sexta-feira, 31 de maio de 2013

Burger King dá presente para fãs comerem Whopper sem as mãos

Por  em 30 de maio de 2013



Para comemorar os 50 anos de Burger King em Porto Rico, a marca criou o acessórioHands-Free Whopper Holder que, preso no corpo, permite que qualquer um coma umWhopper sem usar as mãos.
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Usando um banco de dados da empresa, Burger King identificou os 50 consumidores mais leais à marca e os enviou o kit Hands-Free Whopper Holder de presente.
Em um mundo multitarefa, como usar as mãos para fazer todas suas atividades diárias e ainda conseguir saborear um Whopper?
O vídeo da campanha, acima em destaque, mostra pessoas completamente diferentes comendo um Whopper com o kit em suas atividades rotineiras. Do jogador de basquete ao guarda de trânsito, do tatuador a estudante, Burger King satiriza a vida multitarefas e democratiza a necessidade de comer um Whopper, sem importar a hora e o lugar.
Para quem quiser ter um, é preciso cadastrar o cartão de crédito no BK Rewards, um sistema de recompensa para os fãs mais assíduos – por enquanto, funcionando apenas em Porto Rico.
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O acessório, de material plástico, foi construído através de uma impressora 3D. Veja abaixo todo o processo.

PROFESSOR ITALIANO DIZ TER ENCONTRADO A TORÁ MAIS ANTIGA E COMPLETA

Videversus

Um professor italiano anunciou na quarta-feira ter identificado o que ele acredita ser o mais antigo pergaminho da Torá no mundo, contendo o texto integral dos cinco primeiros livros das escrituras hebraicas. Mauro Perani, professor de hebraico na Universidade de Bolonha, disse que especialistas e testes de carbono feitos na Itália e nos Estados Unidos apontaram que o livro teria sido redigido entre 1155 e 1225. Inicialmente se calculava que o pergaminho, em poder da Biblioteca da Universidade de Bolonha há mais de 100 anos, era de uma data a partir do século 17. Ele havia sido rotulado de "pergaminho 2". Há muitos fragmentos da Torá que são mais velhos, mas não pergaminhos completos, com todos os cinco livros. "Um judeu que era um bibliotecário na universidade examinou o pergaminho em 1889, para catalogação, e escreveu "século 17", seguido por um ponto de interrogação", afirmou Perani. Mas, nos preparativos de nova catalogação da coleção judaica da universidade, Perani, de 63 anos, estudou o livro e suspeitou que o bibliotecário tivesse feito um exame muito superficial em 1889, não reconhecendo a sua antiguidade. "Eu percebi que o estilo de escrita era mais velho que o do século 17, por isso consultei outros especialistas", explicou ele no comentário sobre o pergaminho, que mede 36 metros por 64 cm. Ele disse que o livro tem muitos recursos gráficos e outros que não eram mais utilizados pelos copistas de textos hebraicos no século 17.

Como fazer um plano de negócios


Aprenda a elaborar o documento e testar a viabilidade da empresa


Plano de negócios pequenas empresas
O planejamento é responsável por mais de 70% do bom andamento de uma empresa
O documento escrito no qual o empreendedor descreve em detalhes qual o negócio, como ele funciona e quais as metas da empresa, é um planejamento essencial para o bom andamento do empreendimento. Existem vários modelos de planos prontos que podem servir como guia, mas alguns pontos são essenciais em todos eles. O nível de detalhamento pode depender de qual será o seu uso. Um documento muito bem delineado pode ser aproveitado na hora da implantação da empresa, por exemplo. 

O planejamento é responsável por mais de 70% do bom andamento de uma empresa e o plano de negócios colabora para que isso aconteça. "Estudos feitos no Brasil mostram que a principal causa de falências em novos negócios se encontra em problemas gerenciais, que poderiam ter sido previstos e solucionados com planejamento adequado", diz Alex Taciano Müller, consultor e sócio da Ação Consultoria Empresarial e de Negócios. 

