quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PT recebeu até US$ 200 mi em propina, diz delator



Pagamento envolveu 90 contratos de obras de grande porte entre a Petrobras, empresas coligadas e consórcios de empreiteiras, segundo Pedro Barusco

Laryssa Borges, de Brasília,
e Daniel Haidar 
Veja.com

Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras (Divulgação)

O ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou à Justiça, em acordo de delação premiada, que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, recebeu de 150 milhões a 200 milhões de dólares em propina de 2003 a 2013, por meio de desvios e fraudes em contratos com a Petrobras. As revelações de Barusco, ex-braço-direito de Renato Duque, que comandava a Diretoria de Serviços por indicação do ex-ministro da Casa Civil e mensaleiro condenado José Dirceu, colocam mais uma vez o caixa do PT no centro do escândalo do petrolão e devem respingar diretamente nas campanhas políticas do partido, incluindo a da própria presidente Dilma Rousseff. Vaccari foi levado na manhã desta quinta-feira para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo onde prestou esclarecimentos sobre a arrecadação de recursos para a legenda e foi liberado em seguida. 

Ainda que tenha negado irregularidade no sistema de arrecadação de campanhas do PT, Vaccari agora é confrontado pela primeira vez com as informações do delator Pedro Barusco, que concordou em colaborar com a Justiça em troca de reduções de pena. Após firmar o acordo de delação, o ex-gerente confirmou, por exemplo, que iria devolver aos cofres públicos impressionantes 97 milhões de dólares recolhidos a partir do megaesquema de cobrança de propina na Petrobras. 


“Durante o período no qual foi gerente executivo de Engenharia da Petrobras, subordinado ao diretor de Serviços, Renato de Souza Duque, de fevereiro de 2003 a março de 2011, houve pagamento de propinas em favor do declarante [Barusco] e de Renato Duque, bem como em favor de João Vaccari Neto”, diz trecho do depoimento de Barusco. “João Vaccari Neto representava o PT na divisão de propinas pagas no âmbito da diretoria de Serviços, nos contratos que ela executava para as diretorias de Abastecimento, Gás e Energia, Exploração e Produção e na própria diretoria de Serviços”, relatou. 

Em seu depoimento, o ex-gerente não soube detalhar se o tesoureiro petista recebia a propina em dinheiro ou em transferências no exterior, mas deu revelações que complicam diretamente outro ex-diretor da Petrobras, Jorge Zelada (Área Internacional). Segundo o delator, Zelada também recolhia propina dentro da Petrobras e “negociava propinas diretamente junto a algumas empresas em contratos menores na Área de Exploração e Produção”. Para receber dinheiro do esquema de corrupção dentro da estatal, o ex-diretor Jorge Zelada fazia uma espécie de “encontro de contas” com os demais integrantes da companhia. Em alguns casos, a propina a Zelada foi entregue diretamente em sua casa, na rua Getúlio das Neves, no Rio de Janeiro. 

O pagamento de propina no esquema envolveu noventa contratos de obras de grande porte entre a Petrobras, empresas coligadas e consórcios de empreiteiras. Os contratos estavam vinculados às diretorias de Abastecimento, Gás e Energia e Exploração e Produção. No rateio da propina, normalmente eram cobrados 2% do valor do contrato, sendo que 1% era administrado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, e o outro 1%, repartido entre o PT e diretores da Petrobras, incluindo Renato Duque e Jorge Zelada, da Área Internacional da petroleira. 

Enquanto as projeções de Barusco apontam que o tesoureiro do PT embolsou até 200 milhões de dólares em nome do partido, no mesmo período o delator recebeu 50 milhões de dólares em dinheiro sujo. Em apenas um contrato de sondas de perfuração de águas profundas para exploração do pré-sal, Vaccari, em nome do PT, recebeu 4,5 milhões de dólares em propina. 

