quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Financiar imóvel na Caixa nem sempre é mais barato; compare


  fonte: Exame

Simulação mostra que tarifas e seguros da Caixa podem tornar financiamento 90 mil reais mais caro do que em bancos privados


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Miniaturas de casas em meio a moedas: financiamentos devem ser comparados pelo Custo Efetivo Total, e não pelos juros – Stock.xchng

Quando o assunto é financiamento de imóveis, a imagem da Caixa automaticamente vem à cabeça de muita gente. Mas, apesar de o banco realmente ter algumas das taxas de juros mais vantajosas do mercado, quando outros custos são incluídos, o valor final do financiamento pode ser mais de 90 mil reais mais barato nos bancos privados.

Essa é a conclusão de uma simulação realizada a pedido de EXAME.com pelo site de comparação de produtos financeiros Canal do Crédito, que comparou os custos de financiamentos realizados na Caixa e em bancos privados em um prazo de 30 anos.

Os financiamentos foram simulados para um imóvel de 500 mil reais, que entra no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e outro de 1 milhão de reais, que fica de fora do sistema. O SFH é um sistema de financiamento regulado pelo Banco Central por meio do qual os bancos utilizam recursos da poupança e doFGTS para quem contrai financiamentos de até 750 mil reais. Pela maior regulação, os financiamentos pelo SFH costumam ter taxas menores.

Veja nos quadros a seguir a comparação entre os custos dos financiamentos realizados na Caixa e dos financiamentos mais baratos encontrados pelo Canal do Crédito para os bancos privados Bradesco, HSBC, Itaú e Santander:

Imóvel de 500 mil reais

BancoCom pacote de serviços? JurosCusto Efetivo Total1ª Prestação Valor do principal Valor pago com jurosSeguros e taxa de adm.Total
CaixaNão8,85%9,65%R$ 4.105,15R$ 400.000,00R$ 512.024,85R$ 62.692,51R$ 974.717,36
Sim8,30%9,10%R$ 100.000,00R$ 400.000,00R$ 481.333,82R$ 62.692,51R$ 944.026,33
Bancos Privados (melhores condições entre Itaú, Bradesco, HSBC e Santander)Não8,90%9,62%R$ 4.140,43R$ 400.000,00R$ 511.954,63R$ 45.626,60R$ 957.581,23
Sim8,40%9,12%R$ 100.000,00R$ 400.000,00R$ 486.926,32R$ 45.626,60R$ 932.552,92

Imóvel de 1 milhão de reais

BancoCom pacote de serviços? JurosCusto Efetivo Total1ª PrestaçãoValor do principalValor pago com juros Seguros e taxa de adm.Total
CaixaNão9,40%10,06%R$ 8.498,77R$ 800.000R$ 1.085.143R$ 107.385,06R$ 1.992.528,08
Sim8,60%9,27%R$ 200.000R$ 800.000R$ 996.180R$ 107.385,06R$ 1.903.565,57
Bancos Privados (melhores condições entre Itaú, Bradesco, HSBC e Santander)Não9,50%10,14%R$ 8.624,85R$ 800.000R$ 1.096.217R$ 82.253,20R$ 1.978.470,75
Sim8,80%9,44%R$ 200.000R$ 800.000R$ 1.018.480R$ 82.253,20R$ 1.900.733,32

*Fonte: Canal do Crédito

**Para ambas as simulações foi usado o perfil de uma pessoa entre 36 a 40 anos, mas no primeiro caso a renda mensal considerada foi de 15 mil reais e no segundo de 30 mil reais. Na primeira simulação foi considerada uma entrada de 100 mil reais e na segunda de 200 mil reais.

