quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

No modelo petista, a saúde não tem remédio - JOSÉ SERRA


Acredite se quiser: a emenda constitucional que foi aprovada pelo Congresso há duas semanas não trouxe nenhum benefício para a área da saúde no Brasil. Ao contrário: dentro de suposições realistas, essa emenda retirará recursos do setor, comparativamente ao que seria obtido com a legislação vigente, que será extinta no ano que vem. Essa legislação contempla um piso anual dos gastos federais em saúde equivalente ao orçamento do ano anterior mais a variação nominal do PIB, ou seja, produto real mais inflação. A isso se acrescentariam os recursos extras dos royalties do pré-sal e o incremento proporcionado pelas emendas parlamentares "impositivas" destinadas à saúde.
Pois bem, a nova legislação, que vincula a despesa federal de saúde à receita corrente líquida da União, numa escadinha que dura cinco anos, desconta desse montante os royalties e as referidas emendas. Assim, em números acumulados, o cenário B implica reduzir o gasto federal em R$ 21 bilhões em relação ao que se realizaria no cenário A. Somente em 2016 seriam R$ 10 bilhões a menos. Vale uma paráfrase do teatro shakespeariano: tanto barulho por (menos do que) nada! Ficou evidente que muitos parlamentares foram usados pelo governo como inocentes úteis. Talvez ele se deem conta, agora, de quão tortos são os caminhos da administração petista na saúde.
Os antecedentes nesse sentido são robustos. Os governos do PT esperaram 11 anos para regulamentar a emenda constitucional que aprovamos no começo da década passada. Sob forte pressão, elevaram os recursos federais para a saúde desde 2003, mas pouco. Basta lembrar que durante o segundo governo FHC a taxa de crescimento dos gastos reais no setor correspondeu ao dobro da taxa de crescimento do PIB, enquanto na era petista essa proporção caiu à metade! Mais ainda, os governos Lula e Dilma assistiram de camarote ao encolhimento da fatia federal nas despesas do setor, que passou de 52% em 2002 para 44% em 2014, forçando Estados e municípios a bancar a diferença.
As artimanhas utilizadas contra a saúde foram simples: 1) reajustar lentamente as transferências do Ministério da Saúde aos Estados e municípios; 2) abrir grandes defasagens na tabela de pagamento do SUS aos prestadores de serviços, sufocando toda a rede de Santas Casas e demais hospitais filantrópicos; 3) encolher em 30% os aportes federais às equipes do Programa Saúde da Família dos municípios, grande inovação do governo de FHC; 4) criar vários programas municipais, como o Samu e as UPAs, mas deixando o elevado custeio por conta dos municípios.
Mais recentemente, nasceu a serpente cujo ovo foi depositado no primeiro governo petista e chocado até o fim do terceiro: o atraso nos repasses de recursos do SUS, o que não ocorria havia mais de 20 anos! Esse método perverte a qualidade dos prestadores de serviços e rompe os padrões de lealdade e eficiência que devem prevalecer entre União, Estados e municípios.
Paralelamente, turbinou-se uma caudalosa fonte de despesas indiretas: a despreocupação com custos, a falta de planejamento e prioridades claras, o uso do patrimônio público em benefício privado e a corrupção. Tudo isso permeado, é claro, por desconhecimento, inépcia e acessos de burrice na administração. Nenhum desses defeitos - os dolosos e os culposos - é novo na vida pública brasileira, mas há que reconhecer que na era petista eles foram alçados à condição de método de governo.
É significativo lembrar que no final do governo FHC 14 de cada 15 brasileiros não consideravam a saúde o principal problema do País, enquanto no fim do ano passado quase a metade das pessoas colocava o setor em primeiro lugar em sua lista de angústias. Aliás, 3 de cada em 5 brasileiros aprovavam em 2002 a política nacional de saúde (Ibope), proporção que caiu a menos de um quinto em 2014.
Até a campanha contra a aids, considerada a melhor do mundo em desenvolvimento na virada do século, foi enfraquecida, e os tempos piores estão voltando. A evolução da incidência sobre os jovens homossexuais de 13 a 29 anos tem sido assustadora. Os bem-sucedidos mutirões de exames e cirurgias eletivas foram desativados, pois tinham marca tucana. Os genéricos também traziam o selo do governo do PSDB e por isso deixaram de ser prioridade.
Já escrevi nesta página que uma das principais antileis petistas na administração pública é a de transformar facilidades em dificuldades e soluções em problemas - às vezes, por ideologia; noutras, amadorismo ou neuroses. Ou coisa pior. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nos últimos 12 anos, foi pervertida em razão de um propósito adicional: criar dificuldades para vender facilidades. Em 2002 a aprovação de um novo genérico pela Anvisa demorava 5 meses; em 2014, 30! E o que dizer da Fundação Nacional de Saúde, esfrangalhada pela partilha política e pelos malfeitos à luz do dia?
Há falhas menos citadas, mas igualmente aberrantes. A desaceleração da implantação do Programa Saúde da Família e a piora da manutenção das equipes existentes levaram ao Mais Médicos dos marqueteiros, que, além de pouco efetivo, cindiu a relação do poder público federal com os profissionais de saúde. O cartão SUS, cuja preparação estava em andamento, foi desativado. O ressarcimento ao sistema pelos planos de saúde cujos associados usam unidades públicas jamais foi eficazmente implantado.
Há remédio, sim, para cada um desses males da saúde. O que não tem cura é a soma explosiva de incompetência e má-fé. E por onde começar? Os brasileiros afeitos à área - médicos, líderes de entidades, secretários, profissionais de saúde os mais variados - têm de travar a luta política. O PT cravou no Brasil um bordão obscurantista segundo o qual até a aritmética é fruto da "vontade política". Claro que não é. Mas é evidente que sem vontade política a verdade da aritmética corre o risco de ser substituída pela crença dos estúpidos. É hora de mobilização.