Antes de começar a colocar as informações no papel é importante fazer uma autoavaliação para ter certeza de se que leva jeito para ser um pequeno empresário. Esta avaliação também ajuda a compor um perfil dos sócios na apresentação da empresa. Existem três grandes blocos essenciais a serem explorados na elaboração do plano: apresentação da empresa, aspectos mercadológicos e aspectos financeiros. "O fundamental é tirar a ideia da cabeça e colocar no papel para testar a viabilidade no mercado antes de executar", explica Ênio Pinto, gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional.

Apresentação da Empresa: deve conter desde os conceitos que justifiquem a criação da empresa até o modo como ela será estruturada. Nesta fase do projeto são estudados o histórico da empresa, seu planejamento estratégico e plano de operações, sua descrição legal, estrutura organizacional e equipe dirigente. Além disso, este ponto deve trazer uma descrição do produto ou serviço que será oferecido e seu diferencial.

Plano de Marketing: um detalhado estudo de mercado é pré-requisito para a elaboração desta parte. Analise o setor, a clientela, a concorrência, os fornecedores, as ameaças e oportunidades, os pontos fortes e fracos. "Empreender tem muito de sonho. Mas o sonho não pode ser embaçado, tem que ser muito factível", diz Nelson Ambros, diretor da Pool consultoria. Como as pesquisas de mercado costumam ser caras, a dica é procurar empresas juniores de universidades que oferecem o serviço por preços mais em conta. Com a análise mercadológica em mãos, faça uma apresentação das estratégias de marketing a serem adotadas pela empresa com o objetivo de otimizar seu desempenho organizacional. Elabore estratégias e projeção de vendas, política de preços e formas de distribuição. 
Plano Financeiro: esta é uma das partes mais importantes do plano. A maioria dos empreendedores tem dificuldades na hora de elaborar este elemento, por isso, vale buscar algum tipo de acompanhamento profissional. "Mas não podemos deixar de destacar a importância da participação do empreendedor na sua elaboração, pois o exercício, por si só, obriga a uma análise mais cuidadosa das ideias, identificando aquelas que, efetivamente, são boas oportunidades de negócio e as que não passam de boas ideias", diz Müller. 

Esta etapa é feita por uma análise do investimento. A projeção dos resultados para planejamento e acompanhamento dos resultados da empresa também deve ser feita. Ela deve ser composta por demonstrativos de despesas e receitas, investimentos, depreciações e seguros, impostos e taxas, alocação de recursos e demonstrativo de resultado por produto ou serviço. Se houver necessidade de pedir um financiamento, faça uma simulação e uma análise dos prazos de amortização, carências, juros e taxas disponíveis no mercado e seu impacto no projeto. 

Müller, da Ação Empresarial e de Negócios, destaca o quadro fontes e usos, que tem a função de controlar e prever a disponibilidade de recursos e colaborar na hora de pedir um empréstimo, por exemplo. Em fluxo de caixa, uma previsão da situação financeira do negócio pode servir de parâmetro de comparação e pode ser usada para avaliar o desempenho que foi previsto com o que realmente aconteceu. Isso ajuda a identificar e corrigir erros de planejamento o mais rápido possível. 

Conclua com uma análise financeira detalhada, usando indicadores contábeis como: ponto de equilíbrio, que possibilita uma análise entre receitas e custos gerados, pay back, que apresenta o tempo de retorno sobre o investimento, valor presente líquido (VPL), que testa se o saldo de fluxo de caixa futuro é realmente lucrativo quando trazido a valores atuais, taxa interna de retorno (TIR), que ajuda a descobrir o rendimento proporcionado pelo negócio em um determinado período, análise de balanço,que indica se a empresa será capaz de cumprir seus compromissos com acionistas e investidores. 

O grande objetivo deste tipo de projeto é verificar a viabilidade econômica e financeira. Serve também para que investidores conheçam os objetivos da empresa e seus pontos fracos e fortes. Ele deve funcionar como um norte para o empreendedor, por isso deve conter uma linguagem clara e objetiva. "Plano de negócios bom é sucinto, com informações relevantes e mensuráveis. Portanto, palavras como melhor, maior, mais desenvolvido devem ser evitadas", diz Pedro Mello, do Blog do Empreendedor. 

