quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Nós e nossa sublime alegria de não saber

 Revista Bula


by André J. Gomes
— Mamãe, o que você tá fazendo?
— Tô rindo, filhota.
— Por quê?
— Não sei.
Assim, olhando a risada de sua mãe, a menina dos olhinhos de sol conheceu sem saber uma das sensações mais absolutas e definitivas da vida: com a surpresa de quem descobre que o caramujo carrega nas costas sua própria casa, que o tatu bola fica mesmo arredondado e as lesmas derretem feito monstros se chovermos uma nuvem de sal em suas costas, a menina se deu conta de que, quase sempre, nós não sabemos.
Ela não sabe por que motivo sua mãe está rindo sem saber por quê. Em seu pequeno pedaço de céu na Terra, a menina não sabe quantas horas dura o dia, quanto tempo de sol lhe resta para rolar na terra antes da noite, do banho, da janta, da cama. Ela não imagina o que significam as cotações de mercado, as altas e baixas da bolsa de valores. Não sabe a quantas andam o custo de vida, as alíquotas, os impostos, as mensalidades escolares. Ela não sabe nada, sua felicidade é completa, sem descontos e abatimentos na fonte.
Um dia, vai saber ainda menos sobre quanto durarão seus animais domésticos, suas plantas, seus amores e a bateria de seu celular. Ela não sabe, mas um dia, quando suas lembranças residirem em um monte de fotografias, mensagens antigas, lugares revisitados, objetos resgatados e imagens difusas, ela talvez se apanhe sorrindo só, como sua mãe, e também não saiba por quê.
A menina que hoje brinca com a comida e as próprias meias não sabe, mas ela sorri quando olha na claridade as partículas de poeira flutuando, brilhantes como estrelas caseiras, enquanto sua mãe passa uma vassoura na sala. Não sabe que a saudade corriqueira que tem do pai durante o dia é um sentimento que só vai aumentar com o tempo, o nariz e as orelhas de cada um. Ela não sabe que um dia vai ter saudade do que já foi, do que ainda é e até do que — quem sabe? — um dia poderá ser.
Do amor, um dia ela não vai saber mais do que todas as suas dúvidas. Da dor, ela não vai saber por que dói e, sobretudo, por que continua doendo ou quando vai parar e quando vai doer de novo. Ela ainda não sabe, mas um dia os cretinos que vegetam por aí, pendurados em preconceitos e certezas patéticas, vão jogar areia em sua torta, vão gritar “vai, gordinha!” quando a virem pedalando sua bicicleta na subida, vão elogiar o sucesso de sua dieta em sua frente e execrar sua esqualidez em suas costas. Ela vai chorar, seus velhos pais irão lhe perguntar “por quê” e ela, afundada em certezas e convicções, vai responder “não sei”.
É claro que ela não sabe, mas um dia também ela será vil e desprezível. Vai machucar, vai fazer doer. E vai saber exatamente por que o faz. Mas dessas coisas é melhor não saber muito e ela vai esquecê-las lá dentro de uma gaveta discreta de seu coração, e vai jogar a chave fora.
Um dia, daqui a tantos anos, ela vai achar linda a história de amor de seus pais. E vai odiar os amores de seu irmão. Vai conhecer de perto e de longe tanta gente que, à noite, vez ou outra vai ser difícil dormir com tantos nomes e rostos lhe assaltando a lembrança no quarto escuro.
Ela vai caminhar ao lado, atrás, à frente de tantas pessoas quase sempre sem saber. Vai receber a mão de alguém, vai dar a mão a alguém e isso vai se repetir tantas vezes que, em quase todas elas, nenhum dos lados vai saber quem deu ajuda e quem a recebeu.
Porque a menina um dia vai acordar maior, mais bela e mais velha, com tantos senões, porquês, rugas e lembranças quanto o número de formigas trabalhadoras que caminham sob seus olhinhos apertados de curiosidade e amor. Nesse dia, rodeada de cachorros, gatos e cabras e filhos, ela vai olhar o céu de manhã, respirar fundo e dizer “obrigado” baixinho.
Alguém da casa vai perguntar se ela já sabe o que terão no almoço, ela vai pensar no assunto. E assim, enquanto ainda não sabe, ela vai folhear sozinha o álbum de suas loucuras e vai se dar conta de que viver é não saber.
Mas isso será um dia, lá na frente do tempo. Hoje, aqui, a menina dos olhinhos de sol ainda não sabe, mas sua mãe espera, ainda também sem saber, um outro bebê. Em algum lugar depois das nuvens, uma criança espera para vir ao mundo, trazida àquela família que vive entre os cachorros e gatos e cabras e vacas da fazenda, no bico forte e seguro de uma cegonha prateada. Mas isso ainda ninguém sabe.
Para Emma e Malte, Lavínia e Staffan.

