quarta-feira, 28 de junho de 2017

BRASIL, CAMPEÃO MUNDIAL DE AÇÕES TRABALHISTAS


Tito Guiarniere, no Blog do Políbio

juiz
juiz…

Há certas estatísticas das quais se deve desconfiar. Mas elas ganham foro de verdade, se divulgadas por um ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. Em evento de março, em Londres, ele revelou que o Brasil, tendo apenas 3% da população mundial, concentra 98% das ações trabalhistas do planeta. É estarrecedor. Já sabíamos que a cada ano três milhões de trabalhadores brasileiros ingressam com novas ações nos juizados trabalhistas do país.

Há alguma coisa de irremediavelmente distorcido nesse dado. Se você perguntar a um procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) a causa de tantas ações, ele terá a resposta na ponta da língua: a culpa é dos patrões, que não cumprem as obrigações trabalhistas. Não, definitivamente isso não explica tudo e nem é tão simples. Patrões no Brasil e no mundo querem pagar o menor salário e o menos possível de encargos sociais. Na exata e mesma medida que trabalhadores querem ganhar o máximo, trabalhando o mínimo.

Há um conjunto de razões particulares, só existentes no Brasil, que provocam a distorção. As leis brasileiras são extensas e enroladas. A legislação trabalhista, mais do que as outras, é um cipoal de leis e regulações exaustivas, detalhistas e de alta complexidade. É tarefa de Sísifo cumpri-las integralmente.

Mas a causa principal está em que o Ministério Público do Trabalho e os juízes atuam sob a “jurisprudência” única de que o trabalhador é a parte fraca da relação de emprego, e de que a Justiça do Trabalho é uma forma de fazer justiça social e distribuir a renda. Isto é, na dúvida, os juízes, na sua esmagadora maioria, com o apoio ativo do MPT, decidem a favor do empregado.

Os trabalhadores, que não são bobos nem nada, já notaram faz tempo que entrar com uma ação na Justiça do Trabalho é quase certeza de levar algum dinheiro. E aos magotes propõem ações na Justiça do Trabalho, estimulados e subsidiados pelos advogados dos sindicatos (lembrando que o Brasil é também recordista mundial de número de sindicatos, mais de 15 mil em todo o país), e dos grandes escritórios de advocacia trabalhista que pululam nas cercanias dos juizados.

Juízes, promotores do MPT, altos funcionários da Justiça especializada, sindicatos (e seus advogados), e grandes escritórios de advocacia trabalhista, eis os felizes ganhadores desse jogo de cartas marcadas. Ficam com o grosso dos recursos que giram em torno dos juizados e dos tribunais do trabalho, uns porque recebem salários dentre os mais elevados do serviço público federal, outros, como advogados dos sindicatos e dos grandes escritórios, reservam para si parcelas que podem chegar a 30% do valor das ações.

O trabalhador, ele mesmo, é o primo pobre do sistema. Quando vencem as ações, ou aderem a acordos, recebem apenas uma parte do que lhes pertence.

Não é por outra razão que a maior resistência a uma reforma trabalhista venha exatamente deles, MPT, juízes e advogados trabalhistas. Por exemplo, se passar a livre negociação, que é um avanço modernizante, eles perdem poder (juízes e MPT) ou dinheiro (advogados trabalhistas).

titoguarniere@terra.com.br


O total de dinheiro gasto na “justiça trabalhista” é da ordem de

Gil
Gil

grandeza de três vezes mais que o total de dinheiro que sai do trabalhador para o patrão mais o do trabalhador para o patrão em decisões judiciais.  

Caso à parte é quando o patrão é o governo, pois SEMPRE RECORRE quando perde.  Quando me aposentei no final da década de 1990, tive em mãos uma circular emitida pelo sinistro ministro da Educação orientando os funcionários de departamentos de Recursos Humanos a NEGAR TODA E QUALQUER REIVINDICAÇÃO por parte de servidores, em que houvesse qualquer gasto (mesmo valores irrisórios).  Motivo alegado, expresso com todas as letras: “apenas 7% dos servidores públicos recorrem de um pedido negado, e desses – apenas 7% recorrem na justiça pela segunda vez”. 