"Se este documento fosse obrigatório haveria uma minimização na mortalidade de negócios e facilitaria a captação de créditos", sugere o gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional. Servir como um estudo de viabilidade que, se bem elaborado, pode evitar o fechamento da empresa, já é um bom motivo para fazer o seu plano de negócios.
Dez mandamentos do bom plano de negócios
1.    Invista tempo e dedicação em sua elaboração
2.    Considere sua atualização como uma tarefa de rotina
3.    Crie um modelo adequado ao seu negócio
4.    Seja criterioso e detalhista na definição de premissas
5.    Simule várias situações (realista, pessimista, otimista)
6.    Desconfie de resultados muito positivos
7.    Aplique o que foi definido no plano
8.    Desenvolva e implante um modelo de acompanhamento e atualização 
9.    Considere-o como um organismo vivo, em constante mutação
10.    Acredite, por melhor que seja seu plano de negócios, não acontecerá como o planejado

Fonte: Régis de Carvalho, consultor da Pool Assessoria Empresarial

Os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos


Revista Bula
Pedimos a 50 convidados — escritores, críticos, professores, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de autores brasileiros em todos os tempos. Cada participante poderia indicar entre um e dez poemas. Nenhum autor poderia ser citado mais de uma vez. 40 poemas foram indicados, mas, destes, apenas 24 tiveram mais de três citações. São eles: “A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d’África”, de Castro Alves; “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes. Eis a lista baseada no número de citações. Por motivo de direitos autorais, alguns poemas tiveram apenas trechos publicados.


A Máquina do Mundo

(Carlos Drummond de Andrade)

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.
(Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade).


Vou-me Embora pra Pasárgada

(Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Poema Sujo

(Ferreira Gullar)

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
(Trecho de Poema Sujo, de Ferreira Gullar).


Soneto da Fidelidade

(Vinícius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Via Láctea

(Olavo Bilac)

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


O Cão Sem Plumas

(João Cabral de Melo Neto)

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.


Canção do Exílio

(Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


As Cismas do Destino

(Augusto dos Anjos)

Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!
Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia… O calçamento
Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio calvo.
Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!
A noite fecundava o ovo dos vícios
Animais. Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!
Tal uma horda feroz de cães famintos,
Atravessando uma estação deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!
Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.
E aprofundando o raciocínio obscuro,
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos,
O trabalho genésico dos sexos,
Fazendo à noite os homens do Futuro.
(Trecho de As Cismas do Destino, de Augusto dos Anjos).


As Pombas

(Raimundo Correia)

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada.
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.


Invenção de Orfeu

(Jorge de Lima)

1.
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.
Nobre apenas de memórias,
vai lembrando de seus dias,
dias que são as histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.
Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vaia mastreação,
mastros que apoiam caminhos
a países de outros vinhos.
Está é a ébria embarcação.
Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.
2.
A ilha ninguém achou
porque todos o sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
uma clara geografia.
Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim.
Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.
Nem achada e nem não vista
nem descrita nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.
Chegados nunca chegamos
eu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.
Indícios de canibais,
sinais de céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.
Rosa-de-ventos na testa,
maré rasa, aljofre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!
Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?
(Trecho de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima).

