Posted: 01 Jun 2014 06:13 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Já podemos proclamar que sobrevivemos na “União das Repúblicas Sindicalistas do Brazil”. Viva a Presidenta Dilma Rousseff, que num só golpe de canetada, baixou o Decreto 8243. Nossa “tovarich” instituiu a “Política Nacional de Participação Social” e o “Sistema Nacional de Participação Social”. A PNPS e a SNPS são a base soviética do Capimunismo de Estado Tupiniquim. Quem controla os movimentos sociais vai comandar o País.
O que vem por aí, se tal sistema for implantado do jeitinho que a petralhada autoritária concebeu, é a disputa pela hegemonia na tal de “sociedade civil organizada”. Quem não for aliado, será tratado como adversário e, muito provavelmente, como inimigo – de preferência, a ser eliminado ou neutralizado pela via da legislação casuisticamente aprovada pelos poderosos grupelhos de plantão e sacramentada por um judiciário submisso, ineficiente e injusto.
Se houver reação, o Brasil tende a mergulhar em uma inédita guerra civil. As pré-condições para o conflito social já estão bem configuradas. Basta constatar o crescente poderio econômico e bélico das organizações criminosas. Tudo viabilizado pela combinação cínica e delituosa entre a ação política, sua ideologia mentirosa, e governança organizada do crime. A corrupção, a violência, o terror e a ignorância da maioria dominam o País da Impunidade.
Nessa conjuntura, só prosperam organizações comparsas do capimunismo em vigor. A própria gestão macroeconômica fica submetida à delinquência sistêmica. Lucra quem especula, corrompe, rouba, abusa da usura e sonega impostos (escorchantes, aliás). Lidera o processo quem usa informações privilegiadas obtidas junto aos podres poderes estatais. A hegemonia é da minoria de gangsters mafiosos que exportam a grana que roubam aqui e, na hora certa, fazem o dinheiro voltar no formato de supostos “investimentos estrangeiros diretos”. Por isso, existem tantas dinastias políticas muito ricas – algumas bilionárias.
Não existe crise para esses privilegiados neorricaços da politicagem com o crime organizado. Mas o bicho já começa a pegar para o resto dos brasileiros, de todas as classes, que dependem de trabalhar, produzir de verdade, gerar empregos, pagar impostos e cumprir com seus deveres cívicos. A vida fica complicada para quem depende de crédito novo. Pior é a situação de quem está encalacrado para pagar as dívidas atuais. É o terror dos juros altíssimos e taxas abusivas cobradas pelos bancos que lucram emprestando o dinheiro dos outros (e não o deles). Os banqueiros tupiniquins ostentam lucros recordes graças ao modelo de usura.
A situação brasileira é surreal na comparação com o resto do primeiro mundo. “Está cada vez mais difícil para os bancos americanos gerarem lucro”. Banqueiro brasileiro deve morrer de rir do título dessa reportagem assinada por Robin Sidel e Andrew Johnson, do prestigiado The Wall Street Journal. A mesma publicação traz outra reportagem, escrita por Monica Houston-Waesch e Paul Hannon, informando o aperto bancário na Europa: “Escassez de crédito continua arrastando economias da Zona do Euro”.
Nos EUA, as instituições financeiras estão encontrando dificuldades para conseguir lucros tanto no varejo como no mercado financeiro. Uma forte queda nos empréstimos imobiliários e uma desaceleração no mercado de negociação de ativos levaram a uma retração de 7,6% no lucro líquido no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado nos 6.730 bancos comerciais e instituições de poupança. Os dados alarmantes são do FDIC, a agência norte-americana garantidora dos depósitos bancários. Na terra do Tio Sam, os juros baixos são insuficientes para estimular novos financiamentos imobiliários. O FDCI lista 411 instituições financeiras na “lista de problemas”.
Já no Brasil dos juros estratosféricos, os bancos não sabem o que fazer com tanto lucro recorde a cada resultado trimestral. Por aqui, onde sobra dinheiro, os banqueiros financiam incorporações e construções imobiliárias. O movimento eleva os preços dos imóveis. Também faz os aluguéis dispararem. Inquilinos e comerciantes sofrem pressões espúrias na hora de renovarem seus contratos. As imobiliárias, que operam como cartéis mafiosos, impõem sua vontade. Quem precisa morar ou sediar seu negócio fica sem alternativa. Uns quebram, outros tentam fugir para as periferias – onde os aluguéis também estão absurdos.
O crédito imobiliário também não anda fácil no Brasil – pelo menos para a classe média, que precisa comprovar renda alta para conseguir financiamentos para comprar imóveis com preços claramente especulativos, fora da realidade. Curiosamente, principalmente nas áreas nobres dos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo quem aparece como compradores dos imóveis cada vez mais caros?
