domingo, 14 de outubro de 2012

CRÔNICA Cartas de Toronto: Bullying não é novidade, mas cyber bullying é



Sim, assim como qualquer adolescente no mundo, eu fui perseguida na escola. Fui bullied por ser magra demais, mas também impliquei com a aparência dos outros e passei tardes no telefone falando mal da fulana de tal. Vi meninos populares empurrando os nerds, vi meninos tidos como CDFs escondendo a raiva enquanto um menino marrento fazia chacota dele perto das meninas.
Bullying não é novidade, mas eu nunca compararia a realidade analógica da minha adolescência ao mundo híper-conectado de 2012. No meu tempo, professores interferiram mais e se a perseguição chegasse ao extremo, mudar de escola e se reinventar era uma possibilidade real.
A adolescente de 16 anos, Amanda Todd, passou por várias escolas antes de publicar o seu vídeo no YouTube. Hoje, visto por mais de 1.6 milhão de pessoas, o vídeo narra a trajetória de uma menina que por quatro anos conviveu com atentados via internet e na escola. Após anos de autoflagelação, tentativas de suicídio e tratamento com antidepressivos, Amanda se enforcou em sua casa em Port Coquitlam, na província de British Columbia.


A história de Amanda começou numa sala de bate-papo com vídeo. Como descreveu em seu vídeo, ela e alguns amigos costumavam usar a webcam para “fazer novos amigos.” Durante uma conversa com um grupo de desconhecidos, depois de receber inúmeros elogios de estranhos, a jovem Amanda de 12 anos mostrou os seios para a câmera pensando que a conversa terminaria naquela sala de bate-papo.
Dias depois, Amanda recebeu um email via Facebook no qual uma pessoa não-identificada ameaçava divulgar fotos dela semi-nua na internet caso ela não topasse fazer um show privativo. Amanda ignorou a mensagem, mas seu perseguidor cumpriu a promessa.
E durante as férias de Natal sua família foi acordada às quatro da manhã pela polícia que investigava o vazamento das fotos de Amanda na internet. Segundo Amanda, obully sabia todos os detalhes de sua vida, do nome dos pais a onde ela morava.
A canadense Amanda Todd não é a primeira vítima do cyber bullying e, infelizmente, não será a última. No entanto, a sua morte reabriu uma discussão necessária sobre o quanto o assédio moral promovido por anônimos e conhecidos na internet deve ser tratado por pais, educadores e pelo sistema criminal canadense.
A polícia canadense investiga o caso e, dada a repercussão pública, também monitora as mídias sociais em busca de pistas.
Enquanto isso, todos tentam entender como a vida de Amanda poderia ser poupada...
E no Brasil, como educadores e responsáveis monitoram a atividade online e protegem seus filhos do cyber bullying?

Veronica Heringer é bacharel em Jornalismo pela PUC-Rio, mestre em Media Production pela Ryerson University e estrategista em marketing digital. Bloga noMadame Heringer.com e escreve para o Blog do Noblat aos domingos.

Pat Metheny Trio interpreta 'James'




