sexta-feira, 31 de agosto de 2012

HUMOR - A Charge do Amarildo



Depois da crise em Osasco, PT dá vexame de corrupção também em São Caetano



Pedro Rocha (O Estado de S. Paulo)
O vereador petista Edgar Nóbrega renunciou à disputa pela prefeitura de São Caetano do Sul. O motivo da saída de Nóbrega foi a divulgação de um vídeo em que ele aparece pedindo R$ 100 mil ao secretário de Governo da prefeitura, Tite Campanella, em troca de uma oposição petista mais branda. O Diretório Municipal do PT decidiu não apresentar outro nome e o partido não terá mais um candidato.
Em carta ao partido, Nóbrega diz que o vídeo foi “editado de maneira criminosa, constrange minha honra e a minha história”. Ele afirma ainda sobre sua saída da disputa, ” essa é uma decisão que faço para me dedicar integralmente a agenda de minha defesa pessoal”.
No vídeo, divulgado pelo candidato a vereador Eder Xavier (PC do B), Nóbrega diz que os R$ 100 mil serviriam para garantir os votos de militantes do PT na disputa pela presidencia do partido em São Caetano do Sul, em 2009. Com isso “O grupo que governa a cidade vai ter um aliado ou um adversário leal”, diz Nóbrega. Ele ganhou o cargo.
A prefeitura de São Caetano do Sul informou em nota que abriu sindicancia pela Corregedoria Municipal para investigar o ocorrido.
Também afirmou que o prefeito José Auricchio Júnior (PTB) “desconhece a existência desse diálogo entre o secretário de Governo Anacleto Campanella Júnior e o vereador Edgar Nóbrega”. Campanella pediu exoneração do cargo na última segunda-feira, 27.
Na última pesquisa Ibope de intenções de votos Nóbrega aparece com 3% das intenções. A disputa é liderada por Paulo Pinheiro (PMDB), com 29%, seguido por Regina Maura (PTB), com 26%.

