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domingo, 1 de setembro de 2013
"Nossa medicina é quase de curandeirismo", diz doutor cubano
Mais Médicos
Gilberto Velazco Serrano, de 32 anos, conta por que, em 2006, desertou de uma missão de seu país na Bolívia - na qual os médicos eram vigiados por paramilitares
Aretha Yarak
O cubano Gilberto Velazco Serrano, de 32 anos, é médico. Na ilha dos irmãos Castro ele aprendeu seu ofício em meio a livros desatualizados e à falta crônica de medicamentos e de equipamentos. Os sonhos de ajudar os desamparados bateu de frente, ainda durante sua formação universitária, com a dura realidade de seu país: falta de infraestrutura, doutrinação política e arbitrariedade por parte do governo. "É triste, mas eu diria que o que se pratica em Cuba é uma medicina quase de curandeirismo”, diz Velazco.
Ao ser enviado à Bolívia em 2006, para o que seria uma ação humanitária, o médico se viu em meio a uma manobra política, que visava pregar a ideologia comunista. “A brigada tinha cerca de 10 paramilitares, que estavam ali para nos dizer o que fazer”. Velazco não suportou a servidão forçada e fugiu. Sua primeira parada foi pedir abrigo político no Brasil, que permitiu sua estada apenas de maneira provisória. Hoje, ele mora com a família em Miami, nos Estados Unidos, onde tem asilo político e estuda para revalidar seu diploma. De lá, ele concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Como os médicos são selecionados para as missões?
Eles são obrigados a participar. Em Cuba, se é obrigado a tudo, o governo diz até o que você deve comer e o que estudar. As brigadas médicas são apenas uma extensão disso. Se eles precisam de 100 médicos para uma missão, você precisa estar disponível. Normalmente, eles faziam uma filtragem ideológica, selecionavam pessoas alinhadas ao regime. Mas com tantas colaborações internacionais, acredito que essa filtragem esteja menos rígida ou tenha até acabado.
Eles são obrigados a participar. Em Cuba, se é obrigado a tudo, o governo diz até o que você deve comer e o que estudar. As brigadas médicas são apenas uma extensão disso. Se eles precisam de 100 médicos para uma missão, você precisa estar disponível. Normalmente, eles faziam uma filtragem ideológica, selecionavam pessoas alinhadas ao regime. Mas com tantas colaborações internacionais, acredito que essa filtragem esteja menos rígida ou tenha até acabado.
Como foi sua missão?
Fomos enviados 140 médicos para a Bolívia em 2006. Disseram que íamos ficar no país por três meses para ajudar a população após uma enchente. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que não chovia há meses. Era tudo mentira. Os três meses iniciais viraram dois anos. O pior de tudo é que o grupo de 140 pessoas não era formado apenas por médicos - havia pelo menos 10 paramilitares. A chefe da brigada, por exemplo, não era médica. Os paramilitares estavam infiltrados para impedir que a gente fugisse.
Fomos enviados 140 médicos para a Bolívia em 2006. Disseram que íamos ficar no país por três meses para ajudar a população após uma enchente. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que não chovia há meses. Era tudo mentira. Os três meses iniciais viraram dois anos. O pior de tudo é que o grupo de 140 pessoas não era formado apenas por médicos - havia pelo menos 10 paramilitares. A chefe da brigada, por exemplo, não era médica. Os paramilitares estavam infiltrados para impedir que a gente fugisse.
Paramilitares?
Vi armas dentro das casas onde eles moravam. Eles andavam com dinheiro e viviam em mansões, enquanto nós éramos obrigados a morar nos hospitais com os pacientes internados. Quando chegamos a Havana para embarcar para a Bolívia, assinamos uma lista para registro. Eram 14 listas com 10 nomes cada. Em uma delas, nenhum dos médicos pode assinar. Essa era a lista que tinha os nomes dos paramilitares.
Vi armas dentro das casas onde eles moravam. Eles andavam com dinheiro e viviam em mansões, enquanto nós éramos obrigados a morar nos hospitais com os pacientes internados. Quando chegamos a Havana para embarcar para a Bolívia, assinamos uma lista para registro. Eram 14 listas com 10 nomes cada. Em uma delas, nenhum dos médicos pode assinar. Essa era a lista que tinha os nomes dos paramilitares.
