quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O lar do ator maníaco compulsivo


Coleções e objetos peculiares decoram a casa

21/11/2013 | POR REDAÇÃO; FOTOS TREVOR TONDRO/ THE NEW YORK TIMES
  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)
O ator Bradley Darryl Wong faz o papel do Dr. George Huang no seriado americano Law & Order: Special Victims Unit. Ele é uma pessoa repleta de peculiaridades. Entre elas, a compulsão pelo acúmulo de objetos. Sua casa, um loft térreo localizado na East Fourth Street, em Nova York, é um verdadeiro depósito de peças compradas e coletadas ao longo da vida. As portas da frente de seu lar, por exemplo, foram adquiridas no Demolition Depot. Tratam-se de duas superfícies centenárias revestidas de bronze e que um dia pertenceram a um Banco na Filadélfia.

Para dar jeito em suas bagunças quase infinitas, Wong contratou o arquiteto Jack Wettling. Depois da compra do imóvel seguiram-se três anos de reformas e outros quatro de adequação, ou seja, de ajuste da decoração. Alguns dos truques criados pelo arquiteto para organizar a casa foram: colocar os cerca de 70 pares de sapatos em 32 cestas metálicas que recheiam a grande estante localizada logo no hall de entrada; esconder atrás de portas fechadas fileiras de chapéus e casacos; e criar um grande móvel feito de madeira reaproveitada, onde em diversas caixas e gavetas Wong deposita suas coleções de livros, fotos e DVDs.

Mas sua compulsão por guardar objetos passa bem abaixo da linha da normalidade. Ele confessadamente tem dificuldade de se desfazer de fios, latas de graxa antigas e relógios de carrilhão do século 19, entre outras coisas. Wong gosta de guardar velhas válvulas do encanamento e alguns utensílios vintage. Não raramente, o ator arrasta para dentro de casamóveis que encontra na rua. “Eu tendo a criar pilhas”, disse ele. Fica claro que a tarefa de um arquiteto com esse tipo de cliente não é das mais simples, mas Wettling parece gostar do desafio. Anteriormente reformou e decorou outras duas casas para o ator.
  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)
Em seus lares anteriores, Wong viveu com seu então parceiro, Richie Jackson. A relação dos dois durou 18 anos, até que ruiu em face de um terrível trauma. Em 2000, o casal decidiu ter filhos. Eles contrataram uma mulher como barriga de aluguel mas, infelizmente, só um dos dois bebês que nasceram sobreviveu, tendo o outro falecido 90 minutos após o nascimento. Segundo Wong, a relacionamento não sobreviveu à experiência de perder um filho. A outra criança, Jackson Foo Wong, atualmente tem 13 anos. Ele vive aos finais de semana com Wong e o resto do tempo com seu outro pai.

“Depois que meu relacionamento acabou eu me senti terrivelmente envergonhado de não poder dar ao meu filho a experiência de ter uma família completa e unida, por isso me dediquei à criação de um lar incrível... ao menos isso ele teria”, confessou. Talvez por esse motivo a reforma deste loft de 270 m²  tenha levado sete anos para ser finalizada. Durante os três primeiros anos, Wong viveu em apartamentos alugados. Enquanto isso o gesso que escondia o teto foi removido e a clarabóia de madeira e vidro foi substituída por uma metálica, por segurança. Diversas outras transformações se deram por ali, seria difícil listá-las todas.

A bem da verdade é que o mais importante é o resultado. E este agrada a todos, arquiteto, cliente e agregados: Richert Schnorr, o novo namorado; Richie Jackson o antigo parceiro; e Jackson Foo Wong, o filho, que adora sua cama, reproduzindo o design de um vagão de metrô do tipo R160.
  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

  (Foto: Trevor Tondro/ The New York Times)

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO


“O governo de Dilma não deixou sua marca”
Marina Silva (PSB), para quem falta ao atual governo personalidade própria


PT IGNORA SEU ESTATUTO E NÃO EXPULSA MENSALEIROS

O artigo 231 do Estatuto do Partido dos Trabalhadores prevê expulsão de filiados condenados “por crime infamante ou práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado”. Mas os meliantes do mensalão só seriam expulsos por decisão da Executiva Nacional, e o assunto nem mesmo foi discutido na reunião de segunda (18). A regra, que contraria o estatuto, foi adotada pelo presidente do PT, Rui Falcão.

