quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Imperialismo Muçulmano Chega às Nações Unidas

  • A UNESCO juntou forças com o Estado Islâmico. Os fundamentalistas já contam com uma nova arma: resoluções aprovadas pelos subservientes órgãos internacionais.
  • Um atraso anterior, fora a oposição da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, haviam despertado esperanças que esta atitude jihadista, bárbara, injusta e francamente de um chauvinismo arrogante poderia ser rejeitada. Mas não foi. Agora uma nova mentira foi sancionada pela maior e mais irresponsável organização do planeta, cuja função é a de preservar lugares consagrados e não de distorcê-los.
  • As mentiras utilizadas pela UNESCO para reescrever a história, apagando todos os vestígios do judaísmo e do cristianismo em favor de uma fantasia extravagante do jihadismo islâmico já estavam em andamento em 2015. A UNESCO, fraudulentamente, renomeou dois milenares lugares bíblicos judaicos: o Túmulo de Raquel e o Túmulo dos Patriarcas como lugares islâmicos. Historicamente, o Islã sequer existia até o século VII.
  • Esta é a história do Islã, como se apodera − tanto por meio da jihad violenta quanto da jihad light (usurpando a história, a migração "Hégira", infiltração política e cultural) e intimidação (jihad light com a ameaça velada da jihad violenta). O mais triste é que muitas vezes, assim como nesta votação, isto é imposto com a cooperação e a submissão voluntária do Ocidente.
  • Antes que as Nações Unidas, com seus blocos de votação autoritários, antidemocráticos, terminem de erradicar a civilização ocidental judaico-cristã, o que ela está claramente tentando fazer, vale dizer que já está mais do que na hora das democracias ocidentais saírem correndo, não simplesmente andando, antes que ela lhes cause ainda mais danos, como certamente promete fazê-lo.
No último mês de agosto a UNESCO programou uma votação sobre o status histórico do Monte do Templo em Jerusalém e do adjacente Muro das Lamentações. Naquela época o autor deste artigo afirmou que o plano da UNESCO era negar o elo judaico ao mais importante de todos os lugares sagrados dos judeus, de jogar no lixo uma história que remonta milhares de anos e declarar que tanto o Monte quanto Muro são lugares islâmicos.
O Islã acredita que é eterno e consequentemente precedeu as outras duas grandes religiões monoteístas, o judaísmo e o cristianismo, muito embora tenha emergido para o mundo através de Maomé no século VII d.C, mas com o direito de destronar as duas religiões mais antigas.
As mentiras utilizadas pela UNESCO para reescrever a história, apagando todos os vestígios do judaísmo e do cristianismo em favor de uma fantasia extravagante do jihadismo islâmico já estavam em andamento em 2015. A UNESCO, fraudulentamente, renomeou dois milenares lugares bíblicos judaicos: o Túmulo de Raquel e o Túmulo dos Patriarcas − abracadabra − lugares islâmicos
Historicamente o Islã sequer existia até o século VII.
Esta é a história do Islã, como se apodera − tanto por meio da jihad violenta quanto da jihad light (usurpando a história, a migração "Hégira", infiltração política e cultural) e intimidação (jihad light com a ameaça velada da jihad violenta). O mais triste é que muitas vezes, assim como nesta votação, isto é imposto com a cooperação e a submissão voluntária do Ocidente.
O Túmulo dos Patriarcas em Hebron passa a ser de agora em diante, de acordo com esta organização altamente comprometida, teoricamente a "Mesquita Ibrahimi" e o Túmulo de Raquel em Belém se tornou a "Mesquita Bilal ibn Rabah", muito embora ela jamais poderia ter sido uma mesquita. Como diz o ditado, "chamar um gato de porco não o torna um porco".

