domingo, 25 de março de 2012

Previdência no Brasil é uma “bomba-relógio econômica”, diz revista



A Câmara dos Deputados aprovou, no último mês, o fim das aposentadorias integrais de servidores públicos, com o objetivo de diminuir o déficit do país na Previdência Social. No entanto, segundo a revista britância The Economist, a medida ainda não é suficiente, e a presidente Dilma Rousseff terá que usar seu poder de fogo para consertar o sistema previdenciário brasileiro.
Segundo especialistas, o Brasil passa por um momento de “bônus demográfico”: como as famílias estão tendo menos filhos, o país chegou a uma situação em que há mais pessoas na idade produtiva do que idosos, que depois de passar a vida inteira contribuindo, atingiram a idade em que passam a receber o benefício da aposentadoria. Coom um grande número de pessoas em idade de trabalho, o país vive um momento bom na economia, com a maior fatia de sua população produzindo e contribuindo para o sistema de Previdência.
Esse bonus demográfico, no entanto, não dura para sempre, e vai chegar o momento em que a população de idosos vai ultrapassar o número de pessoas na idade de trabalho. Essa tendência acontece na maioria dos países ricos, como os Estados Unidos e Europa, que hoje têm uma população idosa muito grande. Por isso que a revista diz que a Previdência é, no Brasil, uma “bomba-relógio” – chegará um momento em que a maior parcela da população será formada por idosos e crianças, que não produzem ou contribuem, e o país terá que arcar com um custo maior de aposentadorias.
No entanto, segundo a Economist, o Brasil já vive uma crise previdenciária.
O Brasil é um caso único entre as grande economias: um país jovem com o custo da aposentadoria de país velho. Para cada dez pessoas com mais de 65 anos, há cem pessoas com idade entre 15 e 64 anos, o menor número de idosos entre os países do G7. E no entanto, o Brasil gasta 13% de seu PIB com aposentadoria, mais do que quase todos os países do G7, com exceção da Itália – onde a porcentagem de pessoas acima de 65 anos é três vezes maior. De fato, tão poucos brasileiros pagam a previdência, e tantos recebem, que o país conta com 35 aposentados para cada 100 contribuintes, uma taxa maior do que a dos Estados Unidos. As aposentadorias brasileiras estão entre as mais generosas também, substituindo até 75% do salário.
A culpa seria das regras que permitem que um grande número de pessoas com menos de 65 anos se aposentem com benefícios relativamente altos, contribuindo menos para a Previdência e, consequentemente, demandando mais recursos públicos. Entre as brechas, a reportagem diz que é possível se aposentar com 54 anos, por exemplo, deixando de contribuir por dez anos. “Em um país jovem, o sistema deveria produzir excedentes, que poderiam ser investidos em infraestrutura e educação. No entanto, o Brasil já está em déficit”.
A Economist acerta ao dizer que a previdência social é uma bomba-relógio no Brasil, e pode causar problemas se não for resolvida logo. No entanto, poucos aposentados brasileiros poderiam concordar com a tese de que suas aposentadorias são “generosas”. Isso acontece porque a revista faz o cálculo de acordo com a PIB de cada país. Como a população brasileira é maior que a dos países europeus, isso significa que cada aposentado brasileiro recebe uma fatia menor do total. Em outras palavras, o benefício recebido pelos europeus é muito maior do que o recebido pelos brasileiros.
Bruno Calixto

Uma taxa sinistra (Seguros)



A legalidade de uma cobrança extra de R$ 100 em apólices de seguro é contestada por parecer da Advocacia-Geral da União

