domingo, 29 de janeiro de 2017

A VIDA, À VIDA - por Carlos Brickmann

 29/01/2017

CARLOS BRICKMANN
Carlos Brickmann

Em frente ao hospital onde está internada Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do ex-presidente Lula, duas ou três pessoas gritam slogans contra a senhora doente. É pouca gente. Para o gosto deste colunista, é gente demais.

Há uns dois mil e poucos anos, pediram ao rabino Hillel uma definição rápida de Judaísmo. Hillel respondeu: “Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem. Esta é toda a Torah, a Lei. O resto é comentário”. Na mesma época, Jesus ampliou a lição: “Façam aos outros  o que vocês querem que eles lhes façam, pois esta é a palavra da Lei e dos Profetas”.

Nunca fui apresentado a dona Marisa; não tenho motivos para dela gostar ou não (a não ser aquela estrelinha que ela inventou nos jardins tombados do Alvorada). Mas tenho todos os motivos para respeitá-la, ainda mais neste momento em que luta pela vida. Divergências políticas cessam quando algo superior se apresenta. Quem zela por uma vida zela por sua própria vida; zela pela vida de todos nós. Um esplêndido poeta inglês do século 16, o clérigo anglicano John Donne, sintetiza brilhantemente essa questão: “Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. A morte de cada ser humano me diminui, porque eu faço parte da Humanidade”.

Saúde, dona Marisa. Brindemos à vida. Aliados ou não, lembremos que, se a sabedoria não deixa espaço para opiniões divergentes, sabedoria não será.

Outra coisa é outra coisa

Mas não podemos confundir manifestações de mau gosto com o exercício do jornalismo. A divulgação de documentos referentes à saúde do paciente está sujeita às normas legais, supervisionada pelo Conselho de Medicina, sem dúvida. Mas se um jornalista obtém esses documentos tem o direito – sem censura, determina a Constituição – de divulgá-los. Vejamos a Lava Jato: se o jornalista obtém um vazamento e o divulga não comete crime. E lembremos aquele parágrafo clássico, “documentos a que este jornal teve acesso”.

Os segredos do X

Em 2012, Eike Batista publicou seu livro para ensinar empreendedorismo: “O X da Questão – a trajetória do maior empreendedor do Brasil”.

Pois é, há muito a estudar na trajetória de Eike. A ordem de prisão contra ele foi emitida em 13 de janeiro de 2017, pelo juiz federal Marcelo Bretas. Os agentes foram buscar Eike 13 dias depois, e não o encontraram. Soube-se que decolara para Nova York duas noites antes. Normalmente, os investigados ficam sob monitoramento dos federais até que a operação seja desfechada. Outro detalhe curioso: Eike viajou sozinho, na véspera da viagem da família. Por algum motivo, sabe-se lá qual, preferiu sair um dia mais cedo.

Valor real

Da jornalista Suyen Miranda, lembrando que Eike Batista não tem diploma universitário e, se preso, irá para prisão comum: “diploma universitário faz bem a saúde, mas passaporte alemão faz muito mais”.

Curiosidade

Segundo a Polícia Federal, boa parte da propina para o ex-governador fluminense Sérgio Cabral, já durante o decorrer da Operação Lava Jato, foi entregue na sede da Frangos Ricca, em mãos, pelo próprio frangueiro. Não se fale, pois, apenas em pixulecos: tinha pixuleco, sim, mas também moela, miúdos em geral, asinhas e até mesmo a pele dos contribuintes.

Uzianqui, uz gringo, uz galego

Na terça, Lula garantiu que a Lava Jato “tem dedo estrangeiro”. Na quarta, Dilma disse que há “interesses escusos” na Lava Jato, de ‘inviabilizar empresas brasileiras”. E essa inviabilização das empresas brasileiras “não é algo gratuito”: o objetivo é beneficiar empresas estrangeiras.

Poderia ser – mas as maiores empreiteiras brasileiras confessaram listas e mais listas de irregularidades pesadas, pelas quais concordaram em pagar multas monumentais. Mas Dilma está firme: empreiteiras estrangeiras, que hoje entram em concorrências da Petrobras, também estão envolvidas em corrupção, e levam vantagem sobre as concorrentes nacionais,

Mas é maldade dizer que a corrupção deve ser exclusivamente nossa.

É proibido gastar

Crise, que crise? Levantamento elaborado pelo colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) mostra que, em 2016, o Senado gastou R$ 684 mil só em passagens aéreas para “missões oficiais” ao Exterior. Há também as diárias de viagem: apenas para ir ao Fórum Parlamentar dos Brics, em Moscou, Lindbergh Farias (PT-Rio), Vanessa Grazziotin (PCdoB-Amazonas) e Renan Calheiros (PMDB-Alagoas), receberam pouco mais de R$ 16 mil. Além das verbas para missões oficiais, há as viagens normais de senadores, para Brasília e suas bases eleitorais, que bateram em algo próximo a R$ 6 milhões durante o ano.

