terça-feira, 21 de março de 2017

Pesquisadores israelenses desenvolvem método para pegar ladrões de smartphones


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Uma equipe de pesquisa israelense desenvolveu um método que deteta exatamente como você toca sua tela touchscreen em 14 segundos, de maneira a identificar que uma outra pessoa está usando seu telefone. Estudos mostraram que senhas de smartphone não são o bastante, podendo ser facilmente descobertas por hackers, uma vez que a maioria das pessoas escolhe senhas relativamente fáceis de adivinhar.
Anualmente, mais de 3,1 milhões de americanos são vítimas de furto de smartphone e 68% deles não conseguem recuperar todas as informações roubadas. Esse foi o motivo que levou pesquisadores da Ben-Gurion University a buscar um método de verificação que detetasse os padrões exatos de toque de cada pessoa. Liron Ben Kimon, da BGU, examinou as informações coletadas de 20 usuários por um período de duas semanas. Seu modelo é baseado em como os usuários tocam a tela enquanto utilizam o dispositivo – onde eles tocam a tela e quanto do dedo a toca. Além disso, o modelo de Ben Kimon leva em consideração qual o aplicativo em uso, uma vez que a forma como as pessoas tocam a tela varia de acordo com o aplicativo – por exemplo, você tocará a tela de maneira diferente quando digita uma mensagem de WhatsApp em comparação com quando rola o seu navegador para cima e para baixo. Ademais, como usuários frequentemente tocam suas telas acidentalmente, o modelo classifica um grupo de toques para identificar um usuário em contraposição a cada toque individualmente.
Outro fator considerado pelo modelo é o histórico de cada toque – o que foi feito no dispositivo 30 segundos antes do toque atual e, mais especificamente, quais áreas da tela o usuário tocou, quais botões pressionou e qual era o consumo de energia naquele momento. Os estudos mostram que usuários não autorizados podem ser identificados em 14 segundos, após menos do que 35 toques na tela (em média, um usuário toca a tela 35 vezes em 13,8 segundos). De acordo com os pesquisadores, um criminoso que deseje roubar informações de seu dispositivo certamente irá tocar a tela mais do que 35 vezes, pois alguém que não esteja familiarizado com seu telefone precisará tocar a tela com uma frequência maior para obter as informações. Como conclusão, Ben Kimon afirma que “diferenciar o usuário de acordo com a forma como ele toca na tela é um método de verificação que é difícil de simular, pois um ladrão não pode roubar o comportamento de outro usuário”.

sábado, 18 de março de 2017

A VERDADE, COMO LHE CONVÉM - Coluna Carlos Brickmann


15 de março

CARLOS BRICKMANN
Carlos Brickmann

Pois eis que agora, tantos anos depois do início da Operação Lava Jato, depois de impiedosamente atacado, Lula começa a repor a verdade dos fatos – a verdade dele, claro, mas quem disse que a verdade é apenas uma?

Agora sabemos, por seu depoimento, que Lula há três anos é vítima de um massacre. Pois nenhum político ou empresário, nem os Odebrecht, jamais lhe deu dez reais. E diz a verdade: ninguém lhe deu dez reais. 

Acusá-lo de tentar obstruir as investigações da Lava Jato, que absurdo! Afirma Lula que o senador Delcídio do Amaral “disse uma inverdade”, ao afirmar, em delação premiada, que haviam conversado sobre maneiras de convencer Nestor Cerveró a calar-se sobre o que sabia da Petrobras. Lula, aliás, nem conhecia Cerveró. É verdade, claro: é impossível exigir que o presidente da República conheça um funcionário de uma estatal, mesmo que seja de alto escalão, mesmo que a empresa seja a maior do país, mesmo que seja Cerveró. Lula deve tê-lo cumprimentado sem prestar muita atenção. Seria incapaz de reconhecê-lo– afinal de contas, por que iria prestar atenção num rosto tão comum, numa empresa tão grande? 

Lula diz também que fica profundamente ofendido com a insinuação de que o PT é organização criminosa. Só porque o “capitão do time” está preso, os três últimos tesoureiros do PT foram condenados, um presidente do partido também? Isso o ofende, claro: pois quem é o Brahma, o nº 1?

A verdade…

No depoimento, Lula disse que passou os oito anos de seu Governo sem participar de jantares e aniversários, “exatamente para não dar pretexto de aparecer àqueles que vêm tirar fotografia com celular para depois explorar essa fotografia”. Os maldosos lembram um belo jantar, em 4 de agosto de 2006, oferecido por ele no Jockey Club de São Paulo a empresários e políticos, para arrecadar fundos. Foram mil convites a R$ 2 mil cada; descontada a despesa, sobraria R$ 1,7 milhão. E, segundo o coordenador da campanha, Ricardo Berzoini, “é evidente que dá a oportunidade de diálogo do presidente com o empresariado e profissionais liberais”. Terá Lula dito uma inverdade? Não: ele disse que não participou de jantares. E esse, preparado pelo ótimo chef Charlô, não foi um jantar, foi um banquete.

…é uma mentira…

Houve também um almoço mais baratinho, em 13 de julho de 2006, no Restaurante São Judas, na rota do Frango com Polenta, no Grande ABC. Foram servidos dois tipos de frango (frito, com polenta frita; e à italiana, com molho de maionese); água, cerveja, refrigerantes. Lucro: R$ 495 mil. “É que Lula circula bem em todas as classes”, esclareceu Berzoini.

