domingo, 28 de outubro de 2012

Wilson Simonal canta Nem Vem Que Não Tem



Wilson Simonal

Ouça Nem Vem Que Não Tem, de Orlando Moraes

A comissão da ética tétrica, por Elio Gaspari



Elio Gaspari, O Globo
José Paulo Sepúlveda Pertence tem 74 anos, ralou durante a ditadura, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1985 e lá ficou até 2007, quando Lula colocou-o na direção da Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Repetindo: Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
Enquanto o país assiste inebriado ao julgamento da quadrilha do mensalão, Pertence disse o seguinte ao repórter Fernando Rodrigues:
“Não creio que isso vá transformar a História do Brasil. O que se passa para o leitor de jornal, o telespectador ou o leitor de revistas é que é histórico porque se está condenando. Mas isso é relativo.”
Põe relativo nisso. No final de setembro Pertence demitiu-se da presidência da Comissão de Ética. Por falta de quorum, ela não se reunia desde julho, pois a doutora Dilma não preenchia quatro vagas abertas. Quando a doutora nomeou dois conselheiros desconsiderando as sugestões de Pertence, ele foi-se embora. (Fica por conta da sua proximidade com os comissários o fato de o terem passado na máquina de moer carne, atribuindo sua contrariedade a um pedido frustrado de nomeação de um filho.)
No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal condenou 25 réus do mensalão, a nova Comissão de Ética reuniu-se e, por unanimidade, arquivou dois processos que tramitavam contra o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.
Numa denúncia mostrava-se que a partir de 2009, pouco depois de deixar a prefeitura de Belo Horizonte, Pimentel recebera R$ 2 milhões ao longo de dois anos por serviços de consultoria.
Um de seus clientes, a construtora Convap, desembolsou R$ 514 mil por sete meses de serviços contratados (R$ 73,4 mil mensais). Outro freguês, a Federação das Indústrias de Minas Gerais, pagou-lhe R$ 1 milhão por nove meses de trabalho, ou R$ 111 mil mensais.
Pimentel explicou que, descontados os impostos, sua Bolsa-Consultoria rendera-lhe R$ 50 mil mensais, “remuneração compatível com o mercado de executivos”. O doutor faturou cerca de US$ 550 mil da Fiemg. (A mais famosa consultoria do mundo, chefiada pelo ex-secretário de Estado Henry Kissinger, em 1986 cobrava US$ 420 mil anuais aos seus maiores clientes.)
A segunda denúncia era mequetrefe. Em outubro do ano passado Pimentel viajou na comitiva da doutora Dilma para a Bulgária e precisava comparecer a um seminário privado em Roma. À falta de um avião de carreira, recorreu ao empresário que patrocinava o evento e descolou um jatinho.
A Comissão de Ética justificou os dois arquivamentos. Quanto ao avião, o doutor Américo Lacombe, seu presidente e relator do processo, disse o seguinte à repóter Luiza Damé:
— Ele não tinha outra opção. Ou ia no avião ou não ia, faltava ao compromisso. Temos uma resolução da comissão dizendo que a autoridade pode usar aviões dos patrocinadores dos eventos desde que eles não tenham interesse sob julgamento dessa autoridade. No caso, não havia. Então, arquivamos.
Com a Bolsa-Consultoria, Lacombe foi mais radical:
— A quantia que ele recebeu foi pequena, em dois anos, R$ 50 mil ao mês. Qualquer profissional liberal ganha isso.
Não foram R$ 50 mil, e Lacombe sabe disso. Essa cifra, como diria o ministro Joaquim Barbosa, é advocacia da defesa.
Nas palavras de Pimentel: “Não embolsei R$ 2 milhões. Entrou mesmo R$ 1,2 milhão, R$ 1,3 milhão, que dividido por 24 (meses) equivale a R$ 50 mil mensais. Estamos falando de uma remuneração absolutamente compatível com o mercado de executivos hoje no Brasil.”
Pimentel subtraiu os impostos pagos. Que o acusado se defenda assim, tudo bem, mas o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República só pode endossar esse raciocínio se acha que o imposto devido não sai da renda.
Isso é pouco diante do outro argumento. R$ 50 mil mensais não são uma “quantia pequena”, muito menos “qualquer profissional liberal ganha isso”.
O doutor Lacombe é juiz aposentado. Enquanto trabalhou para a Viúva, jamais viu um contracheque desse tamanho. Um advogado “qualquer” batalha para fechar o mês com R$ 5 mil, um décimo da Bolsa-Consultoria líquida de Pimentel.
O destino da quadrilha do mensalão só transformará o país se for o início de um processo de moralização. A conduta da Comissão de Ética mostrou que o espetáculo do mensalão pode vir a ser apenas um suspiro.
Em 1969 três jovens queriam transformar o país. Américo Lacombe era um juiz federal de 32 anos. Passou um ano na cadeia e foi demitido por ter acolhido em sua casa militantes da Ação Libertadora Nacional. Um deles fora baleado durante um assalto a banco em São Paulo. (Essa informação está no livro “Marighella — O guerrilheiro que incendiou o mundo”, do repórter Mário Magalhães, que começou a chegar às livrarias).
Outro jovem, “Jorge”, tinha 19 anos. Militava na VAR-Palmares e, em abril de 1970, tentou sequestrar o cônsul americano em Porto Alegre. A operação fracassou, mas num aparelho da organização havia um manifesto no qual narrava-se a confissão feita pelo diplomata no cativeiro que não houve.
Em Belo Horizonte, “Jorge” era colega de movimento estudantil de “Vanda”, que também militara na VAR até ser presa três meses antes do sequestro fracassado. Se a operação tivesse dado certo, “Vanda”, aos 23 anos, talvez tivesse entrado na lista dos presos a serem libertados em troca do cônsul. 
Nesse caso, Dilma Rousseff só teria voltado ao Brasil em 1979, com a anistia. Sua carreira política teria sido outra, “Jorge” não seria ministro do Desevolvimento e jamais conseguiria uma Bolsa-Consultoria de R$ 2 milhões, pois até 2009 seu patrimônio não chegava a R$ 1 milhão.
Queriam mudar o Brasil, e deu no que deu. Ou melhor: deu no que está dando.

