sábado, 11 de janeiro de 2014

'O Maranhão vai muito bem’


 Roseana Sarney elogia ação da polícia e diz que segurança piora porque estado está mais rico


Chico de Gois

Enviado especial chico.gois@bsb.oglobo.com.br


SÃO LUÍS O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reuniu-se ontem com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e anunciou um plano de ações conjuntas para tentar amenizar a situação nos presídios do estado, onde foram registradas 60 mortes de detentos. Entre as medidas está a criação de um comitê de gestão, comandado por Roseana, que afirmou ter sido pega de surpresa pelas atrocidades cometidas no estado por ordem de presos. Ela atribuiu o aumento da violência nas ruas e nos presídios à situação econômica do estado. Para a governadora, isso vem ocorrendo porque o Maranhão, um dos mais pobres do país, está ficando rico.

Ao ser perguntada sobre a intenção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de pedir a intervenção federal por conta da violência, Roseana afirmou não acreditar na hipótese e enumerou obras e ações de sua gestão.

— Eu não acredito que ele vá pedir a intervenção, porque estou cumprindo meu dever. O Maranhão está indo muito bem. Talvez seja o único estado do Brasil que vai ter todas as suas cidades interligadas por asfalto. O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes — discursou.

Roseana disse que em 2012 foram registradas quatro mortes no sistema penitenciário maranhense e, até setembro do ano passado, 39. 

— Até setembro, estava dentro do limite que se esperava — declarou, argumentando que as mortes ocorreram apenas em uma unidade do complexo de Pedrinhas, onde duas facções disputam o domínio do tráfico e matam seus rivais, inclusive decepando cabeças.

De acordo com a governadora, sua administração investiu em novas unidades prisionais e na melhoria do atendimento ao preso.

— Nosso sistema de saúde é muito bom para os presos — afirmou, para complementar: — Nosso presídio feminino é um exemplo para todo o Brasil.

Roseana, assim como o ministro da Justiça, fez questão de lembrar que outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas e Rio Grande do Sul, também enfrentaram ondas de violência comandadas por detentos e que o governo federal ajudou os outros governadores. Segundo a governadora, apesar das mortes, seu governo não cometeu qualquer ato contra os direitos humanos. A ONU pede uma investigação sobre o assunto.

— Não cometemos qualquer crime de direitos humanos. Mas temos de ser mais atentos — admitiu.

Ela se irritou quando uma repórter perguntou ao ministro José Eduardo Cardozo por que a presidente Dilma Rousseff e mesmo ele ainda não tinham se manifestado sobre os problemas no estado administrado pelo clã Sarney. Cardozo disse que o governo se manifesta de forma concreta e procura ajudar estados administrados pela oposição e por políticos que apoiam o governo. Mas Roseana, exaltada, disse que não é certo falar em família.

— Não existe família. Eu sou a governadora. Quem manda aqui não é a família, sou eu. Vocês querem penalizar a família, mas eu, Roseana, sou a responsável pelo que acontece no Maranhão — afirmou, aplaudida por parte dos jornalistas locais.

As ações anunciadas pelo ministro da Justiça e pela governadora não têm impacto imediato, exceto pela transferência de presos para penitenciárias federais. Cardozo evitou, no entanto, marcar uma data ou informar quantos serão transferidos, por questões de segurança. Entre as ações estão a realização de mutirão da Defensoria Pública para ver quais presos podem deixar o cárcere, a interligação do sistema de inteligência, a criação de um núcleo de atendimento prisional, o melhoramento no atendimento à saúde, capacitação de policiais, a implantação de alternativas penais e monitoramento eletrônico.

Antes da entrevista, a governadora afirmou que, desde que assumiu o governo, em abril de 2009, depois da cassação do mandato do ex-governador Jackson Lago (PDT), reforçou o sistema de segurança pública, com reaparelhamento das polícias e investimento nos presídios. E elogiou a atuação da polícia.

— Em menos de 30 horas, prendemos os responsáveis. A Polícia do Maranhão é uma das mais eficazes na solução de crimes.

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