terça-feira, 21 de outubro de 2014

POESIA DA NOITE - Bilhete, Mario Quintana



Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Mario Quintana

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Vitimização de Dilma - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 18/10
O truque já foi usado uma vez, recentemente, e não funcionou, ao tentarem fazer da presidente Dilma uma coitadinha quando foi vaiada na abertura da Copa do Mundo no Itaquerão. Nada indica que funcionará desta vez. Transformar a presidente Dilma em uma senhora delicada que foi tratada com grosseria por seu adversário Aécio Neves no debate do SBT, na quinta-feira, não é um relato fiel do que aconteceu, nem faz jus à história da presidente e do PT. Beira o ridículo.

O mal-estar da presidente ao final do debate pode ter sido provocado pelo calor da discussão e do estúdio de televisão, e prenuncia uma fragilidade emocional dela, conhecida por seu vigor verbal, digamos assim. Ontem, Dilma, antes de adiar uma vinda ao Rio "a conselho médico" que depois foi desmentido, disse algo como "o PT não é de briga, mas sabe enfrentar desafios". Nada menos verdadeiro.

Ao contrário, o PT só sabe fazer política na base do confronto, precisa de um inimigo para mobilizar seus militantes, que andam meio desanimados ultimamente. Esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT no país, que não sabe fazer política sem radicalizar. A prática do "nós contra eles", aprofundada nesta campanha com uma tentativa de jogar o PSDB contra os nordestinos, acaba levando a exacerbações.

Na ocasião da abertura da Copa, escrevi que a grosseria é um problema nosso, de uma sociedade que precisa encontrar novamente o caminho da civilidade e da convivência pacífica entre os contrários. A vaia é um problema da presidente Dilma e do PT. Naquela ocasião, a presidente Dilma passou a ser tratada como uma senhora frágil e desacostumada a essa linguagem, quando ela própria já demonstrou, em reuniões com ministros e empresários, que sabe lidar com esse tipo de problema. Que o digam os ministros que já saíram chorando de seu gabinete depois de uma boa espinafração, muitas vezes com uso de palavras nada convencionais.

O ex-presidente Lula voltou a tentar o truque depois do debate da Bandeirantes, dizendo que, "quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontrar um pobre na frente: é capaz de ele pisar ou não enxergar".

Lula, evidentemente, está fazendo baixa política, sem muita chance de dar certo. A própria presidente Dilma não dá razão para esse tratamento condescendente com ela, pois, quando soube que a ex- candidata Marina Silva havia chorado ao ser atacada pela propaganda petista, saiu-se com esse comentário: "um presidente da República tem de resistir à pressão".

Em discurso dirigido a movimentos negros em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Dilma afirmou que quem não quer ser criticado "não pode ser presidente".

- Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia. Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República. Acho que, (para) ser presidente, a gente tem que aguentar a barra - disse Dilma.

Se a vitimização de Marina não teve sucesso, e ela só reagiu à altura dos ataques muito tempo depois, quando sua votação já se esvaía, agora o candidato do PSDB, Aécio Neves, está enfrentando de frente os mesmos ataques, o que coloca um dado novo na disputa presidencial. Na verdade, Aécio é o primeiro candidato tucano que enfrenta o PT sem receios, resgatando o legado de Fernando Henrique Cardoso e exorcizando de vez a demonização que o PT vem fazendo dos governos tucanos pelos últimos 12 anos.

Tanto Serra quanto Alckmin entraram na disputa contra o PT com receio de se indispor com Lula e seus seguidores, e tiveram dificuldades para defender as políticas do PSDB, quando não evitaram simplesmente temas polêmicos como as privatizações. A postura de Aécio Neves já mostrou que há um projeto político para enfrentar o lulismo, e defendê-lo não tira votos.

Intolerância à francesa - OSIAS WURMAN


O GLOBO - 19/10

Trilogia liberdade, igualdade e fraternidade, slogan da Revolução Francesa de 1789, parece não mais valer para os judeus franceses



A trilogia liberdade, igualdade e fraternidade, slogan da Revolução Francesa de 1789, parece não mais valer para os judeus franceses. Uma comunidade judaica milenar, com cerca de 600 mil pessoas, registra a decadência em seu direito de, livremente, viver em sua pátria natal, e preservar a sua liberdade religiosa.

