terça-feira, 13 de novembro de 2012

Você é obsessivo?, por Ateneia Feijó



Dilma Rousseff é obsessiva. Sem fazer por menos, convocou a todos para aderirem à sua obsessão do momento: o Pacto Nacional para Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). Um tremendo pacto. Foi inspirado no Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), criado no governo de Cid Gomes (PSB), no estado do Ceará, em 2007. Uma experiência que deu certo.
Não há meio termo. O tema educação ou é desprezado ou apaixona idealistas e ideológicos na política brasileira.
Talvez dos antigos nomes, os mais expressivos (e populares) sejam os dos educadores Anísio Teixeira e Paulo Freire. Dos políticos, o de Leonel Brizola e, atualmente, de Cristovam Buarque.
Mas não se pode ignorar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB ou “Lei Darcy Ribeiro” (seu relator) assinada em 1996, por Fernando Henrique Cardoso e seu ministro da Educação Paulo Renato.
Confirmou o direito universal à educação para todos, com ensino fundamental obrigatório e gratuito no país, além de trazer diversas mudanças importantes.
Entre as quais, determinar creches e pré-escolas como primeira etapa da educação básica infantil. Abordando também educação especial, carga horária, currículos, formação de profissionais, recursos financeiros etc. São dezenas de artigos.
Apesar disso, a educação é dinâmica. E, no momento, uma realidade preocupante é a estimativa de que 15,2 % das crianças brasileiras não estão plenamente alfabetizadas aos 8 anos. Elas apenas escrevem o próprio nome e leem algumas frases, sem conseguir se comunicar por escrito e entender o que está dito em um texto.
Com a matemática não é diferente. Não percebem sua aplicação no cotidiano. Uma das causas teria a ver com escolas e professores defasados em relação ao jeito de ensinar no mundo de hoje.
Animador saber que 34 universidades federais foram mobilizadas para treinar, em parceria com estados e municípios, 360 mil professores alfabetizadores. Eles terão formação continuada e direito a bolsa de R$ 150 mensais para participar do curso de capacitação. Os orientadores receberão R$ 750.
Haverá a compra de 60 milhões de livros didáticos para o uso na sala de aula. E ao final do ciclo, a realização de prova para avaliar o nível de alfabetização dos alunos. O governo promete premiar escolas e professores que obtiverem os melhores resultados. Mais de 5.200 municípios aderiram ao pacto.
Dilma sabe o poder revolucionário da educação. Que seja obsessiva. Porém, sem jamais deixar de afagar a democracia e a livre expressão.

Ateneia Feijó é jornalista

A Charge do Néo Correia




Guampada de boi manso



Carlos Chagas
Apesar de o Lula já ter declarado mil vezes que a vez é da Dilma e que ela deve ser candidata à reeleição, em 2014, registra-se no PT uma corrente favorável ao lançamento do ex-presidente. A explicação é simples: sustentam esse objetivo os companheiros desiludidos com a expectativa de ocupar o ministério e comandar as decisões políticas e administrativas da presidente da República. Imaginaram tornar-se no mínimo condôminos do poder, para não dizer seus condutores. Quebraram a cara, desde o primeiro dia.
Mesmo dispondo de tratamento especial, o partido é apenas mais um, na aliança que no Congresso dá sustentação ao palácio do Planalto. Ainda mais depois que Antônio Palocci foi defenestrado do governo. Imaginam que com o retorno do Lula voltarão os dias felizes quando realmente mandavam.
Desde a queda de José Dirceu e a ascensão de Dilma à Casa Civil que começaram a desconfiar, mas acreditaram que a presença do antecessor poderia dobrar a futura sucessora. Ledo engano, porque hoje, apesar de funcionar como consultor privilegiado da presidente, o Lula sabe manter a distância necessária para não sufocá-la. Agora, certos quadros buscam a fórmula mais radical, que seria o retorno do chefe.
Dilma não avançou uma palavra sequer, de público, a respeito do segundo mandato. Mas age como se já tivesse sido lançada, claro que com o respaldo do ex-presidente. Seus adversários, no PT, apenas agem para ser identificados, entre governadores, dirigentes e parlamentares insatisfeitos. Por isso, até tentam sabotar ministros e auxiliares palacianos, empenhando-se em criar dificuldades para a presidente.
Ignoram estar sendo detectados, mesmo sem revanchismo por parte dela. Se valesse para Dilma buscar no passado exemplos desse tipo de comportamento, bem como de comentários que poderia fazer, seria bom lembrar o que disse Getúlio Vargas quando soube estar o governador Benedito Valadares conspirando com generais para derrubá-lo: “Guampada de boi manso…”
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DOBRAR, NÃO DOBRA
A poucos dias de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa esforça-se para se manter o mesmo, ou seja, não perder as características de ferrenho e inflexível cultor da lei. Rejeita a hipótese de que, ao acumular a presidência da corte com a relatoria no processo do mensalão, poderia tornar-se mais ameno e até leniente para com os réus. Postura, aliás, mantida pelo ainda presidente Ayres Britto, que entre sorrisos e atenções redobradas para com os advogados dos mensaleiros, vem votando de modo duro e inflexível, concordando sempre com o sucessor na dosimetria praticada.
Numa palavra, Joaquim Barbosa não parece disposto a se dobrar, como Ayres Britto não se dobrou.
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TENTATIVAS INÓCUAS
Nem o deputado Julio Delgado nem o senador Jarbas Vasconcelos mostram-se dispostos a ser lançados como candidatos dissidentes às presidência da Câmara e do Senado. Não tem vocação para mártires e sabem muito bem que, com o apoio do palácio do Planalto, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros podem considerar-se eleitos.
A concessão da presidente Dilma ao PMDB, que preencherá os dois cargos, envolve mais valores do que a simples renovação do comando do Congresso. Mesmo com o PT alijado, significa a manutenção da aliança estabelecida em 2010 com a dobradinha Dilma-Michel Temer.
O governador Eduardo Campos, uma hipótese futura de embaralhar as cartas, nem de longe pretende interferir nas eleições para as duas mesas parlamentares. Se tiver que quebrar cristais, não será agora.