…que aconteceu

Lula disse, enfim, que não é contra a Operação Lava Jato. “Eu quero que a Lava Jato vá fundo para ver se acaba com a corrupção”. E não é que mais uma vez ele fala a verdade? Lula é a favor da Lava Jato, e só dela discorda num pequeno detalhe: andou pegando políticos companheiros e empresários aliados, que além de aliados sempre foram generosos. Se a Lava Jato esquecesse o PT, Lula seria 100% a favor. 

 A verdade…

Para completar o elenco de verdades pouco conhecidas, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse ao juiz Sérgio Moro que “nunca falou de propina com Palocci”. Claro que não! Gabrielli sempre foi um executivo preocupado com a empresa. Até hoje, por exemplo, defende a compra pela Petrobras da Ruivinha, uma refinaria toda enferrujada em Pasadena, EUA. A empresa belga Astra Oil comprou a refinaria por US$ 42 milhões e a vendeu à Petrobras, pouco depois, por US$ 1,1 bilhão. Segundo o delator Agosthilde Mônaco de Carvalho, já antes da compra Gabrielli tinha indicado a Odebrecht para reformá-la. Um executivo tão preocupado com a empresa que antes mesmo de fechar um negócio já tinha decidido como iniciar a operação não iria conversar sobre propinas e pixulecos com um político importante como Palocci. Talvez tenham discutido a adequada destinação dos parcos recursos disponíveis.

…de cada um

O patriarca da empresa, Emílio Odebrecht, vê Antônio Palocci como um político especial – “não carreirista como a maioria, mas um homem inteligente com visão de estadista”. Emílio Odebrecht, com tantos anos de experiência no mercado, certamente sabe avaliar as pessoas; conhece a diferença entre o que um político acha que vale e seu valor real.

“A gente trocava muitas ideias sobre aquilo que era importante para o nosso Brasil”, narrou. De um lado da mesa, Emílio Odebrecht; de outro, Antônio Palocci. Assistir à troca de ideias entre ambos, conhecedores do mundo e do comportamento dos seres humanos, deve ser instrutivo, uma aula de economia, de gestão e de política. Um privilégio valiosíssimo.

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Twitter: @CarlosBrickmann

"Farinha do mesmo saco", por Ana Maria Machado


O Globo


A expressão popular lusitana refere-se a iguais que estão juntos como sendo vinho da mesma pipa. No Brasil, falamos em farinha do mesmo saco. Nos últimos dias, temos discutido políticos do mesmo caixa. Ou não?

Claro que sim. E claro que não. Também não são iguais os que os classificam de uma forma ou de outra. Não só pela autoridade de que se revestem ou por eventuais simpatias partidárias. O fato é que diferem uns dos outros. Igualmente são diversos entre si os jornalistas que reportam suas declarações — e não apenas pelos jornais para os quais escrevem ou por causa dos candidatos em que votam.

No entanto, é indispensável que o país neste momento debata essa questão. Dela não vão depender somente as decisões sobre fatos passados. Mas uma análise clara servirá para orientar medidas que ajudem a balizar uma reforma eleitoral que melhore o futuro. E a primeira coisa a fazer é discutir com clareza e transparência, lançando luz sobre o tema, de modo a que possamos entender o que se passa, sem deixar buracos de ratos nos desvãos mais escuros.

A esta altura, já deveríamos estar todos tão escolados que nem se precisaria repetir o óbvio. Mas os esquemas e mecanismos são propositadamente complexos, para embaralhar pistas. Então, insistir em alguns pontos básicos nunca é demais. Situações diferentes podem exigir punições diferentes.

1 — Ser mencionado por ouvir dizer, apontado por um delator, ou investigado não é a mesma coisa. E ser denunciado, acusado ou transformado em réu também é outra.

2 — Até recentemente, doação de empresa era perfeitamente legal até o limite de 2% de seu faturamento. Cada partido ou candidato podia pedir quanto quisesse e dentro desse limite. Desde que tudo fosse declarado, nenhum problema, por mais que se possa especular sobre os interesses de uns e outros na prática.

3 — Qualquer caixa 2 é ilegal, seja de grande empreiteira ou do botequim da esquina. É delito fiscal. Significa que um dinheiro não foi declarado e não pagou imposto. Tem punições previstas em lei, para quem o cometa. Mas em si ainda não é corrupção, embora possa se ramificar em vários crimes. Todos esses precisam ser expostos e castigados na forma da lei. O caixa 2 pavimenta o caminho para eles. Pode ocultar conflito de interesses e tráfico de influência. Pode ser forma de encobrir de um mandachuva a real preferência do doador, ou de ceder a achaque ou chantagem (ao que se sabe do Brasil profundo, práticas corriqueiras em prefeituras). Pode ser pagamento de propina por favores recebidos ou a receber — seja por meio de projetos de lei favoráveis, emendas a MPs e PECs, isenções fiscais, superfaturamentos, aditivos a contratos, e o mais que andamos descobrindo.