Isso quer dizer que menos de meio por cento dos que trabalham no Serviço Público exige as vantagens que as leis lhes concedem. E cada processo dispende custos com advogados e contadores e em média bem mais de QUINZE ANOS DE ESPERA até chegar aos precatórios, pois recorrem até das decisões em última instância.

A administração pública gasta BILHÕES com o serviço jurídico para negar uns poucos MILHÕES que finalmente termina por pagar aos que tiveram paciência e coragem de recorrer. É coisa de MALUCOS. A única explicação é que jogam a conta para os presidentes e governadores e prefeitos seguintes, enquanto pagam as contas geradas por administradores anteriores. Coisas de malandro-cocô que se acha esperto por comer menos merda que os outros malandros.


terça-feira, 27 de junho de 2017

PALAVRA FÁCIL - por Maria Helena R.R. de Sousa



Maria Helena RR de Souza
Maria Helena RR de Souza

NBlog de Ricardo Noblat e no Chumbo Gordo

Nós somos um povo de palavra fácil. Os estrangeiros que aqui vêm ficam satisfeitos com nossa acolhida, damos atenção, somos camaradas e gentis com nossos visitantes. Já morei fora e creio poder afirmar que isso é raro acontecer em outros países.

Ao conversar com um morador do lugar onde estamos, temos a sensação – por vezes ilusória, é verdade – de conhecer melhor o país que visitamos.

Acima do Equador é raro iniciarmos um papo num bar, numa sala de espera, num trem. Aqui,  basta às vezes uma palavra para iniciar uma relação cordial ou mesmo só uma maneira agradável de passar o tempo. Nisso o Brasil é mestre.

Mas nem sempre isso é uma qualidade. Às vezes pode ser um defeito e tanto.

Dou como exemplo a palavra fácil dos nossos togados. Andam falando demais os nossos juízes. Vejam o quanto fala o Ministro Gilmar Mendes que em muito boa hora nos recordou o grande Américo Pisca-Pisca, de quem é um lídimo representante.

Pensando nisso leio no Blog do Noblat um artigo cujo tema é “Outra forma de escolher ministro do STF”. Comenta o autor que está para ser votada uma  proposta de emenda constitucional (PEC) do senador Lasier Martins (PSD-RS) “que altera mandato e forma de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela sugere que uma comissão formada por sete importantes juristas indique, após 30 dias da abertura de uma vaga no STF, três nomes ao presidente da República para que escolha entre eles um novo ministro”.

Pouco entusiasmada com a proposta do senador gaúcho, esta autêntica representante do Reino da Palavra Fácil, sem a menor qualificação jurídica para tratar de assunto tão relevante, começa a esboçar um artigo sobre uma ideia que teve: os ministros do STF seriam escolhidos por concurso público! Animada, telefono para um grande amigo, meu afilhado de casamento, Procurador da República aposentado, e conto-lhe o que estou fazendo. Ele, como sempre paciente, ouve calado minhas palavras agitadas e depois pergunta: “Quem organizaria o concurso? Quem redigiria as perguntas? Quem corrigiria as provas e daria as notas?”.

Logo vi que não era por aí que teríamos um Supremo Tribunal Federal como já tivemos há alguns anos, com ministros calados, reservados, discretos, mais preocupados em julgar do que em serem julgados…

O que precisamos, e disso esta Palavra Fácil não abre mão, é de um Senado composto por senadores cultos, bem preparados e dispostos a uma sabatina mais preocupada com o Brasil do que com seus partidos políticos.

E tenho mais um palpite a dar: os candidatos a ministro do STF não fariam aquela romaria em busca de votos pelos gabinetes dos senadores.

O ideal é que só fossem visitar o Senado Federal no dia de sua sabatina…

Que tal? Concordam?

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Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa* – Professora e tradutora. Vive no Rio de Janeiro. Escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Colabora para diversos sites e blogs com seus artigos sobre todos os temas e conhecimentos de Arte, Cultura e História. Ainda por cima é filha do grande Adoniran Barbosa. 
https://www.facebook.com/mhrrs e @mariahrrdesousa

Artefatos nazistas encontrados em sala secreta na Argentina


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Especula-se que eles foram trazidos para o país por altos funcionários nazistas.
A polícia da Argentina acredita ter descoberto a maior coleção de artefatos nazistas na história do país. Segundo a Associated Press, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, explicou que muitas das peças estavam acompanhadas de fotografias. "Esta é uma maneira de comercializá-las, mostrando que elas foram usadas no horror do Holocausto por Hitler. Há fotos dele com os objetos”. Disse.