***Os financiamentos foram simulados pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual o valor amortizado mês a mês é constante, mas no início do financiamento são pagos mais juros do que no final, o que faz com que as parcelas diminuam com o tempo. 
A despeito da crença corrente, de que a Caixa sempre tem os custos mais vantajosos, a simulação permite concluir que sai perdendo quem não faz simulações em diferentes bancos para verificar qual deles oferece as melhores condições.
“Mesmo os clientes de alta renda têm na cabeça que o melhor banco é sempre a Caixa. Esse mito ainda precisa ser derrubado. As pessoas hoje sabem que existem outros bancos para financiar imóveis, mas a sensação é de que a Caixa sempre tem taxas menores”, comenta Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito.
Se o cliente não contratar alguns serviços junto com o financiamento do imóvel, ele não consegue exatamente obter o melhor crédito do mercado. E quando outros custos do financiamento são incluídos, sobretudo os seguros, que são obrigatórios, a Caixa perde sua vantagem.
Como pode ser observado na tabela, a diferença do custo total do financiamento para alguém que não contrata os pacotes de serviços e para alguém que contrata, dentro da própria Caixa, ou entre a Caixa e os bancos privados, pode ser de mais de 90 mil reais.
Para conseguir as melhores taxas do banco no financiamento, conforme Prata explica, o cliente precisa utilizar, portanto, o pacote de serviços que inclui: a abertura de uma conta com o limite do cheque especial ativo; o uso do cartão de crédito do banco; e a realização de movimentações.“Como a parcela do financiamento é debitada na conta da Caixa, de qualquer forma o cliente vai movimentar dinheiro todo mês lá, mas ele ainda precisará usar o cartão de crédito do banco”, explica o presidente do Canal do Crédito.
Segundo ele, os outros bancos também costumam condicionar a contratação de pacotes de serviços a melhores taxas.  Ainda que esse tipo de estratégia possa soar como uma venda casada, Prata ressalta que, como o cliente é livre para fazer o financiamento contratando o pacote de serviços ou não, e como isso é pactuado entre as partes previamente, a prática é legal.
Seguros desbancam vantagens da Caixa 
Por mais que o cliente não se incomode com a contratação do pacote de serviços da Caixa, ou transfira a conta para a Caixa em busca das menores taxas, ainda assim o custo do financiamento pode ser superior ao da concorrência por conta dos seguros.
Segundo disposição do Banco Central, todo financiamento deve incluir o pagamento de dois seguros: o seguro para Morte e Invalidez Permanente (MIP), que quitará o saldo devedor do financiamento em caso de falecimento do mutuário ou invalidez; e o seguro de Danos Físicos do Imóvel (DFI), que cobre prejuízos causados ao imóvel por fatores externos. Ainda de acordo com o BC, os bancos devem oferecer apólices de pelo menos duas seguradoras – uma do próprio banco e outra concorrente.
Exatamente por causa desses seguros a Caixa perde sua vantagem. Na simulação é possível observar que as tarifas e seguros da Caixa chegam a ser 25 mil reais mais caros que os de outros bancos. Ainda que a conta englobe a taxa de administração junto aos seguros, Marcelo Prata explica que essa taxa é regulada pelo Banco Central e é limitada a 25 reais por mês. Portanto, o que mais pesa é de fato o seguro.
“A Caixa pode ter taxas de juros mais baixas, mas a seguradora da própria Caixa e a segunda opção de seguradora que ela oferece acabam tendo um peso maior que a fazem perder para os bancos privados”, explica o presidente do Canal do Crédito.
Ele afirma que para a simulação foram consideradas sempre as seguradoras com os valores mais baixos, que normalmente não são as seguradoras do próprio banco. Mesmo assim, a Caixa tem os valores de seguros mais altos.
Você não deve olhar apenas a taxa de juros
Não é raro que os compradores comparam os custos dos financiamentos apenas pelas taxas de juros. “A diferença que os seguros fazem no custo total não é uma informação corriqueira. As pessoas ainda comparam os custos ou pela taxa de juro, ou pelo valor da parcela. Mas a Caixa, por exemplo, divulga os valores das prestações sem incluir os seguros, ainda que posteriormente os seguros sejam embutidos na parcela”, diz Prata.
É por isso que especialistas batem tanto na tecla de que a comparação deve ser feita pelo Custo Efetivo Total (CET), taxa que engloba todas as despesas com o financiamento que vão além do valor efetivamente pago pelo imóvel.
O CET inclui os juros, os seguros MIP e o DFI, a tarifa mensal de serviços administrativos e a tarifa de avaliação do imóvel e impostos, quando aplicáveis, como o Imposto de Operações Financeiras (IOF).
O banco com menor custo para você pode não ser para outra pessoa
As taxas mostradas na simulação são aquelas que seriam oferecidas para um cliente médio, que não seria nem um cliente do segmento private, nem de baixa renda. Isso significa que, dependendo do perfil, as taxas podem ser maiores ou menores.
Conforme Marcelo Prata explica, as taxas variam muito de acordo com o relacionamento do cliente com o banco. Portanto, por mais que a Caixa tenha taxas médias menores do que o Bradesco, por exemplo, se um cliente tem um relacionamento antigo no Bradesco, ele pode conseguir taxas mais vantajosas do que na Caixa.
“Eu conheço pessoas que já conseguiram taxas de até 7,9% ao ano. É um caso fora da curva, mas a taxa depende do relacionamento que o cliente tem com banco. Se o cliente é private e tem investimentos, por exemplo, ele pode conseguir melhores condições”, diz Prata. Por isso, mesmo que seu banco tenha fama de ser caro, vale a pena consultar quanto ele cobraria pelo financiamento.
Fonte: Exame - Priscila Yazbek
OBS.:  Concordamos que sempre a melhor comparação é pelo Custo Efetivo Total – CET.
Lembramos que além da CET existe o CESH – Custo Efetivo do Seguro Habitacional, onde existe a possibilidade de comparação entre o custo dos seguros entre as diversas Seguradoras.

