sábado, 28 de setembro de 2013

Bradesco é condenado a indenizar cliente que teve o cartão clonado


27/09/13





Segundo os autos, em junho de 2010, o instrutor tentou utilizar o cartão mas não conseguiu. Ao pedir orientação a um funcionário da agência, foi informado de que a conta estava bloqueada. O motivo teria sido cinco operações feitas acima do limite permitido, totalizando R$ 3.400,00. As operações foram executadas em loja denominada Centro Fitness, com endereço no Rio Grande do Sul, entre outros estados.
F.E.J.S. mora no bairro Mondubim, em Fortaleza, e afirmou que nunca comprou no referido estabelecimento comercial. Por isso, F.E.J.S. ingressou na Justiça requerendo indenização por danos morais e materiais. Alegou falha da segurança no serviço prestado pelo banco.
Em setembro de 2011, o Juízo da 20ª Unidade do Juizado Especial Cível e Criminal de Fortaleza reconheceu que o Bradesco agiu de forma negligente ao não proteger o cliente. Em função disso, condenou a instituição ao pagamento de R$ 15 mil, a título de danos morais e materiais.
Objetivando modificar a decisão, o banco interpôs recurso (nº 032.2010.921.670-8). Sustentou não ter cometido nenhum ato ilícito, e que os procedimentos realizados obedeceram todos os ditames legais.
Ao julgar o processo nessa segunda-feira (16/09), a 1ª Turma deu parcial provimento ao recurso e diminuiu a indenização. A relatora do processo, juíza Helga Medved reconheceu que o banco não demonstrou que adotou as cautelas necessárias para coibir o uso de cartão clonado por terceiro, agindo de forma negligente e, por isso, deve ser responsabilizado pelos prejuízos causados.
Destacou que “dada a extensão do sentimento negativo experimentado pelo recorrido e a capacidade financeira da recorrente, tenho que a importância de R$ 6.000,00 revela-se suficiente para compensá-lo pelo sofrimento na esfera subjetiva”. A magistrada levou em consideração o princípio da razoabilidade e os parâmetros utilizados pela Turma Recusal em casos semelhantes.
Fonte: TJCE

A política do ‘jeitinho’


