quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A incompetência, uma praga em nossas estatais - por Ruth de Aquino



Juiz afasta por falta de qualificação seis vice-presidentes dos Correios indicados pelo governo Temer

RUTH DE AQUINO
13/01/2017 - 19h06 - Atualizado 13/01/2017 20h09





A base do pedido foi a recente Lei das Estatais, em vigor desde junho do ano passado. Como o Brasil é, historicamente, um país que valoriza o Q.I. (Quem Indica), foi necessário aprovar uma lei que estipula o óbvio. Tenta-se evitar, nas empresas estatais, as indicações políticas que beneficiam o amiguinho, o afilhado ou o parente de alguém importante ou muito chegado, numa troca amoral de favores. Diz o texto da lei que diretores de estatais devem ter “reputação ilibada, notório conhecimento mediante comprovação de experiência profissional, formação compatível com o cargo e ficha limpa”. Não deveria ser sempre assim?
Nenhum desses seis vice-presidentes dos Correios, eleitos em agosto, comprovou qualificação técnica. Não foram analisados seus currículos. O Conselho dos Correios pediu a análise, mas não foi ouvido. Maria Inês Capelli, presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, foi ouvida pelo Bom Dia Brasil: “O prejuízo [dessas indicações] estamos vendo agora. [Os Correios são] uma empresa deficitária, por muito tempo reconhecida por sua alta credibilidade e pelo serviço que prestava. O aparelhamento da empresa é a causa maior de sua decadência”.
No fim, os Correios convocam seus próprios funcionários a cobrir o rombo com descontos no contracheque ou com a adesão a programas de demissão voluntária. Em 2015, o prejuízo dos Correios passou de R$ 2 bilhões. No ano passado, chegou perto: R$ 1,9 bilhão no vermelho. Agora, os vice-presidentes dos Correios prometem recorrer da sentença do juiz Márcio de França Moreira. Afirmam não ter tido chance de se defender. Não sabemos se o afastamento é justo ou não. Mas os Correios não estão sozinhos no apadrinhamento de incompetentes nas estatais.
Se algo ficou claro para os brasileiros no expurgo da Lava Jato é que a politicagem estimula a corrupção. O que aconteceu com Petrobras, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil – e por aí vai – foi uma injustiça com o país e com o trabalhador. A imagem do Brasil sofre lá fora. Pela primeira vez, passamos a China num ranking internacional de propina, elaborado nos Estados Unidos por um site especializado em legislação anticorrupção. Os três campeões nesse ranking são Brasil, China e Iraque.
O preço da má gestão, aliado à cobrança de subornos, é muito alto. O desemprego vai aumentar em 2017. Será o pior quadro entre as 20 maiores economias no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho. Mais de 1,2 milhão de brasileiros perderão seu emprego. Ao todo, teremos 13,6 milhões de desempregados, ou 12,4% da população com idade para trabalhar.
Os Correios não têm concorrente. Estão sozinhos no mercado. Precisava ser uma empresa tão deficitária e crivada de denúncias de desvio e fraudes, também no fundo de pensão, o Postalis? Precisava ter gestores nomeados por partidos políticos, para encher as burras individuais de dinheiro? Todos devem lembrar que o escândalo do mensalão começou com a CPI dos Correios, em 2005. Um vídeo mostrou um executivo dos Correios, Maurício Marinho, negociando propina com empresas e agindo em nome do deputado Roberto Jefferson. Jefferson cunhou o neologismo “mensalão”. Seu depoimento derrubou o ministro-chefe da Casa Civil de Lula, Zé Dirceu.
Governos após governos ignoram o anseio da sociedade para acabar com os cabides enferrujados de empregos, onde se penduram marajás não qualificados para os cargos. Isso não quer dizer que a privatização resolva os males da incompetência. Uma empresa privada precisa de boa gestão tanto quanto uma estatal. O Q.I. pode levar à falência empresas privadas.
O presídio de Manaus é um exemplo drástico de como uma “semiprivatização” malsucedida serve para disfarçar a omissão do Estado. Era o Estado que deveria ter saneado as condições carcerárias explosivas em Manaus, detectadas desde 2013. É o Estado que precisa agora dar as devidas respostas para a segurança dos presídios, em vez de defender o indefensável: que se gravem as conversas entre advogados e presos. Michel Temer ainda não percebeu os males da incompetência em seu Ministério. Como Dilma Rousseff, cercou-se de vários ministros que podem afundá-lo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Inteligência - Por Carlos I. S. Azambuja