A mais recente resolução da UNESCO de negar qualquer elo dos judeus ao Monte do Templo em Jerusalém, o mais central de todos os lugares sagrados judaicos, não foi a primeira que a organização tentou reescrever e falsificar, uma história que remonta milhares de anos. A UNESCO havia declarado anteriormente o Túmulo dos Patriarcas em Hebron (esquerda) como "Mesquita Ibrahimi" e o Túmulo de Raquel em Belém (direita) como a "Mesquita Bilal ibn Rabah". (imagens: Wikimedia Commons)

Desta vez a nova mentira foi sancionada pela maior e mais irresponsável organização do planeta, cuja função é a de preservar lugares consagrados e não de distorcê-los.
Em 13 de outubro a notícia transmitida foi a de que a UNESCO havia aprovado, por maioria, esse estupro da história bíblica e arqueológica. Na terça-feira seguinte, a resolução foi aprovada pelo Conselho Executivo das Nações Unidas. Se a maioria da organização, no entanto, é formada por membros da Organização de Cooperação Islâmica (OIC, um bloco composto de 56 países islâmicos além da "Palestina", provavelmente o maior bloco da ONU), um resultado fraudulento como este não deveria causar nenhuma surpresa.
Um atraso anterior fora a oposição da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, haviam despertado esperanças que esta atitude jihadista, bárbara, injusta e francamente de um chauvinismo arrogante poderia ser rejeitada. Mas não foi. Após a votação, Bokova emitiu um comunicado de grande impacto condenado-a, ressaltando entre outras coisas o seguinte:
"A herança de Jerusalém é indivisível e cada uma das suas comunidades tem o direito do reconhecimento explícito de sua história e relacionamento com a cidade. Negar, ocultar ou apagar qualquer uma das tradições, seja ela judaica, cristã ou muçulmana compromete a integridade do lugar e vai contra os desígnios que justificaram sua inscrição na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
"Em nenhum lugar do mundo além de Jerusalém as heranças e tradições judaicas, cristãs e muçulmanas compartilham espaço e se entrelaçam a ponto de darem suporte umas às outras. Essas tradições culturais e espirituais têm como base de apoio textos e referências conhecidos por todos, que são parte intrínseca da identidade e história dos povos".
De agora em diante tanto o mundo dos cristãos quanto o dos judeus terão que lidar com as ramificações da resolução, a primeira delas é que todas as democracias teriam que ser racionais o suficiente para abandonarem imediatamente as Nações Unidas ou no mínimo parar de financiá-la, antes que ela lhes cause ainda mais danos, como certamente promete fazê-lo.
A resolução foi proposta inicialmente à UNESCO por sete estados muçulmanos (Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã, Qatar e Sudão em nome da Autoridade Palestina − todos macacos de auditório da OIC − em outubro de 2015. Qualquer órgão respeitável com autoridade para proteger os milenares lugares sagrados a teria rejeitado categoricamente e dado aos responsáveis uma resposta daquelas.
As Nações Unidas, pais da UNESCO, têm ao longo de muitos anos, gradativa e incessantemente se mostrado menos transparente, menos prestadora de contas e sem a mínima credibilidade − do desfalque de US$100 bilhões, jamais acionada a prestar contas em relação ao escândalo petróleo por alimentos exposto em 2004, aos "mantenedores da paz da ONU" que exigiam sexo de crianças em troca de alimentos, sua incessante, maquinada perseguição a um estado membro, no caso Israel, dando ao mesmo tempo aprovações ilimitadas aos mais suntuosos violadores de direitos humanos em outras nações.
Antes que as Nações Unidas, com seus blocos de votação autoritários, antidemocráticos, terminem de erradicar a civilização ocidental judaico-cristã, o que ela está claramente tentando fazer, vale dizer que já está mais do que na hora das democracias ocidentais saírem correndo, não simplesmente andando, da ONU.
Dos 195 Estados Membros da UNESCO, 35 nações são totalmente islâmicas, outras 21 são membros da Organização de Cooperação Islâmica e quatro são Estados Observadores da OIC. Isso significa que 60 nações representam um bloco favorável às resoluções de inspiração muçulmana e, no entanto, o Conselho da UNESCO é composto por apenas 58 membros. Esse conselho aprovou a Resolução 19 com 33 votos a favor, seis contra e 17 abstenções. Gana e Turcomenistão estavam ausentes. Apenas seis países votaram contra a resolução − EUA, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Lituânia e Estônia. De forma reveladora, França, Espanha, Suécia, Rússia e Eslovênia estavam entre aqueles que a apoiaram. Não é difícil identificar a causa da maioria dos votos.