DONO DA BOLA

Corruptos transitado em julgado do mensalão permanecem filiados, diz a assessoria do partido, porque “o PT não concorda com o julgamento”.

PERDA DE MANDATO

O Estatuto do PT também prevê comunicação à Justiça Eleitoral dos condenados desfiliados, o que implicaria em perda de mandato.

REGRAS PRA QUÊ?

Entre os réus petistas condenados no processo do mensalão estão dois ex-presidentes do partido, José Dirceu e José Genoino.

PENSANDO BEM...

...para certos petistas, os corruptos do PT são melhores e até mais “éticos” que os corruptos dos outros partidos.

DIRETOR INVESTIGADO PELA POLÍCIA RETORNA À CONAB

O diretor de Políticas Agrícolas da Cia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto, voltou de convenientes férias, após o escândalo da Operação Agro-Fantasma, da Polícia Federal, que apura desvios de recursos do Fome Zero. Ele está entre os dez dirigentes da Conab cujas prisões a PF pediu à Justiça. É mais um auxiliar que a presidente Dilma não afasta do cargo após graves denúncias, como prometera.

NOME DO BOI

As “costas largas” que mantêm Silvio Porto na Conab atendem pelo nome de ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

EU SOU O CARA

Ao reaparecer em seu local de trabalho, ontem, Silvio Porto se jactou de suas ligações ao Planalto para não ser demitido da Conab.

CARO SUCO

Porto autorizou compra sem licitação de R$ 11 milhões em suco de uva de duas cooperativas gaúchas, mas o limite legal é R$ 1,5 milhão cada.

REPÚDIO AO REPÚDIO

Zeca Dirceu foi o único no PT do Paraná a subscrever o protesto contra prisão dos mensaleiros. Envergonhados, os demais petistas, como o casal Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Comunicações), caíram fora. Nem o presidente do PT-PR botou sua assinatura na reta.

TAREFA DA AGU

A Advocacia-Geral da União tem a obrigação legal de processar os 25 condenados para devolverem a grana surrupiada dos cofres públicos no mensalão do governo Lula, maior escândalo de corrupção do País.

PAPUDA DOS PRIVILÉGIOS

A penitenciária da Papuda tem histórico de regalias a presos “ilustres”. Em 2003, os três assassinos do índio Galdino saíam da prisão para beber cerveja, namorar e dirigir carrões por Brasília.

FILME ANTIGO E RUIM

A Mesa Diretora da Câmara deve adotar no caso do mensaleiro preso José Genoino o mesmo procedimento que absolveu o deputado ladrão Natan Donadon: a cassação deverá ser decidida no plenário.

LOROTA RACISTA

Números do Infopen, do Ministério da Justiça, desmentem a pregação de “maioria negra nas prisões brasileiras”. Em dezembro de 2012, em Alagoas, estado pobre, eram 1.075 brancos e 752 negros presos. No DF, maior renda per capta do País, 1.348 brancos e 1.561 negros.

TÁ FEIA A COISA

Durante reunião no Planalto, o líder Anthony Garotinho (PR-RJ) alertou a presidente Dilma que o pacto contra “pauta bomba”, modificado cinco vezes por ela, só serve para mostrar à oposição que o governo vai mal.

PONTUALIDADE

Os Correios garantem que 93% das cartas foram entregues dentro do prazo, e que o atraso em 75% atestado por levantamento da ONG Pro-teste, foi por causa da greve greve de 2012. Ah, bom.

QUE VENHAM FÉRIAS

A ordem do Planalto agora é empacar a votação Marco Civil da Internet – que antes era “prioridade” – para impedir que prospere o projeto criando piso nacional para agentes comunitários de saúde.

