sábado, 28 de setembro de 2013

Enquanto ainda não queimam livros, os mascarados do Bloco dos Pelados vandalizam museus e catedrais em Porto Alegre

sexta-feira, 27 de setembro de 2013


A foto ao lado é de Eduardo Rosa, da Agência RBS, disponibilizada no site www.zerohora.com.br


Da mesma forma que o general franquista Millán Astray proclamava em alto e bom som a consigna de guerra "Viva a Morte", os mais ostensivos ativistas do Bloco dos Pelados de Porto Alegre parece praticar outro tipo de consigna, algo como "Queimem a cultura". Como se sabe, na década de 30 os nazistas queimavam livro em praça pública, como forma simbólica de demonstrar que também estavam queimando todas as demais manifestações culturais, inclusive museus e catedrais, como fizeram os ativistas do Banco dos Pelados nesta quinta-feira a noite em Porto Alegre. 
. A este extremo de fascio-comunismo já chegaram cidadãos jovens mascarados de Porto Alegre, que usam a liberdade para acabar com ela. 
. A foto ao lado é de ataques ao Museu Júlio de Castilhos, quibnta-feira a noite.
. O governo estadual, que no início das manifestações do bando chegou a receber suas lideranças no gabinete do governador, avisou nesta sexta que vai agir.
. A ação só sairá agora, depois que os ativistas do PT foram expulsos do Bloco dos Pelados.
. Os mascarados poderão ser presos, segundo o governo.
. O que se espera é que o governo cumpra a sua parte, que é a de proteger o povo e o patrimônio público e privado.

. A CPI do Bloco dos Pelados, em andamento na Câmara, ao desvendar as ações do Bloco dos Pelados e a origem dos recursos financeiros que usa, poderá fazer o restante, que é desmascarar os mascarados de uma vez por todas.

Transcrito do Blog do Polibio Braga

Juíza federal diz que mensalão tucano é igual ao do PT


André Richter
Agência Brasil
Na mesma sentença em que condenou o ex-diretor do Banco Rural Nélio Brant Magalhães a nove anos e nove meses de prisão, por gestão fraudulenta e gestão temerária de instituição financeira,a juíza Camila Franco e Silva Velano, da 4ª Vara Federal em Belo Horizonte, destacou que os fatos denunciados pelo Ministério Público em Minas Gerais são idênticos às denúncias investigadas na Ação Penal 470, o processo do mensalão, que está no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Os fatos narrados na denúncia subsumem-se completamente àqueles descritos na Ação Penal nº 470, tidos como atos de gestão fraudulenta. Mesmo que a fraude aqui narrada refira-se ao chamado mensalão mineiro, não se pode dissociar as condutas dos dirigentes do Banco Rural neste esquema daquelas descritas no mensalão apurado no STF”, disse.
Na sentença, a juíza também declara que a forma de atuação, por meio de esquemas de empréstimos fraudados, teve origem em 1998. “O que se nota na narrativa do MPF é que aquela instituição [Banco Rural], desde 1998, por meio do mesmo modus operandi, concedeu empréstimos fraudulentos às empresas ligadas ao senhor Marcos Valério Fernandes de Souza, com vistas ao repasse de recursos a partidos políticos. Assim, a fraude aqui narrada não pode ser descontextualizada daquela descrita na Ação Penal nº 470, mesmo porque o esquema engendrado pelos acusados na Ação Penal nº 470 parece ter tido sua origem na experiência fraudulenta dos contratos de mútuos firmados em 1998. A diferença, caso existente, dá-se somente em relação aos destinatários dos empréstimos”,argumentou.
Na mesma decisão, os réus José Geraldo Dontal, Paulo Roberto Grossi, Wellerson Antônio da Rocha e Caio Mário Álvares foram absolvidos por falta de provas.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

CHARGE DO JADER


Esta charge do Jader foi feita originalmente para o

PINTURA DO DIA - Van Gogh, Vincent (1853-1890) - 1889 Joseph-Etienne Roulin


Enfim, a auditoria do tribunal de contas


Pode ser que agora, sem dentes quebrados, funcione o pente-fino que pode explicar o peso absurdo da folha do funcionalismo nas receitas do Estado
O TRIBUNAL DE CONTAS do Estado anuncia uma nova operação pente-fino na folha de pagamento da administração pública. O trabalho deve ser consequência da falta de respostas convincentes do levantamento anterior, determinado em 2009 pelo então presidente João Osório, na metade de sua complicada gestão. Se cumprida aquela determinação, o resultado parece não ter sido satisfatório, talvez por diversos dentes do pente estarem quebrados. 

