quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Desagravo a Lula vira campanha para 2014, e Lula já está em campanha, Dilma está detonada por Lula e PT


TERÇA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2012


A bancada o PT organizou nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, o primeiro ato conjunto de reação às denúncias de corrupção que, na avaliação dos próprios petistas, atingem a imagem do partido e a do ex-presidente Lula. Embora nenhum dos discursos feitos por petistas ou por aliados se referisse explicitamente à possível entrada de Lula na disputa pela Presidência da República em 2014, a maior parte dos presentes admitia que a candidatura é a melhor forma do partido “se apropriar dos feitos” dos dois governo do ex-presidente. Ou seja, começou a campanha de Lula à Presidência da República, Dilma já está detonada por Lula e pelo PT. Em meio aos discursos inflamados, não faltaram as entoações do tradicional hino lulista “Olê,olê, olê, olá, Lula, Lula” e o mais recente bordão adotado pelo partido: “O Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”. O ato foi um "desagravo" a Lula principalmente pelas denúncias de tráfico de influência e outros crimes investigadas pela operação Porto Seguro e as ligações do ex-presidente com as denúncias do Mensalão do PT. Outro sentimento presente na bancada petista é de que a imagem da presidenta Dilma Rousseff tem ficado totalmente descolada das imagens do partido e da imagem de Lula. Os petistas mais antigos avaliam que o PT demorou a reagir. “Quando houve a denúncia do Mensalão, o PT avaliou que isso ficaria isolado, concentrado nas imagens de José Dirceu e de José Genoino. Quando o PT acordou, já era tarde”, disse um deputado petista que preferiu não se identificar. Já a deputada Luci Choinacki (PT-SC) assume a defesa de Lula e a apatia petista. “O partido demorou muito a reagir. Parece que houve uma acomodação. Nos esquecemos que do lado de lá, eles podem tudo”, disse a deputada, que distribuiu uma revista com sua foto ao lado de Lula. “Talvez a candidatura de Lula seja necessária ao partido. Há muito tempo eu venho defendendo Lula nas redes sociais. Digo também que sou defensora do José Dirceu e do José Genoino. Pouca gente tem coragem para dizer isso”, disse a deputada Luci Choinacki. “Enquanto se eu não tiver uma prova de que eles colocaram dinheiro no banco, eu continuo defendendo”, disse. O líder do partido na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), contou que foi avisado na noite de segunda-feira do ato pelos deputados Cândido Vaccarezza (SP) e Henrique Fontana (RS). Em seu discurso, Tatto citou a pesquisa CNI/Ibope, divulgada no último fim de semana. A consulta apontou que a maior parte dos entrevistados (59%) acredita que o governo Dilma é igual ao de Lula. O percentual subiu em relação à última pesquisa, feita em setembro, quando esse percentual era de 57%. “O Lula continua sendo querido pelo povo brasileiro assim como a presidenta Dilma”, disse Tatto. As denúncias envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha, apadrinhada de Lula, e o vazamento do depoimento do publicitário Marcos Valério, considerado pela Justiça, o operador do esquema do mensalão, foram o estopim para a reação do PT. A possível candidatura de Lula, na opinião de seus colegas de partido, seria uma forma de animar a militância e de o ex-presidente salvar sua reputação. “É melhor ir para a rua e deixar que o povo julgue”, disse um petista que também preferiu ficar no anonimato. “Só o anúncio que ele fez na Europa de dar início às caravanas pelo Brasil já provocou as pessoas”, revelou o petista.

Esse eu conheço!



ROBERTO DAMATTA
A reta, como diria o Oscar Niemeyer, é o real. Mas o ideal é a curva, o arredondado sedutor da montanha onde morre o sol; ou o suave declive da fonte que jorra por entre as suas frestas e mata a nossa infindável sede como viram, cada qual a seu tempo e maneira, Ary Barroso e Schopenhauer. 