PERGUNTA NA PAPUDA

Quando sai o manifesto do PT contra Lula, que nomeou Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal?


PODER SEM PUDOR

ESTADO DE ABSURDO

Governador da Bahia no fim dos anos 1940, Otávio Mangabeira despachava em seu gabinete quando um assessor entrou esbaforido:

- Governador, aconteceu um absurdo!

Foi o mote para a frase histórica de Mangabeira:

- Calma, meu caro. Não há absurdo que não tenha precedente na Bahia...

Os senhores do crime - EDITORIAL ZERO HORA


ZERO HORA - 21/11

O alerta do superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Ciciliati Troncon Filho, de que há pouca diferença entre os danos provocados na prática por criminosos ligados ao tráfico e pelos “senhores que desviam recursos públicos” se presta a reflexões num país às voltas com a corrupção. O que diferencia um e outro tipo de transgressor é o uso da força, mais associado a quem pratica a violência urbana e se financia do comércio de drogas. Mas, como adverte o dirigente, são igualmente perniciosos os atos de servidores ou políticos que fraudam licitações ou desviam recursos públicos escassos em áreas essenciais, com prejuízos maiores justamente para quem mais precisa de serviços prestados pelo poder público. Obviamente, ninguém deseja a volta de um Estado policialesco. Mas, diante de tantos desmandos e de tanta impunidade, resta à sociedade cobrar para que cada instituição faça a sua parte em todas as etapas _ da fiscalização ao julgamento e à punição.
No Exterior, o país tem hoje cerca de US$ 300 milhões bloqueados em contas de brasileiros, a maior parte na Suíça, conforme dados do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça. Só em nome do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, condenado por desvio de recursos na construção do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, por exemplo, havia US$ 4,8 milhões congelados na Suíça. Há pouco, o país ficou sabendo que uma solicitação da mesma Suíça para ouvir envolvidos em São Paulo no caso de pagamento de propina, superfaturamento e cartel nas licitações do metrô e trens havia sido simplesmente desconsiderada. Fatos como esse ajudam a reforçar declarações como a do ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, de que processos contra criminosos endinheirados no Brasil só terminam “em menos de 20 anos se o acusado quiser”.
O mesmo país que conseguiu agora mandar acusados do mensalão para a cadeia, de fato, só duas décadas depois se mostrou capaz de condenar por improbidade seu mais notório político envolvido em denúncias, Paulo Maluf _ que ainda pode recorrer. E, só agora, igualmente, diante da iminência de prescrição dos crimes, foi retomado um processo contra o ex-presidente Fernando Collor, que se encontrava desde 2007 no STF.
O desfecho do mensalão, com a inédita condenação de culpados do alto escalão da política, tem que ser encarado como estímulo na luta contra a corrupção. Só haverá menos impunidade quando o país deixar de tolerar qualquer transgressão à ética e se mostrar preparado para punir todo tipo de crime _ incluindo os de colarinho branco.

Paz difícil na Colômbia - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE SP - 21/11

Nas últimas semanas, os colombianos receberam sinais opostos sobre as negociações entre o governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para encerrar o conflito armado que já dura quase meio século.

Primeiro veio a boa notícia: após um ano de conversas, os dois lados firmaram acordo com regras claras para viabilizar a participação política das Farc num eventual cenário pós-conflito --um feito considerado histórico por diversos analistas.

Foi o segundo tema em relação ao qual houve acordo --o primeiro foi a reforma agrária. Discute-se agora como solucionar o problema do tráfico de drogas, um negócio lucrativo para as Farc.

O clima de otimismo, porém, se esvaneceu na semana passada, quando o Ministério da Defesa revelou um suposto plano das Farc para matar o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-2010). A responsabilidade seria de uma das facções da guerrilha, provavelmente rompida com os representantes da mesa negociadora.

Um atentado contra Uribe evidenciaria divisões internas nas Farc e certamente bloquearia as conversas. O ex-presidente é o político mais popular do país graças sobretudo ao rigor no enfrentamento da guerrilha, hoje acuada e com território bastante reduzido.