Pensar é perigoso



Jacques Gruman
Por onde andará Júlio Verne ? O visionário que incendiou a imaginação de tanta gente anda meio esquecido. Conversei com uma garotada e quase ninguém tinha ouvido falar deste francês que, no século dezenove, povoou a literatura com histórias fantásticas e, não raro, premonitórias. O clássico 20 Mil Léguas Submarinas, por exemplo, conserva uma atualidade desconcertante. Escrito em 1870, abre tantas janelas que fica difícil saber por onde começar. Vou me concentrar no que aprendi de melhor.
Um militar, o capitão Nemo, constrói um submarino, o Nautilus, com aspecto de fera marinha, e passa a atacar barcos de guerra. É impiedoso. Não recolhe náufragos e trabalha com uma equipe de marujos absolutamente fiéis. A destruição das naves se fazia de forma engenhosa: na parte superior do Nautilus havia uma estrutura serrilhada, que, ao tocar os cascos dos navios, os destroçavam. A nave submersa era movida por uma fonte de energia autônoma, supostamente eletricidade, espécie de antecipação dos combustíveis nucleares. O aspecto medonho cria o mito de um monstro marinho que afunda buques de guerra. A propaganda já era a alma do negócio.
Qual era, afinal, o objetivo de Nemo ? Pacifista radical, mas ingênuo, achava que poderia acabar com as guerras destruindo as ferramentas da Morte e seus usuários. Mesmo contemporâneo de Clausewitz, não ouviu falar que a guerra é a política feita por outros meios. Cometeu, a seu tempo, o mesmo engano dos luditas, que, no alvorecer da Revolução Industrial, atacaram as máquinas.
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JOGO DO PODER
Não percebeu que as expedições guerreiras de todas as épocas não são uma catarse coletiva, com requintes de crueldade, mas uma forma de consolidar ou ampliar o poder de grupos que raramente pegam em armas. Manipulam, desinformam, insuflam, financiam, e, sob montanhas de cadáveres, festejam. Quantos presidentes, imperadores ou primeiros-ministros estiveram em frentes de batalha ? A carnificina é sempre terceirizada. Do Nautilus surge um dilema moral fascinante. O submarino liquidava militares aos montes. É virtuoso matar para impedir que se mate mais ?
Nemo foi retratado por Hollywood, num filme da década de 1950, como um desequilibrado. Típico. Personagem complexo,refletindo provavelmente a angústia de Verne com os massacres das guerras coloniais no século dezenove, inaugurou no imaginário de sua época o sonho de uma agricultura marinha sustentável. Os tripulantes do Nautilus, vestindo arrojados escafandros, plantavam pepinos do mar e não pescavam de forma predatória. Mal sabiam que estavam antecipando ripongas e conservacionistas.
A história não termina bem. Não entro nos detalhes, quem quiser conhecê-los é só ler o livro. Tal como na Dança dos Vampiros (em que o professor Abronsius acaba, involuntariamente, espalhando o mal que pretendia eliminar), Nemo entrega para mãos nada inocentes a tecnologia que usara para, na sua perspectiva, criar um mundo melhor. Trágica ironia. A mesma que levou Einstein a dizer que cometera “o maior erro de sua vida” por ter sugerido ao presidente Roosevelt, em 1939, que se poderia construir uma bomba com alto poder de destruição a partir de reações em cadeia com átomos de urânio. Sabemos o resultado.
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E O TIO PATINHAS
Como disse Marx na introdução d’O Capital, não há atalho para o conhecimento. A superfície e seus joguinhos hipnóticos já produziram muitos Nemos. Houve certa vez, entretanto, em que a história foi outra. Pelo menos na ficção. Lembram-se do tio Patinhas ? Qual era a fonte de sua riqueza ? Um amuleto, a famosa moeda número 1. Essa era a casca, a lenda, a notícia do jornal, a mentira goebbelsiana. Pois bem, um grupo de desenhistas italianos, credenciados pela Disney, deu um nó na falácia. Fim da inocência.
Os Irmãos Metralha, tradicionalmente articulados para tentar roubar a moedinha, resolvem … pensar. Não demorou muito e perceberam que aquele negócio de amuleto era p’ra inglês ver. O pato sovina tinha fábricas, bancos, lojas, minas, poços de petróleo, uma verdadeira multinacional de penas. Era dali, da propriedade dos meios de produção, que ele tirava a fortuna e enchia os cofres. Os mascarados mudam a estratégia e arrumam um jeito, bem ao estilo dos quadrinhos, de privar o Patinhas de suas verdadeiras fontes de renda. O milionário amanhece pobre … e com a moedinha número 1. A história foi censurada e tirada de circulação. Pensar é perigoso.