Sim, o Brasil tem castelos!

     Transcrito do Blog da Coldwell Banker Brasil

by Felipe R. Magalhães
Não é preciso sair do Brasil para conhecer castelos de pertinho. A gente mostra 24 construções brasileiras que são a cara da Idade Média européia.
Uns são herança da família real portuguesa, outros tomaram a arquitetura medieval emprestada da realeza para ostentar o poder da era dos barões do café. Há ainda as casas de gente comum, plebeus que transformaram suas residências em moradas de reis. Quem nunca ouviu comentários sobre os castelos maravilhosos do Velho Continente? Pois, saiba que não é preciso ir à Europa, nem sair do Brasil para ver um castelo medieval de pertinho. Descobrimos a existência de alguns castelos localizados em várias regiões do país para nobre nenhum botar defeito.
castelo_ilha_fiscal1O castelo da Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, foi projetado pelo engenheiro Adolpho José Del Vecchio para o Ministério da Fazenda, que pretendia ter ali um posto aduaneiro. Del Vecchio elaborou um projeto arquitetônico em estilo neo-gótico com inspiração nos castelos franceses do século 14. A construção levou quase oito anos e foi feita por portugueses e escravos, sendo finalizado em 1889, juntamente com a urbanização da ilha. castelo_batelO Castelo do Batel, em Curitiba foi inspirado nos castelos do Vale do Loire, na França. Em 1923 o cafeicultor Holanda Luís Guimarães adquiriu um grande terreno e encomendou o projeto do castelo ao arquiteto Eduardo Fernando Chaves.
006+castelo_simoes_lopesO Castelo Simões Lopes foi construído em 1922, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, por Augusto Simões Lopes, que foi prefeito, deputado e vice-presidente do Senado. A construção também já abrigou entidades culturais, como o Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, Academia Sul-Brasileira de Letras, Centro Literário Pelotense.
005+castelo_bivarDe propriedade particular de José Ronilson Dantas, o castelo de Bívar foi construído por volta de 1984, próximo ao Rio Carnaúba, no Rio Grande do Norte.
004+castelo_eldoradoCom 2142 m², o castelo Eldorado foi construído em Marilândia do Sul, Paraná. Os quatro andares abrigavam inúmeros aposentos, que foram construídos e decorados com todo luxo e conforto: escadarias, elevador, banheiro em mármore carrara, vitrais franceses e lustres de cristal tchecos. Muitos dos moradores locais acreditam que a família construiu tal castelo para servir de refúgio aos alemães contra a perseguição nazista da época.
002+castelo_pesqueira+EdvonaldoEdvonaldo Bezerra Torres, um empresário pernambucano de 47 anos, resolveu transformar suacasa num castelo cheio de minaretes da arquitetura árabe e contornos dos edifícios majestosos desenhados em Barcelona no final do século 19
001+castelo_joao_capaoJoão Ferreira, o João Capão, é pernambucano de Garanhuns, eletricista, tem 64 anos e tinha o sonho deconstruir um reinado. Um dia ele assistiu a um filme e viu suntuosos palácios de reis. Há 17 anos, João iniciou a construção do seu sonho. Já ergueu duas torres com ares medievais, um salão, um jardim com fonte e alguns “puxadinhos” que, em breve, se transformarão em aposentos.
castelo_ilha_fiscalConstruído na década de 20, o castelo de Itaipava, em Petrópolis, Rio de Janeiro, é uma reprodução dos castelos renascentistas. Projetado pelo arquiteto Lúcio Costa e seu amigo Fernando Valentim, foi erguido com materiais provenientes da Europa.