Como era o trabalho dos paramilitares?
Não me esqueço do que a chefe da brigada disse: “Vocês são guerrilheiros, não médicos. Não viemos à Bolívia tratar doenças parasitárias, vocês são guerrilheiros que vieram ganhar a luta que Che Guevara não pode terminar”. Eles nos diziam o que fazer, como nos comportar e eram os responsáveis por evitar deserções e impedir que fugíssemos. Na Bolívia, ela nos disse que deveríamos estudar a catarata. Estávamos lá, a priori, para a atenção básica – não para operações como catarata. Mas tratar a catarata, uma cirurgia muito simples, tinha um efeito psicológico no paciente e também na família. Todos ficariam agradecidos à brigada cubana.
Não me esqueço do que a chefe da brigada disse: “Vocês são guerrilheiros, não médicos. Não viemos à Bolívia tratar doenças parasitárias, vocês são guerrilheiros que vieram ganhar a luta que Che Guevara não pode terminar”. Eles nos diziam o que fazer, como nos comportar e eram os responsáveis por evitar deserções e impedir que fugíssemos. Na Bolívia, ela nos disse que deveríamos estudar a catarata. Estávamos lá, a priori, para a atenção básica – não para operações como catarata. Mas tratar a catarata, uma cirurgia muito simples, tinha um efeito psicológico no paciente e também na família. Todos ficariam agradecidos à brigada cubana.
Você foi obrigado a fazer algo que não quisesse?
Certa vez, eu fui para Santa Cruz para uma reunião, lá me disseram que eu teria de ficar no telefone, para atender informações dos médicos e fazer estatísticas. O objetivo era cadastrar o número de atendimentos feitos naquele dia. Alguns médicos ligavam para passar informações, outros não. Eu precisava falar com todos, do contrário os líderes saíam à caça daquele com quem eu não havia conversado. Quando terminei o relatório, 603 pacientes tinham sido atendidos. Na teoria, estávamos em 140 médicos na Bolívia, mas foi divulgado oficialmente que o grupo seria de 680. Então como poderiam ter sido feitas apenas 603 consultas? Acabei tendo que alterar os dados, já que o estabelecido era um mínimo de 72 atendimentos por médico ao dia. Os dados foram falsificados.
Certa vez, eu fui para Santa Cruz para uma reunião, lá me disseram que eu teria de ficar no telefone, para atender informações dos médicos e fazer estatísticas. O objetivo era cadastrar o número de atendimentos feitos naquele dia. Alguns médicos ligavam para passar informações, outros não. Eu precisava falar com todos, do contrário os líderes saíam à caça daquele com quem eu não havia conversado. Quando terminei o relatório, 603 pacientes tinham sido atendidos. Na teoria, estávamos em 140 médicos na Bolívia, mas foi divulgado oficialmente que o grupo seria de 680. Então como poderiam ter sido feitas apenas 603 consultas? Acabei tendo que alterar os dados, já que o estabelecido era um mínimo de 72 atendimentos por médico ao dia. Os dados foram falsificados.
Como é a formação de um médico em Cuba?
Muito ruim. É uma graduação extremamente ideologizada, as aulas são teóricas, os livros são velhos e desatualizados. Alguns tinham até páginas perdidas. Aprendi sobre as doenças na literatura médica, porque não tinha reativo de glicemia para fazer um exame, por exemplo. Não dava para fazer hemograma. A máquina de raio-X só podia ser usada em casos extremos. Os hospitais tinham barata, ratos e, às vezes, faltava até água. Vi diversos pacientes que só foram medicados porque os parentes mandavam remédios dos Estados Unidos. Aspirina, por exemplo, era artigo raro. É triste, mas eu diria que é uma medicina quase de curandeiro. Você fala para o paciente que ele deveria tomar tal remédio. Mas não tem. Aí você acaba tendo que indicar um chá, um suco.
