terça-feira, 28 de agosto de 2012

Qual é a melhor idade para ter filhos?


28 de agosto de 2012
No final das
contas, nós,
homens, também
temos um prazo
de validade
para termos
filhos saudáveis
GUIDO LENZ*
Antigamente a resposta era fácil: tornar-se adulto, achar uma boa moça para casar e ter filhos. Atualmente, no entanto, a resposta é bem mais complicada _ antes de ter filhos, é necessário estudar, ter um emprego, comprar uma casa e achar um momento na carreira, principalmente da mulher, que não atrapalhe demais. Todas essas alterações do mundo moderno fizeram com que a idade mediana em que homens e mulheres passaram a ter filhos crescesse cinco anos desde 1970.
Mas existe um limite de idade para se ter filhos? Para mulheres é o fim da idade reprodutiva, mas para os homens, teoricamente, não existe idade-limite. Entretanto, um estudo publicado na última semana mostrou que o risco para o filho aumenta com a idade do pai.
O pai contribui com metade do genoma do(a) filho(a). Este genoma tem 3,2 bilhões de nucleotídeos. Embora existam vários mecanismos para copiar este genoma da melhor forma, alguns erros são cometidos nesse processo de cópia. O estudo que foi publicado nessa semana na revista Nature analisou o genoma de 78 famílias da Islândia e constatou que um pai de 20 anos transfere, em média, o genoma com 40 mutações, isto é, alterações em nucleotídeos. Isso, obviamente, é muito pouco, considerando que são 40 em 3,2 bilhões. O interessante desse estudo foi mostrar que, quanto mais idade tiver o pai, mais erros ele irá passar para o filho. Cada ano a mais na idade do pai, duas mutações a mais, em média, são transferidas aos filhos. Com isso, pais aos 40 anos passam o dobro de mutações, quando comparados com pais de 20 anos. Embora isso ainda seja um valor muito baixo, aumenta o risco de doenças genéticas como esquizofrenia e autismo. Outra informação surpreendente é que a idade da mãe importa muito menos no número de mutações transferidas.
Apesar de esse estudo indicar que quanto mais cedo melhor, certamente os outros aspectos envolvidos em se tornar pais não podem ser esquecidos e é fundamental que o filho cresça em um ambiente de amor e estabilidade emocional e financeira, mais facilmente presentes em pais com idade maior. Mas é interessante se dar conta de que a suspeita de que problemas genéticos eram decorrentes dos filhos terem nascido de mães mais velhas, provavelmente era mais uma suspeita machista do que um fato científico. No final das contas, nós, homens, também temos um prazo de validade para termos filhos saudáveis.
*Professor associado do Departamento de Biofísica da UFRGS

HUMOR - Charge do Millor



Ricardo Teixeira vendeu a Seleção Brasileira até 2022


 


 No dia 15 de novembro de 2011, quatro meses antes de renunciar à presidência da CBF, Ricardo Teixeira assinou, em Doha, no Qatar, um novo contrato com a International Sports Events (ISE), dando à empresa da Arábia Saudita, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, o direito de organizar amistosos da Seleção Brasileira até o final da Copa do Mundo de 2022.
A revelação está na Folha de S.Paulo de hoje, assinada por este blogueiro.
Desde 2006 a ISE é responsável pelos amistosos do time da CBF que não
estiveram contidos no contrato com a Nike, num acerto que vigoraria até 2010 e que foi alterado em março daquele ano para contemplar mais 10 partidas da seleção.
Teixeira assinou o novo contrato pela CBF e, pela ISE, um tal Moheyddin Kamel, que teria sido apresentado por Sandro Rossel, presidente do Barcelona.
Então, já era dada como certa a saída de Teixeira da CBF.
Rossel é investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal por seu envolvimento no amistoso entre as seleções do Brasil e de Portugal, em 2008, quando recebeu R$ 9 milhões para organizar o jogo.
O novo contrato da CBF/ISE prevê o pagamento de uma taxa fixa de US$ 805.000 pelos jogos ainda referentes ao contrato antigo e de US$ 1.050 pelo acordo que vigorará até 2022.
Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 28 de agosto de 2012.