A simples divulgação do plano já reforça as duras críticas de Uribe contra as tratativas de paz, principal tema da eleição presidencial no país, marcada para maio do ano que vem.

Impedido de buscar um terceiro mandato, Uribe lançou um aliado fiel, Óscar Iván Zuluaga, para tentar impedir a reeleição do presidente Juan Manuel Santos, que foi seu ministro da Defesa.

Caso eleito, Zuluaga promete encerrar as conversas entre o governo e as Farc, sob o argumento de que só há dois pontos a discutir: "rendição e apresentação à Justiça".

Nas últimas décadas, o Estado colombiano tem alternado estratégias mais duras com tentativas de negociação para desarmar seu complexo conflito armado, que inclui ainda outros grupos guerrilheiros e paramilitares, todos sustentados pelo dinheiro do narcotráfico.

Embora tenham perdido dois terços de seu contingente na última década, as Farc ainda não foram derrotadas e têm força para comandar ataques terroristas no território colombiano. Abandonar as tratativas teria o efeito de prolongar o confronto. Um acordo de paz seria a maneira mais rápida de sustar as ações criminosas desse agrupamento.

Falta eficiência - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR


GAZETA DO POVO - PR - 21/11

A Alemanha apresentou dois aspectos decisivos para o sucesso do país: disciplina rigorosa e elevada eficiência técnica e operacional


Um país é pobre quando seus habitantes não desfrutam de níveis confortáveis de moradia, alimentação, saúde, saneamento, educação e lazer. Também são típicos de países pobres a existência de precária infraestrutura, elevada taxa de mortalidade infantil, cidades sujas e violência urbana. O objetivo primeiro de qualquer sociedade e de qualquer governo deve ser sempre o progresso material necessário ao desenvolvimento social, e os dilemas das nações giram sempre em torno de como alcançar esse objetivo.

Uma questão bastante examinada por economistas e estudiosos do desenvolvimento é a recuperação e o desenvolvimento da Alemanha nos últimos 70 anos, após o país ter sido derrotado em duas guerras mundiais. Embora sejam vários os elementos envolvidos na explicação, a Alemanha apresentou dois aspectos na execução dos investimentos públicos e dos privados, sobretudo na área da infraestrutura física, que foram decisivos para o sucesso do país: o primeiro, a disciplina rigorosa; o segundo, a elevada eficiência técnica e operacional.

Somente no curto espaço dos 20 anos entre 1948 e 1968, a Alemanha reergueu a infraestrutura física e reconstruiu seu parque industrial, fatores fundamentais para o elevado padrão de bem-estar social alcançado por sua população. A eficiência econômica revelou-se na capacidade de estabelecer um plano bem estruturado de recuperação, no rigoroso planejamento das obras e na capacidade de cumprir os cronogramas físicos e financeiros na execução dos projetos. A capacidade de planejar e executar com eficiência foi de tal ordem elevada que apenas nas duas décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial o país já era uma das nações mais desenvolvidas do mundo.

O povo alemão é conhecido por sua disciplina quanto a horários, prazos e na execução de tarefas técnicas, além da cultura de obediência às leis e às regras sociais não escritas. O economista Ludwig Erhard, principal autor das ideias e dos planos da recuperação alemã, estabeleceu quatro pilares sobre os quais o país deveria basear seu desenvolvimento: liberdade, eficiência, estímulo à iniciativa privada e investimentos em ciência e tecnologia. A missão foi cumprida, e uma das razões foi que, apesar dos danos materiais causados pela guerra, os níveis de educação da população eram elevados para os padrões mundiais da época.

É possível argumentar que o sofrimento resultante da guerra facilitou a aceitação de sacrifícios, o trabalho duro e a parcimônia no consumo, fatores determinantes na eficiência da reconstrução. Entretanto, passados os efeitos mais imediatos da derrota na guerra, a Alemanha continuou demonstrando elevada taxa de eficiência técnica e econômica nos investimentos públicos, nos serviços do governo e no funcionamento do sistema produtivo privado. Com isso, o país consolidou-se como produtor de bens e serviços de qualidade, alta produtividade do trabalho e invejável padrão de bem-estar social.