HUDSON CORRÊA E ISABEL CLEMENTE
Reprodução (Foto: Reprodução)
Buscar proteção contra perdas e acidentes é, cada vez mais, uma despesa inevitável (e necessária) no orçamento das famílias e das empresas brasileiras. Por isso, o mercado das empresas seguradoras exibe taxas de crescimento chinês, como poucos ramos da economia. Em 2011, a expansão do mercado segurador foi seis vezes o crescimento do PIB brasileiro. Neste ano, deverá movimentar R$ 250 bilhões. Esse é também um ramo peculiar, com definições que escapam à compreensão das pessoas comuns, como prêmios, carregamentos e sinistros.Talvez, por esse motivo, o brasileiro tenha se acostumado a pagar apólices de seguro sem verificar todos os penduricalhos existentes num contrato ou questionar a legalidade da cobrança de certas taxas.
Um desses penduricalhos é o custo de emissão de apólice, praxe no seguro de veículos. Formalmente, a taxa existe desde 1998, mas era facultativa e limitada a R$ 60. Na prática, ela nem sempre era exigida do consumidor. Em fevereiro de 2010, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda encarregada de fiscalizar e regular o mercado segurador, mudou esse panorama ao elevar o teto para R$ 100. O valor, então, passou a ser cobrado de forma irrestrita por todas as seguradoras, à exceção de alguns segmentos específicos, como o habitacional. Especialistas do ramo estimam que, em dois anos, a arrecadação das empresas com a taxa tenha chegado a R$ 4 bilhões.
ÉPOCA obteve documentos que questionam a legalidade da cobrança e o prazo acelerado (três dias) em que o reajuste da taxa foi aprovado pela Susep. Segundo Guilherme Baldan Cabral dos Santos, procurador da Advocacia-Geral da União (AGU) junto à Susep, a cobrança da taxa é ilegal porque o custo da emissão da apólice já está incluído no prêmio, como é chamado o valor cobrado das seguradoras de seus clientes para assumir um risco. Baldan afirma que a medida lesa o consumidor e foi tomada às pressas sem a devida análise de seus colegas da AGU. O parecer de Baldan está dentro de um processo movido por ele mesmo na Susep para derrubar a cobrança da taxa. Baldan diz que resolveu investigar o caso quando sua família teve de pagar, além do prêmio, mais R$ 100 pela emissão da apólice de seguro de um carro. “Os consumidores, verdadeiros leigos, pagam de boa-fé, sem ter a noção do flagrante ilícito perpetrado pela companhia seguradora, com o nítido aval do órgão oficial federal de fiscalização do mercado segurador”, diz Baldan, no parecer.
Quando o aumento foi autorizado, o então superintendente da Susep era Armando Vergílio dos Santos Júnior, hoje deputado federal pelo PSD de Goiás e corretor de seguros de carreira. Armando Vergílio deixou a Susep no fim de março de 2010 para se candidatar a deputado nas eleições daquele ano e arrecadou R$ 3,9 milhões para sua campanha. Boa parte do dinheiro veio do próprio bolso (R$ 1 milhão), e outra das seguradoras (R$ 600 mil), de acordo com informações prestadas à Justiça Eleitoral. Armando Vergílio é presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), entidade que presidira antes de assumir a Susep, a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007. Quando autorizou o aumento, Armando Vergílio fez um favor à própria categoria. De cada R$ 100 arrecadados com o custo de emissão de apólices, cerca de R$ 20 são repassados aos corretores de seguros. “Ao nomear um corretor, presidente da categoria, para o cargo de superintendente, o governo Lula colocou uma raposa para tomar conta do galinheiro”, diz o advogado Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro. Tzirulnik também considera a taxa de R$ 100 ilegal. Ele afirma que, até a decisão assinada por Armando Vergílio, a cobrança do encargo nem sempre ocorria, mas agora se tornou uma grande fonte de renda para as seguradoras. 
EM CAUSA PRÓPRIA  O deputado Armando Vergílio, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros, aprovou o reajuste da taxa quando comandou a Susep (Foto: Leo Pinheiro/Valor RJ)
A Fenseg, uma das federações representativas das seguradoras, diz, em nota, que “não é correto afirmar que a cobrança esteja sendo feita sempre pelo limite máximo” e que o custo de emissão de apólice não visa apenas a bancar a papelada do processo, mas “custos de vistoria, boletos bancários, cartões para assistência 24 horas”. Ao justificar a necessidade de reajustar o custo de emissão de apólice, as seguradoras elencam também problemas como a alta do custo postal, dos papéis e das distâncias percorridas para fazer vistorias por todo o país. A explicação ignora que a taxa de corretagem sempre esteve embutida no valor total pago pelo cliente e que, hoje, o mais comum é o cliente receber os boletos bancários do seguro por e-mail, sem nenhum custo de emissão de papel para as empresas.
CONTRADIÇÃO  O documento da Fenseg mostra que o repasse  de 20% da taxa para  os corretores  foi discutido pela Susep, apesar das negativas do deputado Armando Vergílio, ex-superintendente  do órgão  (Foto: Reprodução)
O deputado Armando Vergílio disse a ÉPOCA que a taxa não é ilegal e foi sempre cobrada pelas seguradoras. Sobre as afirmações do procurador Baldan, ele disse que se trata de perseguição política do PTB, seu partido até 2009. Segundo Armando Vergílio, Baldan foi indicado pelos petebistas para a superintendência da Susep em 2011, mas acabou preterido. “Por que ele só denunciou a taxa agora, se ela sempre existiu?”, diz. Armando Vergílio afirmou também que o repasse do percentual de 20% para corretores, descontado da taxa de R$ 100, não foi tratado pela Susep. Um documento obtido por ÉPOCA derruba essa versão. O pedido de reajuste da taxa para R$ 100 partiu da Fenseg, em correspondência enviada a Armando Vergílio no dia 3 de fevereiro de 2010. No ofício, a Fenseg declara que a elevação do valor permitiria o repasse do percentual aos corretores e beneficiaria diretamente a categoria representada por Armando Vergílio.
Segundo a Susep, o processo em que Baldan aponta a ilegalidade da taxa ainda está sob análise. É uma discussão que vale bilhões de reais.

