sexta-feira, 27 de julho de 2012

Nos maiores bancos privados, calote é de R$ 32 bi Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander lucraram R$ 13,78 bi, 4,7% menos que o registrado no primeiro semestre de 2011





Agência do Santander em São Paulo: lucro do banco recuou com inadimplência
Foto: Dado Galdieri - 15/2/2012 / Bloomberg
Agência do Santander em São Paulo: lucro do banco recuou com inadimplênciaDADO GALDIERI - 15/2/2012 / BLOOMBERG
SÃO PAULO – A economia desaquecida, juros em queda e a escalada da inadimplência derrubaram os lucros dos três maiores bancos privados do país no primeiro trimestre e deixaram uma conta de mais de R$ 32 bilhões em prestações de empréstimos em atraso nos balanços dessas instituições.
Levantamento da Austin Rating mostra que o lucro líquido acumulado por Itaú Unibanco, Bradesco e Santander de janeiro a junho somaram R$ 13,78 bilhões, valor 4,7% menor que os R$ 14,46 bilhões dos primeiros seis meses de 2011.
Os R$ 32 bilhões referem-se a prestações já vencidas. Se consideradas as prestações que ainda não venceram desses contratos em atraso, a conta chega a R$ 81 bilhões, ou quase 10% das carteiras totais de crédito desses bancos, que, no fim de junho, tinham R$ 841,5 bilhões de saldo.
— Esses volumes de atrasos são com certeza um recorde, mas não são preocupantes do ponto de vista de solvência porque esses bancos têm provisões mais que suficientes. E também porque atraso não significa perda e eles irão recuperar boa parte do créditos em atraso — diz Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, que estima que as perdas efetivas nas operações dessas instituições devem ficar de 3% a 4% do total das carteiras.
Bancos abusaram dos financiamentos de carros
O elevado índice de inadimplência que essas instituições ostentavam no fim do trimestre passado — de 4,2% na média da carteira do total do Bradesco, de 4,9% do Santander e de 5,2% do Itaú Unibanco — refletem em parte o endividamento elevado de pessoas físicas e empresas, mas também estratégia equivocadas para a concessão de crédito em alguns segmentos, observa Rodrigues. Ele cita os financiamentos a veículos, em que as instituições abusaram de linhas com baixa entrada e prazos muito longos, que resultaram numa explosão de calotes.
A combinação de lucros em queda e apuros na frente dos financiamentos indica, para ele, que 2012 será um ano difícil para os bancos. Bem diferente dos últimos anos, em que mesmo com a crise de 2008 e 2009 conseguiram elevar os lucros e os volumes de suas carteiras de crédito a taxas de dois dígitos.
— Os bancos vão ter que se adaptar ao novo cenário, de juro baixo, mais competição e inadimplência alta — diz.

“A Polícia Federal vai acabar explodindo”



“A Polícia Federal vai acabar explodindo”Foto: Edição/247

DESAFABO É DE MARCUS WINK, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS POLICIAIS FEDERAIS; ELE CONTOU AO 247 OS MOTIVOS QUE LEVARAM A CATEGORIA A FAZER ONTEM O ENTERRO SIMBÓLICO DO DIRETOR-GERAL DA PF, LEANDRO DAIELLO, EM BRASÍLIA; PROCURADOS, MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E PF AINDA NÃO SE PRONUNCIARAM

