segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Rumo a um “Politicídio”?



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Ainda não é uma tendência, porém crescem as chances de os brasileiros reagirem, radicalmente, contra a perigosa combinação entre corrupção, violência e impunidade. A tendência é que sejam escolhidos como alvos preferenciais “os políticos” (genericamente falando). Tal cenário de explosão social já é levado a sério por analistas militares. Não é à toa que muitos oficiais generais das Forças Armadas, sobretudo do Exército, têm se dedicado a estudar, ao longo da História brasileira, quando, como e por que ocorreram grandes revoltas populares.

Nada se compara à situação atual. Seria inconcebível e inaceitável pensar em um “politicídio” (assassinato em grandes proporções de políticos claramente identificados com o crime institucionalizado). A maioria da população não tem perfil para aderir a tamanha barbárie. No entanto, acentuam-se o descontentamento e a raiva contra políticos. A bronca é generalizada, mas a revolta pode atingir alguns, especificamente. Pode se dar mal quem insistir em defender criminosos, usando a retórica dos “direitos humanos” de forma cínica.

Nas redes sociais, viraliza um texto – que partiu de grupos de Policiais Militares – dando o tom da revolta em curso e chamando atenção para a malandragem retórica de quem flerta perigosamente com o crime: “Os deputados que defendem nossa segurança são chamados pela esquerda de bancada da bala. Vamos retribuir e chamar os que defendem os criminosos de bancada do crime. Vamos aderir a essa campanha. Precisamos ser proativos. Precisamos repudiar o politicamente correto, que transforma bandido em vítima social e a sociedade em cordeirinhos que defendem seus algozes. Ao referir-se a parlamentares do PT, PCdoB, PSOL ou qualquer outro que defende os bandidos, acrescente-lhe o aposto: da bancada do crime. Ex - Ivan Valente/PSOL , da bancada do crime, Erika Kokay/PT, da bancada do crime, Lindbergh Faria, da bancada do crime, Maria do Rosário, da bancada do crime, e por aí vai. Ajude espalhando essa idéia”.

Neste começo de 2017, a pauta governamental segue dominada pela “crise penitenciária” – que se arrasta há décadas, sempre sem solução real. Depois do dia 20 de janeiro, após a posse do Donald Trump, e, no começo de fevereiro, certamente depois do carnaval até março, as atenções se voltarão, fatalmente, para as homologações, pelo Supremo Tribunal Federal, das delações premiadas na Lava Jato, sobretudo contra políticos e membros importantes do governo peemedebista que dá seqüência ao petista.

Será necessário inventar outro assunto para desviar a atenção. Os verdadeiros chefões e estrategistas do Crime Institucionalizado (que ainda não moram em penitenciárias, mas sim em luxuosas residências) podem ter cometido seu erro fatal ao apelar, como de hábito, a uma explosão da violência nas cadeias, para tirar a corrupção do centro do noticiário. O feitiço tem tudo para se voltar contra os feiticeiros. É temerária a aposta de que a periferia, dominada pelo crime, vai jogar a favor da bandidagem organizada.

A crise estrutural (política, econômica e psicossocial) amplia a agrava a insatisfação da maioria das pessoas, em todas as classes sociais. Cada segmento tem uma percepção diferente do problema. No entanto, a maioria é prejudicada por suas causas e conseqüências. Quando se paga com a vida o negócio atinge proporções inimagináveis. O custo pessoal e social da corrupção se torna impagável.

O Combate à corrupção se transformou em uma causa transnacional... Vide a campanha da “Transparência Internacional” sobre o assunto: “Todas as formas de corrupção devem ser encerradas para garantir os direitos básicos de todas as pessoas e garantir um mundo onde todos possam viver com dignidade”. A entidade lança uma campanha mundial – A Declaração contra a Corrupção. Confira em:http://www.transparency.org/declaration/en

Os políticos (em geral) e os reais chefões do crime (em particular) têm tudo para se ferrar de forma nunca antes vista em nossa História... O recado também vale para os rentistas que financiam o Crime...

