terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PROPINODUTO, por Magu


Os leitores talvez se lembrem do Escândalo do Propinoduto, um dos maiores (apenas um deles) ocorridos no Rio de Janeiro, onde o subsecretário adjunto de administração tributária durante o governo de Anthony Garotinho, que agora é pré-candidato bem cotado para obter o mandato de novo. Peço perdão pela opinião, mas acho que os cariocas merecem. A não ser que o tribunal eleitoral meta um carimbo de ficha-suja nele. Aí os desavisados não poderão votar nele. Voltemos à vaca fria.
Rodrigo Silveirinha mandou 8,7 milhões de dólares para a Suissa. E um dos “sócios” dele, Carlos Eduardo Pereira Ramos, mandou 18,1 milhões de dólares. O dinheiro está congelado, naquele país. Mas há o risco de serem liberados para eles, porque o cipoal de recursos oferecidos pela justiça brasileira fez os suiços se cansarem de esperar pelo trânsito em julgado. Ou será incorporado ao Tesouro do país. E parece que na justiça da Suissa também existem coisas esquisitas. Afirmam que a União Federal não é parte legítima para pedir a devolução, porque o dano foi causado ao Rio de Janeiro.
imagesLembro que grande parte do ouro depositado lá pelos nazistas, seqüestrado dos judeus, durante a 2ª Guerra acabaram ficando com eles. Parece que não é só aqui que tem espertos.
Mas antes que eu escreva mais bobagens, vejam a íntegra em

GASOLINA, por wt®


gasolina-3Pagamos pela pior e mais cara gasolina do mundo. Algo em torno de U$ 1.50 (um dólar e meio) por litro. Para que se tenha uma idéia, nas bombas americanas hoje está em média U$ 2.61 (dois dólares e sessenta e um centavos) o GALÃO (3,6 LITROS), desde Setembro de 2013. O LITRO dá 0,725 de dolar. A 2,40 real por dolar, em real equivale a 1,74 o litro.
Aí, desesperada, a petroleira de Pindorama “precisa” aumentar o preço dos combustíveis. Mas será que a lambança está só aí?
Vendemos gasolina a R$ 0,65 (Sessenta e Cinco Centavos) para a Argentina, Paraguai e Bolívia. Vou nem comparar com o preço que pagamos aqui. Mas  a Petrobras alega que está comprando combustível mais caro do que repassa ao consumidor macunaímico.
Essa conta não fecha. Estão usando a Petrobras para tentar estabelecer uma liderança baseada na escrotidão bolivariana e mandando a conta para nós, eternos pagadores de corrupção e mordomias. Só pode!
Além disso, esse mesmo governo que alega que os combustíveis precisam ser majorados não abrem mão de nadica de nada da carga tributária.  Para quem não sabe, não importa se você tem um caminhão, ônibus, Fusca ou uma lambreta (ou qualquer outra porcaria que use para se transportar), para cada U$ 100,00 (Cem Reais) de combustível que você compra, apenas R$ 45,00 (Quarenta e Cinco Reais) estão realmente indo para o tanque. O resto vai para o bolso furioso do governo. Por isso, com uma carga de 55% (Cinquenta e Cinco por cento), não há mágica que resista. Mas mesmo assim, com um preço médio de R$ 3,00 (Três Reais),  se você retira a parte do leão faminto (55%), ainda ficariam cerca de R$ 1,35 (Um Real e Trinta e Cinco Centavos). Olha a conta não fechando de novo.  Se vendemos pelo preço que vendemos e o consumidor paga quase o dobro do preço no mercado interno…
Mas o que gosto mesmo é quando os especialistas vão para os meios de comunicação e defendem ardorosamente o aumento dos preços dos combustíveis como salvação da Petrobras, para que ela possa continuar com sua capacidade de investimento, etc, etc,…
Você pode falar a merda que você quiser.  Só não nos obrigue  a acreditar! Porque ninguém, com um mínimo de bom senso vai acreditar nesta história.
Para terminar, a Petrobras aumentou em 4% (Quatro por Cento) o  preço da gasolina e 8% (Oito por Cento) o preço do diesel nas refinarias, o que daria cer ca de 2% e 3,5% respectivamente. Mas não que que os donos dos postos, sem um aumento desde janeiro, aumentaram logo de cara  de 10% e 15%, também respectivamente? Aí, nessa hora, se percebe que a feladaputagem não é apenas oficial. Está inserida no contexto cultural de um povo que abraça não apenas um jeito de governar de um partido mas, também, as lambanças que este partido faz. Que acha normal esculhambar com tudo que se construiu. Que acha bacana passar a perna no próximo.  Que não perde a oportunidade de ser canalha.
Dá vontade de ir embora e não mais voltar.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO


“Não tenho detalhes”
Tarso Genro (PT), para quem Romeu Tuma Jr endereçou denúncias jamais apuradas


LULA IMPLANTOU ESTADO POLICIAL, DIZ ROMEU TUMA JR

O delegado Romeu Tuma Jr está pronto para atender a convite e prestar esclarecimentos ao Congresso, inclusive apresentando provas das denúncias do que chama de Estado Policial, implantado no governo Lula, no qual foi secretário nacional de Justiça por quatro anos, entre 2007 e 2010. As denúncias de perseguições e fabricação de dossiês contra adversários estão detalhadas nas 567 páginas do livro-bomba Assassinato de Reputações – Um crime de Estado (ed Topbooks, RJ).

VOLUME II A CAMINHO

Em entrevista a esta coluna, única que concedeu ontem, Romeu Tuma Jr diz que responderá a novos ataques com o Volume II do seu livro.

PRESTANDO CONTAS

Tuma Jr define o livro-bomba como “prestação de contas”, porque não pôde se defender de acusações que o fizeram deixar o cargo, em 2010.

ESQUECERAM DE MIM

Acusado de “ligações” a um suposto contrabandista, Tuma Jr jamais foi ouvido pela Polícia Federal, tampouco alvo de inquérito ou processo.

DOSSIÊS FAJUTOS

Romeu Tuma Jr contou que o ex-ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Aloizio Mercadante pediram a ele para “esquentar” dossiês fajutos.

DILMA ACABOU ÓRGÃO QUE ACABOU BRIGA EM ESTÁDIO

Dizendo-se chocada com a violência em Joinville (SC), a presidente Dilma anunciou novo factoide: a “Delegacia do Torcedor”. Mas foi o seu governo que acabou em 2011 a Câmara Técnica de Combate à Intolerância Esportiva, no Ministério da Justiça. Enquanto a Câmara existiu, por um ano, não houve um só caso de briga em estádios. A Câmara definia padrões de policiamento dentro e fora dos estádios.

DIZ QUE NÃO ESTOU

O Ministério da Justiça embromou ontem por mais de sete horas e não explicou por que o ministro José Eduardo Cardozo extinguiu a Câmara.

FOI PARA O SACO

Câmara de Combate à Intolerância Esportiva ultimava o Procedimento Policial Padrão (POP), a ser replicado em todos os estádios do País.

DE OLHO NA COPA

A Câmara elaborava o planejamento estratégico das medidas de segurança para a Copa do Mundo de 2014.

INFLUÊNCIA DE ARAQUE

Ex-futuro patrão de José Dirceu, Paulo Abreu adora se gabar da influência em tribunais, até os Superiores, o que pode induzi-los a erro, fazendo-os ignorar a jurisprudência. Mas dificilmente se dá bem.

MANDOU BEM

O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) está feliz com o acordo histórico liderado pelo brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Foi ele quem alertou Dilma, após visitar Genebra, que Azevêdo poderia vencer a eleição na OMC.

POBRES SUÍÇOS

O jornal Le Matin criticou o preço de pacote de 17 dias para três jogos da Suíça na Copa: R$ 30 mil com passagens e hotel duas estrelas, fora os ingressos. Genebra é uma das cidades mais caras do mundo.

ESTÁ EXPLICADO

A revelação de que Lula foi informante do Dops, no regime militar, dá sentido à gentileza do então delegado Romeu Tuma, permitindo que o então sindicalista deixasse sua breve cadeia de 31 dias para ir ao velório da mãe. A ditadura não fazia gentilezas aos seus reais inimigos.

EXPLOSÃO CRIATIVA

Além de jogar fora R$ 160 milhões no projeto, o Brasil ainda pagou o mico de topar a inspiração maoísta imposta pela China no foguete de sensoriamento remoto: o Longa Marcha 4 B mal chegou à esquina.