Por Luciano Martins Costa em 27/09/2013 na edição 765
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 27/9/2013
A manchete da edição de sexta-feira (27/9) da Folha de S. Paulo resume e dramatiza o grande desafio do Brasil contemporâneo e o principal obstáculo ao desenvolvimento de um projeto de nação. Diz o título da reportagem: “Novos partidos oferecem verba para atrair deputados”.
Analisado assim, isoladamente, o texto apenas faria o leitor distraído balançar a cabeça e produzir um desses comentários genéricos sobre a falta de seriedade dos políticos. Mas há muito mais entulho por trás dessa manchete. Observe-se, por exemplo, o mesmo assunto tratado por outros jornais.
O Estado de S. Paulo registra na primeira página: “Empresário e petistas ajudaram a criar o PROS” – explicando como a nova agremiação, que tende a reforçar a aliança que apoia o governo federal, conseguiu, quase na clandestinidade, obter o registro que a Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, tem dificuldade para conseguir.
O Globo, também na primeira página, aponta, sob o título “Troca-troca partidário”, que “para filiar deputados, partidos negociam cargos em diretórios e prometem candidaturas”.
Recorde-se o leitor ou a leitora que, na quinta-feira (26), a Folha havia anotado que o “troca-troca partidário já envolve 9% da Câmara”, mostrando como a legislação estimula uma rotatividade que denuncia a total ausência de compromisso programático de parte dos parlamentares. Na mesma quinta, oGlobo observava que os dois partidos recentemente avalizados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o PROS e o Solidariedade, já nasciam com um capital de R$ 600 mil cada um, referente à dotação anual do Fundo Partidário. Já o Estado de S. Paulo publicava que as duas novas agremiações deveriam desencadear migrações envolvendo até 50 deputados federais.
Esse noticiário traduz o resultado das normas criadas pela Constituinte de 1988, que, sob a bela intenção de modernizar o arcabouço do Estado brasileiro, criou instituições desconectadas da sociedade. Aquilo que era solenemente chamado, durante as negociações, no processo da redemocratização, de “pacto da sociedade civil organizada”, acabou degenerando em um grande comércio de lobbies.
Mais do mesmo
Esse é o contexto que se oculta atrás da mercantilização da representação democrática: o que agrega muitos protagonistas da política institucional não são as ideologias – arcabouços de ideias que deveriam apoiar as alternativas para o desenvolvimento de um país moderno –, mas as oportunidades de empreendimentos cuja mercadoria é o poder.
Sem o compromisso com programas e sem prestar contas do significado político de cada decisão que devem tomar no exercício de seus mandatos, muitos parlamentares ficam disponíveis para atuar em favor deste ou daquele interesse específico, transformando-se em meros despachantes de negócios.
O Brasil deu grandes passos, nos anos recentes, para superar alguns de seus mais graves problemas. Produziu-se, por aqui, o fenômeno da mobilidade social em massa, com a criação de uma classe de renda média elevada da condição de pobreza, graças, em grande parte, a políticas sociais eficientes que enfrentaram a frieza dos dogmas do neoliberalismo. Na sexta-feira (27), os jornais voltam a registrar nova queda no desemprego e o aumento da renda média do trabalhador, que se recupera após cinco meses de relativo desgaste.
São notícias alvissareiras que, no entanto, precisam ser ponderadas com o restante do cenário oferecido pela imprensa.
Junto a esses indicadores é preciso considerar também o fato de que uma nova pesquisa de intenções de voto aponta para a rápida recuperação da popularidade da presidente da República: após o desgaste provocado por uma interpretação questionável dada pela mídia tradicional à onda de protestos de junho, a presidente Dilma Rousseff ressurge com chances ainda maiores de vencer a eleição de 2014.
Com a popularidade em alta, é mais provável que a aliança governista ganhe novos adeptos, desidratando ainda mais uma oposição que, mesmo apoiada claramente pela imprensa hegemônica, só atua no varejo e não se mostra capaz de produzir um projeto de país.
Some-se uma coisa com outra, e teremos o quadro institucional recorrente ao qual nos referimos no começo desta conversa. Tendo recuperado a confiança de grande parte da sociedade, o governo é tentado a continuar fazendo mais do mesmo, porque, como se diz, não se mexe em time que está ganhando.
A relativa proximidade da eleição, um tempo curto em termos institucionais, induz a pensar que, nesse período, dificilmente o Executivo e o Congresso irão apressar as reformas há muito prometidas.
Pelo jeito, vamos seguir dando um jeitinho aqui e ali.

Heróis da pátria amada - DANTE MENDONÇA


GAZETA DO POVO - PR - 27/09

Infeliz do país que precisa de heróis. Feliz é o Brasil que precisa de super-heróis. Os ídolos das histórias em quadrinhos. Muitos bandidos e poucos mocinhos, os males do Brasil são. Nossos facínoras não estão no gibi e nos faltam justiceiros com suas aventuras de final feliz.

Primeiro episódio: Numa sala secreta, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal analisam o futuro dos mensaleiros: “Desisto, Barbosa! O julgamento será um emaranhado de embargos infringentes para os próximos cem anos!” “Concordo, só mesmo um mágico para tirar um coelho desse caixa 2.” “Você está pensando o que eu estou pensando?” “Estou! Essa é uma missão para o Mandrake!”.

Segundo episódio: Reunião nervosa no Palácio do Planalto: “Presidenta, o que temíamos aconteceu!” “Os piratas do Barack agiram outra vez?” “Na calada da noite, entraram no seu horóscopo! Acionamos uma cartomante, em vão! Não temos tecnologia para conter os invasores!” “Então é por isso que eu vivo de pá virada. Só nos resta uma alternativa!” “Chamar o ministro da Tecnologia! Como é mesmo o nome dele?” “Sei lá, meu filho! Só existe um homem para encarar esse tipo de crime: essa é uma tarefa para o Flash Gordon!”

