segunda-feira, 6 de maio de 2013

Os bancos novatos querem briga



Bancos altamente especializados, que atendem pouca gente, mas prometem serviços melhores, estão sendo criados aqui. Dá para competir com os grandões?

Germano Lüders/EXAME.com
Guilherme Benchimol, sócio da XP
Benchimol, sócio da XP: o plano é criar um banco 100% virtual para poucos investidores
São Paulo - Para os bancos, assim como para as empresas de varejo, ser grande é uma vantagem e tanto. Quem tem escala para se espalhar pelo país conquista mais clientes e consegue diluir custos com tecnologia e funcionários.
Tamanho ajuda até na hora do aperto — como a crise internacional mostrou, nenhum governo está disposto a deixar gigantes financeiros quebrar, por mais estripulias que tenham feito com o dinheiro dos clientes, já que as consequências para a economia são imprevisíveis.
No Brasil não tem sido diferente: os grandes só ficam maiores. Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Bradesco e Santander respondem por quase 70% dos ativos do sistema bancário. Por tudo isso, o mercado financeiro tem sido um terreno árido para empreendedores.
Quem, afinal, tem disposição para enfrentar uma concorrência tão forte? É surpreendente, portanto, que haja no país uma nova leva de bancos em gestação. O plano dos novatos é justamente atuar no vácuo deixado pelos grandes — sem concorrer em todas as frentes, mas aproveitando-se da crescente insatisfação dos correntistas.
A XP, que surgiu há 13 anos como uma corretora e se tornou a maior empresa de investimento do país, acaba de finalizar o projeto para criar um banco.
O plano, que será apresentado ao Banco Central em junho, prevê que os 120 000 clientes tenham uma conta-corrente “virtual”, que permitirá fazer pagamentos, transferências e saques em caixas 24 horas. “Toda vez que um investidor nosso precisa fazer uma transação bancária, ele tira o dinheiro daqui e manda para um banco.
Queremos concentrar tudo conosco e prestar um serviço melhor”, diz Guilherme Benchimol, um dos fundadores da XP. No papel, a conta faz sentido — mas é preciso ver como tudo se dará na prática. O plano é oferecer mais alternativas de investimento e também empréstimos com juros mais baixos, já que os clientes poderão dar suas aplicações como garantia.
Ao mesmo tempo, o banco XP ficará de fora de segmentos como seguros e cartões de crédito (assim, seus clientes não vão receber ofertas de produtos que não tenham nada a ver com seu perfil). Parte do investimento inicial de 70 milhões de reais no projeto virá dos fundos de private equity Actis e General Atlantic, que têm 41% do capital da XP. 
No topo e na base da pirâmide
Há instituições que veem espaço para conquistar a clientela endinheirada e outras que querem ganhar a baixa renda. O banco Original, controlado pela J&F, holding dona do frigorífico JBS, encaixa-se no primeiro grupo. Henrique Meirelles, presidente do conselho de administração da J&F, está há seis meses contratando parte de sua equipe dos tempos em que dirigiu o BankBoston, na década de 90.
O J&F também está investindo em tecnologia para transformar o Original, especializado em financiar o agronegócio, num banco voltado para a alta renda. Segundo executivos que acompanham o negócio, o projeto não está finalizado, mas prevê que 90% das transações sejam por internet e que os clientes tenham acesso a novas opções de investimento e assessoria financeira. Procurado, Meirelles não deu entrevista. 
Na ponta oposta, há quem busque atrair a classe C. Uma das principais iniciativas nesse campo é a da companhia de telecomunicações Telefônica e da bandeira de cartões Mastercard.
Juntas, elas criaram a MFS, empresa de pagamentos que oferece contas pré-pagas aos clientes da operadora de telefonia móvel Vivo. Funciona assim: o cliente compra um número de conta, assim como compra um número de celular, e coloca créditos nela para fazer depósitos e pagamentos, transferir dinheiro e checar saldo — tudo pelo celular ou via um cartão emitido pela Mastercard, que permite fazer saques e pagamentos.
“Queremos chegar à população que nunca teve conta em banco e não quer gastar o que tem com tarifas”, diz Marcos Etchegoyen, presidente da MFS. A comunicação ocorre basicamente por mensagens de texto, que não são cobradas. Segundo a Vivo, 21 milhões de seus 180 milhões de clientes não têm conta em banco.
Bancos de nicho são uma realidade no exterior. Um estudo da consultoria Accenture mostra que estão em funcionamento pelo menos 20 deles no mundo. O slogan de um deles, o americano Simple, é “O banco que não é uma porcaria”.
Quando um cliente liga para seu call center, é direcionado ao mesmo funcionário que o atendeu anteriormente e tem seu histórico. Outros oferecem serviços de consulta de saldos e pagamentos de contas via TV a cabo.
Outro ponto importante: a maioria só cobra tarifas pelo serviço que o cliente usa, e não um valor fixo mensal que inclui taxas para produtos nunca utilizados. No mundo todo, a prioridade desses bancos é ter mais serviços, e não um grande volume de empréstimos — o que faz com que sejam menos dependentes de capital. Isso é importante: captar recursos é o grande problema dos bancos médios tradicionais do Brasil. 
Não é a primeira vez que o país vive uma onda de bancos “alternativos”. Em 2000, o Unibanco criou, em parceria com o grupo de telefonia Portugal Telecom, o Banco Um.Net, cuja proposta era ser uma instituição 100% virtual, mas com todos os produtos e serviços dos concorrentes tradicionais.
O projeto foi abandonado no ano seguinte. Executivos de mercado atribuem o fracasso às limitações de acesso à internet daquela época.
Hoje, quase metade dos correntistas usa algum serviço bancário na internet. E muitos estão insatisfeitos com seus bancos — só em fevereiro, o BC recebeu 5 700 reclamações de clientes das cinco maiores instituições. É improvável, claro, que esses novos bancos mudem a estrutura do mercado nacional.
Como oferecem um número limitado de produtos e serviços, eles dificilmente serão o único banco de seus clientes. Mas podem ser a opção preferida para alguma transação específica — por exemplo, fazer investimentos. “Os clientes estão atrás de conveniência, e bancos de nicho podem oferecer isso”, diz o consultor Boanerges Freire, especialista em varejo financeiro. Nesse caso, ser pequeno ajuda.