Muito ruim. É uma graduação extremamente ideologizada, as aulas são teóricas, os livros são velhos e desatualizados. Alguns tinham até páginas perdidas. Aprendi sobre as doenças na literatura médica, porque não tinha reativo de glicemia para fazer um exame, por exemplo. Não dava para fazer hemograma. A máquina de raio-X só podia ser usada em casos extremos. Os hospitais tinham barata, ratos e, às vezes, faltava até água. Vi diversos pacientes que só foram medicados porque os parentes mandavam remédios dos Estados Unidos. Aspirina, por exemplo, era artigo raro. É triste, mas eu diria que é uma medicina quase de curandeiro. Você fala para o paciente que ele deveria tomar tal remédio. Mas não tem. Aí você acaba tendo que indicar um chá, um suco.
Como era feita essa "graduação extremamente ideologizada" que o senhor menciona?
Tínhamos uma disciplina chamada preparação militar. Ficávamos duas semanas por ano fora da universidade para atender a essa demanda. Segundo o governo cubano, o imperialismo iria atacar a ilha e tínhamos que nos defender. Assim, estudávamos tudo sobre bombas químicas, aprendíamos a atirar com rifle, a fazer maquiagem de guerra e a nos arrastar no chão. Mas isso não é algo exclusivo na faculdade de medicina, são ensinamentos dados até a crianças.
Tínhamos uma disciplina chamada preparação militar. Ficávamos duas semanas por ano fora da universidade para atender a essa demanda. Segundo o governo cubano, o imperialismo iria atacar a ilha e tínhamos que nos defender. Assim, estudávamos tudo sobre bombas químicas, aprendíamos a atirar com rifle, a fazer maquiagem de guerra e a nos arrastar no chão. Mas isso não é algo exclusivo na faculdade de medicina, são ensinamentos dados até a crianças.
Como é o sistema de saúde de Cuba?
O país está vivendo uma epidemia de cólera. Nas últimas décadas não havia registro dessa doença. Agora, até a capital Havana está em crise. A cólera é uma doença típica da pobreza extrema, ela não é facilmente transmissível. Isso acontece porque o sistema público de saúde está deteriorado. Quase não existem mais médicos em Cuba, em função das missões.
O país está vivendo uma epidemia de cólera. Nas últimas décadas não havia registro dessa doença. Agora, até a capital Havana está em crise. A cólera é uma doença típica da pobreza extrema, ela não é facilmente transmissível. Isso acontece porque o sistema público de saúde está deteriorado. Quase não existem mais médicos em Cuba, em função das missões.
Por que você resolveu fugir da missão na Bolívia?
Nasci em Cuba, estudei em Cuba, passei minha vida na ilha. Minha realidade era: ao me formar médico eu teria um salário de 25 dólares, sem permissão para sair do país, tendo que fazer o que o governo me obrigasse a fazer. Em Cuba, o paramédico é uma propriedade do governo. A Bolívia era um país um pouco mais livre, mas, supostamente, eu tinha sido enviado para trabalhar por apenas três meses. Lá, me avisaram que eu teria de ficar por dois anos. Eu não tinha opção. Eram pagos 5.000 dólares por médico, mas eu recebia apenas 100 dólares: 80 em alimentos que eles me davam e os 20 em dinheiro. A verdade é que eu nunca fui pago corretamente, já que médico cubano não pode ter dinheiro em mãos, se não compra a fuga. Todas essas condições eram insustentáveis.
Nasci em Cuba, estudei em Cuba, passei minha vida na ilha. Minha realidade era: ao me formar médico eu teria um salário de 25 dólares, sem permissão para sair do país, tendo que fazer o que o governo me obrigasse a fazer. Em Cuba, o paramédico é uma propriedade do governo. A Bolívia era um país um pouco mais livre, mas, supostamente, eu tinha sido enviado para trabalhar por apenas três meses. Lá, me avisaram que eu teria de ficar por dois anos. Eu não tinha opção. Eram pagos 5.000 dólares por médico, mas eu recebia apenas 100 dólares: 80 em alimentos que eles me davam e os 20 em dinheiro. A verdade é que eu nunca fui pago corretamente, já que médico cubano não pode ter dinheiro em mãos, se não compra a fuga. Todas essas condições eram insustentáveis.
Você pediu asilo no Brasil?