Terceiro episódio: Na caverna do Batman, depois de avistar o sinal do morcego nos céus de Gotham City, os super-heróis se reúnem para a assembleia geral extraordinária. O dono da caverna comanda os trabalhos, enquanto Robin se diverte com a Mulher-Gato num aposento ao lado: “Amigos do bem, o Brasil está nos chamando! Não esqueçam de levar suas credenciais. Lá tem muito mascarado se achando super-herói. Eis a missão de cada um: o Vigilante Rodoviário vai investigar o preço dos pedágios; Tarzan, Jane e a Chita vão controlar a fronteira com o Paraguai; Jim das Selvas, Fantasma e Capeto estão incumbidos de combater os desmatamentos na Amazônia; Super-Homem executa a transposição do Rio São Francisco; Dick Tracy, Nick Holmes e o agente secreto X-9 precisam conter a corrupção generalizada; Capitão Marvel e Capitão América estão sendo convocados pelo Exército Brasileiro; o Surfista Prateado deve vigiar as reservas do pré-sal; Homem-Aranha vai auxiliar a Polícia Federal no combate à sonegação fiscal nos arranha-céus da Avenida Paulista; Príncipe Valente será infiltrado nas elites corruptas do Lula; e ao incrível Hulk restou a missão impossível de baixar os juros dos cartões de crédito. Para encerrar, Robin e eu vamos limpar os subterrâneos do poder. Mulher-Gato, Barbarella e Valentina foram convidadas para trabalhar na novela das oito, que o brasileiro não é o Homem de Ferro.”

Quando o cinismo e a inépcia atrasam o país - ROBERTO FREIRE


Brasil Econômico - 27/09

Anunciado com toda a pompa marqueteira que tão bem caracteriza os governos petistas, o Programa de Investimento em Logística amargou um fracasso retumbante logo no primeiro leilão para a concessão de rodovias, especificamente em um trecho da BR-262 (MG-ES) pelo qual não houve nenhum interessado. Apesar de oito concorrentes terem se apresentado para levar o outro trecho leiloado, da BR-050 (MG-GO), o modelo adotado pelo PT vem se mostrando ineficiente e tem atrasado ou impedido parcerias coma iniciativa privada, fundamentais para a recuperação da economia.

Além da incompetência do governo de Dilma Rousseff, que em quase três anos não conseguiu enfrentar os gargalos de nossa infraestrutura, o próprio PT parece sofrer de uma crise existencial quando trata das chamadas “concessões”. Por mais de uma década, o partido demonizou as privatizações levadas a cabo por Fernando Henrique Cardoso e mobilizou sua militância para desqualificar o que considerava um atentado à soberania nacional. Em um misto de cinismo e desfaçatez, os petistas hoje reconhecem, tardiamente, a necessidade de que sejam feitas parcerias com a iniciativa privada, mas esse processo vem sendo conduzido de forma desabrida e irresponsável.

A falta de coordenação entre os órgãos envolvidos na concessão de rodovias é um dado da realidade capaz de afugentar investidores. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não fala a mesma língua do órgão regulador do setor, a Agência Nacional de Transportes Terrestres, que, por sua vez, não se acerta como Ministério dos Transportes.

Às empresas, não são oferecidos parâmetros mínimos que, se estipulados com antecedência, trariam maior segurança sobre a rentabilidade dos empreendimentos. No caso da BR-262, em que o maior investimento deve ser feito na duplicação de todo o trecho de 375 quilômetros, a falta de credibilidade do governo ficou latente. Houve o compromisso das autoridades federais de que o Dnit duplicaria 180 quilômetros para amenizar os altos custos da fase inicial da concessão, mas o histórico recente do órgão, afundado em denúncias de corrupção e responsável por constantes atrasos em obras, espantou possíveis interessados.

Mais dramático ainda é saber que o problema não está restrito às rodovias, já que o próprio governo anunciou que terá de editar medida provisória ou projeto de lei para dar base jurídica à futura concessão das ferrovias, que pode ficar só para 2015. Já o leilão do aeroporto de Confins (MG) foi adiado em um mês para que mais concorrentes se disponham a entrar na disputa.

Por fim, gigantes petroleiras como a norte-americana Exxon Mobile as britânicas BP e BG desistiram de participar do primeiro leilão de áreas para exploração de petróleo e gás natural na região do pré-sal, no Campo de Libra, o que limitou a competição a 11 empresas. Caminhando a passos de tartaruga, o governo do PT está longe de oferecer soluções para desatar os nós do país.