O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu rejeitou a decisão como mais uma resolução "absurda" da ONU:
"A UNESCO ignora o singular elo judaico com o Monte do Templo, o local de dois templos por 1.000 anos e o lugar para o qual os judeus oraram por milhares de anos... A ONU está reescrevendo uma parte fundamental da história humana, provando que não há profundeza de poço a que ela não possa descer".
Estão testando no limite a paciência dos judeus na Terra Santa.
A votação da UNESCO é apenas o mais recente exemplo do chauvinismo muçulmano conforme externado na demolição, redefinição e total expropriação dos lugares de culto, templos e outros edifícios ligados a outras religiões − invariavelmente religiões que precederam, e muito, o próprio Islã, incluindo o hinduísmo e budismo, bem como o judaísmo e o cristianismo. O processo começou no ano 630, dois anos antes da morte do Profeta Maomé, quando suas forças conquistaram sua cidade natal Meca. Em sua breve estadia, antes de retornar à Medina, ele ordenou que todas as 360 estátuas e imagens na Kaaba e também todas que estivessem em casas particulares fossem destruídas. A própria Kaaba, de longa data um centro de adoração pagã, foi transformada, da noite para o dia, na edificação mais importante da fé islâmica, a Quibla local para o qual os muçulmanos ainda se viram para orar cinco vezes ao dia. Ela se encontra no coração da Masjid al-Haram, a mesquita mais importante do mundo muçulmano.[1]
Os primeiros muçulmanos mais do que expropriaram a edificação para seus próprios propósitos. Eles criaram uma lenda para justificar a posse do lugar. [2]
Mas o Alcorão e a subsequente tradição muçulmana não se contentam em reescrever a história, tirando Abraão da Terra de Canaã, na longínqua Península Arábica. Eles metamorfosearam o próprio Abraão. De acordo com o Alcorão (3:67): "Abraão não era judeu (yahudian) nem cristão (nasranian) e sim um puro adorador de Deus (hanifan), em síntese, muçulmano..."
Isso faz parte de um empreendimento bem mais amplo. Na doutrina islâmica, toda religião verdadeiramente monoteísta, foi desde o início, somente o Islã. Assim, Adão foi o primeiro muçulmano e o primeiro profeta. Abraão era muçulmano e profeta. Moisés era muçulmano e profeta. Noé era muçulmano e profeta. Jesus era muçulmano e profeta. No início, todo mundo era muçulmano e todas as terras pertenciam ao Islã. No Alcorão, lê-se:
"Dize: Cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos, e no que, de seu Senhor, foi concedido a Moisés, a Jesus e aos profetas; não fazemos distinção alguma entre eles, porque somos, para Ele, muçulmanos".
Essa última frase diz nahnu lahu muslimun. A leitura pode ser entendida genericamente: "aqueles que se submetem a Deus", ou mais especificamente "nós somos muçulmanos."
A crença de que todas as verdadeiras religiões envolvem submissão a Deus e que, nesse sentido, toda verdadeira religião pode ser definida como "Islã" (literalmente "submissão"), pode ser entendida como uma declaração abrangente e unificadora, de uma verdade universal, sem prejuízo a ninguém, exceto "idólatras" como hindus e budistas.
Essa generalização foi logo esquecida quando os muçulmanos se viram competindo com seguidores de outras religiões: judeus em Medina, cristãos por todo o Império Bizantino e zoroastrianos no Irã. No início Maomé pregava sua religião em harmonia com os pontos de vista do "Povo do Livro", judeus e cristãos, que receberam de Deus suas próprias escrituras. Não muito tempo depois dele conquistar Medina, virou-se contra as três importantes tribos judaicas da cidade, expulsando duas e, em seguida, atacando a terceira, os Banu Qurayza, decapitando todos os homens e adolescentes do sexo masculino, tomando mulheres e crianças como escravas. Daí em diante, o Alcorão fica repleto de condenações aos judeus como povo e aos cristãos como corruptores das Escrituras Sagradas: "Ó fiéis, não tomeis por amigos os judeus nem os cristãos" (Alcorão 05:51)