Um exemplo de superação



Por Afonsinho
Para se fazer um grande time, necessitam-se, antes de tudo, de jogadores de boa cabeça. Mesmo atletas de força devem suportar os momentos complicados. Os campeões superaram adversidades com inteligência. O goleiro Félix é exemplo. Considerado baixo e franzino para a posição, não chegaria aonde chegou não fosse sua excepcional inteligência. Sua defesa contra a Inglaterra na Copa de 1970 é antológica, não há outro termo para definir. Sem ela, ninguém sabe o que poderia acontecer com a Seleção Brasileira. Félix e os jogadores da defesa eram considerados lentos, e eram mesmo. Piazza, além de tudo, foi improvisado na zaga, mas era capitão do Cruzeiro de seus melhores dias. Superaram-se.
O goleiro Félix, morto na última semana. Foto: Reprodução/SaraivaConteudo/YouTube
Não imaginava que fosse sentir tanto a despedida do querido Félix, que faleceu na sexta-feira 24, aos 74 anos. Só me dei conta da nossa proximidade à medida que voltaram as lembranças. Por serem esparsas, não pareciam tão profundas.
Recordo-me de uma parceria marcante. A história começa com um terremoto na Itália no Natal daquele ano. No Brasil, os jogadores estavam de férias e alguém teve a ideia de uma partida internacional entre Brasil e Itália, para arrecadar dinheiro para os desabrigados. Instalou-se, então, uma guerra de vaidades.
Fui despertado por Félix com um recado de Francisco Horta, presidente do Fluminense. “Está com o passaporte em dia?”, perguntou-me. “O pessoal passou a noite reunido na sede da Agap (entidade representativa dos atletas profissionais) e o doutor quer falar contigo.” Ao chegar à casa do dirigente tricolor, no caminho da Urca, Horta falava de forma eloquente a um radialista. Considerava absurdo a CBF não permitir o jogo, apenas porque seus dirigentes não estavam à frente da iniciativa. Mesmo de férias, alguns jogadores recusavam o convite, com medo de retaliações em futuras convocações para a Seleção.
Com a perspicácia inerente, disparou: “Precisamos mostrar a essa gente o valor da liberdade!” E perguntou se eu iria. Naquela altura, estava no auge das batalhas para ser um jogador de passe livre. Estava sem clube, sem contrato e sem empresário. “Se houver a viagem, vou. Mesmo sendo beneficente”, respondi.
Para fazer a excursão, foi preciso ajuizar um mandado de segurança. Ao voltar para casa, na Praia Vermelha, ouvi do outro lado da calçada: “Às 3 horas, em frente ao Cine Veneza”. Foram Raul, Leandro, Zico, Luiz Pereira e Claudio Adão, entre outros. Um timaço reforçado por craques do São Cristóvão. Uma viagem cheia de peripécias e histórias memoráveis.
A partida ocorreu em Udine, norte da Itália. Partimos do Brasil num calor abrasador e chegamos lá num frio de lascar. Tive de tomar emprestado calçados e casaco. A calça de lã, comprei por lá mesmo. Zico fez um gol espetacular. Driblou todo mundo da defesa italiana e, rente à linha de fundo, chutou sem ângulo.
Passado um tempo, em outra manhã, recebi uma nova visita do amigo Félix. “Afonso, peguei o Madureira no Torneio da Morte e preciso de você. Só tem garoto no time e a competição, já viu!” O Torneio da Morte era assim chamado por um casuísmo arranjado pelos cartolas do futebol carioca. Os times rebaixados disputavam partidas só de ida, sem returno. Perdeu duas, está fora. Uma verdadeira briga de foice.
Sempre fui obrigado a manter a forma mesmo sem ter contrato com algum clube. Precisava estar em condição de jogo caso aparecesse alguma oportunidade. Estávamos no meio de setembro e pensei com meus botões: “Neste ano não jogo mais”. Pela primeira vez, relaxei e respondi ao amigo: “Félix, desta vez não dá. Não consigo nem atravessar a rua com pressa”.
Félix não aceitou a recusa. “Começa a treinar. São duas semanas. Vai jogando e entrando em forma.” Não me convenci, mas comecei a treinar no mesmo campo onde sempre mantive meu estado físico: o da UFRJ, entre o Canecão e o Pinel.
Félix fez um trabalho muito benfeito, inclusive fora de campo. Apesar de ser uma loucura em termos profissionais, como a ida para o Olaria, que no final me reabilitou, deu tudo certo. O Madureira manteve-se na Primeira Divisão. A festa foi boa.
Acabei indo para o Fluminense encerrar a minha trajetória num grande clube. Foi uma das maiores vitórias para um jogador de passe livre naqueles tempos. E há numerosas outras histórias ao lado do grande Félix. Deixarei para contar em outras ocasiões.
Não sei não…
Com o centenário de Nelson Rodrigues, será difícil tirar o título do Campeonato Brasileiro das Laranjeiras. É só o tricolor manter a arrancada até o fim. O segundo turno começa agora.

