quinta-feira, 18 de setembro de 2014

PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista

Lava Jato


Enivaldo Quadrado recebia dinheiro do PT para manter silêncio sobre contrato envolvendo desvios na Petrobras. Polícia investiga o caso em sigilo

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula
O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula (Montagem com fotos de Ailton de Freitas-Ag. O Globo/Joel Rodrigues-Folhapress/Rodolfo Buhrer-Estadão Conteúdo/Jeferson Coppola/VEJA)
A Polícia Federal já sabe quem é o homem que, em nome do PT, fazia as entregas de dinheiro a um grupo de chantagistas que ameaçava envolver o partido no escândalo de corrupção da Petrobras. Em sua última edição, VEJA mostrou que Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão, prometeu revelar detalhes sobre o envolvimento de petistas com o desvio de 6 milhões de reais do cofre da estatal. Para comprar seu silêncio, o partido cedeu à chantagem.
Cumprindo pena alternativa, Enivaldo Quadrado, o chantagista, recebe pagamentos regulares em dólares americanos. O dinheiro é entregue por um homem identificado apenas como sendo um conhecido militante do PT, influente, com estreitas  ligações com os chefes mensaleiros – e que faz o serviço  cumprindo ordens do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.
O valioso trunfo de Enivaldo Quadrado são as informações que ele possui sobre a triangulação de uma outra chantagem. Em 2012, o publicitário Marcos Valério, outro condenado no mensalão, revelou ao Ministério Público que o empresário Ronan Maria Pinto estava ameaçando envolver o então presidente Lula e seus auxiliares, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Para evitar que isso acontecesse, o PT deu a ele 6 milhões de reais, dinheiro que saiu dos cofres da Petrobras, segundo Marcos Valério.
Enivaldo Quadrado conhece todos os detalhes da operação e guardou consigo a cópia de um contrato que formalizou o repasse milionário a Ronan Maria Pinto, o primeiro chantagista. Por isso, seu silêncio agora vale tanto.

Palácio da Alvorada é residência oficial ou comitê de campanha?


Mara Bergamaschi
Estamos já na terceira campanha consecutiva em que o presidente encastelado no poder disputa o direito de suceder a si mesmo sem que, apesar das muitas leis existentes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consiga coibir, a tempo e a hora, abusos no uso da máquina pública.
Com decisões lentas e pouco exigentes da Justiça Eleitoral, um dos principais males do modelo brasileiro de reeleição mantém-se intocado há mais de 15 anos: a total falta de igualdade de oportunidades entre os candidatos.
A Lei das Eleições (9504/1997), em seu artigo 73, diz claramente que é proibido ao agente público ceder bens móveis ou imóveis da União para candidatos ou partidos, bem como usar em campanha materiais ou serviços custeados pelos cofres públicos.
Uma semana antes do início da propaganda eleitoral na TV, a maioria dos ministros do TSE considerou, ao analisar uma ação do PSDB, que os candidatos a presidente, governador e prefeito poderiam usar “suas residências oficiais para a realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes à própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público.”
Entretanto, o que temos visto todos os dias, sem que a Justiça Eleitoral faça sequer uma advertência, é que o Palácio da Alvorada, residência oficial da candidata Dilma Rousseff (PT), transformou-se na prática em comitê-sede de campanha, além de seu principal estúdio de gravação.
Eventos que seguem diretamente para exibição no horário eleitoral e para reprodução nos telejornais e sites de notícias. Exemplo recente: a candidata recebeu, no 7 de Setembro, dezenas de jovens representantes de movimentos sociais no Alvorada. A conversa terminou com os convidados declarando seu apoio à reeleição.
Dias depois, foi a vez de meia centena de reitores de universidades públicas aproveitar evento oficial em Brasília para entregar a Dilma, novamente no Alvorada, sua carta de adesão. Eles estavam acompanhados pelo ministro da Educação.
Se a chamada liturgia do cargo costuma deslumbrar até jornalistas de fora de Brasília, imagina o efeito que essas imagens palacianas podem ter sobre o eleitor menos informado. Mostrada na TV sempre à vontade em seu trono no Alvorada, a presidente eleva-se acima dos demais candidatos – colocados na condição de plebeus. Uma situação nada republicana.