As 75 peças foram encontradas em uma sala escondida na casa de um colecionador, ao norte de Buenos Aires, e indicam que pertenciam originalmente a altos funcionários do Terceiro Reich.

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Ampulheta com marcas nazistas na sede da Interpol em Buenos Aires
Os objetos ainda incluem um busto de Adolf Hitler, brinquedos de nazismo e um dispositivo médico usado para medir o tamanho da cabeça. Os nazistas eram defensores da teoria da eugenia e usaram o conceito de diferenças genéticas para avançar nas suas ideias de superioridade racial ariana. As medidas cranianas foram uma maneira pela qual os nazistas acreditavam que podiam distinguir entre raças e provar que os judeus eram inferiores.

A polícia está tentando descobrir como os objetos chegaram da Alemanha, mas tudo indica que eles foram trazidos por membros do alto escalão do partido nazista que fugiram para a Argentina no fim da Segunda Guerra Mundial.
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Josef Mengele, conhecido como o anjo da morte do nazismo, por suas experiências cruéis e mortíferas com os judeus no campo de concentração de Auschwitz, viveu na Argentina por um período após a guerra, antes de morrer no Brasil, em 1979.  Já o engenheiro do Holocausto, Adolf Eichman, foi sequestrado por agentes israelenses do Mossad, também em Buenos Aires, em 1960, e condenado à morte em 1961 sendo enforcado em Israel.

A PROVA DO CONLUIO NAZISTA-PERONISTA - por Osias Wurman


Osias Wurman
Jornalista


A descoberta em uma sala escondida de uma casa dos 75 objetos originais da Alemanha nazista volta a colocar sob escrutínio a atividade dos líderes do Terceiro Reich na Argentina. É que para as organizações judaicas e as autoridades policiais que trabalham no caso, tantas peças de significado histórico só podem ter sido trazidas para o país por pessoas confiáveis de Adolf Hitler.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, um grande número de criminosos que ocupavam altos cargos no governo e no exército fugiu da Alemanha e continuaram suas vidas normalmente, em outras partes do mundo. Muitos deles escolheram como um novo destino a Argentina, levando suas famílias e morrendo no anonimato absoluto. Outros, no entanto, conseguiram ganhar alguns anos de negligência até que, finalmente, foram capturados e julgados.
De acordo com a Comissão Esclarecimento de Atividades Nazistas que investigou durante os anos 90, acredita-se que tenham entrado no país cerca de 100 criminosos de guerra que estavam diretamente ligados ao regime. Mas uma base total de refugiados nazistas, não inferior a 10 mil pessoas, entrou na Argentina. O jornal argentino Clarin montou uma lista de oito dos líderes nazistas mais importantes que escolheram a Argentina como sua rota de fuga.

Adolf Eichmann

O SS tenente-coronel foi o ideólogo da "solução final", plano macabro para matar milhões de judeus. Ele veio para a Argentina, em 1950, com documentos falsos e conseguiu um emprego numa fábrica da Mercedes Benz e se estabeleceu-se no norte da Argentina. Um comando do Mossad encontrou-o, em 1960, e o sequestrou para Israel onde foi julgado e condenado à morte.
Joseph Mengele
Médico, antropólogo e oficial da SS alemã. Ele trabalhou no campo de concentração de Auschwitz, onde selecionou as vítimas que seriam executadas nas câmaras de gás e fez experimentos cruéis com os prisioneiros. Ele veio através de barco para a Argentina, em 1949, estabeleceu-se no norte do país e trabalhou como carpinteiro, por quase dez anos. No final dos anos 50, ele fugiu para o Paraguai, onde viveu em uma fazenda. Ele foi para o Brasil e lá ele se afogou, em 1979, depois de sofrer um derrame enquanto nadava.