Chumbo Gordo

www.chumbogordo.com.br                 carlos@brickmann.com.br

Twitter: @CarlosBrickmann

Os "Virtuosos" Novos Nazistas

  • Em vez de se preocuparem com o terrorismo islamista e o ninho de jihadistas acantonados em Molenbeek em Bruxelas, há racistas na Europa que querem destruir Israel, a única democracia no Oriente Médio.
  • Todos eles afirmam falsamente serem "pacíficos", usando meios "econômicos" para corrigir "injustiças" nos territórios palestinos. No entanto eles nunca tentaram corrigir injustiças cometidas pelos governos corruptos, repressivos da Autoridade Palestina e do Hamas em Gaza, nem mesmo protagonizar a imprensa livre, o estado de direito ou a edificação de uma economia estável. Suas verdadeiras motivações racistas estão desmascaradas.
  • As linhas pré ou pós-1967 são apenas um álibi para esses novos nazistas. Muitos consideram Israel em sua totalidade, ilegal, imoral, ou as duas coisas juntas -- ainda que os judeus tenham estado nesta terra há 3.000 anos -- parte dela ainda é chamada de Judeia. Sua ânsia em acusar os judeus de terem a audácia de "ocupar" a sua própria terra histórica, bíblica, só revela a conivência com as mentiras mais obscuras dos extremistas islâmicos, os quais estão tentando destruir os cristãos coptas autóctones em sua terra nativa do Egito e os cristãos assírios autóctones que estão sendo massacrados no Oriente Médio. Será que os franceses também deveriam ser acusados de estarem "ocupando" a Gália? Basta olhar para qualquer mapa da "Palestina", que será possível ver o Estado de Israel coberto por inteiro: para muitos palestinos toda a terra de Israel é uma única colônia gigante que tem que ser desmontada.
Conheça os bandos dos novos nazistas, posando como defensores da Justiça e da Virtude, em busca de novas políticas de extermínio de Israel e, logo em seguida, dos judeus.
"Na Alemanha nazista", conforme observa Brendan O'Neill no Wall Street Journal, "era a fúria total para tornar a cidade Judenfrei (sem nenhum judeu)".
"Agora uma nova moda está assolando a Europa: tornar a cidade ou o município naquilo que poderíamos chamar de Zionistfrei -- livre de produtos e da cultura do estado judeu. Por todo o continente, cidades estão se declarando zonas livres de Israel, afastando seus cidadãos de produtos e da cultura israelenses. Ecos monstruosos do que aconteceu há 70 anos".
Os nazistas diziam "kauft nicht bei Juden": não compre de judeus. O slogan destes novos racistas é "kauft nicht beim Judenstaat": não compre nada do estado judeu. Os nazistas entoavam palavras de ordem: "Geh nach Palästina, du Jud": vá para a Palestina, judeu. Os racistas na Europa gritam "Judeus fora da Palestina"!
Vamos olhar mais de perto e ver quem são eles. A Câmara Municipal de Leicester, por exemplo, aprovou recentemente a proibição da venda de produtos "made in Israel". Pense no seguinte: uma cidade sem produtos israelenses. Não estamos falando da Alemanha nazista de 1933, trata-se de uma cidade britânica administrada pelos trabalhistas em 2016. Dois conselhos galeses, de Swansea e Gwynedd, bloquearam parcerias comerciais com empresas israelenses. Em Dublin, o famoso restaurante Exchequer, decidiu não usar produtos israelenses. A cidade irlandesa de Kinvara tornou-se "livre de Israel". Na Espanha a cidade de Villanueva de Duero já não distribui água israelense em seus edifícios públicos. A cidade francesa de Lille congelou um acordo com a cidade israelense de Safed.

Boicote aos produtos produzidos por judeus, naquela época e agora.

