sexta-feira, 22 de junho de 2012

Carta anônima denuncia local dos restos mortais de Eliza Samudio



Bloig
quinta-feira, 21 de junho de 2012


Blogue do Frederico Luiz

Uma denúncia anônima pode por fir ao mistério sobre o desaparecimento de Eliza Samudio. O advogado José Arteiro Cavalcante, que representa a mãe da ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, afirmou ter recebido uma carta indicando o local onde estariam os restos mortais da suposta vítima do ex-atleta do Flamengo.


Segundo informações do G1, a carta foi recebida por Sônia Samudio, mãe de Eliza, nessa quarta-feira (20) em Belo Horizonte, onde ela participou de um programa de televisão. A mensagem anônima indica que os restos mortais de Eliza estão em um poço, que seria um lugar de desova, no bairro Planalto, na Região Norte da capital de Minas Gerais.



Arteiro já havia recebido informação semelhante e disse ao G1 que agora vai recorrer à polícia para investigar a denúncia, mas a assessoria da Polícia Civil informou que o chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Minas Gerais, o delegado Wagner Pinto, ainda não teve acesso à carta.



Desde 2010, quando Eliza despareceu, a polícia realizou diveras buscas pelo corpo da suposta vítima do goleiro, como no sítio do goleiro, em Esmeralda, que foi vasculhado pela polícia, e na casa do melhor amigo de Bruno, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, em Vespasiano. 



Bruno reconhece filho de Eliza
O goleiro Bruno Fernandes já assinou os documentos para reconhecer o filho Bruninho, que teve com a ex-amante Eliza Samudio. O advogado Rui Pimenta, que defende o jogador, disse que a documentação foi enviada para a Vara de Família de Minas Gerais. 



Na segunda-feira (18), o advogado esteve na Penitenciária Nelson Hungria, em Minas Gerais, onde o jogador está preso. Rui Pimenta contou que Bruno perguntou pelo filho e mostrou-se animado com o fato de o reconhecimento já estar encaminhado.



Dois anos de desaparecimento
O desaparecimento de Eliza completou dois anos no início do mês. Além de Bruno, há sete réus no processo, que acumula 44 volumes e um amontoado de páginas. A modelo teve um relacionamento com o atleta e dizia que o filho dela era do goleiro. 



A Polícia Civil acredita que, a mando de Bruno, Eliza foi morta em junho de 2010. Bruno e mais dois réus estão presos em Minas Gerais. O goleiro, que vivia um dos melhores momentos da carreira jogando pelo Flamengo, foi detido em julho de 2010 sob acusação de homicídio.



O amigo dele, Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido, segundo a polícia, como Bola, também aguardam o processo atrás das grades. O quarto acusado diretamente por homicídio é Sérgio Rosa Sales, que responde em liberdade.



Sequestro e morte
Para a polícia, Eliza foi sequestrada com o filho no Rio de Janeiro antes de ser morta em Minas Gerais no dia 9 de junho. De acordo com o inquérito, funcionários e amigos de Bruno, a ex-mulher e outra ex-namorada estiveram contato com a modelo e com o bebê.



Os advogados de defesa negam a autoria dos crimes imputados pela polícia, denunciados pelo Ministério Público Estadual e pronunciados pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues Lopes, presidente do I Tribunal do Júri de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.



Enquanto houver negativa do pedido de liberdade do goleiro, ele segue preso, pois foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado e lesão corporal contra Eliza.