Assim que os exércitos muçulmanos saíram em busca da conquista da Pérsia, Turquia, Grécia, Levante, todo o Norte da África, Bálcãs, Hungria, Polônia, seguiram logo conquistando Portugal, Andaluzia no sul da Espanha e outros territórios cristãos, toda a percepção de identidade com o povo do livro como, em certo sentido, companheiro muçulmano, foi por água abaixo, sendo substituído por um sentimento dhimmi em relação a eles, ou seja: submissão, cuja preservação das suas vidas e propriedades dependiam do pagamento de uma taxa de proteção (a jizya) e na concordância em viver como habitantes humilhados sob leis especiais de subjugação em terras governadas pelos califados islâmicos.
Uma das consequências desse relacionamento desigual foi a criação de inúmeras leis, incluindo vestimentas especiais com marcas de identificação que antecederam o compulsório uso da estrela de Davi amarela que os judeus foram obrigados a usar durante o Terceiro Reich de Hitler, isso sem falar que igrejas e sinagogas não poderiam ser fundadas, restauradas, reconstruídas ou ter algum tipo de destaque que pudesse competir com as mesquitas, também não poderia haver nenhum chamamento sonoro para as orações dos judeus ou dos cristãos.
Mais do que isso, a ocupação e transformação das terras de religiões anteriores − Pérsia, Turquia, Grécia, todo o Norte da África e grande parte da Europa Oriental − prosseguiram a todo vapor durante as irrefreáveis conquistas islâmicas. Em Jerusalém, duas estruturas foram erguidas no Monte do Templo (dando origem ao pedido de reconhecimento da UNESCO): a Mesquita de Al-Aqsa (Masjid al-Aqsa, "a Mesquita mais distante", embora ninguém tivesse a menor ideia de onde isso poderia ter sido, muito provavelmente na Arábia) e a Qubbat al-Sakhra, a Cúpula da Rocha, construída no lugar do suposto sacrifício de Abraão, não mais de Isaac mas agora de Ismael, progenitor dos árabes. Ambas foram construídas no primeiro século do Islã.
Não há nenhuma necessidade de listar todas as igrejas que foram transformadas em mesquitas durante os séculos seguintes. Mais notáveis são as igrejas de Hagia Sophia do Império Bizantino Cristão em Constantinopla, Eregli, Nicaea e Trebizond remodeladas em mesquitas após a conquista otomana em 1453.[3]
Nos dias de hoje, o Estado Islâmico destruiu ou transformou igrejas, santuários e outros monumentos (incluindo patrimônios muçulmanos) no Iraque e na Síria.
Devastação semelhante ocorreu sob diversos estados islâmicos na Índia, algo em torno de 2.000 templos hindus destruídos para dar lugar a mesquitas e outras estruturas muçulmanas, um destino parecido se abateu sobre outros.
Este extraordinário grau de fanatismo não é exclusividade do Islã (basta lembrar Oliver Cromwell e os puritanos na Inglaterra), mas no caso do Islã tem sido muito mais extenso e tem continuado por muitos séculos a mais.
É um puritanismo totalitário. A resolução de hoje contra a fé judaica deve ser colocada neste contexto.
Hoje, a Meca e a Medina do primeiro e segundo séculos da fé islâmica foram praticamente destruídas, não pelo Estado Islâmico ou por outra entidade radical mas pelo governo wahhabista saudita. Nas últimas duas décadas, os principais patrimônios históricos em Meca e Medina, todos relacionados à época do Profeta Islâmico Maomé e logo depois, foram destruídos ou desfigurados a ponto de nenhuma cidade ser mais reconhecível salvo a Kaaba, a Grande Mesquita em Meca e a Mesquita do Profeta em Medina. E as duas grandes mesquitas foram, elas próprias, ampliadas e modernizadas.[4]
A UNESCO colocou nomes muçulmanos em lugares judeus nas mãos muçulmanas no coração da capital de Israel, para tentar lentamente destruir o estado judeu. A UNESCO não engana ninguém.
Não irá demorar muito até que lugares sagrados cristãos e igrejas em Jerusalém, Belém e Nazaré também sejam entregues de bandeja para aplacar as forças do Islã, temerosos do que eles podem fazer não só no Oriente Médio mas na Europa e América do Norte, satisfeitos por ter alguém que finalmente tente eliminar aqueles judeus irritantes. Todos os países judaico-cristãos seriam racionais o suficiente se abandonassem as Nações Unidas ou no mínimo parassem de financiá-la... antes que seja tarde demais para eles também.
Denis MacEoin é Ilustre Colaborador Sênior do Gatestone Institute. Ele acaba de concluir o trabalho de um grande estudo sobre os interesses ocidentais em relação ao Islã.