CHARGE DO MYRRIA




Esta charge do Myrria foi feita originalmente para o

Cartas de Paris: Acreditem, muitos franceses não sabem falar inglês


Ana Carolina Peliz
Entre as lendas contadas sobre os franceses, a mais mentirosa é a que eles se recusam a falar inglês. Eu não consigo entender por que é tão difícil para as pessoas aceitarem que, quando eles não respondem as perguntas dos turistas, não é porque sejam arrogantes ou algo parecido, mas simplesmente porque muitos franceses não sabem falar inglês.
A questão das línguas estrangeiras na França é tão complicada que virou um complexo nacional e acabou se tornando um bloqueio.
Programas de televisão, jornais e literatura especializada debatem sobre o tema se perguntando por que razão os outros europeus aparentemente falam inglês e os franceses não.
Eu não acredito que os franceses tenham dificuldade em falar idiomas. Conheço muitos que falam bem até duas línguas estrangeiras, mas observei alguns pontos que poderiam explicar a razão do bloqueio que alguns construíram. Para mim, a primeira delas é um altíssimo grau de exigência.
Na França não existe o conceito “fluente”. Se você fala uma língua estrangeira, você deve ser “bilíngue”, ou então melhor nem abrir o bico.
Os franceses não entendem que ninguém é bilíngue por esforço, mas por acidente, porque nasceu em uma família com duas culturas. Ou seja, eles começam a aprender um idioma sabendo que não vão alcançar os objetivos exigidos.
Eles também aprendem inglês em escolas tradicionais, com uma péssima metodologia, professores castradores e, para completar, quando começam a balbuciar “the book is on the table”, já são obrigados a escolher uma segunda língua, que pode ser alemão ou espanhol.
Então, imagine a situação: aos 10 anos eles têm que falar a língua mais complicada da face da terra, que é o francês, mandar bem no inglês e ler e escrever em alemão ou espanhol!
Resumo da ópera, com tanta exigência, não aprendem nenhuma língua, acabam ficando traumatizados, concluem que são os piores do mundo em idiomas e que são incapazes de aprender línguas estrangeiras.
Além disso, o francês, durante muito tempo foi um idioma falado no mundo inteiro. Até hoje, em alguns países, é a segunda língua mais falada antes mesmo do inglês. Por isso, os franceses têm o conforto (e em alguns casos o alívio!) de saber que em alguns lugares do mundo, a língua de Molière ainda é praticada.
Quando o turista chega falando inglês, algumas pessoas entram em pânico e reagem mal. Mas não se preocupe, não é nada contra você ou contra o inglês, é simplesmente um complexo nacional.

Ana Carolina Peliz é jornalista, mora em Paris há cinco anos onde faz um doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação na Universidade Sorbonne Paris IV. Ela escreve aqui todas as quintas-feiras.

No bambual, por Luis Fernando Veríssimo


OIbsen Pinheiro, grande frasista, diz que no futebol uma defesa se organiza e um ataque se inspira. Perfeito. O posicionamento e a mecânica de uma defesa — quem cobre quem, quem dá combate e quem fica na sobra, etc — podem ser sistematizados, diagramados e ensinados.
Já um ataque vive de oportunidades fortuitas, de explorar as eventuais falhas de organização da defesa — enfim, das brechas que aparecerem e da inspiração do momento. Você pode instruir o ataque a ir por um lado ou pelo outro e, quando não dá, levantar a bola na área (o último recurso tão repetido) e confiar no entrevero.
No confronto entre a organização e a inspiração, o que faz a diferença são a habilidade do atacante e a sua vitória pessoal sobre o defensor. E, apesar de estar provado que a jogada mais letal de um ataque é a que vem pelas pontas, atacantes insistem em tramar pelo meio, onde o trânsito é mais difícil e onde a concentração de defensores parece uma floresta de bambus.
Imagine jogar bola num bambual. Impossível, ou só possível a quem tem habilidade fora do comum. O sucesso do Messi se deve em grande parte à sua capacidade de sobreviver no bambual. De proteger a bola enquanto se esquiva de bambu atrás de bambu até chegar numa clareira e chutar a gol.
O Neymar tem a mesma capacidade, embora ela não tenha aparecido muito ultimamente, principalmente na seleção. Se o Neymar for para o Barcelona é possível que ele e o Messi recuperem uma arte perdida do futebol, a da tabelinha.

Pelé e Coutinho, na década de 70. Foto: Lemyr Martins

Já houve tabelinhas famosas. No Internacional dos anos 50 Larri e Bodinho faziam uma mortal, tramando pelo meio até um dos dois fazer o gol. E o protótipo de tabelinha pelo meio, claro, foi a de Pelé e Coutinho, no Santos. Mas naquele tempo o bambual ainda não tinha crescido tanto.
A dificuldade de atacar pelo meio teve duas consequências. Uma foi a prevalência, hoje, da bola alçada na pequena área para que uma cabeça providencial consiga o que não se conseguiu pelo chão.
A outra foi transformar quem acompanha o futebol há tempo em irrecuperáveis nostálgicos. Temos saudades dos ataques com passes que desconcertavam, ou desorganizavam, as defesas. Havia mais espaço para as tramas e a inspiração. E, acima de tudo, menos bambus na entrada da grande área.