A disciplina alemã, que se tornou objeto de admiração do mundo, continua contribuindo para a eficiência e o sucesso nacional, e é exemplo a ser observado. No caso brasileiro, tanto a disciplina como a eficiência estão longe de serem suficientes para promover o crescimento econômico e o desenvolvimento social do país. Se forem somados os índices de corrupção, tem-se aí uma boa pista para explicar por que o Brasil continua tão pobre e com péssimos indicadores sociais.

Em sentido geral, a falta de eficiência tanto no setor público quanto no setor privado é grande – embora ela pareça ser mais elevada no governo, ainda que dados exatos não existam –, e isso tem levado o Brasil a jogar no lixo parte da renda nacional. Assim, o desperdício de recursos naturais, de trabalho humano e de dinheiro público – resultante de indisciplina, de ineficiência e de corrupção – é um dos fatores responsáveis pelo atraso brasileiro e, por consequência, pelo baixo padrão de bem-estar social de grande parte da população.

A sociedade brasileira tem desafios econômicos e sociais imensos, que não serão vencidos se não houver progresso na educação, nos costumes e na ética social, pois estes interferem na produção, na produtividade e na distribuição da renda. O atraso tem causas mais profundas do que apenas os indicadores econômicos.

O discurso e a prática da austeridade - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE


CORREIO BRAZILIENSE - 21/11
O discurso de austeridade do governo não convence. No mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff firma pacto de responsabilidade fiscal com os partidos da base aliada no pressuposto de fechar as portas do Congresso Nacional à criação de despesas e à redução de receitas, o Senado Federal recebe o aval do Palácio do Planalto para criar órgão que custará R$ 1,3 bilhão ao erário somente em 2014.
A incoerência de quem dá uma no cravo e outra na ferradura desnorteia investidores e empresários. Tanto que licitações não alcançam o sucesso esperado e capitais externos começam a tomar o caminho de volta. Além disso, a inconsistência fornece mais argumentos às agências de classificação de risco, que, segundo analistas, estariam prestes a rebaixar o conceito do Brasil quanto à capacidade de honrar compromissos financeiros, seja em relação às dívidas internas, seja quanto às externas.

Hoje considerado bom pagador, na categoria "grau de investimento", eventual rebaixamento do país implicaria, de imediato, a queda do nível de aplicações estrangeiras em território brasileiro, o que reduziria o volume de dólares no mercado nacional, desvalorizando o real frente à moeda norte-americana. Em consequência, a inflação se recrudesceria, assim como o juro para empréstimos tomados lá fora.

Ou seja, os gastos públicos inaugurariam nova fase de crescimento, alimentados inclusive pela especulação financeira internacional, duro golpe na estabilidade que se deseja sustentável. Portanto, compromisso com a austeridade não pode ser promessa vã, inscrito com pouca ou nenhuma credibilidade numa pauta de intenções. Afinal, ainda que se consiga barrar a aprovação de mais R$ 60 bilhões em gastos públicos, custo estimado de projetos em trâmite no Congresso, urge cortar despesas.

A existência de 39 ministérios basta para pôr abaixo qualquer discurso de responsabilidade fiscal do Executivo, que parece ignorar o velho consenso de que governar é eleger prioridades. No caso presente, nem se discute a importância da assistência técnica e da extensão rural. Tampouco a necessidade de ampliar o acesso dos agricultores a conhecimentos que melhorem a produtividade no campo. Mas é flagrante a inconveniência da criação, nesta hora, de órgão de custo bilionário, como a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) - ou de outro qualquer.

Ressalte-se a presente dificuldade da União, que tenta se livrar da obrigação de cobrir as metas de estados e municípios em falta com as metas do superavit primário (economia para pagamento de juros da dívida). A propósito, a presidente Dilma acertou ao vetar o Projeto de Lei que permitia a criação de municípios e deveria seguir inflexível nessa toada. Mas também precisa olhar para gastos existentes com o cuidado com que examina os novos. Enquanto for líder de um governo perdulário, ela não conseguirá preservar a estabilidade econômica.

