quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O PT de Rosemary - Polícia Federal investiga se amante de Lula levou 25 milhões de euros na mala diplomática, o depósito teria sido feito em Portugal


TERÇA-FEIRA, 25 DE DEZEMBRO DE 2012



A história que envolve a ex-secretária da Presidência, Rosemary Noronha, a amante de Lula, e 25 milhões de euros em Portugal será oficialmente investigada pela Polícia Federal. Inicialmente, a denúncia foi feita pelo blog do deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Ela garantia que Rose havia levado o dinheiro em uma mala diplomática. A investigação preliminar deve ser concluída em janeiro pela Polícia Federal. O Banco Espírito Santo, que teria recebido o montante, de acordo com a fonte de Garotinho, negou a chegada do dinheiro no País e também que Rose fosse sua cliente. Por meio de acordos de cooperação, a Polícia Federal pediu informações à alfândega portuguesa e ao Banco Espírito Santo, para onde teria sido levado o dinheiro. Na Policia Federal,   Garotinho formalizou o pedido de averiguação no dia 6, depois de publicar a acusação em seu blog. Ele também encaminhou ofício ao Ministério das Relações Exteriores pedindo informações sobre todas as viagens a Portugal realizadas durante o governo Lula.

Síria: ativistas preveem banho de sangue sectário após queda de Assad



  • Integrantes da oposição e simpatizantes estão criando bancos de dados e traçando as diretrizes de uma estrutura interina para governar o país

Incerteza. Membro do Exército Livre da Síria distribui pão para a população em Aleppo: alguns ativistas avaliam que ajuda americana e europeia pode chegar tarde demais Foto: Muzaffar Salman/Reuters
Incerteza. Membro do Exército Livre da Síria distribui pão para a população em Aleppo: alguns ativistas avaliam que ajuda americana e europeia pode chegar tarde demaisMuzaffar Salman/Reuters
WASHINGTON — Planejar o dia depois da esperada queda do presidente sírio, Bashar al-Assad, se tornou uma corrida contra o tempo que muitos defensores de uma Síria democrática e pluralista temem estar perdendo. Em Washington, Istambul e em todo lugar, ativistas da oposição e simpatizantes estão criando bancos de dados e traçando as diretrizes de uma estrutura interina para governar a Síria até que algo mais permanente possa tomar seu lugar.
Mas mesmo os que trabalham nisso duvidam que vão servir como mais do que sugestões para a atmosfera pós-Assad, a qual preveem que será caracterizada, na melhor das hipóteses, por conflito e caos. No pior cenário, por um banho de sangue sectário e uma possível tomada de poder de combatentes extremistas ao lado das forças militares rebeldes.
Muitos ativistas sírios avaliam que os EUA e a Europa aumentaram os desafios ao proibir interações com a oposição armada no país enquanto Assad ainda estiver no poder.
— O que realmente precisamos é trabalhar com os líderes mais proeminentes e moderados no Exército Livre da Síria para torná-los líderes nacionais — disse Rami Nakhla, diretor-executivo da organização baseada em Istambul Dia Seguinte, que fornece suporte técnico para a Coalizão Síria de Oposição, apoiada pelos EUA.
Corações e mentes
Outros dizem que a ajuda para reconstrução após a queda de Assad chegará tarde demais para conquistar corações e mentes sírios.
— Mesmo pessoas de mentalidade secular que reconhecem que os jihadistas são uma ameaça potencial dizem que eles são as únicas pessoas que os ajudaram — disse Tom Malinowski, diretor da Human Rights Watch.
Sem um mandato internacional das Nações Unidas ou aprovação do Congresso, os EUA não têm base para ajudar ou interagir com os rebeldes sírios, sob a avaliação legal na qual o governo baseia sua política. Mesmo sem fundação legal, o governo deixou claro que acredita que somar-se ao combate em terra na Síria só iria piorar as coisas. A única “linha vermelha” que pode provocar intervenção, disse o presidente Barack Obama, é o uso de armas químicas da Síria.
Um dos principais esforços para guiar a Síria foi um projeto lançado pelo Instituto de Paz dos EUA, financiado pelo Congresso. Durante seis meses, o instituto reuniu dezenas de sírios, que em agosto lançaram o relatório “Dia Seguinte”, com desafios e recomendações para sistemas eleitorais e judiciais e uma política de reestruturação econômica e social.
— Cada vila, cada cidade, terá que lidar com as pessoas que apoiaram o regime, que cometeram crimes. O que podemos fazer é apresentar a elas uma série de princípios... aqui está o que a ONU diz, o que sul-africanos fizeram — disse Steven Heydemann, chefe do projeto. — O trabalho precisa ser entendido como um esforço para evitar o pior cenário, não como um esforço para desenvolver estruturas ideais que permitirão à Síria fazer a transição imediatamente.
A única previsão apocalíptica de Nakhla é que os poderosos elementos armados, incluindo extremistas, vão procurar um novo inimigo para reter seu poder depois de derrotarem Assad e devem mirar no vizinho Israel.
Complicado de um jeito ou de outro
O Ocidente vai inevitavelmente se opor a eles, e “o povo sírio vai começar a ver a comunidade internacional como inimiga”, disse Nakhla.
Frederic C. Hof, que atuou como conselheiro especial do Departamento de Estado na transição síria até setembro e é agora pesquisador do Atlantic Council, está menos pessimista, mas igualmente certo de que o fim de jogo na Síria está se aproximando.
O governo Obama, disse Hof, deveria se preparar para uma jornada difícil no pós-Assad:
— Os EUA e seus aliados não vão gostar sempre das decisões. Não controlamos o momento de tudo aqui. Esta é uma revolução síria. Num mundo ideal, seria uma transição fácil, o regime cai, a oposição se esgueira com as estruturas existentes e faz funcionar. Mas será complicado, para dizer o mínimo, de um jeito ou de outro.