castelo_mouriscoO Castelo Mourisco hoje abriga a sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Sua arquitetura é a de um palácio inglês do período elizabetano, com suas torres, ameias e galerias.
011+castelo_Ricardo_RennandO castelo do Instituto Ricardo Brennand é o Museu de Armas São João. A construção no bairro da Várzea, no Recife, tem aspecto medieval, mas foi erguida há apenas seis anos, com mais de um milhão de visitas até hoje.
012+vila_medievalA Villa Medievalé um castelo que comporta um complexo cultural em São José dos Campos, São Paulo. A arquitetura é inspirada no castelo de Langeais, no Vale do Loire, na França, na Torre de Mounmouth, no País de Gales, e no castelo do príncipe alemão Von Earbach.
014+castelo_pedras_altas%282%29O Castelo de Pedras Altas, no Rio Grande do Sul, foi o centro das disputas políticas que provocaram a Revolução de 1923. A fortaleza feita em granito rosa desponta na paisagem isolada da região sul do estado com traços medievais, idéia de seu criador, Joaquim Francisco de Assis Brasil.
015+castelo_rua_apaO Castelo da rua Apa, no bairro de Santa Cecília, São Paulo, hoje enfrenta o abandono, após as histórias de sangue e glamour que o rondaram na década de 30. Na noite de 12 de maio de 1937, três membros de uma das mais abastadas e tradicionais famílias, os Reis, foram encontrados mortos no interior do castelinho.
016+castelo_museu_armas+petropolisPrédio em estilo medieval, construído em Petrópolis que chama a atenção pelo seu ar misterioso. Seu acervo reúne centenas de peças de diversos períodos, destacam-se baionetas, armas de fogo, estampas e gravuras militares, além de armas indígenas.
017+castelo_engadyO Castelo do Engady, construído pelo Padre Antenor Salvino, em 1974, é uma das principais atrações turísticas da região do Seridó, no Rio Grande do Norte. Construído em estilo mouro-medieval, o castelo foi a residência oficial do padre por vários anos. Hoje, funciona o Corpo de Bombeiros da cidade de Caicó.
007+chateau_lacaveO Château Lacave fica na cidade de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, e é o único castelo na América Latina a abrigar uma vinícola. Idealizado pelo empreendedor espanhol Juan Carrau, em 1968, o Lacave ocupa uma área de 70 mil m². Sua arquitetura é inspirada nos castelos espanhóis do século 11. Dentro dele, funciona uma vinícola e um restaurante no qual garçons e atendentes entram no cima medieval com roupas a caráter.
castelo_camelot3O Castelo Camelot é famoso em São Leopoldo, Rio Grande do Sul - lá funciona um motel temático, inspirado na lenda do Rei Artur. Sua arquitetura é inspirada nos castelos ingleses da Idade Média, um conjunto de pedras vermelhas encravado num bosque, com casamatas, torres e vielas. O mais curioso: no motel-castelo há uma suíte que lembra um calabouço, com direito a jaula e correntes barulhentas.
castelinho08_flamengoO Castelinho do Flamengo, no Rio de Janeiro, nada tem a ver com o time carioca. A construção erguida em 1916 no bairro do Catete e projetada pelo arquiteto italiano Gino Copede, serviu de residência do comendador português Joaquim da Silva Cardoso e sua esposa Dona Carolina, que viveram lá até 1932. Hoje, o castelinho abriga o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, que comporta uma videoteca, um auditório auditório, duas salas para cursos e workshops e uma sala para exposições de artes.