Nessas descobertas que horrorizam as pessoas de bem, vai se delineando o crime perfeito. Aparentemente, não surge como caixa 2, e até pode parecer inocente. A empresa (ou as empresas, em rodízio, conforme as regras que regem o cartel) recebe por uma obra ou serviço muito mais do que o necessário para executá-lo. Esse “a mais”, devidamente contabilizado no caixa 1 oficial, transforma-se em doação eleitoral legal e declarada. Ou seja, sai dos cofres públicos e vai para um partido ou candidato por mãos de uma empresa, mas no caminho é aprovado e legalizado pela Justiça Eleitoral que, sem desconfiar, atua como a lavanderia do dinheiro sujo.

Distinguir isso com clareza é essencial para não relevar práticas desse tipo. Juntar tudo no mesmo saco sem distinguir nuances atrapalha a democracia, porque engole a alteração de resultados eleitorais com base em mentiras, construídas em campanhas milionárias. E em mecanismos de cobertura midiática que vão além dos boatos, contranarrativas, fatos alternativos e outros exemplos de pós-verdade que assolam nosso tempo. Nesse sentido, um truque nivelador eficiente é o da falsa equivalência, que dá pesos iguais a coisas diferentes. Na campanha americana, para bater em Trump pelo conjunto da obra, espancou-se com igual força Hillary Clinton por seus e-mails. Os bem intencionados apoiadores de Bernie Sanders não admitiram trabalhar por ela. Trump acabou eleito.

Ainda agora, muitos dos que com razão caíram em cima da fala presidencial no Dia da Mulher, retrógrada e fora de moda, são os mesmos que ignoraram a piada ofensiva e asquerosa de Lula, dizendo que sua auxiliar de confiança Clara Ant achara que cinco policiais em sua casa eram um presente de Deus. Esta semana, um cronista chegou a citar o discurso de Temer sob a mesma pecha de selvageria e violência em que comentava o crime do goleiro Bruno.

A que serve essa veemência? É útil à democracia? Todo político é igual? A que salvador da pátria essa ira virulenta pode nos entregar?

Assim fica difícil. Mesmo se for tudo farinha do mesmo saco, o inteligente é distinguir farinha de trigo e farinha de joio. Desse modo, ganhamos eficiência para defender a democracia no imprescindível debate sobre reforma eleitoral. O que é outra conversa, que fica para outro artigo.

sexta-feira, 17 de março de 2017

As empresas de Assessoria Parlamentar de mãos dadas com os Grupos de Interesse



O Estado brasileiro extrai dos setores produtivos  da sociedade em torno de 41% de toda a riqueza por eles gerada. O ser humano sempre buscará atender a seus próprios interesses em primeiro lugar e da melhor maneira possível. E o resultado da soma dessas duas premissas é o comportamento típico do brasileiro em busca de seus objetivos, visto que ele já entendeu há décadas que a melhor forma de “se dar bem” na vida não é trabalhar e produzir bens e serviços genuinamente demandados pelos consumidores, mas sim buscar fazer jus a uma fatia maior deste enorme bolo de recursos concentrados nas diferentes estâncias governamentais.
É a lei do menor esforço (e risco) combinada com o demasiado poder político e financeiro dos entes estatais que acaba por gerar uma demanda de certos indivíduos por tratamento diferenciado (mais benéfico) por parte da administração pública. E tanto mais fácil torna-se atingir tal meta quanto maior for a expertise destas pessoas no jogo de bastidores da política e quanto mais livre for seu trânsito pelos corredores do poder.
E é justamente neste cenário de simbiose entre “grupos de pressão” (como bem os definiu F.A Hayek) e Estado que surgem as empresas de assessoria parlamentar. Observem o menu de serviços oferecidos por uma delas, notadamente aqueles em destaque, para começar a entender como a banda toca em Brasília e nas demais casas legislativas:
Interessante: o que esta empresa oferece, em síntese, são os meios para acelerar a aprovação de projetos de lei e diplomas legais congêneres que beneficiem setores econômicos ou categorias profissionais específicos. Ela possui as ferramentas, o know-how e os contatos que possibilitam o monitoramento e a aceleração do processo legislativo.
Tipo assim: os fabricantes de automóveis instalados no país estão bastante preocupados com a entrada de veículos produzidos no México, os quais estão superando em preço e qualidade aqueles aqui fabricados, devido aos custos minorados de produção no país da América do Norte. Solução paternalista: correr atrás de protecionismo em forma de normas emanadas do Congresso Nacional, tais como uma regra de “conteúdo nacional”, tributações diferenciadas ou artifícios similares que venham a encarecer os carros mexicanos.
O mesmo se aplica aos produtores rurais¹, vinicultores e a diversos outros segmentos do empresariado que adoram correr para debaixo da asa governamental tão logo algum estrangeiro ouse agradar os consumidores nacionais. E, para garantir que o Diário Oficial da União trará as boas novas rapidamente, contrata-se uma assessoria parlamentar, a qual manterá os interessados atualizados sobre o andamento processual da proposta que lhes agracia (e prejudica o restante da população), providenciando reuniões com Deputados e Senadores, provendo dados e estatísticas que possam convencer os legisladores da importância da proposição, e por aí vai.
Outros clientes fiéis deste pessoal influente são os sindicatos de categorias profissionais. Interessado em aprovar o pagamento de adicional de periculosidade para seus afiliados? Querendo obter jornada de trabalho menor para seus representados sem alterar a remuneração? Visando garantir uma reserva de mercado para uma determinada profissão? Pretende assegurar um aumento gordo para alguns poucos felizardos funcionários públicos em um momento de recessão no qual todos apertam os cintos? Então é hora de contratar uma assessoria parlamentar, a qual pavimentará o caminho para que sua casta seja privilegiada em relação a todos os demais trabalhadores do país.
E o que sobra para os empresários e cidadãos que não contam com tal capacidade de articulação junto àqueles que intervem não apenas na economia mas em todos os aspectos de nossas vidas? Contratar tais serviços especializados, afinal, não é livre de honorários. Sim, resposta correta: sobrou o bagaço da laranja. É um ciclo perverso com aqueles empreendedores e indivíduos mais humildes e desprovidos de influência política, o qual começa com os fiscos extorquindo o povo, continua com aqueles que sabem chorar melhor mamando maiores retribuições deste espólio, e termina com a escumalha desorganizada – desde o peão da obra até o Manoel da padaria da esquina com três empregados – pagando o pato por esta relação promíscua.
No conflito entre os vários grupos de pressão, não prevalecem, pois, os interesses daqueles mais pobres e numerosos; muito pelo contrário. O status de um grupo mais prestigiado, ao final e ao cabo, sempre resta ainda mais elevado sobre os demais. É o legítimo arranjo “o de cima sobe e o de baixo desce”, curiosamente esta uma acusação que o capitalismo costuma receber de seus críticos.
Convém enfatizar que esta empresa de consultoria não faz nada mais do que atender a demandas surgidas em decorrência de como as coisas funcionam em nosso país (o que não se restringe à capital federal, sendo este o modus operandi em assembleias legislativas e câmaras municipais também), explorando honestamente este nicho de mercado. Muito injusto, mas dentro da lei – como quase tudo em terra brasilis. A culpa não é delas, e sim da concentração de poder político e financeiro nas mãos de poucos e pilantras. Auxiliar interessados em obter “direitos” especiais a atravessarem o labirinto de engravatados dos plenários e chegarem àqueles portadores da caneta mágica que podem concedê-los não é crime nem contravenção, afinal.
Especialmente em tempos de crise econômica, “farinha pouca, meu pirão primeiro” – nem que isso implique em ficar amigo e bajular os donos do moinho, e ainda que seja necessário pagar para ser apresentado a eles.