OBRA-PRIMA DO DIA - OURIVESARIA Objetos de Arte - Saleiro (Século XV)



Esse saleiro, de pequenas dimensões, foi introduzido na coleção de Luis XIV, grande apreciador de pedras preciosas, entre 1681 e 1684. É das raras peças do século XV que conserva sua estrutura original e que fez parte da coleção do Rei Sol.
Na Idade Média, os saleiros eram as primeiras peças colocadas na mesa. Tinham um papel privilegiado e complexo, ligado à simbologia religiosa do sal. Com efeito, o sal representava a Aliança de Deus com seu povo e o saleiro representava a presença do divino nas refeições.
Frequentemente tinham a forma de um fruto em gomos e a qualidade do saleiro devia estar em harmonia com a importância do conteúdo. Os saleiros que conhecemos dessa época eram todos muito ricos, como testemunha essa peça do acervo do Louvre. Os mais preciosos eram apanágio dos reis. De tal forma ficaram cada vez mais belos e valiosos, que passaram a ser os marcadores dos lugares de honra nas mesas.
Sabemos quando Luis XIV adquiriu seu saleiro, mas infelizmente não se sabe de quem, quem era a pessoa cujas iniciais estão repetidas nove vezes na base do saleiro: três vezes em esmalte negro e marrom, seis vezes em ouro rendado.
Os infantes no pilar que sustentam a taça em ágata lapidada são esmaltados em cor da pele. Muitas pérolas ornamentam o pequeno objeto. A base, em ouro trabalhado ou filigranado, é inteiramente gótica, com suas gárgulas, pequenas torres e arcadas.
Em diversos museus europeus, e no próprio Louvre, há saleiros deslumbrantes. Alguns mais ricos e mais ornamentados. Mas esse me pareceu o mais delicado e elegante. Como sempre, as escolhas...
Foi assim, em trajes de gala, que o sal foi para a mesa... Com o pão, ele é a base da hospitalidade. Desrespeita seu valor de símbolo e os talentos de quem preparou a refeição pegar o saleiro antes de provar o que se tem no prato. Um gesto desastrado com o saleiro na mão, é mau augúrio.
Em seu afresco A Santa Ceia, Da Vinci pintou um saleiro caido diante de Judas. Reza a lenda que começou mais ou menos por essa época o hábito de jogar uma pitada de sal por cima do ombro esquerdo...
Lenda ou não, superstição tola ou não, a importância e o valor do sal jamais poderão ser ignorados.
Medidas: altura, 10,3 cm; diâmetro, 4,9 cm; espessura da ágata, 0,35cm; diâmetro da base, 7,8 cm.

Acervo Museu do Louvre, Paris

Matador de jornalista maranhense envolve deputado em depoimento Íntegra do depoimento vazou nesta quinta-feira em blogs do Maranhão