Risco Petrobras, risco Brasil - Carlos Alberto Sardenberg


A inflação já estourou o teto da meta e vai continuar assim ao longo deste ano. Produção e consumo vão devagar, quase parando. Contas externas continuam no vermelho. Contas públicas são arrumadas a custo de corte de gastos, inclusive em benefícios sociais, e carga tributária.

O brasileiro já entendeu tudo. Pesquisa do Instituto Datapopular mostra que as pessoas esperam para este ano mais inflação, menos emprego, mais impostos e nada de aumento de salário.

Mas não há expectativa de desastre ou de uma crise aguda, não por causa do cenário econômico.

Por exemplo: a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA-15 de fevereiro, bateu em 7,36%. Qual a previsão consensual entre os especialistas para o final do ano? A mesma coisa, 7,33%, tal como se vê no Relatório Focus, veiculado toda segunda-feira no site do Banco Central e que resume a opinião de fora do governo (consultorias, instituições financeiras, institutos de estudo e pesquisa).

O dólar tem oscilado entre R$ 2,80 e R$ 2,90. Expectativa para dezembro? R$ 2,90, e se chegar a R$ 3, pouca gente vai estranhar. Bate na inflação, encarece o importado, mas o BC agora parece mais sério no esforço de alcançar a meta de 4,5%, ainda que lá na frente. A taxa de juros vai subir de novo na próxima reunião.

Por outro lado, o dólar caro o ano todo deve ajudar a reduzir o déficit das contas externas, barateando exportações e encarecendo as viagens internacionais.

Também ninguém espera um desastre nas contas públicas. Ao contrário, é certo que estarão bem melhor do que ano passado só com a eliminação, já em prática, das lambanças do ex-ministro Mantega. Será difícil para o atual ministro Joaquim Levy cumprir a meta de economizar R$ 55 bilhões líquidos este ano, mas ninguém vai achar que é o fim do mundo se economizar uns 40 bi ou até menos que isso. Interromper a trajetória desastrosa dos últimos anos já é um baita avanço.

O país não escapa de uma recessão este ano, também conforme um amplo entendimento entre analistas aqui e lá fora. Logo, o desemprego deve aumentar — e as pessoas já perceberam que está mais difícil arranjar ou trocar de trabalho. Mas quando se estende o cenário para 2016, a coisa melhora no geral. A expectativa é de mais crescimento, com menos inflação e maior equilíbrio nas contas do governo.

