quinta-feira, 12 de junho de 2014

CHARGE DO SPONHOLZ


João e Kim


postado em Artigos | Istoé

12/2013
Por Ricardo Amorim

João e Kim nasceram em 21 de junho de 1970, dia em que o Brasil ganhou a Copa do México. Os pais de Kim eram professores; os de João também. Kim sempre estudou em escola pública; João também. Kim ama futebol; João adora. Kim é da classe média de seu país; João também. Os pais de Kim já se aposentaram; os de João também. Kim e João trabalham na mesma empresa, uma multinacional líder mundial em tecnologia. Kim é engenheiro e ganha R$ 7.100,00 por mês. João não chegou a terminar o ensino médio, ganha R$ 1.900,00 por mês. Kim trabalha na sede da multinacional e é chefe do chefe de João, que trabalha aqui no Brasil.

Onde os caminhos de Kim e João se separaram? A cegonha deixou Kim na Coréia do Sul, João no Brasil. Em 1960, a renda per capita na Coréia era metade da brasileira. Em 1970, eram parecidas. Hoje, na Coréia, ela é três vezes maior do que a nossa.

Como as vidas de centenas de milhões de Kims e Joãos tomaram destinos tão diferentes em poucas décadas? Educação, educação e educação.

O país dos Kims investiu no ensino público básico, de qualidade e acessível a todos. O governo coreano gasta quase seis vezes mais do que o brasileiro por aluno do ensino médio. Na Coréia, um professor de ensino médio ganha o dobro da renda média local; no Brasil, menos do que a renda média. Com isso, os Kims estão sempre entre os primeiros lugares nos exames internacionais de estudantes de ensino fundamental e médio – muitas vezes, em primeiro lugar. Os Joãos, melhor nem falar.

Só após garantir uma boa formação básica e bom ensino técnico, os coreanos investiram em ensino universitário. Ainda assim, a Coréia tem 3 universidades entre as 70 melhores do mundo. O Brasil não tem nenhuma entre as 150 primeiras. Hoje, a Coréia do Sul é, em todo o mundo, o país com maior percentual de jovens que chega à universidade – mais de 70%, contra 13% no Brasil. De quebra, o país dos Kims forma 8 vezes mais engenheiros do que nós em relação ao tamanho da população de cada um. Tudo isso com um detalhe: a Coréia gasta menos com cada universitário do que o Brasil, mas forma 4 vezes mais PhDs per capita do que nós.

Para cada won gasto com a aposentadoria do pai de Kim, o governo coreano gasta 1,2 won com a escola do seu filho. No Brasil, para cada real gasto pelo governo com a aposentadoria do pai de João, ele gasta apenas R$ 0,10 com a escola do Joãozinho.

No ano que vem, os pais de Kim virão para a Copa do Mundo no Brasil. A mãe de João já tinha falecido, mas seu pai quis muito ir à Copa da Coréia e do Japão em 2002, mas não tinha dinheiro para isso. Há um ano, ele está fazendo uma poupancinha e ainda está esperançoso em ser sorteado para um dos ingressos com desconto para idosos para ver um jogo da Copa de 2014, nem que seja Coréia do Sul x Argélia. Como os ingressos com descontos são poucos e concorridos, as chances de Seu João são baixas. Se conseguir, quem sabe ele não se senta ao lado do Sr. e Sra. Kim. Pena que Seu João não teve a chance de estudar inglês. Eles poderiam conversar sobre os filhos…

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

Tânia Mara - Só Vejo Você (Clipe Oficial)