Sob pressão racista a empresa aérea Brussels Airlines, da qual a Lufthansa participa parcialmente, decidiu que não servirá mais na sobremesa a halva da marca israelense Achva. Um ativista do Movimento de Solidariedade Palestino, saindo do Aeroporto Ben Gurion em Tel-aviv para Bruxelas se viu servido com a sobremesa produzida em Israel. Este nazista light se queixou à companhia aérea, que rapidamente retirou a iguaria do cardápio (após manifestações de indignação, a empresa aérea voltou atrás). Em vez de se preocuparem com o terrorismo islamista e com o ninho de jihadistas acantonado em Molenbeek em Bruxelas, há racistas na Europa que querem destruir Israel, a única democracia no Oriente Médio.
Um caso embrionário na tentativa de destruir Israel por meios econômicos ocorreu em 1980, quando a L'Oreal comprou a empresa de cosméticos Helena Rubinstein. Os regimes árabes ameaçaram cortar os lucrativos relacionamentos com a empresa multinacional caso ela não cortasse os laços com Israel. Em vez de rejeitar a chantagem, a L'Oreal cedeu à chantagem. Hoje, este antissemitismo não é liderado por países árabes nem por países ocidentais. Por exemplo, a França recentemente proibiu chamamentos em casos de boicote, se for apenas e tão somente em relação ao Estado de Israel. As campanhas de ódio e as políticas nazistas de hoje estão sendo lideradas em grande parte por empresas, universidades, sindicatos e grupos hipócritas assim chamados de "direitos humanos", bem como outras ONGs.
E, vergonhosamente, igrejas. Em 11 de agosto de 2016 a Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos (ELCA), pediu ao governo dos EUA para acabar com toda e qualquer ajuda a Israel e abraçar as táticas para destruir o país pela via econômica. No inverno passado, a Igreja Metodista dos Estados Unidos também de maneira anticristã deixou de trabalhar com cinco bancos israelenses.
Todos eles afirmam falsamente serem "pacíficos", usando meios "econômicos" para corrigir "injustiças" nos territórios palestinos. No entanto, eles nunca tentaram corrigir injustiças cometidas pelos governos corruptos, repressivos da Autoridade Palestina e do Hamas em Gaza, nem mesmo protagonizar a imprensa livre, o estado de direito ou a edificação de uma economia estável. Suas verdadeiras motivações racistas estão desmascaradas. Eles simplesmente estão alinhados e coordenados com a estratégia violenta dos palestinos e muçulmanos fundamentalistas do Ocidente -- aqueles mesmos que permanentemente se recusaram a fazer a paz com Israel, isto por sete décadas, colocando em primeiro plano o terrorismo.
Esta guerra assimétrica, empreendida pela primeira vez desde o Holocausto de 6 milhões de judeus, recentemente também quebrou um tabu alemão. Ao que tudo indica, para certos alemães, a velha sede de sangue nunca terminou -- ela simplesmente estava em estado latente. O sindicato dos professores da cidade de Oldenburg acaba de publicar um artigo em sua revista, na edição de setembro, conclamando "um boicote total ao estado judeu", segundo o jornal Jerusalem Post trata-se "da primeira conclamação para boicotar Israel ou os judeus por um sindicato alemão desde o Holocausto". Fazendo jus à sua retratação, embora tardia, em 5 de setembro o sindicato dos professores de Oldenburg se desculpou, rotulando o boicote de "grande equívoco" além de "antissemita".
A União Europeia assinou um acordo com o Marrocos, que está em litígio territorial com a Argélia, mas, apesar disso, se reservou o direito de explorar os recursos do Saara Ocidental; não foi lançada nenhuma campanha em sinal de protesto. Também não se ouviu falar de nenhum protesto contra a Turquia no tocante à ocupação do Norte do Chipre ou quanto à prisão em massa de dissidentes, jornalistas e acadêmicos. Não, a política de boicote é direcionada exclusivamente contra o estado judeu, que ostenta um dos mais altos níveis de liberdade acadêmica, liberdade de imprensa e de igualdade perante a lei do planeta. A política de boicote é feita em "3-D", conforme observa o verdadeiro defensor dos direitos do homem, o dissidente soviético, Natan Sharansky, em seu livro The Case For Democracy:
  • dois pesos e duas medidas: visar apenas e tão somente Israel entre os 200 litígios territoriais, do Tibete à Ucrânia.
  • Demonização: comparação das atitudes de Israel a dos nazistas quando na realidade as pessoas que fazem a comparação é que deveriam ser comparadas aos nazistas.
  • Deslegitimação: negar o direito de Israel à existência.
A hipocrisia racista é tão transparente quanto pérfida.
Eles também estão sujeitando as universidades de Israel a uma campanha neonazista "silenciosa" vinda de universidades sem princípios: enviar menos convites, rejeitar mais artigos e usar os padrões das Leis de Nuremberg do Terceiro Reich para excluir a participação de judeus. A Universidade de Syracuse acaba de desconvidar para uma conferência Simon Dotan, um professor judeu da New York University e cineasta premiado, natural da Romênia, criado em Israel e atualmente residente nos Estados Unidos. A comentarista Caroline Glick observa:
"A decisão de Hamner não teve nada a ver com a qualidade do trabalho de Dotan. Ela admitiu até certo ponto que... Dotan foi desconvidado porque ele é israelense e também porque o título de seu filme The Settlers (Os Colonos), não deixa claro de imediato se ele vilipendia o suficiente o meio milhão de judeus israelenses que vivem na Judeia e Samaria".
Entre outros no mundo acadêmico que aprovaram estas medidas neonazistas encontra-se a historiadora britânica Catherine Hall e, vergonhosamente, o gravemente enfermo Stephen Hawking, que é capaz de falar graças apenas a um dispositivo de voz israelense.
Esta campanha de boicote acadêmico teve início quando Oren Yiftachel, um estudioso da Universidade Ben Gurion teve um trabalho acadêmico rejeitado pelo periódico Political Geography. A rejeição veio com uma nota informando-o que a revista não poderia aceitar o envio do trabalho de "Israel", seu trabalho foi enviado de volta sem ser aberto. A editora St. Jerome Manchester, especializada em traduções, recusou-se a enviar obras acadêmicas para a Universidade Bar Ilan em Israel. A revista britânica Dance Europe se recusou a publicar um artigo sobre a coreógrafa israelense Sally Anne Friedland; Richard Seaford se recusou a fazer uma avaliação crítica de um livro para a revista israelense Antiquity Scripta Classica Israelica. O professor de patologia da Universidade de Oxford Andrew Wilkie, rejeitou aceitar a papelada de inscrição para doutorado de Amit Duvshani da Universidade de Tel Aviv. Wilkie assinalou na rejeição: "de jeito nenhum eu aceitarei alguém que serviu no exército de Israel".
Estes neonazistas disseminam sua mensagem em universidades, igrejas, empresas e municípios. Adotam medidas tais como petições aos professores, perseguições em público, ameaças de ações na justiça (guerra assimétrica), manifestações em frente a lojas e muitas vezes apenas gritaria, intimidação, ameaças e concentração de pessoas.
Eles são, obviamente, incapazes de abalar a florescente economia israelense, mas estão indubitavelmente tentando botar mais lenha na fogueira do clima racista de desconfiança e hostilidade contra Israel e os judeus nos quatro cantos da terra. A Swedish Coop parou de vender bombas de gaseificação produzidas pela SodaStream de Israel, o maior fundo de pensão holandês, o PGGM, retirou os investimentos de cinco instituições financeiras israelenses. A Vitens, a maior fornecedora de água potável da Holanda cortou os laços com a sua homóloga israelense Mekorot. A loja de departamentos KaDeWe, a maior da Europa localizada em Berlim suspendeu as vendas de vinho israelense (depois voltou atrás). A maior cooperativa da Europa, a Co-operative Group no Reino Unido, introduziu uma política discriminatória em relação a produtos israelenses. O McDonald's se recusou a abrir uma lanchonete na cidade israelense de Ariel, em Samaria. A Universidade de Johannesburg cortou relações com a Universidade Ben-Gurion de Israel. Sindicatos acadêmicos de médicos a arquitetos, do Reino Unido e do Canadá, também apoiaram as novas Leis de Nuremberg contra Israel. Dezenas de artistas, principalmente músicos e cineastas, têm, assim como os nazistas originais, se recusado a realizar suas performances em Israel ou cancelaram suas apresentações. Muitos fundos de pensão deixaram de trabalhar com Israel. O Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha, levantou "questões éticas", polêmicas, incluindo o Banco Hapoalim de Israel na lista negra de empresas.
As linhas pré ou pós-1967 são apenas um álibi para esses novos nazistas. Muitos consideram Israel em sua totalidade, ilegal, imoral, ou as duas coisas juntas -- ainda que os judeus tenham estado nesta terra há 3.000 anos -- parte dela ainda é chamada de Judeia. Sua ânsia em acusar os judeus de terem a audácia de "ocupar" a sua própria terra histórica, bíblica, só revela a conivência com as mentiras mais obscuras dos extremistas islâmicos, os quais estão tentando destruir os cristãos coptas autóctones em sua terra nativa do Egito e os cristãos assírios autóctones que estão sendo massacrados no Oriente Médio. Será que os franceses também deveriam ser acusados de estarem "ocupando" a Gália? Basta olhar para qualquer mapa da "Palestina", que será possível ver o Estado de Israel coberto por inteiro: para muitos palestinos toda a terra de Israel é uma única colônia gigante que tem que ser desmontada.
No lugar de Israel, eles facilitariam a criação de mais um estado árabe-islâmico que irá suprimir a liberdade de expressão de artistas, jornalistas e escritores; que irá expulsar os cristãos de suas casas; que irá apedrejar homossexuais até a morte; que torturará os detidos nas prisões, que condenará à morte inocentes simplesmente por desejarem se converter ao cristianismo; que irá condenar alguém a flagelação, prisão ou morte pela simples alegação de que tenha dito alguma coisa a alguém que pudesse considerar ofensivo ao Islã; que obrigará as mulheres a usarem véus e viverem alienadas; que glorificará terroristas; que proibirá bebidas alcoólicas; que encarcerará pessoas por expressarem opiniões divergentes; que incentivará a criação de uma nova categoria de refugiados muçulmanos: aqueles que fugiriam alegremente de um regime opressivo e assassino.
Esses novos nazistas se valem, ao invés vez de uma argumentação, de slogans falsos e enganosos como "estado apartheid", "ocupação", "repressão", "infrator do direito internacional" (que Israel meticulosamente não o é). O objetivo deles, assim como o foi dos nazistas originais, é manipular as pessoas e incutir nelas preconceito e ódio contra Israel e por trás deste subterfúgio, contra os judeus.
Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