Seja pela incompetência inerente àqueles que administram mal ou pela ambiguidade de quem hoje encampa as privatizações com indisfarçável constrangimento, o fato inescapável é que rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e até mesmo a exploração do pré-sal estão empacados, enquanto a população espera por melhorias que não virão. Quando a inépcia se une ao cinismo, afinal, não há propaganda que esconda o desastre.

Há três anos, apontei aqui a tendência que resultaria no aumento do analfabetismo: governo ignorou o assunto, e a petezada partiu pra porrada, como sempre… Eis aí!


O Brasil teve um grande ministro da Educação. Seu nome: Paulo Renato Souza. Foi, mais de uma vez, alvo da máquina de destroçar reputações criada pelo PT, por intermédio, no caso, de seu braço sindical. Em junho de 2011, por ocasião de sua morte, escrevi aqui um post sobre os números da educação brasileira, desfazendo alguns mitos. O décimo item da minha lista era este, que reproduzo na íntegra (em azul):
“10 – Cresceu o número de analfabetos no país sob o governo Lula – e eu não estou fazendo graça ou uma variante do trocadilho. Os números estão estampados no PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE. No governo FHC, a redução do número de analfabetos avançou num ritmo de 0,5% ao ano; na primeira metade do governo Lula, já caiu a 0,35% – E FOI DE APENAS 0,1% ENTRE 2007 E 2008. Sabem o que isso significa? Crescimento do número absoluto de analfabetos no país. Fernando Haddad sabe que isso é verdade, não sabe? O combate ao analfabetismo é uma responsabilidade federal. Em 2003, o próprio governo lançou o programa ‘Brasil Alfabetizado’ como estandarte de sua política educacional. Uma dinheirama foi transferida para as ONGs sem resultado – isso a imprensa noticiou. O MEC foi deixando a coisa de lado e acabou passando a tarefa aos municípios, com os resultados pífios que se veem.”
Retomo
É isso aí. Com base nos dados no PNAD, apontei, então, que caía o ritmo da redução de analfabetos, o que estava a indicar o constante aumento do número absoluto de analfabetos. Mantida a tendência, é claro que acabaria acontecendo o que agora se verifica: haveria um aumento da taxa — pela primeira vez em 15 anos. É matemática, não tem jeito. Os “companheiros” podem até achar que essa ciência só existe para sabotar seus propósitos, mas a gente sabe que não é assim.
O dado, que reproduzi no texto de novembro de 2011, já estava num artigo que escrevi em agosto de 2010. Três anos depois, o fatal acontece.
Notem: quando, então, naquele agosto de 2010, apontei que havia a tal redução da queda do analfabetismo, eu não o fazia porque, afinal de contas, não comungo — e não comungo mesmo, com todo o direito que tenho! — dos valores petistas (ou da falta deles). Eu o fiz porque era um dado da realidade, haurido dos números oficiais.
Alguns abestalhados acharam que se tratava apenas de má vontade, uma forma de negar os formidáveis avanços obtidos pelos companheiros na educação. Já então Fernando Haddad estava sendo treinado para vir a ser um “líder” no petismo. Deu no que deu. Imaginem o escândalo que não se faria nas redes sociais e na máquina de propaganda das esquerdas e assemelhados se uma reversão dessa natureza tivesse se dado num governo tucano.
Analfabetismo universitário
No ano passado, a ONG Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro divulgaram dados sobre o Alfabetismo Funcional (Inaf) segundo a escolaridade. O quadro é este.
Em 2001/2002, 2% dos alunos universitários tinham apenas rudimentos de escrita e leitura. Em 2010, essa porcentagem havia saltado para 4%. Vale dizer: 254.800 estudantes de terceiro grau no país são quase analfabetos. Espantoso? Em 2001/2002, 24% não eram plenamente alfabetizados. Um número já escandaloso. Em 2010, pularam para 38%. Isso quer dizer que 2.420.600 estudantes do terceiro grau não conseguem ler direito um texto e se expressar com clareza. É o que se espera de um aluno ao concluir o… ensino fundamental!
Concluo
Sim, meus caros, o diabo é invariavelmente mais feio do que se pinta — ou não seria o diabo, mas outra coisa de menor malignidade. Aquela taxa lá do alto, que aumentou, é do analfabetismo mesmo, a parte do Brasil que forma a sociedade ágrafa. Caso se leve em consideração o analfabetismo funcional, aí é que a gente se defronta com uma parte do Brasil real que o discurso ufano-triunfalista esconde.
Nas democracias convencionais, exemplos escandalosos de ineficiência, como o que se vê acima, costumam ser levados para as campanhas eleitorais. É o certo. “Você prometeu fazer e não fez etc.” É um direito da sociedade confrontar intenções com gestos. No Brasil jabuticaba, como tenho tratado aqui há tempos, não só inexiste um grande partido conservador que seja alternativa de poder (única democracia da Terra com essa característica) como inexistem forças políticas capazes de fazer essa cobrança. Ao contrário: todas as campanhas eleitorais, da oposição ou da situação, exploram o Brasil grande, o Brasil que vai pra frente, o ninguém segura este país.
Algumas drogas perigosas atentam contra o nosso futuro: o ufanismo sem lastro é uma delas.
Quando apontei a redução do ritmo da queda de analfabetismo, algo deveria ter sido feito. Já estaria dando resultado. E deveria não porque fui eu a apontar, claro!, mas porque eram números extraídos de dados oficiais. Mas quê… Fernando Haddad saltou do Ministério da Educação (“o melhor ministro da históriadestepaiz”, segundo Lula) para a Prefeitura de São Paulo. Ele tinha uma grande tarefa a cumprir: prometer o Arco do Futuro e, no presente, devolver o Centro de São Paulo aos traficantes e consumidores de crack. “O que uma coisa tem a ver com outra?” Só estou evidenciando como o processo político brasileiro, por um conjunto de razões que não cabem neste artigo, premia a ineficiência.  
Por Reinaldo Azevedo