O momento atual, para os judeus franceses, remete aos idos do século XIX, quando o capitão judeu alsaciano Alfred Dreyfus foi sentenciado como traidor e, somente após sua degradação e prisão, foi julgado inocente e libertado por pressão na mídia de indignados intelectuais como Émile Zola, que acusaram o governo de ter praticado uma terrível injustiça.

Vale lembrar que, em época mais recente, na década de 40, cerca de 70 mil judeus franceses, sendo 1.500 crianças, foram arrancados de seus lares e enviados para os campos de concentração na Polônia, onde foram assassinados pelos nazistas.

Durante a mais recente guerra em Gaza, usada como pretexto por extremistas para insuflar o ódio aos judeus, mais de 150 mil manifestantes saíram às ruas de Paris e, empunhando bandeiras da Autoridade Palestina e faixas de apoio ao Hamas, voltaram a gritar slogans antijudaicos que lembraram o ocorrido nas ruas da capital francesa, na época do caso Dreyfus. A mais recente demonstração de intolerância antijudaico-sionista ocorreu próxima à segunda mais populosa cidade francesa, Marselha, que tem uma enorme população muçulmana, e onde o desemprego dos jovens é de cerca de 40%.

A cineasta israelense premiada Hilla Medalia sempre participa de acaloradas discussões e debates sobre seus filmes, mas ela nunca tinha experimentado o que aconteceu na exibição de seu filme “Dançando em Jaffa” num festival de cinema israelense, em Carpentras.

Cerca de 20 membros da plateia se levantaram e começaram a gritar slogans anti-Israel. Em seguida, eles atiraram bombas de mau cheiro. “Isto foi muito frustrante para mim, especialmente porque este filme é sobre como entender e respeitar o outro”, disse a diretora.

É neste clima de ódio explícito a Israel e aos judeus — que representam cerca de 1% da população francesa totalizando 600 mil pessoas, comparados aos seis milhões de muçulmanos franceses — que milhares de membros da comunidade judaica botaram um pé na Terra Santa. Cerca de 50 mil famílias francesas adquiriram, nos últimos anos, uma segunda moradia em Israel.

Para este ano são esperados mais de seis mil judeus franceses, que imigrarão para o Estado Judeu, sendo que a quantidade anual tende a aumentar.

Na atual situação de discriminação na França, os judeus franceses estão tendo que optar por apoiar o partido anti-islâmico da Frente Nacional da radical Marine Le Pen, com 46% da comunidade nesta situação, ou emigrar para um país onde encontrarão a definitiva liberdade, igualdade e fraternidade: Israel.

A volta do cipó - DORA KRAMER


O ESTADÃO - 19/10


Desde o início estávamos todos devidamente avisados de que o bicho iria “pegar”, mas pelo visto não suficientemente preparados para o quanto os candidatos seriam capazes de fazer “o diabo” na disputa pela Presidência da República.

Causou espanto o grau de agressividade entre a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves nos dois primeiros debates da campanha do segundo turno, notadamente o embate de quinta-feira transmitido pelo SBT. Surpresa até certo ponto injustificada, pois a guerra de extermínio estava anunciada.

O tom da sinfonia também já havia sido dado pelo PT no primeiro turno, quando Marina Silva apresentou-se como uma ameaça concreta. Aquele comercial dos banqueiros celebrando a falta de comida no prato do brasileiro já indicava que não haveria limite nem nada parecido com a prometida “campanha propositiva”.

Marina sucumbiu. À força dos ataques, mas também devido às próprias fragilidades. Como a campanha do PT se concentrou na destruição da adversária mais perigosa, o tucano foi poupado e conseguiu atrair o eleitorado de oposição.

A fim de não ter o mesmo destino da antecessora no ringue, Aécio precisava entrar no segundo turno preparado para enfrentar a artilharia pesada.

Até porque o PSDB vinha sendo freguês do PT desde 2002. Nas sucessivas vezes em que o mineiro insinuava intenção de ser candidato, e mesmo agora, os petistas sempre disseram que seria muito fácil derrotá-lo. Espalhavam versões de todo tipo, envolvendo a existência de material supostamente explosivo nunca exibido.