domingo, 5 de maio de 2013

O PRIMEIRO “VÉIO” A GENTE NUNCA ESQUECE



Marc Aubert
Coisa de vinte anos atrás fui ao borracheiro especializado em vulcanização de pneu rasgado, retirar o que eu havia deixado lá dois dias antes, porque não dava para comprar um novo. Sobrava mês no fim do salario. Atendeu um garoto de uns quinze anos, perguntou o que eu queria e depois, entreabrindo a porta que dava para a oficina, gritou: – Pai, tem um “véio” que veio buscar um pneu. fat-belly-222x300
Foi um choque, mas mesmo assim não pude conter o riso, pois pensei que esse tipo de coisa só ia acontecer dali a uns vinte anos. Acostumado a você, rapaz, moço, jovem, o primeiro choque vem com o primeiro senhor. Que eu me lembre, o meu veio quando virei gerente e ganhei uma secretária; não incomodou muito, mas concedo que a transição não se deu sem traumas. Senhor também é substituído, em geral pelas suas costas, por “aquele véio ali”, num momento de raiva ou desprezo, quando você não estiver ouvindo. Se você produziu filhos, assinou compulsoriamente o termo aditivo que lhe empurrará automaticamente o epiteto “véio” quando seus filhos  (netos também) alcançarem a adolescência, que é o extremo oposto desse estado de decadência galopante em que você se encontra, do ponto de vista deles, claro. Descobrirá por si mesmo que existe música de véio, dança de véio, roupa de véio e até gírias tão véias quanto você. Existe até um olhar que trocam entre si ou quando ouvem algo que não se enquadra em sua visão do mundo, meio que rolando o globo ocular para o alto e que, traduzido, lhe coloca de volta no mesmo lugar, a velhice ignorante e burra.
Os operadores de telemarketing nos legaram duas grandes mudanças vernaculares: frases com três verbos, tipo “A gente vai estar fazendo uma requisição técnica”, e o uso de senhor como forma de etiqueta no trato com o público, tipo “não posso fazer nada, senhor” recitado entre dentes e que na realidade significa “vai se foder, véio chato do carai”. E não adianta, a partir do momento que você é enquadrado na categoria de véio, não tem volta; tem atenuantes como véio charmoso se você for parecido com Sean Connery (depois de véio); véio simpático, se lembrar Ziraldo; véio bonito, se o seu tipo for o de Stewart Granger, que o leitor nem sabe quem foi, um famoso artista de Hollywood. Tem também agravantes: véio metido a besta, se dirigir um buggy; véio seboso, se você for careca e usar um rabo de cavalo e uma barba mal cuidada; véio enxerido, se resolver jogar charme em cima de ninfetas; e tem o imbatível: aquele véio barrigudo, auto explicativo.

