quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cartas de Nova Iorque: Cidade branca, por Luisa Leme


Essa semana, Nova York sentiu um pouco mais de paz e silêncio do que o normal. O efeito branco e gelado da neve não traz somente o caos e confusão em Manhattan, quando um tempestade estraga os planos da cidade inteira, atrasando o transporte público, fechando aeroportos, e “prendendo” muitas pessoas em casa.
A neve que caiu durante o dia todo nesta terça-feira bateu recorde para o dia 10 de dezembro, mas não atrapalhou tanto o movimento da cidade (apesar de alguns atrasos no aeroporto e no metrô). O resultado: o “minuto nova-iorquino” durou um pouco mais do que sete segundos dessa vez.
Desde de 1932 não nevava tanto em Nova York neste dia do ano. A quantidade aumentou de 1.3 polegada para 1.4 polegada de acordo com o Serviço Nacional do Tempo (National Weather Service).
Medir esse pouquinho de neve é um pouco curioso, mas os americanos adoram saber esses detalhes sobre o tempo, principalmente porque quase todos os anos em dezembro, a cidade vive uns dias de confusão por causa da neve.


Esta semana, estava tudo preparado em Nova York para uma tempestade, mas isso não aconteceu. Em seu lugar, o gelo branco caiu fininho e mais molhado, e a ruas ficaram mais silenciosas, as pessoas andaram mais devagar, e até os passarinhos mais aventureiros do Brooklyn continuaram cantando de manhã.
A neve tem esse efeito nos nova-iorquinos. Eles são menos acostumados com muita neve como em outras partes do país. Aqui tudo fica mais calmo quando neva, e Manhattan fica mais quieta.
Normalmente, para aproveitar uma Nova York um pouco menos explorada pelo nosso mundo corrido e consumista, é preciso sair de Manhattan. No Brooklyn – a região com o maior número de residentes – existem mais árvores, casas, crianças, pequenos cafés e mercados, e prédios baixinhos que permitem que se veja o céu. Mas nesta terça-feira, a primeira ida ao trabalho debaixo de neve este ano na cidade, Manhattan ficou um pouco mais humana, mais com jeito do seu irmão mais relaxado.
Até que a neve acumulada no chão começou a derreter, virou uma lama cinza, esquecida pelos taxis amarelos, as galochas apressadas, e o raro momento de sossêgo se despediu.

Luisa Leme é jornalista e produtora de documentários. Passou pela TV Cultura e TV Globo em São Paulo, e pelas Nações Unidas em Nova York. Mora nos Estados Unidos há sete anos e fez mestrado em relações internacionais na Washington University in St. Louis. Escreve aqui sempre às quintas-feiras. Mantém o blog DoubleLNYC com imagens e impressões sobre Nova York. Twitter: @luisaleme

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