de cooperação entre os Estados Unidos e o governo brasileiro. A informação foi confirmada ao GLOBO pela Embaixada dos EUA no Brasil. Não são as únicas medidas. Americanos e brasileiros estão trabalhando conjuntamente em diversas áreas, incluindo o monitoramento de estrangeiros suspeitos de ligação com grupos terroristas internacionais.
O trabalho envolve triagem e checagem de documentação. Durante os Jogos Olímpicos, os americanos irão implantar parceria semelhante na gestão e no monitoramento de quem entrar em locais de eventos esportivos, bem como no estudo de maneiras para evitar incidentes graves de segurança em estádios e em suas imediações.
Nos próximos dias, a Polícia Federal deverá escolher os representantes de 52 países — dos mais de 200 que virão ao país participar do evento esportivo — para trabalharem em dois centros de cooperação internacional. Um funcionará em Brasília, e o outro será implantado na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio. No centro, além dos países convidados, com garantia de hospedagem, deslocamento e alimentação, estarão representantes da Interpol.
Segundo fontes da Polícia Federal, os centros funcionarão 24 horas por dia. Tudo para garantir garantir a segurança e a proteção de atletas, espectadores e cidadãos. A PF garantiu que a escolha dos países que farão parte do centro de cooperação levará em conta o tamanho das delegações e o potencial de risco. Uma análise de risco da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) põe a delegação da França no nível mais elevado de possibilidade de se tornar alvo de ataques no Brasil, juntamente com as dos EUA e de mais oito países.
— Teremos equipes trabalhando num mesmo espaço, com estreita cooperação — disse um policial federal.
Maior evento esportivo do planeta, os Jogos Olímpicos irão mobilizar cerca de dez mil atletas de 206 países, devendo atrair grandes quantidades de turistas ao Brasil. A previsão dos organizadores é de o Rio receber, somente na cerimônia de abertura, cerca de cem chefes de Estado e de governo.
Os mistérios da perícia de um celular-bomba, o do delator Leo Pinheiro
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
O surgimento do relatório sobre a perícia do celular de Léo Pinheiro surpreendeu alguns membros da força-tarefa da Lava Jato. Eles desconheciam a existência das mensagens que comprometem meia República. O relatório envolvendo políticos com foro privilegiado foi enviado à Procuradoria Geral da República em setembro e só começou a ser analisado agora, por causa do volume de trabalho. Mas e a parte referente aos políticos sem foro? Se Léo foi preso em novembro de 2014, por que essas mensagens não entraram na ação penal que condenou, em agosto, o empreiteiro a 16 anos de reclusão? O Antagonista foi informado de que o exame do celular ficou pronto tardiamente, inviabilizando sua inclusão naquele processo. Sem o atraso, Léo Pinheiro teria sido condenado na companhia de outros petistas ilustres e o governo Dilma teria terminado em 2015.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Pedro S. Malan*: O 14º ano do lulopetismo no poder
- O Estado de S. Paulo, domingo, 10 de janeiro.
Dilma, lidando com ‘o pós-Lula’ foi o título de artigo que publiquei neste espaço quase cinco anos atrás (13/3/2011). À época, a expressão pós-Lula causava marcado desconforto a muitos, que resistiam a vê-la como forma abreviada de se referir ao período que se seguiria ao término dos oito anos (2003-2010) da administração Lula. O artigo explorava possíveis razões do desconforto com essa expressão.
Agora, neste início do crucial ano de 2016, estamos vivendo uma situação em que Lula e o PT já estão “lidando” com o pós-Dilma, isto é, focando no futuro de ambos, mesmo anos antes do que consideram de público a única legítima data-limite (2018) para se falar abertamente sobre o pós-Dilma. Mas o fato é que antes de 2018 vêm as eleições de outubro de 2016. E antes disso Lula e o PT e os movimentos sociais sobre os quais têm grande influência estarão se posicionando e/ou reposicionando em relação ao governo Dilma – à luz do desempenho da economia e de seus próprios, e prioritários, instintos de sobrevivência política.