Mensalão, política e eleição, por Gaudêncio Torquato



A dúvida continua na ordem do dia: o mensalão influenciou as campanhas do primeiro turno e, agora, com a condenação do núcleo político, do qual faz parte o ex-ministro José Dirceu, terá efeitos sobre os candidatos petistas que abrem trincheiras na guerra do segundo turno?
Não tem sido fácil convencer integrantes das alas sobre as hipóteses que cercam a questão, seja a que enxerga danos seja a que os nega.
Cada partido defende a abordagem mais adequada aos seus interesses. A ideia de que valores éticos e morais – que se pinçam do julgamento da ação penal 470 - balizarão, no calor eleitoral, o voto das massas, parece levar em conta a teoria da agulha hipodérmica, bastante conhecida na área da comunicação, pela qual a injeção de medicamentos sob a pele, implica melhoria imediata da saúde da pessoa inoculada.
Já o argumento que despreza consequências nefastas do julgamento sobre o segundo turno, estribado na hipótese de que o eleitor associa o voto às suas necessidades imediatas, também deixa margem a questionamentos, podendo ser meia verdade.
Ora, para eleitores de segmentos médios, o mensalão corrobora posições previamente assumidas por eles. Tal fato, por si só, constitui grande conquista, na medida em que a semente ética se espalhará a partir dos canteiros localizados no meio da sociedade.
Portanto, nem lá nem cá. A conexão entre mensalão e voto sugere uma abordagem menos pontual e mais global.
Ou, para usar o enfoque fenomênico que o sociólogo Joseph Klapper contrapôs à teoria da agulha hipodérmica, um conjunto de fatores contribui para influenciar o processo de persuasão das massas, como demandas comunitárias, cultura política dos segmentos, condições eleitorais, qualidades dos atores políticos e circunstâncias espaciais e temporais.
Errado é imaginar que eleitores se influenciam por estímulos isolados. Não se trata de entes passivos, submissos exclusivamente ao império dos contendores.
Massas passivas e obedientes ao toque de recolher dos pastores eleitorais, lembrando a imagem de Norberto Bobbio sobre as ovelhas que acorrem aos currais para comer o pasto (cidadãos passivos), dão vez a comunidades ativas, conscientes e desejosas de imprimir seu tom à orquestração eleitoral.
Sob essa leitura, abre-se um vasto leque de alternativas, cada qual com arcabouço próprio.
Primeiro, é oportuno distinguir os níveis de percepção dos fenômenos políticos pelos estratos sociais.
As classes médias, que detêm maior conhecimento sobre política, abrigam os formadores de opinião que agem na vanguarda da defesa dos bastiões morais. Eventos, como o mensalão, que embutem uma pauta de valores cívicos abrem a tuba de ressonância tocada pela orquestra do meio da sociedade.
O mensalão deflagra sobre esse ajuntamento dois fenômenos. Um, interno, se volta para a corroboração do ideário e confirmação dos posicionamentos político- eleitorais assumidos por estes segmentos ao longo da trajetória. Ou seja, reforça a preferência no candidato escolhido.
O outro, externo, se projeta na formação dos círculos concêntricos, cuja função é irradiar pensamentos que se espraiam até as margens da sociedade. Essas ondas se movimentam em processo contínuo e em fluxos mais fortes ou mais fracos, na esteira das características de cada campanha.
Donde se puxa o cordão de mais uma hipótese: eventos de alta visibilidade e denso acervo litigioso exercem influência na política.
Atente-se, porém, para a observação de que isso não implica, necessariamente, impacto imediato na frente eleitoral. Uma coisa é semear a cultura ambiental com valores éticos e, dessa forma, elevar as aspirações da sociedade, outra é imaginar que, da noite para o dia, viceje a Árvore Moral.
Os frutos valorativos do mensalão, pois, demorarão a brotar. O edifício da Cidadania é uma obra que se constrói, tijolo por tijolo, ao longo de gerações.
Vejamos, agora, mais uma abordagem.
Contingentes que habitam os espaços das margens são muito sensíveis aos remédios (e soluções) que trazem melhoria às suas condições de vida. Bens e produtos materiais, de pronto uso, são mais bem-vindos que valores espirituais, por mais nobres que estes sejam.
Não é o caso de desesperança. A planilha valorativa que se extrai do julgamento do mensalão baterá às portas da representação política, cutucando mentes e plasmando um conjunto de ações reformistas que acabarão moldando os vãos dos costumes e os desvãos da corrupção.
Quanto aos habitantes da base da pirâmide, vale lembrar que sua preferência pela micropolítica não significa desprezo por princípios doutrinários.
Mais uma vez, não são entes inermes. Embalam-se, também, no cobertor cívico, que sai da Corte Suprema e corre pela sociedade. Percebem que a lei é para todos. Os grandes também vão para a cadeia.
Quanto aos escândalos que batem em seus ouvidos, tendem a decodificá-los como práticas de todos os políticos. (Reforçando a percepção, o próximo capitulo do mensalão deverá abrigar o caso de políticos mineiros).
Igual por igual, sem distinção de perfis, o eleitor das margens acaba escolhendo o que lhe é mais próximo. O candidato que mais se encaixa na cachola.
Postas as coisas em seus devidos compartimentos, chega-se a uma resposta satisfatória para a indagação que abre este texto: o mensalão influencia a política ao compor a moldura de valores que inspiram a mudança de padrões políticos; reforça o ideário de setores médios, animando-os a entoar hinos cívicos; mas não induz as massas eleitorais a substituírem figurantes, situação que ocorre só esporadicamente ou dentro da massa de indecisos.
Ganhar o voto do eleitor, induzi-lo a mudar de posição, enfeitar os bolos eleitorais com confeitos coloridos, criar versões para as histórias e mistificar fazem parte da engenharia das campanhas.
Muito cuidado, porém: quando a embalagem é exageradamente maior que o produto, o consumidor percebe.

Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP é consultor político e de comunicação. Twitter: @gaudtorquato

HUGO CHÁVEZ GANHOU OUTRA VEZ, DE NOVO (1)