Platão, inventor da oposição entre real e ideal, afirma que, como tudo nesse mundo está sempre se fazendo, as coisas reais não conferem nenhum conhecimento definitivo, pois são relativas e variáveis. Sujeitas, como revela sem cessar o nosso frustrante dia a dia, a redefinições. O ideal é único porque as ideias não morrem. O resto, como disseram Shakespeare e Érico Veríssimo, é silêncio... 

Estou, como o mundo inteiro, chocado com esse novo massacre ocorrido em Newtown, Estados Unidos. Penso nos pais forçados por um louco a entrar neste triste clube ao qual eu infelizmente pertenço: a sociedade dos que perderam filhos. Empresto a todos eles a minha humilde solidariedade. Aprendi como as palavras que deixam ver, por um instante, o todo no qual vivemos como inocentes são importantes nesses momentos. 

Estive no estado de Connecticut umas duas ou três vezes, e fiz palestras na sua universidade, no famoso Connecticut College (fundado em 1911 quando o Brasil fazia, como as máquinas, múltiplas revoluções) e na sua admirável Universidade Yale (fundada em 1701, quando, para muitos, o Brasil ainda não era Brasil), onde jaz um pedaço da alma do querido e saudoso Richard Morse, o americano mais brasileiro que conheci em toda a minha vida. Como explicar o massacre de crianças num lugar tão "adiantado" e "rico" sem uma lógica bíblica ou messiânica — sem um sistema de espoliação dos miseráveis e sem um Herodes agora armado, ele próprio, de pistolas automáticas, perguntou-me um jovem jornalista? 

Inocente, pois não tenho a menor ideia do meu futuro nem da minha vida, a qual eu tento cuidar e honrar com o devido egoísmo por ela determinado, só posso falar de uma importante contradição. 

Nós odiamos a violência, mas a admitimos em certas circunstâncias. Na guerra, por exemplo. Sobretudo, nas guerras santas que jamais saíram de moda. Ou na luta ideológica contra a famosa "direita" hoje propositalmente confundida no Brasil com o "direito": o ético, o meritório e o correto. 

No caso desta tragédia americana, há uma contradição trivial. O real manda, no mínimo, discutir, como disse o presidente Obama, a venda de armas. Mas o ideal, que tende a virar tabu, trata a aquisição de armas como um direito. 

No Brasil, criminalizamos o jogo, mas a Caixa Econômica Federal banca pelo menos sete ou oito jogos de azar. Ademais, condenamos o jogo e todo tipo de patifaria, mas compreendemos o canalha. Sobretudo quando ele é amigo. "Esse não! Esse eu conheço! Com ele eu não admito, ouviu? Não admito que sua reputação e sua figura, às quais o país tanto deve, sejam postas em questão!!!" 

Somos todos contra a jogatina, mas entendemos quando o primo faz uma "fezinha na borboleta" ou no "burro" — esse totem de um Brasil que tenta sem sucesso livrar-se das asnices de uma visão de mundo na qual a lei teria a virtude de corrigir o mundo por reação e não por prevenção. "Mas isso é crime capitulado no artigo tal da lei X! Não há mais o que discutir." Exceto é claro, se o capitulado for meu amigo! 

O problema é o que fazer com os criminosos depois de devidamente classificados como culpados. 

No nosso caso, a penalidade não é apenas uma decorrência do crime, é uma ciência e eu até diria, com todo o respeito, uma nobre arte. Afinal como ouvi muitas vezes nesses meses afora, "são vidas humanas em jogo". 

Condenamos também a droga, mas tomamos o nosso vinhozinho, a nossa cervejinha e a nossa cachacinha com os amigos sem problema. Aceitamos até que um conhecido goste de uma "fileirinha", no seu caso, inocente, porque: "Esse eu conheço e sei que é boa pessoa! Não é um individuo qualquer a ser espancado pela polícia e depois exposto e escrachado na mídia!!!" 