"Delação premiada", expressão malvada


Elio Gaspari, O Globo
Passou-se a chamar de “delação premiada” a conduta de uma pessoa que, tendo participado de um malfeito, decide colaborar com as autoridades em busca de alguma leniência. As duas palavras são usadas indevidamente e não constam de nenhum texto de lei. Quem colabora com o poder público não é um delator, nem a busca da leniência é prêmio.
Tomem-se os casos do pedreiro Amarildo, morto durante uma sessão de torturas, em junho, e do deputado Rubens Paiva, assassinado no DOI do Rio em 1971. PMs da UPP da Rocinha que testemunharam o episódio narraram-no ao Ministério Público e aos investigadores da Polícia Civil. O crime foi desvendado em poucos meses porque houve a colaboração. São delatores?
Na alta hierarquia do Exército prevaleceu o código do silêncio e, apesar de estarem vivos pelo menos cinco militares do plantel que testemunhou o que sucedeu a Paiva, o código prevalece há 42 anos.
Em agosto passado, depois de ter passado a colaborar com a investigação do propinoduto que funcionou no governo de São Paulo para favorecer um cartel que ganhava licitações, a empresa alemã Siemens viu-se atacada pelo próprio governo do estado. Respondeu com uma nota oficial denunciando “um ambiente contrário à transparência e ao diálogo e acaba premiando os que decidem acobertar as más práticas”.
Há pouco, um dos fiscais que participavam do esquema de mordidas montado na prefeitura de São Paulo passou a colaborar com a investigação. Apareceu a informação de que ele era conhecido pelo apelido de “o louco”. A ponderação entre o que roubou e o que ele vier a revelar dos roubos alheios será tarefa para o Ministério Público.
Em junho do ano passado, quando foi exposta a primeira rede de roubalheiras montada em torno do mercado imobiliário de São Paulo, a empresa canadense Brookfield desmentiu que se metesse em “atos ilícitos”.
A denúncia partira de uma ex-diretora. Quando explodiu a nova rede de achaques, a Brookfield abandonou a linha do silêncio e passou a colaborar com o Ministério Público. Contou que tomou mordidas que somaram R$ 4 milhões.
A Siemens e a Brookfield não colaboram com as autoridades porque são boazinhas, mas porque estão na frigideira dos mecanismos de combate à corrupção dos governos alemão e americano. Os mecanismos internacionais de combate à corrupção vêm humilhando seus similares nacionais.
As maracutaias da Confederação Brasileira de Futebol foram expostas pelo Judiciário suíço, que pegou a rede da Fifa. Os mesmos suíços estão no pé da Alstom (prima da Siemens no cartel paulista) há cerca de dez anos.
A satanização de quem colabora com a Viúva socorre os larápios e dá serviço aos seus advogados. Afinal, os honorários pagos pelos réus do mensalão ultrapassam, de muito, o ervanário de suas roubalheiras. Quando um delinquente colabora com a Viúva, quebra-se a corrente da felicidade que posterga processos e tumultua inquéritos.
O que o Brasil precisa é de mais negociações com os malfeitores interessados em colaborar com a Viúva. Há dias o governo americano fechou um acordo de US$ 1,2 bilhão com um gênio de Wall Street que admitiu fraudar negócios. O magnata foi apanhado graças a três anos de investigações e à colaboração de seis corretores.