Para onde Lula vai



Sebastião Nery
Luis Simões Lopes era um miniditador. Diretor do DASP, criador da Fundação Getulio Vargas, fazia o que queria, sempre com total apoio e cobertura de Getúlio. Um dia, mandou um oficio a todos os ministros com uma série de determinações. Enquadrava todo mundo. Oswaldo Aranha, ministro da Fazenda, recebeu, leu, devolveu:
“Ao remetente: vá à merda”.
Entregou ao chefe de gabinete. O chefe de gabinete ficou em pânico:
- Devolver pelo protocolo reservado, não é, senhor ministro?
- Não, pelo protocolo comum.
Foi um escândalo renovado, de mão em mão. Luis Simões Lopes recebeu, ficou furioso, foi a Getúlio pedir demissão. Getúlio puxou uma baforada do charuto:
- Ora, Luis, para que demissão? Tu não vais, não é? Não indo, tu desmoralizas o Oswaldo. Ele vai ficar uma fera. Tu sabes. Tu sabes.
Luis Simões Lopes foi. De volta para o seu gabinete, no DASP.
 Lula: Mensalão não existe
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MENSALÃO
Lula e o PT sempre disseram que não houve o Mensalão, que foi uma farsa. Agora, na segunda semana do julgamento, o Supremo Tribunal Federal já condenou os primeiros cinco acusados a muitos anos de cadeia. A começar pelo ex-lider do governo de Lula, ex-presidente da Camara dos Deputados e candidato a prefeito de Osasco, João Paulo Cunha.
José Dirceu, que, segundo a Procuradoria Geral da Republica e o Supremo Ttribunal, era “o chefe da quadrilha e da organização criminosa”, já está sentindo a batata quente. A próxima fogueira é dele.
E Lula? Deve estar procurando o Simões Lopes para ver aonde vai.
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FOGUETE
1.-O Brasil está vivendo o choque de realidade em lugar do tempo de euforia marqueteira que marcou os últimos anos. Enganar a todos por todo o tempo é missão impossível. O marketing não era somente no território nacional, penetrava no cenário internacional.Em novembro de 2009, a revista inglesa “The Economist”, em matéria “O Brasil decola”, ilustrava sua capa com o Cristo Redentor transplantado para um foguete que decolava em direção ao espaço sideral. Em junho de 2012, a publicação inglesa “Financial Times”, em matéria “Brasil: depois do Carnaval”, mostra o poderoso foguete começando a cair logo após a decolagem
2. – O economista Paulo Yokota, ex-diretor do Banco Central, baseado em artigo do financista Ruchir Sharma, do Morgan Stanley, constata: – “Sharma reafirma que o desenvolvimento brasileiro é dependente da exportação de commodities e da expansão do crédito. Mesmo com a melhoria da distribuição de renda, as tensões sociais continuam elevadas, tanto que o país é um dos melhores lugares para vendedores de carros blindados. O Brasil se beneficiou de uma bolha”.
3. – Anestesiados pela euforia do curto prazo, os brasileiros começam a enxergar uma realidade que o tempo está comprovando não ser virtuosa. Na ausência do debate interno, os alertas que vêm do exterior não devem ser catalogados como pessimistas. Apontam as alternativas que devem ser perseguidas para colocar o Brasil, com suas extraordinárias potencialidades, na posição que deve ter no cenário internacional.
4. – Nossa taxa de investimento está em 19% do PIB. Na China é de 46% e, nos países asiáticos, a média é de 30%. A inserção internacional brasileira é modestíssima, responsável pelo saldo negativo na balança comercial de produtos da indústria, reflexo de precoce desindustrialização.
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MARKETING
O marketing político, a propaganda subliminar veiculada diariamente na mídia televisiva e afins com patrocínio oficial, onde tudo acontece positivamente, busca eliminar a consciência crítica. Alimentando o projeto de poder estatal, onde tudo corre às mil maravilhas e o povo se sente feliz e satisfeito. A ditadura do marketing elimina o debate político, banindo a discussão dos problemas concretos que afetam a vida do cidadão.
A despolitização e o uso das pesquisas eleitorais como alavanca para a ação política têm por finalidade falar o que o povo quer ouvir. O debate público fica banalizado e medíocre, com os candidatos, situação e oposição, temendo debater a realidade com medo da opinião pública. Manipulada pelos “marqueteiros”, que os transformam em “robôs”.
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MENTIRA
Daí a ousadia do marqueteiro oficial do PT, o baiano João Santana. ao dizer que as campanhas políticas não trabalham com a realidade e a verdade, mas com símbolos e com a emoção e o imaginário coletivos. O marketing eleitoral deve vender o paraíso, iludindo a boa fé da sociedade.
Rui Barbosa previu o PT: “Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nas soluções. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, nas palavras, na escrita. O monopólio da mentira. Mentira nos desmentidos. Uma impregnação tal das consciências pela mentira que se acaba por não discernir a mentira da verdade.”