Batemos de frente com as contradições entre o real e o ideal, a menos que elas comprometam o patrão, o amigo e o correligionário a quem devemos carreiras, favores e cargos. "Esse não! De modo algum! Esse eu conheço!" Gritamos com obrigatória veemência. 

Uma ética de condescendência — esse pouco discutido valor brasileiro de muitos quilates — nos leva a relativizar o ideal. Como não é fácil equilibrá-los, pois o concreto sempre desafia o ideal, personalizamos e, com isso, impedir que X, Y ou Z sejam apreciados em suas faltas e velhacarias. E como "roupa suja só se lava em casa", ferimos o ideal (e a ética) dando um golpe personalista. "Esse não pode!", falamos, tirando do âmbito do crime ou da patifaria o amigo dileto ou o personagem poderoso.
Mas quem inventa os fatos?
Como esse bárbaro massacre ocorrido nos Estados Unidos; como esse inacreditável mensalão; como os vínculos de intimidade entre o ex-presidente e uma alta funcionária que representava a Presidência em São Paulo e lá montou uma quadrilha? Quem inventou um partido como o PT que iria exterminar os ratos da corrupção nacional — como bolou o publicitário do grupo, o sr. Duda Mendonça — e acabaram metidos no maior escândalo da República? É o jornal que forma a quadrilha ou é a quadrilha que faz o jornal?
Publicado no Globo de hoje. Roberto DaMatta é antropólogo.

Apelo só não basta


ZUENIR VENTURA


Em massacres como esse da escola primária de Connecticut, nos EUA, o que aumenta nossa indignação, o que nos faz sofrer ainda mais é a impossibilidade de descarregar nossa revolta em alguém, é não poder punir o culpado, é saber que a justiça não será feita, é não conseguir encontrar alguma justificativa para o que aconteceu. A polícia continua buscando os motivos, a imprensa tenta encontrar as causas, mas nem a família consegue entender o gesto assassino daquele monstro que criou durante 20 anos sem saber do horror de que ele seria capaz. Não cessamos de nos perguntar: como pode um ser humano praticar tanta maldade fria e calculadamente contra 26 semelhantes inocentes — 20 crianças, cinco professoras e a própria mãe? 

A primeira reação é atribuir a responsabilidade às armas. Episódios recorrentes como esse seriam a metonímia de um país permissivamente armado até os dentes e, em consequência, potencialmente homicida. Sempre que isso acontece, ressurge o debate sobre a necessidade de controlar o uso das armas de fogo. Na sua quarta viagem este ano para consolar parentes de vítimas de massacres semelhantes, Obama chorou e discursou apelando para "ações significativas", mas silenciou sobre a lei do armamento, como aliás fizera na campanha, quando um atirador de 24 anos lançou uma bomba de gás e fez vários disparos contra a plateia de um cinema de Aurora, no Colorado, matando doze espectadores e ferindo mais de 50. Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, criticou a omissão presidencial: "Apelo só não basta. Já ouvimos essa retórica. O que não vimos é liderança do presidente ou do Congresso." 

Os armamentistas alegam que o simples controle de armas não diminui a violência (o Brasil com as altas taxas de crimes seria um exemplo) e nem evita os comportamentos aberrantes. Mesmo países da pacífica Escandinávia têm sido vítimas deles. A Finlândia e a Noruega, modelos no controle de armamento, não conseguiram impedir terríveis tragédias, como a ação coordenada de um neonazista, que em 2011 jogou uma bomba no centro de Oslo e atirou a esmo num acampamento de jovens, exterminando mais de 90 pessoas. O movimento por regras mais rígidas, do qual participam legisladores e 600 prefeitos liderados por Bloomberg, porém, fará pressão sobre Obama para que um maior controle impeça os EUA, onde o número de armas passou de 200 milhões em 1995 para 270 milhões hoje (em cada dez habitantes, nove estão armados), de continuar sendo um dos campeões mundiais em tiro ao alvo — humano.
Obama chorou e discursou apelando para 'ações significativas', mas silenciou sobre a lei do armamento, como aliás fizera na campanha.

