sábado, 17 de novembro de 2012

SOU FÃ DA EMBRAPA



Hélio Garcia
Tenho um amigo brasileiro que mora e trabalha em Zurich e a grande reclamação dele é quanto à alimentação (Baiano com raízes paulistas; não é prá menos). A culinária típica é baseada em queijo, chocolate e pão. Quase toda a população come salada e vegetais regularmente, tudo para uma alimentação saudável. Carne, tirando linguiça, não é muito consumida devido aos altos preços. Fondue, raclette (batata e queijo) Bratwurst (linguiça de frango com pão) são os principais alimentos típicos.Todos os produtos derivados de leite (queijo, iogurte, chocolate, sorvete…) na Suíça são muito saborosos e apreciados. Mas a batata é um dos principais ingredientes da mesa dos Suíços, assim como dos Alemães e dos habitantes dos países Nórdicos; o trigo também, em todas as s formas de seus derivados. No Brasil, desde o descobrimento, sabemos que em se plantando, tudo dá. Meliantes e políticos picaretas, então, dá mais que xuxu na cerca. Prá mim, a maior criação dos Governos Militares foi a EMBRAPA, em boa parte responsável pelo agro-negocio que temos hoje, orgulho nacional e responsável por quase metade de nossa pauta de exportações. Não fosse ela nosso PIB (pibinho em 2012) seria negativo. Voltemos à vaca fria:
Um amigo, lendo no Blog sobre a pesquisa médico-científica que andei procedendo sobre o CU e sobre a minha indignação com o que o Governo Federal vem fazendo com a EMBRAPA (80% do orçamento dela é prá pagamento de pessoal…..20% restantes prá pesquisas e projetos é nada), me mandou a fotografia que ilustra a matéria, mostrando que a evolução da pesquisa e genética agrícola por lá começa a suplantar nossos feitos por aqui abaixo da linha do Equador, paraíso mundial, por termos insolação quase que o ano todo, bons índices de chuvas e solos propícios ou perfeitamente adaptáveis. Estou achando que além da alta produtividade do vegetal, para alimentação, o dito cujo deverá ser utilizado também para outras finalidades antes do devido cu…zimento.
Obs: Desse jeito não conseguirei me livrar da alcunha.(1)
(1) São também sinônimos de alcunha as palavras apodo, antonomásia, cognome e epíteto. A designação apelido pode causar potencialmente alguma confusão de sentido, visto que em sua origem significa o nome de família, ou seja, o que no Brasil chama-se de sobrenome, embora na linguagem técnica a palavra mantenha seu significado original.

Charge do Duke (O Tempo)



Um gesto absolutamente inútil, por Jorge Bastos Moreno



Jorge Bastos Moreno, O Globo
Quando o ministro Lewandowski levantou-se da cadeira e saiu da sessão em protesto contra o relator Joaquim Barbosa, a comunidade jurídica do país pensou estar diante, novamente, de um gesto de ousadia e coragem que marcou a história da Suprema Corte e do próprio país: ao ver o STF aprovar, contra um único voto, o seu, a lei de censura prévia, o então ministro Adauto Lúcio Cardoso, numa encenação cinematográfica, levantou-se da cadeira, arrancou a toga e a jogou no meio do plenário, como o pantaneiro costuma fazer com as redes de pescar, às margens do Rio Cuiabá. E nunca mais voltou.
Mas Lewandowski não fez isso. Prevalece, portanto, ainda, na literatura jurídica do país, o vaticínio do mestre Evandro Lins e Silva, no livro-depoimento “O salão dos passos perdidos”: “A verdade, parece-me, é que a atitude do ministro Adauto Lúcio Cardoso foi única, continua única, e provavelmente nunca se repetirá”.
Lewandowski saiu, mas se esqueceu de não voltar.

CRÔNICA Cartas de Buenos Aires: A grama do vizinho



Do outro lado do rio nos espreita uma pequena nação. Acocorada sobre as margens do Rio da Prata está um acanhado país e um crescente exemplo.
Mais que um destino de fim de semana para quem quer fugir da selva de pedra que é Buenos Aires, o vizinho Uruguai vem se tornando um país de vanguarda graças à liderança de seu Presidente, José “Pepe” Mujica.
A diminuta nação de pouco mais de 3,3 milhões de habitantes, cuja maioria é idosa, vem ganhando espaço na mídia mundial graças à sua disposição de enfrentar, de maneira inovadora, assuntos polêmicos, como o aborto e a legalização da maconha.
Enquanto isso, seu Presidente vai embolsando a simpatia internacional pela coerência em sua vida pessoal e visão liberal em relação a temas controversos (Pepe não tem propriedades, mora em uma chácara na periferia de Montevidéu, doa boa parte de seu salário e prefere defender em seus discursos a felicidade às ideologias políticas).