Releia o artigo de domingo: Em busca do salvador da Pátria que não virá


Bronca do empresário


Viraliza nas redes sociais, sobretudo nos zap-zaps da vida, um vídeo com o depoimento do empresário brasileiro Flávio Augusto da Silva, que vive na Flórida, porque aqui "está flórida"...

Dos EUA, ele dirige seus negócios: a rede de cursos de idiomas Wise UP e o time de futebol privado Orlando Soccer Club, onde joga o brasileiro Kaka.

Flávio demonstra, de modo coloquial, como os brasileiros são escravizados pelo Estado Corrupto.

Imagem Desconstruída


Pronto para o cargo


Dívida perigosa




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 16 de Janeiro de 2017.

ALÔ BRASILIA, QUE VERGONHA! -por Percival Puggina.


 Artigo publicado em 

 Em artigo anterior, com o título Cria Cuervos, mostrei como o Brasil foi se tornando um criatório de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil. Os cuervos, afirmei, são criados por quantos chamam bandido de herói e herói de bandido, combatem a polícia, riem da lei, proclamam a morte da instituição familiar, ridicularizam a virtude, aplaudem o vício, enxotam a religião, desautorizam quem educa ou usam a Educação para fazer política, e relativizam o bem e a verdade.
 Observe as movimentações para eleição da presidência da Câmara dos Deputados. Quem for escolhido pela maioria de seus pares, além de comandar a Casa e exercer várias outras atribuições importantes, será o substituto eventual do presidente da República. A disputa se trava entre Rodrigo Maia e Jovair Arantes. O primeiro dirigiu aquela sinistra sessão em que - forçando um poquito pero no mucho a expressão - as dez medidas contra a corrupção se transformaram em regras desmedidas a favor dos corruptos. E fez o possível, Rodrigo Maia, para que tudo acontecesse conforme articulado nos bastidores, inclusive o tardio horário em que se desenrolou a escabrosa parte deliberativa da sessão. Do segundo, é dito que representa o centrão, grupo de deputados do baixo clero, cuja principal atividade parlamentar seria usar os votos e o poder do bloco para intercambiar favores que, na maior parte dos casos, não se distinguem de meros negócios. Tudo indica que estamos lidando com títulos de estampado valor de face.
 A essas alturas, impõe-se perguntar se não há naquele plenário alguém com estatura para o cargo. É claro que há. E não são poucos, embora não sejam muitos nem em número suficiente, os homens e mulheres que honram seus mandatos e os exercem com integridade, voltados ao bem do país. No entanto, eventuais disposições para concorrer à liderança maior da casa, que entre eles surjam, tropeçam num grande obstáculo. Nesse parlamento dominado por indivíduos de péssimo caráter é muito difícil a uma pessoa de bem articular, ao seu redor, um grupo que viabilize suplantar, em votos, os atuais disputantes. Sei que há iniciativas. Tomara que funcionem. Mas o cenário que desenho é real.
 A sociedade que cria corvos é a mesma que os elege. E a experiência já mostrou que, no atual quadro institucional e moral do país, se o Poder Judiciário não afastar do poder os criminosos, não há lei de "fidelidade partidária", nem da "ficha limpa", nem projeto das "dez medidas", nem o que mais ocorra à criatividade nacional, que consiga aprimorar o tipo de representação política da nossa sociedade. Chega a ser ridículo. O Brasil foi levado para essa perdição como um adolescente conduzido por más companhias.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Alma centralizadora - por Rodrigo Constantino