sábado, 28 de janeiro de 2017

PERDA DA NOÇÃO DE LIMITE - por Percival Puggina


 27.01.2017


puggina
Percival Puggina

 Estou certo de que o leitor concordará com o enunciado: não é condição de “normali dade” de uma ação humana o fato de ela estar sendo praticada por muitos, pela maioria ou por todos. A normalidade de uma ação está condicionada à sua adequação a uma norma. Todos podem estar desrespeitando sinais de trânsito, mas isso não faz “normais” as infrações.“Comum” e “frequente” não são sinônimos de “normal”. Fazer cabeças não é normal.

 O fato de ser muito difícil aos jovens não reproduzirem o que o grupo em que estão inseridos faz (numa estranha conformidade rebelde ou numa rebeldia conformada), associado ao fato de muitos adultos reproduzirem as condutas dos jovens (numa ridícula cirurgia plástica do modo de agir), multiplicou, nas últimas décadas, os problemas de comportamento e suas conseqüências sociais. O já idoso “É proibido proibir!” se constitui, ainda, na expressão síntese de generalizada forma de conduta em que qualquer tentativa de estabelecer limites é vista como repressiva. Nada é abusivo exceto a tentativa de acabar com os abusos. Apenas as empresas e as instituições militares parecem restar como locais onde a autoridade ainda se permite estabelecer limites.

As conseqüências dessa gandaia podem ser contempladas no âmbito familiar, nas escolas e universidades, nos parlamentos, nas ruas e assim por diante. Exemplo do mês? Perdeu a noção de limites o professor paraninfo da turma de formandos da Famecos/PUCRS, quando, em seu discurso, passou a incorrer nos mesmos equívocos jornalísticos que condenou nas primeiras palavras que proferiu. Instalou-se em sua bolha ideológica e a ela referenciou a realidade política do país. Tratou de fazer cabeças entre as cabeças dos convidados cativos de suas poltronas. Não respeitando a pluralidade do auditório e dos formandos, o homenageado fez o que sequer as jovens oradoras da turma fizeram: deu-se o direito de descarregar sobre todos um discurso político a respeito dos fatos recentíssimos da história nacional. Afirmou, o professor paraninfo, que uma “presidenta eleita foi afastada por um golpe parlamentar, civil e infelizmente midiático”; disse haver “um político suspeito de corrupção, assumido a presidência do país”. E por aí andou, silenciando sobre tudo que não lhe convinha, tomando lado, calçando chuteiras e dando bicos na bola dos fatos. Pais, parentes e amigos dos formandos receberam uma porção do que supostamente foi servido à turma, em doses diárias, nos vários anos do curso. Para não deixar dúvidas quanto a isso, falou, também, o diretor da faculdade, endossando, sem pestanejar, o discurso do paraninfo, cujas palavras disse representarem “o que certamente pensa o coletivo da Famecos”.

Coletivo, sem motorista nem cobrador, costuma ser coisa complicada, controlada pela esquerda e concebida para ser inexpugnável.