Elio Gaspari é jornalista.

Barroso e Toffoli usam entrevistas a O Globo para pregar reforma política ao estilo da Nova Ordem


Posted: 04 Nov 2013 04:44 AM PST
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Se o cargo vitalício no Supremo Tribunal Federal lhe permitisse outro emprego, o ministro José Dias Toffoli, certamente, seria convidado para atuar no humorístico Zorra Total, depois de sua entrevista a O Globo, pregando que doações de empresas em eleições são quase extorsão. Luiz Inácio Lula da Silva, Antônio Palocci e José Dirceu, ex-companheiros petistas de Toffoli, correm o risco de morrer de tanto rir pela declaração do comandante jurídico da eleição de 2014 como futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que defendeu, também, a limitação de gastos com cabos eleitorais.

Foi tocante o discurso moralista de Toffoli, bem ao estilo do petista antes de assumir qualquer poder, publicado hoje em página inteira de O Globo: “Eu penso que o grande resultado dessas próximas eleições vai ser a leitura de um reflexo dessas manifestações, dessas frustrações que hoje a sociedade demonstra através de protestos públicos. Se aumentar o número de votos nulos, se aumentar o número de candidaturas ditas de protesto, isso vai se traduzir numa autoreflexão que a classe política terá de fazer”.

Ontem, o jornal da família Marinho abriu espaço para outra manifestação “suprema”. Foi do ex-advogado deles, Luis Roberto Barroso, há três meses ministro do STF. Ao contrário de Toffoli, que choveu no molhado, Barroso pontuou várias posições. Algumas que valem de reflexão para toda a sociedade brasileira no comportamento político civilizado. Outras, bem pessoais, demarcando posições que lhe trarão a oposição da Igreja católica, como o “direito das mulheres ao aborto, uniões homoafetivas, anencefalia, pesquisas com células-tronco embrionárias” – causas em que atuou antes de virar semideus no STF. Aliás, Barroso, que também advogou em favor do ex-terrorista italiano Cesare Battisti, também deixou clara a visão, majoritária na corte suprema, de que o STF “deve ser imune às paixões da opinião pública”.

Barroso reafirmou uma proposta bem cabível para colaborar no combate ao Governo do Crime Organizado no Brasil. O ministro sugeriu a criação, em Brasília, de duas varas federais de primeiro grau especializadas, uma em matéria criminal e outra em matéria de improbidade. Estas duas varas concentrariam as ações contra todas as autoridades que hoje têm foro privilegiado no Supremo. Acertadamente, Barroso pregou uma drástica redução no foro por prerrogativa de função, por não ser muito republicano e tratar desigualmente as pessoas. Também lembrou que o STF, corte eminentemente constitucional, “não é um tribunal preparado para conduzir processos em primeiro grau, ouvindo testemunhas, produzindo perícias, fazendo interrogatório”.

Em seu raciocínio moral, Barroso deu outro sugestão importante, para que o Brasil não descambe para o radicalismo e a barbarie: “Uma coisa que nós precisamos fazer no Brasil no debate público em geral, é trabalhar sob duas premissas civilizatórias importantes. A primeira: quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, é meu parceiro na construção de um mundo plural. Vinicius de Morais diz “bastar-se a si mesmo é a maior solidão” e eu acho isso também. A segunda coisa: a divergência deve focar no argumento, e não na pessoa”.

Ao defender a política como um gênero de primeira necessidade, Barroso fez uma pregação pouco parecida com a de Toffoli (o que sugere uma tática de pensamento consensual apresentada midiaticamente pelo STF para a opinião pública): “Quando as manifestações começaram, em junho, ainda na sua fase pacífica, que eu acho que foram muito importantes para o Brasil, despertaram o país de uma certa letargia. E achei que as manifestações fossem empurrar a agenda da reforma política. Voltamos a uma posição de imobilismo nesta matéria”. E o ministro acrescentou: “Quando as pessoas falam que há no Brasil excesso de judicialização, eu não acho. Acho que estamos com escassez de boa política. Portanto a gente precisa de uma reforma política. Chegamos a um impasse de novo”.