CHARGE DO SANTIAGO


O medo da trinca informa: Lula, Dilma e Ricardo Teixeira já perderam a Copa



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Lula verá os jogos da Copa enfurnado em casa. Não dará as caras sequer no Itaquerão, que não existiria sem a intervenção do mais influente torcedor do Corinthians: foi o camelô de empreiteira quem agenciou a entrada no negócio da Construtora Odebrecht e induziu o BNDES a bancar a obra bilionária. Passou anos sonhando com as ovações que ouviria ao irromper nas arenas das 12 subsedes. O medo da vaia o obrigou a descobrir que nada combina mais com futebol que transmissão pela TV e cerveja da geladeira na cozinha.
Ricardo Teixeira verá os jogos da Copa enfurnado em Miami. Andou circulando pelo Rio na semiclandestinidade, mas nem esperou o apito inicial para refugiar-se de novo no suntuoso esconderijo na Flórida. “Ele não quer se expor a manifestações de hostilidade”, confessou  um amigo do ex-supercartola que sonhava com o trono da Fifa antes de entrar na lista dos prováveis convocados para a seleção da Interpol.
Dilma Rousseff imaginou que a Copa de 2014 seria a penúltima e mais gloriosa etapa da campanha para um segundo mandato tão inevitável quanto a mudança das estações. No momento, tenta criar coragem para participar da cerimônia de abertura. Mas já avisou que nada no mundo fará com que se arrisque a abrir a boca diante da multidão. Medo de vaia nunca fez bem a cordas vocais.
“Milhões de brasileiros têm sido tratados como se fossem todos patriotas de galinheiro ou otários profissionais”, constatou um trecho do post reproduzido na seção Vale Reprise. Se lhes restasse algum juízo, os embusteiros teriam levado em conta a advertência resumida no título: “A farra bilionária dos vigaristas que forjaram o conto da Copa vai acabar acordando a multidão de lesados”.
Deu no que deu. Ninguém sabe se a Seleção vai ou não ganhar o hexa. O que o pavor da trinca já deixou claro é que Lula, Ricardo Teixeira e Dilma perderam a Copa que nem começou.

LEI DA COPA: UMA AFRONTA AO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO


Via Congresso em Foco -

“O governo está permitindo que a Fifa mande e desmande, desrespeitando e humilhando o povo brasileiro, e a Lei Geral da Copa está no centro de todo esse processo”, diz advogado, que também acusa o Ministério Público de omissão.

A Lei Geral da Copa é uma afronta ao povo brasileiro. O Judiciário brasileiro deveria ter exigido respeito às regras e leis já existentes, assim como à Constituição Federal, que garantem ao povo brasileiro direitos, deveres e soberania. Gostamos de futebol e o país poderia realmente ter realizado esta Copa. Contudo, não precisava alterar temporariamente nosso ordenamento jurídico como uma republiqueta de bananas de Terceiro Mundo para que a Fifa aqui realizasse os jogos. Não se demonstrou seriedade política alguma; se as leis podem ser silenciadas, suspensas ou alteradas para atender a uma instituição futebolística, como considerar este um país sério e seu ordenamento jurídico eficaz?

Criamos uma coletânea de leis de exceção, editadas em todos os níveis federativos do país, visando à execução do evento de forma a garantir o lucro da Fifa, de seus patrocinadores e de seus parceiros nacionais e internacionais, ampliando o canal de repasse de verbas públicas a particulares, flexibilizando normas legais e cerceando o espaço público brasileiro.

A Lei Geral da Copa é uma afronta ao ordenamento jurídico nacional porque, longe de proteger o interesse público, tem por base contratos e compromissos particulares, ou seja, interesses privados que vêm suspendendo leis vigentes no país durante o evento para que seus organizadores obtenham lucros além do que permite as legislação consolidada do Brasil. Além disso, a nova regra fere a Constituição Federal ao comprometer o direito de ir e vir dos brasileiros que residem nas proximidades dos estádios e serão obrigados a possuir credenciais para chegarem as suas casas.

Segundo a Constituição Federal, quanto ao direito de ir e vir, “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. A mesma Lei Geral da Copa avança sobre “leis de segurança”, “leis de isenção fiscal”, “leis de restrição territorial”, “lei penal”, “artigos sobre liberações de visto”, estabelecendo procedimentos judiciais, criminalizando atos e estabelecendo urgência para julgá-los, com validade de vigência e eficácia, mediante representação da Fifa, um verdadeiro absurdo, conforme transcrito a seguir: 

“Art. 36. Os tipos penais previstos neste Capítulo terão vigência até o dia 31 de dezembro de 2014.” 

