sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A FUGA DO PARAISO



Ralph J. Hofmann
Tal qual os boxeadores cubanos vilmente recambiados a Cuba pelo atual governador do Rio Grande do Sul, na época Ministro da Justiça (prova viva de que um diploma de direito não garante que seu portador seja  realmente um arauto e defensor das leis do país), há uma longa lista de desportistas, músicos, escritores e poetas que optaram por votar com os pés, ou seja, foram embora de Cuba.
Há algumas semanas uma jovem de vinte e poucos anos cruzou a fronteira do México para os Estados Unidos, em Laredo no Texas.
Imediatamente dirigiu-se ao posto da imigração e identificou-se como Glenda Murillo Diaz, filha do vice-presidente de Cuba ( e possível sucessor de Raul Castro). Pediu asilo sob o regulamento de que cubanos que alcancem terra firme estadunidense têm direito automático à residência no país.
Estivera num congresso de psicologia no México e aproveitara para abandonar o paraíso castrista.
O que levaria uma pessoa beneficiaria do sistema da Nomenklatura cubana a abandonar o país não sabemos. Talvez seja a consciência de que vive uma vida encantada às custas de uma população que exercita verdadeiros malabarismos para vencer as necessidades mínimas de cada mês. Sabe-se lá o tipo de frustrações que se acumulam para uma pessoa assim. Certamente sua posição lhe permitia vislumbrar as liberdades gozadas por cubanos que não vivem em Cuba.
Imagino que a convivência do seu pai, no centro do poder  possa ser uma faca de dois gumes. Como economista progressivo, ao menos em termos cubanos, sua estrela pode cair assim como subiu. Pode de uma hora para outra ser visto como uma ameaça a Raul Castro. E sabemos o que ocorre com as pessoas que perdem a confiança do líder em países stalinistas como Cuba. Tornam-se os culpados por tudo que esteve errado no país pelos últimos cinqüenta anos.
De qualquer forma, boa sorte para Glenda, agora albergada na casa de uma tia em Tampa na Flórida.
(1) Fotomontagem: Glenda e o pai Marino Murillo

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