Brasil repete para 2014 os erros de mais de 60 anos atrás



Pesquisa revela algumas semelhanças inesperadas entre o evento ultraprofissional que está sendo feito com o semiamador de 1950

25 de dezembro de 2012 | 22h 50
Jamil Chade, correspondente

Obras atrasadas, sedes escolhidas por motivos políticos e incertezas até o último momento. Essa poderia ser a história da Copa de 2014. Mas, na realidade, são acontecimentos que marcaram a outra Copa do Mundo que ocorreu no Brasil, a de 1950, símbolo do esforço de um país para se projetar pela primeira vez internacionalmente. Um levantamento realizado por quatro pesquisadores e jornalistas - Beatriz Ferrugia, Diego Salgado, Gustavo Zucchi e Murilo Ximenes - revela como o Mundial de 1950 foi preparado, suas intrigas políticas e desafios. O futebol era outro. O Brasil certamente também era outro e a própria Fifa não é a megapotência que hoje controla o maior esporte do planeta.

Maracanã tinha andaimes nas arquibancadas poucos dias antes da abertura da Copa do Mundo de 1950 - Divulgação
Divulgação
Maracanã tinha andaimes nas arquibancadas poucos dias antes da abertura da Copa do Mundo de 1950
Há 60 anos, o Mundial contou com 13 seleções, após muitas delas desistiram ou esnobaram o Brasil. A Argentina, provavelmente a melhor seleção do mundo na década de 40, optou por não jogar. Segundo a pesquisa, a Copa custou ao País menos de R$ 500 milhões, transformando para valores atuais. A conta do Mundial de 2014 ficará por US$ 29,2 bilhões. Portanto, comparar o evento semiamador de 1950 e o ultraprofissional de 2014 não seria adequado. Marcada pela dramática derrota do Brasil na final contra o Uruguai, a parte inicial do Mundial e sua própria preparação foram sendo esquecidas da memória coletiva. Mas o fato é que, mesmo com seis décadas de diferença, a pesquisa revela como os acontecimentos em 50 guardam inesperadas semelhanças com os desafios atuais.
Assim como ocorreu para a Copa de 2014, em 1950 o Brasil praticamente não teve concorrente na disputa por sediar o Mundial. O País foi escolhido para ser o anfitrião da quarta Copa do Mundo em 1946, um ano depois da Segunda Guerra Mundial que havia deixado um continente inteiro de joelhos. A Fifa, assim como várias outras organizações esportivas, voltava a ter suas atividades regulares e buscava formas de retomar seus torneios. A última Copa havia ocorrido em 1938.
A opção dos cartolas foi a de levar o Mundial para a América do Sul, longe dos conflitos. Nenhum país europeu tinha condições financeiras e nem emocionais para sediar o evento. Mesmo em 1950, várias seleções europeias desistiram de participar, seja por falta de recursos, por não ter retomado o futebol ou por terem se aliado ao Nazismo. A própria Copa teria um ano de atraso. Em 1946, quando a Fifa anunciou que a Copa ocorreria no Brasil, a previsão era de que ela fosse em 1949. Mas, em setembro de 47, a Fifa decidiu adiar o projeto para 50.
Sedes. Mas nem o adiamento serviu de alívio para o Brasil. Se poucos eram os países que tinham condições de realizar um Mundial, dentro do Brasil a disputa foi acirrada entre as cidades para que fossem escolhidas como sede. Não havia um número predeterminado de cidades e, para chamar a atenção da Fifa e de autoridades no Rio de Janeiro, políticos por todo o País começaram a promover jogos de futebol.
Mesmo tendo quatro anos para se preparar, o Brasil só começaria a definir as sedes um ano antes da Copa e em praticamente todas as cidades os atrasos nas obras marcaram a preparação.