Não há nada mais velho no Brasil do que o “capitalismo de compadres”, o patrimonialismo, o uso da coisa pública para fins privados, alimentado pelo centralismo estatal. São males que nos acompanham desde sempre. Revolucionário em nosso País seria o liberalismo, que nunca nos deu o ar de sua graça. A mentalidade estatizante está enraizada, desconfiando de tudo que vem da iniciativa privada e delegando ao governo um papel de salvador da Pátria. Nesse aspecto, o Brasil se parece muito com a França. Esse centralismo, afinal, vem desde o Antigo Regime, e foi fortalecido pelos jacobinos e por Napoleão. Troca-se o inquilino do edifício, mas a alma permanece intacta.
Em sua análise dessa época, Tocqueville mostra como todo o arcabouço do centralismo estatal já estava presente no Antigo Regime, e foi apenas aproveitado pelos revolucionários. Os administradores concentravam absurdo e arbitrário poder. E como as regras eram muitas e rígidas, a saída era o “jeitinho”, uma prática frouxa. Os reformadores miravam em fins diversos, mas seu meio era sempre o mesmo: usar o poder central para colocar em prática seus planos pessoais. O poder do Estado deveria ser quase ilimitado. Se ao menos ele fosse utilizado de forma adequada…
A nossa esquerda parece ter se encantado com a globalização da noite para o dia. Mas é fachada: essa turma só odeia os novos inquilinos, Trump e Temer, mas adora a alma centralizadora e estatizante
“Ninguém imagina que possa levar a bom termo um assunto importante se o Estado não se imiscuir”, escreve Tocqueville. Mesmo os agricultores achavam que era preciso o governo atuar para “aperfeiçoar” seu setor, tanto por meio de conselhos como de auxílio. Tocqueville continua: “Tendo o governo tomado assim o lugar da Providência, é natural que cada qual o invoque em suas urgências particulares. Por isso encontramos um número imenso de requerimentos que, sempre se fundamentando no interesse público, dizem respeito entretanto apenas a pequenos interesses privados”.
Impossível ler essa passagem e não pensar na coluna do empresário Benjamin Steinbruch na “Folha de S. Paulo”. Nela, o acionista do Grupo Vicunha e da CSN defende uma participação mais ativa do Estado para salvar a indústria brasileira, como se não tivesse sido justamente o excesso de intervenção estatal o maior responsável pela crise. Câmbio manipulado, redução artificial na taxa de juros, seleção de campeões nacionais, estímulos fiscais, tudo aquilo que o PT fez, e gerou apenas desgraça, o empresário deseja rever. Os “progressistas” são tão modernos como os nobres do Antigo Regime francês! Ironicamente, quem também adota visão protecionista parecida é Trump, odiado por nossa esquerda, que parece ter se encantado com a globalização da noite para o dia. Mas sabemos que é pura fachada: essa turma só odeia os novos inquilinos, Trump e Temer, mas adora a alma centralizadora e estatizante de nosso País.

Poema da Madrugada - Carlos Drummond de Andrade - A Flor e a Náusea

A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Conselho da Europa Recomenda à Imprensa Britânica que NÃO Informe Quando os Terroristas Forem Muçulmanos