Baixinho irritado



Romário telefonou bravo pela manhã porque ontem à noite eu disse no “Linha de Passe”, da ESPN-Brasil, que 1000 gols só  Pelé fez.
Aliás, mais de 1.280 gols.
O Baixinho argumenta que também fez 1000, embora mais de 100 desses gols não sejam como profissional.
Eu apenas contabilizo os gols como profissional e o único profissional que atingiu, e superou, a marca foi Pelé.
Minha simpatia política maior por Romário não me faz pensar diferente.
Ele diz que entre os gols de Pelé estão contabilizados os que fez pela seleção do Exército, o que é verdade, razão pela qual ele pode contabilizar os dele como infantil, juvenil, etc e tal.
A diferença entre uma coisa e outra é grande.
Em primeiro lugar porque a inclusão dos gols pelo time do Exército não influem nem contribuem — são 15 gols em em mais de 1280.
Em segundo porque, mal ou bem, ele já era profissional.
Quanto aos tais 1000 gols de Túlio, só há uma forma de vê-los: palhaçada!
E o Botafogo avaliza.
O que explica muita coisa no Glorioso.
Quanto ao Baixinho, só resta esperar que a irritação passe, até porque sabe que o tenho como dos maiores de todos os tempos, dentro da área só comparável a Coutinho, que segundo Pelé era, ali, melhor que ele.

Tornozeleiras para bandidos e arruaceiros de torcidas organizadas



Milton Corrêa da Costa
Proponho que todos os bandidos arruaceiros, integrantes de torcidas organizadas, presos em conflitos por prática de agressões e homicídios, cujas referidas torcidas sejam proibidas de frequentar estádios de futebol, recebam pela Justiça a medida de controle pessoal com o uso obrigatório de tornozeleiras eletrônicas enquanto durar a determinação proibitiva de frequência aos estádios. Afinal de contas, estamos diante de verdadeiras feras humanas que ameaçam permanentemente a sociedade.
Além disso, porponhoque um dispositivo tecnológico específico, colocado na entrada dos estádios, detecte, pela tornozeleira eletrônica, aqueles que estarão impedidos de assistir aos jogos.
Precisamos também apoiar integralmente o recolhimento a presídio, por formação de quadrilha, lesão corporal e corrupção de menores dos integrantes de uma torcida organizada do Fluminense, que covardemente agrediram dois menores, torcedores do Vasco, momentos antes da partida de sábado último entre Vasco e Fluminense.
Estamos diante de perigosos marginais da lei cuja finalidade é ameaçar a vida e afrontar a ordem pública, não torcer pelo clube. É preciso dar um freio urgente nos homicidas desordeiros e desencorajá-los das prárticas criminosas. Lugar de bandido é na cadeia.

Livre pensar é só pensar (Millôr Fernandes)



J. R. Guzzo: Os ministros do Supremo e o governo deveriam se lembrar sempre do Zé Linguiça



Patriota - só falta um oficial da chancelaria a lhe sussurrar, de tempos em tempos: "Lembre-se de sua mortalidade, e do Zé Linguiça" (Foto: Cristiano Mariz / VEJA)
Patriota - só falta um oficial da chancelaria a lhe sussurrar, de tempos em tempos: "Lembre-se de sua mortalidade, e do Zé Linguiça" (Foto: Cristiano Mariz / VEJA)
Artigo publicado na edição impressa de VEJA que está nas bancas