Resumindo, 2015 é um ano ruim, pior que 2014, mas será também um período de arrumação. Dia desses, o ministro Joaquim Levy disse que não há tarefa de política econômica que não possa ser feita neste momento. Quis dizer que os problemas estão identificados, as receitas são conhecidas e já foram aplicadas em outras ocasiões. Há também amplo entendimento nisso.

Então, qual o problema, além do desconforto de cruzar este ano?

A Petrobras.

Considerem os investimentos em infraestrutura, por meio das concessões de estradas, portos, aeroportos, transportes a empresas privada — aqui está a única chance de intensificar a atividade econômica. Mas isso não pode deslanchar enquanto as empresas que se ocupam disso, todas clientes e fornecedoras da Petrobras, estiverem mais preocupadas em se livrar da Lava-Jato e vender ativos.

A própria estatal está cancelando obras e devolvendo sondas, plataformas etc. Estaleiros nacionais e estrangeiros que se instalaram por aqui perdem encomendas, sobram com capacidade ociosa. E não são competitivos no mercado externo porque, protegidos aqui, têm preços maiores e tecnologia menos atual.

Além disso, todo o mercado mundial de petróleo está em retração. Com a queda de preços, companhias pelo mundo todo desistem dos investimentos mais caros e, com isso, sobram equipamentos e navios. Aliás, ficaram mais baratos, o que poderia ser uma oportunidade para a Petrobras — que, entretanto, não pode aproveitá-la por causa da política de comprar máquinas com alto componente nacional.

Não foi só roubalheira — com o perdão desse “só”.

Além de limpar os balanços do que foi roubado, será preciso mudar toda a política para o setor e eliminar os desastres causados por uma gestão tão equivocada que está merecendo a atenção de especialistas internacionais como um exemplo acabado do que não se deve fazer.

Vai ser difícil, porque depende de circunstâncias internacionais fora de controle e porque a presidente Dilma acha que está tudo indo bem na estatal. Disse, por exemplo, que a agência Moddy’s rebaixou a nota da Petrobras por falta de conhecimento do que se faz na companhia. Ora, todo mundo sabe o que se passa lá — e ninguém acha que vai bem.

Acrescente a isso a lista de Janot — a relação de políticos investigados ou denunciados na Lava-jato, que está para sair, e se vê o potencial de impacto na vida política.

Quem mesmo queria acabar com a Petrobras? Ou com o país?

A DITADURA DA MILITÂNCIA - Maria Lucia Victor Barbosa



Maria Lucia Victor Barbosa

03/11/2014

O PT, cuja essência é autoritária sempre requereu para si o monopólio do poder, da virtude e da verdade. Logrou ascender ao cargo mais alto da República na quarta vez depois da escalada persistente de Luís Inácio da Silva, cuja imagem cuidadosamente construída simbolizou o proletário para estar de acordo com a teoria de classes de Karl Marx. Ele nunca foi um proletário – homem pobre com família numerosa que só tem por bens sua prole – e sim, por breve tempo, esteve entre os metalúrgicos que compõem a elite do operariado.

Conquistado o poder o PT se desfez do monopólio da virtude, pois se no Brasil a corrupção é histórica e endêmica, a militância petista dos altos cargos transformou seu partido no mais corrupto de toda nossa história.

 Quanto ao monopólio da verdade evidenciou-se na prática ao contrário, ou seja, da propaganda enganosa às contabilidades criativas o governo do PT fez da mentira sua arma de sustentação e manutenção no poder. Nesta linha de conduta os petistas abusaram do contraditório, contradizendo o que antes afirmavam como o próprio Luís Inácio que se disse uma metamorfose ambulante.

Além do mais, petistas nunca erram sendo os outros são sempre os culpados. Em outra estratégia o governo dividiu para governar estimulando o ódio entre ricos e pobres e, num esdrúxulo recorte da luta de classes promoveu o embate entre brancos e negros, heterossexuais e homossexuais.

Na recente campanha que terminou com uma pequena diferença a favor de Rousseff  a exacerbação da mentira teve contornos sórdidos e logrou transformar primeiro, Marina, depois Aécio, em monstros perniciosos que ao lado dos banqueiros matariam os coitadinhos dos pobres de fome e lhes tiraria todos os benefícios presenteados pelo pai Lula. Marina seria a vacilante, a homofóbica. Aécio o bêbado que batia em mulher. Essas e outras sandices eram difundidas incessantemente na propaganda eleitoral gratuita, em palanques onde Rousseff “fez o diabo” e Luís Inácio parecia necessitado de um exorcismo. Conforme a revista Veja, odiada por Lula e demais companheiros: “o PT distorceu fatos, falsificou a história e manipulou eleitoralmente a divulgação de informações, jogando o nível da disputa na lama”.