Cavalos de Troia no Movimento das Mulheres - por Khadija Khan

  • Deve ser tão confortável marchar nos lugares seguros em Washington DC preconizando que mulheres que estão em lugares longínquos tenham seus órgãos genitais mutilados, se casem ainda na infância e sejam espancadas e violentadas em suas próprias casas. Essas mulheres vestidas com hijabs, que marcham em Washington DC, não têm que viver naquela "Utopia". Elas estão vivendo confortavelmente no "Ocidente infiel", protegidas daquelas barbaridades.
  • A cultura Ocidental que permite que mulheres gritem nos microfones sequer é a cultura na qual essas mulheres acreditam, muitas vezes é somente a ferramenta que elas usam para promover ideias totalitárias como antissemitismo, intolerância religiosa e imposição de conceitos teocráticos.
  • Será que Linda Sarsour realmente acredita que as pessoas enlouqueceram a ponto de desistirem de todas as liberdades civis que seus antepassados conquistaram através dos séculos meramente para poder fazer empréstimos sem juros?
  • A hipocrisia é que seu ousado estilo de vida nos EUA retrata que no fundo ela própria detesta as condições supressoras que ela promove para as mulheres pobres do mundo muçulmano que, na realidade, são elas que têm que aguentar. Vinda de uma sociedade muçulmana conservadora, sei que a cultura que ela anseia implantar jamais permitiria que ela lançasse esse tipo de ativismo sem a permissão de seus "defensores".
  • As vozes dissidentes dos oprimidos estão batalhando em duas frentes. Elas estão sendo esmagadas pelos seus próprios regimes totalitários e ao mesmo tempo pelos apologistas Ocidentais dos tiranos.
Por qual razão as mulheres que acreditam na igualdade de direitos para as mulheres, escolhem como porta-voz alguém que em um instante se gaba de sua suposta dissidência como sendo um ato de "patriotismo" e logo depois defende a mutilação dos órgãos genitais de outras mulheres? É como escolher um carrasco para fazer campanha contra a pena de morte ou nomear o chefe do ISIS para fazer campanha a favor de casamentos de pessoas do mesmo sexo.
Os princípios da "dissidência", dos quais elas dizem se orgulhar tanto e de tê-los tirado de fontes religiosas, são na realidade valores liberais e direitos humanos do mundo moderno - justamente os valores de direitos que, ao que tudo indica, elas aspiram destruir.
Na realidade o que elas querem é impor a Lei Islâmica (Sharia) no Ocidente. Lamentavelmente a sharia é flagrantemente antagônica aos valores e direitos humanos ocidentais.
Como é possível que cultos que acreditam no domínio de outrem se autodenominarem progressistas quando a sua mensagem, na íntegra, vai contra o espírito de tolerância e coexistência social?
Os defensores da sharia sempre enfatizaram que pretendem estabelecer uma forma "justa" de governo, baseada na lei divina e, aparentemente, para obter esse resultado, eles implantam aquele conjunto de leis - como por exemplo proibir debates ou críticas sobre as suas crenças ou a segregação de gênero - para destruir as democracias modernas.
Deve ser tão confortável marchar nos lugares seguros em Washington DC preconizando que mulheres que estão em lugares longínquos tenham seus órgãos genitais mutilados, se casem ainda na infância e sejam espancadas e violentadas em suas próprias casas - estando segura nos arredores da capital americana e ficar em silêncio sobre questões de abusos expressivos: flagelações, queimaduras com ácido, amputação de membros, decapitações, afogamentos ou enterro de pessoas vivas.
Essas mulheres vestidas com hijabs que marcham em Washington DC não têm que viver naquela "Utopia". Elas estão vivendo confortavelmente no "Ocidente infiel", protegidas daquelas barbaridades.
Os valores que elas estão desfrutando aqui são os valores do mundo iluminado e não têm nada a ver com a cultura que elas estão procurando impor aos outros.
A cultura que permite que mulheres como Linda Sarsour gritem nos microfones sequer é a cultura na qual essas mulheres acreditam, muitas vezes é somente a cultura que elas estão usando para promover ideias totalitárias como antissemitismo, intolerância religiosa e imposição de conceitos teocráticos através da infiltração ou da força.
A cultura que Sarsour diz aspirar permite mutilar mulheres, mas não permite que as mulheres falem alto, muito menos falar por meio de microfones. Por isso ela deve seus atuais privilégios à sua identidade americana.