Numa vistoria ao Pacaembu, os delegados da Fifa indicaram 23 dias antes do início do Mundial de 1950 que o estádio paulista não estava totalmente dentro dos padrões internacionais. O então inspetor da entidade, o italiano Ottorino Barassi, pediu uma ampliação do gramado e a criação de um local para a imprensa.
Mesmo a escolha das sedes se transformaria em uma novela que chegaria às vésperas do evento. Ao final de inúmeros debates, a decisão foi a de realizar o Mundial no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba. Outras duas - Porto Alegre e Recife - acabariam sendo incluídas na programação faltando semanas para o evento.
No caso da capital gaúcha, interesses pessoais de alguns políticos garantiram a inclusão de último momento na agenda da Fifa. O presidente da CBD na época, Rivadávia Meyer, fazia há meses uma forte pressão sobre políticos gaúchos para conseguir dinheiro público para colocar um dos estádios de Porto Alegre em condições para receber o evento. Mas, para sediar jogos do Mundial, o Estádio dos Eucaliptos precisaria ter 35 mil lugares - 15 mil a mais que a capacidade naquele momento. Também precisaria de uma dimensão mínima de 106 m x 89 m para o campo, além da construção de túneis para vestiários e novos alambrados.
Mas já era janeiro de 1950 e o governo do estado se recusava a abrir os cofres. Foi então quando o prefeito da cidade, Ildo Meneghetti, um torcedor fanático do Inter e com interesses de garantir a seu time um estádio melhor, liberou 500 mil cruzeiros - o equivalente a R$ 715 mil hoje - para a obra. Em um decreto, alegou que ampliar o estádio era "uma das necessidades mais clamorosas" de Porto Alegre. Outro argumento: a Copa iria projetar a cidade internacionalmente. O estádio seria inaugurado oito dias antes da Copa começar. Mas a passagem do Mundial pela cidade não seria nada do que o político havia prometido e os 15 mil lugares extras jamais foram usados, já que os jogos não conseguiram atrair grande público.
O acordo com a CBD era de que, com a reforma, Porto Alegre receberia três jogos da Copa. Antes mesmo de começar o evento, um dos jogos seria cancelado. A França se recusou a viajar ao Brasil, alegando que a tabela era inaceitável. Pela programação, o time de Paris jogaria em Porto Alegre e, quatro dias depois, no Recife contra a Bolívia. Assim, Porto Alegre ficou com apenas dois jogos, um dos 3,5 mil pagantes - 10% do estádio - e outro com 11 mil.
Uma frustração similar seria registrada em Curitiba. A arena havia sido construída aos poucos e pelos próprios funcionários de uma empresa ferroviária. Durante anos, os trabalhadores, loucos pelo esporte, paravam os trens que passavam pela região e pediam sobras do material que carregavam. Essas madeiras, metais e pedras acabariam sendo usados para erguer o estádio.
Com a decisão de ter a Copa no Brasil, o governo do Paraná deu 300 mil cruzeiros (R$ 430 mil atuais) para permitir que o estádio do Ferroviário fosse ampliado para 30 mil pessoas, uma exigência da Fifa mesmo numa cidade que na época tinha uma população de 180 mil pessoas. Segundo a pesquisa, os dois jogos do Mundial disputados na capital paranaense foram um fracasso de público.
Na partida Espanha 3 x 1 EUA, apenas 9 mil pessoas acompanharam o jogo. No segundo - Suécia x Paraguai -, não havia sequer 8 mil pessoas na arquibancada.
Trena. Uma das disputas mais acirradas ocorreu no Nordeste. Faltando 39 dias para a abertura do Mundial, o Brasil ainda não sabia qual seria a sede dos jogos na região. Fortaleza, Recife e Salvador disputavam a vaga. Num espelho perfeito do que era o processo de seleção dos organizadores da Copa, um dos enviados mediu campo da Ilha do Retiro com sua própria trena. Dias depois, indicou que Recife seria a vencedora para sediar os jogos.