Pedi que o Brasil me ajudasse no refúgio. Aleguei que faria o Revalida e iria para o Nordeste trabalhar em regiões pobres, mas a Polícia Federal disse que não poderia regularizar minha situação. Consegui um refúgio temporário, válido de 1 de novembro de 2006 a 4 de fevereiro de 2007. Nesse meio tempo, fui à embaixada dos Estados Unidos e fui aprovado.
Pedi que o Brasil me ajudasse no refúgio. Aleguei que faria o Revalida e iria para o Nordeste trabalhar em regiões pobres, mas a Polícia Federal disse que não poderia regularizar minha situação. Consegui um refúgio temporário, válido de 1 de novembro de 2006 a 4 de fevereiro de 2007. Nesse meio tempo, fui à embaixada dos Estados Unidos e fui aprovado.
Após a sua deserção, sua família sofreu algum tipo de punição?
Eles foram penalizados e tiveram de ficar três anos sem poder sair de Cuba. Meus pais nunca receberam um centavo do governo cubano enquanto estive na Bolívia, mas sofreram represálias depois que eu decidi fugir.
Eles foram penalizados e tiveram de ficar três anos sem poder sair de Cuba. Meus pais nunca receberam um centavo do governo cubano enquanto estive na Bolívia, mas sofreram represálias depois que eu decidi fugir.
Quando você foi enviado à Bolívia era um recém-formado. A primeira leva de cubanos no Brasil é composta por médicos mais experientes...
Pelo o que vivi, sei que isso é tudo uma montagem de doutrinação. Essas pessoas são mais velhas porque os jovens como eu não querem a ditadura. Eu saí de Cuba e não voltei mais. No caso das pessoas mais velhas, talvez eles tenham família, marido, filhos em Cuba. É mais improvável que optem pela fuga e deixem seus familiares para trás. Geralmente, são pessoas que vivem aterrorizadas, que só podem falar com a imprensa quando autorizadas.
Pelo o que vivi, sei que isso é tudo uma montagem de doutrinação. Essas pessoas são mais velhas porque os jovens como eu não querem a ditadura. Eu saí de Cuba e não voltei mais. No caso das pessoas mais velhas, talvez eles tenham família, marido, filhos em Cuba. É mais improvável que optem pela fuga e deixem seus familiares para trás. Geralmente, são pessoas que vivem aterrorizadas, que só podem falar com a imprensa quando autorizadas.
Os médicos cubanos que estão no Brasil deveriam fazer o Revalida?
Sim. Em Cuba, os médicos têm de passar por uma revalidação para praticar a medicina dentro do país. Sou favorável que os médicos estrangeiros trabalhem no Brasil, mas eles precisam se adequar à legislação local. Além do mais, a formação médica em Cuba está muito crítica. Eu passei o fim da minha graduação dentro de um programa especial de emergência. A ideia era que eles reduzissem em um ano minha formação, para que eu pudesse ser enviado à Bolívia. O governo cubano está fazendo isso: acelerando a graduação para poder enviar os médicos em missões ao exterior.
Sim. Em Cuba, os médicos têm de passar por uma revalidação para praticar a medicina dentro do país. Sou favorável que os médicos estrangeiros trabalhem no Brasil, mas eles precisam se adequar à legislação local. Além do mais, a formação médica em Cuba está muito crítica. Eu passei o fim da minha graduação dentro de um programa especial de emergência. A ideia era que eles reduzissem em um ano minha formação, para que eu pudesse ser enviado à Bolívia. O governo cubano está fazendo isso: acelerando a graduação para poder enviar os médicos em missões ao exterior.
Porto Alegre supera São Paulo e Rio de Janeiro em roubo e furto de veículos
Em relação à frota, os motoristas da capital gaúcha são mais visados por ladrões
José Luís Costa
A voracidade dos ladrões de carros é maior em Porto Alegre do que nas duas metrópoles mais populosas do país. Números oficiais do primeiro semestre apontam que os furtos e os roubos de veículos na capital do Rio Grande do Sul, proporcionalmente à frota, superam os casos entre paulistanos e cariocas.
Em Porto Alegre, são 6,75 carros levados a cada mil, enquanto em São Paulo são 6,43 veículos a cada mil. No Rio de Janeiro, 3,32 veículos, menos da metade da taxa registrada na capital gaúcha. O fenômeno causa ainda mais espanto porque Porto Alegre tem apenas 13,8% da frota do Estado e concentra 35% dos furtos e roubos. A capital paulista tem 29,9% da frota e a fluminense, 45,3%.