Planalto mantém o cerco implacável a Rosemary e Lula se finge de morto


Carlos Newton
Totalmente empenhado na reeleição da presidente Dilma Rousseff, o Planalto mantém a pressão sobre Rosemary Noronha, a ex-segunda-primeira-dama de Lula. A ordem é destruir a ex-chefe de Gabinete da Presidência em São Paulo, usando as duas armas disponíveis – a Controladoria-Geral da União e a Comissão de Ética da Presidência.
O verdadeiro alvo, lógico, é o ex-presidente Lula, e a facção de Dilma Rousseff tenta desesperadamente inviabilizar a candidatura dele à Presidência da República. Dentro do PT, porém, a estratégia do Planalto está tendo efeito inverso. A perseguição está pegando mal e o próprio ex-presidente Lula se sente traído por Dilma, Jorge Hage (CGU) & Cia.
Em situação idêntica (a demissão da então ministra Erenice Guerra), flagrada em casos de corrupção muito mais graves, pois na época a chefe da Casa Civil era a personagem principal, enquanto Rosemary é apenas coadjuvante, Lula era presidente e não fez carga contra Erenice, em respeito à profunda ligação íntima dela com Dilma Rousseff, digamos assim.
ADVOGADOS PROTESTAM
A equipe que defende Rosemary tentará anular a decisão da Controladoria-Geral da União que puniu a ex-chefe do gabinete regional da Presidência da República em São Paulo com afastamento de 5 anos do serviço público.
Os advogados Leonardo Bissoli, Sebastião Tojal e Sérgio Renault afirmaram que “não se respeitou o legítimo direito de defesa”, fato que já havia sido denunciado há vários meses pelo outro advogado que atua na causa, Fábio Medina Osório, especialista em improbidade administrativa.
Em nota divulgada ontem, eles afirmaram que testemunhas indicadas pela ex-assessora presidencial foram rejeitadas pela Controladoria-Geral – entre elas o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência). Os advogados dizem ainda que não obtiveram acesso aos autos do processo administrativo disciplinar.
Esse dois fatos (são fatos, não especulações), denunciados fartamente por Medina Osório sem que o Planalto tomasse providências,  comprovam cerceamento de defesa e demonstram a que ponto chegou a perseguição oficial à ex-segunda-primeira-dama de Lula, deixando o ex-presidente furioso, como qualquer um pode avaliar.
A REDE GLOBO ACORDOU
Havíamos explicado aqui que o sonho do Planalto era ver o caso Rosemary no Jornal Nacional, mas a TV Globo não entrava no assunto por causa do affaire anterior, envolvendo o então presidente FHC e a repórter Miriam Dutra, do próprio Jornal Nacional.
Como se sabe, para agradar ao então presidente, a TV Globo enviou Miriam Dutra para férias eternas (e bem remuneradas) na Espanha, e FHC ficou muito agradecido, o romance foi sendo esquecido e o jovem fruto do amor presidencial acabou sendo reconhecido juridicamente pelo suposto pai, um final feliz tipo novela.
Depois, um inconveniente exame de DNA mostrou que o rapaz nem era filho de FHC (que além de volúvel era também corno), porém não tinha mais jeito, o jovem já se tornara herdeiro de grande fortuna, porque quando se reconhece um filho é para sempre, não se pode voltar atrás e dizer “desculpe, foi engano”.
Voltando à TV Globo, só porque dissemos aqui no Blog que o Jornal Nacional estava fugindo do assunto, dois dias depois eles deram uma matéria enorme, aproveitando nossa pauta, pois anunciamos com total exclusividade a punição da CGU a Rosemary( que ainda nem aconteceu).
Caramba! Não sabíamos que o Blog da Tribuna era lido com tamanha atenção pelo jornalismo global. A audiência nos honra. Afinal, significa que também sabemos dar Ibope.