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O sistema de Inteligência representa o órgão sensível do dispositivo insurrecional. A vitória na guerra depende do grau e conhecimento das próprias forças, das forças e vulnerabilidades do inimigo e das características geográficas, climáticas e sociais do teatro onde serão desenvolvidas as operações. Como dizia Mao: “Tudo o que está fora da nossa consciência é realidade objetiva. Por conseguinte, o que devemos aprender e conhecer compreende tanto a situação do campo inimigo quanto a nossa, e os dois campos devem ser considerados como objeto de nosso estudo”. Sem esse conhecimento acurado até um grande exército será inevitavelmente conduzido à derrota. Por meio do sistema de Informação a Organização obtém todos os dados necessários para ter uma noção, a mais exata possível, do funcionamento do próprio dispositivo, no meio geográfico e psicossocial no qual ele deve agir, e das características do inimigo. 
    
A coordenação da insurreição deve atualizar permanentemente a informação do seu próprio dispositivo, pois em razão desse conhecimento ela saberá o que é capaz de realizar e até que ponto pode resistir em cada momento da luta. Esse aspecto também foi notado por Mao: “Numa operação militar, a direção e o ponto de assalto devem ser escolhidos rendo em conta a situação do inimigo, o caráter do terreno e o estado das nossas forças no momento dado”. 

Com esse objetivo, a coordenação insurrecional deverá dispor, em qualquer momento, de uma série de dados: número e situação das frentes; composição numérica e grau de compromisso com a causa dos seus integrantes; sua capacidade operativa e de resistência; a coesão moral dos quadros; situação financeira e administrativa de cada frente; detecção, controle, neutralização e eliminaçao de eventuais infiltrados; tipos de armas, quantidade e localização das mesmas; enraizamento de cada frente no seu meio, etc.
    
O reconhecimento do terreno é essencial para o êxito das operações. Tratando-se da guerrilha rural, por exemplo, o domínio do terreno e o aproveitamento dos seus acidentes podem fazer a diferença entre a vitória e a derrota. Os comandos guerrilheiros poderão sumir numericamente, aparecer repentinamente para surpreender o inimigo em um acidente geográfico que lhe seja desfavorável, ou fixar uma posição para deter o avanço das tropas regulares. No caso da guerrilha urbana, o conhecimento das ruas, dos prédios, dos terrenos baldios, da localização de fábricas, escolas, hospitais, etc, pode garantir a aproximação, o golpe e a retirada do objetivo visado. 
    
Uma mobilização estudantil ou uma manifestação de trabalhadores deverá contar com um bom conhecimento das vias de trânsito, os meios disponíveis na área para bloqueá-las, se for o caso, meios de transportes para lograr uma rápida concentração, localização de praças, bosques, edifícios públicos, empresas estrangeiras, bancos, vias de acesso alternativas para uma eventual retirada, lugares previamente determinados para reordenar as forças, no caso em que o confronto com o aparato policial exija uma retirada, antecipação dos lugares onde a repressão disporá seu aparato, etc. Quando todos esses conhecimentos estiverem em poder das lideranças, facilitarão o planejamento das operações com maior grau de previsibilidade.
    
Além do conhecimento geográfico, a liderança deve conhecer a situação social da população no teatro de operações. Deve saber o grau de compromisso que a população da região tem com a causa da insurreição e a simpatia para com seus métodos. O levantamento sobre a existência de populares simpatizantes do regime situacionista ou de familiares de integrantes do aparato repressivo deve antecipar um bom planejamento das ações.

De nada adianta uma manifestação de rua num bairro sintonizado com o regime, pois apenas se conseguirá aumentar sua simpatia pela revolução e seus métodos. Muitas vezes é necessária uma preparação psicológica, uma operação prévia de esclarecimento político que ajude a compreender a necessidade da luta e a correção dos seus métodos e objetivos. A ausência dessa preparação quando a população  é politicamente  ignorante, pode ser fatal, como aconteceu com Che Guevara na Bolívia.
    