Pepe Mujica em seu simpático fusca azul

Nessa última terça-feira, a bancada de Mujica apresentou um projeto que promete criar polêmica e gerar ondas na bacia do Prata.
Se virar lei, uruguaios registrados poderão comprar até 40 gramas de maconha mensalmente, manter até nove pés da erva e participar de “clubes”que teriam direito a manter até 90 plantas de cânhamo.
O projeto começa a ser apreciado na próxima quinta-feira por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, para, futuramente, ser submetido à votação no plenário. E o melhor? Esta produção sairia da mão de traficantes para a chancela do estado.
Embora o Uruguai, se comparado à Argentina, ainda fique atrás em varias frentes de direitos humanos, como o julgamento dos carrascos da ditadura, vem ganhando dos vizinhos em outras frentes, como a descriminalização do aborto e a liberalização da maconha.
O país vai abrindo caminho como um das nações mais progressistas da região e talvez o que sustente a mais ampla discussão política.
“O que assusta é o narcotráfico, não a droga”, disse o Presidente Mujica à imprensa há algumas semanas atrás.
Na Argentina, graças a uma decisão da Suprema Corte em 2009, a posse de pequenas quantidades de maconha para o uso pessoal não constitui crime. Mas nenhum outro passo significativo foi tomado, desde então, para mudar de maneira definitiva o mapa do narcotráfico no país.
O Presidente Mujica afirmou à rede Britânica BBC que a ideia não era “sacanear os países vizinhos”, nem atrair o turismo de consumidores. "Eu posso vender a você um número X de cigarros e, se eles aparecerem no Brasil, você é responsável", Pepe explicou.
Mas, se aprovada a nova lei, a grama do vizinho certamente ficará mais verde.

Gabriela G. Antunes é jornalista e nômade. Cresceu no Brasil, mas morou nos Estados Unidos e Espanha, antes de se apaixonar por Buenos Aires. Na cidade, trabalhou no jornal Buenos Aires Herald, mantém o blog Conexão Buenos Aires e não consegue imaginar seu ultimo dia na capital argentina. Estará aqui todos os sábados.

VAMOS ESTATIZAR O MIDWAY



Adauto Medeiros (1)
Quem adentra ao shopping Midway aqui em Natal/RN, em qualquer dia da semana, está penetrando no templo do capitalismo. Estou falando de capitalismo privado e não de capitalismo de estado que já quebrou faz tempo no leste europeu e o próximo será Cuba.
Quando chego ao Midway observo a praça de alimentação e fico diante do caos mais bem organizado do mundo. Dezenas de restaurantes, centenas de sabores e um atendimento espetacular que deixa o cliente boquiaberto com tanta eficiência.
Não preciso falar no estacionamento que é uma perfeição e por sinal nunca encontrei os equipamentos que disciplinam a entrada e a saída dos veículos com defeito. Pois bem, neste templo tem tudo o que você precisa para desfrutar da vida e sem falar nos parques para crianças desenvolverem suas potencialidades nos jogos eletrônicos e salas de recepção para festejar aniversários.
Bancos para sentar e de dinheiro ao alcance da mão, isso com ar refrigerado e um ambiente absolutamente claro como se fosse sempre um dia de sol. Todavia, tudo isto funciona pela mão invisível do lucro que é a benção da sociedade moderna trazendo conforto aos seus usuários e a felicidade de juntar a familia e amigos o dia inteiro, mesmo para quem não queira ir às compras.
Agora vamos pensar (apenas pensar) se a prefeitura de Natal estatizasse o templo. O que teríamos? Teríamos os funcionários públicos todos com estabilidade e por isso só iriam trabalhar no dia que quisessem. Feriado, dia santo e ponto facultativo o shopping não funcionaria nem abriria as suas portas. O faturamento não daria nem para pagar os funcionários e muito especialmente as funções gratificadas.
Em cada loja, o gerente com um alto salário seria indicado por um vereador e que na verdade, seria indicado, mas não saberia nada do negócio que teria que administrar. Atrasariam a conta de energia e água, não pagariam aos fornecedores, e o caos de fato e de verdade tomaria conta de tudo.
Assim são todas as estatais e os serviços públicos nesse país que é o maior pesadelo que a sociedade, infelizmente, carrega consigo. Na verdade, na verdade meu amigo, o que eu acho é que a esquerda precisa urgentemente privatizar o bom senso para nos tirar do último mundo, em suma, dessa pobreza franciscana que nos persegue. Louvado seja Deus e que o Midway nunca seja privatizado.
(1) Engenheiro civil e empresário. adautomedeiros@bol.com.br