SÃO LUÍS (MA) - Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos, acusado pelo assassinato do jornalista Décio Sá, em São Luís (MA), envolveu no crime o deputado estadual Raimundo Cutrim (DEM), em seu primeiro depoimento à polícia, no último dia 9. A íntegra do depoimento vazou nesta quinta-feira em blogs do Maranhão. Raimundo Cutrim é aliado do governo Roseana Sarney (PMDB), de quem foi secretário de Segurança Pública de julho de 1997 a janeiro de 2006. O atual ocupante do cargo, Aluísio Mendes, é alvo de constantes críticas do parlamentar na Assembleia Legislativa do estado.
Em seu primeiro depoimento à polícia maranhense, no dia 9, que durou sete horas (das 15h47 às 22h47), o pistoleiro Jonathan Silva citou várias vezes o nome do deputado como sendo um dos mandantes do assassinato do jornalista – informação que teria sido passada ao matador por José Raimundo Sales Chaves Júnior, o “Júnior Bolinha”, 38 anos, preso no último dia 13 sob a acusação de agenciar o pistoleiro.
Na página 3 do depoimento, o acusado fala pela primeira vez no nome de Raimundo Cutrim: “que o serviço tinha partido do Raimundo Cutrim; que perguntado qual Raimundo Cutrim é esse, e se é o deputado, assim se manifestou (confirmou)”.
Na página 5, Jhonatan Silva afirma que “tem o Gláucio (Carvalho, agiota) e esse Cutrim, sendo que esse Cutrim é citado pelo Júnior Bolinha como sendo o principal mandante da morte de Décio Sá”.
Deputado nega envolvimento
O deputado Raimundo Cutrim pôs, nesta quinta-feira, à disposição da polícia e do Ministério Público seu sigilo telefônico e bancário. Além disso, pediu que a apuração seja mais aprofundada para que os fatos demonstrem que não há envolvimento dele no caso.
- Quem conhece o meu trabalho sabe que, por onde andei, eu sempre procurei pautar o meu trabalho dentro da lei. O que eu quero é que a polícia apure isso. Eu tenho minhas diferenças com o secretário, isso é público e notório, mas conheço todos os policiais e sei que são competentes. O indiciado disse e cabe à polícia esclarecer. Não se pode jogar na parede: ‘foi fulano de tal’. Não se pode dizer ‘fulano matou’, sem provas. Eu disponibilizo meu sigilo telefônico e bancário, sou a pessoa mais interessada em esclarecer os fatos, sou um homem que tem a vida limpa e a verdade aparecerá no final - afirmou o parlamentar.
O deputado não negou que tenha relacionamento com o empresário José Raimundo Sales Chaves Júnior, o “Júnior Bolinha”, mas que é apenas no campo profissional.
- Conheci ele (Júnior Bolinha) no ano passado, eu tava precisando arrumar os açudes do meu sítio, eu aluguei máquinas dele, não tinha nenhuma ligação com ele. Depois dessa coisa do sítio, eu ligava para ele, sempre muito profissional, sempre falando de barro, areia, mas se limitava a isso, apenas assuntos bem profissionais, somente isso - afirmou Cutrim, que concluiu: - Quem não deve não teme, e eu não devo nada a ninguém, quero que as pessoas me respeitem.
Seis pessoas estão presas, acusadas de participação no assassinato do jornalista Décio Sá, em 23 de abril passado, num bar da Avenida Litorânea, em São Luís. Outros três acusados de envolvimento no crime ainda são procurados pela polícia.

Execuções de PMs podem ser retaliação do PCC





São Paulo está às voltas com uma nova onda de terror. Três policiais militares foram assassinados nos últimos sete dias -- o número de execuções pode chegar a 7, dependendo da fonte. Seria uma retaliação do PCC contra a execução sumária de um dos integrantes da facção criminosa pela ROTA, o "grupo de elite"da PM paulista.
A ação da ROTA foi denunciada pelo Blog do Pannunzio, assim como as primeiras ameaças de retaliação feitas pelo PCC, que mandou baixar as portas do comércio e impediu o funcionamento de escolas da Zona Leste de São Paulo.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo nega relação entre o assassinato de policiais e a política de extermínio levada a efeito pela tropa de choque da corporação. Não é de estranhar. O secretário Antônio Ferreira Pinto tem se empenhado na defesa do emprego da violência pela PM. É dele que a corporação deve cobrar responsabilidade pela retaliação.
Ferreira Pinto deu ordens expressas do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa para dificultar ao máximo o acesso do MP e da imprensa ao inquérito instaurado para apurar o comportamento dos PMs que executaram o traficante que supostamente teria ligações com o PCC. Tem movido uma cruzada contra o Ministério Público, que investiga excessos cometidos pela tropa. E conseguiu que o promotor do Juri encarregado da investigação decretasse segredo de justiça sobre o inquérito, privando a sociedade de saber o  que se passa.
Apesar da negativas formais do secretário, é clara a preocupação da polícia com os ataques do PCC. De acordo com fontes da própria polícia, a organização criminosa, que promoveu uma série de atos terroristas há três anos, mudou a tática. A ordem agora não é mais fazer ataques de grande porte que gerem comoção -- é fazer ações pontuais, no molde das execuções de PMs que se verificaram esta semana.
Caso a vingança fique comprovada, estará mais uma vez provado o axioma segundo o qual violência se paga com violência.
Triste, nesse contexto, é a viuvez das mulheres dos soldados mortos, a orfandade de seus filhos e o recrudescimento da sensação de insegurança que apavora a população paulistana. Uma conta salgada demais a ser paga pela doutrina da vciolência da Secretaria de Segurança Pública do governador Geraldo Alckmin.