27 de Julho de 2012 às 06:13
Andressa Anholete _Brasília 247 – Membro de uma das mais respeitadas corporações brasileiras, a Polícia Federal, Marcus Wink teme o futuro da instituição. Ele é o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais e está na corporação há 34 anos. Na quarta-feira 25, durante manifestação organizada pela Fenapef, em Brasília, 400 integrantes da categoria realizou o enterro simbólico do diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra.
"Em todos estes anos na corporação, esta é a maior crise de relacionamentos que já vi na PF", afirma Wink. Ao Brasília 247, o sindicalista explica que a principal disputa está entre os delegados e agentes. "Os delegados assumiram todos os postos que eram, a princípio, de agente. Até em operações especiais, que pedem uma experiência prática que a maioria não tem", detalha Marcus.
Para ele, a crise teve origem durante o comando do diretor-geral anterior à Coimbra, Luiz Fernando. Daiello assumiu o cargo em janeiro de 2011, depois de 17 anos na Polícia Federal.
Para a Fenapef, o atual diretor é omisso e corporativista em relação as disputas internas da PF. "Quem está num patamar acima tem o ônus de fazer o controle interno, solucionar problemas como este. Ele se omite", conta o presidente do sindicato. Wink alega que já procurou Daiello diversas vezes, tanto por meio de ofícios como pessoalmente, e nada foi feito.
"Se não houver um gerenciamento hábil, competente e político para solucionar a crise, ela vai agravar cada vez mais. A Polícia Federal vai acabar explodindo", setencia o sindicalista.
A reivindicação do sindicato é que seja escolhido um novo diretor-geral, e que a pessoa seja de fora da PF para não favorecer qualquer um dos lados. "Queremos alguém de fora da polícia, alguém com noção do trabalho, mas que principalmente tenha conhecimento na área de gestão e inteligência para administrar todas as situações", descreve o representante da federação. Policiais civis, juízes e coronéis já ocuparam o cargo de diretor-geral ao longo da história do órgão.
O Brasília 247 procurou a Polícia Federal e o Ministério da Justiça, que ainda não estão se pronunciando sobre o assunto.
Paralisação
Nos dias 31 de julho e 1º de agosto, a Fenapef vai realizar assembleia para analisar os próximos passos do movimento. A greve não está descartada.
A categoria reivindica ainda reestruturação salarial e da carreira. Segundo o sindicato, as negociações com o ministério do Planejamento estão paradas.

TJ manda soltar PMs acusados de executar empresário em SP Em sua decisão, desembargador não quer retorno dos policiais às ruas




SÃO PAULO – O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu nesta quinta-feira liberdade provisória em favor dos policiais Luis Gustavo Teixeira Garcia, de 27 anos, Adriano Costa da Silva, de 26, e Robson Tadeu do Nascimento Paulino, de 30 anos, acusados de executar o empresário Ricardo Prudente de Aquino, no último dia 18, no Alto de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Em sua decisão, o desembargador Willian Campos, da 4ª Câmara de Direito Criminal, proibiu o retorno dos três ao trabalhos de rua. O trio está no presídio militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, e deve ser solto nas próximas horas.
No boletim de ocorrência, os PMs admitiram que atiraram em Ricardo mesmo sem o empresário ter esboçado resistência, depois dele não ter obedecido a ordem de parar seu carro, um Ford Fiesta preto, em uma blitz e ser perseguido. Os policiais teriam confundido o celular de Ricardo com uma arma, segundo a corporação. A vítima foi executada com dois tiros na cabeça.
Em sua decisão, o desembargador Willian Campos, da 4ª Câmara de Direito Criminal, diz que “embora presentes alguns pressupostos da prisão preventiva dispostos no artigo 312 do Código de processo, as circunstâncias autorizadoras da custódia cautelar não ficam devidamente demonstradas”. Nessas condições, prossegue Campos, “a manutenção dos pacientes em custódia cautelar, no caso, seria uma verdadeira antecipação dos efeitos condenatórios de eventual sentença, o que viola o princípio constitucional de inocência que rege a careta magna”.
O desembargador diz, ainda, que concede “liminarmente a liberdade provisória aos pacientes sob a condição de se absterem ao exercício de qualquer atividade ou trabalho externo e fora das dependências militares, limitando-se somente a prática de serviços administrativos, sem prejuízo da aplicação de qualquer outra sanção disciplinar administrativa”.