* Vídeo com a íntegra da solenidade pode ser assistido aqui. Às 2h e 21 min. da gravação começam os referidos discursos.


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Palestinos na Síria: um Ano de Assassinatos e Tortura - por Khaled Abu Toameh

  • Segundo as denúncias, as autoridades sírias estão ocultando os corpos de mais de 456 palestinos que morreram sob tortura na prisão. Ninguém sabe exatamente onde os corpos estão escondidos ou o motivo das autoridades sírias se recusarem a entregá-los aos seus familiares.
  • Parece que a grande mídia prefere fazer vista grossa no tocante à situação dos palestinos que vivem em países árabes. Esta chicana prejudica antes de mais nada e acima de tudo os próprios palestinos, além de permitir que os governos árabes continuem com suas políticas de perseguição e repressão.
  • É esperar para ver se o Conselho de Segurança da ONU irá se ater às suas prioridades e convocar uma sessão de emergência para discutir a campanha assassina contra os palestinos na Síria. Talvez, de alguma forma, isso irá ultrapassar "a construção de assentamentos" como tema merecedor da condenação mundial.
O ano de 2016 foi bem complicado para os palestinos. Não foi complicado apenas para os palestinos que vivem na Cisjordânia sob o regime da Autoridade Palestina (AP) ou na Faixa de Gaza sob o Hamas. Quando os ocidentais são informados sobre a "situação" e o "sofrimento" dos palestinos, eles imediatamente assumem que se trata daqueles que vivem na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza. Raramente a comunidade internacional é informada sobre o que está acontecendo com eles em países árabes. Essa omissão ocorre, sem a menor sombra de dúvida, porque é difícil jogar a culpa do sofrimento dos palestinos nos países árabes em cima de Israel.
A comunidade internacional e os jornalistas das principais agências de notícias só sabem o que acontece com os palestinos que vivem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. É óbvio que a vida sob a Autoridade Palestina e sob o Hamas não é nenhum mar de rosas, embora este fato inconveniente possa ser bastante desagradável para os ouvidos dos jornalistas ocidentais e para as organizações de direitos humanos.
De qualquer maneira, parece que a grande mídia prefere fazer vista grossa no tocante à situação dos palestinos que vivem em países árabes. Esta chicana prejudica antes de mais nada e acima de tudo os próprios palestinos, além de permitir que os governos árabes continuem com suas políticas de perseguição e repressão.
Os últimos anos foram testemunha das histórias de horror no que tange às condições dos palestinos na Síria. Onde está a atenção da mídia em relação aos palestinos neste país assolado pela guerra? Os palestinos na Síria estão sendo assassinados, torturados, presos e desabrigados. O Ocidente boceja.
Os jornalistas estrangeiros que fazem a cobertura do Oriente Médio circulam às centenas em toda a Jerusalém e Tel Aviv. No entanto, eles agem como se os palestinos só pudessem ser encontrados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Estes jornalistas não têm nenhum interesse em ir para a Síria ou a outros países árabes para reportar sobre os abusos e delitos perpetrados pelos árabes contra seus irmãos palestinos. Para esses jornalistas, árabes matando e torturando outros árabes não são notícia. Mas quando policiais israelenses atiram e matam um terrorista palestino que joga o seu caminhão em cima de um grupo de soldados matando-os e ferindo-os, aí os repórteres ocidentais correm para visitar a casa da sua família para entrevistar seus membros e lhes proporcionar uma plataforma para que possam expressar suas considerações.
Os palestinos que vivem na Síria, no entanto, são menos afortunados. Ninguém pergunta como eles se sentem em relação à destruição de suas famílias, comunidades e vidas. Especialmente as centenas de correspondentes que se encontram no Oriente Médio .
"O ano de 2016 foi repleto de todas as formas de assassinatos, torturas e de desabrigados palestinos na Síria" de acordo com denúncias recentes publicadas em inúmeros meios de comunicação árabes.
"O ano passado foi um verdadeiro inferno para esses palestinos e suas duras consequências não serão apagadas por muitos anos. Durante o ano de 2016 os palestinos na Síria foram submetidos às formas mais cruéis de tortura e privação nas mãos de gangues armadas e também nas mãos do atual regime sírio. É difícil encontrar uma família palestina na Síria que não tenha sido afetada por tudo isso".
Segundo as denúncias, as autoridades sírias estão ocultando os corpos de mais de 456 palestinos que morreram sob tortura na prisão. Ninguém sabe exatamente onde os corpos estão escondidos ou o motivo das autoridades sírias se recusarem a entregá-los aos seus familiares.
Mais preocupante ainda são as denúncias sugerindo que as autoridades sírias estão retirando órgãos de palestinos mortos. Testemunhos compilados por alguns palestinos apontam para uma gangue ligada ao governo sírio que negocia os órgãos das vítimas, incluindo mulheres e crianças. Mais de 1.100 palestinos estão definhando nas prisões sírias desde o início da guerra há mais de cinco anos. As autoridades sírias não fornecem nenhuma estatística sobre o número de prisioneiros e de detidos, nem permitem que grupos de direitos humanos ou do Comitê Internacional da Cruz Vermelha visitem prisões e centros de detenção.
O documento mais recente sobre o tormento dos palestinos na Síria assinala que 3.420 palestinos (entre eles 455 mulheres) foram mortos desde o início da guerra. A denúncia publicada pelo Grupo de Ação em Favor dos Palestinos da Síria também revela que cerca de 80.000 palestinos fugiram para a Europa, 31.000 para o Líbano, 17.000 para a Jordânia, 6.000 para o Egito, 8.000 para a Turquia e 1.000 para a Faixa de Gaza. O documento também ressalta que 190 palestinos morreram em consequência de má nutrição e falta de cuidados médicos porque os campos e aldeias de refugiados estão cercados pelo exército sírio e pelos grupos armados.