Os tucanos sabiam que o adversário atacaria com mão pesada. Não foram, portanto, pegos de surpresa. O dado surpreendente e que parece ser a causa de tanto espanto é a reação do PSDB, um combatente sempre moderado. Um partido de oposição criticado por excesso de condescendência no exercício da atividade.

Aécio Neves hoje só não é mais conhecido do público porque não teve a atuação de líder oposicionista que dele se esperava quando deixou o governo de Minas Gerais para assumir uma cadeira no Senado. Ficou ali naquele trabalho de bastidor sem importunar o governo. A “pegada” da oposição nesses anos foi reconhecidamente leve.

Assim o PT estava acostumado a ser tratado. Batendo com ferro, na ofensiva, só ficando na defensiva quando lhe interessava o papel de vítima. Uma exceção apenas: na eleição de 1989, quando o então candidato Luiz Inácio da Silva ficou acuado pelos ataques antiéticos e brutais do oponente Fernando Collor, hoje seu aliado.

De onde o elemento surpresa desse segundo turno é o revide dos tucanos, que nos últimos 12 anos aceitaram apanhar praticamente calados. Viram o PT se apropriar dos feitos dos governos Fernando Henrique Cardoso sem saber direito como se defender.

Nas campanhas presidenciais subsequentes a oposição deixou o PT nadar de braçada, sem aproveitar seus flancos objetivamente. Do ponto de vista da luta política, o PSDB foi inexplicavelmente delicado na época do escândalo do mensalão, ao atender à solicitação do advogado Márcio Thomaz Bastos para deixar passar em branco a denúncia do publicitário Duda Mendonça de que recebera dinheiro de caixa dois na campanha de Lula em 2002.

Os tucanos foram tão ingênuos na campanha de 2010. Agora estão dispostos a vestir a roupa de briga e ir para o meio da rua invocando Geraldo Vandré na volta do cipó de aroeira, pedindo o castigo “no lombo de quem mandou dar”.

A quem interessa. A campanha da presidente Dilma não tem razão para comemorar a confissão de Paulo Roberto Costa de que pagou propina ao tucano Sergio Guerra para esvaziar uma CPI da Petrobras em 2009. Afinal, atuava a serviço do governo.

Molecagem! - RICARDO NOBLAT


O GLOBO - 20/10

Qual Lula é o verdadeiro? O bem-educado que aparece no programa de propaganda eleitoral de Dilma na televisão, defende os 12 anos de governos do PT e, ao cabo, sorridente, pede votos para reeleger sua sucessora? Ou o moleque de rua que pontifica em comícios país afora, sugerindo, sem ter coragem de afirmar diretamente, que Aécio é capaz, sim, de dirigir embriagado, agredir mulheres e se drogar?

O SEGUNDO É o mais próximo do verdadeiro Lula. Digo porque o conheço desde quando era líder sindical. Lula é uma metamorfose ambulante. Não foi ninguém quem o disse, foi ele quem se rotulou assim. A esquerda tudo perdoaria a Lula desde que chegasse ao poder. Chegou, cavalgando-o. Urna vez lá, corrompeu-se. Quanto a ele... Não sabia de nada. Nunca soube.

JUSTIÇA SEJA FEITA a Lula: por desconhecimento de causa e preguiça, ele jamais compartilhou as ideias da esquerda. Assim como ela se aproveitou dele, Lula se aproveitou dela. Um casamento não por amor, mas por interesse. Na primeira reunião ministerial do seu governo em 2003, Lula se irritou com um ministro e desabafou: "Toda vez que me guiei pela esquerda me dei mal"

RETIFICO: ELE NÃO disse que se deu mal. Usou um palavrão. Nada de mais para o sujeito desbocado que nunca pesou o que diz. Grossura nada tem a ver com infância pobre. Lula é um sucesso do jeito que é. Mudar, por quê? Todos admiram sua astúcia. Muitos se curvam à sua sabedoria. E outros tantos temem ser apontados como desafetos do retirante nordestino que se deu bem.

UMA DAS CHAVES do sucesso de Lula é a coragem de dizer o que lhe apetece - às favas a verdade. No último sábado, em comício em Belo Horizonte, Lula disse que nunca foi grosseiro com adversários. Textualmente: "Não tive coragem de ser grosseiro contra Collor, Serra, Alckmin, Fernando Henrique. Pega uma palavra minha chamando candidato de mentiroso e leviano" É fácil.