Concursos públicos tentam eliminar obesos


Leonardo Girundi
A Organização Mundial da Saúde (OMS) procura limitar a obesidade no mundo, ao estimular as autoridades nacionais de vários países a estudar possíveis impostos sobre os alimentos e bebidas prejudiciais à saúde.
O relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde 2012” da OMS afirma que a obesidade é a causa de morte de 2,8 milhões de pessoas por ano. A OMS estima que 12% da população mundial é considerada obesa.
Somados aos problemas naturais da obesidade estamos nos deparando com outros mais modernos e mais alarmantes, destacando o preconceito e ainda o de discriminação na relação empregatícia. Dados revelam que os obesos, ou mesmo os gordinhos, possuem maior dificuldade de se relacionar e de conseguir emprego. E a última notícia que temos visto é que candidatos a concursos públicos aprovados na fase das provas são considerados inaptos ao exercício da função devido à obesidade.
“REPROVADOS”
Não é a primeira vez que o Estado de São Paulo adota tal conduta. Em 2011, o Brasil conheceu o caso envolvendo a eliminação de candidatos a professores da rede pública ocorrida durante a realização dos exames de saúde, e motivada pela obesidade.
Depois do mal-estar nacional da notícia, o governo paulista reavaliou a situação de 304 professores aprovados neste concurso público, mas que foram considerados inaptos pela perícia médica do Estado. Desses, 223 foram admitidos.
A obesidade, em suas diversas causas, consoante a Classificação Internacional de Doenças (CID), de fato é considerada uma doença. Entretanto, se esse mal for considerado um óbice à ocupação de cargo na rede escolar, também deverão ser inadmitidos no serviço público tantos quantos forem os portadores de outras doenças, tais como os portadores de doenças visuais (miopia, astigmatismo, hipermetropia etc.), os diabéticos, enfim, os portadores de diversos outros males que também são internacionalmente classificados como doenças.
ILEGALIDADE
Nesse sentido, inclusive, deverão ser inadmitidos no serviço público os portadores de necessidades especiais, que hoje, aliás, são cotistas em concursos públicos, por expressa determinação constitucional constante do artigo 37, inciso VIII, da Constituição.
O caso dos candidatos gera debate acerca da constitucionalidade da eliminação. O interessante é que existem muitas decisões judiciais favoráveis a limitação dos obesos aos cargos públicos, mas a grande maioria dos juízes entende que essa limitação aos “gordinhos” não possui previsão legal. Será que resolveremos os problemas da obesidade não permitindo que esses possam trabalhar? Se eles não estão aptos ao serviço público, por que estariam para o serviço privado? Não concordo com essas limitações e acredito que “socialmente” ainda estamos muito distantes de respostas para esses casos. Na dúvida, comunico que vou começar um regime amanhã.(transcrito de O Tempo)