A falácia do planejamento


Rodolfo Araujo  

Em dado momento da sua carreira, Daniel Kahneman viu-se envolvido em um projeto do Ministério da Educação de Israel, cuja finalidade era criar uma nova disciplina no currículo universitário: Economia Comportamental.
O grupo, composto por Kahneman e seus colegas, reunia-se semanalmente e após um ano de trabalho já havia escrito alguns capítulos do livro-texto, bem como boa parte do syllabus.
Foi quando resolveram olhar para a frente – mais precisamente para o fim do projeto: cada um deveria escrever num pedaço de papel quanto tempo estimava que o projeto ainda levaria para ser concluído*.
A média apurada foi de dois anos, sendo que o menor prazo considerado foi um ano e, o maior, dois anos e meio.
Um dos integrantes do grupo já participara de outras iniciativas semelhantes e foi-lhe perguntado, então, qual a média real que ele havia observado nos casos que acompanhou. Quiseram saber, também, se algum deles não fora concluído.
As respostas chocaram o grupo: uma nova disciplina levava entre sete e dez anos para ser estruturada e cerca de 40% dos planejamentos jamais chegavam a ser finalizados.
Daniel Kahneman estava vivendo na pele um fenômeno que, mais tarde, ele próprio batizaria de falácia do planejamento. São situções nas quais decisões são tomadas sob a influência de um otimismo irreal e injustificável, em vez de uma racional avaliação de prós, contras e suas respectivas probabilidades.
Segundo Kahneman, estimativas ficam muito distantes da realidade na medida em que se aproximam demais dos melhores resultados obtidos (algo como se você estimasse seu tempo numa corrida de 100 m tomando Usain Bolt como referência) e não são confrontadas com os histórico de casos semelhantes.
Repare que, no caso em questão, o especialista no assunto também fez uma previsão completamente fora daquilo que ele mesmo tinha como parâmetro de comparação – mas que, incrivelmente, ele não levou em consideração.
O resultado disto é que empresas embarcam, muitas vezes, em projetos claramente fadados ao fracasso iludidas por um pernicioso viés otimista. Ao classificar o viés de otimismo como um dos mais viéses cognitivos mais significativos, Kahneman alerta que
“(…) muitos de nós enxergamos o mundo como mais benigno do que ele realmente é, nossos próprios atributos como mais favoráveis do que realmente são e as metas que adotamos como mais alcançáveis do que parecem ser. Tendemos, também, a exagerar nossa habilidade de prever o futuro, alimentando uma confiança demasiadamente otimista.”
Como forma de precaver-se do viés de otimismo, Kahneman toma emprestado de Gary Klein uma interessante ideia: a autópsia prévia, isto é: em vez de esperar o projeto morrer, suponha que ele morreu de fato e tente ver o que deu errado. Em suas palavras:
“Imagine que estamos um ano na frente. Implementamos o plano da forma como ele está agora. O resultado foi um desastre. Em cinco ou dez minutos, escreva uma breve história deste fracasso.”
Neste simples exercício de futurologia, você deverá imaginar que tudo o que planejou deu errado e tentar encontrar as possíveis causas. Um curioso exercício de criatividade pessimista (ou realista?), em que a ficção pode ajudar a evitar uma trágica realidade.
Em tempo: o planejamento levou oito anos para ser concluído – mas jamais foi utilizado. Alguns anos depois Daniel Kahneman recebeu um Prêmio Nobel em Economia.
____________________
* Esta é a maneira correta de se colher a opinião de um grupo sobre um assunto pontual, evitando cair na armadilha do groupthinking ou na tentação de um rápido consenso.