Brasil não reabrirá investigação sobre Wladimir Herzog



Sérgio Roxo, O Globo
O governo brasileiro informou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos que não vai reabrir a ação criminal sobre a morte do jornalista Wladimir Herzog devido à Lei de Anistia.
O país havia dado a mesma justificativa quando foi questionado em 2010 pelas mortes na Guerrilha do Araguaia. A família de Herzog e entidades de direitos humanos vão contestar na Corte a resposta brasileira. O Brasil foi denunciado em março deste ano pelo caso Herzog.
— Recebemos com muita decepção. Estava esperançoso de que o governo, em função de instalação da Comissão da Verdade, fosse ter outra posição — desabafou Ivo Herzog, filho do jornalista, assassinado durante a ditadura.
Militante do Partido Comunista e diretor de jornalismo da TV Cultura, Herzog compareceu espontaneamente para prestar depoimento no dia 24 de outubro de 1975, na sede do DOI-Codi, em São Paulo, depois de ser convocado pelo Exército para esclarecer suas atividades políticas. 

Bacelar tentou vantagem em licitação dos Correios Deputado foi responsável pela indicação do diretor da estatal na Bahia





João Carlos Bacelar: deputado estava interessado em licitação de agências dos Correios e queria saber quais as mais rentáveis, segundo relato de sua ex-mulher
Foto: Divulgação
João Carlos Bacelar: deputado estava interessado em licitação de agências dos Correios e queria saber quais as mais rentáveis, segundo relato de sua ex-mulherDIVULGAÇÃO
BRASÍLIA - Além de ter negociado emendas ao Orçamento da União, o deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA) controlava os Correios no seu estado e, segundo relatou sua ex-mulher Isabela Suarez em conversa gravada, teria tentado conseguir vantagens em uma licitação de agências da estatal.
Na gravação, Isabela afirma que Bacelar desejava comprar agências dos Correios e, para isso, contaria com a ajuda do então diretor da empresa no estado, Jackson Jaques, que havia sido indicado por ele para o cargo. A tarefa de seu nomeado seria informar as agências mais lucrativas para Bacelar investir:
— O superintendente do Correio era indicação do João. Na época, o Correio de fato licitou algumas agências para serem compradas. Como a superintendência era indicação dele, o cara chegaria e facilitaria, apresentaria “essas são as que rendem mais, então entre na licitação nessas e nessas aqui” — afirmou Isabela.
A ex-mulher de Bacelar, na conversa, considera a iniciativa do deputado normal, a partir do momento em que a indicação política do diretor dos Correios foi entregue ao partido do deputado:
— Não tinha nada errado. Sim, é um favorecimento para indicar quais agências que vendem mais. Isso aí tem como você pesquisar sem precisar de favorecimento. E é normal, cada segmento ser controlado por um partido, não tem nada de mais.
Na conversa com Lílian, uma irmã de Bacelar, Isabela Suarez dá a entender, no entanto, que o parlamentar não teria concluído a operação de compra das agências. O motivo seria a perda do cargo na estatal para um grupo comandado pelo deputado federal Zezéu Ribeiro (PT-BA), apontado como patrono da indicação do atual diretor dos Correios na Bahia, Claudio Moras Garcia. Bacelar havia garantido a indicação para o cargo em 2009, como compensação por ter sido preterido na disputa pela indicação do diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na Bahia.
Troca de diretor dos Correios teve ameaças
A troca de Jackson por Garcia, em junho do ano passado, provocou uma grave troca de ameaças. Na época, foi veiculado na Bahia que Bacelar procurou o presidente nacional dos Correios, Wagner Pinheiro, e ameaçou retaliar pedindo uma investigação na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara sobre a atuação dele quando presidia a Petros, fundo de pensão da Petrobras. Garcia, no entanto, foi mantido no cargo.
Segundo os Correios, entre 2009 e este ano foram licitadas 83 agências na Bahia, metade delas em Salvador. A empresa não confirmou, no entanto, se o então diretor era indicado por Bacelar e evitou comentar as declarações de Isabela: “Não temos conhecimento de indicações políticas e a empresa não se manifesta a respeito de suposições e declarações sem provas”, disse a assessoria. Procurado, Bacelar não quis comentar as acusações da ex-mulher.