A resposta inocente de corretores imobiliários: “investidores estrangeiros”. Na verdade, a maioria dos supostos “gringos” são “laranjas” dos bandidos políticos brasileiros – que mandam dinheiro para fora e fazem o famoso “draw-back” (retorno da grana, que a compra de imóveis e investimentos em ações ajudam a “lavar”). Se a Super Receita Federal – que tem uma área de inteligência com profissionais sérios e brilhantes – fizer uma devassa no patrimônio de políticos, nos parentes deles ou em seus parceiros de negócios, vai descobrir uma surpreendente evolução patrimonial, em renda e imóveis, totalmente incompatível com os ganhos normais das figuras com a atividade de “político profissional” (um dos absurdos institucionais tupiniquins). A Operação Lava Jato deu uma pequena demonstração de como toca tal banda de sacanagem.
O cenário é dos mais esquisitos. A “Copa do Jegue”, que a propaganda governamental promete ser a “copa das copas”, já nos deixa o legado de promessas descumpridas, com obras superfaturadas, incompletas e inacabadas, junto com aumentos especulativos de preços (dos aluguéis, vestuário, transportes, comunicação e comida). Se a Seleção Brasileira vencer, a maioria dos problemas tende a ser escondido debaixo dos tapetes – como de costume. Mas se os canarinhos não decolarem, muitas vacas vão para o brejo, junto com as bestas, os jegues, os burros e outros animais nojentos da politicagem tupiniquim.
O cenário político também é tétrico e apavorante. Tanto que o PT resolveu antecipar seu pacotinho de maldades com o Decreto 8243 – para consolidar o aparelhamento da máquina estatal, nos moldes que fazem inveja aos velhos camaradas soviéticos. O PT tem tudo para perder a eleição presidencial. O problema é que, até agora, a “oposição” – com Eduardo Campos e Aécio Neves - ainda não mostrou o que pretende fazer de diferente dos petistas. Nessa inércia, os eternos governistas do PMDB só aguardam a hora de escolher em que Titanic vão embarcar para a próxima gestão...
O Alerta Total insiste na tese clara e objetiva. Não existe previsão de mudança do modelo político e econômico brasileiro, no curto e médio prazos. Com tudo mudando de mentirinha, para ficar a mesma coisa na verdade, o Brasil não cresce o suficiente. Não permite a evolução da mentalidade cultural produtiva, realmente geradora de emprego e renda, superando a especulação financeira ou o clientelismo das “bolsas-assistencialistas”.
O que pode acontecer, com a derrota eleitoral do PT, é um processo violento de conflitos na máquina estatal – infestada pelos parasitas do partido trambiqueiro e dominada pela governança do crime organizado. Quem vencer terá toda sorte de dificuldades para desalojar a petralhada do sistema de poder. O próximo ocupante (menos chance para uma ocupanta) do Palácio do Planalto terá sua governabilidade bastante prejudicada. Desenha-se um cenário de “guerra civil” no horizonte perdido do Brasil. Depois dela, pode ocorrer uma onda de separatismos...
Se a taça do mundo será nossa, ainda não dá para ter certeza. Mas que, em 2015, não há quem possa com os baderneiros, é uma hipótese a ser levada a sério. O risco institucional nunca foi tão alto. Quem apostar que vai se dar bem a partir do caos instaurado corre o alto risco de se dar mal no final das contas.
A incompetência petista, em parceria com a governança do crime, estuprou a Nação. O Brasil precisa, urgentemente, de um modelo político, econômico e social diferente do atual. O novo paradigma precisa ser focado na gestão eficiente, na honestidade, na produção, no trabalho, no ensino de qualidade, e no desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo a recuperação do poder de dissuasão militar. Enfim, temos de implantar um Capitalismo de verdade por aqui.
Se o Brasil, mesmo tirando o PT no poder, continuar no mesmo caminho do passado, com o “Capimunismo de sempre”, nosso futuro próximo será uma mera continuidade da corrupção, roubo, usura e violência que agora domina a “URSB”. Nem o mais FDP dos brasileiros merece um regime tão desqualificado.
Por enquanto, a seleção da máfia vence a Copa do Jegue, de goleada. O consolo é que, no juízo final da competição, os mafiosos não poderão levar o que roubaram para seus túmulos. Então, que a terra lhes seja leve – como diria o velho Machado de Assis.