CASO DE POLÍCIA

Líder do PPS, Rubens Bueno (PR) entrou com pedido na Comissão de Segurança Pública da Câmara para convocar o ex-secretário de Justiça Romeu Tuma Jr para esclarecer denúncias de corrupção e de dossiês no governo PT: “Se ele tiver provas, vamos propor a criação de CPI”.

XADREZ ELEITORAL

A fim de aumentar chances de segundo turno em 2014, Eduardo Campos (PSB-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG) cogitam incentivar o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) a também disputar a Presidência.

MORTOS NÃO FALAM

Nelson Mandela, que uniu brancos e negros após o fim do apartheid na África do Sul, sem dúvida descartaria a “oportuna” visita póstuma de Lula, que já culpou “brancos de olhos azuis” pelos males do Brasil.

PENSANDO BEM...

...José Genoino é a prova (muito) viva que excesso de óleo de peroba faz mal à saúde.


PODER SEM PUDOR

CÔNSUL CEARENSE

Lucas Nogueira Garcez, governador de São Paulo, inaugurava obras em Mogi das Cruzes - onde há grande colônia japonesa - quando foi procurado por um eleitor nascido no Ceará, que lhe pediu "um cônsul".

- Um cônsul?...

- Sim, governador. Os japoneses têm cônsul e quando um deles vai preso, o cônsul solta. Os cearenses, não. Se um de nós vai preso, mofa na cadeia...

Trincheiras na Venezuela - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 10/12

No primeiro teste eleitoral do presidente Nicolás Maduro, os pleitos municipais na Venezuela, realizados no domingo, evidenciaram, mais uma vez, um país dividido.

Em eleição definida como "plebiscitária" pela própria oposição, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e outras siglas governistas conquistaram um número bem maior de prefeituras e obtiveram 49% do total de votos, contra 43% da MUD (Mesa de União Democrática) e seus aliados.

Foi o que bastou para Maduro celebrar o resultado e sacar, da cartilha chavista, declarações agressivas contra seu principal adversário, Henrique Capriles. Afirmou que o líder oposicionista é "fascista e prepotente" e o exortou a deixar a política, como se as urnas houvessem dado razão para tanto.

Longe de ser o caso. A oposição voltou a vencer em quatro dos cinco municípios que formam Caracas, além de seu distrito metropolitano. Manteve Maracaibo e Valencia, segunda e terceira maiores cidades do país, e tomou dos chavistas a prefeitura de Barinas, capital do Estado natal de Hugo Chávez.

Num país conturbado como a Venezuela, é difícil precisar quem se saiu melhor. Com o desabastecimento de alimentos e produtos de primeira necessidade, a inflação galopante (já perto de 60% ao ano), a falta de dólares na praça e a insegurança crescente, uma oposição mais forte talvez tivesse amealhado mais votos.

No entanto, são conhecidos os métodos chavistas. Os meios de comunicação são praticamente monopólio do governo, e eleitores têm fundados motivos para temer represálias caso votem na oposição.

Maduro, além disso, adotou medidas tão irresponsáveis quanto populistas a fim de obter sucesso eleitoral. Ordenou, mês passado, a redução do preço de eletrodomésticos em até 50%. A ação gerou uma onda de consumo e teve impacto na campanha, chamado por analistas de "efeito TV de plasma".

Vale, portanto, o mesmo raciocínio aplicado à oposição: não seria natural esperar votação mais expressiva dos governistas?

Do ponto de vista eleitoral, o copo está meio cheio, meio vazio. Já a situação da Venezuela não pode ser relativizada da mesma maneira. Entrincheirados em seus redutos, governo e oposição recusam