Ao relatar em detalhes o esquema de pagamentos na Petrobras, Barusco deu um panorama da divisão do dinheiro recolhido do esquema criminoso e relatou que ele próprio era habitué da movimentação de propina na estatal. Segundo o próprio delator, ele começou a receber propina em 1997 ou 1998 da empresa holandesa SBM Offshore enquanto ainda ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações da Petrobras. A propina entre a SBM e a Petrobras se tornou “sistemática” a partir do ano 2000, com uma espécie de parceria fixa entre Barusco e o executivo Julio Faerman, da empresa holandesa. Os pagamentos eram mensais, variando de 25.000 dólares a 50.000 dólares. Em um dos casos, quando já ocupava a gerência-executiva de Engenharia, recebeu 1% de propina de Faerman em um contrato entre a empresa Progress e a Transpetro. 

Faerman é apontado como homem-chave para desvendar o escândalo de corrupção que envolve a Petrobras. Em uma denúncia feita por um ex-funcionário da companhia holandesa SBM Offshore, ele é citado como o lobista responsável por intermediar pagamentos de propina a funcionários da empresa. 

Graça Foster – Em seu depoimento aos investigadores da Operação Lava Jato, Barusco não apontou a presidente demissionária da Petrobras Graça Foster como beneficiária direta de propina na estatal, mas afirma que parte dos contratos onde o rateio de dinheiro era feito estavam vinculados à diretoria de Gás e Energia, que já foi ocupada por Graça. Barusco indicou que Graça Foster não sabia do esquema de propina e ponderou que se ela e Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia, sabiam, “conservavam isso para si”. 

O ex-gerente, porém, fez revelações que complicam diretamente outro ex-diretor da Petrobras, Jorge Zelada (Área Internacional). Segundo o delator, Zelada também recolhia propina dentro da Petrobras e “negociava propinas diretamente junto a algumas empresas em contratos menores na Área de Exploração e Produção”. Para receber dinheiro do esquema de corrupção dentro da estatal, o ex-diretor Jorge Zelada fazia uma espécie de “encontro de contas” com os demais integrantes da companhia. Em alguns casos, a propina a Zelada foi entregue diretamente em sua casa, na rua Getúlio das Neves, no Rio de Janeiro.

Quando Renato Duque deixou a Diretoria de Serviços, em 2012, ele fez uma espécie de acerto de contas com Barusco para receber parte da propina que havia sido direcionada inicialmente ao auxiliar. No acordo, Barusco destinou valores de futuras propinas para o ex-chefe – pelo acordo do Clube do Bilhão, as empresas precisavam confirmar o pagamento de dinheiro na trama criminosa. Apenas a Camargo Corrêa, por exemplo, devia 58 milhões de reais em propina na época.

Depoimentos – No fim de novembro, Barusco prestou diversos depoimentos reservados ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal após acordo de delação premiada. Nas palavras de um dos investigadores, foram "demolidores" no detalhamento da atuação de Renato Duque. 

As revelações de Barusco foram a principal motivação da nova fase da Operação Lava Jato, na qual Vaccari e outros dez operadores da Diretoria de Serviços foram alvos. Com o cumprimento dos mandados, as informações não tinham mais necessidade de sigilo, na avaliação da Justiça, e os depoimentos foram disponibilizados em um dos processos contra executivos de empreiteiras. 
05/02/2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Adeus às Ilusões - Arnaldo Jabor





O Brasil está sem assunto. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o “assunto”. Tirando a tragédia da água que pode nos secar, estamos condenados a comentar apenas essa crise política e institucional que vivemos. Descobrimos, de boca aberta, a falência múltipla dos órgãos públicos. O Brasil está sendo destruído diante de nós e não podemos fazer nada.

Os petistas no poder roubaram os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda que pensa o Brasil dentro do mundo atual e se obstinam em usurpar um genuíno progressismo em nome de uma “verdade” deformada que instituíram. Quem quiser alguma positividade é “traidor neoliberal”, termo muito usado pelos “mestres” militantes que doutrinam milhares de jovens nas universidades.