Vamos ter amor, fé e esperança que seremos capazes de mudar o Brasil para melhor. Já passou da hora de agir. Quem se omitir pagará caro no juízo final – cada vez mais próximo. Não merecemos acabar no saco de lixo da História!
Por isso, “avante, brasileiros, sempre avante” – como está escrito naquela primeira estrofe do Hino Nacional Brasileiro, propositalmente omitida da canção tradicional. Avante!
Todos na Torcida
Releia o artigo de sábado: “Oposição”, juristas e militares (ainda não corrompidos) reagirão ao golpe do Decreto 8243? Quando?
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 1º de Junho de 2014. |
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domingo, 1 de junho de 2014
Corrupção, roubo, usura e violência na “URSB”
Esquerda e direita - DAVID COIMBRA
ZERO HORA - 30/05
Entre esquerda e direita, prefiro a esquerda. A esquerda faz uma ideia generosa da vida, de defesa do fraco contra o forte. Mas as pessoas de esquerda têm um defeito irritante: o hábito de julgar os outros por suas ideias. Para muitas pessoas de esquerda, quem não pensa como elas é desprezível.
Ideias têm alguma importância. Não muita. Conheço supremos canalhas que são esquerdistas perfeitos. O que torna um ser humano melhor não são suas ideias; são os seus sentimentos e o seu comportamento, sobretudo a forma como trata os outros seres humanos.
O Brasil é governado há meia geração por um partido de esquerda. O PT seria a nêmesis da ditadura militar, a direita mais renhida. Mas, olhando para um e outra, me espanto: como são parecidos! Hoje encontro gente agradecida ao PT pelos ótimos Bolsa Família, Minha Casa eProUni, e lembro que só cursei minha faculdade graças ao Crédito Educativo e que minha mãe só comprou nosso apartamento graças ao BNH. Deveríamos ser agradecidos à ditadura? Os dois, PT e ditadura, tentaram diminuir as diferenças sociais por meio de programas, não com mudanças de sistema.
Ambos, PT e ditadura, são desenvolvimentistas, o PAC é o PND. A ditadura fez a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, a Freeway, o Pólo Petroquímico, a Usina de Itaipu. O PT quer fazer Belos Montes, compra usinas no Exterior, duplica a BR-101, planeja a segunda ponte do Guaíba, pretende terminar a transposição do São Francisco. Em Porto Alegre, a esquerda tem feroz apreço pelo 1 milhão e 400 mil árvores da cidade. Destas, 1 milhão e 100 mil foram plantadas na gestão de Socias Villela, prefeito nomeado pela ditadura. Na ditadura, a imprensa era censurada. O PT sonha com a censura disfarçada pelo "controle social da mídia". O PT e a ditadura são estatizantes, os dois apostaram na indústria automobilística como pilar de desenvolvimento e tiveram seus empresários-modelo, seja os financiadores da Oban nos anos 70, seja Eike e seus R$ 10 bilhões captados junto ao BNDES nos 2000.
Lula aproveitou o bom momento econômico internacional e fez o Brasil crescer até 7,5%. Semelhante a Médici, que levou o país a 10%. Depois de Médici, assim como depois de Lula, a economia virou. Seus sucessores, Geisel e Dilma, tiveram de enfrentar momentos delicados e um país em princípio de ruptura social. Sarney e Maluf, velhos próceres do PDS, o partido da ditadura, são eleitores entusiasmados do PT, embora Maluf reclame que o PT esteja à sua direita.
Mas nem a esquerda nem a direita aproveitaram seus bons momentos para fazer reformas estruturais. Quanto mais rico fica o Brasil, mais degenerado se torna como nação. Na ditadura e na gestão do PT, o Brasil melhorou para milhões de indivíduos; piorou como país. Foram medidas analgésicas, não curativas. Não por má intenção, diga-se. Houve, sim, vontade de fazer o melhor. Por isso, não me agradam petistas que não enxergam decência fora do PT e não me agrada quem chama os petistas de petralhas. Melhor seria se compreendessem que tanto à esquerda quanto à direita há gente, muita gente, que quer o bem do Brasil. É este o sentimento mais importante. Porque na prática, como se vê, não faz muita diferença.
Entre esquerda e direita, prefiro a esquerda. A esquerda faz uma ideia generosa da vida, de defesa do fraco contra o forte. Mas as pessoas de esquerda têm um defeito irritante: o hábito de julgar os outros por suas ideias. Para muitas pessoas de esquerda, quem não pensa como elas é desprezível.
Ideias têm alguma importância. Não muita. Conheço supremos canalhas que são esquerdistas perfeitos. O que torna um ser humano melhor não são suas ideias; são os seus sentimentos e o seu comportamento, sobretudo a forma como trata os outros seres humanos.