Palestinos fugindo do campo de refugiados Yarmouk perto de Damasco após intensos combates ocorridos em setembro de 2015. (imagem: captura de tela da RT)

Alarmados com a indiferença da comunidade internacional para com o seu sofrimento, os palestinos na Síria têm recorrido às redes sociais para serem ouvidos na esperança de que os tomadores de decisão no Ocidente e no Conselho de Segurança da ONU, obcecados como estão com os assentamentos israelenses, deem atenção ao seu sofrimento. A última campanha nas redes sociais que leva o título: "onde estão os detidos?" refere-se ao destino desconhecido dos palestinos que desapareceram após serem presos pelas autoridades da Síria. Os organizadores da campanha revelaram que de alguns anos para cá 54 palestinos menores de idade morreram sob tortura nas prisões sírias. Os organizadores observaram que centenas de presidiários e detentos, após serem apreendidos pelas autoridades sírias, continuam desaparecidos.
Outra denúncia revela que mais de 80% dos palestinos que vivem na Síria perderam seus empregos e seus negócios desde o início da guerra civil. O documento acrescenta que para sustentar suas famílias muitas crianças palestinas foram forçadas a abandonar a escola e procurar trabalho.
No entanto, para a comunidade internacional e para a mídia ocidental, estes números e relatórios sobre os palestinos na Síria são enfadonhos na melhor das hipóteses. Os países árabes não dão a mínima para os palestinos que estão na Síria sendo mortos, torturados, morrendo de fome. No mundo árabe, as violações dos direitos humanos não são notícia. Notícia é quando os direitos humanos são respeitados em algum país árabe.
A liderança palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza também está cega no tocante ao sofrimento de seu povo no mundo árabe, especialmente na Síria. Os assim chamados líderes estão ocupados demais se digladiando politicamente para se incomodarem com o bem-estar de seu povo, que está sendo sufocado pelos regimes antidemocráticos e repressivos da Autoridade Palestina e do Hamas. Esses líderes estão mais preocupados com as intenções do Presidente Donald Trump de mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém do que a respeito de seu próprio povo. Nas últimas duas semanas Mahmoud Abbas e seus funcionários de alto escalão não perderam a oportunidade para avisar que a mudança da embaixada americana para Jerusalém provocaria distúrbios no Oriente Médio. O assassinato, tortura e desalojamento de palestinos em um país árabe parecem não estar em seus radares.
É esperar para ver se o Conselho de Segurança da ONU irá se ater às suas prioridades e convocar uma sessão de emergência para discutir a campanha assassina contra os palestinos na Síria. Talvez, de alguma forma, isso irá ultrapassar "a construção de assentamentos" como tema merecedor da condenação mundial.
Khaled Abu Toameh é um jornalista premiado radicado em Jerusalém.

 FONTE - https://pt.gatestoneinstitute.org/9853/palestinos-siria-assassinatos

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ALGORÍTIMO - by Miranda Sá


MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Você quer passar o resto da sua vida vendendo água com açúcar ou quer uma chance de mudar o mundo? ” (Steve Jobs)  
Algoritmo foi indicada como “a palavra do ano” pelo dicionário “Oxford”, uma das referências mais importantes do mundo para a catalogação de novas palavras e expressões. É, entretanto, uma palavra antiquíssima, usada na Mesopotâmia e Egito antigos.
Foi usada e popularizada matematicamente por Euclides, um dos grandes professores da famosa escola de matemática de Alexandria, conhecida como “Museu”.
Todavia a sua etimologia é mais recente e discutível: uns pesquisadores citam sua origem no sobrenome Al-Khwarizmi, do matemático persa do século IX Mohamed ben Musa; outros defendem a origem da palavra em Al-goreten (raiz – conceito que se pode aplicar aos cálculos).
O “algorithmus infinitesimais” ´é utilizado para significar “maneiras de calcular com quantidades infinitésimas” (pequenas), uma invenção de Leibniz. Também é conhecido no meio financeiro, como “algos”.
Para se popularizar com a força que tem atualmente, o termo entrou na economia, na política e até ilustrado em receita culinária, como registra Alecio Soares Silva na sua tese de conclusão do curso na Universidade Federal de Campina Grande (Paraíba).
Essa “simplicidade”, porém, não é tão simples… Os algoritmos podem ser muito complexos. Eles “repetem passos (fazem interações) ou necessitam de decisões (tais como comparações ou lógica) até que a tarefa seja completada”.
Essa complexidade está, por exemplo, no conceito de um algoritmo que foi formalizado em 1936 pela Máquina de Turing de Alan Turing e pelo cálculo lambda de Alonzo Church, que formaram as primeiras fundações da Ciência da computação.
Embora não represente, necessariamente, um programa de computador, foi neste campo que matamos a charada: a Ciência da Computação define o uso do computador na realização de várias tarefas e, quando se trata de formar opinião pública, torna-se uma gigantesca força política.
O processo, segundo Christian Sandvig, professor de ciência da informação da Universidade de Michigan, é que “O algoritmo e o usuário coproduzem o feed”: “O computador te observa e aprende com o que você clica. Ao mesmo tempo, você decide como responder ao que ele mostra a você. ”
O Facebook – a rede social mais popular do mundo, com 1,59 bilhão de pessoas conectadas – reconhece que “o volume de conteúdo criado e compartilhado é proporcional ao número de usuários. Assim, o algoritmo é uma forma de permitir que cada pessoa tenha acesso ao que julga mais importante”.
É aí que reside o poder das redes sociais. Muitos tuiteiros desconhecem que a sua atividade comentando, analisando ou denunciando, tornam-se algoritmos, códigos baseados em inteligência artificial que ficam gravados nos sites de comunicação social.
Os algoritmos podem realizar a tarefa usando um conjunto diferenciado de instruções em mais ou menos tempo, espaço, ou esforço do que outros. Dessa maneira, o volume de mensagens se torna uma interação e uma força de expressão notável.
Foi assim que se realizaram as manifestações registradas na “Primavera Árabe” e, no Brasil, a convocação que levou milhões de pessoas às ruas protestando contra a corrupção e a incompetência administrativa do governo Dilma. Também a intervenção das redes sociais contra a nomeação de Lula da Silva para a Casa Civil para livrá-lo da Lava Jato, teve êxito. E assim saiu o impeachment, acabando com a Era PT.
É perfeita a lição de Diego Beas ensinando que “A rede social dotou o cidadão de uma nova e magnífica ferramenta que necessariamente subtrai poder ao Estado”. O algoritmo deve ser abastecido de mensagens contra a corrupção, os privilégios e a impunidade; pela prisão dos corruptos e do seu chefe Lula da Silva. E conquistaremos esta meta!
FONTE - http://www.mirandasa.com.br/?p=60861