No seu discurso após ser reeleita, Rousseff lançou Luís Inácio ao chamá-lo duas vezes de presidente. Portanto, nem bem terminou uma campanha outra já começou como demonstração do projeto que visa á continuidade do PT no poder. Contudo, seria interessante considerar alguns fatos:

1º - Luís Inácio perdeu feio no seu berço político, São Paulo, onde não logrou eleger o terceiro poste. Perdeu no Rio de Janeiro, no Sul e em vários Estados. Seu partido, ainda que continue forte, perdeu deputados, senadores, governadores.

2º - O primeiro mandato da criatura, arrasador para a economia, tende a piorar neste segundo com aumento da inflação, da inadimplência, da queda da renda, do desemprego e do crescimento zero.

3º - O PT tanto utilizou o ódio como ferramenta de divisão social que conseguiu implantar esse sentimento na sociedade. Isto apareceu de modo inequívoco no comportamento antipetista que se alastrou praticamente pela metade dos eleitores durante a campanha, de modo nunca havido e que tende a continuar.

4º - O projeto golpista do governo de criação de comitês populares ou sovietes foi derrubado na Câmara, enquanto vai se armando no Congresso uma oposição que inclui parte do PMDB.

6º - Partidos estão se engalfinhando por ministérios e demais cargos e vai ser difícil contentar a todos, a menos que  Rousseff acrescente mais ministérios aos 39 já existentes com as devidas repercussões negativas para os cofres públicos.

Disto se deduz que Luís Inácio e seu partido nunca enfrentaram tantas dificuldades. Entretanto, não se pode subestimar poderio petista. Para enfrentá-lo seria necessário o surgimento lideranças parlamentares de fato oposicionistas e a manutenção da lucidez antipetista na sociedade

Se tal não acontecer e o governo dominar o STF nos moldes bolivarianos, domesticar o Congresso e a sociedade não reagir, a ditadura da militância se instalará de vez através de uma constituição feita à sua imagem e semelhança, da censura aos meios de comunicação, de outras medidas autoritárias que implantem a sonhada democracia de massas. Ainda é tempo de não virarmos uma Venezuela e sistemas congêneres da América Latina. Todavia o perigo existe porque os embriões da falsa democracia já estão plantados no Brasil.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

TROPAS DA FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA JÁ ESTÃO NO ESTADO PARA INTERVIR NO RS

O governo federal resolveu usar a força bruta contra os caminhoneiros que bloqueiam as rodovias federais do RS. Uma guarnição da Força Nacional de Segurança Pública foi deslocada para o Rio Grande do Sul e pode dar apoio ao desbloqueio do tráfego em rodovias como a BR-101, em Três Cachoeiras. Eles agirão por determinação de qualquer juiz federal. A Justiça Federal concedeu hoje mais três liminares a favor do Sindicato da Indústria de Laticínios para liberação de trechos nas BR-285, BR-344, BR-158, BR-392 e BR-386, na região de Santa Maria. 17 ações foram protocoladas até o momento na Justiça Federal que determinou desbloqueios em rodovias de 13 regiões do Estado. 

O cenário é explosivo e dramático na região de Três Cachoeiras, vizinhança de Torres, onde já ocorreram graves incidentes. 

A tropa, cujo efetivo não foi informado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) está de prontidão mas só deverá agir mediante solicitação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

A Senasp, por meio de nota, confirmou a presença da tropa em solo gaúcho, mas não forneceu maiores detalhes. Confira a íntegra do texto:

A Força Nacional de Segurança Pública teve equipes deslocadas para os estados do Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul para dar apoio à Polícia Rodoviária Federal, caso seja necessário, na desobstrução de rodovias em que se faça necessário, cumprindo decisão judicial.