Erich Priebke

Capitão da SS alemã, ele foi enviado para a Itália, em 1943, onde ele participou do Massacre chamado do Ardeatine. Lá, 335 italianos (prisioneiros na sua maioria políticos e 75 judeus escolhidos aleatoriamente) foram mortos pelos nazistas. Ele se refugiou na Argentina com sua família, logo após a Segunda Mundial Guerra, e estabeleceu-se em Bariloche. Descoberto pela imprensa, em 1995, ele foi extraditado para a Itália, onde ficou sob prisão domiciliar até sua morte, em 2013. Ele tinha 100 anos ao morrer.


Martin Bormann


Foi secretário particular de Hitler. Enquanto um estudo genético confirmou que os restos de ossos encontrados em 1972 em Berlim eram dele, há anos que acreditava-se que Bormann foi para o exílio na Argentina, depois da guerra, e permaneceu escondido na província de Missiones.


Josef Schwammberger


Austríaco, era comandante de vários campos de trabalho da SS na Polônia. De 1948 a 1987 viveu escondido em Córdoba. Depois de ser descoberto, ela foi extraditado para a Alemanha. No hospital da prisão em Hohenasperg, ele morreu em 3 de dezembro de 2004. Ele tinha 92 anos.

Walter Kutschmann

Ele era um oficial da Gestapo, a polícia secreta do nazismo, e principal responsável pelo abate de 2.000 judeus em Lviv, na Polônia, em 1941. Ele fugiu para a Argentina depois da guerra, foi chefe de compras da empresa Osram e viveu em Miramar e Vicente López, sendo preso em 1985. Ele morreu pouco depois no hospital prisão em Buenos Aires, enquanto a Alemanha tentava a sua extradição.

Eduard Roschmann
Oficial da SS e principal responsável pelo Holocausto na Letônia. Ele chegou ao país, em 1948, sob uma falsa identidade e montou uma importação e exportação de medeiras, casou em 1968 e obteve a nacionalidade argentina. Confrontado com o perigo iminente de ser capturado pelos agentes israelenses, em 1977, Roschmann fugiu para o Paraguai, onde morreu em um hospital em Assunção.

Wilfred Von Oven

Ele era um assistente do influente ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels. Depois de chegar à Argentina, em 1951, Von Oven trabalhou em revistas e viveu uma vida relativamente tranquila: ele morreu em Buenos Aires, em 2008, depois de voltar várias vezes para a Alemanha.
Leiam nesta edição a cobertura sobre os recentes achados nazistas na Argentina.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Jacquin: “A legislação trabalhista no Brasil é uma vergonha. Há muita gente querendo empregar, mas ninguém quer se arriscar”



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Em uma entrevista nesta semana, o chef francês Erick Jacquin explicou como enfrentou as dificuldades na carreira após a falência de seu restaurante em São Paulo e sobre sua reinvenção como jurado do programa MasterChef Brasil – que na atingiu seu recorde de audiência na atual temporada, com 7 pontos no ibope, e garantiu a liderança da televisão aberta para a Band ao longo de parte de seu episódio semanal.
“A falência foi o grande problema da minha vida, mas consegui virar a página: fechei meu restaurante e estou pagando tudo o que devo. Não tenho vergonha nenhuma. Hoje, sinto minha cabeça leve a esse respeito. Respondi a muitos processos trabalhistas, mas, graças a Deus, o sufoco já está acabando”, diz Jacquin.
Ele também ataca a legislação trabalhista no Brasil, apontando-a como a grande vilã para empreendedores com seu perfil. “A legislação trabalhista no Brasil é a maior vergonha do mundo. Há muita gente querendo empregar, mas ninguém quer se arriscar. Nunca mais vou assinar uma carteira de trabalho”, afirma Jacquin.
Fonte: Veja

SERÁ A BURRICE UMA CIÊNCIA?


Texto altamente replicado na internet


O Poeta Antonio Aleixo já perguntava: Será a burrice uma ciência???

Antonio Aleixo

Antonio Aleixo

– Se atravessares a fronteira da Coreia do Norte ilegalmente, és condenado a 12 anos de trabalhos forçados.

– Se atravessares a fronteira iraniana ilegalmente, és detido sem limite de prazo.

– Se atravessares a fronteira afegã ilegalmente, és alvejado.

– Se atravessares a fronteira da Arábia Saudita ilegalmente, serás preso.