A ativista muçulmana Linda Sarsour em um instante se gaba de sua suposta dissidência como sendo um ato de "patriotismo" e logo depois defende a mutilação dos órgãos genitais de outras mulheres. (Imagem: captura de tela de vídeo Seriously.TV)

Em 13 de Maio de 2015 Sarsour afirmou em um tuíte: "vocês saberão quando estiverem vivendo sob a Lei Islâmica (Sharia) quando de repente todos os seus empréstimos e cartões de crédito não terão juros. É bom, não é?"
Em 29 de abril de 2014 ela tuitou: "@RobertWildiris eu não tomo bebidas alcoólicas, não como carne de porco, vivo segundo os ditames islâmicos. Isso é tudo que a lei Sharia é".
Seria muito bom se os únicos requisitos da sharia fossem evitar o consumo de bebidas alcoólicas e a carne de porco, acontece que há uma imensidão de preceitos do que é e do que não é permitido, que se enquadram na categoria do "eu vivo segundo os ditames islâmicos".
A imensidão de normas que Sarsour nunca se preocupou em citar, mas que o mundo testemunha todo santo dia, estão presentes desde os palácios sauditas às cavernas do Afeganistão e de Raqqa.
A cultura que Sarsour deseja impor ao mundo - juntamente com as promessas do fim dos juros sobre empréstimos - não permite que mulheres interajam com homens desconhecidos, dirijam carros, andem de bicicleta, assistam a eventos esportivos, saiam de casa sem permissão, usem maquiagem e roupas que revelem suas silhuetas e muito menos falem em público.
As mulheres também precisam de quatro testemunhas masculinas para comprovar um estupro ou correr o risco de apedrejamento até a morte por "adultério".
Será que Sarsour realmente acredita que as pessoas enlouqueceram a ponto de desistirem de todas as liberdades civis e independência que seus antepassados conquistaram através dos séculos meramente para poder fazer empréstimos sem juros?
A hipocrisia é que seu ousado estilo de vida nos EUA retrata que no fundo ela própria detesta as condições supressoras que ela gosta de promover para as mulheres pobres do mundo muçulmano que, na realidade, são elas que têm que aguentar.
Em que medida essas mulheres vestidas com hijabs gostariam de passar algumas semanas sob os regimes totalitários sobre o quais elas gostam tanto de alardear?
Três meninas britânicas que foram atrás do chamamento do líder do ISIS Abu Bakr Al-Baghdadi se infiltraram na Síria para participarem da jihad, para no final se desesperarem ao perceberem o equívoco que cometeram. Acredita-se que uma já esteja morta.
Kadiza Sultana, Shamima Begum e Amira Abase, intoxicadas pela propaganda do ISIS, entraram na Síria para se juntarem à sagrada missão e virarem noivas do ISIS.
Ao que consta Sultana foi morta em um ataque aéreo russo, quando, apavorada, tentava fugir do ISIS, temendo extrema tortura e execução pública caso fosse capturada.
Ainda não se sabe o paradeiro das outras duas, fora os raros contatos relatados entre elas e suas famílias.
Sophie Kasiki uma menina francesa que também conseguiu escapar da fortaleza do ISIS em Raqqa juntamente com seu filho de quatro anos de idade, disse que ela arriscou a própria vida para tentar salvar a de seu filho. Ela definiu a via crucis de estar com o ISIS como "uma viagem para um inferno do qual parecia não haver retorno".
Samra Kesinovic uma menina austríaca de 17 anos foi, segundo consta, espancada até a morte por combatentes do ISIS ao ser pega tentando fugir, após ter sido "dada de presente" por seu parceiro a outro combatente do ISIS como escrava sexual.
A ironia é que Linda Sarsour e suas seguidoras dizem que amam o Hamas e os califados, como os criados por Abu Bakar al-Baghdadi ou pelos regimes sauditas e iranianos - mas claro, elas não vivem lá.
Sarsour foi, sem sombra de dúvida, colocada em primeiro plano por homens, para promover uma imagem tolerante que eles próprios não podem projetar no tocante aos direitos que eles proporcionam às suas mulheres.
Vinda de uma sociedade muçulmana conservadora, sei que a cultura que ela anseia implantar jamais permitiria que ela lançasse esse tipo de ativismo sem a permissão de seus "defensores".
