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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Crime Institucionalizado se reinventa e ameaça



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O que é pior? O Crime Institucionalizado, que comanda a máquina estatal pela hegemonia econômica e política? Ou sua variante marginal, o Poder Paralelo, que substitui os governos em algumas funções, e promove a violência, o medo e o terror, também sustentado pela matriz político-econômica que controla a superestrutura do Estado? Resposta objetiva: ambos são péssimos para a cidadania, porque são faces diferentes da mesma coisa que promove a insegurança jurídica.

Organizado institucionalmente para praticar a corrupção sistêmica, o esquema criminoso vive em simbiose com a máquina estatal. Opera em harmonia cínica ou em conflito aberto, dependendo das circunstâncias e conveniências. O crime só se organiza em parceria com integrantes do Estado e com a colaboração oculta de tentáculos no sistema financeiro. A ação delitiva tem um “parceiro” de primeira categoria: a omissão. No final das contas, são criminosas a bandidagem, a conivência com ela e a falta de combate efetivo a ela.

No Brasil, o Crime Institucionalizado tem a função primordial de manter a Nação subdesenvolvida e artificialmente na miséria. A superestrutura criminosa é controlada de fora para dentro do País. O Crime tem papel estratégico. Cumpre uma “missão” ideológica. Por isso, não é fácil combater e neutralizar as variadas organizações criminosas. Além de serem camaleônicas, seus verdadeiros chefões dificilmente são identificados e combatidos. No “enxugamento de gelo”, enquanto se elimina alguma peça criminosa, outras resistem, sobrevivem, se reinventam e seus tentáculos se multiplicam.

A base da sacanagem é a insegurança jurídica. Ela garante, ao mesmo tempo, a impunidade ou rigor seletivo (poupando quem interessa e punindo quem convém). A máquina judiciária e os aparelhos repressivos policiais e financeiros legitimam o Crime Institucionalizado. Não importa o debate inútil se a desgovernança criminosa ocorre de forma dolosa (intencional) ou culposa. É preciso ficar claro que o Crime Institucionalizado só será efetivamente combatido e neutralizado se a cultura criminosa for banida pela maioria esmagadora da sociedade brasileira. Ou seja, o Crime prevalecerá se não houver mudança no psicossocial e na estrutura estatal.

Em tempos de Lava Jato, a boa novidade é que os podres poderes são abertamente questionados pelas pessoas comuns, nas repartições públicas, nas ruas e nas redes sociais. Agora, o “acidente” mortal de avião com o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal serviu para botar medo na bandidagem estatal, ao mesmo tempo em que escancarou os males causados por nossa insegurança jurídica. Não haveria qualquer problema com a morte de um supremo magistrado se não houvesse o abjeto foro privilegiado para julgamento de autoridades e políticos corruptos.

A insegurança jurídica também fica evidente na polêmica sobre a sucessão do trabalho de Teori Zavascki. Ministros do STF já usam seus canais amigos na mídia para criticar a possibilidade de a presidente Cármen Lúcia avocar para si a homologação das delações premiadas dos 77 diretores da Odebrecht, antes de terminar o recesso do judiciário, em 31 de janeiro. Nas redes sociais, a torcida é para que a ministra tome logo esta decisão.

Nos bastidores do STF, o desejo é contrário: que Cármen Lúcia faça a redistribuição da relatoria da Lava Jato, em sorteio entre os 10 ministros, talvez excluindo ela mesma, que preside a Corte Suprema. O Presidente Michel Temer já deixou claro que não indicará ninguém para a vaga de Teori, antes que o STF resolva a pendenga com a Lava Jato.

A tendência é que Cármen Lúcia justifique a ululante urgência e promova a redistribuição imediata da relatoria da Lava Jato. Podem migrar para a segunda turma do STF, que cuida da Lava Jato, os ministros Marco Aurélio ou Luiz Fux – nesta ordem de preferência. Se o STF preferir postergar a decisão – o que parecerá temerário perante a opinião pública -, o Presidente Temer pode nomear o novo supremo magistrado. Os cotados são Ives Gandra Filho, Alexandre Moraes e Grace Mendonça.

As organizações criminosas não têm a menor pressa de que o STF tome uma decisão. Quanto mais demorar, melhor para os bandidos. A lentidão beneficia os infratores e as infindáveis chicanas de seus super bem pagos defensores. O dinheirão roubado pela estrutura criminosa está prontinho para ser reinvestido na aquisição de empresas estatais ou na formação de parcerias público-privadas... O Crime se reinventa...       

Mangueirão

Releia o artigo de domingo: Que “acidente” mataria a Lava Jato?


Mamando na teta


Clamor das ruas




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Janeiro de 2017.