Minimalismo: conheça o conceito que garante que menos é mais



Ideia é destacar o que é realmente fundamental e pode chegar ao ponto de tornar todo o restante dispensável

O movimento minimalista marcou profundamente a base criativa dos artistas do século XX. A ideia de limitar qualquer coisa à sua essência ganhou adeptos em diversas áreas e foi muito bem empregado nas artes visuais, no design e até na música. Na arquitetura, muitos profissionais se renderam a essa nova maneira de criar.
minimalismo pense imóveis
Para o arquiteto Osvaldo Segundo, apaixonado pelo conceito, o minimalismo não se refere necessariamente à utilização de poucos elementos, mas sim, se caracteriza por destacar o que realmente é fundamental, chegando ao ponto de tornar todo o restante dispensável perante o verdadeiro foco da criação. “Ele se caracteriza pela valorização de elementos essenciais como a luz e a sua incidência nos volumes e nas massas que compõem os edifícios e configuram o seu espaço, desenho e estruturas”, explica.
Osvaldo reforça que este tipo de trabalho defende as formas concretas pensadas em relação ao seu contorno, onde a funcionalidade, a pureza das linhas e as formas geométricas por si só definem a identidade visual.
No conceito de simplicidade, impera a combinação do branco com cores intensas como o preto ou vermelho, além da utilização de matérias primas naturais como os sintéticos de produção high tech.
minimalismo pense imóveis
No apartamento, de cerca de 250 m², a característica principal da decoração é que os próprios móveis cumprem esse papel. O branco e o preto criam uma unidade entre os espaços tornando tudo muito leve e clean.
minimalismo pense imóveis
minimalismo pense imóveis
No home theater a parede preta garante mais foco para as imagens. Os móveis com linhas retas foram escolhidos para não competir com a poltrona Lounge Chair, criada por Charles Eames, em 1956. Os espelhos, além de darem a sensação de mais espaço, servem para refletir a Ponte dos Arcos, um dos cartões postais da cidade.
minimalismo pense imóveis
Na sala de jantar, a mesa preta em laca, com vidro para não danificar o material, serve como uma espécie de separação dos ambientes. A iluminação proposta é com lâmpadas AR70, que deixa os elementos postos sobre a mesa mais bonitos. A proximidade com a cozinha garante que o móvel seja usado nas três refeições do dia. O espelho da sala de jantar esconde a cristaleira. O arquiteto explica que houve uma preocupação em não deixar nenhum ponto da casa sem uso.
minimalismo pense imóveis
O bar churrasqueira possui uma bancada em silestone. A churrasqueira a gás garante o churrasco do final de semana sem o cheiro ruim da fumaça. O hack ganha uma versão retro com os pés em diagonal.