O Brasil é governado há meia geração por um partido de esquerda. O PT seria a nêmesis da ditadura militar, a direita mais renhida. Mas, olhando para um e outra, me espanto: como são parecidos! Hoje encontro gente agradecida ao PT pelos ótimos Bolsa Família, Minha Casa eProUni, e lembro que só cursei minha faculdade graças ao Crédito Educativo e que minha mãe só comprou nosso apartamento graças ao BNH. Deveríamos ser agradecidos à ditadura? Os dois, PT e ditadura, tentaram diminuir as diferenças sociais por meio de programas, não com mudanças de sistema.
Ambos, PT e ditadura, são desenvolvimentistas, o PAC é o PND. A ditadura fez a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, a Freeway, o Pólo Petroquímico, a Usina de Itaipu. O PT quer fazer Belos Montes, compra usinas no Exterior, duplica a BR-101, planeja a segunda ponte do Guaíba, pretende terminar a transposição do São Francisco. Em Porto Alegre, a esquerda tem feroz apreço pelo 1 milhão e 400 mil árvores da cidade. Destas, 1 milhão e 100 mil foram plantadas na gestão de Socias Villela, prefeito nomeado pela ditadura. Na ditadura, a imprensa era censurada. O PT sonha com a censura disfarçada pelo "controle social da mídia". O PT e a ditadura são estatizantes, os dois apostaram na indústria automobilística como pilar de desenvolvimento e tiveram seus empresários-modelo, seja os financiadores da Oban nos anos 70, seja Eike e seus R$ 10 bilhões captados junto ao BNDES nos 2000.
Lula aproveitou o bom momento econômico internacional e fez o Brasil crescer até 7,5%. Semelhante a Médici, que levou o país a 10%. Depois de Médici, assim como depois de Lula, a economia virou. Seus sucessores, Geisel e Dilma, tiveram de enfrentar momentos delicados e um país em princípio de ruptura social. Sarney e Maluf, velhos próceres do PDS, o partido da ditadura, são eleitores entusiasmados do PT, embora Maluf reclame que o PT esteja à sua direita.
Mas nem a esquerda nem a direita aproveitaram seus bons momentos para fazer reformas estruturais. Quanto mais rico fica o Brasil, mais degenerado se torna como nação. Na ditadura e na gestão do PT, o Brasil melhorou para milhões de indivíduos; piorou como país. Foram medidas analgésicas, não curativas. Não por má intenção, diga-se. Houve, sim, vontade de fazer o melhor. Por isso, não me agradam petistas que não enxergam decência fora do PT e não me agrada quem chama os petistas de petralhas. Melhor seria se compreendessem que tanto à esquerda quanto à direita há gente, muita gente, que quer o bem do Brasil. É este o sentimento mais importante. Porque na prática, como se vê, não faz muita diferença.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Quem é Eduardo Campos?”
Xuxa, após pedido de desculpas de político pelas grosserias do Pastor Eurico (PSB-PE)
BANCO SANTOS: ARQUIVADO INQUÉRITO CONTRA SARNEY
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, decidiu ontem à noite arquivar o inquérito policial sobre denúncia de que o senador José Sarney (PMDB-AP) teria se beneficiado de informação privilegiada para sacar R$ 2 milhões do Banco Santos, do seu amigo Edemar Cid Ferreira, na véspera da decretação de intervenção do Banco Central. O ministro deixa claro, em sua decisão, que nem sequer houve crime.
SEM IRREGULARIDADE
O criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, demonstrou que Sarney não praticou a irregularidade que lhe era imputada.
PGR: ARQUIVAMENTO
O procurador-geral Rodrigo Janot pediu o arquivamento do inquérito contra Sarney até porque o suposto crime prescreveu em 2010.
DE GALOCHA
A Prefeitura de Manaus (AM), que declarou estado de emergência, reza ao céus para que o Rio Negro dê uma trégua durante os jogos da Copa.
DATAS
Em outubro, Joaquim Barbosa, já ex-ministro do STF, faz 60 anos. Em outubro de 2015, Lula, seu criador arrependido, chega aos 70.
JUSTIÇA DE OLHO NO AMIGO ARGENTINO DE GABAS
A Justiça argentina está apertando o cerco contra Amado Boudou, vice de Cristina Kirchner, sobre quem pesam diversas acusações por abuso de influência para enriquecimento ilícito. Boudou é muito amigo do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas. Na última visita que fez a Brasília, há dois anos, o vice-presidente argentino passeou por Brasília na garupa da moto do amigão Gabas.