A academia cultiva a “desigualdade” como uma flor. A miséria tem de ser mantida in vitro para justificar teorias velhas e absolver incompetência. Orgulham-se de um maniqueísmo esquemático, como se a verdade morasse no mais raso reducionismo. O capitalismo explica tudo e é tratado como uma pessoa: “Ihh... Parece que hoje o capitalismo acordou de mau humor” ou “esse capitalismo é mesmo cruel e incorrigível — não para de explorar os pobres”.

O filósofo João Pereira Coutinho disse outro dia na “Folha” uma frase ótima: “Oprimido e opressor não esgotam as relações humanas possíveis, mesmo as desiguais. A luta de classes é uma escolha política, não um dado natural” — na mosca. Somos tecnicamente uma “democracia”, que aliás é vivida como porta aberta para o oportunismo: “Ah... Na democracia tudo pode, é mais fácil roubar numa boa”. Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de gestão, em um instrumento de trabalho.

Várias vezes citei uma frase do Baudrillard, que explica a esquerda radical, e repito-a: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de ‘desfuncionamento’ e da desestruturação da sociedade” — vide o novo eixo do mal da América Latina.

Essa zona geral do país começou com o nefasto Lula (o grande culpado de tudo) que teve a esperteza de transformar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda de seu governo: a adesão sem pudor do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e “peronista” patrimonialismo de Estado. Essa gente desmoralizou o escândalo, a indignação e a ética (essa palavra burguesa e antiga para eles). A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão.
Não é sublime tudo isso?

Nunca antes em nossa história alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto. A cada dia, nós nos tornamos mais desesperados, porém mais sábios, mais cultos sobre essa grande chácara de oligarquias. Em nome da esperança, talvez tudo o que ocorre hoje nos ensine muito. Estamos progredindo, pois estamos vendo melhor a secular engrenagem latrinária que funciona nos esgotos da pátria. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. A verdade está nos intestinos.

A verdade está sempre no avesso do que dizem. São hábeis em criar um labirinto de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações de coisas como a Petrobras e todos os crimes de seus aliados. E a mentira vai se acumulando como estrume durante anos e acaba convencendo muitos ingênuos de que “sempre foi assim” ou de que “erraram com boa intenção”.

Não só roubaram cerca de R$ 10 bilhões (até agora) desviados da Petrobras e de outros aparelhos do Estado, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos — não arredaram os pés dos velhos dogmas da era stalinista, como aliás os antigos comunas fizeram desde que se recusaram a votar nos social-democratas alemães, fazendo o Hitler subir ao poder.

Já em 1924, Stálin chegou a afirmar: “O fascismo e a social-democracia não são inimigos, mas irmãos gêmeos”. A verdade é que os petistas nunca acreditaram na “democracia burguesa” — eles se orgulham de se fingir de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

Um professor emérito da USP “se entregou” e disse: “Democracia é papo para enrolar o povo”. Se bem que o “povo” nem sabe o que é isso e prefere mesmo um autoritarismo populista. Um país de analfabetos sempre espera um salvador da pátria. Estamos prontos para ditadores e demagogos; para administradores e reformadores racionais, não. Enquanto isso, intelectuais sonham com um socialismo imaginário, pois têm medo de ser chamados de reacionários ou caretas.

Continuam ativos os três tipos exemplares de “radicais”: os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam, e os terceiros zurram. Que cenário maldito...

A “presidenta” está pagando pelo erro de querer ser socialista-brizolista e dirigir um país, ah... capitalista. Ignorou Davos na reunião da cúpula da economia e foi à Bolívia se vestir de inca na posse do Morales. Dilma perdeu o controle da zona geral que Lula sabia “desorganizar” com esmero e competência. Dilma não é competente nem para desorganizar.

Não é apenas o fim de dois maus governos; é o despertar de um caos institucional que será mais grave do que pensávamos. Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com a união dos dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.

O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no país uma desmontagem contínua de ilusões históricas. Com a história em marcha a ré, estranhamente, andamos para a frente. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria. O Brasil se descobre por subtração, não por soma.

Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.


Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 3 de fevereiro de 2015.

Agora a Petrobras ficou mesmo sem Graça. Meirelles vem aí?