Namorar ex-advogada de réu do mensalão não é problema, diz Toffoli



Ministro do STF afirma que não mora junto com Roberta Rangel, que fez a defesa de deputado denunciado no caso

Ex-advogado-geral da União ainda não decidiu se vai participar ou não do julgamento do escândalo

O ministro José Antônio Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirma que o fato de ser namorado da advogada Roberta Rangel não o torna impedido para julgar o caso do mensalão.

"É uma relação de namoro, que já perdura há alguns anos. Não moramos juntos e não temos filhos", diz ele, citando o que caracterizaria uma união estável — isso o tornaria impedido pela lei de julgar o caso, já que Roberta participou ativamente da defesa de um dos réus do maior escândalo da era Lula. ...

Em agosto de 2007, quando era sócia de Toffoli em um escritório, Roberta fez a sustentação oral da defesa do ex-deputado Professor Luizinho no plenário do Supremo.

A participação de Roberta vem sendo comentada no meio jurídico em Brasília desde que a revista "Veja" revelou que ela tinha atuado na defesa de réus do mensalão.

Ela deixou o caso em 2009, no ano em que Toffoli foi nomeado para o STF.

A revelação da participação da namorada de Toffoli se soma a um outro questionamento à possível participação do ministro no julgamento, já que ele foi advogado do PT e trabalhou com o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), apontado na denúncia como "chefe de quadrilha".

O artigo 252 do Código do Processo Penal veda a participação de um juiz em um caso que tenha a participação de cônjuge ou de parente até o terceiro grau.

A Constituição determina que uniões estáveis são equiparáveis a casamentos, mas Toffoli afirma que "é uma relação de namoro, que já perdura há alguns anos". "Não moramos juntos e não temos filhos", diz.

Para configurar a união estável, a lei exige, além de uma relação pública e duradora, a comprovação de que ambos têm a intenção de constituir uma família.

A sustentação oral feita por Roberta é um dos momentos mais importantes do exercício da defesa. É quando o advogado apresenta, pela última vez antes do julgamento, a versão de seu cliente a res- peito das acusações.

O ministro tem dito a pessoas próximas que ainda não se decidiu se julgará, ou não, o mensalão. Em sua avaliação, não existe qualquer fato que o deixe "impedido" de participar do caso, mas ele ainda avalia a possibilidade de declarar sua "suspeição".

O impedimento e a suspeição são dois institutos jurídicos que existem para garantir a imparcialidade do julgamento. Enquanto o primeiro é gerado por questões objetivas, como a participação de cônjuge no caso, o segundo leva em conta avaliação íntima de cada juiz envolvido.

Toffoli afirma que deixará para decidir sobre sua atuação quando o julgamento estiver mais próximo — isso depende da revisão do voto do relator pelo ministro Ricardo Lewandowski.

Essa mesma situação ocorreu na análise da extradição do terrorista italiano Cesare Battisti. Na ocasião, ele era advogado-geral da União e a instituição chegou a apresentar, em sua gestão, um parecer sobre o caso do italiano.

Toffoli nunca assinou nenhuma peça sobre aquele processo, por isso não se considerou impedido. Na véspera do julgamento, porém, se declarou suspeito e não participou da decisão.