DISPOSIÇÃO
O deputado Bruno Araújo topa disputar o governo de Pernambuco. Só falta o presidente do PSDB, Aécio Neves, bater o martelo.
ROUBADA
Os bravos policiais militares do Bope, que vão patrulhar as ruas do Rio, não têm culpa, mas já têm apelido nas ruas: Roubocopa.
PUXADOR DE VOTOS
O deputado Romário (PSB-RJ) sofre pressão para desistir do Senado e disputar a reeleição para, com seus votos, ajudar a bancada a crescer.
OPERAÇÃO ABAFA
Os maiores empreiteiros do País montam um “time dos sonhos” (para eles) de criminalistas, com a influência de um Marcio Thomaz Bastos, para tentar anular a Operação Lava Jato na Justiça.
UM A MENOS
O vice-presidente Michel Temer resolveu a confusão do PMDB do Piauí. O deputado Marcelo Castro, ligado ao líder na Câmara, Eduardo Cunha, anuncia segunda-feira que não é mais candidato a governador.
SEM NOÇÃO
Depois de dizer que sugeriu a Lula indicar um negro ao STF, mas não Joaquim Barbosa, o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), pirou de vez: disse que o PIBinho de 0,2% é “positivo”.
CASO ENCERRADO
Para o Itamaraty, bastam os três meses sem salário como “castigo” para o embaixador Américo Fontenelle por assédio moral, sexual e homofobia no consulado-geral em Sidney (Austrália). Ele queria menos.
O CHAVISMO É AQUI
O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), tentará barrar decreto de Dilma criando “conselhos populares”, estrutura paralela ao Congresso. Para ele, é cópia do aparelhamento na Venezuela.
MEDO, DESINFORMAÇÃO...
Após embromar por dois dias, a assessoria do Itamaraty se recusou a informar o valor do seu orçamento para tecnologia. Com a má vontade habitual, ainda desafiou a coluna a usar a Lei de Acesso à Informação.
...E UM GRANDE EQUÍVOCO
Suspeitava-se que a invasão de hackers à internet do Itamaraty, há dias, decorreu da falta de investimentos do governo, mas quem ignora até o próprio custo não deve saber grande coisa sobre informática.
À BEIRA DO CAIS
Por falta de know-how e tecnologia, a Zona Franca de Manaus vai recrutar engenheiros argentinos para dar conta das importações marítimas da Argentina, diz o jornal Buenos Aires Herald.
BALDE DE PIPOCA
O pré-aposentado ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, já tem filme para alugar no primeiro fim de semana relax: “Um estranho no ninho”.
PODER SEM PUDOR
POLÍTICO TEM MOLA
Durante a apresentação do pífio relatório da CPI do Banestado, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, era um deputado tucano e lamentou que "a montanha pariu um rato": só denunciou um político, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, para ele "um cachorro morto". O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), discordou na hora:
- Fundo do poço de político tem mola!
Xuxa, após pedido de desculpas de político pelas grosserias do Pastor Eurico (PSB-PE)
BANCO SANTOS: ARQUIVADO INQUÉRITO CONTRA SARNEY
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, decidiu ontem à noite arquivar o inquérito policial sobre denúncia de que o senador José Sarney (PMDB-AP) teria se beneficiado de informação privilegiada para sacar R$ 2 milhões do Banco Santos, do seu amigo Edemar Cid Ferreira, na véspera da decretação de intervenção do Banco Central. O ministro deixa claro, em sua decisão, que nem sequer houve crime.
SEM IRREGULARIDADE
O criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, demonstrou que Sarney não praticou a irregularidade que lhe era imputada.
PGR: ARQUIVAMENTO
O procurador-geral Rodrigo Janot pediu o arquivamento do inquérito contra Sarney até porque o suposto crime prescreveu em 2010.
DE GALOCHA
A Prefeitura de Manaus (AM), que declarou estado de emergência, reza ao céus para que o Rio Negro dê uma trégua durante os jogos da Copa.
DATAS
Em outubro, Joaquim Barbosa, já ex-ministro do STF, faz 60 anos. Em outubro de 2015, Lula, seu criador arrependido, chega aos 70.
JUSTIÇA DE OLHO NO AMIGO ARGENTINO DE GABAS
A Justiça argentina está apertando o cerco contra Amado Boudou, vice de Cristina Kirchner, sobre quem pesam diversas acusações por abuso de influência para enriquecimento ilícito. Boudou é muito amigo do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas. Na última visita que fez a Brasília, há dois anos, o vice-presidente argentino passeou por Brasília na garupa da moto do amigão Gabas.