Gurgel ainda examina se vai pedir que Toffoli não julgue o mensalão




José Dirceu, que é um dos 38 réus do processo, chefiou o ministro do STF



Dias Toffoli: “Tenho as férias pra pensar”, disse o ministro ao ser perguntado se abriria mão do julgamento
Foto: O Globo / Gustavo Miranda
Dias Toffoli: “Tenho as férias pra pensar”, disse o ministro ao ser perguntado se abriria mão do julgamentoO GLOBO / GUSTAVO MIRANDA
BRASÍLIA e SÃO PAULO - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que está examinando se vai pedir o impedimento ou a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar do julgamento do mensalão. Ele afirmou que, se for o caso, fará isso no julgamento, marcado para começar em 1º de agosto. Antes, Gurgel vai esperar um pronunciamento de Toffoli sobre o assunto.
— Isso será examinado em um momento oportuno. Temos que aguardar a afirmação do ministro — disse.
Gurgel afirmou que ainda não tem convicção formada sobre a conveniência da participação de Toffoli no caso. O ministro, por sua vez, não está com pressa. Perguntado sobre o que vai fazer, respondeu:
— Ainda tenho as férias pra pensar.
Nesta quinta-feira, O GLOBO informou que setores do Ministério Público querem uma providência de Gurgel. Antes disso, perguntado sobre o assunto, o procurador-geral dizia que a decisão caberia só a Toffoli.
Segundo o Código de Processo Civil, um juiz deve se declarar suspeito para atuar em um caso se for amigo de uma das partes. Toffoli foi chefiado por um dos réus no processo do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, de 2003 a 2005. Além disso, Toffoli frequentava a casa de Dirceu.
A namorada de Toffoli, Roberta Rangel, foi advogada de um dos réus, o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP), para quem fez inclusive sustentação oral no plenário do STF em agosto de 2007, quando os ministros transformaram o inquérito em ação penal.
Outra polêmica no caso surgiu com as recentes declarações do ex-ministro da Justiça do governo Lula, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, que hoje defende o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, um dos 38 réus do mensalão. Quando falava sobre corrupção e reforma política no programa “Ponto a ponto”, da TV Bandeirantes, no último dia 9, ele disse que o país chegaria “ao ponto em que a democracia, pela sua prática”, iria “resolver a questão” do mensalão.
“Lembremos que, no início do século passado, na Câmara dos Comuns do Reino Unido, havia um guichê onde os parlamentares recebiam o dinheiro, uma espécie de mensalão entre aspas da época”, afirmou Bastos, em seguida salientando que isso não havia impedido que a Inglaterra se tornasse um “país altamente democratizado”.
Essas declarações “passaram despercebidas, admitindo claramente a existência do mensalão”, opinou Merval Pereira em sua coluna de quinta-feira no GLOBO. Procurado pelo jornal, Bastos não deu declarações. A opinião entre especialistas consultados, porém, é consensual: o advogado foi infeliz em sua fala.
— Um ato falho. Ele era ministro na época em que o escândalo estourou e atuou como gerenciador daquela e de outras crises envolvendo o PT. O partido sempre lutou em negar o mensalão. Bastos acabou, assim, admitindo sua existência — disse o cientista político Rubens Figueiredo, da USP.
Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia da Unicamp, acha, porém, que tudo foi feito de “forma calculada”, para banalizar um julgamento que “tanto Bastos como o PT gostariam de protelar”:
— Ele é macaco velho, nada do que fala é espontâneo. Assim como Lula, tenta banalizar o mensalão, quer tirar o foco, minimizar sua importância. Afinal, defende um dos réus — diz Romano.