Mudanças inadiáveis - EDITORIAL ZERO HORA


ZERO HORA - 10/12

As instituições e seus eventuais ocupantes dispõem de um diagnóstico preciso das demandas mais urgentes dos brasileiros em pesquisas recentes realizadas pelos institutos Datafolha, Ibope e MDA. No conjunto, o que prepondera é a frustração com as carências em áreas essenciais, como saúde e segurança, e a preocupação generalizada com a corrupção. Apressadamente, pode-se concluir que as pesquisas indicam o que é óbvio. Se examinadas com cuidado, dão a dimensão da importância de cada questão e oferecem subsídios para que, se de fato desejarem, as autoridades se mobilizem em busca de soluções.
É crescente, como se vê, a insatisfação com a incapacidade dos governos de corresponder às necessidades básicas. Um exemplo: 87% dos entrevistados em todo o país consideram baixa ou muito baixa a qualidade dos postos de saúde e dos hospitais. O assustador é saber que, apesar desse alto índice, não há nenhum movimento inovador no sentido de reverter uma situação que não é apenas precária _ é desrespeitosa e degradante.
Fica evidente nas amostragens que a população estabelece uma relação entre a inépcia do setor público e os desperdícios e a corrupção. Pesquisas como essas constrangem o imobilismo de governos, de parlamentares e de outras esferas de poder. É inaceitável que um país com tantas potencialidades, e que corrigiu muitas de suas imperfeições da área econômica, seja incapaz de enfrentar com a mesma determinação os desafios das demandas sociais. É sintomático que o eleitor pesquisado defenda reformas estruturais na política e identifique os próprios políticos como alvos dos protestos de junho. O principal elemento presente nos levantamentos é um inquestionável desejo de mudanças, que precisará ser captado pelos pretendentes a cargos públicos e fazer parte dos seus compromissos.

Impunidade incentiva selvageria em estádios - EDITORIAL O GLOBO




O GLOBO - 10/12

É crucial punir arruaceiros e banir dos estádios as gangues disfarçadas de torcida. A barbárie de Joinville requer resposta imediata de CBF, Justiça, clubes e poder público



A partida de anteontem entre Vasco e Atlético Paranaense, em Joinville, foi uma tragédia anunciada. E não se pode atribuir ao lamentável desfecho, com torcidas organizadas dos dois times promovendo cenas de selvageria nas arquibancadas do estádio, influência circunstancial de uma tabela que programou para a última rodada do Campeonato Brasileiro um jogo entre uma equipe que lutava para não ser rebaixada e outra que brigava por uma vaga na Libertadores.

Essa carga de drama também esteve presente em outros confrontos da rodada, disputados sem quaisquer sinais de violência extracampo. Antes, deve-se identificar em que nível de decisões do poder público do Paraná efetivamente começou a cadeia de leniência e medidas irresponsáveis da qual resultou a estapafúrdia ordem de desprover o estádio de policiamento adequado. Neste sentido, é no mínimo risível o argumento de que o jogo se tratava de um “evento privado”.

Ora, também passeatas, por exemplo, podem ser classificadas como tal, e nem por isso as autoridades deixam de guarnecê-las com agentes públicos de segurança. Jogos de futebol têm o potencial de afetar a segurança pública e de colocar em risco multidões, como aconteceu em Joinville. Precisam ter aparato policial à altura.

Este é o viés pontual do problema — mas não o único a exigir providências exemplares. Outro, ainda mais grave, é o crescimento exponencial da violência nos estádios e seu entorno. Enquanto do ponto de vista administrativo o futebol brasileiro faz um louvável esforço para melhorar sua gestão (equacionamento do calendário, ações que buscam o saneamento financeiro dos clubes, modernização das arenas etc.), a questão da segurança dos torcedores continua sendo tratada sem que medidas para banir a violência nos jogos sejam efetivamente adotadas. O Estatuto do Torcedor, por exemplo, não vem sendo aplicado como deve, salvo exceções, como o Rio de Janeiro.

Diante de um quadro que se deteriora de forma cada vez mais perigosa, é irrecorrível que poder público e entidades tomem atitudes drásticas contra marginais que, travestidos de torcedores, entram nos estádios não com o propósito de acompanhar uma partida, mas de promover barbáries como a de domingo. A mais imediata é acabar com a praga das torcidas organizadas, protagonistas desde sempre de atos de selvageria.