Mas os desafios estavam apenas começando. Para estar pronto para o Mundial, 20 dias depois de ser confirmado, os sócios do time do Sport se mobilizaram para reformar o estádio. Superada essa dificuldade, veio a ducha de água fria. A seleção da Suíça se recusou a jogar no calor nordestino, Portugal abandonou a ideia da Copa e a França se negou a viajar ao Brasil.
A capital pernambucana ficaria com apenas um jogo, entre Chile e Estados Unidos, partida assistida por Jules Rimet. Mas o jogo ainda seria marcado pela queda de energia do estádio, o que impediu que a partida fosse transmitida pelas rádios ao restante do Brasil e do mundo.
Maracanã. A partir de fotos da época, documentos e relatos, a pesquisa ainda revela como uma disputa política particular seria travada nas obras do Maracanã, a maior da Copa e que se transformou em uma síntese do que foi o Mundial de 50. Carlos Lacerda, líder da oposição, e o prefeito do Rio, Mendes de Morais, travaram uma batalha na determinação do local, cada qual lutando para ser o pai da obra.
A história do Maracanã começa em 1941. Um certo Oscar Niemeyer chegou a apresentar dois projetos para o estádio, ambos recusados. Naquele momento, brigas políticas enterraram a ideia de um estádio para a capital. Foi só mesmo em 1946, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa, que o projeto se transformaria realidade. O prefeito insistia em erguer o estádio ao lado do rio Maracanã, enquanto Lacerda o queria em Jacarepaguá. Para justificar, Morais usou até mesmo o argumento de que a urbanização da região ajudaria a evitar as inundações do rio. Depois de uma disputa intensa na Câmara de Vereadores, o prefeito acabou prevalecendo. O Maracanã seria oficialmente chamado de "Estádio Mendes de Morais".
Mas a briga teve seu preço e as obras sofreram importantes atrasos. O Maracanã não seria entregue nem no prazo e nem no orçamento estimados originalmente. Apesar de a construção ter sido iniciada em 1948, a pesquisa encontrou fotos do jogo de inauguração ocorrido apenas uma semana antes da Copa e que mostravam a presença ainda de andaimes nas arquibancadas no dia 16 de junho de 1950, entre a Seleção Paulista e a Seleção Carioca. A concretagem não tinha sido concluída. Na realidade, até a inauguração havia sido adiada. A ideia era de que a partida de abertura ocorre no dia 28 de maio.
Oito dias depois, a Copa seria aberta no mesmo estádio, o maior da história até então. Para aquele jogo entre Brasil e México, as estruturas de apoio já haviam sido retiradas e o Exército foi convocado para ajudar a limpar a área. Mas, ao chegarem ao estádio, os torcedores se depararam com barro, lama e material de construção espalhado pelo local.
Pilar de um projeto de autoafirmação da capacidade de um país em desenvolvimento sediar um evento internacional, o Maracanã custou o equivalente hoje a R$ 215 milhões. Após a dramática derrota do Brasil na final, o busto de Mendes de Morais que havia sido colocado na entrada do estádio foi destruído pelos torcedores. O estádio deixou de levar o nome do prefeito.
Nos seis meses que se seguiram, o coronel Herculano Gomes, engenheiro principal das obras, seria cobrado por auditores a explicar os atrasos e inflação no orçamento, colocando praticamente um fim a sua carreira.
A seleção só entraria em campo dois anos depois do drama de 1950 e sua camisa jamais seria a mesma. Nem a história do futebol brasileiro.

OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA Giotto: Maria, Menina e Mãe



A Capela:
Em um dos lados da capela há seis janelas e foram os espaços entre as janelas que Giotto usou como ponto de partida para a história de Maria que ele conta de modo muito singelo: a vida de seus pais, a sua e de seu Filho.
Ele idealiza três fileiras de cenas separadas por tiras de mármore decorado por Cosmati. As cenas são de tal modo realistas que não há necessidade de grandes explicações. Para nós, em nossos dias, isso é corriqueiro, o realismo de uma cena. Mas é preciso que nos lembremos que até Giotto inventar a pintura, as figuras eram estáticas, paradas, hieráticas...
Os pequenos painéis perto do solo que falam dos Vícios e das Virtudes são delimitados por pintura imitando mármore rajado. Essas imitações em grisaille(monocromáticas) fizeram grande sucesso entre os artistas e artesãos de quase toda a Europa e foram muito usadas nos afrescos dos séculos quinze e dezesseis.
Giotto era, além de um magnífico pintor, um excelente arquiteto. Não devemos nos esquecer de seu campanário em Florença! Ele cria, com sua pintura absolutamente inovadora, uma ilusão, no fundo da capela, de uma sacristia ou coro, numa perspectiva perfeita.
A obra de Giotto:
Giotto di Bondone nasceu em 1266 e faleceu aos 70 anos, em 1337. Seu talento foi reconhecido como magistral por seus contemporâneos, o que é muito significativo. Ele revolucionou a pintura ocidental, respeitou e transmitiu a noção de espaço, a perspectiva, os detalhes da natureza e, especialmente, a expressão humana. Seus personagens são gente como a gente e o que os distingue como santos é a aureola que orna suas cabeças.
Giotto é elogiado por Dante, Petrarca e Bocaccio. Acho que não preciso dizer mais nada.
A história de Jesus, Maria e José – e não me refiro aqui à criação do Cristianismo – mas à vida dessa família, é tão original e rica que temos a tendência de olhar os afrescos sem nos deter na qualidade do desenho e da pintura. Por isso peço a vocês que prestem atenção ao que o talento desse homem abençoado nos deixou.

 
 A menina Maria, aos três anos, é levada ao templo. Reparem na curiosidade de todos ao ver essa pequenina subir a escada sozinha. Sua mãe a apresenta ao rabino. O que será que o criado carrega no ombro direito?

O casamento de Maria e José. Ele, viúvo, muito mais velho que ela, foi o escolhido por Deus por ser, dos descendentes do Rei Davi, o de vida mais ilibada, um homem reto. Assim reza a Legenda Dourada.  

Maria Mãe recebe, ao lado de São José, na manjedoura onde nasceu seu Filho, a Visita dos Reis Magos que vieram adorar o Menino Jesus, alertados e orientados pela Estrela de Belém. Reparem como para Giotto um dos reis magos era uma rainha.

A apresentação de Maria no templo
O casamento de Maria e José
A adoração dos reis Magos