Os mensaleiros e os ladrões de galinha


Carlos Chagas

Depois de todos os elogios ao Supremo Tribunal Federal, aberta que está a avenida para a condenação da maioria dos mensaleiros, surge o primeiro buraco no asfalto. Ironicamente, coube ao caminhão do ministro Cezar Peluso diminuir a marcha, ele que até prisão determinou para os primeiros cinco réus. Porque ao fixar a pena para o deputado João Paulo Cunha, Marcos Valério, Henrique Pizzolato e dois penduricalhos, o mestre parou nos seis anos. Três por corrupção passiva e três por peculato. Significa que pela lei vigente o ex-presidente da Câmara teria direito a regime semi-aberto, caso não recebesse outra condenação por lavagem de dinheiro. Traduzindo: ficaria em casa durante o dia, obrigado apenas a dormir na cadeia.
A pergunta que se faz é porque, então, o ladrão de galinha fica preso durante o inquérito e o julgamento e, depois, continua trancado em tempo integral, sem direito a beneficio. Por ser pobre, não dispor de excepcionais advogados e carecer de diploma universitário? Deveria ser a lei igual para todos. Quantas galinhas poderiam ser compradas com os 50 mil reais oferecidos por Marcos Valério? Muitas mais, até um aviário, por conta do contrato de publicidade celebrado entre eles.
Claro que a pena para esse primeiro lote de bandidos não estava completa. Mais um voto em favor da acusação de lavagem de dinheiro, dado pelo presidente Ayres Brito,  determinou que os seis anos de prisão aumentem, nesse caso em regime fechado. Resta aguardar, sem desejos de vingança, mas tendo presente haver chegado a oportunidade de a Justiça demonstrar serem todos iguais perante a lei.
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A MAIOR DAS EVIDÊNCIAS
Do julgamento, até agora, vai ficando claro que por ampla maioria os ministros do Supremo Tribunal Federal reconhecem a existência do mensalão. Só dois ficaram com a alegação de que tudo se resumiu à coleta de dinheiro para pagar despesas de campanha eleitoral. Em situação difícil ficam o ex-presidente Lula, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, os réus e seus advogados. Houve mesmo compra de votos parlamentares com dinheiro público. O ex-presidente Lula afirmou nada saber da operação, dizendo-se até traído pelos maus companheiros, isso antes de adotar a sugestão de seu então ministro da Justiça, de enfiar tudo debaixo do tapete do caixa dois.
Já o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deixou escapar num de seus desabafos que nada do que se passava no palácio do Planalto era desconhecido do presidente.
À medida em que o processo se desenvolve, mais apertado fica o colarinho de todos. Não seria melhor que reconhecessem a verdade, de uma vez por todas?
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PÁ-DE-CAL
Quem jogou a pá-de-cal na mentira da ausência do mensalão, ontem, foi o senador Pedro Simon, na tribuna do Senado. Ele defendeu que o ministro Cezar Peluso deveria ter apresentado seu voto completo, condenando ou absolvendo os outros réus. E concordou com a ministra Carmem Lúcia, de que o Brasil realmente mudou.
Dos maiores críticos da impunidade no país, o representante do Rio Grande do Sul lembrou a lei da Ficha Limpa, dizendo que ela se liga fundamentalmente ao mensalão. Porque ninguém acreditava que a lei fosse aprovada, assim como todos imaginavam que o julgamento em curso no Supremo acabaria dando em nada. Felizmente, aconteceu tudo ao contrário…