As veias abertas pela remessa de lucros



Gelio Fregapani
O sinal de alerta da indústria brasileira continua após resultado industrial de setembro. Mesmo com as medidas de incentivo que o Governo tem adotado para ajudar o setor, ainda assim a produção caiu e a expectativa é que a indústria encerre o ano no vermelho. O ato é que a nossa produção industrial vem caindo apesar dos incentivos. Cresce a importação e decresce a exportação de manufaturas. A indústria é o primeiro elo da cadeia. Em pouco tempo o comércio sentirá esse efeito.
Este não é o único problema, pior ainda é que raramente identificamos uma indÚstria realmente nacional, com capital nacional e direção também nacional, e naturalmente o interesse principal delas é a remessa de lucros. È isto o que caracteriza as “veias abertas.
Nem sempre as multinacionais são maléficas. Certamente é melhor ter uma “multi” instalada no País do que importar. Muitas vezes trazem tecnologia inexistente, e eventualmente se nacionalizam, mas…
É óbvio que elas cuidarão primeiro de política de seus países,como a Detroit Diesel que retirou sua fábrica do Brasil quando a fabricação aqui prejudicou a venda de blindados americanos para os árabes. E além dos interesses políticos do estrangeiro, temos a evasão de divisas, a qual, após certo volume passa a ser uma drenagem insuportável.
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MULTINACIONAIS
Há razões para não termos uma indústria de automóvel própria? Claro: a pressão das multinacionais e a corrupção dos nossos maus dirigentes. Nada justifica, considerando o tamanho do nosso mercado. Ausência de tecnologia? Não é motivo; quando realmente não a tínhamos, atraímos a Willys, que se nacionalizou. Foi construída com ações lançadas aqui. Como não tinha expressão nos EUA e lá não podia competir, agigantou-se no nosso País e desenvolveu carros realmente nacionais de sucesso. Foi vendida (para a Ford), somente para ser destruída. Mais recentemente, Amaral Gurgel também construiu carros nacionais. Foi derrubado pelos governadores de São Paulo e do Ceará, certamente a soldo da Ford.
As multis, por natureza, são monopolistas e facilmente impedem o nascimento de indústrias locais. A americana Praxair Inc. é a proprietária da totalidade das ações da líder do mercado brasileiro de gases medicinais e industriais – empresa que, durante o governo Lula, se tornou a sócia majoritária da Gemini, uma sociedade constituída para produzir e comercializar gás natural liquefeito, que não só monopoliza como algo indica que também corrompe. E os bancos estrangeiros (os nacionais parecem estar se desnacionalizando) aqui são os mais lucrativos do mundo, – a Presidente Dilma enfrentará fortes problemas por diminuir os juros.
Os portos também são colocados em mãos privadas estrangeiras. Existe até porto no interior do Amazonas controlado por empresa estrangeira, com entrada restrita aos brasileiros. O ensino superior privatizado também está passando para as mãos de estrangeiros. E a quanto à mineração? O nióbio é vendido para o exterior subfaturado. lesando o cofre do governo.
Talvez mais grave do que a desnacionalização noutro ramo industrial seja a desnacionalização da chamada indústria da defesa. As multinacionais estão entrando com força no mercado nacional, para ocupar um setor altamente estratégico. Até o que aparenta ser nosso, como a CBC tem sua sede no exterior.
É preocupante, além do aspecto econômico, que o Estado pondere as terríveis consequencias da admissão desmesurada de empresas alienígenas em nosso redivivo parque militar-industrial, se quiser manter as vantagens que tem.
O leitor perguntará: E o que posso eu fazer? Para começar, pode dar preferência aos produtos nacionais, se conseguir identificá-los, ao menos em igualdade de condições. Querendo ir além, leia algo de Alexander Hamilton e Friedrich Litz. Saberá bem o caminho para nossa independência.