– Se atravessares a fronteira chinesa ilegalmente, nunca mais ninguém ouvirá falar de ti.

– Se atravessares a fronteira venezuelana, serás considerado um espião e o teu destino está traçado.

– Se atravessares a fronteira cubana ilegalmente, serás atirado (sabe-se lá para onde…)

– Se atravessares a fronteira americana ilegalmente serás preso e deportado.

Mas, se entrares por alguma fronteira do Brasil ilegalmente…
Terás obrigatoriamente:

– Um abrigo… – Um trabalho… – Carta de motorista…
– Cartão Cidadão (INSS) de Saúde… – Segurança Social…
– Crédito Familiar… – Cartões de Crédito…
– Renda de casa subsidiada CDHU ou empréstimo bancário para a sua compra… – Escolaridade gratuita…
– Serviço Nacional de Saúde gratuito…
– Se fores de esquerda, chance de um emprego no governo federal…
– Ser enquadrado no sistema de cotas e excluir um brasileiro …
– Um representante no Parlamento…
– Podes votar, e mesmo concorrer a um cargo público…
– Ou mesmo fundares o teu próprio partido político!

E por último, mas não menos importante:
– Podes manifestar-te nas ruas e até queimar a nossa bandeira!

E… se eu quiser impedir, serei considerado politicamente incorreto!
Sem dúvida que parece irreal, mas é a mais pura das verdades!

Será que o poeta Antônio Aleixo, tinha razão quando dizia:
“Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência.”