2a Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Sexta-feira, o mundo saberá quem vai presidir a Petrobras no lugar de Graça Foster. O nome deve ter o aval da oligarquia financeira transnacional. Por isso, o mais cotado é Henrique Meirelles. Lula adoraria a indicação, mas Dilma não o tolera. Quem vai ocupar o cargo pouco importa: Luciano Coutinho, Rodolfo Landim, Roger Agneli, Alexandre Tombini, Antonio Maciel Neto, Nildemar Secches ou José Ruela. O vício de origem vai continuar: o governo continuará se metendo politicamente nas decisões da empresa muito endividada e com projetos travados por escândalos de corrupção.

Se Graça não jogasse a toalha, junto com outros diretores, os nvestidores minoritários da Petrobras entrariam com ações judiciais urgentemente, pedindo a nomeação de um "interventor" na companhia. O administrador temporário e provisório teria a missão de impedir que se materialize qualquer prejuízo ou dano à empresa e fundamentalmente aos acionistas minoritários, até que o governo da União, acionista majoritário, indique e uma Assembleia aprove os nomes dos novos diretores e conselheiros.

Dilma Rousseff novamente erra na mão e no prazo. A tensa reunião de ontem, que selou o destino da amiga Maria das Graças Foster e demais diretores da Petrobras, foi mais um exemplo do desespero do governo diante do risco concreto de o Petrolão ferir, mortalmente, a governabilidade de Dilma. Depoimentos de testemunhas de acusação nos processos da Lava Jato já relataram que o então diretor da área de Engenharia e Serviços da Petrobras, Renato Duque, mandou pagar parte da propina negociada nos contratos fechados com a Petrobras em forma de doação oficial ao PT. Tal denúncia já basta para um pedido e impeachment de Dilma.

Um parecer elaborado pelo jurista Ives Gandra Martins indica as razões jurídicas para proposição e admissão de um eventual pedido de impeachment contra Dilma Rousseff: “Há, na verdade, um crime continuado da mesma gestora da coisa pública, quer como presidente do conselho da Petrobras, representando a União, principal acionista da maior sociedade de economia mista do Brasil, quer como presidente da República, ao quedar-se inerte e manter os mesmos administradores da empresa. Considerando que o assalto aos recursos da Petrobras, perpetrado durante oito anos, de bilhões de reais, sem que a presidente do Conselho e depois presidente da República o detectasse, constitui omissão, negligência e imperícia, conformando a figura da improbidade administrativa, a ensejar a abertura de um processo de impeachment”.

O depoimento do empresário Augusto Ribeiro Mendonça Neto, dono da PEM Engenharia (Grupo Toyo Setal), deixou claro o quanto a diretoria da Petrobras tinha peso sobre as operações da companhia: “A diretoria da Petrobras tem um peso muito importante na operação da companhia. De modo que a posição de um diretor é absolutamente crucial para o andamento de uma companhia dentro das obras da Petrobras. Eles usavam este tipo de argumentação tanto para discutir as comissões quanto também o pagamento. Ele pode prejudicar se não convidar, ou retirar do processo licitatório com algum argumento, pode atrapalhar em muito o andamento dos contratos. Ajudar é difícil. Muitas vezes pedimos ajuda e eles não tinham poder de ajudar, mas de atrapalhar sempre tinham um poder importante. Era muito mais no sentido de atrapalhar do que de ajudar. Eu diria que seria inimaginável não contribuir”.

Outra denúncia pesada contra a diretoria da Petrobras veio de Julio Camargo - consultor ligado à Toyo Setal e à Camargo Corrêa. Indagado se “houve alguma solicitação de vantagem indevida por parte de algum diretor da Petrobras para obtenção do contrato deste consórcio?”, Julio Camargo respondeu que “sim” e citou especificamente Renato Duque e Pedro Barusco, braço-direito de Duque. O empresário Julio Camargo foi direto ao ponto: “Havia uma regra do jogo que se o senhor não pagasse propina à engenharia e ao abastecimento o senhor não teria sucesso ou o senhor não obteria contrato na Petrobras”.