NO ENTANTO, QUALQUER que seja o motivo da demora, o retrabalho continua importante para ajudar a clarear o maior absurdo da gestão do chão farroupilha, que é a apropriação pelo funcionalismo, mais o custeio da máquina, de 85% da receita própria líquida gerada pelos tributos que pagamos. Tão absurdo que resta 1% do Orçamento para investimentos em favor dos cidadãos, e daí se percebe a causa imediata de riograndenses morrerem às portas de hospitais por falta de leitos para internamento. 

SE DENTES DO PENTE não estiverem quebrados, o tribunal levantará (e divulgará, espera-se) dados relevantes sobre as contas públicas, até agora desconhecidos de quem paga a conta. Em especial sobre as despesas com os servidores ativos e inativos, aqui incluídos os salários acima do teto legal nos três poderes, ilegalidade que é do conhecimento da corte de contas, como ficou claro esta semana em Brasília, de parte do Tribunal de Contas da União. 

A CORTE FEDERAL resolveu cumprir o seu papel e revelou pagamentos ilegais e imorais no Senado, cuja Mesa Diretora mandou pagar, nos últimos cinco anos, o equivalente a R$ 157 milhões/ano em remunerações indevidas; na Câmara dos Deputados, o rombo é maior, R$ 517 milhões/ano. Infelizmente, prezados leitores, nada leva a crer que aqui não sejam pagas horas extras anormais, jornadas de trabalho menor que as contratadas, acúmulo irregular de cargos e de aposentadorias, e supersalários, acima do teto fixado no artigo 37 da Constituição da República. 
Transcrito do Blog do Erico Valduga

Mais The Economist: revista critica pizza de queijo por US$ 30 e hotel fedorento de US$ 250 no Brasil


Posted: 26 Sep 2013 06:49 PM PDT

A revista The Economist publicou artigo nesta quinta-feira criticando o preço dos produtos e serviços no Brasil. Segundo a publicação, é chocante lembrar como uma visita ao Brasil nos últimos anos custa caro, destacando que uma pizza de queijo em São Paulo custa US$ 30 e uma noite em um hotel "fedorento e sem janelas no Rio de Janeiro" sai por US$ 250. Além disso, a publicação destaca que o "Brasil é surpreendentemente fraco para o dinheiro", destacando que eletrodomésticos e carros no Brasil custam pelo menos 50% a mais que em outros países onde a renda é semelhante.

A revista diz que as causas para o problema de custo no Brasil são muitas, "começando pelos impostos". A carga tributária no país é muito mais pesada que em outros países em desenvolvimento, além de lembrar que os impostos sobre os salários dos brasileiros são maiores na comparação com qualquer outra grande economia. Segundo o artigo, com o consumo fortemente tributado, um consumidor brasileiro paga até 45% a mais do que um mexicano por um caro fabricado no Brasil. As altas tarifas também aumentam o preço de smartphones, fazendo com que custem 50% mais caros que nos Estados Unidos.

"A complexidade do código tributário também eleva os custos", diz a revista, afirmando que o brasileiro gasta quase dez vezes mais de tempo para preencher a declaração de Imposto de Renda do que a média global.