Os dados revelam que, sob o aspecto da criminalidade, é mais perigoso dirigir em Porto Alegre do que nas outras duas cidades. E o temor é perder a vida. Desde 2007, os roubos superam os furtos — muito influenciado pelos sistemas de seguranças dos carros, como alarmes e corta-correntes, obrigando o ladrão a necessitar da chave para ligar o automóvel.


Isto significa que, em Porto Alegre, o risco de um motorista ter o carro roubado, atacado por um bandido de arma em punho, podendo ser ferido ou morto, é duas vezes maior do que ocorrer um furto (quando o ladrão leva o veículo sem o dono estar presente). Nem em São Paulo nem no Rio este risco é tão elevado assim.
Entre as três capitais, a Cidade Maravilhosa já esteve na ponta desse ranking de 2004 e 2006, mas agora ocupa o terceiro posto. Especialistas justificam a queda nos índices do Rio de Janeiro como fruto de investimentos em segurança pública e na melhorias dos organismos de trânsito e na fiscalização em desmanches clandestinos.
Já São Paulo, que apresentava os melhores índices entre as três cidades e hoje quase empata com Porto Alegre, enfrenta uma onda de violência desde 2012, após experimentar quedas nos índices de criminalidade durante os 11 anos anteriores.
Conforme o analista criminal paulista Guaracy Mingardi, um dos problemas em São Paulo é a baixa produtividade das polícias na retirada das quadrilhas das ruas.
— Investigação e fiscalização é que levam a baixar os índices — afirma Mingardi.
Mas por que Porto Alegre é líder? Um das explicações seria a proliferação cada vez maior de quadrilhas oriundas de cidades vizinhas, especializadas neste tipo de crime. Outro motivo pode ser as deficiências de prevenção.
Este ano, em relação a 2011, a Brigada Militar reduziu em dois terços o número de inspeções em desmanches no Estado, e em 20% o número de veículos fiscalizados. E a Polícia Civil conta com apenas duas delegacias especializadas em reprimir furtos e roubos de veículos na Região Metropolitana (uma em Porto Alegre e outra em Canoas, inaugurada em janeiro).
A Lei dos Desmanches, que visa a sufocar a compra e venda de autopeças furtadas e roubadas, recém começou a entrar em prática, após seis anos de vigência, em dois (em São Leopoldo e Sapucaia do Sul) dos 120 estabelecimentos credenciados pelo Detran. E o "cercamento" da Capital com câmeras de vigilância adaptadas a sensores que identificam carros em situação irregular segue no papel há mais de um ano.
CONTRAPONTOS
O que diz o delegado Arthur Teixeira Raldi, da Delegacia de Repressão a Roubo de Veículos (DRV) do Departamento Estadual de Investigações Criminais
Não tive acesso aos números de Rio e São Paulo para comentar sobre eles. Em Porto Alegre e cidades vizinhas, a maior dificuldade é manter as quadrilhas presas. A legislação penal é branda, e os criminosos ficam pouco tempo atrás das grades. E, quando voltam para as ruas, montam os seus próprios bandos, arregimentando outros criminosos. Em 2012, só a DRV prendeu cerca de 120 pessoas. Em oito meses deste ano, já foram capturados 110 criminosos. Isso mostra o crescimento das quadrilhas. A Chefia de Polícia Civil tem projeto para aumentar o número de delegacias para combater os furtos e os roubos de veículos.
O que diz o delegado Arthur Teixeira Raldi, da Delegacia de Repressão a Roubo de Veículos (DRV) do Departamento Estadual de Investigações Criminais
Não tive acesso aos números de Rio e São Paulo para comentar sobre eles. Em Porto Alegre e cidades vizinhas, a maior dificuldade é manter as quadrilhas presas. A legislação penal é branda, e os criminosos ficam pouco tempo atrás das grades. E, quando voltam para as ruas, montam os seus próprios bandos, arregimentando outros criminosos. Em 2012, só a DRV prendeu cerca de 120 pessoas. Em oito meses deste ano, já foram capturados 110 criminosos. Isso mostra o crescimento das quadrilhas. A Chefia de Polícia Civil tem projeto para aumentar o número de delegacias para combater os furtos e os roubos de veículos.