[1] Consulte William Montgomery Watt, Muhammad at Medina, Oxford University Press, 1956, p. 69. Consulte também Yousef Meri, Ka'aba, Oxford Bibliographies Online Research Guide, Oxford University Press, 2011
[2] Há mais de uma versão deste conto, mas em linhas gerais é o seguinte: a Kaaba foi inicialmente construída pelo Profeta Adão com a ajuda dos anjos, em seguida, destruída no dilúvio de Noé e finalmente reconstruída pelo Profeta Abraão e seu filho Ismael. O próprio Alcorão apresenta a história sobre o papel de Abraão:
"Lembrai-vos que estabelecemos a Casa, (ou seja: a Kaaba) para o congresso e (local de peregrinação) local de segurança para a humanidade: Adotai a Estância de Abraão por oratório. E estipulamos a Abraão e a Ismael, dizendo-lhes: "Purificai Minha Casa, para os circundantes (da Kaaba), os retraídos, os que genuflectem e se prostram. E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo". (Alcorão 2: 125, 127)
[3] A antiga Catedral portuguesa de Tânger, agora a Grande Mesquita da cidade, a Basílica cristã de São João Batista, capturada em 634 e transformada na Grande Mesquita dos Omíadas, uma das mais antigas e considerada o quarto lugar mais sagrado do Islã, a pequena Basílica Católica de São Vicente de Lérins, após a conquista de Umayyad foi demolida para abrir caminho para a Grande Mesquita de Córdoba (restaurada como catedral, após a Reconquista em 1236). Sob os otomanos, igrejas em Chipre e na Hungria foram transformadas em mesquitas e quando colônias francesas ficaram independentes no século xx muitas igrejas foram transformadas em mesquitas, incluindo a Catedral St. Philip em Argel, a Cathédrale de Notre-Dame des Douleurs de Sept em Constantine (Argélia), a Catedral de Trípoli e a Catedral de Benghazi na Líbia.
[4] O gigantesco cemitério Jannat al-Baqi, que contém uma enorme quantidade de restos mortais da família de Maomé, companheiros mais próximos e os primeiros muçulmanos santos, foi destruído e todas as cúpulas e mausoléus viraram pó. Essa destruição seguiu as destruições anteriores perpetradas pelos wahhabis em 1906 e pelos ultra-wahhabis Ikhwanem 1925. Destas fazem parte as destruições dos túmulos dos mártires da batalha de Uhud e Hamza, tio do Profeta e defensor mais amado. Também a Mesquita de Fátima (filha de Maomé), a Mesquita de Manaratayn (as minaretes gêmeas) e a cúpula que marca o lugar onde se encontra enterrado o dente incisivo do profeta. Medina também é a casa da mulher etíope de Maomé, Mariam, onde seu filho Ibrahim nasceu, foi inteirinha pavimentada. Em Meca casa de sua primeira esposa, Cadija, primeira pessoa a quem ele divulgou sua missão, foi transformada em banheiros públicos. Em 1998, o túmulo da mãe do Profeta, Amina bint Wahb, foi destruído em Abwa e depois incendiado com gasolina.

