quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Os Nabis: Zéfiro transportando Psiché para a Ilha das Delícias (1908)


OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA


Os Nabis não se dedicaram apenas à pintura. Na verdade, seu maior interesse era o design. O estilo do grupo corria paralelo ao movimento art nouveau, e ambos tinham laços com o Simbolismo. Mas além da pintura e escultura, eles se dedicaram à impressão em papel, madeira ou tecido, ao desenho de cartazes, à ilustração de livros, a criar estampas para têxteis, à arte de criar móveis e à cenografia.
Eles se viam como “iniciados” e usavam um vocabulário particular. Chamavam um estúdio de “ergasterium” e terminavam suas cartas com as letras “E.T.P.M.V. et M.P.” que significavam "En ta paume, mon verbe et ma paume" (‘Na palma de tua mão, minha palavra e minha palma’, ou seja, minha confiança).
Maurice Denis era um dos Nabis. Depois que o grupo se dissolveu fez carreira independente e de sucesso. 
Autor de "As Teorias”, anotações de 1920 a 1922, Denis recapitula as intenções dos Nabis, mesmo depois delas já terem sido superadas pelos fauvistas e pelo cubismo. A mais célebre é a que diz ser a pintura “uma superfície plana coberta por cores reunidas numa certa ordem”, o que agradava em cheio aos modernistas.


Denis nasceu em novembro de 1870, numa cidade costeira, na Normandia. As águas e os temas bíblicos seriam sempre seus assuntos favoritos. Para um homem tão envolvido com o movimento avant-garde, Denis tinha convicções religiosas profundas, que nunca abandonou.
Num de seus cadernos, quando estava com 15 anos, ele escreveu: "Sim, é necessário que eu seja um pintor cristão, que eu celebre todos os milagres da Cristandade, sinto que isso é necessário”.
Denis, após a dissolução do grupo Nabis, dedicou-se a pintar murais e figuras religiosas. Em 1922, publicou “Novas teorias sobre a arte moderna e sobre a arte sacra”.
Na maturidade seus trabalhos incluíram muitas paisagens e retratos, especialmente de mães e filhos.
Mas os temas religiosos continuaram a ser seu maior interesse, como se pode constatar em “A dignidade do trabalho”, de 1931, encomenda da Federação dos Trabalhadores Cristãos para decorar a escadaria principal do Centro William Rappard.
Casado com Marthe, com quem teve sete filhos, enviuvou e dois anos depois se casou com Elizabeth, com quem teve mais dois filhos. Morreu em Paris, de ferimentos resultantes de um acidente automobilístico, em novembro de 1943.
Óleo sobre tela, de 1908, painel n° 2 sobre a História de Psiché, 395 x 267,5 cm.

Acervo Museu Hermitage, São Petersburgo

Nenhum comentário:

Postar um comentário