Schwarzenegger voltará a viver Conan no cinema



Poetas buscam inspiração até no jogo do bicho



O compositor mineiro Geraldo Theodoro Pereira (1938-1954) e seu parceiro Wilson Batista usaram um dos temas mais populares, o jogo do bicho, para fazer a letra do samba de breque “Acertei No Milhar”, gravado por Moreira da Silva, em 1940, na Odeon.
 Geraldo Pereira
 Wilson Batista
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ACERTEI NO MILHAR
Wílson Batista e Geraldo Pereira
- Etelvina, minha filha!
- Que há, Jorginho?
- Acertei no milhar
Ganhei 500 contos
Não vou mais trabalhar
E me dê toda a roupa velha aos pobres
E a mobília podemos quebrar
Isto é pra já
Passe pra cá
Etelvina
Vai ter outra lua-de-mel
Você vai ser madame
Vai morar num grande hotel
Eu vou comprar um nome não sei onde
De marquês, Dom Jorge Veiga, de Visconde
Um professor de francês, mon amour
Eu vou trocar seu nome
Pra madame Pompadour
Até que enfim agora eu sou feliz
Vou percorrer Europa toda até Paris
E nossos filhos, hein?
- Oh, que inferno!
Eu vou pô-los num colégio interno
Telefone pro Mané do armazém
Porque não quero ficar
Devendo nada a ninguém
E vou comprar um avião azul
Pra percorrer a América do Sul
Aí de repente, mas de repente
Etelvina me chamou
Está na hora do batente
Etelvina me acordou
Foi um sonho, minha gente
(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Charge do Duke (O Tempo)



SER ELEGANTE



Magu
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível notá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas. Também é muito elegante quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não.
É sempre elegante: Oferecer flores. Não ficar espaçoso demais. Você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber que você teve que se arrebentar para o fazer. Não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. Não falar de dinheiro em bate-papos informais. Retribuir carinho e solidariedade. O silêncio, diante de uma rejeição. A gentileza: Atitudes gentis falam mais que mil imagens. Por exemplo, abrir a porta para alguém. Ou dar o próprio lugar para alguém sentar. E oferecer ajuda, então, é um suprasumo.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, nem estar nele de uma forma não arrogante. Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma. Olhar nos olhos, ao conversar, é essencialmente elegante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir uma licença para o nosso lado “brucutu”, que acha que “com amigo não se deve ter estas frescuras.” Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso!

O INÍQUO CALHORDA MORALIZA?



Ralph J. Hofmann
O promotor do transporte de moeda em cuecas, homem sem valor moral ou ético nenhum e ainda por cima deputado federal José Guimarães  (foto -PT-CE) anuncia que seu partido irá lutar pela “regulamentação das comunicações’ no país “quer queiram quer não queiram”.
O parlamentar mostra desprezo pela constituição brasileira, pela declaração dos direitos do homem e por qualquer norma de supervisão da ação de governos que se tenha notícia.
Mesmo com uma imprensa livre foi possível ao governo do Brasil acomodar os órgãos de imprensa para eleger-se três vezes a despeito de ser voz corrente no país que ocorria um mensalão, que vastas quantidades de dinheiro eram desviadas dos cofres públicos, e mesmo ele José Guimarães conseguiu eleger-se a despeito de seu vínculo com os “dólares na cueca”.
Além desse incidente o deputado é investigado por desviar ais de R$ 100 milhões do Banco do Nordeste.
Decididamente uma figura lapidar para falar sobre uma reportagem publicada pela revista Veja que associou Lula ao crime do mensalão. Guimarães disse ainda que a situação “foi além do limite”, e que, por causa disso, o PT teria que enfrentar a questão.
O mais surpreendente é que uma pessoa com este perfil, neste país ande pela rua e ainda ameace a imprensa sem perigo de ser apedrejado.
Por outro lado no Rio Grade do Sul o governo Tarso Genro, aparentemente com apoio da assembléia pretende entrar em 2013 com uma lei de mordaça da empresa a título de “regulamentação das comunicações”.
A vida de jornalistas independentes, contrários à ação desmiolada e criminosa de certos governantes já é difícil, haja visto a quantidade de processos que precisam enfrentar com seus parcos recursos enquanto o PT e suas filiais dispõem de fortunas imensas para manterem batalhões de advogados cerceando seu trabalho num flagrante abuso de poder econômico.
Até quando o povo brasileiro assistirá isto de braços cruzados.  O STJ desamarrou um nó, mas as próximas nomeações da presidente Dilma não auguram nada bom para aquela instituição. Podemos esperar um retorno da impunibilidade a não ser que o senado passe a vetar a nomeação de micos de realejo para aquele tribunal.
E certamente, grande parte da imprensa que desde já não se manifesta contra esta imposição de nulidades fiéis ao regime no STJ não vai abrira  a boca para reclamar.
Por quanto tempo a Veja e a imprensa nanica dos Blogs e Newsletters poderão resistir?