A verdade sobre a reforma da previdência - by Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PREFIRA SUA ESSÊNCIA À APARÊNCIA. O MUNDO NÃO SUPORTA MAIS TANTOS IDIOTAS



Abomino o meio-termo. A superficialidade me faz arrepiar a espinha. Da boca pra fora, só aceito beijo ardente. Do peito pra dentro, não me entregue nada além das vísceras. Vem, mas vem com o coração na mão! Sentimento é coisa séria! Não precisa de contornos, palavras frouxas e artifícios frívolos para disfarçar o sentir. Comigo não cola!
São tempos secos. Da caatinga esnobando a chuva. São tempos placebos da aparência. De voos rasteiros, mergulhos rasos. Das relações e sentimentos que navegam em um espelho-engano-d’água. Tempos de cobertor curto, onde se esconde a cara e sobressaem os dedos dos pés. Tempos da cobiça ao instante furtivo. Da saudade que não se mata. Do amanhã eu ligo. Do depois a gente marca. Tempo do conhecimento de superfície. O mundo inteiro já leu, tem opinião ou sabe sobre todas as coisas.
Quero minha parte em verdades. Encontros, beijos, risadas, olho lá no fundo. Quero escolher meus discos sem consultar a crítica. Prefiro a dor, os tropeços, os deslizes, a ter que ficar em cima do muro com tantos “poréns”. Quero qualquer coisa que sinta, até mesmo a raiva, desde que ela seja verdade. Não almejo fazer bonito pra ninguém! Quero mesmo é ficar linda, toda enfeitada por dentro. A superficialidade é defesa dos que não suportam se responsabilizar por seus saltos. Quem não rala o joelho nunca saberá o que é conseguir saltar do muro da dissimulação.
Com o tempo os truques ficam batidos, não convencem. Trocar de máscara todas as manhãs não engana mais ninguém. Em sono profundo, lá no buraco do sonho, o fingimento vai perturbar. Viver em permanente simulação é tortura. Além do mais, o brilho das particularidades de cada um permanece disfarçado em meio à superficialidade do jogo social. Mais cedo ou mais tarde, a ficção torna-se incapaz de suportar a realidade.
Não me interessa esse chove-e-não-molha. Prefiro qualquer coisa atrevida. Trocar as lâmpadas dos vaga-lumes, contar as incontáveis pintas do céu das tuas costas estreladas, deixar purpurina no seu paletó, ou mesmo escorregar pra sempre nos meus próprios sonhos. Gosto da entrega. De apertar forte a pele das costas. Gosto das mãos segurando a nuca, distraindo meus problemas. Gosto da liberdade de ignorar certos comentários. Portanto não me convide para uma festa, se eu não puder dançar descalça. Ao calejar os pés dos sentimentos, descobri que ninguém morre de tanto viver.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O que é o Ladino?


O que é o Ladino?
RESPOSTA:
O Ladino, também conhecido como “judeo-espagnol” é um idioma que teve suas origens por volta de 1492, quando os judeus foram expulsos da Espanha. O espanhol falado pelos judeus no final do século 15, foi então influenciado pelas várias línguas mediterrâneas faladas nos diferentes lugares aonde os judeus foram viver e um novo idioma judaico foi criado.

Embora o Ladino tenha suas próprias características, ele e o espanhol não são tão diferentes. Há semelhanças fortes e evidentes, assim como existem, por exemplo, entre o Espanhol e o Português. Além do Espanhol o Ladino tem influência do árabe, do turco, do grego e inclusive do português.
Hoje em dia, algo entre 100.000 e 200.000 pessoas falam Ladino, a maior parte delas, vive em Israel. A maioria se trata de judeus sefaraditas e poucas a utilizam como principal idioma. Alguns defensores da língua temem que esta possa, em breve, desaparecer, uma vez que aqueles poucos que a usam, frequentemente, têm preferido utilizar outros idiomas para se comunicar. Embora exista um pequeno jornal Ladino na Turquia, há pouca nova literatura sendo produzido neste idioma mas muita da literatura da Época de Ouro da Espanha e relatos sobre a inquisição podem ser encontrados principalmente em Ladino.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O último intelectual honesto