Um técnico com métodos de treino muito duros



POR ET BARTHES

Mesmo que você não entenda inglês, vai ver as razões para o técnico Mike Rice ser demitido. O homem é uma fera... tem muita pancadaria para cima dos atletas durante os treinos. 



POBRE NORDESTE



Giulio Sanmartini
O miserável sertão do Nordeste brasileiro, foi é, e pelo andar da carruagem, continuará sendo o exemplo mais cruel da votação de cabresto e do anacrônico coronelismo.
Nas vitórias das eleições presidenciais do Partido dos Trabalhadores, foi de uma importância decisiva.???????????????????????????????
Antes de 2006 a distribuição de votos para presidente repetia no Nordeste a divisão nacional, com variações sempre abaixo de 6 pontos percentuais.
A partir desse ano o Nordeste passou a pesar de forma definitiva nas vitória do Partido dos Trabalhadores, como se pode contatar nas eleições presidenciais: no segundo turno a diferença entre Lula e Geraldo Alckmin (PSDB) foi de 20 milhões de votos, mas sem o nordeste está passaria a ser de 6 milhões. O fato continuou na mesma toado em 2010, quando Dilma Rousseff dos 12 milhões de votos a mais que José Serra, 10,7 milhões vieram do Nordeste.
Um exemplo que nos dá o espelho do que acontece no interior da região, pode ser constatado no município de Calumbi (PE), apesar de ter somente 6 mil habitantes, representa o que acontece em muitos outros município da região.
O PT domina 90% do eleitorado e a economia da região vem da agricultura, com lavouras temporárias de feijão, mandioca e milho e lavoura permanente de algodão herbáceo e banana. Todavia a grande entrada de dinheiro vem do Bolsa Família, que se transformou num moeda para comprar votos.
Assolado pela maior seca dos últimos 50 anos, o Nordeste está devastado. Mais de 1.000 municípios já declararam estado de calamidade pública, e 20 milhões de pessoas sofrem com a escassez de chuvas.
Situação que interessa ao PT pois é o estrume que servirá para adubar-lhe as urnas.
Hoje provoca frouxos de risos indignados o dístico do Partido quando chegou ao governo: “Vamos mudar tudo isso que está aí”. Certo que mudaram, mas para muito pior.
(1) Texto de apoio: Leopoldo Mateus.

sábado, 4 de maio de 2013

Enquanto isso, em Roma, a solidariedade (só que não) aproxima os corações



Posted: 03 May 2013 06:59 PM PDT

Brasil será um dos 10 países mais violentos do planeta



Posted: 03 May 2013 12:58 PM PDT

A partir de um cruzamento de dados entre número de homicídios e o IDH, chegou-se a conclusão que países com alto índice contam com menos violência. “Essa pode ser uma excelente pista para as políticas públicas de prevenção da criminalidade”