Capella degli Scrovegni, Padova, Italia 

O PT e o salário mínimo



Carlos Chagas
Quando voltou ao governo em 1951, daquela vez eleito, Getúlio Vargas aumentou o salário mínimo em 100%. Cumpria a Constituição, que exigia para o trabalhador remuneração capaz de atendê-lo, e à sua família, com despesas de alimentação, habitação, vestuário, educação e até lazer. Desde que o presidente fora deposto, em 1945, o salário mínimo não aumentava, exigência dos neoliberais da época. O tempo passou, continuaram os mesmos de sempre a tripudiar sobre a grande massa e, para encurtar a conversa, registra-se a iniciativa da presidente Dilma Rousseff, de dar o reajuste de 9% para o menor salário nacional, que passa de 622 reais para 678 reais por mês.
Não seria preciso dizer mais nada. O aumento suplantou a inflação, que não passará de 6%, mas, por isso, estará o trabalhador feliz?
Quem conseguirá viver com essa merreca e, junto com sua família, alimentar-se, habitar, vestir-se, cuidar da educação dos filhos e até assistir uma das partidas da Copa das Confederações, com 678 reais mensais… Mesmo com o dobro seria impossível.
Agora que já se fala na renovação do PT, seria bom que algum companheiro se indignasse, em vez de buscar nomeações na máquina do poder público, para não falar nos negócios fajutos a que se acostumaram. Inexistem sinais de o partido preocupar-se com o salário mínimo, mesmo sendo “do Trabalhador”.
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ATRASOU MAS ESTÁ CHEGANDO
Os ranhetas voltam a sorrir. O fim do mundo não chegou dia 21, frustrando-os, mas de lá para cá o calor tem sido tão intenso, no país inteiro, que muita gente supõe ter a natureza decidido atuar por etapas. A conta-gotas. Em vez de torrar a Humanidade de uma só vez, com a explosão do sol em poucos segundos, a estratégia é outra, aliás, mais cruel. Aos poucos, o resultado será o mesmo, dizem os pessimistas. Isso se não sobrevierem as enchentes…

Em pleno Natal de 2012, a única data imaginada e desejada é 2014




Helio Fernandes
A República nasceu militar, militarista e militarizada, praticamente sem oportunidade para os civis. Deodoro e Floriano, que vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai, apaixonados por Dom Pedro II, traíram o Imperador e a República. Ficaram com o Poder para eles.
Os dois altamente ambiciosos e dominados pela mais destruidora egolatria, brigaram rapidamente. Deodoro era o número 1 e Floriano o número 2, mas este, além de vice era Ministro da Guerra e a superioridade das armas transformou-o de número 2 para número 1, não respeitada nem a Constituição.
Floriano ficou no Poder inconstitucionalmente, ameaçou Rui Barbosa (que não se rendeu), intimidou o Supremo (que se ocultou no silêncio e na subserviência), só tratou dele mesmo e da permanência na presidência. (Ainda não no Catete e sim no belíssimo Palácio Itamaraty, então na Rua Larga, perto da Central do Brasil e do Ministério da Guerra.
O tempo passou, os políticos se entenderam, decidiram: o substituto de Floriano seria o presidente do Senado, Prudente de Moraes. Naquela época, a eleição era em março, a posse em novembro. Mesmo com Prudente já eleito, Floriano se julgava eterno, não providenciou coisa alguma para transmissão do cargo (o que Figueiredo repetiria com Sarney).
A posse ocorreu no dia 15, em pleno verão. Prudente (e os ministros) de casaca, num tilbury (Ford lançou seu primeiro carro nesse mesmo 1894, o que fazer?), suava desesperadamente, Floriano nem apareceu. Mas houve a transmissão do cargo, coisa que não haveria com muita frequência.