Vespeiro

fe1
Na biografia apresentada no Fantástico e em todos os outros programas do segmento aberto da Rede Globo, Ferreira Gullar não renegou o comunismo. Nos programas do segmento fechado da rede, ele vagamente "oscilou" em suas crenças e "manteve um pensamento independente" não se mencionando em relação a que. Em todos ele "foi comunista" quando foi comunista, "perseguido pelos militares"...
Quer dizer, no dia da morte dele, trataram de matar pela segunda vez o verdadeiro Ferreira Gullar; de aniquilar a memória da essência do que ele foi na sua monumental e poética honestidade intelectual.
É patético esse jeito Globo de aproximar-se mais ou menos da verdade conforme o nível de informação anterior que ela espera dos seus diferentes públicos, o que é nada menos que uma confissão de mentira. É emblemático disto a que está reduzido este país que tateia no escuro em algum lugar entre o século 19 e o século 20, pensando que está procurando o século 21...
O verdadeiro Ferreira Gullar, entretanto, foi grande o bastante para dizer na cara de todos os jornalistas e de quem mais quisesse ou não quisesse ouvir a verdade, coisas como essas abaixo:
fe2
“Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é”.
“O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento”.
“A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador, e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista”.
fe2
“A própria natureza é injusta e desigual. A justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce inteligente, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós. A capacidade criativa do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da desigualdade, porque é só a produção da riqueza que resolve isso”.
“Eu fui do Partido Comunista, mas era moderado. Nunca defendi a luta armada. A luta armada só ajudou mesmo a justificar a ação da linha dura militar, que queria aniquilar seus oponentes. (As pessoas do partido Comunista) não lutavam por democracia, mas pela ideologia Comunista, e estavam sinceramente equivocadas. Você tem de ter uma visão crítica das coisas, não pode ficar eternamente se deixando levar por revolta, por ressentimentos. A melhor coisa para o inimigo é o outro perder a cabeça. Lutar contra quem está lúcido é mais difícil do que lutar contra um desvairado”.
fe2
“O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lênin está ali na Praça Vermelha, mas, pelo resto da cidade, só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer. O socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade”.
“Frequentemente me pergunto por que certas pessoas indiscutivelmente inteligentes insistem em manter atitudes políticas indefensáveis, já que, na realidade, nem existem mais. Estou evidentemente me referindo aos que adotaram a ideologia marxista, que, de uma maneira ou de outra, militaram em partidos de esquerda, fosse no Partido Comunista, fosse em organizações surgidas por inspiração da Revolução Cubana”.
fe2
“Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo”.
“Existe uma política que o governo adotou, chamada ‘psiquiatria democrática’, que é um absurdo. Impede a internação. Eles acabaram com mais de quatro mil leitos. Por que chama 'psiquiatria democrática'? Porque não interna. Mas é uma bobagem, ideológica, cretina, que não tem nada a ver com essa doença real. Eu, que lidei com essa doença, sei muito bem que não tem nada disso. Quando uma médica veio com essa conversa, perguntei: ‘É a sociedade que adoece o doente mental? A doença mental não existe? É a sociedade que faz ficar doente? O fígado adoece e o cérebro não adoece? Por quê? É o único órgão divino?’” (Ferreira Gullar teve dois filhos com esquizofrenia)
“O mundo aparentemente está explicado, mas não está. Viver em um mundo sem explicação alguma ia deixar todo mundo louco. Mas nenhuma explicação explica tudo, nem poderia. Então de vez em quando o não explicado se revela, e é isso que faz nascer a poesia. Só aquilo que não se sabe pode ser poesia”.
fe4

POEMA DA NOITE - Pablo Neruda - O teu riso


Pablo Neruda

O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O QUE O PARKINSON E A FORÇA DE MINHA AVÓ ME ENSINARAM SOBRE A VIDA


“Meus cadernos de poesia, por favor.” Todas as manhãs, em mantra diário, minha avó faz o pedido à minha tia. Lorna cumpre o ritual. Busca os escritos, os coloca sobre o colo de minha avó e a ajuda a folhear as páginas amareladas preenchidas à mão com versos de Drummond, Augusto dos Anjos, Casimiro de Abreu… algumas vezes recitam juntas, em emoção pujante, a genialidade das rimas que clareiam a alma. Outras tantas, apenas silêncio. Minha avó olha os cadernos, certifica-se de que estão em bom estado e se acalma na certeza de que ali, em folhas empoeiradas, permanece intacta a ponte que a liga a um passado menos duro que os dias atuais. Sem conseguir escrever mais, ela respira um pouco de saudade, revive um pouco de beleza.