Por Felipe Seligman

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 24/03/2012

Um golpe na democracia



Mesmo sendo um bem que não tem preço, cobrar ética na política está fora de moda. Mas não custa nada bater na tecla. A distorção de valores tem o seu preço: os políticos não conseguem mais conquistar o coração e a credibilidade do eleitor.

Como não triunfam por seus próprios méritos, e sem condições de mostrar à população que é o melhor candidato para esse ou aquele cargo eletivo, inverte-se o jogo que agora passa a ser de destruir os pretensos candidatos adversários para se chegar à eleição com o mínimo possível de concorrentes. Quem se atreve a sonhar com um cargo maior, mesmo em conversas reservadas - que sempre vazam -, coloca sua cabeça a prêmio. Do nada surge campanha na imprensa, ação no Ministério Público ou investigação policial colocando em xeque as condições morais do quase candidato. É uma guilhotina política que arruína a democracia porque atropela seus modos. No final, vence o menos pior.

Nossos políticos têm medo se assumir uma candidatura. No passado isso já foi celebrado como esperteza política. Hoje, é medo puro. O esquema montado para eliminar e massacrar adversários é forte e eficiente. ...

O ex-governador e hoje senador, Cristovam Buarque (PDT), sabe disso. Bastaram as críticas ao governo e alguns petistas rebeldes o procuraram declarando o desejo de ele ser novamente candidato ao Buriti, para Cristovam levar boas bordoadas. Conseguiram enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa, mesmo antes de uma decisão final da justiça.

A deputada Liliane Roriz (PSD) é cogitada para fincar a bandeira do rorizismo novamente no GDF. Ela herdaria os votos do pai, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), e ainda agregaria parte da oposição.
Foi o suficiente para descobrir aluguel de veículos pagos com a verba indenizatória. Um negócio semelhante ao que a maioria dos distritais faz, mas Liliane se deu mal porque uma das pessoas de quem alugou um carro forneceu um endereço diferente do que o documentado.

É uma denúncia pequena e que causa pouco desgaste, mas se Liliane ousar levar em frente a ideia de disputar o Buriti vai levar muita pancada. Quanto maior a pancada, maior o potencial da candidatura. Liliane ainda vai apanhar muito.

O próximo da fila que pode aparecer em manchetes negativas e sofrer denúncias deverá ser o senador Rodrigo Rollemberg (PSB). Quietinho, não assume que pretende disputar o cargo de Agnelo, mas sua candidatura é óbvia. E, para desespero de adversários e aliados, com chances de vitória.

O partido de Rollemberg faz parte da base aliada do GDF, mas sua candidatura não será uma decisão apenas dele, faz parte do projeto nacional do PSB, que vai atrair PSD, e ambos caminhar com o PSDB de Aécio Neves. Quando assumiu a regional do PSD, Rogério Rosso ouviu a orientação do prefeito paulistano e líder maior da legenda, Gilberto Kassab, para colar no PSB. Kassab e Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, articulam um projeto nacional para 2014. Se essa união acontecer, Rollemberg e Liliane irão caminhar juntos.

O deputado Reguffe (PDT) é o político com um dos maiores potenciais de votos de Brasília. O eleitor gosta do seu perfil. Os políticos o odeiam. É bem provável que ele apareça bem colocado nas primeiras pesquisas de intenção de voto para 2014. Mas ele morre de medo de assumir qualquer candidatura, seja ao governo ou ao Senado. Reguffe também já foi vítima de algumas notas mal-intencionadas.

A lista de candidatos à guilhotina política é extensa. Nela estão personagens como o ex-deputado Alberto Fraga (DEM) e a deputada Eliana Pedrosa (PSD). Vez ou outra são levados ao ringue para levar umas pancadas. O objetivo: limpar o caminho de qualquer adversário.

É por essas e por outras que o secretário de Habitação e deputado licenciado, Geraldo Magela (PT), submergiu e não quer saber de conversar sobre 2014. Cristovam já disse que apoiaria a candidatura de Magela ao Buriti, para seu desespero.