A Charge do Amarildo




A VERDADE SURGE


Rapphael Curvo
Foi muito interessante escutar o Sr. Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso fazer a grita sobre o sistema penitenciário brasileiro. “Se tiver que ser preso, prefiro morrer”. É bem possível que isso não seja uma preocupação e apenas uma estratégia do grupo petista em relação ao caminho da prisão que marcha os seus homens da frente política. Consiste em comover a população de que esses homens estão sendo jogados às feras por meros desvios de dinheiro, ou seja, não mataram ninguém, apenas furtaram e não merecem por isso a prisão.
É também interessante perceber que o Ministro está há muito no cargo e só agora, após a confirmação do encarceramento dos companheiros, descobre o depósito humano que se tornou o sistema prisional no Brasil. Até então alguns discursos de construção de novos presídios, mas nada a respeito de mudar a forma de reeducação nas prisões brasileiras. Não há nenhum movimento ou mesmo qualquer atitude sobre essa questão. Gasta-se bilhões em obras penitenciárias que na maioria favorecem os chefões do crime em termos de conforto sob a justificativa de devem permanecer isolados para que não conduzam, de dentro da prisão, seus exércitos.
É difícil entender o porquê este enorme contingente de malfeitores não é utilizado em atividades produtivas para a sociedade e para os próprios. Qual razão permanecer juntos os criminosos contumazes e outros como José Dirceu, Delúbio e a Diretoria do Banco Rural? Corremos o risco de um novo Comando Vermelho surgido da prisão de Ilha Grande ao servir para detenção de líderes estudantis e revolucionários na década de 60/70. Estes prisioneiros intelectuais podem oferecer ações produtivas ao estado com execução de tarefas que possam se utilizar de largos conhecimentos de que são detentores. Não necessitam de prisões de alta segurança e de altos custos. O mesmo pensar é válido para os crimes de menor monta de impacto a vida social e ao estado.
É muito mais eficiente a reeducação de ladrões e contraventores em um regime diferenciado de punição em que o detento possa receber informação, conhecimento e até mesmo formação educacional social e formal via cursos etc. que o sistema de agrupamento que hoje vigora. Bandidos de alta periculosidade na mesma cela de quem furtou comida para sobreviver. Até o custo de administração e operacionalização das prisões teriam uma queda acentuada, sem falar em fazendas produtivas que milhares de presos poderiam trabalhar. Todo governante sabe que isso é possível realizar, mas como é da classe mais pobre a formação da população carcerária, ninguém se preocupa, a não ser agora que o mensalão vai enviar novos hóspedes.
A construção de centro especializado para prisioneiros com formação profissional é um caminho inteligente. Engenheiros, advogados, médicos e tantos outros que por desventura cometeram crimes não recorrentes, de alguma forma poderiam exercer sua profissão em benefício do Estado como parte do pagamento da pena. Sabemos de exemplos dos hackers que, apesar de crimes praticados na internet, muitos são hoje os maiores produtores de sistemas de defesa ao complexo de informática de grandes corporações, bancos, governos e por aí vai. Fica claro que tais medidas serão de muita eficiência ao cumprimento de penas e de resultados consideráveis, sem falar na humanização no sistema prisional. Acho que o Sr. ministro Cardozo mudaria o discurso.
A realidade hoje é outra. O Ministro Tóffoli, em seu eloquente discurso na sessão de julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal – STF, como parte da estratégia petista acima citada, poderia pedir de forma também eloquente, que o governo, através do Ministro Cardozo, urgentemente fizesse uma proposta de reorganização das prisões brasileiras. Apesar de dizer que prefere morrer a cumprir pena em uma prisão, o ministro Cardozo não falou em qualquer mudança do status quo das penitenciárias do Brasil. Afinal, pensa, não vou ser um Dirceu da vida e se for, me mato. Este é o nosso País, o nosso governo. Pelo menos, a verdade surge.
(1) Jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes RJ  raphaelcurvo@hotmail.com 1630439115/88089918 www.luizberto.com,www.gazetadigital.com.br,www.correiodoestado.com.br, www.brasileirosnaholanda.com,www.prosaepolitica.wordpress.com ELLEN MAIA DEZAN. Associada Dazio Vasconcelos Advogados. Advogada OAB/SP insc. nº 27566 tributário/cível/biodireito.ellen@daziovasconcelos.com.br