PSICANÁLISE DA VIDA COTIDIANA Medo e Paixão



CARLOS VIEIRA
O próximo Congresso Brasileiro de Psicanálise tem como tema - Ser contemporâneo: medo e paixão - a ser realizado na cidade de Campo Grande-MS em setembro de 2013. 
O que chama atenção nesse título nos dias de hoje? Por que medo e paixão, ou no meu entender, medo da paixão, medo de amar, de se envolver afetiva e emocionalmente com outra pessoa? O individualismo e egocentrismo do ser humano hoje é uma grande defesa psíquica para evitar e elaborar os conflitos inerentes de uma vida amorosa. Uma vida amorosa que inevitavelmente começa pela paixão é natural que traga medo, pavor de se machucar, desapontar e perder a pessoa amada. 
A paixão, que tem como modelo inicial o apego pela mãe, enquanto primeira relação de amor, e fala da necessidade de se criar alguém “salvador” da condição precária, física e emocional do ser humano. A vida começa por uma experiência inicial de abandono e uma necessidade de ser acolhido. Ninguém começa uma relação sem paixão, sem esse “fogo intenso, desejo convulsivo em direção à alma gêmea”. Alma gêmea, à procura do nosso gêmeo, experiência fantástica, imaginária, com a finalidade de nos oferecer um sentimento de completude. A paixão é uma vivencia turbulenta, fusional, proporcionando experimentar a “ilusão de unicidade” necessária momentaneamente.
“A tua boca de chama, o colo túrgido, 
Teu ardente perfume 
Arrastam-se a um abismo de alegria: 
Ah ser em ti, perder-me todo em ti, 
E em declínio soldar nossos desejos.”
Versos de um poema de Cláudio Allori, traduzido pelo nosso poeta Manuel Bandeira em seu livro – Estrela da Vida Inteira, Poesia Completa. 
Veja caro leitor, “ser em ti, perder-me todo em ti,/ E com delírio soldar os nossos desejos”, canta o poeta, de uma maneira metafórica e simbólica, para descrever a experiência da paixão humana. É óbvio que esse estado (de paixão) é algo necessário, contundente, arrebatador, mas passageiro, como um prelúdio ao Amor, o amor maduro, consciente de que mesmo juntas, duas pessoas são pessoas separadas, únicas, diferenciadas e não fundidas, confundidas, que perdem sua individualidade! 
Acontece que vivemos num mundo de consumo, de predominância dos impulsos orais, canibalísticos para ter o Outro, a posse dele, não como objeto de amor e sim de uso para o prazer, controle e a serviço da necessidade egocêntrica, narcísica, individualista e por que não dizer, incorporadora do outro como posse. 
O que o poeta escreve de uma maneira simbólica, as relações amorosas da pós-modernidade acredita de um modo concreto, necessário e permanente. 
Será que estamos vivendo a predominância da relação de posse para a satisfação puramente física, sexual, material em detrimento da relação amorosa de parceria, complementação e tolerância às diferenças? Se faz sentido pensar que o modelo atual é um modelo de uso, simplesmente do “ficar” e não “do se envolver amorosamente”, tem sentido, pertinência a preocupação dos psicanalistas em estudarem o medo e as paixões! 
Amar é se envolver com prazer e com dor. É desenvolver capacidade psíquica de estar sempre elaborando os afetos envolvidos numa relação amorosa. E os afetos contidos em qualquer relação dizem respeito à – amor, ódio, rivalidade, competição, inveja, ciúme, desejo de posse, cuidado, respeito, consideração e responsabilidade. 
É óbvio, caro leitor, e você vai concordar comigo que: na escolha de uma pessoa, necessariamente se passa pelo estado inicial da paixão, mas requer trabalho psíquico de cuidado e dedicação mútua, mesmo porque as pessoas têm diferenças, e não só igualdades. Quando se está disponível para amar é necessário fazer renúncia ao egoísmo mortífero, para desse modo desenvolver uma relação com individualidade própria. Sempre juntos e separados, essa é a sabedoria de amar. 
A intolerância atual à frustração, e principalmente ao desapontamento amoroso, cria o pavor, o medo e a dúvida de se ligar a alguém. Principalmente quando se trata de pessoas que viveram desapegos e abandonos precoces em sua infância, assim como pessoas que nasceram com um sentimento de gula e voracidade muito intensos. Diz a sabedoria popular – “essas pessoas são gatos escaldados que têm medo de água fria”. É verdade mesmo, a clínica psicanalítica vive, dia a dia, trabalhando essa experiência emocional de – medo da paixão – pavor das relações de intimidade afetiva. 
Encerro minha escrita hoje, transcrevendo a letra de uma música de Paul Simon – Eu sou uma Rocha (I am a Rock):
“Ergui paredes/Uma fortaleza, alta e forte/ Que ninguém pode penetrar./ Não preciso de amizades./Amizades causam dor./É o riso e é amar o que eu desdenho/Sou uma rocha,/ Sou uma ilha/ Tenho meus livros/ E minha poesia para proteger-me/ Estou blindado em minha armadura/ Oculto em meu quarto/ Seguro dentro do meu útero/ Eu não toco em ninguém e ninguém me toca/ Sou uma rocha/ Sou uma ilha./ E uma rocha não sente dor/ e uma ilha nunca chora.
Carlos.A.Vieira, médico, psicanalista, Membro Efetivo da Sociedade de Psicanálise de Brasilia e de Recife. Membro da FEBRAPSI e da I.P.A - London.