Lula e o PT já foram capazes de cometer enorme injustiça com o competente ex-ministro Joaquim Levy, responsabilizando-o, e não ao governo Dilma, pelo péssimo desempenho econômico de 2015 – contratado muitos anos antes, desde a gestão Lula 2. Foram inúmeros os manifestos e pronunciamentos do lulopetismo, no correr de 2015, contra a “política econômica do ministro Levy” e a favor da “retomada imediata do crescimento”. Para os dessa grei, apenas uma questão de “vontade política”. Tenho certeza que esse não é o caso do novo ministro da Fazenda.
Mas o ano que se inicia é o 14.º – e crucial ano do lulopetismo no poder. Crucial para Dilma, para o PT e para Lula. E muito mais importante para o Brasil, dadas a lastimável situação em que se encontra a sua economia, a disfuncionalidade de sua política e as consequências do inédito processo de investigação ora em curso sobre ligações perigosas entre pessoas (públicas e privadas) e empresas (privadas e estatais). Nunca antes na História deste país tivemos o grau de incerteza que resulta da interação destas situações de crise.
Sairemos dela um dia, estou seguro, embora a um custo que ainda não nos é dado avaliar exatamente, mas sabemos que está sendo e será ao fim e ao cabo muito alto em termos de empregos que foram perdidos, de renda e empregos que não foram gerados, de renda real perdida para a inflação, de queda de produção, do investimento que não se realizou, de poupança que se evaporou e de sonhos e expectativas frustrados, especialmente para aqueles que haviam adquirido a sensação de um permanentemente conquistado melhor padrão de vida para si e para os seus. É duro encarar por alguns anos a realidade mesmo em países ricos, com renda per capita de três a seis vezes maior que a nossa. Aqui é bem pior a sensação de mal-estar com ilusões perdidas.
O mal-estar pode ser especialmente daninho para a necessária recuperação de um maior grau de confiança no País (que certamente existe), mas principalmente, agora, de confiança no governo e em sua capacidade de coordenação com o Congresso e de comunicação transparente com a sociedade – que deixa, e muito, a desejar.
Para tal o governo precisaria dar demonstrações críveis à sociedade de que a) tem um diagnóstico adequado da situação (neste início de 2016); b) tem um entendimento, que faça sentido para a população, do processo pelo qual chegamos (o País) à situação atual (o passado recente); e c) não menos importante, com base em a) e b), que tem um conjunto de ações, não pura retórica nem proveniente de indevida “gerundização da política” (do tipo vamos estar fazendo, vamos estar providenciando, vamos estar estudando). Afinal, estamos entrando no 14.º ano do lulopetismo no poder.
Não é verdade, como por vezes parece insistir o governo, que tenhamos chegado à situação atual de repente, não mais que de repente, surpreendidos apenas no final de 2014, após o resultado das urnas. Agora, em abril deste ano, estaremos completando dois anos de uma recessão que começou em abril de 2014, cujas bases foram, no fundamental, sendo lançadas por ações, omissões e erros do governo ao longo de anos anteriores a 2014 – na verdade, anteriores a Dilma 1, apenas continuados e acentuados no seu período.
Para a difícil tarefa de entender o presente, e poder vislumbrar o tipo de ações que este e o futuro exigem, é preciso ter alguma narrativa minimamente coerente sobre o passado através do qual chegamos à situação atual. Não qualquer narrativa, destinada a militantes partidários e simpatizantes de sempre, mas uma que parcela expressiva da opinião pública brasileira considere que lhe pareça fazer sentido, dizer-lhe respeito, ser-lhe útil, ajudá-la a entender um pouco melhor a sua circunstância, o seu futuro e dos seus. Isso é tarefa para lideranças políticas capazes de se comunicar de forma convincente e respeitosa para com a inteligência dos brasileiros.
Pode parecer fácil. Mas não é. Tanto é assim que nem o governo – que, afinal, tem a responsabilidade principal – nem as oposições estão sendo capazes de fazê-lo. Mas acho que temos avançado, apesar das aparências em contrário. Ao menos há menor espaço para a mentira, a desfaçatez e a hipocrisia. E certamente menor espaço para erros associados a velhas e perigosas ilusões – que não têm futuro.
Como escreveu Paul Volcker em seu famoso relatório para a ONU (Boas Intenções Corrompidas: o Escândalo do Programa Petróleo por Alimentos): “Após mais de 50 anos de experiência, tive inúmeras oportunidades de observar em primeira mão a frustração das boas intenções: debates infindáveis, defesa de interesses muito especiais, falta de visão ampla e oportunidades perdidas entre o impasse político e a inépcia administrativa”.