YING-YANG, DINHEIRO PÚBLICO E PROTESTOS - por bordinburke

Ctba Yi
* Texto de Leonardo Glass:
Dizem que, segundo a cultura/filosofia oriental, duas proposições antagônicas podem estar, ao mesmo tempo, certas. Isso tem relação com o conceito de ying-yang: se analisadas isoladamente, cada proposição é incompleta e verdadeira em si mesmo; porém, quando as posições são colocadas lado-a-lado, elas se complementam, formando um todo que é maior e mais coerente do que a soma de suas partes. A despeito da aparente "ilógica" desse sistema, o fato é que precisamos analisar as coisas em seu todo, se quisermos ter uma verdadeira compreensão dos fatos que nos cercam diariamente.
 Foi recentemente noticiado a greve dos servidores da Prefeitura de Curitiba, contrários a um pacote de austeridade do governo. Em que pese a real crise que assola o país, esses servidores estão certos em protestar. E antes que o leitor me atire pedras morais (e quiçá, reais), afirmo: quem critica os servidores também está certo. Apesar da aparente contradição, o fato é que o todo é maior do que as proposições e argumentos de cada um dos lados dessa questão.
Os servidores estão certos em criticar o pacote, pois este tipo de solução "não mexe" onde realmente interessa: no bojo da crise, que é a malversação do dinheiro público. O poder público tende a gastar mal o seu dinheiro. A lei de licitações, por exemplo, é uma piada de mau gosto que, no melhor dos casos, engessa e atrasa a Administração Pública; no pior, não impede a corrupção e o desvio de dinheiro público. Além disso, ficar refém do "menor preço" quase sempre esbarra na péssima qualidade do produto adquirido, o que deságua em gastos extras o que, no médio prazo, representa mais gastos ao invés de economia aos cofres públicos.
E a deseducação financeira da Administração Pública não para por aí. Podemos citar diversas obras inacabadas, o excesso de cargos comissionados e funções gratificadas que não contribuem efetivamente com o serviço e funcionam meramente como guarda-chuva político. Isso sem falar nas diversas "migalhas" como a falta de cuidado com a "res publica": luzes desnecessariamente acessas e ar-condicionados ligados à noite, fora do horário de expediente; uso de veículo oficial para saídas inúteis, além dos diversos “mimos” que a Administração Pública frequentemente se presenteia.
Por último - mas não menos importante - podemos citar o dinheiro público aplicado com viés político. O leitor, se pensar em sua cidade, certamente terá exemplos claros, mas citarei aqui o mais pungente de todos: A cidade do Rio de Janeiro que gastou bilhões nas Olimpíadas e hoje não tem dinheiro para pagar os seus servidores.
Nesse sentido, que culpa tem as enfermeiras das Unidades Básica de Saúde ou os professores municipais? É fácil apontar o dedo para um fiscal de tributos ou um procurador bem remunerados. Mas esses são exceções.  Esquecemo-nos frequentemente que o maior montante de servidores públicos são pessoas exercendo funções essenciais à sociedade, e cujos vencimentos, longe de serem nababescos, nem sempre condizem com a tão propalada "realidade do funcionalismo público".
De outra monta, sim, os servidores tem privilégios que trabalhadores do setor privado sequer sonham: licença-prêmio, horários menos intensos, menor rigor no controle de sua produtividade. É preciso que os servidores reconheçam que, mesmo não sendo esse paraíso todo, na média, estão melhores do que seus pares da iniciativa privada.
E nem mesmo os contra-argumentos dos servidores justificam essas benesses. Se, por um lado não há como crescer no serviço público, por outro lado há a estabilidade que evita retrocesso; se não há FGTS quando o servidor se aposenta, por outro lado, os servidores tendem a se aposentar com vencimentos quase integrais e no pico do recebimento; se, por um lado, não há margem para negociar um aumento por produtividade, tampouco há punição pela não-produtividade. E quanto mais envelhecem – e mais conhecem os meandros de suas funções –  mais improdutivos tendem a ficar. Os vencimentos, em contrapartida, só aumentam.
Porém, como costumava dizer minha mãe: “dinheiro não dá em árvore.” A fonte dos recursos são os impostos, as taxas e as contribuições pagas pelos cidadãos. É dinheiro que deixa de ser usado em benefício de quem produziu e gerou a riqueza e vai para quem, nem sempre, cumpre com zelo seus afazeres. E é isso que causa desgosto na população que depende de servidores públicos.
E no tocante às contas públicas, os benefícios dos servidores públicos representam gasto de dinheiro público. Gostem os servidores ou não, dada a grande quantidade de pessoas empregadas pelo poder público, a soma no fim do mês tende a ser substancial. E como a Administração tem poder de definir aquilo que deve ser feito para resolver seus problemas de caixa, é natural que se mexa primeiro no bolso dos servidores. É mais fácil (e mais “possível”) do que mudar a lei licitações. Ademais, mexer no bolso dos servidores é boa mídia certa. Mostra que os "políticos" estão preocupados com a conta que – ironia – eles mesmo fizeram.
Daí a solução proposta lá no início do artigo: que os dois lados se entendam e reconheçam seus argumentos em comum. A população está certa em exigir mais austeridade com o dinheiro público, e os servidores estão certos em não quererem ser os primeiros a pagarem a conta de políticas populistas.
Cabe aqui uma importante ressalva: para o bem da moral dos servidores, e da coerência no modo de vida, é necessário que estes recusem ofertas populistas quando essas são direcionadas para eles: aumentos de vencimentos muito acima da inflação, por exemplo, deveriam ser rechaçados em assembleias de sindicato. Isso daria moral para que os servidores exigissem, quando de vacas magras, que não fossem os primeiros a pagar a conta pela não austeridade.
Isso leva a verdade óbvia e ululante (e como toda a verdade óbvia e ululante, ela precisa ser relembrada periodicamente): é preciso austeridade com dinheiro público sim, mas também é preciso mexer nas entranhas da Administração. Rever leis inúteis, diminuir burocracias, que os servidores dependam menos de agentes políticos para a tomada de decisões, e que os empreendedores dependam menos de servidores públicos para poder trabalhar e empreender, diminuir o desperdício de dinheiro... de outro lado, os funcionários públicos precisam entender que devem sim trabalhar com afinco e que, eventualmente, o sacrifício de algum de seus "direitos adquiridos" será necessário para salvar o todo.
Se a população de Curitiba fosse à Câmara e pressionasse os vereadores pela aprovação do pacote, porém, COM ADENDOS como os supracitados, certamente, população e servidores se entenderiam e uniriam forças contra a origem do problema - e não contra os seus sintomas. No fim das contas - e voltado à filosofia oriental - à sombra do que ensinou Sun-Tzu, o inimigo (o Estado Burocrático) quer apenas jogar suas vítimas umas contra as outras, para assim poder reinar em paz e tranquilidade.