O PMDB é o partido mais coerente do país. É governo, independentemente de quem esteja governando. O vice-governador Tadeu Filippelli é do PMDB. Ele estará no próximo governo, mas ainda tem motivos para se mexer. Vai esperar o movimento das nuvens para o cenário político ficar mais claro. Melhor assim, pois preserva sua cabeça do fogo amigo.

O terror da guilhotina política apavora almas. Mas não só em uma eleição direta isso acontece. E nem sempre são promovidos por grupos adversários. O fogo amigo também corta cabeças. Um bom exemplo é a eleição para a próxima Mesa Diretora da Câmara Legislativa.

O atual presidente da CLDF, deputado Patrício (PT), colocou em pauta a disposição de aprovar a reeleição e ser candidato à própria sucessão. Vem sofrendo um massacre político. Se tivesse mais de uma cabeça, todas seriam cortadas. Nem os governistas escapam. Mas Patrício erra quando capitaliza sozinho o desgaste da Câmara, sem dividir com os outros deputados, principalmente da Mesa Diretora.

Outro que surge como favorito ao comando da Câmara é o deputado Agaciel Maia (PTC). De uma hora para outra apareceu como autor de uma esquema de invasões de terra em Brasília, ao mesmo tempo em que lutou para a criação da Secretaria de Regularização. A deputada Arlete Sampaio (PT), outra candidata, agradece. Não está se fazendo aqui juízo se fulano ou sicrano é inocente ou tem culpa no cartório. Apenas constatando que basta ter seu nome citado como possível candidato a qualquer coisa, para começar uma campanha de desconstrução de imagem. A crise na política brasiliense é muito maior do que a crise no governo. A crise é de princípios.
 
Por Ricardo Callado

Fonte: Jornal Comunidade - Opinião - 24/03/2012

sábado, 24 de março de 2012

Gastos com habitação impulsionam inflação na terceira prévia de março de 2012


Inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) subiu 0,51% na semana de 22 de março de 2012, ante alta de 0,47% na prévia anterior

A inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ganhou força, informou nesta sexta-feira, 23 de março de 2012, a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice subiu 0,51% até a semana encerrada em 22 de março, taxa superior à verificada no IPC-S na prévia anterior (0,47%).
Das oito classes de despesa que compõe o índice, cinco apresentaram taxas maiores de variação de preços, na mesma base de comparação. A maior taxa de variação foi verificada no item Habitação.
A classe de despesa Habitação continua pressionando a aceleração do IPC-S. Na semana encerrada em 22 de março, o grupo avançou 1,08%, ante variação anterior de 0,89%.

Nesta prévia, quatro dos cinco itens que exerceram destacada influência no resultado final do índice pertenciam a esta classe de despesa. São eles: empregada doméstica mensalista (4,10% para 4,93%), aluguel residencial(0,74% para 0,95%), taxa de água e esgoto residencial(1,26% para 1,85%) e condomínio residencial (1,01% para 1,09%).
No período, também foi verificada aceleração nas taxas de variação dos grupos Alimentação (0,43% para 0,52%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,52% para 0,60%), Despesas Diversas (0,06% para 0,12%) e Educação, Leitura e Recreação (0,24% para 0,28%).
Destacaram-se, em cada uma dessas classes de despesa, respectivamente os itens: artigos de higiene e cuidado pessoal (0,43% para 0,89%), serviço religioso e funerário (0,16% para 0,58%) e show musical (0,09% para 1,77%).
Por outro lado, houve decréscimo nas variações dos grupos Transportes (0,34% para 0,20%), Comunicação (-0,19% para -0,28%) e Vestuário (0,31% para 0,27%). Os destaques em termos de recuo na inflação vieram dos itens: tarifa de ônibus urbano (0,45% para 0,26%), tarifa de telefone residencial (-0,69% para -1,00%) e roupas (0,34% para 0,27%), respectivamente.