DISPOSIÇÃO
O deputado Bruno Araújo topa disputar o governo de Pernambuco. Só falta o presidente do PSDB, Aécio Neves, bater o martelo.
ROUBADA
Os bravos policiais militares do Bope, que vão patrulhar as ruas do Rio, não têm culpa, mas já têm apelido nas ruas: Roubocopa.
PUXADOR DE VOTOS
O deputado Romário (PSB-RJ) sofre pressão para desistir do Senado e disputar a reeleição para, com seus votos, ajudar a bancada a crescer.
OPERAÇÃO ABAFA
Os maiores empreiteiros do País montam um “time dos sonhos” (para eles) de criminalistas, com a influência de um Marcio Thomaz Bastos, para tentar anular a Operação Lava Jato na Justiça.
UM A MENOS
O vice-presidente Michel Temer resolveu a confusão do PMDB do Piauí. O deputado Marcelo Castro, ligado ao líder na Câmara, Eduardo Cunha, anuncia segunda-feira que não é mais candidato a governador.
SEM NOÇÃO
Depois de dizer que sugeriu a Lula indicar um negro ao STF, mas não Joaquim Barbosa, o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), pirou de vez: disse que o PIBinho de 0,2% é “positivo”.
CASO ENCERRADO
Para o Itamaraty, bastam os três meses sem salário como “castigo” para o embaixador Américo Fontenelle por assédio moral, sexual e homofobia no consulado-geral em Sidney (Austrália). Ele queria menos.
O CHAVISMO É AQUI
O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), tentará barrar decreto de Dilma criando “conselhos populares”, estrutura paralela ao Congresso. Para ele, é cópia do aparelhamento na Venezuela.
MEDO, DESINFORMAÇÃO...
Após embromar por dois dias, a assessoria do Itamaraty se recusou a informar o valor do seu orçamento para tecnologia. Com a má vontade habitual, ainda desafiou a coluna a usar a Lei de Acesso à Informação.
...E UM GRANDE EQUÍVOCO
Suspeitava-se que a invasão de hackers à internet do Itamaraty, há dias, decorreu da falta de investimentos do governo, mas quem ignora até o próprio custo não deve saber grande coisa sobre informática.
À BEIRA DO CAIS
Por falta de know-how e tecnologia, a Zona Franca de Manaus vai recrutar engenheiros argentinos para dar conta das importações marítimas da Argentina, diz o jornal Buenos Aires Herald.
BALDE DE PIPOCA
O pré-aposentado ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, já tem filme para alugar no primeiro fim de semana relax: “Um estranho no ninho”.
PODER SEM PUDOR
POLÍTICO TEM MOLA
Durante a apresentação do pífio relatório da CPI do Banestado, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, era um deputado tucano e lamentou que "a montanha pariu um rato": só denunciou um político, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, para ele "um cachorro morto". O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), discordou na hora:
- Fundo do poço de político tem mola!
Círculo do cinismo - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 31/05
A cena se repete. Fosse num país minimamente cioso da coerência de seus políticos, quem sabe a encarássemos como "pegadinha" televisiva, ou até como alguma espécie de superstição inócua para garantir a boa sorte nas eleições.
Não. Apresenta-se como aliança real, mais uma vez, o conluio entre um candidato petista e o PP de Paulo Maluf com vistas a uma migalha de tempo no horário eleitoral.
É Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, quem repete agora o papel de Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e atual prefeito da capital, na pantomima das confraternizações com o tradicional figurão da política paulista.
O beija-mão de Haddad a Maluf, nas eleições para prefeito dois anos atrás, foi patrocinado por Lula. Desta vez, o ex-presidente faltou à cerimônia, deixando aos coadjuvantes o encargo pelas declarações de maior impacto.
Padilha tomou a palavra, enaltecendo as "contribuições" que o PP tem a dar nessa aliança. Além do minuto a mais no rádio e na TV, é difícil, contudo, saber que contribuições seriam essas --para nada dizer do que será exigido em troca.
Seria, por exemplo, na área de segurança pública? A habitual truculência de Paulo Maluf no trato dessa questão foi rememorada quando o ex-governador criticou a prevalência do crime organizado nas penitenciárias estaduais.
Estas se transformaram, disse Maluf, num "escritório" de facções criminosas. A denúncia não é absurda, mas tem sua dose de exagero. Também há reuniões desse tipo fora dos presídios; mais precisamente, segundo recente notícia, na sede de uma cooperativa de transportes, com a presença de um deputado estadual petista.
Mencione-se o fato para apontar uma bizarra reviravolta política. Em outros tempos, parecia ser o PT quem sacrificava seu antigo discurso "socialista" e "anticorrupção" ao buscar apoio de Maluf.