Mas não basta ter um conhecimento acurado das próprias forças e do teatro de operações. É necessário também conhecer intimamente o inimigo, sua potência e suas vulnerabilidades, para evitar seus ataques e golpear onde mais dói, pois, como disse Mao: “Há pessoas que são capazes de conhecer bem a si mesmas, mas não seu adversário. Há outras com as quais acontece o contrário. Nem umas nem outras podem resolver o problema de aprender e aplicar as leis da guerra” – “Che’ reclamava que quando se dirigia aos camponeses bolivianos parecia estar falando com pedras -. 
    
São muitas as informações que podem ser obtidas, daí que seja necessário selecioná-las e classificá-las, pois é importante ter muita informação, mas o mais importante é que ela seja boa. Uma boa informação é aquela que, por um lado, fornece o conhecimento de um fato que o inimigo se esforça para ocultar ou dissimular, seja em relação à sua força (preparação de um operativo repressivo, movimentação de tropas, realização de novas alianças políticas, obtenção de financiamento externo, lançamento de campanhas publicitárias, recebimento de reforço de armamentos ou tropas, etc). Ou às suas vulnerabilidades (reconhecimento de suas linhas de abastecimento, situação moral e insatisfação salarial da tropa, debilidade das alianças políticas, projeção da imagem nos organismos internacionais, falta de resposta para as necessidades básicas da população, ausência de canais de expressão política, etc). 
    
Por outro lado, uma boa informação depende da confiabilidade da fonte informativa: a questão de quem é o informante  e por quais meios obteve as informações será decisiva para determinar a seriedade com que será classificada. U’a má informação pode induzir a cometer um erro operativo que conduza à derrota parcial ou total.

As informações sobre a situação do inimigo podem ser classificadas em três grandes grupos: políticos, sociais e militares. O primeiro grupo classificará todas aquelas informações referentes à projeção política do inimigo, os critérios políticos que orientam suas decisões, sua estrutura e lutas internas pelo Poder, a relação dessas frações internas com o espectro político nacional, os “sinais” de alguns desses grupos procurando contatos com a condução insurrecional, suas relações internacionais, o âmbito de alianças internas e internacionais, etc.

As informações retratadas como sociais são aquelas que procuram retratar a situação e as tendências da sociedade e sua relação com o regime.  Conhecer o sentimento da população em relação à situação política, social e econômica é extremamente importante para determinar com precisão o momento exato da maturação da conjuntura para agir sobre ela com alguma probabilidade de êxito.

O conhecimento das clivagens sociais, da capacidade de suas respostas, do grau de insatisfação, do apoio ou reprovação do governo, do grau de consciência política e organizativa das camadas sociais é crucial para integrá-las organicamente ao dispositivo insurrecional. A sociedade ou parte dela não é apenas o teatro da insurreição, mas também sua legitimação e sua logística. A simpatia que os setores sociais tenham pela causa da insurreição os levará a colaborar com ela, seja participando ativamente de atos, manifestações, lutas de rua, etc, seja guardando material insurrecional, como armas, documentos, imprensas, etc, como também alojando combatentes clandestinos em suas casas e até emprestando-as para a construção de “cárceres populares”. Saber qual bairro é simpatizante e qual é hostil  poderá significar a diferença entre a vida e a morte, em caso de se procurar proteção durante uma retirada. 
     
As informações classificadas como militares representarão o levantamento de todos os dados disponíveis relativos ao aparelho militar e paramilitar da repressão. Sua distribuição territorial, sua estrutura operativa, a condição do seu material bélico, as linhas de abastecimento, a estrutura logística, a localização e o estudo dos quartéis, etc.
    
O dispositivo insurrecional conta, fundamentalmente, com um comando político, que dá unidade e direção política ao movimento. Também com um comando militar para direcionar as forças sublevadas e, subordinando ambos, o comando supremo do dispositivo insurrecional, sempre político-militar, que dá unidade política e direção militar a todo o movimento em seu caminho revolucionário. Como disse Lenin:
    
 
“O exército revolucionário é imprescindível porque os grandes problemas históricos só podem ser resolvidos pela força, e a organização da força é, na luta moderna, a organização militar... O governo revolucionário dá unidade política e organização política à parte do  levantado em armas... a organização da direção política do povo é tão necessária como a direção militar de suas forças”.  

