sábado, 13 de julho de 2013

A coalizão no divã do ‘psicanalista’ Temer


Tereza Cruvinel (Correio Braziliense)
Esta semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma conversa de quatro horas com a presidente Dilma Rousseff. Deixou o Palácio da Alvorada às 23 horas. Pouco transpirou desta a conversa – a primeira, presidencial, depois de três semanas – exceto o fato de Lula estar preocupado com os rumos da coalizão governista. No dia seguinte, o vice-presidente Michel Temer recebeu, individualmente, dezenas de deputados do PMDB, avaliando a disposição de cada um em relação ao Governo.
Não há dúvida de que a aliança entre os maiores partidos da coalizão que apoia Dilma vive sua mais grave crise desde que ela foi eleita. Ela já contamina outros partidos da base. No final de março, em entrevista ao jornal Valor Econômico, Lula afirmou que, para a reeleição de Dilma, o PT não poderia trincar sua aliança com o PMDB.
Depois disso, vieram os problemas na economia, as manifestações de junho e a reação do PMDB e de outros aliados às iniciativas unilaterais de Dilma, como as propostas de Constituinte exclusiva e plebiscito. Tudo isso diluído num caldo de reclamações sobre a coordenação política e o mau atendimento de pleitos dos deputados, que engrossou depois da eleição do deputado Eduardo Cunha como líder da bancada peemedebista na Câmara, na qual tem uma aguerrida tropa de choque. Em maio, na votação da MP dos Portos, Cunha decidiu medir forças com o Planalto e acabou derrotado em oito votações.
PERGUNTA INDISCRETA
O cristal trincou e para evitar que a jarra quebre de vez é que Temer deflagrou sua atuação psicanalítica, aparentemente por conta própria, não a pedido da presidente. Antes de falar com Temer, cada deputado ouviu do assessor político do vice-presidente, o ex-ministro Eliseu
Padilha, o pedido para que respondesse a um questionário, onde são perguntados sobre indicações feitas para cargos no governo, liberação de emendas e questões eleitorais no estado de origem. Muitos deles, entretanto, disseram não ter respondido a todas as perguntas por
considerá-las intempestivas. No final, a pergunta crucial: você apoiaria a reedição da chapa Dilma-Temer para a eleição presidencial de 2014?
Como vou responder, se nem sabemos se ela será mesmo candidata?, disseram dois deputados à coluna. Lembrados de que ela já foi lançada como tal pelo PT, dizem que depois dos protestos de junho e da queda nos índices de aprovação do Governo, a candidatura será reavaliada até
pelo próprio PT, que não correrá o risco de mantê-la na disputa com apenas 30% de aprovação. A conversa de cada um com Temer foi rápida e previsível: queixas de Dilma, do Governo
e do PT, especialmente o da Câmara, onde os petistas, sob o comando do deputado Ricardo Berzoini, conseguiram impedir, na Comissão de Orçamento, que o PMDB aprovasse o orçamento impositivo.

Dilma já foi ao fundo do poço e agora começará a recuperar a popularidade, dizem os governistas, lembrando que o recesso vem aí, que no segundo semestre não estão previstas votações dramáticas, exceto a do orçamento e que o2014 seré engolido pela campanha. Ou
seja, ela não teria, daqui para a parente, tanta dependência do apoio parlamentar do PMDB. Tal como Cunha, ela também está esticando a corda. Mas, para ser candidata, precisará do partido inteiro, e na da metade.

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