Barroso indicou três “coisas mínimas” para a reforma política: “Primeiro, baratear o custo das eleições. Boa parte da corrupção está associada ao financiamento eleitoral e está havendo um processo ruim em que o mundo ilícito começa a fazer parcerias frequentes com o mundo formal. O segundo capítulo do problema brasileiro é a necessidade de negociar a cada votação importante no Congresso com a moeda de troca que vai do loteamento de cargos ao fisiologismo. Em terceiro lugar, é preciso dar o mínimo de autenticidade programática partidária ao país. É preciso restabelecer a dignidade da política, e o sistema partidário brasileiro faz com que ele se torne uma espécie de balcão de negócios, o que é muito ruim, evidentemente”.

Ao reclamar que “o modo truculento como se faz política no Brasil afasta do debate ideias como patriotismo, compromissos com o País”, Barroso fez uma ressalva fundamental (e que devia servir de motivação positiva para os segmentos esclarecidos): “Existe muita gente boa no país. E é preciso ter em conta que os políticos não são recrutados em um universo diferente daquele em que são recrutados os juízes, os professores universitários, os militares. Nós todos somos recrutados na sociedade brasileira. Somos produtos de um mesmo ambiente e da mesma cultura”.

Barroso ressalvou que o processo civilizatório existe para reprimir o que as pessoas têm de ruim e potencializar o que elas têm de bom: “Todas as pessoas têm em si coisas boas e coisas ruins. A civilização consiste em você reprimir o que é ruim e valorizar o que é bom. O sistema eleitoral e partidário no Brasil faz exatamente o contrário. Ele reprime o que é bom e potencializa o que é ruim. O problema não é das pessoas, é de um modelo no qual as pessoas se inserem e acabam sendo enredadas por ele”.

Ao comentar o caso Battisti, para quem advogou no STF sobre os princípios da Anistia, Barroso fez um comentário que chama a atenção para o infindável conflito ideológico entre a esquerda e os militares que participaram do modelo pós-1964. Barroso filosofou, indiretamente, sobre essa guerra assimétrica: “Na vida existem missões de paz e missões de justiça. As duas são legítimas. Quem tem competência política, o poder político é que escolhe quando a missão deve ser de paz e quando deve ser de justiça. É meio enigmático, mas é o que eu acho”.

Rindo da pergunta feita pelo entrevistador de O Globo (o sr. diria que em 1979 foi o momento de fazer a paz e que em 2013 é hora de fazer justiça?), Barroso arriscou um comentário: “Diria que essa não é uma questão nem doutrinariamente fácil, nem politicamente fácil. E envolve escolhas trágicas.Qualquer opção que você faça tem custo alto. Não é possível decidir essa questão de maneira juridicamente fácil e moralmente barata”. Insatisfeito com a resposta, a reportagem insistiu com a pergunta ideológica: “Esquecendo a questão jurídica, o sr. acredita que o país já acertou as contas em relação às atrocidades cometidas durante a ditadura, ou ainda há um esqueleto no armário?”. Barroso escapou pela tangente: “Considero esse assunto tão importante que não gostaria de improvisar sobre ele. Gostaria de falar de forma mais elaborada. Se a questão voltar, eu vou fazer”.

Das declarações de Barroso e de Toffoli, ambas veiculadas exclusivamente por O Globo, fica no ar a tática de ministros do STF virem a público para tentar acalmar os ânimos na véspera da campanha eleitoral, que, apesar da falta de oposição concreta ao governo petista-peemedebista, promete ser uma das mais truculentas e radicais dos últimos anos, com alto risco de gerar fraturas institucionais.

Gatilho da Dilma



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Novembro de 2013.