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

FONTE - http://www.alertatotal.net/2017/01/inteligencia.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+AlertaTotal+%28Alerta+Total%29

Vantagens demais - Editorial Folha de São Paulo




Em tempos de bonança, provavelmente passaria despercebido um aumento de R$ 2,4 milhões nas despesas dos gabinetes do Senado. O montante tende a desaparecer diante do orçamento dessa Casa, em torno de R$ 4 bilhões ao ano.
Mesmo num período de grave crise a cifra empalidece quando se considera o tamanho do deficit público federal. Num país que em 2016 aceitou um rombo de quase R$ 170 bilhões, a rubrica do Senado conhecida como "outros gastos" não constitui fonte do problema –e muito menos solução.
O momento, porém, é apropriado para debater esse tipo de desembolso. Afinal, como os parlamentares pretendem justificar suas vantagens quando a maioria dos brasileiros sofre com a recessão?
É infelizmente comum que, em meio a uma crise econômica duradoura, a maioria perceba uma queda relevante no poder de compra de seu salário, mas talvez não seja exagero dizer que os congressistas nem se dão conta desse efeito.
A lista de mordomias a que têm direito é tão extensa que não seria surpresa se terminassem o mês sem levar a mão ao próprio bolso.
Além da remuneração de R$ 33.763 (o salário mínimo nacional é de R$ 937), podem utilizar uma cota para despesas associadas a atividades parlamentares: aluguel de escritório político, locomoção, hospedagem, alimentação, segurança privada e divulgação. No Senado, a verba varia de R$ 21 mil a R$ 44 mil mensais, a depender do Estado de origem.
Há ainda auxílio-moradia de R$ 5.500 (ou imóvel funcional), carro com motorista e reembolso médico, entre outras regalias.
Como se já não fosse excessivo, em 2016 o Senado despendeu R$ 4,84 milhões com "outros gastos", dobrando os R$ 2,42 milhões de 2014, como mostrou reportagem desta Folha. Trata-se de recursos que os senadores usam para bancar combustível, material de limpeza ou de gráfica, diárias, passagens e serviços postais.
Sendo conhecidos os padrões éticos dos políticos brasileiros, dificilmente perderá quem apostar na existência de fraudes no uso dessas verbas. Ainda que não seja o caso, passou da hora de eliminar privilégios dessa lista.
A discussão, naturalmente, não pode se restringir ao Congresso. Deve alcançar todo o setor público brasileiro, que, como regra, ainda está longe de atribuir o devido valor ao dinheiro do contribuinte.
Se houver senadores e deputados dispostos a dar o primeiro passo, a eleição interna nas respectivas Casas seria uma ótima oportunidade para erguer essa bandeira –mas o mais provável é que prevaleçam o corporativismo, a irresponsabilidade e a desfaçatez.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Rumo a um “Politicídio”?



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Ainda não é uma tendência, porém crescem as chances de os brasileiros reagirem, radicalmente, contra a perigosa combinação entre corrupção, violência e impunidade. A tendência é que sejam escolhidos como alvos preferenciais “os políticos” (genericamente falando). Tal cenário de explosão social já é levado a sério por analistas militares. Não é à toa que muitos oficiais generais das Forças Armadas, sobretudo do Exército, têm se dedicado a estudar, ao longo da História brasileira, quando, como e por que ocorreram grandes revoltas populares.

Nada se compara à situação atual. Seria inconcebível e inaceitável pensar em um “politicídio” (assassinato em grandes proporções de políticos claramente identificados com o crime institucionalizado). A maioria da população não tem perfil para aderir a tamanha barbárie. No entanto, acentuam-se o descontentamento e a raiva contra políticos. A bronca é generalizada, mas a revolta pode atingir alguns, especificamente. Pode se dar mal quem insistir em defender criminosos, usando a retórica dos “direitos humanos” de forma cínica.

Nas redes sociais, viraliza um texto – que partiu de grupos de Policiais Militares – dando o tom da revolta em curso e chamando atenção para a malandragem retórica de quem flerta perigosamente com o crime: “Os deputados que defendem nossa segurança são chamados pela esquerda de bancada da bala. Vamos retribuir e chamar os que defendem os criminosos de bancada do crime. Vamos aderir a essa campanha. Precisamos ser proativos. Precisamos repudiar o politicamente correto, que transforma bandido em vítima social e a sociedade em cordeirinhos que defendem seus algozes. Ao referir-se a parlamentares do PT, PCdoB, PSOL ou qualquer outro que defende os bandidos, acrescente-lhe o aposto: da bancada do crime. Ex - Ivan Valente/PSOL , da bancada do crime, Erika Kokay/PT, da bancada do crime, Lindbergh Faria, da bancada do crime, Maria do Rosário, da bancada do crime, e por aí vai. Ajude espalhando essa idéia”.