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O MOTIVO DO SUMIÇO DAS CÂMERAS DO PLANALTO: LINA VIEIRA


Augusto Nunes, na Veja


A entrevista do general Etchegoyen informa que o governo lulopetista ocultou provas e obstruiu a Justiça

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Lina Vieira(veja.com/AFP)

As incontáveis abjeções produzidas pela usina fora-da-lei que funcionou no Planalto por mais de 13 anos não cabem no noticiário jornalístico, tampouco na memória dos brasileiros. O escândalo da vez não fica na vitrine mais que algumas horas. É muita bandalheira para pouco espaço. É muita pauta para pouco repórter. É delinquência demais para um país só. É tanta obscenidade que, nesta segunda década do século 20, o que houve na primeira parece anterior ao Segundo Testamento. Isso ajuda a explicar a curta escala nas manchetes feitas pelo sumiço das câmeras de vigilância do Planalto, assombro divulgado em entrevista a VEJA pelo general Sérgio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

A remoção dos aparelhos ocorreu no segundo semestre de 2009, informou Etchegoyen. Se tivesse consultado os jornais da época, teria descoberto que o motivo da remoção dos aparelhos teve (e tem) nome e sobrenome: Lina Vieira, secretária da Receita Federal afastada do cargo em agosto daquele ano. Entre a história protagonizada por ela e a entrevista do chefe do GSI passaram-se apenas sete anos ─ e no entanto o resgate do caso parece coisa de arqueologista. Aos fatos. Em 9 de agosto de 2009, numa entrevista à Folha, Lina Vieira fez revelações que escancaram a causa da sua substituição. Fora demitida por honestidade.

Estava marcada para morrer desde o fim de 2008, quando fez de conta que não entendeu a ordem transmitida por Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil, numa reunião clandestina ocorrida no Planalto: “agilizar”a auditoria em curso nas empresas da família do ex-presidente José Sarney. Em linguagem de gente, deveria encerrar o quanto antes as investigações, engavetar a encrenca e deixar em paz os poderosos pilantras. Dilma poderia alegar que não dissera o que disse. Como serial killers da verdade primeiro mentem para só depois pensarem em álibis menos mambembes, resolveu afirmar que a conversa nunca existiu.

Lina pulverizou a opção pelo cinismo com uma saraivada de minúcias contundentes. Contou que o convite para a reunião foi feito pessoalmente por Erenice Guerra, braço-direito, melhor amiga de Dilma e gatuna ainda sem ficha policial. Como confirmou Iraneth Weiler, chefe de gabinete da secretária da Receita, Erenice apareceu por lá para combinar a data e o horário da reunião. Também queria deixar claro que, por ser sigiloso, o encontro não deveria constar das agendas oficiais. ” Em depoimento no Senado, descreveu a cena do crime, detalhou o figurino usado pela protetora da Famiglia Sarney e reproduziu o diálogo constrangedor.

“Foi uma conversa muito rápida, não durou dez minutos”, resumiu. “Falamos sobre algumas amenidades e, então, Dilma me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho de Sarney”. No fecho do depoimento, repetiu a frase com que o abrira: “A mentira não faz parte da minha biografia”. As informações que fornecera permitiriam a qualquer investigador de chanchada esclarecer a delinquência em poucas horas. Mas Franklin Martins, ministro da Propaganda de Lula, achou pouco. “O ônus da prova cabe ao acusador”, declamou. “Cadê as provas?”.

Estão no Palácio do Planalto, reiterou Lina. Como dissera durante a inquisição dos senadores, ela chegou sozinha para o encontro noturno, teve a placa do carro anotada ao entrar pela garagem, passou pelo detector de metais, deixou o nome na portaria, subiu pelo elevador, esperou na sala ao lado de duas pessoas e caminhou pelo andar. “É só requisitar as filmagens”, sugeriu. “Não sou invisível. Não sou fantasma”. Logo se soube que, no sistema de segurança instalado no coração do poder, todo mundo virava fantasma um mês depois de capturada por alguma câmera. Numa espantosa nota oficial, o bando fantasiado de governo confessou que as imagens eram guardadas por 31 dias.

Haviam sido destruídas, portanto, as cenas do entra-e-sai de outubro e novembro de 2008, entre as quais as que documentaram as andanças de Lina Vieira. E os registros na garagem? Esses nunca existiram. Como o serviço de segurança à brasileira confia na palavra dos visitantes, tanto as placas dos carros oficiais quanto a identidade de quem zanza por ali não são registradas em papéis ou computadores. O porteiro limita-se a perguntar ao motorista se há uma autoridade a bordo. Assim, o governo não tinha como atender às interpelações de parlamentares oposicionistas.