O que trama o PT? - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 21/11

O manifesto petista divulgado na terça-feira, que classifica de "ilegal" a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, de mandar recolher à prisão 12 dos condenados no processo do mensalão, afirma que "uma parcela significativa da sociedade" teme "pelo futuro do Estado Democrático de Direito no Brasil". Têm razão os signatários do documento.

O Estado de Direito está real e gravemente ameaçado no Brasil, mas pelos sectários, pelos oportunistas fisiológicos e pelos inocentes úteis do PT que, por razões diversas, se empenham numa campanha nacional de desmoralização do Poder Judiciário, ferindo fundo a estabilidade institucional e colocando em risco, em benefício da hegemonia política do partido, o futuro da democracia no País.

O tal manifesto não é um documento oficial do PT. Mero detalhe. As posições "oficiais" do partido, ditadas pelo pragmatismo eleitoral, são traduzidas pela linguagem melíflua das notas oficiais, hábeis em camuflar o verdadeiro pensamento da elite petista. Mas esse pensamento está explicitado no manifesto de terça-feira, que tenta em vão dissimular seu caráter eminentemente político-partidário com a adesão de "companheiros" intelectuais e juristas. Mas assinam a nota o presidente Rui Falcão e todos os demais integrantes do Diretório Nacional do partido. Está ali, portanto, o que pensa o PT.

Da mesma forma como ataca sistematicamente a imprensa, ao investir contra o Poder Judiciário, lançando mão do recurso de demonizar a figura do ministro Joaquim Barbosa, o PT deixa claro o modelo de "democracia" que almeja: aquele em que ninguém ousa contrariar suas convicções e seus interesses nos meios de comunicação, na aplicação da Justiça, na atividade econômico-financeira. Em todas as atividades, enfim, em que entendem que o Estado deve dar sempre a primeira e a última palavra, para promover e proteger os interesses "do povo".

Para visualizar esse modelo dos sonhos dos petistas radicais sem ir muito longe, basta olhar para a Venezuela e demais regimes "bolivarianos" da América Latina, sem falar no clássico exemplo da ilha dos Castros. Esses países, em que vigora o "socialismo do século 21", são comandados pelos verdadeiros amigos do peito e de fé de Lula, Dilma e companheirada.

Mas nem todo mundo no PT está preocupado com dogmatismo ideológico. Ao longo de 10 anos, boa parte da militância petista aprendeu a desfrutar das benesses do poder e hoje reage ferozmente a qualquer ameaça de ter que largar o osso. São os oportunistas que tomaram conta do aparelho estatal em todos os níveis e a ele dedicam todo seu despreparo e incompetência gerencial.

E existem ainda os inocentes úteis, em geral mal informados e despolitizados, que engrossam as fileiras de uma militância que comprou a ideia-força lulopetista de que o mundo está dividido entre o Bem e o Mal e quem está "do outro lado" é um "inimigo" a ser ferozmente dizimado. As redes sociais na internet são o ambiente em que melhor prospera esse maniqueísmo de esgoto.

O que pretende esse amplo e variado arco de dirigentes e militantes petistas que, a pretexto de se solidarizarem com os condenados do mensalão, se mostram cada vez mais ousados em suas investidas contra o Poder Judiciário? O País tem estabilidade institucional suficiente para impedir que, num golpe de mão ou num passe de mágica, a condenação dos mensaleiros seja anulada. Mas os radicais sabem que para alcançar seus objetivos precisam criar e explorar vulnerabilidades na estrutura institucional de nossa democracia. Os oportunistas sabem que precisam ficar bem com os donos do poder a que aderiram. E os inocentes úteis não sabem nada. Agem por impulso, movidos por apelos emocionais. Acreditam até no argumento falacioso de que é preciso ser tolerante com a corrupção e os corruptos porque sem eles é impossível governar.

A quem não entra nessa lista resta comemorar, enquanto pode, uma singela obviedade: feliz é o país em que a Justiça pode contrariar os interesses dos poderosos de turno.