Neste começo de 2017, a pauta governamental segue dominada pela “crise penitenciária” – que se arrasta há décadas, sempre sem solução real. Depois do dia 20 de janeiro, após a posse do Donald Trump, e, no começo de fevereiro, certamente depois do carnaval até março, as atenções se voltarão, fatalmente, para as homologações, pelo Supremo Tribunal Federal, das delações premiadas na Lava Jato, sobretudo contra políticos e membros importantes do governo peemedebista que dá seqüência ao petista.

Será necessário inventar outro assunto para desviar a atenção. Os verdadeiros chefões e estrategistas do Crime Institucionalizado (que ainda não moram em penitenciárias, mas sim em luxuosas residências) podem ter cometido seu erro fatal ao apelar, como de hábito, a uma explosão da violência nas cadeias, para tirar a corrupção do centro do noticiário. O feitiço tem tudo para se voltar contra os feiticeiros. É temerária a aposta de que a periferia, dominada pelo crime, vai jogar a favor da bandidagem organizada.

A crise estrutural (política, econômica e psicossocial) amplia a agrava a insatisfação da maioria das pessoas, em todas as classes sociais. Cada segmento tem uma percepção diferente do problema. No entanto, a maioria é prejudicada por suas causas e conseqüências. Quando se paga com a vida o negócio atinge proporções inimagináveis. O custo pessoal e social da corrupção se torna impagável.

O Combate à corrupção se transformou em uma causa transnacional... Vide a campanha da “Transparência Internacional” sobre o assunto: “Todas as formas de corrupção devem ser encerradas para garantir os direitos básicos de todas as pessoas e garantir um mundo onde todos possam viver com dignidade”. A entidade lança uma campanha mundial – A Declaração contra a Corrupção. Confira em:http://www.transparency.org/declaration/en

Os políticos (em geral) e os reais chefões do crime (em particular) têm tudo para se ferrar de forma nunca antes vista em nossa História... O recado também vale para os rentistas que financiam o Crime...

Releia o artigo de domingo: Em busca do salvador da Pátria que não virá


Bronca do empresário


Viraliza nas redes sociais, sobretudo nos zap-zaps da vida, um vídeo com o depoimento do empresário brasileiro Flávio Augusto da Silva, que vive na Flórida, porque aqui "está flórida"...

Dos EUA, ele dirige seus negócios: a rede de cursos de idiomas Wise UP e o time de futebol privado Orlando Soccer Club, onde joga o brasileiro Kaka.

Flávio demonstra, de modo coloquial, como os brasileiros são escravizados pelo Estado Corrupto.

Imagem Desconstruída


Pronto para o cargo


Dívida perigosa




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 16 de Janeiro de 2017.

ALÔ BRASILIA, QUE VERGONHA! -por Percival Puggina.


 Artigo publicado em 

 Em artigo anterior, com o título Cria Cuervos, mostrei como o Brasil foi se tornando um criatório de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil. Os cuervos, afirmei, são criados por quantos chamam bandido de herói e herói de bandido, combatem a polícia, riem da lei, proclamam a morte da instituição familiar, ridicularizam a virtude, aplaudem o vício, enxotam a religião, desautorizam quem educa ou usam a Educação para fazer política, e relativizam o bem e a verdade.
 Observe as movimentações para eleição da presidência da Câmara dos Deputados. Quem for escolhido pela maioria de seus pares, além de comandar a Casa e exercer várias outras atribuições importantes, será o substituto eventual do presidente da República. A disputa se trava entre Rodrigo Maia e Jovair Arantes. O primeiro dirigiu aquela sinistra sessão em que - forçando um poquito pero no mucho a expressão - as dez medidas contra a corrupção se transformaram em regras desmedidas a favor dos corruptos. E fez o possível, Rodrigo Maia, para que tudo acontecesse conforme articulado nos bastidores, inclusive o tardio horário em que se desenrolou a escabrosa parte deliberativa da sessão. Do segundo, é dito que representa o centrão, grupo de deputados do baixo clero, cuja principal atividade parlamentar seria usar os votos e o poder do bloco para intercambiar favores que, na maior parte dos casos, não se distinguem de meros negócios. Tudo indica que estamos lidando com títulos de estampado valor de face.
 A essas alturas, impõe-se perguntar se não há naquele plenário alguém com estatura para o cargo. É claro que há. E não são poucos, embora não sejam muitos nem em número suficiente, os homens e mulheres que honram seus mandatos e os exercem com integridade, voltados ao bem do país. No entanto, eventuais disposições para concorrer à liderança maior da casa, que entre eles surjam, tropeçam num grande obstáculo. Nesse parlamento dominado por indivíduos de péssimo caráter é muito difícil a uma pessoa de bem articular, ao seu redor, um grupo que viabilize suplantar, em votos, os atuais disputantes. Sei que há iniciativas. Tomara que funcionem. Mas o cenário que desenho é real.
 A sociedade que cria corvos é a mesma que os elege. E a experiência já mostrou que, no atual quadro institucional e moral do país, se o Poder Judiciário não afastar do poder os criminosos, não há lei de "fidelidade partidária", nem da "ficha limpa", nem projeto das "dez medidas", nem o que mais ocorra à criatividade nacional, que consiga aprimorar o tipo de representação política da nossa sociedade. Chega a ser ridículo. O Brasil foi levado para essa perdição como um adolescente conduzido por más companhias.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Alma centralizadora - por Rodrigo Constantino