FONTE - http://www.alertatotal.net/2017/01/o-crime-institucionalizado-se-reinventa.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+AlertaTotal+%28Alerta+Total%29

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Rumo a um “Politicídio”?



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Ainda não é uma tendência, porém crescem as chances de os brasileiros reagirem, radicalmente, contra a perigosa combinação entre corrupção, violência e impunidade. A tendência é que sejam escolhidos como alvos preferenciais “os políticos” (genericamente falando). Tal cenário de explosão social já é levado a sério por analistas militares. Não é à toa que muitos oficiais generais das Forças Armadas, sobretudo do Exército, têm se dedicado a estudar, ao longo da História brasileira, quando, como e por que ocorreram grandes revoltas populares.

Nada se compara à situação atual. Seria inconcebível e inaceitável pensar em um “politicídio” (assassinato em grandes proporções de políticos claramente identificados com o crime institucionalizado). A maioria da população não tem perfil para aderir a tamanha barbárie. No entanto, acentuam-se o descontentamento e a raiva contra políticos. A bronca é generalizada, mas a revolta pode atingir alguns, especificamente. Pode se dar mal quem insistir em defender criminosos, usando a retórica dos “direitos humanos” de forma cínica.

Nas redes sociais, viraliza um texto – que partiu de grupos de Policiais Militares – dando o tom da revolta em curso e chamando atenção para a malandragem retórica de quem flerta perigosamente com o crime: “Os deputados que defendem nossa segurança são chamados pela esquerda de bancada da bala. Vamos retribuir e chamar os que defendem os criminosos de bancada do crime. Vamos aderir a essa campanha. Precisamos ser proativos. Precisamos repudiar o politicamente correto, que transforma bandido em vítima social e a sociedade em cordeirinhos que defendem seus algozes. Ao referir-se a parlamentares do PT, PCdoB, PSOL ou qualquer outro que defende os bandidos, acrescente-lhe o aposto: da bancada do crime. Ex - Ivan Valente/PSOL , da bancada do crime, Erika Kokay/PT, da bancada do crime, Lindbergh Faria, da bancada do crime, Maria do Rosário, da bancada do crime, e por aí vai. Ajude espalhando essa idéia”.

Neste começo de 2017, a pauta governamental segue dominada pela “crise penitenciária” – que se arrasta há décadas, sempre sem solução real. Depois do dia 20 de janeiro, após a posse do Donald Trump, e, no começo de fevereiro, certamente depois do carnaval até março, as atenções se voltarão, fatalmente, para as homologações, pelo Supremo Tribunal Federal, das delações premiadas na Lava Jato, sobretudo contra políticos e membros importantes do governo peemedebista que dá seqüência ao petista.

Será necessário inventar outro assunto para desviar a atenção. Os verdadeiros chefões e estrategistas do Crime Institucionalizado (que ainda não moram em penitenciárias, mas sim em luxuosas residências) podem ter cometido seu erro fatal ao apelar, como de hábito, a uma explosão da violência nas cadeias, para tirar a corrupção do centro do noticiário. O feitiço tem tudo para se voltar contra os feiticeiros. É temerária a aposta de que a periferia, dominada pelo crime, vai jogar a favor da bandidagem organizada.

A crise estrutural (política, econômica e psicossocial) amplia a agrava a insatisfação da maioria das pessoas, em todas as classes sociais. Cada segmento tem uma percepção diferente do problema. No entanto, a maioria é prejudicada por suas causas e conseqüências. Quando se paga com a vida o negócio atinge proporções inimagináveis. O custo pessoal e social da corrupção se torna impagável.

O Combate à corrupção se transformou em uma causa transnacional... Vide a campanha da “Transparência Internacional” sobre o assunto: “Todas as formas de corrupção devem ser encerradas para garantir os direitos básicos de todas as pessoas e garantir um mundo onde todos possam viver com dignidade”. A entidade lança uma campanha mundial – A Declaração contra a Corrupção. Confira em:http://www.transparency.org/declaration/en

Os políticos (em geral) e os reais chefões do crime (em particular) têm tudo para se ferrar de forma nunca antes vista em nossa História... O recado também vale para os rentistas que financiam o Crime...

Releia o artigo de domingo: Em busca do salvador da Pátria que não virá


Bronca do empresário


Viraliza nas redes sociais, sobretudo nos zap-zaps da vida, um vídeo com o depoimento do empresário brasileiro Flávio Augusto da Silva, que vive na Flórida, porque aqui "está flórida"...

Dos EUA, ele dirige seus negócios: a rede de cursos de idiomas Wise UP e o time de futebol privado Orlando Soccer Club, onde joga o brasileiro Kaka.

Flávio demonstra, de modo coloquial, como os brasileiros são escravizados pelo Estado Corrupto.

Imagem Desconstruída


Pronto para o cargo


Dívida perigosa




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 16 de Janeiro de 2017.