Condenados do mensalão pedem que plenário do STF decida sobre prisões



Débora Zampier (Agência Brasil)
Pelo menos sete condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) hoje (18) pedindo que o plenário julgue o pedido de prisão imediata. Os réus temem que a prisão seja decretada individualmente pelo presidente do STF e relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, durante o recesso de fim de ano.
O pedido já foi protocolado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, pelo deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), pelo ex-presidente do PT José Genoino e pelos réus ligados ao Banco Rural – Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane – e pelo ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Dos 25 condenados, 22 terão que cumprir a pena em regime fechado ou semiaberto.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, havia pedido a execução imediata das sentenças na defesa oral apresentada no início de agosto. Ele argumentou que o cumprimento de decisões proclamadas pela Suprema Corte deve ser imediato porque elas não podem mais ser apeladas em outras instâncias.
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GURGEL REFORÇA
Na segunda-feira (17), quando o pedido estava pronto para ser julgado em plenário, o procurador recuou e disse que apresentará nova petição reforçando os argumentos para as prisões imediatas nos próximos dias. Isso abre brecha para que a decisão seja proferida individualmente pelo presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, que ficará responsável pelo plantão do STF durante o recesso, que começa na quinta-feira (20) e vai até o dia 1º de fevereiro.
Para o advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima, não há motivo para julgar o pedido no recesso porque a questão não é urgente. Ele ainda lembra que a decisão sobre o recolhimento dos passaportes dos réus, concedida individualmente por Barbosa em outubro, até hoje não foi levada a plenário.
O advogado de João Paulo Cunha, Alberto Toron, argumenta que o STF não pode antecipar o cumprimento de uma pena que pode não se confirmar. Ele lembra que João Paulo foi condenado, no crime de lavagem de dinheiro, por 6 votos a 5, o que pode levar à revisão do julgamento. Quando o placar não é unanime e nem por ampla maioria, dispositivo no regimento interno da Corte permite que a decisão seja revista.
Os advogados dos réus do Banco Rural – Marcio Thomaz Bastos, José Carlos Dias e Maurício de Oliveira Campos Junior – alegam que qualquer que seja o novo argumento de Gurgel, será apenas a reiteração do que ele já solicitou no início do julgamento. Ainda lembram que a Corte tem tradição consolidada de não executar as penas até o final do processo, quando não há mais possibilidade de recurso.
O advogado de Genoino, Luiz Fernando Pacheco, alega que o procurador não pode retirar um pedido já apresentado no julgamento, e que o STF tem que apreciar a questão independentemente de nova petição.