Reincidência


31 de agosto de 2012 | 3h 09

Foi preciso o Supremo Tribunal Federal pregar à testa de João Paulo Cunha o carimbo de corrupto para o PT se dar conta da inadequação de ter como candidato a prefeito um réu em processo criminal.
Foram necessários nove contundentes votos de condenação por corrupção passiva e peculato para que o deputado pensasse em desistir de buscar absolvição "de fato" junto ao eleitorado de Osasco.
Antes disso estava tudo normal. Três ministros gravaram manifestações de apoio para o horário eleitoral. Míriam Belchior, do Planejamento, lugar tenente da presidente da República, emprestou seu aval considerando "muito importante eleger João Paulo" para dar continuidade ao "modo petista de governar".
Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário, ligou o futuro da cidade à eleição do réu: "Com o governo Lula e agora com a presidente Dilma estamos transformando o Brasil. Com uma prefeitura aliada ao governo federal podemos fazer ainda mais. Por isso, em Osasco, vote em João Paulo Cunha".
Aldo Rebelo, do Esporte, externou seu apoio ao "companheiro e amigo" com "muita honra e orgulho" pela trajetória de "serviços prestados aos interesses de Osasco e do Brasil como vereador, deputado estadual, deputado federal e presidente da Câmara".
Pois foi preciso o Supremo demonstrar com todos os efes e erres que antes dos interesses nacionais e regionais João Paulo defendia a causa própria para que o PT passasse a considerá-lo um peso em cima do palanque.
Agora aparecem os engenheiros de obra pronta dizendo o quanto haviam alertado para a impropriedade da candidatura, atribuindo o gesto temerário à vontade de João Paulo que tinha a "máquina" na mão.
Ora, sobre vontades no PT dão notícias mais precisas as candidaturas de Dilma e Fernando Haddad. Quem tem "querer" ali é Lula, que, se alguma preocupação com as aparências tivesse, teria feito João Paulo se recolher.
Mas, não viu nada demais em seu partido concorrer com um réu munido de desculpas esfarrapadas e da certeza na impunidade. Diga-se em sua defesa, porém, que o ex-presidente não chegou a essa conclusão sozinho, baseado em coisa alguma.
A sustentar-lhe a impressão de que votos podem perfeitamente transitar numa esfera à parte do mérito, inclusive no tocante aos bons costumes, há o pouco caso do eleitorado quanto à ficha dos candidatos.
Lula mesmo foi reeleito no calor do escândalo do mensalão e do caso dos "aloprados", pegos em flagrante de compra de dossiê contra seu principal adversário.
Severino Cavalcanti elegeu-se prefeito no interior de Pernambuco depois de sair da presidência da Câmara por corrupção (como sucessor de João Paulo), José Roberto Arruda recebeu mandatos de deputado e governador carregando pesadas acusações às costas e vários mensaleiros denunciados em 2005 voltaram à atividade pelo voto em 2006.
Em suma: o alto lá que o STF vai assentando pode muito no balizamento do futuro, mas não pode tudo. E não terá o esperado efeito saneador se o eleitor continuar a reincidir na concessão de seu voto a gente a respeito de quem se pode dizer qualquer coisa, menos que esteja acima de qualquer suspeita.
Autoengano. Não é de hoje que o PSDB atribui seus revezes aos programas do horário eleitoral. A justificativa não obstante confortável, ignora fatores realmente decisivos.
Partido unido, sintonizado com o eleitorado, atento às demandas da sociedade, presente nos debates fundamentais e na posse de posição clara sobre temas de interesse nacional pode até perder eleição, mas não será por obra de erros do marqueteiro.
Já partido desunido, dissociado do eleitorado, desatento às demandas da sociedade, ausente nos debates fundamentais e sem posição clara sobre temas de interesse nacional dificilmente ganha eleição por mais genial que seja o departamento de propaganda.