Estranhamente, agora é o lado malufista --com sua notória perspectiva policialesca-- que, depois de "contribuir" com o governo Geraldo Alckmin (PSDB), precisa fazer vista grossa. Completa-se, assim, um círculo de cinismo, em que todos se dão as mãos.
A cena se repete. Fosse num país minimamente cioso da coerência de seus políticos, quem sabe a encarássemos como "pegadinha" televisiva, ou até como alguma espécie de superstição inócua para garantir a boa sorte nas eleições.
Não. Apresenta-se como aliança real, mais uma vez, o conluio entre um candidato petista e o PP de Paulo Maluf com vistas a uma migalha de tempo no horário eleitoral.
É Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, quem repete agora o papel de Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e atual prefeito da capital, na pantomima das confraternizações com o tradicional figurão da política paulista.
O beija-mão de Haddad a Maluf, nas eleições para prefeito dois anos atrás, foi patrocinado por Lula. Desta vez, o ex-presidente faltou à cerimônia, deixando aos coadjuvantes o encargo pelas declarações de maior impacto.
Padilha tomou a palavra, enaltecendo as "contribuições" que o PP tem a dar nessa aliança. Além do minuto a mais no rádio e na TV, é difícil, contudo, saber que contribuições seriam essas --para nada dizer do que será exigido em troca.
Seria, por exemplo, na área de segurança pública? A habitual truculência de Paulo Maluf no trato dessa questão foi rememorada quando o ex-governador criticou a prevalência do crime organizado nas penitenciárias estaduais.
Estas se transformaram, disse Maluf, num "escritório" de facções criminosas. A denúncia não é absurda, mas tem sua dose de exagero. Também há reuniões desse tipo fora dos presídios; mais precisamente, segundo recente notícia, na sede de uma cooperativa de transportes, com a presença de um deputado estadual petista.
Mencione-se o fato para apontar uma bizarra reviravolta política. Em outros tempos, parecia ser o PT quem sacrificava seu antigo discurso "socialista" e "anticorrupção" ao buscar apoio de Maluf.
Estranhamente, agora é o lado malufista --com sua notória perspectiva policialesca-- que, depois de "contribuir" com o governo Geraldo Alckmin (PSDB), precisa fazer vista grossa. Completa-se, assim, um círculo de cinismo, em que todos se dão as mãos.
O tamanho do Congresso - FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 31/05
BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral fez uma nova divisão das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados entre os 26 Estados e o Distrito Federal. O Congresso não gostou e recorreu ao Supremo Tribunal Federal.
Essa disputa poderia reabrir o debate sobre a assimetria nas representações --o fato de um voto de Roraima (com 8 deputados e 500 mil habitantes) valer muito mais que um voto de São Paulo (70 deputados e 44 milhões habitantes). É quase impossível que os políticos aceitem consertar essa anomalia.
Mas há outro aspecto ainda menos debatido sobre a composição do Poder Legislativo. Trata-se do tamanho da representação nas "Casas do Povo", tanto no nível federal como nos âmbitos estaduais e municipais.
Para ficar aqui em Brasília, a pergunta é: por que a Câmara dos Deputados precisa de 513 cadeiras? E por que o Senado deve ter três senadores para cada unidade da Federação?
O Brasil tem 203 milhões de habitantes. Nos Estados Unidos, a população é de 315 milhões. Em Washington, o órgão equivalente à Câmara de Deputados tem 435 assentos. Os norte-americanos elegem apenas dois senadores por Estado, e não três.
Com mais de 20 partidos num Congresso com 513 deputados e 81 senadores, há quase sempre muito alarido improdutivo e poucos debates relevantes. No início dos anos 1960, a Câmara tinha 404 cadeiras. Veio a democracia e chegou-se agora aos incríveis 513 deputados federais.
O número pode crescer. A Constituição diz que nenhum Estado terá menos de 8 nem mais de 70 deputados. Em tese, se a população for aumentando (é esse o indicador para distribuir vagas), um dia poderá haver uma Câmara com mais de mil deputados. O horror, o horror.
É mínima a chance de vingar tal despautério. Hoje, ninguém tem coragem de defender a ideia em público. No futuro, quem sabe? Essa brecha demonstra como ainda é imperfeita a democracia no Brasil.
BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral fez uma nova divisão das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados entre os 26 Estados e o Distrito Federal. O Congresso não gostou e recorreu ao Supremo Tribunal Federal.
Essa disputa poderia reabrir o debate sobre a assimetria nas representações --o fato de um voto de Roraima (com 8 deputados e 500 mil habitantes) valer muito mais que um voto de São Paulo (70 deputados e 44 milhões habitantes). É quase impossível que os políticos aceitem consertar essa anomalia.