LULA CHAMOU SARNEY de ladrão. E Itamar Franco de filho da puta. Resposta de Itamar em maio de 2003: "Gostaria de saber o que aconteceria se a situação fosse inversa, ou seja, se esse indivíduo arrogante e elitista fosse o presidente da República, e alguém lhe chamasse disso. (...) Minha mãe se chamava Itália Franco. Mas, fosse um filho da p., certamente teria por ela o mesmo amor filial'!

VOCÊ PENSA QUE Lula ficou constrangido com a resposta de Itamar? Foi ao velório dele. Assim como foi ao velório de Ruth Cardoso, mulher de Fernando Henrique. Chorando, lançou-se aos braços do ex-presidente. Pouco antes da morte de Ruth, a Casa Civil da então ministra Dilma montara um dossiê sobre despesas com cartão de crédito do casal FH. Depois, a ministra se desculpou.

LULA NÃO É HOMEM de se desculpar. Nem mesmo quando trata um assessor a pontapés. Como governador de Minas Gerais, no auge do escândalo do mensalão, Aécio lutou para que o PSDB não pedisse o impeachment de Lula. Conseguiu. Mais tarde, Lula tentou convencê-lo a aderir ao PMDB para disputar a Presidência com o seu apoio. Aécio não quis.

DE VOLTA AO COMÍCIO de Belo Horizonte. Antes de Lula falar, foi lida a carta de uma psicóloga acusando Aécio de espancar mulheres e de ser megalomaníaco. Ele ainda foi chamado de "coisa ruim'," "cafajeste" e "playboy mimado" Por fim, a plateia foi ao delírio ao ouvir Lula dizer sobre o comportamento de Aécio em debates: "A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo"

Dilma esconde Gleisi durante visita a Curitiba, com medo de chafurdar na lama do “Petrolão”


Gleisi Hoffmanngleisi_hoffmann_53 Mantendo distância – No primeiro turno das eleições, quando disputava o governo do Paraná, a senadora petista tentou se descolar da presidente Dilma Rousseff e do PT. Tirou o vermelho da propaganda política e chegou a cancelar uma caminhada com a presidente na Rua XV de Novembro. No segundo turno, depois de um fiasco eleitoral histórico (3ª colocada com 14% dos votos) e de ter transformado o PT do Paraná em um partido nanico, Gleisi se converteu em uma espécie de alma penada da política paranaense, assombração da qual qualquer um quer distância.
A situação agravou-se sobremaneira depois que vazou a informação de que a campanha de Gleisi recebeu R$ 1 milhão, em dinheiro vivo, do esquema da Petrobras, através de Alberto Youssef, velho conhecido da petista e do seu marido, o ministro Paulo Bernardo da Silva (Comunicações).
Na caminhada que fez pelo centro de Curitiba, na última sexta-feira (17), Dilma vetou a presença de Gleisi, temendo a exploração de sua imagem ao da mais nova envolvida no escândalo do Petrolão que veio à tona na edição do último sábado (18) do jornal “O Estado de S. Paulo”. O PT tentou justificar a ausência de Gleisi na caminhada – e no comício de Dilma – com a desculpa de que a ex-ministra estaria ocupada cabalando o apoio de Christiane Yared (PTN), deputada federal mais votada no Paraná, para a presidente e companheira de legenda. Tosco, o argumento naufragou em seguida pela inconsistência, depois que Yared reafirmou em sua página no Facebook que não pretende qualquer candidato no segundo turno.


A situação de Gleisi Hoffmann não é das melhores, pois seu envolvimento em eventos graves e explosivos tem dificultado qualquer estratégia para reverter o quadro. Entre os imbróglios recentes que pontuam o currículo de Gleisi merecem destaque a perseguição ao estado do Paraná quando ocupou a Casa Civil, a contratação de um pedófilo para cuidar das políticas do governo federal para menores e o fato de ter recebido dinheiro do escândalo conhecido como “Petrolão” para sua campanha ao Senado.
De tal modo, a carreira política de Gleisi parece se encaminhar para um fim precoce e melancólico. Pelo menos é o que mostram os números das últimas eleições. Em 2006, quando concorreu ao Senado Federal (e perdeu), a petista arrancou das urnas 2.299.088 votos. Em 2010, obteve 3.196.468 votos quando disputou e se elegeu senadora. Na disputa pelo governo paranaense, Gleisi teve apenas 881.857 votos. Dentro do PT já se fala que a ex-ministra-chefe da Casa Civil deve se contentar em disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2018, quando encerra seu mandato no Senado.
Para quem um dia sonhou em substituir Dilma Rousseff na Presidência da República, Gleisi é um fenômeno às avessas. Esse calvário que cresce a cada dia é reflexo da presunção da senadora e principalmente da forma truculenta como tenta intimidar a imprensa nacional, quando vê as suas bizarrices divulgadas por veículos de comunicação. O editor do ucho.info foi uma das vítimas desse apreço de Gleisi Hoffmann pela censura, apenas porque se valeu dos direitos constitucionais de informar e de manifestar livremente o seu pensamento