  • É nesse momento que as leis sobre o discurso de incitamento ao ódio se tornam uma ameaça maior para a democracia e a liberdade de expressão do que o próprio discurso de incitamento ao ódio.
  • Na França os terroristas muçulmanos nunca são terroristas muçulmanos, mas "lunáticos", "maníacos" e "jovens".
  • Atacar a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não é discurso contra o ódio, é submissão.
  • Ao seguir essas recomendações o governo britânico proporcionaria às organizações muçulmanas uma espécie de monopólio: elas iriam se tornar a única fonte de informação sobre si mesmas. É a perfeita ordem totalitária da informação.
  • Criadas para a proteção contra o tipo de propaganda xenófoba e antissemita que deu origem ao Holocausto, as leis nacionais que tratam do discurso de incitamento ao ódio têm sido cada vez mais invocadas para criminalizar um discurso meramente considerado um insulto à raça, etnia, religião ou nacionalidade.
  • É preocupante imaginar por quanto tempo o Conselho da Europa vai envolver seus especialistas e sua influência para transpor obstáculos legais existentes, no esforço de reprimir qualquer tipo de crítica ao Islã e se curvar aos valores da jihad.
De acordo com a Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI em inglês) - parte integrante do Conselho da Europa - a imprensa britânica é responsável pelo aumento do discurso de incitamento ao ódio e da violência racista. Em 04 de outubro de 2016 a ECRI divulgou um boletim dedicado exclusivamente à Grã-Bretanha. O boletim salienta:
alguns dos tradicionais meios de comunicação, principalmente tabloides... são responsáveis em grande medida pelo uso da terminologia ofensiva, discriminatória e provocadora. O jornal The Sun por exemplo, publicou um artigo em abril de 2015 com o título: "Botes salva-vidas? Eu usaria helicópteros de combate para conter os migrantes", no qual o colunista comparou os migrantes a "baratas"...
O jornal The Sun também publicou manchetes incendiárias antimuçulmanas, como no caso da primeira página de 23 de novembro de 2015 em que se lia: "Um em cada cinco britânicos muçulmanos tem apreço pelos jihadistas", juntamente com a foto de um terrorista mascarado empunhando uma faca...
Vale dizer que a Organização de Normas da Imprensa Independente da Grã-Bretanha forçou o Sun a admitir que a manchete: "Um em cada cinco britânicos muçulmanos", citada no boletim da ECRI "é acentuadamente enganosa".
O boletim da ECRI estabelece uma ligação direta de causalidade entre determinadas manchetes sensacionalistas publicadas em tabloides britânicos e a segurança dos muçulmanos no Reino Unido. Em outras palavras, pelo visto a imprensa britânica está incitando os leitores a cometerem atos "islamofóbicos" contra muçulmanos:
A ECRI considera que, à luz do fato dos muçulmanos estarem cada vez mais sob os holofotes em consequência dos recentes ataques terroristas relacionados ao ISIS ao redor do mundo, alimentando o preconceito contra os muçulmanos, mostra um descaso desajuizado, não só em relação à dignidade da grande maioria dos muçulmanos do Reino Unido, como também pela sua segurança.


A ECRI baseia o boletim em um estudo recente de Matthew Feldman, professor da Universidade de Teesside. O estudo compila incidentes antimuçulmanos ocorridos antes e depois dos ataques terroristas:
Nos sete dias que antecederam o massacre na redação da revista Charlie Hebdo em Paris onde 12 pessoas foram mortas, houve 12 incidentes (antimuçulmanos) registrados, mas nos sete dias seguintes, houve 45. Este padrão é semelhante se comparado aos ataques terroristas ocorridos em Sydney em dezembro e em Copenhague em fevereiro.
De modo que segundo a ECRI e especialistas da Universidade de Teesside, quando jihadistas muçulmanos cometem assassinatos e a imprensa relata que os assassinos são muçulmanos, a imprensa e não os islamistas é que incentiva os "incidentes islamofóbicos" na Grã-Bretanha. De acordo com o Presidente da ECRI Christian Ahlund, "não é por acaso que a violência racista está aumentando no Reino Unido à medida que observamos exemplos preocupantes de intolerância e de discurso de incitamento ao ódio nos jornais, na Internet e até mesmo na classe política".
Para a ECRI, o maior problema está:
"... onde a mídia enfatiza o background muçulmano dos perpetradores de atos terroristas e dedica uma extensiva cobertura a isso, a reação violenta contra muçulmanos é provavelmente maior do que seria em casos em que a motivação dos agressores fosse minimizada ou rejeitada em favor de explicações alternativas".
O boletim não explica quais poderiam ser as "explicações alternativas". Mas podemos encontrar exemplos na imprensa francesa: quando um muçulmano ataca um soldado e tenta roubar a sua arma, ele não é um terrorista islamista e sim um "lunático". Ataques perpetrados por "lunáticos" são muito comuns na França.
A imprensa francesa minimiza ataques ao não fornecer os nomes dos perpetradores muçulmanos: incriminar um "Mohamed" pode, na mente dos jornalistas franceses, incitar retaliações contra os muçulmanos. Em outro exemplo, gangues muçulmanas não podem ser ligadas a nenhuma forma de violência, consequentemente elas se tornam "jovens". Na França os terroristas muçulmanos nunca são terroristas muçulmanos, mas "lunáticos", "maníacos" e "jovens".
Assim é a França. Na Grã-Bretanha os tabloides não são tão corteses e entendem perfeitamente as intenções do boletim da ECRI: banir a palavra "muçulmano" quando ela está associada à "violência ou ao terrorismo".

