quinta-feira, 18 de julho de 2013

HÉLIO CHAVES - 'Poligrejas' juntos e misturados


Extraído da internetBrasil um país de partidos e igrejas. Há muita diferença? Se surge incompatibilidades dividem-se e multiplicam-se. Dos litígios emergem novos grupos e lideranças que se unem pela fé ou má-fé. Seguidores adestrados servem cúpulas dominantes que controlam as organizações. O tempo passa, ideologias e crenças se renovam na roda da promiscuidade onde nada se perde e tudo se transforma!
Estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 30 partidos aptos a apresentar candidaturas e concorrer nas eleições brasileiras. E a "REDE" vem ai. Se comparado à Argentina, nosso número de legendas é infinitamente menor. Registros apontam a existência de aproximadamente 710 partidos habilitados na Câmara Nacional Eleitoral argentina. Nos Estados Unidos existem vários partidos, mas o revezamento no poder se dá entre Democratas e Republicanos.
Talvez não seja possível calcular exatamente o número de religiões mundo afora, mas, pelo visto, o número de seitas, só no Brasil, daria de goleada no número de legendas argentinas. Aqui somos laico-religiosos-partidários, está tudo "junto e misturado", como dizem. Faz parte dos sistemas democráticos, mas é uma confusão "dos diabos", o que torna impossível, hoje, alguém se atrever em separar o joio do trigo.
Dizem que futebol, política e religião não se discute. Há controvérsias e tenho cá minhas dúvidas, mas não seria prudente meter a mão nessa cumbuca. Melhor ficar na simplória análise: se um partido ou ajuntamento de partidos está no poder há muito tempo, alguns "entendidos" dizem que "monopolizaram a democracia". Porquê? Por não dividir o bolo do poder com opositores. Sendo assim, se uma religião, seja qual for, assume a dianteira em número de templos, fieis e fortuna, então não seria ela o monopólio da fé, ou má fé?
Ambas as organizações devem fazer bem aos grupos de crenças e de pensamentos. Portanto, devem ser respeitadas, assim como as minorias no meio de tudo isso, mesmo quando tudo está misturado. As igrejas e seus "líderes" conduzem os rebanhos. Os partidos e seus "homens públicos" os currais.
Quando as duas coisas caminham juntas causam um mal social maior, pois manipulam simultaneamente a boa fé e a alienação, para crescer ou se perpetuar no poder, seja do Céu ou da terra. Partidários seguem os rigores de cartilhas ideológicas. Fiéis os rigores das escrituras sagradas, muitas vezes interpretadas a bel-prazer. Em meio a tantos descalabros estão muitos, que como "cegos em tiroteio" defendem quinhões dos quais fazem parte. Praticantes da fé criticam o de outra fé. Políticos da situação apedrejam os da oposição e vice-versa. Seja qual for o jogo a ser jogado o que importa são os dividendos.
Lula, Hugo Chavez, Evo Morales, Cristina Kirchner e outros, foram ou são taxados como populistas por fazerem discursos ou implantarem políticas que agradam ou agradaram boa parte da população de seus países. Então, o que dizer dos donos da boa oratória, que se valem do poder de divindades nas pregações religiosas para agradar ou iludir aflitos?
Nesse vale-tudo, portas são escancaradas para que espertalhões façam grilagem aqui na terra e lá no Céu. No mundo relegioso-empresárial da fé, as grilagens celestiais são feitas com promessas do tipo "façam aqui e receberão lá". Se há cartórios celestiais devem estar abarrotados com pilhas e pilhas de notas promissórias enviadas desse plano, que se puderem ser cobradas um dia, será no outro plano!
Já os partidos e seus "homens probos" nada fazem de concreto para dar cabo aos problemas crônicos que afetam a população, banir do nosso meio os maus políticos ou acabar com a fome que bate à porta de estômagos que não são os seus. Pelo visto as vozes roucas das ruas duraram pouco, já emudeceram ou foram reduzidas a 20.
Nos templos a vontade de Deus é a explicação para todas as mazelas vividas pelos fieis e muitos discursos são uma verdadeira afronta às escrituras sagradas. No entulho político, rios e mais rios de dinheiro são gastos em propagandas institucionais para acobertar malfeitos ou promessas esquecidas por quem não respeita, sequer, a Carta Maior.
Em meio ao turbilhão político-religioso-empresarial, o que vinga e dá frutos ruins para um lado e bons para outro são as oratórias dos tribunos que prometem matar a fome e a cede da carne e do espírito pela boca ou pelos ouvidos. Fazer o quê se ainda há quem acredite em estrelas "cadentes"?
As ruas exigiram, entre outras coisas, o fim da imunidade parlamentar, educação de qualidade, saúde pública padrão Fifa, segurança e principalmente respeito a todos os brasileiros. Eu acrescentaria mais uma reivindicação: o fim da imunidade tributária religiosa. Ali também circulam muitos dobrões sem qualquer prestação de contas aos fieis, bem como ocorre no meio político, que está se lixando para o povo!
Hélio Chaves é jornalista colaborador da Rádio do Moreno

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