ZÉ LINGUIÇA
J. R. Guzzo
J. R. Guzzo
Pode até não ser uma verdade comprovada pela história, mas ninguém discute que se trata de uma belíssima ideia. Na Roma antiga, quando um grande general voltava de uma campanha vitoriosa no estrangeiro, fazia-se uma fabulosa procissão triunfal pelas ruas da cidade, o “triunfo”, para exibir diante do mundo a glória do comandante vencedor, e homenagear a grandeza que ele trazia à pátria.
Era a honra máxima que um cidadão romano podia obter, e dava um trabalho danado chegar lá.
Ele tinha de ter matado em combate pelo menos 5.000 soldados inimigos.
Tinha de mostrar, presos, os chefes derrotados.
Tinha de ter enfrentado um exército pelo menos equivalente ao seu.
Tinha, sobretudo, de trazer sua tropa de volta para casa.
O problema, nisso tudo, é que os romanos da Antiguidade eram gente que tinha em altíssima conta a modéstia pessoal — e, em consequência, fechava a cara para qualquer demonstração de soberba. O que fazer, então, na hora em que o general vitorioso desfilava perante a multidão como se fosse um rei? É aí que aparece a ideia mencionada acima.
Logo atrás do “triunfador”, no mesmo carro puxado por quatro cavalos que ele conduzia, ficava um escravo que, de tanto em tanto tempo, lhe dizia baixinho ao ouvido: “Memento mori” (em tradução livre, “lembre-se de que você vai morrer”). Nada melhor, provavelmente, para baixar o facho de qualquer alta autoridade que começa a se achar.
Esse procedimento poderia ser o tipo da coisa útil no governo brasileiro de hoje. Seria uma beleza, por exemplo, se o chanceler Antonio Patriota, ao desfilar pelo planeta com a sua bela pasta de couro, distribuindo em nome da presidente Dilma Rousseff as advertências do Brasil para os grandes, médios e pequenos deste mundo, tivesse algum recurso parecido — naturalmente, com as adaptações necessárias às nossas realidades atuais.
Um oficial de chancelaria, digamos, andaria sempre atrás dele; só que, em vez do severo aviso romano, ficaria repetindo ao seu ouvido: “Lembre-se do Zé Linguiça”. Deveria ser o suficiente para o dr. Patriota cair bem depressa na real.
Ele se lembraria imediatamente de que vem do país do Zé Linguiça — e ninguém, nem a presidente Dilma, consegue transformar em potência mundial um país que chega a ter no centro do maior espetáculo jurídico da sua história, mesmo por um momento fugaz, um cidadão chamado Zé Linguiça.
Quem acompanha o julgamento do mensalão pode estar lembrado desse Zé Linguiça — o elo perdido entre um dos réus e a mala preta do professor Delúbio Soares, o tesoureiro do PT. Mas falar dele justo nesta hora, na suprema corte da nossa terra, em seus dias de solenidade máxima?
Bem no momento em que cada ministro quer ser, no mínimo, um Cícero, e outros são capazes de escrever mais de 1.000 páginas para dizer se um cidadão é culpado ou inocente? Pois é — aí vem o Zé Linguiça, e com um personagem desses não há pose que resista. Some, na hora, o Brasil Grande. Aparece o Brasil de verdade.

A presidente precisava mesmo de alguém que lhe lembrasse: “Todo ano há 50000 homicídios no Brasil” ou “O ensino médio brasileiro, pelos dados oficiais de 2011, tem nota 3,7, numa escala que vai de zero a 10” (Foto: Valter Campanato / ABr)
A presidente precisava mesmo de alguém que lhe lembrasse: “Todo ano há 50 mil homicídios no Brasil” ou “o ensino médio brasileiro, pelos dados oficiais de 2011, tem nota 3,7, numa escala que vai de zero a 10” (Foto: Valter Campanato / ABr)
Falou-se do ministro Patriota, mas o aviso ao pé do ouvido vale para qualquer grão-duque do poder público brasileiro, e para a própria presidente da República, quando começam a imaginar que são o rei Luís XV de França. Quanto à mensagem dos lembretes, então, há uma infinidade de coisas a dizer além do Zé Linguiça.
A voz poderia lhes recordar, por exemplo: “Todo ano há 50.000 homicídios no Brasil”. Em três anos, com 150.000 cadáveres, é o equivalente a uma bomba de Hiroshima. Ou: “O ensino médio brasileiro, pelos dados oficiais de 2011, tem nota 3,7, numa escala que vai de zero a 10”.
Seria possível lembrar que as dez entradas de São Paulo, a cidade mais rica e possante do Brasil, formam uma das mais pavorosas sucessões de favelas de todo o mundo; nosso desenvolvimento, em qualquer lugar do país, tem o dom de atrair miséria.
Também seria útil que nossas autoridades, em seus acessos de grandeza, lembrassem que a população brasileira está proibida de frequentar áreas inteiras das grandes cidades, tomadas por bandidos, vadios e predadores diversos, como se vivesse sob o toque de recolher imposto por um exército de ocupação.
Como essa gente que está no governo pode dormir em paz num país assim?
Esse pesadelo não foi criado pelo governo da presidente Dilma, nem será resolvido por ela. Mas então, como o rei da Espanha recomendou tempos atrás ao coronel Hugo Chávez, por que não se calam?
Por que se metem na vida do Paraguai ou dão palpites na economia da Europa?
Por uma questão de decência comum, e em nome do senso de ridículo, todos deveriam fazer, já, um voto de silêncio.