Giulio Sanmartini
O poríssima louca venezuelano Hugo Cháves, pela quarta vez consecutiva elegeu-se presidente de seu país. Criou um tipo de ditadura maquiada de democracia e pretensiosamente    diz-se a reencarnação de Simão Bolívar.
Mas entre os dois há uma grande diferença, o primeiro é um bufão de pantomima circense enquanto o último foi uma homem instruído, culto, liberal e cativante.
Sempre cito um exemplo da presença de espírito de Bolívar, contada por Gabriel Garcia Marques no livro “El general en su laberinto” (O general no seu labirinto – 1990).
Estava Bolívar numa festa quando foi apresentado a uma lindíssima mulher, que falava francês, então deu-se o seguinte diálogo:
- Que belo o francês com quem a senhora está me brindando. – disse o mulherengo Simão.
- É que eu nasci e me criei em Fort-de-France, na Martinica.
- Ah! Terra de Josefina Bonaparte – continuou ele.
- General, pela sua fama, eu esperava algo mais desse detalhe, que é o que dizem todos sobre minha terra.
Bolívar não se apertou e começou a descrever detalhadamente a casa onde nascera Josefina e ainda discorreu com propriedade sobre os lugares românticos da ilha.
A bela dama, mostrando agradável surpresa disse:
- Perdoe-me general, mas não sabia que o senhor conhecia Martinica.
- Nunca estive na Martinica – começou Bolívar com um sorriso conquistador – mas tinha a certeza que um dia conheceria a mais bela mulher do mundo nascida nessa ilha, portanto passeia vida inteira estudando sobre o local até que o fato se concretiza-se, como está acontecendo agora.
Bem, voltando ao canhestro Chávez.
Sua popularidade contrasta com a rejeição pela classe média, afetada pelas restrições econômicas impostas em nome de sua revolução e pelas políticas de desapropriação de empresas privadas.
Seu discurso beligerante tem polarizado a sociedade, ao demonizar seus oponentes e queimar todas as pontes de entendimento com a outra metade do país -politicamente, uma estratégia muito rentável, admitem fontes próximas ao governo.
Chávez trata seus homólogos no plano internacional com a mesma intensidade, respeito ou desprezo, chegando a dizer que havia sentido cheiro de “enxofre” na tribuna da Assembleia Geral da ONU, em 2007, depois de ter passado pelo então presidente americano, George W. Bush.
Ele retomou do líder cubano Fidel Castro, seu mentor, as bandeiras contra os Estados Unidos e liderou um grupo de governos regionais de esquerda hostis a Washington. Também teceu parcerias com os governos polêmicos de Irã, Belarus e Líbia.
Mas tem sido pragmático o suficiente para continuar a vender diariamente para os Estados Unidos um milhão de barris de petróleo.
Com seus petrodólares, também estabeleceu iniciativas regionais como o grupo de coordenação política Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e subsidiou o petróleo da Petrocaribe.
Por sorte será difícil que termine seu mandato, acometido pelo câncer que o corrói, caso contrário, podem crer tentaria o 5° mandato.
(1) Fonte: The Passira News
(2) Charge na fotomontagem: Chappatte.

HOCUS&POCUS



Ralph J. Hofmann
Caros Professores Hocus & Pocus
Fui informado que os prisioneiros no Brasil devem executar trabalhos, particularmente trabalhos com os quais tenham certa experiência, talvez afinidade.
O que fazer com este sem número de políticos que deverão ingressar nas celas das penitenciarias brasileiras nas próximas semanas e meses?  Não parece haver espaço profissional para a função de conchavar, desviar fundos, enfiar estiletes no meio das omoplatas de colegas dentro de um presídio.
Atenciosamente
Amicus Panther (*)
Caro Amicus
Muita honra receber uma carta sua.  Freqüentemente comentamos como a época atual no Brasil teria sido especialmente talhada para seus talentos peculiares, sua habilidade de emitir aquela frase precisa que faz aflorar o ridículo de cada situação.
Mas quanto à sua pergunta creio que não haverá problemas em encontrar trabalho adequado para estes indivíduos, ressalvando que este tipo de gente sempre achará uma forma de esfaquear os colegas pelas costas. Como disse o escorpião ao sapo enquanto lhe aplicava a ferroada mortal no meio do rio caudaloso:  “É a minha natureza”.
Quanto ao trabalho propriamente dito, basta criar um bio-digestor em cada presídio gerando gás e adubo para a horta. O bio-digestor seria alimentado pelos apenados. O material ativo seriam as fezes do esgoto cloacal e se necessário seriam importados dejetos de porcos e galinhas de  criações nas imediações. Como os últimos anos comprovaram esta gente tem jeito para mexer na merda.
Passe muito bem Amicus
Hocue & Pocus
(*) Panther ou Panther Onca = Onça Pintada

RECLAMES CENSURADOS (IX)



Marc Albert
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Casa-galeria resiste ao clima do deserto


Blocos de concreto criam fortaleza no Idaho

25/04/2012 | POR REDAÇÃO

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casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)
A escultura armada em cimento se mescla à paisagem árida do deserto: é ali, em meio à imensidão do estado de Idaho, no noroeste dos Estados Unidos, que um artista escolheu fazer sua morada e transformá-la em galeria.
Para isso, ele chamou os arquitetos do escritório Olson Kundig, que projetaram a casa Outpost para ser resistente como os cactos. Os materiais estruturais, como os blocos de concreto da fachada e os deques acústicos, são capazes de aguentar as duras variações climáticas do deserto, que vão da neve ao calor, sem precisar de manutenção.
Por trás dos muros grossos e altos, um jardim secreto leva os visitantes até a porta de entrada. Lá dentro, o imóvel de três andares é dividido de acordo com os usos. No térreo, fica o ateliê; no último nível – um mezanino murado por uma estante de livros – está o quarto. A área social da casa está no segundo andar, que é fechada apenas por vidro para facilitar a entrada de luz na cozinha e nas salas de estar e jantar. 
casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)



casa_outpost_deserto_eua (Foto: Tim Bies)