Condenados no mensalão não têm direito a prisão especial, diz Barbosa



O futuro presidente do STF foi ao Congresso entregar convites para sua posse dia 22
Fernanda Krakovics, O Globo
Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, na manhã desta terça-feira, que os condenados não têm direito à prisão especial.
- Prisão especial é só para quem está cumprindo prisão provisória, e não definitiva.
Questionado se esse seria o caso do ex-ministro José Dirceu, condenado a mais de dez anos de prisão, Barbosa não quis falar sobre casos específicos:
- Não vamos falar sobre pessoas - disse o ministro, que foi ao Congresso entregar convites para a sua posse na presidência do STF, marcada para o dia 22, para os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS).
Barbosa minimizou o fato de Maia ter feito diversas críticas ao Supremo, ao longo do julgamento.
- Isso não me impede de convidá-lo. Ele é o presidente da instituição. Eu vejo é a instituição.
O ministro considerou natural haver uma mudança de estilo com sua posse na presidência da Corte, minimizou o fato de ser o primeiro negro a assumir esse cargo, apesar de admitir que é um honra não só para ele, mas também para a população negra brasileira.
- Mudança de estilo com certeza, porque cada um tem o seu estilo - disse ele. - O estilo é o que todo mundo já conhece. Vou fazer uma gestão com muita clareza, muita simplicidade e transparência. Só isso.

Charge do Sponholz



Cuba e os empresários gaúchos



Rogério Mendelski
A melhor informação (no juízo deste colunista) sobre a Cuba do ano de 2012 foi revelada pelo secretário Ivar Pavan (Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo), integrante da comitiva gaúcha que visitou a ilha dos irmãos Castro, numa missão liderada pelo governador Tarso Genro, integrada por empresários, secretários de governo, deputados e jornalistas.
O secretário Ivar Pavan, um defensor intransigente da Reforma Agrária e do MST, constatou o fracasso da distribuição de terras em Cuba. Terras para plantar existem à vontade, mas faltam agricultores, mesmo com o desejo de 190 mil jovens cubanos de se tornarem produtores de alimentos, desde que possam ser os reais proprietários de seus lotes. A Reforma Agrária de Fidel Castro, feita na marra, apenas levou a ilha, 50 anos depois, a importar seus alimentos com o abandono de 60% das terras agriculturáveis.
Ouvi o secretário Ivan Pavan culpar o “bloqueio econômico” pela falta de máquinas e equipamentos agrícolas para as lavouras cubanas e a necessidade do uso de dezenas de milhares de juntas de boi na preparação da semeadura das terras. Por que não buscar tais equipamentos na China, na Rússia, na Espanha, tradicionais fabricantes de tratores e implementos? Esses países exportam automóveis para Cuba, desde que pagos com dólares, charutos ou açúcar. Aí não tem bloqueio dos EUA? Faltam tratores em Cuba por que não há recurso suficiente para tanta importação.
Estive em Cuba vinte anos atrás e já se via uma quantidade expressiva de tratores russos abandonados em fazendas nos arredores de Havana, por falta de manutenção e as juntas de boi requisitadas provocaram a escassez de carne bovina (mesmo racionada) na mesa dos cubanos. O socialismo soviético implodira em 1989 e o fim de 70 anos de regime resultara no término da ajuda anual de 6 bilhões de dólares para Cuba. O que se espera da missão gaúcha é que nossas empresas – Randon, Agrale, Medabil e outras – tenham êxito nas negociações com Cuba, mas que não vai ser fácil receber dólares dos cubanos, ah… isso não vai.