Crime organizado ameaça cerca de 400 magistrados no Brasil, estima AMB Para magistrado, nova lei pode coibir casos como o juiz que deixou a investigação da organização de Cachoeira


Flávia D'Angelo, de O Estado de S.Paulo

A Lei 12.694, publicada nesta quarta-feira, 25, pela presidente Dilma Rousseff pode coibir ameaças como a que ocorreu com o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pelo caso Cachoeira. Segundo a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), há estimativas de que, atualmente, 400 juízes são, ou se sentem, ameaçados pelo crime organizado no Brasil. Dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que existem pouco menos de 200 casos registrados.
Para o vice-presidente interino da AMB, o desembargador Raduan Miguel Filho, a lei é ótima e veio de encontro aos anseios da magistratura brasileira, mas não resolve o problema por completo. Quando se trata de crimes praticados por organizações criminosas, ela é uma forma de organização do Estado no combate a essas práticas, porém, é preciso aprimorar as técnicas e deixar os mecanismos mais eficientes. "Eles (criminosos) estão super organizados e se utilizam de mecanismos outrora inimagináveis como rede bancária, internet, contato dentro de fórum, de tribunais, dentro da advocacia", pontua o desembargador.
O magistrado estima que o número de ameaças pode ser ainda maior, já que muitas vezes ela não é registrada. "Muitos não levam ao conhecimento do tribunal e resolvem eles próprios com o Ministério Público ou com a Polícia Federal." Ele pontua ainda que as ameaças veladas são mais difíceis de se registrar porque, muitas vezes, o juiz não foi intimidado, mas se sente assim. "Não é comum levar fechada de trânsito todo dia ou, pelo menos, duas fechadas em um dia só tendo o juiz um processo volumoso e delicado sobre o crime organizado na mesa dele", diz Raduan.
Segundo o desembargador, existe uma secretaria criada pela AMB responsável por levantar e dar apoio a casos de problemas com magistrados e que atua em conjunto com a lei. "O objetivo é buscar estudos e mecanismos juntos aos tribunais, ao CNJ e aos órgãos públicos, mecanismos tais como os expostos na lei", diz ele.
Caso Cachoeira. Em junho, após ameaças, o juiz Paulo Augusto Moreira Lima deixou o comando do processo que envolve o contraventor Carlinhos Cachoeira. Em ofício encaminhado ao corregedor Geral do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Carlos Olavo, ele afirmou não ter mais condições de permanecer no caso por estar em "situação de extrema exposição junto à criminalidade do Estado de Goiás". E para evitar represálias, revelou que deixaria o País temporariamente. Atualmente, o processo da Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira, está nas mãos de Alderico Rocha Santos, juiz de Goiânia.

No MP, Demóstenes Torres desperta constrangimento Processo que investiga relações de ex-senador com Cachoeira corre lento