Como pôde ela esquecer de mencionar que na Arábia Saudita e em inúmeros países muçulmanos esse tipo de ativismo custaria a uma mulher a sua família, sua honra e, provavelmente, a sua vida.
Um tribunal no estado de Washington suspendeu a proibição da entrada de pessoas de sete países de maioria muçulmana imposta pelo presidente Trump na semana passada.
Será que algum juiz ou pessoa influente ousaria refutar um decreto do, digamos, rei saudita, um conselho da sharia do Irã, um membro de uma família real de um país do Oriente Médio, um ditador militar ou os líderes do Hamas que Sarsour aparentemente admira tanto?
Não é possível sequer imaginar, em seus piores pesadelos, dissidência nesses territórios onde a sharia rege, mas claro, a dissidência é permitida nos EUA e no Ocidente onde as pessoas são livres e tem o direito de dizer o que pensam.
Estes não são os valores dos países exóticos que ela diz admirar, valores estes que foram conquistados arduamente com sangue pelos povos do Ocidente.
Esse caso de amor de via de mão única dos progressistas com extremistas jamais servirá ao objetivo de promover a igualdade entre as pessoas.
Na realidade isso poderia ser até contraproducente. No Egito os homens conservadores usaram as mulheres como manifestantes para derrubar o regime de Hosni Mubarak, mas uma vez que a Irmandade Muçulmana, que encabeçou o regime de Morsi, assumiu o controle, o mundo inteiro assistiu estarrecido quando viram que ele impôs a Lei Islâmica (Sharia) sobre todos - acima de tudo sobre as mulheres. Na sequência o regime de Morsi puniu as mulheres que protestavam contra a imposição da sharia no estilo iraniano.
Os mesmos imãs que atiçavam os ânimos nos bastidores da revolução do Egito, então decretavam fatwas (pareceres religiosos) para estuprar aquelas mesmas mulheres que tinham marchado nas ruas por seus direitos. De acordo com al Arabiyya:
"Um pregador salafista egípcio disse que se justifica o estupro e assédio sexual de mulheres que protestam na Praça Tahrir no Cairo, chamando-as de "cruzadas" que "não têm vergonha, medo e nem mesmo feminismo... Abu Islam acrescentou que essas mulheres ativistas estão indo à Praça Tahrir não para protestar, mas para serem abusadas sexualmente porque elas querem ser estupradas... E a propósito, 90% delas são cruzadas e os outros 10% são viúvas que não têm ninguém para controlá-las.."
Cerca de 80 mulheres foram molestadas em uma noite apenas, quando o governo Morsi foi derrubado e as pessoas saíram para celebrar a sua queda.
Essas são as visões que Sarsour está tentando passar.
Esses mesmos homens, aos quais estes progressistas e liberais estão querendo conferir poderes, uma vez empossados, declarariam essas mulheres apóstatas e infligiriam sobre elas as piores punições imagináveis pelos "crimes" que estão cometendo, promovendo um conjunto de valores que eles acreditam que trará harmonia ao mundo.
As vozes dissidentes dos oprimidos estão batalhando em duas frentes. Elas estão sendo esmagadas pelos seus próprios regimes totalitários e ao mesmo tempo pelos apologistas dos tiranos que as manifestantes estão fortalecendo - provavelmente sem ao menos perceber o tamanho enorme do mal que estão fazendo.
Khadija Khan é jornalista e cronista sediada no Paquistão.

domingo, 12 de março de 2017

Muçulmanos no Brasil querem fim do Judaísmo e do Cristianismo: não diga? - por bordinburke

Muçulmanos no Brasil querem fim do Judaísmo e do Cristianismo: não diga?

por bordinburke

Mais de 900 mil cristãos foram martirizados nos últimos 10 anos em decorrência de sua fé, mormente no Oriente Médio, afirmou empresa de pesquisa cristã afiliada ao Seminário Teológico Gordon-Conwell, em Massachusetts (EUA); o êxodo judaico dos países árabes e muçulmanos a partir de 1948 foi, em verdade, um processo de expulsão em massa das comunidades judaicas estabelecidas nos países de maioria árabe e islâmica, tendo como pretexto principal o restabelecimento do Estado de Israel; não é razoável, então, alguém quedar-se surpreso com o título desta  notícia veiculada pela Veja e repercutida pelo Antagonista:


Despertou a atenção a frase do xeque dando conta de que as pessoas "lidam com o Islamismo de forma natural" em países de maioria muçulmana: quer dizer que cristãos e judeus são bem-vindos por lá? Estranho, porque 16 deles proíbem a entrada de "infiéis" em suas fronteiras. Em número muito maior são os que não permitem a construção de sinagogas e templos de louvor a Cristo em seu território. O natural por aquelas bandas, pois, é justamente a segregação religiosa, a qual não tardaria, por certo, para começar a ser difundida pelos adoradores de Alá em terra brasilis - aproveitando a brecha aberta pelo multiculturalismo, os muxoxos contra uma suposta islamofobia, bem como o apoio da esquerda e o suporte esquizofrênico dos movimentos feministas.
E o que viria a ser a aventada "forma equivocada de lidar" com a religião de Maomé? Parece-me que o equivocado aqui é o próprio entrevistado, pois a lei islâmica, a Sharia, prescreve a missão de que toda a humanidade seja convertida ao Islã  (ou encare os brandidos da cimitarra), para que seja formado um califado mundial - já almejado pelo Império Otomano. O "errado", portanto, não é o muçulmano extremista, mas sim aquele que aceita conviver harmonicamente com outras crenças.
A este, aliás, caberia tomar precauções para com seus correligionários "cegos pelo credo", visto que, aos olhos daqueles que seguem ao pé da letra o Corão, não discriminar (na melhor das hipóteses) cristão e judeus implica em desvirtuar os versos sagrados. Melhor entrarem eles em um acordo interno para que se possa definir, então, quem é "radical" e quem não é.

Cedo ou tarde, seguidores fiéis da religião que mais persegue gays e humilha mulheres no planeta acabam, inevitavelmente, por entrar em conflito com os princípios da sociedade do hemisfério ocidental que os recebeu de braços abertos - afinal, foram justamente os valores judaico-cristãos que forjaram a civilização mais livre e agraciada com a melhor qualidade de vida  da história. É absolutamente esperada, pois, esta "radicalização" das comunidades muçulmanas contra costumes tidos por sua religião como blasfêmias, aos quais não lhes é facultado adaptar-se - sob risco de afrontar os desígnios do profeta militar que decapitava em profusão.
Não por acaso, países como a Holanda movem-se para banir a Sharia desde 2011, tendo em conta que "a mesma não tem raízes nos princípios que formam a cultura holandesa; os nossos direitos, a forma como tratamos o próximo, as nossas normas sobre o bem e o mal foram todas moldadas pelo Cristianismo", conforme prevê um dos projetos de lei apresentados pelo parlamento local. Tal iniciativa vai na mesma direção da postura adotada pelo Japão em relação aos redutos islâmicos, os quais são monitorados permanentemente pelo governo - com apoio total da imprensa e da população.
Ninguém, afinal, quer tomar o posto da Suécia de "capital do estupro", assolada diariamente por episódios violentos em seus subúrbios desde que resolveu fazer de conta que "a religião da paz e do amor" era só uma forma diferente de rezar - realidade esta denunciada por Trump e desdenhada pela mídia tradicional. Viva a diversidade - muito embora o pessoal de Hijab não pareça ter muita liberdade de escolha.
Rodrigo Jalloul faz a ressalva de que tais extremistas não estariam ligados à grupos terroristas, só que o que ele não compreende (ou não quer dizer) é que esta incompatibilidade entre os normas islâmicas e nosso modo de viver (incluindo a democracia e o Estado secular/laico) é que gera o ódio que irá, eventualmente, insuflar o espírito do homem-bomba - ou homem-caminhão, tanto faz - e condenar à morte pessoas inocentes (até mesmo ateus, outra excrescência para os muçulmanos ). Ou seja, a semente do terror está semeada no Brasil, sim - não que nossa população já não esteja acostumada à violência de padrões sírios, mas submetê-la a mais essa bronca é sacanagem da grossa.

O Império Mouro (muçulmano), que conquistou o norte da África, Oriente Médio e Península Ibérica ( onde hoje se localizam Portugal e Espanha) escravizando europeus,  destruindo igrejas e praticando genocídio de dissidentes religiosos por 741 anos, é uma das muitas versões "retrô" do ISIS. Com o regime de Califado, um homem seria escolhido por Deus para liderar o povo muçulmano na conversão do mundo todo para o islamismo. Eis aí o sentimento de querer "pregar o fim de cristãos e judeus" já batendo à porta em nosso país.
Cabe aqui transcrever as palavras de Olavo de Carvalho ainda em 2007, antecipando este processo de islamização do ocidente que ora atravessamos:
Continua, portanto, válida a análise feita em 1924 por René Guénon (ele próprio um mussulmano) em Orient et Occident, segundo a qual o Ocidente só teria, daquele momento em diante, três caminhos a escolher: a reconquista da tradição cristã; a queda na barbárie e em conflitos étnicos sem fim; e a islamização geral. Os que pretendem defender o Ocidente na base do laicismo ou do ateísmo só concorrem para fortalecer a segunda alternativa, ante a qual a terceira pode surgir, mais dia menos dia, até como alternativa humanitária. A “civilização laica” não é uma promessa de vida: ela é a agonia de uma humanidade declinante que, um minuto antes da morte, terminará pedindo socorro ao Islam.
Como dizem meus amigos cariocas: sinistro, mané. E o pior é que, ao contrário do xeque xiita supracitado, as lideranças não negam nada do que foi afirmado neste texto; ao contrário, fazem questão de deixar claro para quem quiser filmar e difundir:
Se Deus quiser, vamos escapar dessa e manter o direito de professar as fés que nos conduziram ao atual estágio de desenvolvimento e convivência pacífica. Mas é bom começar a orar (e agir) desde já.