Confira as dicas de segurança do delegado:
O que diz o coronel da Brigada Militar João Godoi, chefe do Comando de Policiamento da Capital
Estamos com toda nossa estrutura disponível nas ruas para combater os ladrões de carros, especialmente na área do 11º Batalhão de Polícia Militar _ responsável pelo patrulhamento em parte da zona norte e bairros mais afetados_ em uma luta incessante contra este tipo de crime. O 11º BPM tem feito ações e obtidos bons resultados com a prisão de quadrilhas. A Polícia Civil também também tem feito a sua parte. Este ano é atípico, com manifestações quase que diárias, e mobilizamos recursos desde a madrugada. Por vezes, não conseguimos executar todas as operações planejadas.
Estamos com toda nossa estrutura disponível nas ruas para combater os ladrões de carros, especialmente na área do 11º Batalhão de Polícia Militar _ responsável pelo patrulhamento em parte da zona norte e bairros mais afetados_ em uma luta incessante contra este tipo de crime. O 11º BPM tem feito ações e obtidos bons resultados com a prisão de quadrilhas. A Polícia Civil também também tem feito a sua parte. Este ano é atípico, com manifestações quase que diárias, e mobilizamos recursos desde a madrugada. Por vezes, não conseguimos executar todas as operações planejadas.
ZERO HOR
Jornal Folha de S. Paulo diz que governo do PT promove "farsa na saúde"
O editorial a seguir é da Folha deste sábado. Leia a íntegra:
O governo federal lançou o Mais Médicos para resolver o problema da falta de profissionais em cidades como Anamã, Barbalha, Camaragibe, Canindé, Cascavel, Coari, Jeremoabo, Lábrea, Nova Soure, Santa Bárbara e Sapeaçu. Nos gabinetes refrigerados do Planalto, porém, talvez não se faça muita conta do que realmente se passa nessas localidades do Amazonas, da Bahia, do Ceará e de Pernambuco. Ou em qualquer outro Estado do Brasil. Como mostrou esta Folha, prefeitos das 11 cidades citadas já demitiram ou pretendem demitir profissionais contratados para substituí-los pelos bolsistas do Mais Médicos. O motivo era previsível: quem paga os R$ 10 mil mensais do programa federal é Brasília. Razão irresistível para alcaides oportunistas se livrarem de despesa sem se indisporem com eleitores. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou há duas semanas que sua pasta monitoraria as prefeituras para impedir essa manobra, tão deletéria para o programa quanto a hostilidade de associações médicas aos bolsistas. A esse respeito, é incompreensível que um profissional cubano tenha sido vaiado e chamado de "escravo". O programa Mais Médicos é uma iniciativa que enfim busca solução para a inaceitável carência de médicos e tenta pôr para funcionar a atenção básica de saúde onde ela se apresenta mais necessária.
Importar profissionais tem sido recurso usual noutros países, e não haveria por que descartá-lo no Brasil. A rejeição a esse expediente resulta de puro corporativismo --a luta por melhores condições de atendimento não muda com a presença desses médicos.Isso não significa, é claro, que o Planalto esteja conduzindo bem todo o processo. Antes o contrário.Encenou-se em Brasília um primeiro ato de prioridade para profissionais brasileiros --formados aqui ou no exterior-- e para os interessados de Portugal e Espanha. Nos bastidores, descortinou-se no segundo ato, eram 4.000 cubanos que se preparavam para adentrar o proscênio. O terceiro ato se abre agora com as farsas municipais, comprovadas em 11 prefeituras. Decerto são representativas de muitas outras Brasil afora. Falta o público descobrir se o governo federal de fato vai desligar essas e outras cidades do programa, como agora promete em tom dramático. Ou, então, se tolerará esse barateamento da saúde pública para não melindrar possíveis aliados nas eleições de 2014.
sábado, 31 de agosto de 2013
O que você precisa saber sobre Fundos Imobiliários
28/08/2013
Imóveis à Venda, Mercado Imobiliario, Notícias
Os fundos imobiliários estão cada vez mais populares. A prática vem crescendo não só no Brasil, mas em todo o mundo, oferecendo uma nova possibilidade de investimento aos amantes do mercado de imóveis. Para que você possa saber mais sobre a modalidade, selecionamos as principais dúvidas a respeito de fundos imobiliários. Confira!