CABEÇAS VÃO ROLAR


CARLOS CHAGAS -
Quando chegarem ao Supremo Tribunal Federal as íntegras dos depoimentos dos dois bandidos que roubaram a Petrobrás, na forma de delações premiadas, dependerá dos ministros Ricardo Lewandowski, presidente, e Teori Zavaski, relator, dar início aos processos contra deputados, senadores, governadores e até ministros envolvidos na lambança. A começar pelos que foram reeleitos e terão, até a conclusão dos julgamentos, tomado posse e entrado no exercício de seus mandatos. Coisa para mais de um ano. A impressão geral na mais alta corte nacional de justiça é de que, mesmo sem as características singulares do ex-ministro Joaquim Barbosa, o atual chefe do Poder Judiciário será inflexível na aplicação da lei. Convém aguardar.
INDECISOS COISA NENHUMA
Dos 143 milhões de eleitores no Brasil, qual o percentual de indecisos? Por mais que os institutos de pesquisa batam cabeça, é impossível calcular a partir de consultas feitas a 5 ou 9 mil cidadãos. Mesmo assim, indicam a lógica e o bom senso que a uma semana das eleições, será mínimo o número de eleitores sem se ter definido. Sendo assim, não serão os indecisos que decidirão por Dilma ou por Aécio. A escolha já está feita pela imensa maioria, ainda que só na noite do próximo domingo possamos saber qual.
O FILHO INGRATO
O Lula  foi um produto da imprensa. Como líder sindical, não chegaria a líder político sem estar todo dia nas primeiras páginas dos jornais e na capa das revistas. Vê-lo hoje denegrindo os meios de comunicação é irônico, além de injusto.
ALÍVIO
Felizmente, falta pouco para nos livrarmos das abomináveis informações ouvidas todos os dias a respeito de  “o nível de confiança dessa pesquisa é de 95%” ou “pela margem de erro o candidato pode receber dois pontos para cima ou dois pontos para baixo”. Trata-se de um engodo destinado a abrir  janelas para desculpar notórios erros dos institutos.
Outra praga de que nos livraremos será a pejorativa denominação dos postulantes a cargos eletivos de “CANDIDATO (A)”.Pejorativa porque jogada sobre quem disputa eleições na forma de uma diminuição. Ganhando ou perdendo, até o fim do ano Dilma voltará  a ser PRESIDENTA  e Aécio, SENADOR. Depois da posse do eleito, a situação poderá inverter-se para o tucano, mas a companheira merecerá até o fim da vida o tratamento de PRESIDENTA, devido a quantos ocuparam a chefia do governo.
JÁ FOI  PIOR
Virou moda classificar a atual campanha presidencial como a mais baixa e lamentável de todas, na história da República, pela sucessão de agressões entre os candidatos. Pode não ser bem assim,  apesar do triste espetáculo encenado por Dilma e Aécio. Poucos lembram que  Jânio Quadros ia para os comícios levando um rato  na ponta de um bambu,   para sugerir que era Ademar de Barros, enquanto este balançava no seu bambu um gambá, igualmente apontado como o seu adversário.
OS MINISTÉRIOS
A partir de segunda-feira que vem começarão as especulações  sobre o ministério do presidente eleito. Se for Dilma, imagina-se que passará o rodo na atual equipe, da qual apenas dois ou três permanecerão, de um total de 39. No caso da eleição de Aécio,  não deve ser esperado o retorno em massa dos ministros de Fernando Henrique Cardoso. Lá e cá, a palavra de ordem será  renovação.