Ilustração: pintura de Joaquín Sorolla y Bastida

3 livros que todo empreendedor precisa ler


Especialista em startups, Cassio Spina lista três sugestões de obras para quem deseja adquirir conhecimento

Editado por Camila Lam, de 
Sony
Sony Tablet
3 livros para empreendedoresEscrito por Cassio Spina, especialista em startups
Eu devo muito do meu conhecimento sobre empreendedorismo aos livros que li e recomendo fortemente que todo empreendedor tenha sempre um livro de cabeceira. Nunca deixe de aprender lendo, pois além de ser a forma mais prática e barata de adquirir conhecimento, lhe dá acesso aos melhores experts de cada assunto. Seguem alguns doslivros que até hoje me ajudam:
1. “Iludido pelo Acaso”, de Nassim Nicholas Taleb
O autor deste livro, corretor de valores em Wall Street, relata sua experiência sobre como muitos corretores, após fazerem grandes fortunas, não só perderam tudo como ficaram devendo “até as calças” por terem acreditado que tinham descoberto “fórmulas” perfeitas para ganharem sempre.
Vale a leitura para observar que, muitas vezes, acertar logo de início pode ser um grande risco, pois se tem a ilusão de ter “mãos de ouro”. Falhar primeiro pode ser bom para aprender a lidar com os desafios.
2. “A Hora da Verdade”, de Jan Carlzon
Clássico da administração, o autor foi presidente da companhia aérea sueca SAS tendo efetivado uma reviravolta nos seus resultados por meio da delegação de poder para os funcionários, o chamado empowerement. Recomendo a leitura como modelo não só por isto, mas também para observar que em qualquer negócio o mais importante é estar presente na frente do cliente, pois é a grande oportunidade de descobrir suas necessidades e como atende-las.
3. “A Meta”, de Eliyahu M. Goldratt
Outro clássico da administração, o autor relata em forma de fábula (mas baseando-se em suas experiências reais) os problemas de uma empresa com sua linha de produção e outros tipos de processos. É um livro que não se aplica só à gestão, mas a questão fundamental de qualquer negócio: como atingir uma meta.
Cassio A. Spina foi empreendedor por 25 anos, é investidor-anjo e fundador da Anjos do Brasil

No divórcio, preciso dividir até o que herdei dos meus pais?


em: NOTÍCIAS   |  tags:Divórcio/Separação , Inventário   |  fonte: Exame

Internauta está se separando da esposa e questiona se ela receberá parte dos bens que ele recebeu por herança dos paisnoticias  : No divórcio, preciso dividir até o que herdei dos meus pais?

Casal com cara de dúvida: Segundo advogado, no regime de comunhão total de bens todo o patrimônio é repartido – Divulgação/Imovelweb
Dúvida do internauta: Meu patrimônio é composto por duas partes: uma construída com o meu trabalho e a outra deixada por meus pais (herança). Eu estou me separando após 35 anos de casamento. A herança deixada por meus pais foi recebida há cerca de oito anos e eu tenho oito filhos, sendo quatro deste casamento e mais quatro com outra mulher. A duvida é: minha esposa tem direito à herança deixada por meus pais?
Resposta de Rodrigo da Cunha Pereira*:
Se vocês foram casados no regime de comunhão parcial de bens, ao se divorciarem, sua esposa não tem direito a receber parte da herança de seus pais. Ela somente terá direito sobre a metade dos bens adquiridos por vocês a título oneroso durante o casamento. Isto é, metade dos bens comprados com o produto do trabalho.
Por outro lado, se o casamento acabar em razão da morte de um dos cônjuges, além de receber metade dos bens adquiridos pelo trabalho na constância do casamento (a chamada meação), o cônjuge viúvo tem direito a receber parte dos bens que foram adquiridos por doação ou por herança, que são os chamados bens a título gratuito.
Em outras palavras, no regime da comunhão parcial (regime que vigora automaticamente, quando não há pacto antenupcial), em caso de falecimento, o cônjuge vivo recebe os bens que fazem parte da meação, além de parte dos bens particulares do cônjuge falecido, como sua herança.
Mas, caso o regime de bens do casamento seja o da comunhão universal, tanto no divórcio, quanto em caso de falecimento, todos os bens devem ser partilhados, inclusive aqueles recebidos por herança, a menos que o casal tenha instituído uma cláusula de incomunicabilidade sobre os bens herdados.