O que são?
Os fundos são formados por grupos de investidores que aplicam e reúnem recursos a fim de investi-los em empreendimentos imobiliários, entre eles, shoppings centers e hotéis, por exemplo – seja na sua construção ou em imóveis prontos. Dessa forma, cada investidor é o proprietário de uma parcela do empreendimento, de acordo com a cota adquirida por ele.
Quem pode participar?
Alguns fundos são fechados, sendo dirigidos apenas a um grupo de investidores experientes. No entanto, existem opções livres, voltadas a pequenos investidores em que todos podem comprar cotas.
De onde vem a rentabilidade?
A rentabilidade tem ligação direta com os direitos do investidor sobre o imóvel. Ou seja, tem origem no recebimento de aluguéis e concessões, por exemplo.
Como são divididos os lucros?
O montante recebido pelo fundo é dividido em partes iguais entre os cotistas. Aqui, a vantagem é que, em casos de perdas ou inadimplência, os efeitos sentidos pelo investidor de forma individual são minimizados.

Os fundos imobiliários estão cada vez mais populares | Foto: Flickr.
Como funciona a compra de cotas?
A compra e venda das cotas é feita através de uma corretora de valores, podendo ainda ser negociadas pela internet. A comercialização acontece de maneira prática e simples, sendo necessário apenas que o investidor tenha cadastro em alguma corretora de valores para participar das transações.
Quais as taxas cobradas?
Ao participar de um fundo imobiliário, o investidor fica encarregado de pagar, apenas, taxas de corretagem. Os valores, nesse caso, são bem menores do que os cobrados em outras situações de compra de venda de imóveis, em que é preciso arcar com despesas como o ITBI – Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter-Vivos e gastos com o cartório.
Quem é o responsável pelos fundos?
Para cada fundo, há sempre um gestor do fundo, que é o responsável pela escolha das aquisições, assim como pela burocracia da aplicação. São administrados por instituições financeiras e fiscalizados pela CVM– Comissão de Valores Mobiliários.
Qual é a principal vantagem?
A opção tem como principal vantagem o fato de proporcionar facilidades para quem deseja construir uma carteira diversificada em imóveis. Isso porque, através dos fundos, é possível ter participação em vários imóveis e grandes empreendimentos, sem precisar contar com um imenso capital. Ou seja, é possível adquirir várias cotas em empreendimentos diversificados e de vários tamanhos.
Quais os riscos do investimento?
O fundo imobiliário, porém, é considerado um investimento de renda variável. Nele, não há garantia de valorização das cotas e ainda corre-se o risco de que o investidor sofra com a inadimplência ou vacância em seu imóvel – tendo sua rentabilidade afetada.
Deu na Veja.com: Partidos vão ao STF contra decisão que salvou Donadon
Posted: 30 Aug 2013 06:44 AM PDT
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| Natan Donadon está no Presídio da Papuda |
PSDB e PPS alegam que perda do mandato de deputado preso não deveria ter sido objeto de decisão do plenário da Câmara dos Deputados
O PSDB e o PPS vão pedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a vergonhosa votação em que a Câmara dos Deputados salvou o deputado Natan Donadon (RO) da cassação, nesta quarta-feira.
Os partidos argumentam que, em caso de condenação à prisão, a perda do mandato deve ser automática porque a sentença implica na perda dos direitos políticos. Caberia à Mesa Diretora da Câmara apenas cumprir a cassação, seguindo a decisão da Justiça.
"O rito adotado foi equivocado e abre um precedente perigoso, já que a Câmara está na iminência da discussão da perda do mandato dos mensaleiros”, diz o líder do PSDB na Casa, Carlos Sampaio (SP).
Para o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), o erro se deu na conduta do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que decidiu levar o caso ao escrutínio do plenário. “Isso não é competência do plenário nem de comissão. Foi uma interpretação totalmente equivocada da Mesa”, diz Freire.