Como diria o grande Ancelmo Gois: “Deve ser duro viver em países assim”.
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* Pedro S. Malan é economista, foi ministro da fazenda no governo FHC
CIENTISTAS ISRAELENSES DESCOBREM PROTEÍNA LIGADA AO MAL DE ALZHEIMER
Um novo estudo da Universidade de Haifa identificou uma nova forma de atividade das proteínas do cérebro associadas com deficiências de memória na doença de Alzheimer e também descobriu que "reparar" esta atividade leva a uma melhoria na memória.
"No estudo verificou-se que as células nervosas no rosto dos ratos, usados nos testes de Alzheimer, havia um tipo de estresse metabólico", disse Yifat Segev, que realizou o estudo com colegas do Departamento Sagol de Neurobiologia da Universidade de Haifa. "Quando uma célula enfrenta tal estresse metabólico é lógico que ela irá reduzir o seu nível de atividade, a fim de sobreviver. O problema é que esse estresse é crônico e leva ao comprometimento do funcionamento cognitivo."
"No estudo verificou-se que as células nervosas no rosto dos ratos, usados nos testes de Alzheimer, havia um tipo de estresse metabólico", disse Yifat Segev, que realizou o estudo com colegas do Departamento Sagol de Neurobiologia da Universidade de Haifa. "Quando uma célula enfrenta tal estresse metabólico é lógico que ela irá reduzir o seu nível de atividade, a fim de sobreviver. O problema é que esse estresse é crônico e leva ao comprometimento do funcionamento cognitivo."

Os pesquisadores, incluindo médicos da Noruega que também participaram do estudo, esperam que a nova startup que fundaram na base das conclusões permita o desenvolvimento de uma droga que vai atrasar o início dos sintomas cognitivos.
Um estudo anterior no mesmo laboratório, dirigido pelo Prof. Kobi Rosenblum, encontrou uma conexão entre uma condição genética conhecida por ser um fator de risco para a doença de Alzheimer esporádica e o envelhecimento prematuro tal como se manifesta no estresse metabólico em curso. Segev chegou agora a um entendimento mais profundo da anormalidade do processo e, em particular, que "reparar" o processo melhora a capacidade de criar novas memórias.
"Estudos anteriores mostraram que é possível melhorar a memória, a longo prazo, através da regulação do curso da proteína PKR e a eIF2 em modelos em animais jovens e saudáveis," disse Rosenblum. "Então, nós encontramos uma ligação entre eIF2 e a disfunção cognitiva no contexto da doença de Alzheimer. Agora, temos não só aprofundado a nossa compreensão desses processos, mas também conseguimos mostrar que é possível provocar uma melhora cognitiva no modelo de um Alzheimer. Espero que a nova startup seja estabelecida com base nestes resultados permitindo que uma droga seja encontrada que possa atrasar o início dos sintomas cognitivos em pacientes com demência e em pessoas com várias deficiências cognitivas."
O estudo foi publicado recentemente no Journal of Neuroscience.
Um estudo anterior no mesmo laboratório, dirigido pelo Prof. Kobi Rosenblum, encontrou uma conexão entre uma condição genética conhecida por ser um fator de risco para a doença de Alzheimer esporádica e o envelhecimento prematuro tal como se manifesta no estresse metabólico em curso. Segev chegou agora a um entendimento mais profundo da anormalidade do processo e, em particular, que "reparar" o processo melhora a capacidade de criar novas memórias.
"Estudos anteriores mostraram que é possível melhorar a memória, a longo prazo, através da regulação do curso da proteína PKR e a eIF2 em modelos em animais jovens e saudáveis," disse Rosenblum. "Então, nós encontramos uma ligação entre eIF2 e a disfunção cognitiva no contexto da doença de Alzheimer. Agora, temos não só aprofundado a nossa compreensão desses processos, mas também conseguimos mostrar que é possível provocar uma melhora cognitiva no modelo de um Alzheimer. Espero que a nova startup seja estabelecida com base nestes resultados permitindo que uma droga seja encontrada que possa atrasar o início dos sintomas cognitivos em pacientes com demência e em pessoas com várias deficiências cognitivas."
O estudo foi publicado recentemente no Journal of Neuroscience.
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