Além disso, o artigo 13-A do Estatuto do Torcedor, que proíbe “em todo o território nacional o porte de bebidas alcoólicas em eventos esportivos”, foi suspenso até o final da Copa para que o patrocinador possa vender bebidas nos jogos. Isso é uma afronta ao Estatuto do Torcedor e à soberania nacional.

O governo está permitindo que a Fifa mande e desmande, desrespeitando e humilhando o povo brasileiro. A Lei Geral da Copa está no centro de todo esse processo e consolidará uma Copa do Mundo excludente e com graves prejuízos ao povo brasileiro. Veja-se, inclusive, que o artigo 19 determina que sejam concedidos, sem qualquer restrição, nacionalidade, raça ou credo, vistos de entrada no Brasil. Portanto, a Fifa impõe obrigações ao Brasil afrontando a legislação relativa às fronteiras e à concessão de visto. É mais um absurdo legal, colocando a União em posição de submissão à Fifa, impondo-lhe, inclusive, a responsabilidade por quaisquer danos e prejuízos em um evento privado (artigos 22, 23 e 24).

Outro descalabro restringe a liberdade de expressão e a criatividade brasileira, pois nada que envolva a Copa pode ser feito sem a autorização da Fifa. Qualquer um que utilizar os símbolos da Copa, até a imprensa, pode ser processado. Trata-se de uma afronta transformar o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em uma espécie de “bolsa de negócios privado”, abrindo caminho para abusos nas reservas de patente.

O Brasil tem que ter muito cuidado com essa lei porque, embora supostamente transitória, poderá incorporar-se definitivamente em nosso Direito, já que o atual governo não enfrenta a Fifa e pode aproveitar-se deste momento de mudança e de flexibilização das leis para perpetuá-las e perpetuar-se no poder. São leis casuísticas e perigosas. Será que nas Olimpíadas haverá novas alterações nas leis?
Exigimos respeito à Constituição Federal e às regras e às leis já existentes, que garantem ao povo brasileiro direitos e soberania. Onde está o Ministério Público, cuja função precípua é fiscalizar as leis e proteger a Constituição, que não se opõe a esse absurdo? 

* Texto de João Clair Silveira, advogado no Rio Grande do Sul.

ERA ‘BRINCADEIRA’, DIZ LULA SOBRE CRÍTICAS À POLÍTICA ECONÔMICA DE DILMA



Ricardo Galhardo
O Estado de S. Paulo
São Paulo – Cinco dias depois de ter reclamado da escassez de créditocausada pela política econômica do governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou suas diferenças em relação à sucessora. Em rápida entrevista na noite de terça-feira, em São Paulo, Lula disse que estava apenas brincando quando alfinetou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, durante palestra em Porto Alegre, na sexta-feira, e fez questão de não deixar dúvidas quanto à sua sintonia com Dilma.
“Não tem divergência, não. Eu sou do governo”, disse Lula, depois de participar do Fórum Empresarial América Latina e Caribe no Auditório do Ibirapuera.
Na última sexta, 6, em evento promovido pelo jornal El País, Lula disse que “se depender do pensamento do Arno você não faz nada”, comparou o secretário do Tesouro a um tesoureiro de sindicato e cobrou publicamente Arno Augustin a explicar qual o motivo de controlar o crédito se não existe inflação de demanda no país.
Nesta terça, Lula disse que as referências ao secretário do Tesouro foram brincadeiras mal interpretadas pela imprensa.
“Eu fiz uma brincadeira e a imprensa transformou numa coisa séria como se fosse uma divergência profunda. Eu brinquei com ele (Augustin) dizendo que dá para liberar um pouquinho de crédito. Ele não ficou bravo, só vocês (jornalistas) é que acharam que foi divergência”, disse o ex-presidente.