Condenado a 13 anos e 4 meses de prisão, Natan Donadon continuará sendo deputado - embora o presidente da Câmara tenha afasado o presidiário de suas funções e convocado o suplente, o ex-senador Amir Lando, em uma decisão unilateral tomada após o resultado da votação desta quarta.
Os pedidos de PSDB e PPS, no entanto, têm poucas chances de prosperar porque a maioria dos ministros da corte já havia se posicionado sobre o tema, decidindo que a Câmara tem autonomia para dar a palavra final sobre o assunto.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Um zumbi na Casa do Espanto
NELSON MOTTA
"Não acredito", bradou aos céus o deputado Natan Donadon, caindo de joelhos em patética pantomima, quando viu no placar da Câmara 131 votos a favor, 41 abstenções e 108 bem-vindas ausências, que mantinham o seu mandato e o consagravam como o primeiro deputado-presidiário da nossa história. Que ronco das ruas que nada, eles não ouvem e não têm medo, e mais uma vez votaram, ou fugiram, em causa própria, porque também acumulam processos na Justiça e podem ser o Donadon de amanhã.
"Não a-cre-di-to" digo eu, dizemos nós, diante da cena inacreditável, mas quando se trata dos 300 picaretas que Luiz Inácio falou deve-se acreditar em tudo, porque de tudo eles são capazes. Nunca na história deste país houve um deputado-detento, mas Lula agora diz que fica puto quando falam mal de políticos.
Zoologicamente é fácil identificá-los: andam em bandos, têm pelagem acaju, negro graúna ou raposa prateada, alimentam-se de verbas públicas e são pacíficos e afáveis, condição necessária para seus golpes e tramoias, mas quando ameaçados podem se tornar hostis e violentos em defesa dos privilégios e impunidades do bando. Seu habitat natural é a Câmara dos Deputados.
Donadon é o símbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que existe para dar voz e poder aos representantes dos eleitores, mas, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado pelo STF, que teve amplo direito de defesa e usou todos os recursos e chicanas para retardar o processo.
Aprendi com meu pai que é covardia tripudiar sobre os caídos, que a compaixão beneficia mais quem se compadece do que ao compadecido, que perdoar é mais leve do que carregar o saco do rancor e do ressentimento. Mas no caso desse picareta foram ele e seus colegas de trabalho que tripudiaram sobre todos os cidadãos honestos e as instituições democráticas.
E também sobre os presidiários. Reclamando da comida, da falta de água, das algemas, do camburão "escuro como um caixão", viveu a realidade diária dos presos brasileiros, a maioria por crimes menores que os dele, que prejudicaram toda a sociedade.
"Não a-cre-di-to" digo eu, dizemos nós, diante da cena inacreditável, mas quando se trata dos 300 picaretas que Luiz Inácio falou deve-se acreditar em tudo, porque de tudo eles são capazes. Nunca na história deste país houve um deputado-detento, mas Lula agora diz que fica puto quando falam mal de políticos.
Zoologicamente é fácil identificá-los: andam em bandos, têm pelagem acaju, negro graúna ou raposa prateada, alimentam-se de verbas públicas e são pacíficos e afáveis, condição necessária para seus golpes e tramoias, mas quando ameaçados podem se tornar hostis e violentos em defesa dos privilégios e impunidades do bando. Seu habitat natural é a Câmara dos Deputados.
Donadon é o símbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que existe para dar voz e poder aos representantes dos eleitores, mas, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado pelo STF, que teve amplo direito de defesa e usou todos os recursos e chicanas para retardar o processo.
Aprendi com meu pai que é covardia tripudiar sobre os caídos, que a compaixão beneficia mais quem se compadece do que ao compadecido, que perdoar é mais leve do que carregar o saco do rancor e do ressentimento. Mas no caso desse picareta foram ele e seus colegas de trabalho que tripudiaram sobre todos os cidadãos honestos e as instituições democráticas.
E também sobre os presidiários. Reclamando da comida, da falta de água, das algemas, do camburão "escuro como um caixão", viveu a realidade diária dos presos brasileiros, a maioria por crimes menores que os dele, que prejudicaram toda a sociedade.
"Donadon é o símbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado".
Publicado no Globo de hoje.
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