JUÍZES DENUNCIAM CAOS NA PAPUDA DESDE A CHEGADA DOS MENSALEIROS, APONTAM RISCO DE REBELIÃO EM RAZÃO DOS PRIVILÉGIOS DE QUE GOZAM OS CRIMINOSOS DE PEDIGREE E PEDEM AFASTAMENTO


Posted: 17 Dec 2013 09:38 AM PST

Pois é… O óbvio sempre se lembra de acontecer. Juízes denunciam ameaça de rebelião na Papuda? Motivo? Os privilégios de que gozam os mensaleiros — os criminosos aristocratas. Antes que chegue lá, lembro algumas coisinhas.

No dia 5 deste mês, afirmei:
“Se houver uma rebelião na Papuda, o culpado é o Zé Dirceu; os culpados são os senadores que foram lá [visitar mensaleiros]; os culpados são os deputados que foram lá. São os culpados políticos por uma eventual rebelião”.
O vídeo está aí. Volto em seguida.
No dia seguinte, em post neste blog escrevi:“Afirmei isto no debate da VEJA.com, na quinta-feira, e reitero: os companheiros mensaleiros do PT — na verdade, parece que só eles importam (ver texto abaixo) — estão fazendo um esforço brutal para provocar uma rebelião na Papuda. Se acontecer, serão eles os únicos culpados.”
Leiam, agora, o que informa Vinicius Sassini, no Globo Online. Volto depois:
Três juízes que atuam na Vara de Execuções Penais (VEP) em Brasília, responsável pelos processos das prisões dos condenados do mensalão, pediram para ser removidos da Vara em razão dos conflitos surgidos desde a chegada dos condenados ao Complexo da Papuda. Entre os motivos elencados nos pedidos, encaminhados à Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, está a iminência de ocorrer uma rebelião e uma tentativa de fuga na próxima terça-feira, dia 24, véspera de Natal. Eles também denunciam a existência de uma suposta sabotagem por parte de agentes penitenciários com o objetivo de prejudicar a Vara de Execuções Penitenciaria. Os pedidos dos juízes foram remetidos ao primeiro vice-presidente, desembargador Sérgio Bittencourt, no último dia 9. Dois dias depois, o desembargador negou a remoção dos juízes e encaminhou à Presidência do Tribunal de Justiça, “com urgência”, as denúncias de rebelião, fuga e sabotagem. Os juízes escreveram no pedido de remoção que magistrados, promotores de Justiça e defensores públicos constataram a tensão no sistema prisional desde a chegada dos mensaleiros à Papuda, principalmente em razão das regalias concedidas a eles pela administração penitenciária. Entre esses privilégios estava um dia especial de visitas, as sextas-feiras, medida derrubada pelos juízes substitutos da Vara de Execuções Penitenciárias.
Situação de caos no sistema prisional
A argumentação dos juízes para serem transferidos da VEP se baseia na situação que consideram “de caos” do sistema prisional desde a chegada dos condenados do mensalão. As detenções ocorreram em 15 de novembro, e, diante dos conflitos deles com o juiz titular da VEP, Ademar Silva de Vasconcelos, os magistrados já alegavam a necessidade de remoção da Vara. Os primeiros pedidos nesse sentido foram feitos ainda em novembro e negados pela Vice-Presidência do Tribunal de Justiça, a quem cabe decidir sobre remoções de juízes. Há poucos dias, diante da ampliação da tensão nos presídios da Papuda, inclusive com uma suspeita de sabotagem por parte de agentes prisionais, os magistrados voltaram a pedir remoção.
(…)
Pelo menos três fontes independentes teriam alertado um dos juízes sobre a possibilidade de rebelião na véspera do Natal. A unidade onde detentos estariam arquitetando a revolta é o Centro de Detenção Provisória (CDP), que fica ao lado do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), dentro do Complexo da Papuda. É numa cela especial do CIR onde estão presos o ex-ministro José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares; o ex-tesoureiro do PL (hoje PR), Jacinto Lamas; e os ex-deputados Romeu Queiroz, Pedro Corrêa, Bispo Rodrigues, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry. Também é dada como certa, no pedido remetido à cúpula do Tribunal de Justiça, que os agentes tentarão uma sabotagem com a finalidade de atrapalhar a atuação da Justiça.
(…)
Voltei
Os irresponsáveis fizeram de tudo para levar o caos à Papuda. Além dos políticos que foram fazer romaria para visitar os criminosos, a Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal é corresponsável pela tensão porque passou a administrar um sistema de privilégios. Se o pior acontecer, os senadores e deputados petistas que foram visitar os mensaleiros devem ser escalados para negociar com os presos. Por Reinaldo Azevedo