ÀS 16h30m, quase no fim do expediente, ex-senador Demóstenes chega em seu gabinete no 3º andar do prédio do Ministério Público de Goiás
Foto: O Globo / Givaldo Barbosa
ÀS 16h30m, quase no fim do expediente, ex-senador Demóstenes chega em seu gabinete no 3º andar do prédio do Ministério Público de GoiásO GLOBO / GIVALDO BARBOSA
GOIÂNIA - O constrangimento e, ao mesmo tempo, o corporativismo marcaram os primeiros dias de trabalho de Demóstenes Torres no Ministério Público (MP) de Goiás, depois de uma ausência de 13 anos. O ex-senador, que reassumiu o cargo de procurador de Justiça após a cassação no Senado há 15 dias, dá expediente na sede do MP em Goiânia desde a última sexta-feira, 20. Ele aparece para trabalhar, mas por poucas horas no dia.
Demóstenes prefere as manhãs, quase não é visto à tarde e sobe ao terceiro andar — onde está seu gabinete — por um elevador lateral e pouco usado, com acesso direto à garagem. Nesta quinta-feira, o ex-senador deixou seu gabinete às 12 horas e só retornou, quatro horas e meia mais tarde, para uma reunião com uma pessoa que o aguardava, já há uma hora. Por mês, ele ganha R$ 24 mil.
O constrangimento é tanto que promotores relatam ser alvo de piadas de réus em audiências na Justiça, pelo fato de o MP acolher o senador cassado por colocar o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mesmo assim, a cúpula da instituição — comandada pelo irmão de Demóstenes, Benedito Torres Neto, procurador-geral de Justiça — até agora vem blindando o ex-senador nos procedimentos abertos para investigar as relações do agora procurador de Justiça com Cachoeira.
A instituição não dá explicações sobre a sindicância aberta pela Corregedoria-Geral. O corregedor-geral, Aylton Flávio Vechi, recusou-se a falar com a reportagem do GLOBO, que esteve na sede do MP goiano na tarde desta quinta-feira. No fim de março, um mês depois de deflagrada a Operação Monte Carlo, Vechi manifestou solidariedade a Demóstenes no Colégio de Procuradores de Justiça.
Promotores contrários à permanência do ex-senador no MP relatam que, por enquanto, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) não foi acionado para apurar a situação de Demóstenes. Outra frente de investigação, um inquérito aberto pelo próprio MP para investigar improbidade administrativa e supostos crimes cometidos pelo ex-senador e por seu irmão, também citado nos grampos da Monte Carlo, está emperrada: menos de 40% do material remetido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a ser avaliado.
Uma preocupação da cúpula da instituição é esconder o teor dos processos judiciais remetidos para o gabinete do procurador. A Superintendência Judiciária, que distribui os processos; a Comissão de Distribuição de Processos, responsável por decidir para onde são remetidas as demandas; e a Corregedoria-Geral, que comanda a sindicância, não informam quais são os primeiros autos nos quais Demóstenes terá que trabalhar.
Demóstenes pede para atuar na área cível
O ex-senador atua na área criminal, setor que o projetou politicamente, mas já teria conseguido mudar para área cível. Responsável pelo inquérito que apura supostas ilegalidades na relação de Demóstenes com Cachoeira, bem como a proximidade de Benedito Torres com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o procurador de Justiça Pedro Tavares Filho descarta a existência de qualquer pedido de suspensão das atividades de Demóstenes como procurador enquanto corre a sindicância aberta na Corregedoria-Geral. Cabe ao Conselho Superior do MP decidir pela suspensão ou não do servidor. O conselho é presidido por Benedito, investigado pelo MP e pelo CNMP.
Quando retornou ao trabalho nesta quinta-feira, quase no fim da tarde, Demóstenes estava bem humorado. Mas, diante da abordagem da reportagem de O GLOBO e de um pedido de entrevista, mudou a feição:
— Não falo com vocês, de jeito nenhum. Sem chance — disse o ex-senador.
O MP de Goiás informou que Demóstenes ainda não recebeu o primeiro salário e que a sindicância Corregedoria-Geral aguarda documentos solicitados ao Senado e à PGR.

Em novo documento, advogados dizem que Duda é ‘figura externa ao mensalão’



Em texto com alegações finais reformuladas, defensores do publicitário tentam reforçar diferença entre cliente e outros réus no processo

26 de julho de 2012 | 22h 27
Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo
Em novo texto entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados que assumiram este ano a defesa de Duda Mendonça afirmam que o publicitário responsável pelo marketing da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 é uma "figura externa, alheia ao ‘esquema do mensalão’ e à ‘organização criminosa’". O julgamento do caso no STF começa na quinta-feira, 2, e deve durar ao menos um mês e meio.
Para defesa de Duda Mendonça, ele é 'figura externa' ao esquema - Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE
Para defesa de Duda Mendonça, ele é 'figura externa' ao esquema