De nada adiantou o acordo firmado entre o governo federal e representantes dos caminhoneiros, na tarde desta quarta-feira (26), o Rio Grande do Sul tem o maior número de bloqueios de estrada desde o início das manifestações. Nas rodovias federais, são 43 e mais 41 pontos de bloqueios nas estaduais.

OS QUATRO SUICÍDIOS - by Maria Lucia Victor Barbosa

14/02/2015


  Mario Vargas Llosa, escritor peruano e Prêmio Nobel de literatura, em artigo publicado pelo O Estado de S. Paulo em 08 de fevereiro de 2015, discorreu sobre suicídio político, que é de teor coletivo e “praticado nos países que, presos de um desvario passageiro ou prolongado, decidem empobrecer-se, barbarizar-se, corromper-se ou todas essas coisas juntas”.

Vargas Llosa cita como exemplos desse tipo de suicídio na Europa, Hitler e Mussolini “que chegaram ao poder por vias legais e um bom número de países centro-europeus que se atiraram nos braços de Stalin sem maiores pudores”. Na atualidade o escritor aponta a Grécia, “que em eleições livres acaba de levar ao poder o Syriza, um partido demagógico e populista de extrema esquerda que se aliou para governar com um pequeno grupo de direita ultranacionalista e antieuropeu”.

Como latino-americano Llosa não podia deixar de dizer que em matéria de suicídio político “a América Latina é pródiga em exemplos trágicos”. Ele analisa especialmente a Argentina na fase peronista que arruinou o país antes considerado de Primeiro Mundo, mas absteve-se de falar no atual e desastroso governo de Cristina Kirchner. Focou também na Venezuela sob o comando do caudilho messiânico, Hugo Chávez, sucedido por Nicolás Maduro “que embora inepto para tudo o mais, na hora de fraudar eleições, encarcerar, torturar e assassinar opositores,” não vacila.

Sem dúvida a América Latina é pródiga em suicídios políticos e muitos outros exemplos podem ser dados. Entre eles o do Brasil que recentemente cometeu quatro suicídios políticos ao eleger petistas.

 Lula da Silva foi presidente de direito durante dois mandatos e presidente de fato na gestão de Dilma Rousseff, assim continuando no mandato que ora se inicia. E ele não pretende apear do cargo mais alto da República, pois avisou que já está a postos para dar continuidade ao seu longevo poder, em 2018.

Esta sequência que visa à hegemonia petista confirma a profecia de José Dirceu, o Bob como é conhecido nas lides criminosas do petrolão e que praticamente está livre da Papuda depois de ter sido o cérebro do esquema igualmente criminoso do mensalão. Talvez, os 20 anos previstos por Dirceu ainda sejam poucos.  Quem sabe ele próprio retome a carreira interrompida e entre em campanha para se eleger presidente da República em 2022. Afinal, a propensão para suicídios políticos na América Latina é arraigada.

A questão é que os caminhos da vida e das sociedades ainda são mutáveis, imprevisíveis e complexos, antes que os avanços tecnológicos confirmem um mundo inteiramente controlado que aparece nos livros e filmes de ficção.  No nosso caso o dinamismo social, político e econômico está trazendo complicações que se antepõe ao projeto petista de poder.

 O primeiro mandato de Lula da Silva foi fácil. Ele singrou nas águas da estabilidade econômica obtida pelo Plano Real de FHC. Pareceu excelente para os pobres das bolsas esmola e para os ricos banqueiros, empreiteiros, enfim, para a “dona zelite” que lucrou como nunca antes nesse país. O período foi cantado em verso e prosa pelo ególatra, tido pelo povo como um operário pobrezinho que logrou chegar lá. Contudo, no decorrer do tempo o partido autointitulado como o único ético, puro, aquele que vinha para mudar o que estava errado, extrapolou em escândalos de corrupção e na incompetência governamental.

Nos quatro anos de Rousseff o processo de arrebentar a economia se consumou, o que pode ser simbolizado pela devastação da Petrobras assaltada pelo PT e companheiros. Como não podia deixar de ser caiu vertiginosamente a aprovação da criatura, enquanto no Congresso surgiu uma verdadeira oposição liderada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Para piorar, o desenrolar da operação Lava Jato vai se aproximando perigosamente de Lula da Silva e de Rousseff.