Cuidado com o otimismo “obamista” no Oriente Médio


Já escrevi mostrando meu ceticismo com as novas conversas de paz no Oriente Médio, encabeçadas pelo presidente Obama. Folgo em saber que meu amigo Osias Wurman, que entende bem mais do assunto do que eu, tem a mesma visão. Em artigopublicado hoje no GLOBO, o cônsul honorário de Israel joga uma ducha de água fria nessa empolgação toda. Diz ele:
Nos últimos dias, o presidente Obama e o secretario de Estado, John Kerry, têm feito declarações que nos lembram o otimismo errático de Ehud Olmert, em 2005.
Obama fez a seguinte declaração no Saban Center for Middle East Policy, quando perguntado sobre as chances de sucesso do acordo com o Irã para cessar a corrida nuclear: “Eu não diria que é mais do que 50-50. Mas nós temos que tentar.”
Enquanto isso, Kerry acaba de fazer a sua nona viagem a Israel e Cisjordânia, como secretário de Estado. O prazo dado, de nove meses de negociações entre as partes, estabelecido em julho passado, num acordo liderado por Kerry, vai escoando sem qualquer sinal de progresso.
Nesta última viagem, o secretário americano tentou flexibilizar os israelenses, oferecendo garantias americanas à segurança do país, baseadas em dilatada presença militar na Cisjordânia, além de maior respaldo em caso de futuras necessidades militares.
Mas como aceitar promessas hegemônicas, num momento em que o genocídio praticado por Assad na vizinha Síria continua, apesar dos prazos e limites anunciados para uma intervenção internacional, e não efetivados por travas políticas no Conselho de Segurança da ONU?
Kerry parece ignorar que o problema entre palestinos e israelenses é muito mais de reconhecimento nacional do que de territórios e assentamentos. É preciso deixar claro que, nos 65 anos de existência do Estado de Israel, nenhum líder árabe aceitou considerá-lo como o Estado Judeu.
Enquanto persistir o enriquecimento de urânio pelo Irã e a negação palestina ao direito milenar de existência de uma nação judaica, qualquer otimismo precipitado pode ser a decepção e o desastre do amanhã. No Oriente Médio, nem sempre o mais lógico, ou o mais racional, prevalece. 
Sou da mesma opinião. Muitos gostam de adotar postura “neutra” quando se trata de Oriente Médio, como se ambos os lados fossem responsáveis pela perpetuação do status quo, quando não tomam claro partido contra Israel. Só que uma observação mais isenta e imparcial da coisa mostrará que Israel já cedeu em quase todas as demandas, mas o lado de lá parece não desejar a paz.
Enquanto os líderes islâmicos não aceitarem a existência do Estado judeu na região, essas conversas dificilmente levarão a algum lugar. Obama pode estar jogando para a plateia, ou pode realmente acreditar em seu incrível poder de persuasão. No primeiro caso, seria apenas oportunismo. No segundo, uma ingenuidade ímpar, um tanto infantil.
Eu prefiro manter o grande ceticismo, para não ter enorme decepção à frente…