Tribunal Superior Eleitoral, plenário – Foto: Roberto Jayme / TSE 

Mara Bergamaschi é jornalista, escritora e mãe

Lula requenta o truque de 2006


Elio Gaspari, O Globo
Nosso Guia quer confundir a Petrobras com a gestão do comissariado petista com que aparelhou a empresa
Lula fez uma involuntária defesa do voto útil, aquele que vai para qualquer lugar, desde que o PT vá embora. Foi para a frente do prédio da Petrobras e disse o seguinte:
“Já houve três pedidos de CPI só na Petrobras. Eu tenho a impressão de que essas pessoas pedem CPI para, depois, os empresários correrem atrás delas e achacarem esses empresários para ganhar dinheiro. (...) Se alguém roubou, esse alguém tem mais é que ser investigado, ser julgado. Se for culpado, tem que ir para a cadeia.”
A Petrobras petista apareceu em várias CPIs. A primeira, de 2005, foi a do mensalão. Duas outras foram específicas e, com a ajuda do comissariado, deram em nada.
Se Nosso Guia acha (e tem motivos para isso) que, incentivando-as, há “pessoas” achacando empresários que correm “atrás delas”, não se conhece uma só fala de petista denunciando achacados ou achacadores. O relator da comissão que está funcionando é o petista Marco Maia.
O primeiro comissário apanhado em malfeitorias relacionadas com a Petrobras foi o secretário-geral do PT, Silvio Pereira. “Silvinho” fez um acordo com Ministério Público e trocou o risco de uma condenação por 750 horas de trabalho comunitário. Ele ganhara um reles Land Rover de um fornecedor da Petrobras.
Nem Lula nem o PT condenaram-no publicamente. Se o tivessem feito, teriam emitido um sinal. Afinal, dissera o seguinte: “Há cem Marcos Valérios por trás do Marcos Valério.” Ele está na cadeia. Salvo a bancada da Papuda, os demais estão soltos.
Em 2009, quando foi instalada a primeira CPI para tratar exclusivamente da Petrobras, o comissariado disse que a iniciativa tentava tisnar a imagem da empresa. Resultou que ela tisnou a imagem do instituto da CPI e os petrocomissários continuaram nos seus afazeres. Paulo Roberto Costa estava na diretoria da Petrobras desde 2004. Em oito anos, amealhou pelo menos US$ 23 milhões.
A CPI de hoje é abrilhantada também pelos petistas Humberto Costa, José Pimentel e Sibá Machado. Nenhum deles, nem Marco Maia, deve vestir a carapuça da fala de Lula, mas jamais apontaram um achacador. 
“Paulinho” foi preso em abril pela Polícia Federal e em seu escritório foram recolhidas abundantes provas de seus malfeitos. Ele prestou um depoimento à CPI em junho e o senador Humberto Costa considerou-o “satisfatório”.
“Paulinho” disse o seguinte: “A Petrobras não é uma empresa bandida nem tem bandidos em seus quadros.” Tinha pelo menos um, hoje confesso: ele próprio.
Nessa comissão, como na anterior, a bancada governista não se deu conta do risco que corria. Descobriu-o há poucas semanas, quando “Paulinho” começou a colaborar com a Viúva.
De saída, devolverá os US$ 23 milhões guardados em sua conta suíça, revelação ocorrida no dia seguinte ao seu depoimento. Nessa faxina não houve a colaboração do PT.
Durante a campanha eleitoral de 2006, o comissariado encurralou o tucanato, acusando-o de ter tentado privatizar a Petrobras. Era mentira, mas deu certo.
Passados oito anos, Lula requentou o truque, mas há uma diferença: uma pessoa de boa-fé podia acreditar que os tucanos quisessem privatizar a Petrobras, mas fica-lhe difícil achar que falar em petrorroubalheiras possa prejudicar a empresa.