Como não podia deixar de ser, o presidente de fato entrou em campo. Junto com o ministro da Justiça e outros tenta influir na Operação Lava Jato para anular as delações feitas. Pede também o impossível a Rousseff: que ela seja simpática e dialogue com os partidos, com os movimentos sociais, com governadores e prefeitos.

Lula pode até conseguir algumas coisas, exceto mudar instantaneamente a insatisfação popular com a economia e controlar a ação judicial contra a PTbras aberta por acionistas americanos que se sentiram roubados.

Lembra um amigo meu, que um bilionário chamado Madoff deu um gigantesco golpe em investidores americanos.  Em dois anos foi julgado, condenado e preso nos Estados Unidos. Hoje, aos 80 anos, trabalha na lavanderia da prisão. Se viver mais 30 anos, sairá, mas é pouco provável. Vai ver, que o grande temor de Lula, Rousseff e demais companheiros é a lavanderia, único meio de impedir que brasileiros cometam outro suicídio politico.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga


SEM SAÍDA, EMPREITEIROS DA CAMARGO CORRÊA CEDEM E ACEITAM FAZER DELAÇÃO PREMIADA GERAL, SEGURA E IRRESTRITA CONTRA OS GOVERNOS LULA E DILMA


Postado por Polibio Braga on 2/26/2015 04:26:00 PM

O juiz Sergio Moro, do Paraná, venceu a Camargo Corrêa pelo cansaço. Com seus executivos presos há mais de três meses, a empreiteira aceitou fazer um acordo de delação premiada e irá revelar esquemas de corrupção em outras áreas do governo federal, como o setor elétrico e rodoviário.

Ao que tudo indica, nada será questionado sobre a atuação da Camargo nos governos estaduais.

O furo é do jornalista Kennedy Alencar. Leia abaixo:

A Camargo Corrêa decidiu fechar um acordo de delação premiada com o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato. A expectativa dos investigadores é que a empresa dê informações sobre seus negócios com a Petrobras, mas também a respeito de outros setores da economia, como obras nas áreas de energia e estradas.

Na segunda-feira, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido de liberdade feito pela defesa de dois executivos da empresa. Foi a gota d’água para a companhia optar pela delação, caminho que já vinha analisando.

Brasil na Economist: acerto só no diagnóstico

O ANTAGONISTA

O plano petista de "regular a imprensa" terá de abranger os jornais e revistas em língua inglesa. Depois do Financial Times e da Time, a revista The Economist desta semana traz uma grande reportagem sobre o Brasil intitulada "O atoleiro do Brasil".
A Economist diz que:
a) A outrora estrela latino-americana está na pior bagunça desde o início dos anos 90.
b) Na campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff vendeu um falso retrato da situação brasileira
c) A estagnação está em vias de se tornar uma recessão provavelmente longa
d) O vasto escândalo de corrupção da Petrobras paralisou os investimentos na economia
e) A desvalorização do real adicionou 40 bilhões de dólares a mais nas dívidas de curto prazo das empresas brasileiras no exterior
f) Para sair do atoleiro, seria necessário ter uma liderança forte, mas Dilma Rousseff é fraca. Além de vencer a eleição por uma margem estreita de votos, a sua base política está rachando, assim como está caindo a sua taxa de aprovação entre os cidadãos
g) O Brasil criou os seus próprios problemas, porque o governo adotou um "capitalismo de estado tropical", que combina frouxidão fiscal, contas públicas nebulosas e uma política de enfraquecimento da indústria
Ainda assim, a Economist diz que o Brasil tem condição de sair do atoleiro, porque tem um setor privado grande e diversificado e instituições democráticas robustas. A revista também afirma que a fraqueza de Dilma Rousseff faz do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, uma figura indispensável, e que ele deveria construir pontes com o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara (kkk, rsrsrs, hahaha). Precisamos apresentar o correspondente da Economist a Aloizio Mercadante, José Eduardo Cardozo, Luís Inácio Adams, Aroldo Cedraz, entre outros representantes dessa gente inzoneira que está pulverizando as instituições brasileiras, a fim de salvar Lula e Dilma Rousseff, e levando de roldão a economia brasileira.
A Economist acerta no diagnóstico e erra no tratamento. Só o impeachment da atual presidente tirará o país do atoleiro.
Dá para chamar o impeachment?