Por todas essas denúncias formalizadas em depoimentos na 13a Vara Federal em Curitiba, o mercado não engoliu a esdrúxula "demissão programada" da diretoria da Petrobras. A presidenta Dilma Rousseff promete indicar, apenas em março, uma substituta para Graça Foster e seus companheiros. O mais estranho é que a empresa realizou uma assembleia geral no dia 30 de janeiro, dando amplos poderes aos mesmos diretores que, em menos de 48 horas depois, bota na rua da exoneração de cargos. Além disso, o Planalto do Palhasso informa que Dilma escalou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para buscar, no mercado, quem tem condições de fazer parte do novo Conselho de Administração da companhia.

A pergunta que qualquer pessoa inteligente faz é: Como se demite uma administração coletiva a mando do controlador e se permite que os diretores prossigam na gestão por mais alguns dias sem comprometimento com a transparência ou os resultados advindos dos respectivos comportamentos? Em artigo, abaixo, neste Alerta Total, o desembargador paulista Carlos Henrique Abrão, emite uma opinião como jurista: "A contradição se encerra na circunstância. A demissão é plena. A CVM precisa ser comunicada, como a Bovespa, e assim o mercado precificar o que acontecerá definitivamente. Demitir com data marcada significa o mesmo que consentir com tudo que está sendo feito de errado para destruição do capital público, construído há décadas pela sociedade brasileira".   

Pode continuar usando a faixa


Por Dilma ficou sem Graça?

Foi patético que Dilma tenha firmado um acordo para que a amiga Graça e todos os diretores da Petrobras deixem os cargos apenas em março, logo depois da reunião do Conselho de Administração da empresa onde será apresentado o balanço financeiro referente a 2014.

A maior pressão de bastidores pela saída de Graça veio do inevitável risco de que ela venha a ser indiciada, junto com a diretoria da gestão de José Sérgio Gabrielli, por tudo denunciado no Petrolão.

Além da pressão do ex-presidente Lula da Silva, de Aloísio Mercadante e de parte da equipe econômica, Dilma resolveu tirar Graça já que ele vinha pedindo sistematicamente para sair do comando da estatal, sem ser atendida...

Primeira instância neles...

Pelo menos 81 parlamentares federais não reeleitos perderam o foro privilegiado e deixarão de responder processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

As ações e inquéritos contra quatro senadores e 77 deputados irão para outras instâncias, tendo de ser analisados por outro juiz.

O fim dessa "dancinha do foro privilegiado" é uma das maiores demandas da sociedade brasileira no combate à corrupção no meio político.

Defenda-se como puder...


Retorno do Mangabeira

O ex-ministro Mangabeira Unger voltará, na quinta-feira, ao comando da Secretaria de Assuntos Estratégicos, substituindo o atual ministro Marcelo Néri.

Mangabeira esteve à frente da SAE ente 2007 e 2009, quando deixou o governo na ocasião para reassumir o cargo de professor na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Dilma só não explicou publicamente por que tirou Neri... 

Beijinho


Cachorrada


O retorno




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Fevereiro de 2015.

CHARGE DO WALDEZ

Esta charge do Waldez foi feita originalmente para o

PT recebeu propina de R$ 4 milhões, revelam documentos


Segundo os papéis, o grupo Toyo Setal pagou, ao menos, R$ 4 milhões em propina, na forma de doação oficial ao partido