Na corte do Rei Artur - FERNANDO GABEIRA


O GLOBO - 12/03

Janot decidiu não quebrar o sigilo da ação internacional da Odebrecht: é o que dizem os jornais



As revelações dos dirigentes da Odebrecht inauguram a fase da tsunami que deverá levar o Brasil a reformar seu sistema político. Não podia dar certo. A Odebrecht deu R$ 10,5 bilhões aos políticos. De um modo geral, ela ganha quatro vezes o valor de suas propinas. Uma só empresa, portanto, deve ter faturado R$ 42 bilhões de vantagem nessas operações. Janot decidiu não quebrar o sigilo da ação internacional da Odebrecht: é o que dizem os jornais. Isso esconderia um pedaço do Brasil por algum tempo.

É um pedaço tão sinistro que, no futuro, de alguma forma, o país terá que se desculpar por ele. Interferência em seis processos eleitorais estrangeiros, compra de ministros e até de presidentes, como no Peru — tudo isso é um escândalo sem precedentes. Ele vai se tornar muito mais grave se concluirmos que a Odebrecht foi financiada pelo BNDES. A corrupção no continente e na África era movida com dinheiro oficial, um eufemismo para dinheiro do povo.

Os danos à imagem do Brasil, infelizmente, não se esgotam nessa trama que Janot, aparentemente, quer manter em sigilo. O jornal “Le Monde”, numa reportagem de grande repercussão, afirmou que o Brasil teria comprado a escolha do Rio para a Olimpíada. Um empresário brasileiro depositou cerca de US$ 1,5 milhão na conta de um dirigente do COI. Nesta semana, um dos envolvidos no episódio, Frank Fredericks, pediu demissão. Ele monitorava o sorteio e levou US$ 300 mil. O mais interessante da história é o personagem que surgiu como o corruptor ativo, o empresário brasileiro Arthur César de Menezes Soares Filho, velho conhecido da política fluminense: o Rei Artur. Ele era dono da Facility e tinha amplos negócios com o governo Cabral. Eram amigos. Lá fora, isso não importa. O que as pessoas guardam é a ideia de que o Brasil comprou a Olimpíada.

Se chamo a atenção para as manchas na imagem do país é porque realmente me sinto um pouco confuso sobre o país em que estou vivendo. Em 1949, os norte-americanos fizeram um filme chamado “Na corte do Rei Artur”. É a história de um mecânico que leva um golpe na cabeça e acorda na corte do Rei Artur, no século XVI, e se apaixona por Alessandra. São os artifícios da máquina do tempo. Agora, levamos uma pancada na cabeça e acordamos na corte do Rei Artur, uma versão pós-moderna na qual o melhor amigo do rei é, na verdade, o Tio Patinhas, Sérgio Cabral, que estocava dinheiro, joia, ouro, diamante, quem sabe um dia para despejá-los em sua piscina de Mangaratiba.

Sempre se falou no Rei Artur e em seus negócios escusos. Mas comprar uma Olimpíada é algo que surpreende pela audácia, assim como surpreende pela audácia a fortuna de seu amigo, que considerávamos apenas um corrupto de médio porte. Nesse livre devaneio, a corte do Rei Artur se estende por todo o país. Levamos uma pancada na cabeça e constatamos que o sistema partidário brasileiro está em vias de desaparecimento.

Marcelo Odebrecht, bobo da corte? É um luxo mesmo para um lugar com tanta esperteza. Literalmente, essas empresas devem ter roubado do Brasil o valor do déficit orçamentário deste ano, R$ 139 bilhões. Associadas a um governo corrupto, roubaram tudo o que podiam aqui e, com uma parte do dinheiro, foram comprar autoridades lá fora. E como se não bastasse, o tronco fluminense teria comprado uma Olimpíada, uma festa internacional teoricamente voltada a estimular valores éticos e fraternidade entre os povos.

Finalmente roubaram também a limpidez da imagem do país no exterior. Esse sistema político partidário está pela hora da morte. A insistência da esquerda em negar o gigantesco processo de corrupção e o papel de Lula no seu comando é um dado imutável, mas, ao mesmo tempo, decisivo para as eleições de 2018. A autocrítica é uma saída que poderia fortalecer a esquerda a longo prazo, mas a tiraria do páreo. Por outro lado, o confronto com a avalanche de dados que surgem das delações e documentos é um caminho masoquista que vai arrasá-la ainda mais.

Apesar da pancada na cabeça que me levou à corte do Rei Artur, creio que posso imaginar paisagem depois da batalha ao acordar desse golpe. Passada a tsunami, o sistema partidário será levado na enxurrada ou terá de se abrigar em patamares éticos mais elevados, através de uma reforma.

E as eleições presidenciais brasileiras podem tomar, por caminhos diferentes, o mesmo rumo da francesa. Pela primeira vez, a tradicional alternativa esquerda-direita não irá ao segundo turno.

O chamado momento pós-ideológico não significa o fim do populismo, pois na França, assim como nos Estados Unidos, ele assume outras formas, canaliza o ressentimento popular e torna-se um dos atores principais do processo.

No filme “A corte do Rei Artur”, o mecânico americano Frank Martin, de Connecticut, termina pedindo reformas no reino. Aqui, além de reformas, algumas prisões são necessárias, inclusive a do próprio rei.