O Boletim da ECRI Marca uma Virada de 90º na Liberdade de Expressão

É nesse momento que as leis sobre o discurso de incitamento ao ódio se tornam uma ameaça maior para a democracia e a liberdade de expressão do que o próprio discurso de incitamento ao ódio. Proibir jornalistas de identificarem o "terrorismo islâmico", encorajando-os a esconderem a associação dos muçulmanos com o terrorismo é uma tentativa de deturpar a verdade da mesma maneira que a antiga União Soviética censurava a verdade. Aproveitando-se de alguns artigos verdadeiramente racistas publicados em tabloides - não muitos, porque não são muitos os citados no boletim - atacar a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não é discurso contra o ódio, é submissão.
A prova da submissão pode ser vista nas recomendações da ECRI ao governo britânico:
  • "criação de uma agência regulatória de imprensa independente";
  • "rigoroso treinamento para jornalistas para garantir melhor cumprimento das normas éticas";
  • "revisão das disposições relativas ao incitamento ao ódio a fim de torná-las mais eficazes e utilizáveis";
  • "criação de um verdadeiro diálogo com os muçulmanos, a fim de combater a islamofobia. Eles (jornalistas) deverão consultá-los no tocante a todas as políticas que possam afetar os muçulmanos";
  • emendar o Código de Conduta do editor com o objetivo de assegurar que os membros de grupos possam apresentar reclamações como vítimas de reportagens tendenciosas ou prejudiciais em relação a sua comunidade".
Ao seguir essas recomendações o governo britânico proporcionaria às organizações muçulmanas uma espécie de monopólio: elas iriam se tornar a única fonte de informação sobre si mesmas. É a perfeita ordem totalitária da informação. Se uma brecha dessa natureza for aberta no futuro, sem a menor sombra de dúvida todos os lobbies correrão para se aproveitar dela: partidos políticos, protestantes, católicos, judeus, multinacionais, todos.
O governo britânico não caiu na armadilha e repeliu energicamente as demandas da ECRI. Ele assinalou ao órgão do Conselho Europeu:
  • "O governo está compromissado com uma imprensa livre e aberta e não interfere com o que a imprensa informa ou deixa de informar, desde que esteja dentro da lei."
Na Grã-Bretanha assim como em todos os países da União Europeia as leis anti-ódio já estão em vigor. Criadas para a proteção contra o tipo de propaganda xenófoba e antissemita que deu origem ao Holocausto, as leis nacionais que tratam do discurso de incitamento ao ódio têm sido cada vez mais invocadas para criminalizar um discurso meramente considerado um insulto à raça, etnia, religião ou nacionalidade.
Essas leis também foram invocadas diversas vezes por islamistas para processarem discursos anti-islâmicos (caricaturas de Maomé, blasfêmia contra o Islã, etc.) como manifestações de "racismo" - felizmente, com pouco sucesso. A maioria das ações judiciais cujos autores foram islamistas malograram porque o Islã não é raça.
Agnes Callamard, especialista em direitos humanos, escreve em referência à Carta das Nações Unidas:
"O ARTIGO 19 reconhece que restrições razoáveis em relação à liberdade de expressão podem ser necessárias ou serem legítimas para evitar o apelo ao ódio com base na nacionalidade, raça e religião que constitua incitamento à discriminação, hostilidade ou violência. A organização não estende essas restrições legítimas a expressões ofensivas e blasfemas".
É preocupante imaginar por quanto tempo o Conselho da Europa vai envolver seus especialistas e sua influência para transpor obstáculos legais existentes, no esforço de reprimir qualquer tipo de crítica ao Islã e se curvar aos valores da jihad.
Yves Mamou, radicado na França, trabalhou por duas décadas como jornalista para o Le Monde.