Mas há outro aspecto ainda menos debatido sobre a composição do Poder Legislativo. Trata-se do tamanho da representação nas "Casas do Povo", tanto no nível federal como nos âmbitos estaduais e municipais.
Para ficar aqui em Brasília, a pergunta é: por que a Câmara dos Deputados precisa de 513 cadeiras? E por que o Senado deve ter três senadores para cada unidade da Federação?
O Brasil tem 203 milhões de habitantes. Nos Estados Unidos, a população é de 315 milhões. Em Washington, o órgão equivalente à Câmara de Deputados tem 435 assentos. Os norte-americanos elegem apenas dois senadores por Estado, e não três.
Com mais de 20 partidos num Congresso com 513 deputados e 81 senadores, há quase sempre muito alarido improdutivo e poucos debates relevantes. No início dos anos 1960, a Câmara tinha 404 cadeiras. Veio a democracia e chegou-se agora aos incríveis 513 deputados federais.
O número pode crescer. A Constituição diz que nenhum Estado terá menos de 8 nem mais de 70 deputados. Em tese, se a população for aumentando (é esse o indicador para distribuir vagas), um dia poderá haver uma Câmara com mais de mil deputados. O horror, o horror.
É mínima a chance de vingar tal despautério. Hoje, ninguém tem coragem de defender a ideia em público. No futuro, quem sabe? Essa brecha demonstra como ainda é imperfeita a democracia no Brasil.
Basta de fingir - Cristovam Buarque
Cristovam Buarque
O Brasil comemora sua posição de sétimo maior PIB do mundo, mas o PIB per capita rebaixa o país para a 54ª posição no cenário mundial; no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ficamos em 85º lugar. Fingimos ser ricos, apesar da pobreza.
Nos últimos 20 anos, passamos de 1,66 milhão para 7,04 milhões de matrículas nos cursos superiores, mas quase 40% de nossos universitários sabem ler e escrever mediocremente, poucos sabem a matemática necessária para um bom curso nas áreas de ciências ou engenharia, raros são capazes de ler e falar outro idioma além do português. Fingimos ser possível dar um salto à universidade sem passar pela educação de base.
Comemoramos ter passado de 36 milhões, em 1994, para 50 milhões de matriculados na educação básica, em 2014, sem dar atenção ao fato de termos 13 milhões de adultos prisioneiros do analfabetismo; 54,5 milhões de brasileiros com mais de 25 anos não terminaram o Ensino Fundamental e 70 milhões não terminaram o Ensino Médio. Fingimos que os matriculados estão estudando, quando sabemos que passam meses sem aulas por causa de paralisações ou falta de professores.
A partir de 1995, no Distrito Federal e em Campinas, iniciamos um programa que serve de exemplo ao mundo inteiro, atualmente chamado de Bolsa Família e que transfere por mês, em média, R$ 167 por pessoa pobre, o que lhe assegura R$ 5,67 por dia, valor insuficiente para aliviar suas necessidades mais essenciais.
E fingimos que, com esta transferência, estamos erradicando a pobreza que é caracterizada efetivamente pela falta de acesso aos bens e serviços essenciais que não estamos oferecendo. Fingimos ter 94,9 milhões na classe média, sabendo que a renda média mensal per capita dessas pessoas está entre R$ 291 e R$ 1.019, quantia insuficiente para uma vida cômoda, especialmente em um país que não oferece educação e saúde públicas de qualidade.
Comemoramos o aumento da frota de automóveis de, aproximadamente, 18 milhões, em 1994, para 64,8 milhões, em 2014, fingindo que isto é progresso, mesmo que signifique engarrafamentos monumentais.
Comemoramos, corretamente, termos desfeito uma ditadura, esquecendo que a democracia está sem partidos e a política se transformou em sinônimo de corrupção. Fingimos ter uma democracia com liberdade de imprensa escrita em um país onde poucos são capazes de ler um texto de jornal. Assistimos a 56 mil mortos pela violência ao ano, e fingimos ser um país pacífico, sem uma guerra civil em marcha.
Fingimos ser um país com ambição de grandeza, mas nos contentamos com tão pouco que os governantes se recusam a ouvir críticas sobre a ineficiência dos serviços públicos. Preferem um otimismo ufanista, comparando com o passado que já foi pior, e denunciam como antipatriotas aqueles que ambicionam mais e criticam as prioridades definidas e a incompetência como elas são executadas. Antipatriota é achar que o Brasil não tem como ir além, é acreditar nos fingimentos.
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF).
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