A lobista que me amava, por Carlos Willian Leite

 Transcrito da Revista Bulla

Lembro-me bem de como eu sentia uma pontinha de inveja do Augustinho nos tempos de colégio, no final dos anos 70. É que Augustinho era o único pirralho que possuía tênis All Star, motorista particular e guarda-costas. Eu ia a pé pra escola, na guarda do bom e enigmático Deus, do meu irmão mais velho e de um trevo de quatro folhas enfiado à força dentro da carteira (coisas de mãe, vocês sabem).
Filho do Governador do Estado, Augustinho sempre namorava as meninas mais bonitas da escola, de preferência, as mais ricas, porque rico gosta de namorar rico, é uma atração natural. Eventualmente, em situações de puro vacilo — só por sacanagem, só pra descarregar a serpentina e cair fora — um homem rico come uma mulher pobre.
Por que motivo Augustinho cismava em colar em mim, justo em mim, filho de bancário com professora de escola pública (pai, mãe, eu amo vocês!), eu não saberia explicar. Pra me comer é que não era (graças ao Pai...). Acho que era porque, naquele tempo, eu ainda escrevia poesia e Augustinho, apesar de possuir as chaves do cofre, era burro como uma porta.
Eu levava pão com mortadela dentro da lancheira; Augustinho torrava vinte paus com empadinhas de camarão e coca-cola. Nas aulas de Educação Física, eu jogava bola calçando o famoso, popular e baratíssimo tênis Kichute; Augustinho driblava sem se desfazer da calça de linho e do sapato social de bico fino (“uma puta blasfêmia”, os meninos diziam). Escoradas no alambrado, as garotas suspiravam ao vê-lo errar mais um gol. O sujeito, além de burro, como eu já disse, era grosso que só.
Eu fazia as tarefas de casa; Augustinho as copiava no banheiro da escola. Eu estudava os conteúdos das matérias; Augustinho colava tudo de mim nas provas. Eu levava uma maçã pra professora; Augustinho me aparecia com um pacote de waffles sabor baunilha (o que, diabos, seria baunilha, nenhum professor jamais me explicou).
Eu usava um lápis Faber Castell número 2; Augustinho ostentava a sua Mont Blanc, presente da falecida avó. Nas férias, eu ia pescar e andar a cavalo na roça; Augustinho esbaldava-se com as turkey legs e as montanhas russas da Disney. Eu passava de ano; Augustinho, idem. Então, deveria estar tudo certo, certo?
Apesar de não vê-lo há anos desde que nos formamos no ginasial, quando eu soube que Augustinho se encontrava preso numa cela da Polícia Federal, tive um sentimento inusitado, senti uma estranha misericórdia por ele (que Augustinho não leia este texto e não descubra este pormenor, que, certamente, o fará se sentir deveras diminuído).
Não sei o que me deu na cachola, mas passei pelo antigo Mercado Municipal, no centro da cidade, que vendia umas empadinhas deliciosas, e comprei umas quatro de camarão, além, é claro, da velha e gelada coca-cola, sem a qual é absolutamente impossível se viver neste mundo, né mesmo?
Conversei com Augustinho pelo telefone, separados por uma divisória de vidro, e a situação constrangedora me lembrou logo uma cena do filme “O Expresso da Meia Noite” de Alan Parker, na qual o protagonista, uma vez trancafiado, esfrega-se libidinosamente na divisória de vidro da sala de visitas, ensandecido de tesão pela namorada que levanta a blusa do outro lado. Não. Eu não quis excitar o Augustinho, até porque, apesar de tão diferentes, ainda guardávamos certa consideração um pelo outro, e ambos gostávamos — e gostamos — de mulher.
Mas acabei deixando o Augustinho excitado noutro sentido, pois o sujeito, ao me reconhecer, desandou a chorar que nem mulherzinha (faço questão de usar esta expressão machista, pejorativa, pois era assim que ele falava pra mim naqueles longínquos anos de escola). “Qué-qué-isso, Augustinho?”, eu perguntei a desaprovar aquele pastelão.
O pai de Augustinho, o Doutor Augusto (rá-rá-rá...), já não era mais o Governador do Estado, muito menos um doutor, diga-se de passagem, pois estudara quase nada na vida, embora tivesse se tornado um pecuarista indecentemente rico. Ele dizia gostar mais do cheiro de bosta de vaca do que de perfume francês, porque bosta de gado, no caso dele, era igual a dinheiro.
Acontece que Papai Augusto já tinha morrido há tempos e Augustinho, que era filho único, acabou levando uma ré danada na vida, ao dilapidar praticamente todo o patrimônio material, já que o moral e o ético, já tinham definhado primeiro que a grana.
Uma vez que sabia fazer quase nada, a não ser malhar o corpo nas melhores academias da cidade e jogar poker com seus amigos igualmente abonados, Augustinho viu-se, de repente, numa situação em que era preciso tomar uma providência, já que os trocados para tomar uísque estavam praticamente na guimba.
Vocês sabem: o dinheiro — o excesso de dinheiro — torna as pessoas bastante populares. Então Augustinho cismou em se candidatar a deputado federal pelo mesmo partido conservador do falecido pai. E não é que deu liga?
Conluiado, patrocinado por um grupo de empresários de cassinos camuflados subterrâneos, Augustinho acabou sendo um dos mais votados no último pleito. Morando num apartamento funcional em Brasília, gentilmente cedido pelo erário, Augustinho se sentia muito bem, mas muito bem mesmo. A sorte voltara a sorrir para ele, depois de um curtíssimo período de turbulências financeiras. Ao menos, durante o período de mandato, estava com a vida ganha. Se fizesse tudo direitinho, se rezasse obediente a cartilha do cartel da jogatina, estaria com o futuro garantido.
Mas Augustinho levou outra bordoada: o amor... Ah, o amor... Seu erro foi se afeiçoar pela Lulu — a Luciana Hustler, uma ex-miss, ex-modelo, ex-bê-bê-bê, excomungada lobista sedutora ao estilo “desmancha casamento” (vai ser gostosa assim lá no Congresso Nacional, meu chapa!) — que maquinava a serviço de outro segmento do crime organizado, desta feita, um grupo de carcamanos canarinhos que fraudava a Previdência Social, com a apoio de vereadores, deputados, prefeitos e do próprio belzebu.
Resumo da estória: a quadrilha foi desbaratada; a casa caiu; Augustinho foi pra cadeia num camburão; eu fui pra casa a pé declamando Drummond. Assim é a vida.