Cenas de violência como as de Joinville são condenáveis em quaisquer circunstâncias. E a essa barbárie acresce-se a preocupação com a proximidade da Copa. O que implica, da parte de CBF, clubes, Justiça desportiva e poder público, resposta rápida e eficiente: julgamento e punição de arruaceiros, banimento dos brigões dos estádios, como já acontece na Europa, sem prejuízo das medidas penais, e punição de clubes cujas torcidas se envolvam em atos de violência (jogar com portões fechados e, no extremo, perda de pontos e desclassificação das competições). É crucial desestimular as gangues disfarçadas de torcedores

O acordo de Bali - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR


GAZETA DO POVO - PR - 10/12

As negociações tiveram vários lances difíceis, e um personagem sai fortalecido dessa rodada: o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC


A globalização é destacada por sua capacidade de transformar o planeta Terra em um mercado único, uma verdadeira “aldeia global”, expressão cunhada por Herbert Marshall McLuhan para dizer que as novas tecnologias de comunicação encurtariam distâncias e, ao lado do progresso tecnológico, transformariam o mundo numa espécie de país único. Ao se intensificar nos últimos 30 anos, a globalização ampliou o movimento de mercadorias, de pessoas, de capitais e de tecnologias entre os países.

O avanço da globalização se deveu a várias fatores, com destaque para a liberalização do comércio internacional, a desregulamentação do fluxo internacional de capitais financeiros e a abertura das economias nacionais. Inicialmente, o movimento de abertura foi mais expressivo no mundo ocidental; logo adiante, incorporou os países nos quais o comunismo foi abolido; e, numa terceira etapa, envolveu vários países orientais. O aumento do comércio de bens, serviços e tecnologias entre as nações foi impulsionado pelo aumento da população global e pela necessidade de reduzir a pobreza.

Nesse cenário, um setor que teve menor velocidade de abertura e seguiu mantendo protecionismos nacionais foi a agricultura. Países como os Estados Unidos, Japão e várias nações europeias sempre relutaram em reduzir os subsídios a seus setores agrícolas e abrir suas economias a importações de alimentos oriundos de países cuja produção primária era mais eficiente. O Brasil é um dos países que há muito vinham demandando mais abertura e menos protecionismo à agricultura naqueles países, a fim de ampliar os mercados para exportação.

Após anos de fracasso nas negociações, os países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), reunidos em Bali, na Indonésia, acabaram de aprovar o primeiro acordo comercial geral em duas décadas, cuja conclusão chega a surpreender, pois depende da concordância de todos. Sem consenso não há acordo. Desta vez, coube à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) – da qual participam Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela – rejeitar o acordo inteiro, mesmo estando os países pobres, sobretudo aqueles nos quais há escassez de alimentos, entre os mais beneficiados com o acordo, uma vez que o pacote envolve medidas de estímulo e facilitação do comércio, da agricultura e do desenvolvimento. Mas depois de conseguirem chamar a atenção, os países componentes da Alba enfim deram seu aval à assinatura do acordo.

Estimativas iniciais feitas por organismos vinculados ao comércio internacional afirmam que os estímulos podem superar US$ 1 trilhão e têm potencial para gerar mais de 20 milhões de empregos na economia mundial, como destacou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Parece que a oposição ao acordo, se houver, será de pequena expressão e localizada em países com interesses específicos eventualmente não beneficiados pelo acordo. As negociações tiveram vários lances difíceis, culminando com a aprovação final, e um personagem sai fortalecido dessa rodada: o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da OMC, que foi aplaudido na última sessão do encontro da organização, composta por 160 países membros.

As negociações envolveram itens de comércio exterior, transporte, barreiras não tarifárias, burocracia, normas jurídicas para solução de conflitos e medidas de facilitação do comércio. Espera-se que o setor primário mundial entre em novo tempo, com aumento da produção de alimentos, melhoria da produtividade e contribuição expressiva no combate à fome ao redor do mundo. Alguns pontos serão detalhados mais adiante e os procedimentos para a implementação dependem, pelo menos parte deles, de sistematização e divulgação.

Os países signatários do acordo agora passam à fase de adaptação de sua legislação e sua política interna a fim de que os efeitos das medidas aprovadas no âmbito da OMC se verifiquem na prática. As mudanças não serão imediatas no prazo curto, pois a extensão das medidas é expressiva e é grande o número de países envolvidos. Em relação ao comércio internacional, os termos combinados se transformam em norma a ser obedecida, cabendo à própria OMC o julgamento de eventuais conflitos levados a seus órgãos internos por qualquer parte considerada prejudicada.