Duda Mendonça é acusado pela Procuradoria-Geral da União de receber cerca de R$ 10 milhões do chamado valerioduto em uma conta no exterior. O publicitário responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.
A revelação do pagamento no exterior foi feita pelo próprio Duda durante o seu depoimento à CPI dos Correios em agosto de 2005, num dos momentos mais críticos do governo Lula. À época, opositores chegaram a cogitar um pedido de impeachment do então presidente da República.
O novo texto, assinado em junho pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, e Luciano Feldens substituiu o anterior, protocolado em abril por Tales Castelo Branco e Frederico Crissiúma, antigos defensores do publicitário no processo do mensalão.
As alegações finais mantêm a tese do documento antigo, segundo a qual o empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza foi o responsável pelo envio ao exterior de parte dos pagamentos feitos a Duda e a sua sócia, Zilmar Fernandes Silveira, por serviços prestados na campanha presidencial de Lula de 2002,
Os advogados confirmam o recebimento de R$ 10,5 milhões dos R$ 25 milhões contratados em uma conta aberta nas Bahamas. O novo texto, de 30 páginas e mais 54 de anexos, porém, dá mais ênfase à tentativa de diferenciar Duda e Zilmar do restante dos acusados pelo esquema.
Já no início das alegações, os advogados destacam as distinções entre os dois grupos de acusados. "Dos 38 acusados, 36 teriam alguma relação com o ‘mensalão’ por terem determinado a realização, realizado, recebido ou intermediado o recebimento de pagamentos que teriam como objetivo arregimentar apoio político ao governo do PT no Congresso."
Os advogados acrescentam que Duda e Zilmar são diferentes. "Eles entabularam, com o PT, uma relação legal, formalizada em contrato investido de objeto lícito, para a execução de atividades legais efetivamente prestadas", afirma o documento.
Tabelinha. A nova apresentação dos advogados de Duda Mendonça tem uma tabela com "as diferenças" entre as participações dos publicitários e dos demais acusados no esquema, listando desde o período em que ocorreram os supostos crimes aos quais respondem – antes de 2003, no caso dos dois, e depois de 2003 nos outros – à caracterização dos pagamentos realizados, descritos como "prestação de serviços de publicidade e propaganda" para os casos de Duda e Zilmar e "compra de apoio político no Congresso Nacional (corrupção)", para os demais casos.
"Em resumo: a valoração judicial acerca da imputação que recai sobre Duda e Zilmar dispensa qualquer juízo, positivo ou negativo, sobre a existência do ‘mensalão’, pois o objeto dos valores envolvidos, o instrumento (contrato) que o sustenta; os destinatários e o período que origina o crédito são completamente diversos", diz o documento.
A maior parte dos advogados dos 38 réus no processo nega a versão segundo a qual as agências de publicidade de Marcos Valério receberam dinheiro público e depois o repassaram para parlamentares a fim de comprar apoio ao governo no Congresso.
Os defensores dos réus do processo, incluindo os advogados do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como "chefe da quadrilha", dizem que o que houve na verdade foi um esquema de pagamento de dívidas de campanha via caixa 2, sem uso de dinheiro público.
‘Técnico’. "Vamos fazer uma defesa técnica", disse o criminalista Kakay, conhecido por defender políticos acusados de crimes – como o ex-senador Demóstenes Torres. "Conheço o processo desde o início, tenho convicção de que não houve o mensalão, mas ainda que tivesse havido, o Duda e a Zilmar não se enquadrariam", afirmou Kakay.
Para o advogado, nenhuma das acusações contra seus clientes tem respaldo documental, já que os acusados não enviaram dinheiro para o exterior – "Quem mandou foi o contratante; Duda apenas recebeu o pagamento."

Mensalão: defesa bate cabeça, por Ilimar Franco



Ilimar Franco, O Globo
Juristas, com experiência na área criminal, consideram que os advogados dos réus do mensalão cometem “erro primário” ao não adotarem a mesma tese na defesa de seus clientes. Avaliam que a falta de coordenação será “fatal” para todos. Tratam como “burrice” a tentativa de envolver o ex-presidente Lula, pois isso já foi rejeitado pelo STF.
Dizem ser “mortais” as divergências entre os clientes e seus advogados. Citam os casos de Delúbio Soares e Arnaldo Malheiros (cumprir ordens da direção do PT) e de Roberto Jefferson e Luiz Francisco Barbosa (Lula ordenou o mensalão).