Não há nada mais velho no Brasil do que o “capitalismo de compadres”, o patrimonialismo, o uso da coisa pública para fins privados, alimentado pelo centralismo estatal. São males que nos acompanham desde sempre. Revolucionário em nosso País seria o liberalismo, que nunca nos deu o ar de sua graça. A mentalidade estatizante está enraizada, desconfiando de tudo que vem da iniciativa privada e delegando ao governo um papel de salvador da Pátria. Nesse aspecto, o Brasil se parece muito com a França. Esse centralismo, afinal, vem desde o Antigo Regime, e foi fortalecido pelos jacobinos e por Napoleão. Troca-se o inquilino do edifício, mas a alma permanece intacta.
Em sua análise dessa época, Tocqueville mostra como todo o arcabouço do centralismo estatal já estava presente no Antigo Regime, e foi apenas aproveitado pelos revolucionários. Os administradores concentravam absurdo e arbitrário poder. E como as regras eram muitas e rígidas, a saída era o “jeitinho”, uma prática frouxa. Os reformadores miravam em fins diversos, mas seu meio era sempre o mesmo: usar o poder central para colocar em prática seus planos pessoais. O poder do Estado deveria ser quase ilimitado. Se ao menos ele fosse utilizado de forma adequada…
A nossa esquerda parece ter se encantado com a globalização da noite para o dia. Mas é fachada: essa turma só odeia os novos inquilinos, Trump e Temer, mas adora a alma centralizadora e estatizante
“Ninguém imagina que possa levar a bom termo um assunto importante se o Estado não se imiscuir”, escreve Tocqueville. Mesmo os agricultores achavam que era preciso o governo atuar para “aperfeiçoar” seu setor, tanto por meio de conselhos como de auxílio. Tocqueville continua: “Tendo o governo tomado assim o lugar da Providência, é natural que cada qual o invoque em suas urgências particulares. Por isso encontramos um número imenso de requerimentos que, sempre se fundamentando no interesse público, dizem respeito entretanto apenas a pequenos interesses privados”.
Impossível ler essa passagem e não pensar na coluna do empresário Benjamin Steinbruch na “Folha de S. Paulo”. Nela, o acionista do Grupo Vicunha e da CSN defende uma participação mais ativa do Estado para salvar a indústria brasileira, como se não tivesse sido justamente o excesso de intervenção estatal o maior responsável pela crise. Câmbio manipulado, redução artificial na taxa de juros, seleção de campeões nacionais, estímulos fiscais, tudo aquilo que o PT fez, e gerou apenas desgraça, o empresário deseja rever. Os “progressistas” são tão modernos como os nobres do Antigo Regime francês! Ironicamente, quem também adota visão protecionista parecida é Trump, odiado por nossa esquerda, que parece ter se encantado com a globalização da noite para o dia. Mas sabemos que é pura fachada: essa turma só odeia os novos inquilinos, Trump e Temer, mas adora a alma centralizadora e estatizante de nosso País.

Poema da Madrugada - Carlos Drummond de Andrade - A Flor e a Náusea

A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.