  • Roger Pereira
Roger Pereira
Direto de Curitiba
atualizado às 15h03

Comprovantes de doação feita pelo grupo ao PT Foto: Reprodução
Comprovantes de doação feita pelo grupo ao PT
Foto: Reprodução
Documentos entregues pelo engenheiro Augusto Ribeiro de Mendonça Neto em seu acordo de delação premiada revelam que o grupo Toyo Setal pagou, ao menos, R$ 4 milhões em propina, na forma de doação oficial ao Partido dos Trabalhadores. De acordo com os documentos apreendidos pelo Ministério Público Federal, três das empresas comandadas por Mendonça (Setal Óleo e Gás, Setec Tecnologia e PEM Engenharia) fizeram, entre outubro de 2008 e março de 2012,  29 doações ao partido, num total de R$ 4.160.000,00.
A grande maioria das doações foi feita ao diretório nacional do partido. Mas também foram beneficiados o PT da Bahia (R$ 100 mil doados pela Setec em outubro de 2008), de Porto Alegre (R$ 250 mil, doados pela Setal óleo e Gás em dezembro de 2011) e de São Paulo (R$ 250 mil, da Setal, em março de 2012).
Mendonça, que em depoimentos prestados ontem e na segunda-feira à Justiça Federal do Paraná confirmou o pagamento de propina para a obtenção de contratos com a Petrobras e a existência do “clube das empreiteiras” para negociar diretamente com a estatal, declarou ao juiz Sérgio Moro ter pago propina ao ex-deputado José Janene, aos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque e, a pedido de Duque, disse ter feito doações a campanhas ou a diretórios petistas como forma de pagamento das “comissões” negociadas na estatal.
O representante da Toyo Setal volta a depor nesta tarde, no terceiro dia de audiências, que, desta vez, ouvirá as testemunhas do processo relacionado às irregularidades que teriam sido cometidas pela OAS no âmbito da Operação Lava Jato. Além dele, voltam a depor o delegado Márcio Adriano Anselmo, o consultor Júlio Camargo, a contadora Meire Poza e o empresário Leonardo Meirelles.
Comprovantes de doação feita pelo grupo ao PT Foto: Reprodução
Comprovantes de doação feita pelo grupo ao PT
Foto: Reprodução
Comprovantes de doação feita pelo grupo ao PT Foto: Reprodução
Comprovantes de doação feita pelo grupo ao PT
Foto: Reprodução
Dispensada
Com depoimentos previstos para amanhã e sexta-feira, a geóloga Venina Velosa, ex-gerente da área de abastecimento da Petrobras, foi dispensada pelo Ministério Público Federal. Os promotores entenderam que o depoimento já prestado pela geóloga foi pouco esclarecedor e não trouxe contribuição para essa fase do processo, em que se apura a responsabilidade das empreiteiras pela formação de cartel e manipulação dos contratos com a Petrobras.
fonte - http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/pt-recebeu-propina-de-r-4-milhoes-revelam-documentos,6603d6adf655b410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

Depoimento de lobista confirma que Petrobras era um centro de extorsão

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015


É preciso saber qual é a natureza do jogo. Não estamos diante de uma questão sem resposta, se o ovo ou a galinha veio primeiro. O que veio primeiro foi um projeto de poder da companheirada. O resto foi um esforço para buscar as fontes de financiamento do assalto ao Estado.

O lobista Júlio Camargo, ex-conselheiro de administração da Toyo Setal, prestou depoimento, não sigiloso, à Justiça Federal do Paraná. E falou o óbvio: “Havia uma regra do jogo de que, se não pagasse propina às diretorias de Engenharia e Abastecimento, uma empresa não teria sucesso ou não obteria contratos da Petrobras. Não posso dizer que era 100%, mas pelo menos nos principais, não tenho dúvida”. 
A diretoria que ele chama de “Engenharia” é a de serviços, cujo titular era o petista Renato Duque. O titular da de Abastecimento era Paulo Roberto Costa. Eis aí: com o tempo, até pode ser que a corrupção tenha se naturalizado, mas as empresas sabiam que tinham de pagar o preço.
O Ministério Público quis saber como as empresas poderiam ser prejudicadas. Ele deixa claro que a quadrilha alegava os mais variados óbices técnicos. Vale dizer: o poder estava com a bandidagem.
O depoimento de Camargo, um dos que fizeram acordo de delação premiada, deixa clara a natureza obviamente política do jogo e que a estatal havia se transformado num centro de extorsão. Pior: a cada vez que um depoimento desses vem à luz, cresce a indenização que a Petrobras terá de pagar a investidores no exterior. Abaixo, segue o depoimento de Camargo. Por Reinaldo Azevedo

CHARGE DO SPON - Agora vai...