terça-feira, 7 de agosto de 2012

Em memória a um herói (Artigo publicado no jornal Correio Braziliense de 7 de agosto de 2012) Por: Rafael Eldad, Embaixador de Israel no Brasil



Em 2012 celebramos os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg. Cabe a todos nós recordar a história de seus esforços durante o Holocausto e ensiná-los às próximas gerações, para que o seu heroísmo não seja esquecido.
Wallenberg nasceu na Suécia e estava destinado a ter sucesso na vida, mas escolheu salvar a vida de milhões de estrangeiros. Na primavera de 1944, o mundo ocidental viu de perto os horrores do Holocausto, quando os relatos de testemunhas do campo de extermínio de Auschwitz foram divulgados. À época, os EUA estabeleceram o Conselho de Refugiados de Guerra, cujo objetivo era salvar os judeus. Raoul Wallenberg decidiu então assumir a missão do conselho, em Budapeste, de salvar os judeus da Hungria, a partir dos campos de extermínio nazistas.
Uma de suas primeiras tarefas foi projetar um "passe sueco de proteção". Ele conhecia a fundo a burocracia nazista e sabia que documentos oficiais com carimbos, assinaturas e o brasão da Suécia imporiam respeito. Conseguiu negociar uma cota de 4.500 passes com as autoridades húngaras, mas emitiu três vezes mais.
Wallenberg também abriu as Casas Suecas, onde os judeus se esconderiam. Protegidos apenas por uma bandeira e pela declaração de Wallenberg de que esses edifícios eram território sueco, cerca de 15 mil judeus conseguiram refúgio. Posteriormente, missões diplomáticas de outros países seguiram seu exemplo.
Mesmo com a guerra chegando ao fim, o extermínio dos judeus continuava. O oficial nazista Adolf Eichmann, responsável pela "Solução final" dos judeus europeus, instituiu a marcha de deportação da Hungria. Dezenas de milhares de famintos judeus foram forçados a marchar por centenas de quilômetros no inverno rigoroso, com muitas mortes no caminho. Entretanto, Wallenberg não ficou indiferente diante desse crime horrendo. Ele perseguiu as marchas em seu carro, distribuindo alimentos, roupas, medicamentos e os passes de proteção. Usando ameaças e subornos, salvou os judeus que possuíam documentos suecos, levando-os de volta a Budapeste.
Quando deportações ocorriam por trem, Wallenberg exibia uma coragem extraordinária, escalando em vagões destinados a Auschwitz, distribuindo passes de proteção para os judeus já dentro do trem. Ele então exigia que esses judeus, com os passes, fossem retirados dos trens.
Eichmann também planejava o massacre de todos os judeus do gueto maior. Wallenberg descobriu a trama e entrou em ação. Ameaçando responsabilizar o comandante em chefe das tropas alemãs na Hungria, o general August Schmidthuber, ele conseguiu cancelar o massacre no último minuto: 120 mil judeus húngaros foram salvos.
Após a guerra, Wallenberg deveria ter retornado à Suécia como herói, mas em 17 de janeiro de 1945 ele foi escoltado por tropas soviéticas ao quartel-general militar a leste de Budapeste. Em seu caminho, disse a um amigo que não tinha certeza se estava indo para ser hóspede ou prisioneiro. Raoul Wallenberg desapareceu naquele dia e seu verdadeiro destino nunca foi revelado.
Entre os anos de 1944 e 1945, quando a Europa foi presa em um véu de escuridão, os feitos de Wallenberg brilhavam como um raio singular de esperança. É por isso que o seu legado vive em todas as nossas memórias e gerações de judeus estão vivos hoje graças aos seus esforços.
Comemorando os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg, devemos nos lembrar do seu legado para a humanidade. Wallenberg, assim como o Holocausto, nunca deve ser esquecido.

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