O Brasil não será o mesmo



Carlos Chagas
Não faltaram adjetivos no voto do ministro Celso de Mello, favorável à cassação de três deputados por decisão do Supremo Tribunal Federal, para o caso de a Câmara não cumpri-la: intolerável, inaceitável, incompreensível, esdrúxula, arbitrária e inconstitucional será, para o decano da mais alta corte nacional de justiça o comportamento da casa dos representantes do povo.
Estão deflagradas as hostilidades entre Judiciário e Legislativo, ainda que muitos meses devam decorrer antes dos primeiros tiros. Para que a sentença contra os deputados se efetive, faltam o acórdão do relator, depois os embargos dos advogados dos réus, em seguida o julgamento de cada um desses recursos, em separado, pelo plenário e, por último, o texto final das sentenças que só então transitarão em julgado. Coisa para o segundo semestre do ano que vem. Tempo há, assim, para o recolhimento das armas e a celebração da paz entre as instituições em conflito.
Nos primórdios da Segunda Guerra Mundial, quando exércitos alemães e aliados encontravam-se frente a frente, sem avançar, a segunda autoridade nazista pilotou um avião, voou até a Escócia e saltou de paraquedas na propriedade de um nobre inglês sensível ao entendimento entre as nações beligerantes. Era Rudolph Hess, logo preso por ordem de Winston Churchill, sem ter oportunidade de fazer qualquer proposta. Morreu na cadeia, décadas depois do fim da guerra, onde dezenas de milhões de soldados e de civis foram sacrificados.
Certamente a vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas, não sabe pilotar aviões, muito menos saltar de paraquedas no quintal do ministro Ricardo Lewandowski, mas se isso acontecesse, não adiantaria nada. O nosso Churchill caboclo, Joaquim Barbosa, não permitiria. Mostra-se disposto a levar a conflagração até o fim, mesmo podendo o Supremo ser bombardeado quase à exaustão, como Londres. Ainda hoje, lamenta-se a maior carnificina da História.
Ignora-se no que vai dar o choque entre Legislativo e Judiciário. Mas o Brasil não será o mesmo, como o planeta não foi, depois de tudo acabado.
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COMO EXERCER MANDATOS NA CADEIA?
Mestre Gilberto Freire dizia ser o Brasil o país das impossibilidades possíveis, acrescentando que um belo dia o Carnaval cairia na Sexta-Feira da Paixão.
Há sinais de que iniciado o recesso do Judiciário, a partir de amanhã, o Procurador-Geral da República irá reiterar, por escrito, o pedido para a prisão imediata dos réus do mensalão condenados a penas de reclusão superiores a quatro anos. Estando o Supremo Tribunal Federal de férias, caberá ao presidente Joaquim Barbosa, de plantão, decidir sozinho a respeito.
A tentação será grande para despachar favoravelmente. Nesse caso, também os três deputados federais seriam recolhidos pela Polícia Federal. Estariam fisicamente impedidos de comparecer à Câmara, mesmo não tendo sido cassados por seus pares. Como exercer mandatos na cadeia?
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JUQUINHA E ZEZINHO
Juquinha e Zézinho viviam às turras, vizinhos separados por uma cerca que limitava os respectivos quintais. Uma goiabeira crescia bem no meio e a disputa pelas goiabas era permanente, mesmo numerosas. Tratava-se de uma questão de princípios. Quando um chegava, o outro se afastava, mas ambos de olho nas frutas que não colhiam.
A mais recente querela entre os ministros Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello beira a desavença entre os dois menininhos. Elogiar auxiliares, ao final de um julgamento, não chega a constituir quebra das normas do Supremo, ainda que atitude imprevista. No fundo, são as goiabas que pesam…

Divórcios no país cresceram 45,6%, mostra IBGE