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2012 E 2014
Cortemos rapidamente, deixemos de lado as eleições fraudadas e a “nenhuma” eleição (nas duas ou três ditaduras), passemos para hoje, 2012, com toda cara de amanhã, 2014 ou até 2018. Cronologicamente, faltam dois anos. Para alguns, muito menos, por causa da desincompatibilização.
Excluindo Lula e Dona Dilma, muitos precisam deixar os cargos que ocupam, um problema. Só que problemão mesmo é a existência e o domínio de um partido. Candidatos praticamente deles mesmos, são vários, como também são vários os candidatos dentro de um mesmo partido. E outros, que pela pouca idade, pretendem se lançar em 2014, mas tendo 2018 como objetivo.
Examinemos os candidatos, pela ordem de entrada (no Poder), por já terem partido garantido, não precisarem de desincompatibilização, e por terem apreço e consideração pelo Poder. Só quem tem tudo isso é Dona Dilma, e pela soma dos fatores é colocada aparentemente como favorita.
Não faz um grande governo, mas quem é que faz, procurando estado por estado, e até no Congresso? Na República, os presidentes (exatamente como nos EUA) vinham do Senado. Hoje, senadores brigam pelo 14º e 15º salário, e aceitam até a vice-presidência da “casa”, por causa dos holofotes.
Dona Dilma não pode garantir a permanência por mais 4 anos, por causa da imprevisibilidade do tempo. Que aconteceu a favor dela com o câncer de Lula. Se este, mesmo doente, não se define, o que dizer se não tivesse tido o obstáculo médico?
Dona Dilma já entrou, como os economistas, no caminho das adivinhações. Estes, em janeiro, falam sobre inflação, crescimento, consumo, mas vão se desdizendo com o passar do tempo. Vejam o que aconteceu em 2012. A inflação muito mais alta do que a prevista, o desenvolvimento (PIB) tão pequeno, Nossa Senhora.
Dona Dilma já saiu na frente dos economistas oficiais: “Em 2013 teremos um PIBÃO GRANDÃO”. Depende da sua definição de “Pibão”. Repetir o “Pibinho”, tragédia nacional. E pessoal.
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OS OUTROS
Eduardo Campos vem a seguir, não pelo excesso de credenciais, mas pela coincidência de fatores positivos, não para ganhar, mas para concorrer. Moço, com o partido garantido, só tem dois objetivos para 2014. A vice com a própria Dilma (tipo megasena) ou a presidência contra a presidente Dilma. A vice, só passando pelo cadáver do PMDB, que detesta a presidência, tem paixão pela vice.
Concorrendo ao grande prêmio agora, Campos sabe que não ganha, mas acha que fica na vez para 2018. Ora se é difícil uma análise para 2014, o que dizer para 2018? Nas duas hipóteses, campos terá que deixar o cargo em março de 2014, perde enormes possibilidades de eleger o sucessor. Frase nada enigmática, mas esdrúxula do governador de Pernambuco: “Estou firme com a presidente Dilma para 2014, mas depende de 2013”. Que República.
O PSDB tem ambições, faltam candidatos. Muito antes dos 50 anos, Aécio Neves era favoritíssimo. Presidente da Câmara, duas vezes governador, senador, foi deixando pelo caminho as certezas e esperanças.
Tem o apoio de FHC, quase nada, e a inimizade de Serra, quase tudo. Este articula (ou sonha articular) a segunda campanha presidencial de Alckmin. Não é por amor ao atual governador, mas sim pela vontade de ser novamente governador. Em se tratando de Serra, tudo é possível ou impossível. FHC suspira entre amigos: “Se eu tivesse menos 6 ou 7 anos, voltaria triunfante”. Ha!Ha!Ha!
Dona Marina não tem partido, diz: “Vou fundar o meu”. Mas quando? E como? Com que apoios? A ex-ministra baseia todo o otimismo num passado, presente e futuro, rigorosamente equivocado. No finalzinho da eleição de 2010, entre Dilma e Serra, os descrentes, desanimados e desesperançados despejaram os votos obrigatórios em Dona Marina.
Chegaram a quase 20 milhões, que ela registrou em seu nome. De 2010 até agora, passa regularmente pelo cartório eleitoral. Os votos, segundo ela, continuam e são facilmente transferíveis. Uma pena que não sejam, nem o partido conseguirá fundar.
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PS – Deixei Joaquim Barbosa e Lula para o fim, pelo tamanho das impossibilidades. Acho que Joaquim Barbosa não cometerá o ato insensato de trocar tudo pelo quase nada. Tenho a impressão de que, além da passagem pelo STF, gostará de atravessar a História como “o homem que não quis a presidência”. Quem irá desmenti-lo?
PS2 – Lula é o contrário, quer praticamente tudo. Teve o obstáculo não previsível da doença, que abalou seus alicerces. Mas sua carreira não está encerrada, longe disso.
PS3 – Como elegeu o poste Fernando Haddad, se olha no espelho, vê um poste crescendo diante de si mesmo. E como mora em São Paulo, desenha na imaginação uma eleição que lhe daria um cargo altamente cobiçado: governador de São Paulo. Com isso, mais a prefeitura e a reeleição de Dona Dilma, começará a pensar em 2018.
PS4 – Afinal, estará apenas com 72 anos, nenhum adversário dentro do PT. E pode proclamar: “Meu nome é Luiz Inácio Lula da Silva, e quem impõe meus limites sou eu mesmo”. Podem não acreditar, mas como desacreditar?

A Charge do Chico Caruso