Elio Gaspari é jornalista

POEMA DA NOITE Existem, por Domingos Guimaraens


para Caroline Valansi
existem poemas que se escrevem com palavras
o seu quero escrever com o corpo
com esse gosto de quando nossa pele se encosta
corrente elétrica atravessando a medula
existem poemas que se escrevem com tinta
o seu eu quero com água
este e aquele mundo submersos
onde com você eu posso respirar
Existem poemas que se escrevem sozinhos
o seu eu quero acompanhado
com sorrisos ou com lágrimas 
dessas dores e delícias que são da vida
mas que só a gente sabe torcer
pra curar as feridas e fazer durar 
mais um pouquinho
o prazer explosivo
de antes do amanhecer
existem poemas em silêncio
o seu eu quero aos berros
com gritos e sussurros
gargalhadas e gemidos
existem poemas que explicam
o seu eu quero com mistérios
pra desvendar
caça ao tesouro secreto
escondido onde nem você sabia
existem poemas que são aqui
o seu eu quero em todo lugar

Domingos Guimaraens nasceu no Rio de Janeiro em 1979 - É poeta e artista plástico. Pertence ao coletivo poético Os Sete Novos, ao lado de Augusto de Guimaraens Cavalcanti e Mariano Marovatto e, juntos, publicaram o livro Amoramérica. Domingos ajudou na organização do CEP 20000 (Centro de Experimentação Poética) por alguns anos, recentemente publicou o poema Um Épico pela Cartonera Caraatapa. Como artista plástico, pertence ao grupo Opavivará.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Com tanta roubalheira revelada, como é que o governo do PT não cai ?

polibiobraga.blogspot.com.br/2014/09/com-tanta-roubalheira-revelada-como-e.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+JornalistaPolibioBraga+(Jornalista+Polibio+Braga)

CLIQUE AQUI para ler, também, nota de Reinaldo Azevedo
sobre decisão do juiz federal do Paraná, Sérgio Morro, que mandou soltar o advogado qwue delatou o deputado Argôllo e o banco Merril Lich.

Este é o título do comentário do editor, baseado na repercussão de novas e corrosivas reportagens publicadas neste final de semana pelas revistas Veja, Época e IstoÉ. São revelações espantosas, ora estabelecendo conexões claras entre o Mensalão e o Petrolão e ora contando em detalhes como o mar de lama espraia-se sob os porões dos Palácios do Planalto e do Alvorada.

. Os termos usados pelas revistas semanais não poderiam ser menos ofensivos do que são. Palvras como “infames”, “mentirosos”, “ladrões”, “assaltantes”, são recorrentes em todas as reportagens.

. É o fim do mundo.

. O ano não pode encerrar sem que alguém acabe pagando caro pela vergonha por que passa neste momento o povo brasileiro.

CLIQUE na imagem a seguir para ler o comentário do editor, intitulado Com tanta roubalheira revelada, como é que o governo do PT não cai ?


Marina rebate Lula: "Nao vou debater com auxiliares de Dilma"


Em um de seus discursos mais longos e inflamados nesta campanha, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, falou grosso contra a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e seu padrinho político, o ex-presidente Lula, nesta segunda-feira em São Paulo.

. Questionada sobre nova crítica do ex-presidente Lula, que disse que a neo-socialista pode perder seu programa de governo em razão de sua suposta instabilidade, Marina respondeu provocando: “Estou fazendo debate com Dilma e Aécio. Não vou fazer embate nem com eles, nem com seus auxiliares”, disparou num encontro com artistas.

. Em um discurso de 40 minutos, a candidata do PSB voltou se dizer vítima de “acusações infundadas” de seus adversários, que estariam fazendo dela uma verdadeira “exterminadora do futuro” ao insinuar que, ganhando a campanha, ela acabaria com o Bolsa Família, o pré-sal e o Minha Casa Minha Vida, programas federais de sucesso.