Não existe relação direta entre a miséria e a violência (há países miseráveis com baixo índice de violência não institucional e países ricos com alto índice de violência – caso dos EUA). A mesma coisa não se pode afirmar sobre a desigualdade, que gera sensação de injustiça, privilégios para as classes de cima, desgraça para as classes de baixo, funcionamento injusto da Justiça, má distribuição da riqueza, sensação de desequilíbrio etc.
Fizemos no Instituto Avante Brasil a relação e a comparação entre a violência (homicídios) e o índice IDH dos 20 países mais violentos com os 20 países menos violentos do planeta. Notará o leitor que, em regra, país menos violento tem alto índice de IDH (e vice-versa). Claro que a regra tem exceções (mas as exceções existem para confirmar as regras). São 187 os países examinados.
Vejamos:
De acordo com os dados divulgados pela UNODC (Escritório para assuntos de Drogas e Crimes da ONU) os países com os maiores índices de violência estão localizados principalmente na África e América Central: Honduras (120º no IDH), El Salvador (107º no IDH), Costa do Marfim (168º no IDH), Venezuela (71º no IDH), Belize (96º no IDH), Jamaica (85º no IDH), Guatemala (133º no IDH), São Cristóvão e Nevis (72º no IDH), Zâmbia (163º no IDH) e Uganda (161º no IDH), Malauí (170º no IDH), Lesoto (158º no IDH), Trinidad e Tobago (67º no IDH), África do Sul (121º no IDH), Colômbia (91º no IDH), Congo (142º no IDH), República Centro Africana (180º no IDH), Brasil (85º no IDH), Etiópia (173º no IDH) e Santa Lúcia (88º no IDH). O melhor IDH é o 67º (Trinidad e Tobago). Somente 8 estão abaixo da colocação de número 100. Países mais violentos, em regra contam com baixo índice de IDH.
Os vinte países com as menores taxas de homicídio estão em sua maioria na Europa e na Ásia: Palau (52º no IDH), Hong Kong (13º no IDH), Cingapura (18º no IDH), Islândia (13º no IDH), Japão (10º no IDH), Brunei Darrusalam (30º no IDH), Noruega (1º no IDH), Áustria (18º no IDH), Eslovênia (21º no IDH), Omã (84º no IDH), Suíça (9º no IDH), Emirados Árabes (41º no IDH), Espanha (23º no IDH), Alemanha (5º no IDH), Estados Federados da Micronésia (117º no IDH), Vanuatu (124º), Qatar (36º no IDH), Nova Zelândia (6º no IDH), Dinamarca (15º no IDH), respectivamente.
Países com alto índice de IDH contam com menos violência. Dois países apenas com IDH acima de 100.
A relação entre baixo índice de IDH, mais violência, e alto índice de IDH, menos violência, está constatada. Essa pode ser uma excelente pista para as políticas públicas de prevenção da criminalidade. E um excelente antídoto para a trampa de que só com repressão se resolve esse problema. O Brasil, que ocupava até pouco tempo a 20ª posição no ranking dos países mais violentos, agora passou para o 18º lugar. Em breve (se as mortes continuarem no ritmo atual) chegaremos ao rol dos 10 países mais violentos do planeta.

* Luiz Flávio Gomes, jurista e presidente do Instituto Avante Brasil, está no blogdolfg.com.br.

'Minha casa, minha vida' poderá ter centros de qualificação profissional



 

centro de qualificação profissional Os centros de qualificação profissional ficariam dentro dos condomínios do programa Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo

Para que beneficiados do programa "Minha casa, minha vida" possam ter acesso à educação, o deputado Dr. Jorge Silva (PDT-ES) criou um projeto que determina que centros de qualificação profissional sejam construídos dentro desses empreendimentos habitacionais. Segundo o parlamentar, a proposta pretende diminuir o tempo e os custos de deslocamento entre a casa do morador e o curso. Silva acredita que o projeto torna a capacitação possível, uma vez que muitos trabalhadores não estudam porque as aulas são ministradas muito distante de suas residências.

O projeto — que inclui a medida na lei que regulamenta o programa habitacional da União — prevê que o número de vagas nesses centros de capacitação seja proporcional à quantidade de moradias. A proposta, que está tramitando na Câmara dos Deputados, deverá ser analisada, de forma conclusiva, pelas comissões de Desenvolvimento Urbano; e Constituição e Justiça e de Cidadania.