Conversa de 171. Acobertados pela mentira, os sherloques a serviço da bandidagem destruíram as gravações. A ex-presidente fantasiada de mulher honrada enquadrou-se, sempre em parceria com Lula, nos crimes de ocultação de provas e obstrução da Justiça. As câmeras foram escondidas em lugar incerto e não sabido. Nunca mais deram as caras no palácio. Nos sete anos seguintes, os quadrilheiros com direito a foro privilegiado agiram com a desenvoltura de quem se livrara até daquele simulacro de esquema de vigilância. Deu no que deu.

O Crime Institucionalizado se reinventa e ameaça



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O que é pior? O Crime Institucionalizado, que comanda a máquina estatal pela hegemonia econômica e política? Ou sua variante marginal, o Poder Paralelo, que substitui os governos em algumas funções, e promove a violência, o medo e o terror, também sustentado pela matriz político-econômica que controla a superestrutura do Estado? Resposta objetiva: ambos são péssimos para a cidadania, porque são faces diferentes da mesma coisa que promove a insegurança jurídica.

Organizado institucionalmente para praticar a corrupção sistêmica, o esquema criminoso vive em simbiose com a máquina estatal. Opera em harmonia cínica ou em conflito aberto, dependendo das circunstâncias e conveniências. O crime só se organiza em parceria com integrantes do Estado e com a colaboração oculta de tentáculos no sistema financeiro. A ação delitiva tem um “parceiro” de primeira categoria: a omissão. No final das contas, são criminosas a bandidagem, a conivência com ela e a falta de combate efetivo a ela.

No Brasil, o Crime Institucionalizado tem a função primordial de manter a Nação subdesenvolvida e artificialmente na miséria. A superestrutura criminosa é controlada de fora para dentro do País. O Crime tem papel estratégico. Cumpre uma “missão” ideológica. Por isso, não é fácil combater e neutralizar as variadas organizações criminosas. Além de serem camaleônicas, seus verdadeiros chefões dificilmente são identificados e combatidos. No “enxugamento de gelo”, enquanto se elimina alguma peça criminosa, outras resistem, sobrevivem, se reinventam e seus tentáculos se multiplicam.

A base da sacanagem é a insegurança jurídica. Ela garante, ao mesmo tempo, a impunidade ou rigor seletivo (poupando quem interessa e punindo quem convém). A máquina judiciária e os aparelhos repressivos policiais e financeiros legitimam o Crime Institucionalizado. Não importa o debate inútil se a desgovernança criminosa ocorre de forma dolosa (intencional) ou culposa. É preciso ficar claro que o Crime Institucionalizado só será efetivamente combatido e neutralizado se a cultura criminosa for banida pela maioria esmagadora da sociedade brasileira. Ou seja, o Crime prevalecerá se não houver mudança no psicossocial e na estrutura estatal.

Em tempos de Lava Jato, a boa novidade é que os podres poderes são abertamente questionados pelas pessoas comuns, nas repartições públicas, nas ruas e nas redes sociais. Agora, o “acidente” mortal de avião com o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal serviu para botar medo na bandidagem estatal, ao mesmo tempo em que escancarou os males causados por nossa insegurança jurídica. Não haveria qualquer problema com a morte de um supremo magistrado se não houvesse o abjeto foro privilegiado para julgamento de autoridades e políticos corruptos.

A insegurança jurídica também fica evidente na polêmica sobre a sucessão do trabalho de Teori Zavascki. Ministros do STF já usam seus canais amigos na mídia para criticar a possibilidade de a presidente Cármen Lúcia avocar para si a homologação das delações premiadas dos 77 diretores da Odebrecht, antes de terminar o recesso do judiciário, em 31 de janeiro. Nas redes sociais, a torcida é para que a ministra tome logo esta decisão.

Nos bastidores do STF, o desejo é contrário: que Cármen Lúcia faça a redistribuição da relatoria da Lava Jato, em sorteio entre os 10 ministros, talvez excluindo ela mesma, que preside a Corte Suprema. O Presidente Michel Temer já deixou claro que não indicará ninguém para a vaga de Teori, antes que o STF resolva a pendenga com a Lava Jato.

A tendência é que Cármen Lúcia justifique a ululante urgência e promova a redistribuição imediata da relatoria da Lava Jato. Podem migrar para a segunda turma do STF, que cuida da Lava Jato, os ministros Marco Aurélio ou Luiz Fux – nesta ordem de preferência. Se o STF preferir postergar a decisão – o que parecerá temerário perante a opinião pública -, o Presidente Temer pode nomear o novo supremo magistrado. Os cotados são Ives Gandra Filho, Alexandre Moraes e Grace Mendonça.

As organizações criminosas não têm a menor pressa de que o STF tome uma decisão. Quanto mais demorar, melhor para os bandidos. A lentidão beneficia os infratores e as infindáveis chicanas de seus super bem pagos defensores. O dinheirão roubado pela estrutura criminosa está prontinho para ser reinvestido na aquisição de empresas estatais ou na formação de parcerias público-privadas... O Crime se reinventa...       

Mangueirão

Releia o artigo de domingo: Que “acidente” mataria a Lava Jato?


Mamando na teta


Clamor das ruas




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Janeiro de 2017.

FONTE - http://www.alertatotal.net/2017/01/o-crime-institucionalizado-se-reinventa.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+AlertaTotal+%28Alerta+Total%29