FONTE -  https://pt.gatestoneinstitute.org/9508/midia-censura-muculmanos-terroristas

"A incoerência de Temer ao reajustar servidores", editorial de O Globo


O governo que aprova no Congresso o teto constitucional dos gastos é o mesmo que se compromete, por lei, a aumentar as despesas; terá de fazer opções em breve


Período de algum relaxamento, as viradas de ano podem ser usadas por governantes para tomar decisões que gostariam que não fossem notadas. Desta vez, a contagem regressiva para a chegada de 2017 coincidiu com a Medida Provisória 765, um presente de reajustes para oito categorias do funcionalismo público e, além de outros atos, a criação de um bônus de produtividade e eficiência para auditores fiscais e analistas tributários da Receita, extensivos a auditores do Ministério do Trabalho.

Nem parecia um país que encerrava 2016 ainda com preocupantes déficits fiscais: na faixa de 9% do PIB, considerando-se as despesas com juros — três vezes mais o admitido na União Europeia —, e 3% sem elas, números a serem confirmados mais à frente. Pelo segundo ano consecutivo. Um contrassenso.

Ao se detalhar a MP, constatam-se altas irresponsabilidades. Há reajustes de até 53%; o bônus é retroativo, para abranger o mês de dezembro e, o pior, estende-se a aposentados e pensionistas. Um bônus de produtividade para quem não mais produz (!). Como o Congresso não aprovou os percentuais de aumentos, o Planalto editou a MP no luscofusco de fim de ano.

Tudo é possível no alegre reino da fantasia do funcionalismo federal. Mas não no duro universo dos servidores estaduais, onde o poder público não pode contrair dívida para colocar em dia salários e benefícios. A União pode, e tem feito isso.

Procurada pelo jornal “Valor"para dar explicações, a Receita tentou sair pela tangente e piorou a situação: disse que o mesmo acontece na AGU e na Procuradoria Geral da Fazenda, entre outros braços da burocracia. Isso significa que o absurdo — inativo e pensionistas premiados por eficiência e produtividade — drena dinheiro do contribuinte há algum tempo, privilégio que deverá se espalhar nas pautas de reivindicações das categorias dos servidores. Desde que assumiu como presidente interino, Temer tem contrariado, desta forma — dando aumentos salariais —, a austeridade que prega e cobra, com acerto, dos governadores.

Já passaram pelo Congresso, enviados pelo governo Temer, mais de dez projetos de reajustes salariais. Apenas esta MP representa uma despesa adicional de R$ 3,8 bilhões, este ano. Até 2019, R$ 11,2 bilhões.

Há duas justificativas oficiais: os reajustes haviam sido acertados anteriormente, no governo Dilma, e existe dinheiro no Orçamento. Mas, na verdade, não há esta certeza, porque o mesmo governo que gasta em salários como se não houvesse amanhã aprovou no mesmo Congresso um teto constitucional para os gastos.

Parecem dois presidentes em um só: um gasta, o outro corta. Quem vencerá? O Planalto deve se preparar para decidir onde cortar, para atender ao crescimento dessas despesas com salários, bônus e aposentadorias. Depois da PEC do teto, o total das despesas não pode crescer mais, este ano, que os 6,29% da inflação de 2016. Vai chegar a hora de definir prioridades.

Poema da Madrugada - Georg Trakl - Aos Emudecidos


Georg Trakl

by Marjorie Salu
Aos Emudecidos
Oh, a loucura da cidade grande, quando ao entardecer
Árvores atrofiadas fitam inertes ao longo do muro negro
Que o espírito do mal observa com máscara prateada;
A luz, com açoite magnético, expulsa a noite pétrea.
Oh, o repicar perdido dos sinos da tarde.
A puta, em gélidos calafrios, pare uma criança morta.
A cólera de Deus chicoteia enfurecida a fronte do possesso,
Epidemia purpúrea, fome que despedaça olhos verdes.
Oh, o terrífico riso do ouro.
Mas quieta em caverna escura sangra muda a humanidade,
Constrói de duros metais a cabeça redentora.
Trad. Cláudia Cavalcante
Biografia de Georg Trakl aqui