Há duas maneiras de se encarar o fim. Uma é morrendo. A outra é recusando a primeira. Minha avó escolheu a recusa e tem bancado a escolha. Há 20 anos minha família se viu obrigada a conviver com a palavra “degeneração”. A nós, no entanto, foi destinada a parcela menos severa do problema. Minha avó foi forçada a aceitar a convivência de fato dolorosa. E aceitou. Não se trata de resignação. Esse termo não combina com quem resolveu lutar todos os dias pela vida, como se esta ainda fosse uma opção divertida. Mas até em gente assim, que consegue animar a mente enquanto o corpo dá adeus, o Parkinson é avassalador.
O mundo, então, começou a tremer. Cortar a carne, segurar o copo, abotoar a camisa… as tarefas mais triviais foram interrompidas. Tudo começou a cair. Os objetos das mãos, o corpo diante do primeiro obstáculo mais rígido que seus movimentos. Eu vi a mulher vigorosa, que aos 60 anos jogava vôlei comigo, curvada na cama, pele agarrada aos ossos, pernas pedindo ajuda para encontrar uma posição que amenizasse a dor. Rapidamente falar também se tornou um desafio. O mais penoso para a outrora oradora da turma, mãe comunicativa, amante incorrigível do deboche propalado em alto e bom som. A batalha passou a ser o esforço constante para abrir a garganta, desenrolar a língua.
Mas se o Parkinson lhe roubou o paladar, o ritmo e o equilíbrio, por favor, que não lhe roube a fala. E isso vó Cida não tem permitido. Como conversa! E como ri… de si, dos outros, da vida, mesmo quando tudo está na contramão. Às vezes canta: “reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Malabarista na corda bamba das dores físicas e emocionais, dribla o peso que o destino impôs ao optar pela leveza do humor frouxo. Com unhas pintadas e lenço colorido no pescoço, pede para passear. Durante o trajeto — de um quarto ao outro na cadeira de rodas — acena com mãos trêmulas a quem estiver no caminho, feliz por sair do sofá. Feliz por ser quem é e estar onde está dentro das possibilidades presentes.
Às vezes chora, em expressão inevitável das angústias que sente. Mas, na maior parte do tempo, extrai do que sobrou o melhor que consegue, sendo autora e não refém da própria história e nos fazendo entender que a vida é escolha. Sem força para levar comida à própria boca, sempre repete que quando eu for visitá-la fará meu doce preferido. Também diz que vai comprar um cachorro e cuidar dele. Para mim, não há sinais de insanidade nos anseios que ela alimenta, incompatíveis com sua condição física. Para mim, são exatamente eles que configuram a vontade que ela tem de viver, agarrada a suas referências afetivas mais preciosas.
Sabemos que as dores têm aumentado e o Parkinson — ainda sem cura — piorado. Isso levando-se em conta o que se sabe. Muito provavelmente o que sente de pior minha vó guarda em segredo altruísta. E entre abraços nos netos, palavras de afeto, piadas, poemas e entusiasmo contagiante, ela tem salvado nossos dias azedados pela ineficiência que temos em lidar com nossas limitações mais bestas. Com sua força, ela tem nos ensinado a ser mais fortes também.
Certa vez, tremendo muito, minutos depois de sentir uma forte dor nos braços, minha vó me perguntou como eu estava. Eu disse: “estou ótima”. “Pois então estamos quites”, ela emendou, de forma sincera. Não por se esquecer da doença ou da peleja diária que o Parkinson impõe. Não por ser imune ao drama de perder autonomia e liberdade enquanto a degeneração avança. Mas por conseguir, com sabedoria rara, desfrutar da felicidade acessível antes de lamentar a que escapou das mãos.